segunda-feira, 24 de agosto de 2015

O Papel-Chave da Democracia nos Tempos Finais



A Democracia iniciou uma marcha vitoriosa no decorrer do século 20. Principalmente depois do final da Segunda Guerra Mundial ela alcançou o status de paradigma (padrão ou modelo para todos os casos semelhantes)... Como avaliar esse desenvolvimento do movimento democrático? Podemos aprová-lo sem ressalvas, como tantos têm feito em tantos lugares? A Palavra de Deus e suas declarações proféticas acerca dos tempos finais nos exortam à sobriedade e à vigilância – também em relação ao processo democrático.

Democracia é uma palavra grega formada por duas partes: demos é povo e kratos significa domínio. Portanto, Democracia seria “o governo do povo”.

O conceito de Democracia define a forma de governo que surgiu e se estabeleceu na antiga Grécia nos anos 509-458 a.C. Ela diferenciava a Grécia dos países ao seu redor, governados por um rei. Uma das características principais da Democracia é o poder estar nas mãos de representantes do povo (o Parlamento), complementado por outras duas instâncias: o Governo (o Executivo) e o Poder Judiciário. Esses três poderes funcionam como partes de um todo: o Parlamento é a instância legislativa, o Governo é o poder executivo e os Tribunais supervisionam a correta aplicação das leis. A grande vantagem dessa forma de governo é o controle mútuo dos três organismos governamentais (o sistema de “checks and balances” – controles e equilíbrios), que dificulta o surgimento de uma ditadura. Mas o sistema tem duas fraquezas:

  1. Primeiro, a Democracia em si não possui valores que tornem o Estado apto e capaz. O único valor que o sistema democrático exige categoricamente é que o poder seja exercido pelo povo – independentemente da condição moral desse povo.
  2. Segundo, o sistema democrático pressupõe que todos os membros da sociedade tenham disciplina e virtude acima da média. Um movimento democrático com governantes e governados sem disciplina e sem virtude transforma-se rapidamente em ditadura. Uma profusão de exemplos antigos e atuais comprovam essa tese.

Apenas essas duas fraquezas da Democracia já bastariam para nos deixar atentos e de olhos bem abertos, especialmente em sua relação com as profecias bíblicas. Mas há outras razões que fazem da “Democracia” um conceito-chave nos tempos finais e um tópico que merece a atenção dos cristãos.
O cerne da problemática acerca da questão da Democracia é representado pela pergunta: “Quem tem autoridade?”. Tanto a Bíblia como o sistema democrático respondem essa pergunta, só que as respostas são tão diferentes entre si como a noite difere do dia.

O conceito bíblico de autoridade


Muitas e muitas vezes a Palavra de Deus salienta que toda autoridade pertence ao Deus vivo e emana dEle pessoalmente. O próprio Deus é a autoridade em si. Esse é o tema central do livro de Daniel e uma das doutrinas centrais da Bíblia. A frase “Eu sou o Senhor”, no sentido de uma declaração autoritativa, é encontrada sete vezes só nos doze capítulos entre Isaías 40 e 51, e temos muitas outras passagens bíblicas do Antigo Testamento com o mesmo teor, repetindo que toda a autoridade vem do Senhor Deus. Assim, a autoridade conforme Deus a quer é sempre uma autoridade exercida a partir do Alto.

Outra particularidade da autoridade como Deus a quer e a vê consiste no fato de que Ele, no decorrer da História da humanidade, delegou Sua autoridade a homens. Deus ordenou a Adão e Eva: “E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja na terra” (Gn 1.28). Enquanto Adão e Eva se sujeitaram à autoridade divina, tinham autoridade sobre a Criação. Mas, com a queda em pecado perderam essa autoridade. Mesmo depois dessa catástrofe, porém, o Senhor achou pessoas que se submeteram confiadamente à Sua autoridade suprema, tornando-se, assim, portadoras da autoridade divina. Moisés, escolhido por Deus para ser autoridade sobre o povo de Israel, tornou-se o legislador dessa nação e o mediador da Antiga Aliança entre Deus e os judeus. Mas as declarações proféticas de Daniel foram além de Israel, expondo a moldura geral do quadro das nações como viria a se apresentar por toda a História mundial (Dn 2; Dn 9.24-27). Esses homens, juntamente com todos os detentores de autoridade e poder no Antigo Testamento, tinham certeza de uma coisa: toda autoridade vem de Deus e minha responsabilidade primeira diante dessa autoridade consiste em me curvar incondicionalmente a ela e obedecer-lhe com toda a confiança.

Na Nova Aliança o Senhor confirmou Sua reivindicação de autoridade de forma resumida, porém abrangente em seu alcance, ao afirmar categoricamente que “não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas” (Rm 13.1b). No âmbito dessa Nova Aliança, Deus declarou explicitamente algumas pessoas como investidas de autoridade em uma sociedade constituída hierarquicamente:

  1. As autoridades do Estado em relação aos cidadãos (Rm 13.3-7).
  2. Os anciãos são autoridade sobre os membros da igreja (1 Ts 5.12-13; 1 Pe 5.5).
  3. Os patrões têm autoridade sobre os empregados (Ef 6.5-8; Cl 3.22; 1 Tm 6.1; Tt 2.9-10; 1 Pe 2.18-21).
  4. O marido tem autoridade sobre a esposa (1 Co 11.3; Ef 5.22-24; 1 Pe 3.1).
  5. Os pais têm autoridade sobre os filhos (Ef 6.1-3; Cl 3.20).

Em todas essas relações entre quem manda e quem obedece, as autoridades estão sempre debaixo da obrigação, claramente formulada no texto bíblico, de amar e cuidar de seus subordinados. Apesar disso, continua válido o princípio de que a legitimação divina para exercer autoridade foi concedida ao superior, não ao subalterno. Esses detentores de autoridade são as instituições que sustentam a ordem social bíblica, os reais pilares da sociedade.

O conceito democrático de autoridade


Na ordem democrática, ao contrário da Bíblia, é a população, e não Deus, quem delega sua autoridade aos organismos estatais. No sistema democrático, Deus não desempenha papel algum. O Parlamento é a reunião daqueles que o povo escolheu para representar seus interesses através das leis que formula. O Governo (Executivo) deve fazer valer essas leis, e o Judiciário deve zelar para que os interesses do povo sejam atendidos dentro das normas da lei.

Formulando de outra maneira, podemos afirmar que nesse sistema a autoridade vem basicamente “de baixo”. Não é raro ouvirmos declarações dizendo que certas reivindicações são “das bases”. Em caso extremo, significaria que não é válido o que as autoridades dizem, mas o que o povo diz (= os subalternos).

Quando a democracia tornou-se um assunto cada vez mais relevante na Europa e nos Estados Unidos no final do século 18 e a partir da metade do século 19, vindo a ser um tema debatido e pensado publicamente, havia o temor de que essa característica do poder legitimado a partir de baixo poderia conduzir a uma “posição de poder do populacho”, a quem os órgãos estatais não poderiam mais controlar ou frear. As discussões lembravam daqueles casos em que uma sociedade democrática decadente transformou-se em ditadura (por exemplo, o repetido surgimento de figuras autoritárias dentro da Democracia grega no quinto século a.C. até Alexandre, o Grande, no final do século IV a.C.; Roma antiga no decorrer do primeiro século a.C.; o desenvolvimento na França a partir dos primórdios da Revolução Francesa até a ditadura militar de Napoleão Bonaparte).


No modelo bíblico, a autoridade vem de cima e existe o vínculo com Deus. No conceito democrático, a autoridade vem de baixo e Deus não tem qualquer relevância. Na realidade, as diferenças parecem tão significativas a ponto de impossibilitar que esses dois conceitos se fundam.

Assim como o modelo bíblico, o modelo democrático também tem algumas instituições de grande peso:

  1. Já citamos que a população é a instância que molda a autoridade do Estado.
  2. A noção de um pacto social: O Contrato Social ou Princípios do Direito Político foi uma das principais obras do filósofo francês Jean-Jacques Rousseau. Editado pela primeira vez em 1762, exerceu influência decisiva sobre o desenvolvimento da política interna francesa no final do século 18 (a Revolução Francesa foi em 1789). Uma das teses mais importantes do livro de Rousseau é a que preconiza que os membros da sociedade, por meio de um contrato, concordem com ordens válidas para todos. A “vontade comum” como base da sociedade seria absoluta e infalível (!). – Uma versão atualizada dessa concepção é o “Tratado de Lisboa”, o acordo de direito internacional público entre os 27 membros da União Européia, que, ao estilo de uma constituição, regula o ordenamento jurídico entre os países-membros desde 1 de dezembro de 2009.
  3. Os direitos fundamentais: No transcorrer da história do Direito, certos direitos e liberdades individuais foram sendo estabelecidas, liberdades que cabem ao cidadão individual em sua relação com o Estado, por exemplo, liberdade de fé e consciência, liberdade de expressão e liberdade de reunião. Direitos fundamentais são áreas do direito individual em que o Estado não pode interferir arbitrariamente. Se ainda assim interferir, poderá ser processado pelo cidadão.

A instituição dos direitos fundamentais desenvolveu-se no decorrer da Idade Moderna, especialmente desde o final do século 16. Nos séculos 16, 17 e 18 diversos monarcas europeus impuseram governos absolutistas aos seus países. Isso significava que seus cidadãos estavam expostos aos seus soberanos sem qualquer proteção jurídica e legal e tinham de aceitar toda e qualquer interferência ou arbitrariedade do governo, sem poder se defender. Um expoente clássico dessa concepção de Estado foi o rei francês Luís XIV, que dizia cheio de auto-glorificação: “L’Etat, c’est moi” (“O Estado sou eu”). Para coibir os abusos que ocorriam na aplicação prática dessa idéia de governar e exercer poder, e como forma de proteger os cidadãos, foram criados os Direitos Fundamentais.

Desde então, a noção de direitos fundamentais mudou muito. Os direitos individuais tornaram-se quase que uma zona-tabu do indivíduo, uma área intocável pelo Estado. O indivíduo pode entrar em cena não como subalterno mas reivindicando igualdade de voz.

Isso tem por conseqüência uma concepção completamente nova acerca daqueles que devem exercer a autoridade, diametralmente oposta ao que a Bíblia preconiza. Os que exercem autoridade conforme a Bíblia, recebem seu poder com a certeza de que “um dia prestarei contas a Deus pelo que me foi confiado”; “terei de provar se fui obediente às normas estabelecidas por amor ao Senhor e por amor ao próximo”. Segundo a Bíblia, os que estão sujeitos à autoridade têm a obrigação de obedecer. A autoridade moderna não tem, por sua vez, a obrigação de prestar contas, já que pensa basicamente em reivindicações, direitos e demandas. Essa diferença de postura produz personalidades com características completamente distintas entre si.

Constatamos que os conceitos de autoridade bíblica e/ou democrática diferem radicalmente. No modelo bíblico, a autoridade vem de cima e existe o vínculo com Deus. No conceito democrático, a autoridade vem de baixo e Deus não tem qualquer relevância. Na realidade, as diferenças parecem tão significativas a ponto de impossibilitar que esses dois conceitos se fundam. O desenvolvimento histórico dos últimos 250 anos, porém, comprova sinistramente que aconteceu justamente o contrário.

A marcha da Democracia


Durante muitos séculos, a idéia predominante de autoridade na Europa era de que autoridade vem de cima. O próprio Deus como fonte da autoridade não era um pensamento incomum para as pessoas marcadamente religiosas da Idade Média. Muitos governantes medievais, como os carolíngeos, reivindicavam a graça divina como sendo a base de sua autoridade. Essa concepção se manteve ativa até os tempos modernos. Inclusive, no prefácio da edição de 1611 da Bíblia King James (em inglês) lemos as seguintes palavras na dedicatória dos tradutores a Tiago I, rei inglês da época: “Grandes e multiformes foram as bênçãos, ó soberano e temido senhor, que o Todo-Poderoso Deus, o Pai de todas as misericórdias, concedeu a nós, o povo da Inglaterra, quando primeiramente enviou a real pessoa de Sua Majestade para nos determinar e governar...”. Essa citação é apenas um exemplo do quanto as pessoas da era moderna tinham a consciência de que seus regentes e governantes eram instituídos por Deus.

Já registramos que as idéias democráticas adquiriram mais e mais influência na Europa e nos Estados Unidos a partir do século 18, e mais fortemente a partir da metade do século 19. Em 1776 os Estados Unidos foram fundados com uma constituição democrática, e em 1848 seguiu-se a fundação da Suíça moderna como federação sob o regime de Estado de Direito. A França tornou-se república em 1870, e outros países seguiram esses exemplos ou limitaram os poderes dos reis através de corretivos democráticos. A vitoriosa jornada da democracia continuou no século 20 e se espalhou até pelo Terceiro Mundo.

O elemento especial na fundação de Estados no século 19 foi a circunstância de que, a partir de 1820, um gigantesco avivamento espiritual varreu muitos países da Europa e perdurou por diversas décadas. Uma das conseqüências desse despertamento espiritual foi que os fundadores desses novos países concederam grande importância aos valores bíblicos no momento de elaborar suas leis. O temor a Deus e à Sua Palavra ainda era tão grande que se reconhecia a bênção que repousava sobre a obediência ao que Deus diz. E as leis eram formuladas com esse temor e esse respeito à Palavra de Deus. As autoridades segundo a Bíblia exerciam a devida influência no ordenamento jurídico dessas nações. Em outras palavras, mesmo que as instituições democráticas recebessem sua autoridade de baixo, a influência espiritual (do alto) era tão forte que os sistemas jurídico e legal eram vistos como sendo instituídos e regulamentados a partir do alto. Dentro dessa noção de autoridade, então, era evidente que se salientasse a obediência às autoridades como obrigação indispensável dos cidadãos. Por exemplo, Bismarck, pioneiro da fundação do Estado alemão e primeiro chanceler do Império Alemão, fundado em 1871, era tão rigoroso nesse quesito que se chegava a falar em “Estado autoritário”. Os reflexos dessa concepção de autoridade se mantiveram até o final da Segunda Guerra Mundial.

O abandono dessa noção de autoridade começou com o domínio nacional-socialista na Alemanha, o “Terceiro Reich”. Hitler e seus acólitos exploravam inescrupulosa e criminosamente a obediência às autoridades. O resultado foi que, depois do final da Segunda Guerra e da concomitante decadência do cristianismo nos países europeus, milhões de pessoas desenvolveram uma negação instintiva e uma desconfiança renitente a toda e qualquer autoridade. A Escola de Frankfurt – um grupo de filósofos como Max Horkheimer, Theodor Adorno, Jürgen Habermas ou Herbert Marcuse, inspirados principalmente por Marx, Hegel e Freud, – deu formato intelectual a essa desconfiança e a sistematizou na Teoria Crítica. O ideário e a apreciação desse grupo de filósofos marcaram profundamente o pensamento europeu dos últimos 60 anos. O movimento feminista, a educação anti-autoritária na Pedagogia, a resistência à autoridade do Estado como legítima manifestação política, o movimento estudantil de 1968: todos esses movimentos sociais tinham suas raízes na Teoria Crítica, como a Escola de Frankfurt também poderia ser chamada. Essa corrente de pensamento humanista e ateísta recebeu mais apoio a partir de meados de 1980 através do movimento da Nova Era, que vinha entremeada de um componente ocultista (“Desde que nasce, todo homem tem Deus dentro de si na forma de chama divina”).

Por conseqüência dessa influência ideológica, em poucas décadas as autoridades que o Novo Testamento considerava como legítimas foram sendo desmontadas e esvaziadas em todos os níveis da sociedade. O que até então era considerado pilar da sociedade transformou-se em alvo a ser atacado. Na mídia, nas escolas, na família, nas empresas e fábricas foi contínua a pregação contra uma estrutura social caracterizada por valores cristãos. Um maciço retrocesso do saudável temor a Deus e da convicção da responsabilidade individual, bem como uma enorme perda de força moral foram as conseqüências lógicas. Hoje os cinco entes detentores de autoridade segundo os ensinos bíblicos restaram apenas como meras sombras daquilo que representavam há sessenta anos, ou mais ainda há cem anos.

Mas os resultados dessa manipulação ideológica do pensamento europeu se espalharam como as ondas circulares formadas quando se lança uma pedra na água: as instituições democráticas do Pacto Social e os Direitos Fundamentais adquiriram uma dimensão totalmente nova.

  1. O Pacto Social: Manifestações em massa tornaram-se um fator muito influente na formatação da vontade popular. Na consciência da sociedade e de suas autoridades, aos poucos um dogma foi se estabelecendo: “O que centenas de milhares de pessoas pedem nas ruas não pode estar errado!”.
  2. Direitos Fundamentais: Pensados originalmente como proteção legítima diante do poder do Estado, a idéia de direitos fundamentais da era moderna foi se desenvolvendo cada vez mais no sentido de: “Eu tenho os meus direitos e ninguém manda em mim”.

Se acoplarmos esses dois “direitos” da era pós-cristã com as possibilidades de manipulação que a mídia disponibiliza através de filmes, televisão, internet, música, jornais e revistas, apenas podemos imaginar o tamanho e o poder das forças anti-divinas em ação nos corações dos homens contemporâneos.

Na consciência da sociedade e de suas autoridades, aos poucos um dogma foi se estabelecendo: “O que centenas de milhares de pessoas pedem nas ruas não pode estar errado!”.

Quem pensa que, como cristão com uma base bíblica sólida e uma doutrina saudável, está imune a esses modismos perniciosos, engana a si mesmo. Nossa geração de cristãos encontra-se na era de “Laodicéia” (veja Ap 3.14-22). Nas questões da vida prática, permitimos ser muito mais influenciados por esses processos do que gostaríamos de admitir. A geração de nossos pais e avós na fé talvez tivesse menos conhecimento do que nós, mas quando nos questionam, com a Bíblia na mão, acerca de nossa prática de vida, da nossa compreensão e de nossas convicções a respeito da obediência singela à Palavra de Deus, nos deixam constrangidos e envergonhados em muitas questões do discipulado cristão. Muitos cristãos pensam, por exemplo, que teriam certos “direitos” em relação à liderança da igreja e reagem muito irritados quando são chamados à atenção ou quando alguém ousa repreendê-los.

As já mencionadas forças ideológicas também se fizeram sentir concretamente no dia-a-dia da política. Observemos alguns movimentos sociais que se levantaram em nome da democracia e mudaram a face do nosso mundo:

  1. O movimento de 1968: os jovens rebeldes de 1968 não apenas causaram um grande choque na sociedade burguesa; muitos de seus expoentes lograram mesmo fazer a “longa marcha através das instituições”, galgando posições de influência, especialmente na educação e na política.
  2. A queda da Cortina de Ferro em 1989/1990: o final da divisão da Europa foi desencadeado pelas gigantescas levas de refugiados e pelas manifestações públicas de proporções incontroláveis.
  3. A Revolução Laranja da Ucrânia entre novembro de 2004 e janeiro de 2005: depois de eleições manipuladas no outono de 2004, milhares de ucranianos insatisfeitos foram às ruas e protestaram por tanto tempo que a eleição foi anulada e repetida, com a vitória do candidato da oposição, Viktor Yushchenko, à presidência do país.

Dois fatos nessa cronologia são preocupantes:

  1. Primeiro, chama a atenção o fato dos intervalos entre esses grandes eventos estar se reduzindo paulatinamente. O moderno espírito da democracia levou a distúrbios sociais cada vez maiores e mais freqüentes.
  2. Em segundo lugar, esses movimentos tentaram alcançar seus alvos fora dos canais legais do Estado. Basta uma grande multidão insatisfeita (muitas vezes com razão) para lançar as instituições do Estado em uma situação de grande desequilíbrio. Não raro, as massas de manifestantes estavam e estão sendo influenciadas por fatores irracionais e acabam gerando a violência. Em 23 de março de 2011, o jornal Neue Zürcher Zeitung (de Zurique, Suíça) publicou um artigo sobre as reviravoltas no mundo árabe com o título: “No ritmo da revolução: rap, rock e pop fornecem uma espécie de música de fundo para as transformações políticas nos países árabes”. O prognóstico dos céticos da democracia no século 19, que pensavam que a democracia escancararia as portas para a influência manipulativa das massas, provou-se mais do que acertado.

Os acontecimentos recentes na Grécia fornecem uma verdadeira aula do que é possível sob essas condições ideológicas. Em nome do “Pacto Social” (a União Européia) um Estado democrático foi destituído de sua soberania. A dependência financeira da Grécia com a União Européia era tão grande que o Parlamento grego só conseguiu baixar a cabeça concordando com as propostas de austeridade fiscal. Um “não” teria significado a falência da Grécia. O povo grego – segundo as regras democráticas, o comitente do governo nacional – só pode ficar assistindo, impotente, à interdição de seu país. Manifestações e protestos foram a conseqüência óbvia. Tudo isso aconteceu na Grécia, o berço da Democracia.

O desmonte efetivo do Estado nacional grego foi apenas o começo desse processo em nível internacional. Aproxima-se o momento em que dez delegações políticas com competência global transferirão o poder que lhes foi delegado a um homem brilhante, com extraordinário carisma e capacitação impressionante para que, finalmente, resolva os problemas da humanidade (veja Ap 17.12-13). Esse será o momento de largada para a etapa final de um caminho que a própria humanidade caída elegeu em nome da “liberdade” e da “democracia”.

Ao encerrarmos aqui essa retrospectiva histórica, constatamos que os fatos reais básicos da sociedade foram completamente invertidos num prazo de apenas 250 anos. Especialmente depois do final da Segunda Guerra Mundial o princípio marcadamente cristão da “autoridade de cima” foi substituído pelo conceito democrático de autoridade, que é “de baixo”. Os atuais detentores de autoridade encontram-se embaixo, os valores apresentados às massas geralmente também vêm “de baixo”. Devido à erosão dos valores cristãos, a autoridade “de cima” tem pouco poder para se impor. Quando as autoridades defendem valores claramente cristãos, são massivamente atacadas na mídia e na política (por exemplo: o político católico Rocco Buttiglione, que em 2004 condenou a homossexualidade por considerá-la contra a Criação. Por causa dessa declaração, não conseguiu tomar posse em seu cargo na Comissão da União Européia). Uma mudança nessa tendência não está à vista. Seria muita ingenuidade acreditar que a forma de organização democrática de muitos países representaria uma proteção eficaz contra os enganos dos tempos finais. Quem avalia realisticamente o desenvolvimento espiritual do mundo ocidental, especialmente da Europa, não pode esperar por uma reviravolta. Por isso, impõe-se a pergunta: O que nos espera?

Abandonando as ilusões: pessoas que se posicionam do lado de Jesus Cristo como Deus, que se firmam na Bíblia como Palavra de Deus e são a favor do verdadeiro significado da uma obediência singela a essa Palavra, enfrentarão tempos cada vez mais difíceis. Wim Malgo, fundador da Chamada da Meia-Noite, já dizia na década de 1960 que a Europa se transformaria em uma região onde a vida seria difícil para os verdadeiros seguidores de Jesus. As décadas transcorridas desde então só validaram seu prognóstico em todas as áreas. Como estamos nos equipando para os desafios que esperam por nós?

Enfrentando os desafios da nossa época


O próprio Senhor Jesus dá três conselhos à geração-“Laodicéia”, que é a nossa. Se obedecermos a esses conselhos não falharemos como cristão nem seremos envergonhados diante do Senhor:

  1. “Aconselho-te que de mim compres... colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas” (Ap 3.18). Essa é uma exortação a uma auto-avaliação sóbria e consciente. Precisamos ficar de olhos bem abertos. Se medirmos honestamente nossa vida prática segundo os parâmetros da sagrada Palavra de Deus, constataremos que somos muito mais débeis espiritualmente do que nossa percepção nos sugere. Essa clareza na auto-avaliação é dolorida, mas nos livra da ilusão acerca de nós mesmos, marca tão característica de Laodicéia (Ap 3.17).
  2. “Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres” (Ap 3.18). O fogo é um símbolo da provação que purifica, cristaliza e aglutina aquilo que é precioso. Ser fiel ao Senhor e à Sua Palavra nos proporcionará sofrimento em uma época cada vez mais anticristã. Para um crente sincero e comprometido, esse fogo terá apenas o efeito de purificá-lo mais e mais e de aumentar o tesouro de sua fé.
  3. “Aconselho-te que compres de mim... vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez” (Ap 3.18). Depois que já recebemos as vestes de justiça pela fé no Senhor Jesus Cristo como dom da graça de Deus, comprar vestiduras brancas significa uma exortação à obediência prática e ao afastamento do mundanismo, tão típico da era de Laodicéia.
Assim, além desses corretivos evidentes na Palavra de Deus para nossa época, devemos nos preocupar com as pessoas ao nosso redor que ainda não conhecem a Jesus como Salvador, levando-lhes, com muito amor, o Evangelho claro e autêntico. Quanto mais nos rejeitarem por causa de Jesus, mais mansamente devemos reagir. Nossa geração tem a possibilidade de aprender de uma maneira toda nova o que significa “seguir o Cordeiro por onde quer que vá”, como fazia o grupo mencionado em Apocalipse 14.4. Somos seguidores do Cordeiro. Ele nos guia, Ele é nossa autoridade. Isso nos coloca em descompasso com nossa época. Mas, coloca-nos também em um contexto de bênção, permitindo-nos usufruir privilégios que o mundo desconhece.


Fonte:
Chamada.com.br – Peter Bertschinger


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terça-feira, 18 de agosto de 2015

Inimigos da Cruz de Cristo



... muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes, eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas ... (Filipenses 3.18-21).

O apóstolo Paulo alerta veementemente para o fato de que tem muita gente não se identificando com a mensagem da cruz, desinteressados do escandaloso amor de Jesus, não desejando estar crucificados com Cristo, nem morrer para o mundo. Quando estava preso, alegrou-se e cantou na cadeia. Mas aqui ele repete seu alerta em meio a lágrimas e choro. Afinal, o que precisamos saber a respeito sobre estes a quem chamou de inimigos da cruz?

Os inimigos da cruz se infiltram na igreja (muitos andam entre vós). 


Temos a tendência de pensar que os inimigos estão lá fora. Mentira! Lá fora estão os que precisam conhecer a cruz. Aqui dentro infiltram-se inimigos. Tem cara de ovelha, mas são lobos roubadores e vorazes disfarçados de ovelhas (Mt 7.15; At 20.29). Não são estrangeiros. É gente de dentro, que sabe a linguagem, mas não tem o coração, tem o trejeito, mas não a rendição, parecem, mas não são. Mas não é só isso. Todos nós corremos o risco de, mesmo crentes verdadeiros, estarmos inimigos. Mesmo declarando Jesus verdadeiramente como o "Cristo" (ungido, Messias) podemos reprovar a cruz no momento seguinte, como Pedro (Mc 8.29-34). Pode ser o outro, mas posso estar eu mesmo.

Os inimigos da cruz querem desviar a salvação (o destino deles é a perdição). 


"Destino", do grego telos, significa propósito, objetivo, encargo. O objetivo deles é que as pessoas não conheçam a mensagem da salvação. Como fazem isso? Desviando da verdade. Colocam a salvação como fruto do esforço humano ao invés de dádiva divina, obtido do cumprimento da lei, ao invés do Cristo crucificado. A Gênese disso pode ser encontrada na história de Caim e Abel (Gn 4). Quando Caim nasce, Eva declara: adquiri um varão com o auxílio do Senhor (v 1). É a raiz do humanismo onde a ação do ser humano está em primeiro plano e Deus aparece como coadjuvante. Quando Abel nasce, o texto simplesmente diz: depois, deu à luz a Abel, seu irmão (v 2). Abel significa "sopro", "fôlego", simbolizando dádiva divina. A história dos irmãos segue e culmina quando trazem oferta ao Senhor. Caim traz o fruto de seu trabalho e esforço na terra. Deus não aceita. Abel traz as primícias do seu rebanho, apontando para o Cordeiro de Deus. Deus se agrada. Caim fica irado e mata Abel. O humanismo quer matar o cristianismo. É inimigo. Enquanto objetivo do inimigo é a perdição de muitos, o objetivo do amigo é a salvação de todos.

Os inimigos da cruz cultuam-se a si mesmos (o deus deles é o ventre). 


Sua fala gira em torno de si mesmos, ora como vítimas, ora como heróis, são o alvo final. Falam de suas obras, realizações e conquistas. Utilizam-se do ambiente da família da fé para se apropriarem da atenção em torno de si próprios. Com palavras enganosas, mas cultuam suas próprias vaidades, seu ventre, seu ser. Tornam-se o centro da atenção, da comoção. Bajulam a si mesmos. Têm fome de fama, apetite pelas oferendas do povo para si mesmos. São movidos pelas paixões e movem outros para as mesmas paixões. Não aparecem com chifre, rabo e tridente nas mãos, mas estão trajados com aparência de engano e palavras segundo as próprias cobiças que fazem coceira nos ouvidos (2 Tm 4.3).

Os inimigos da cruz expõem o que deveria ser coberto (a glória deles está na sua infâmia)


Orgulho do que deveriam se envergonhar. Orgulham-se no que não tem glória em si mesmo. Alimentam-se do que envergonha, principalmente, da vergonha alheia. Como abutres, alimentam-se da carniça, julgando tudo e todos sumariamente. Sem piedade, espalham a infâmia até através da oração. A cruz veio cobrir (não encobrir, ocultar) o pecado. A cruz veio perdoar, redimir, pagar. Por isso, como disse Paulo, longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo (Gl 6.14). Nossa glória está na salvação, e não na condenação, na libertação, e não em jogar pedras, na restauração e não na queda. O amor de Cristo na cruz cobre as transgressões, a multidão dos pecados (Pv 10.12; 1 Pe 4.8).

Os inimigos da cruz estão restritos à vida terrena (só se preocupam com as coisas terrenas)


Pensam somente nas coisas que são deste mundo. Amam este mundo e tudo o que nele há (1 Jo 2.15). Amam o dinheiro (1 Tm 6.10), ou no extremo da avareza ou no outro extremo consumista. Também buscam obcecadamente poder e influência. Lembre-se, mesmo os discípulos estavam obcecados por isso. Jesus anunciou sua morte (Mc 8.31) e em seguida é repreendido por Pedro (Mc 8.32). Jesus anuncia pela segunda vez sua morte (Mc 9.31) e pega seus discípulos discutindo quem era o maior (Mc 9.34). Outra vez anuncia sua morte (Mc 10.33-34) e em seguida Tiago e João pedem que se assentem à direita e esquerda (Mc 10.37). Inimigos da cruz fazem isso. Em meio ao brilho do amor de Cristo na cruz, querem se sobressair, se aproveitar, tirar vantagem. Mesmo quando se fala do céu, estão dominados pelos pensamentos da terra. Perdem a perspectiva do eterno, do que tem maior valor, do que tem real valor. Sua agenda é outra, seu interesse é mundano. Acumulam para si riquezas que a traça consome e não acumulam riquezas incorruptíveis. Mesmo ao lado de Jesus, têm outros interesses.

A palavra de alerta serve para também enfatizar o outro lado. Fomos chamados para ser amigos da cruz, amigos da obra de Cristo, amigos do próprio Cristo. Os amigos imitam uns aos outros naquilo que imitam a Cristo. Os amigos vivem a vida aqui com a perspectiva do céu, vivendo os valores da pátria celestial. Vamos viver como amigos de Cristo!

Fonte:
Instituto Jetro - Rodolfo Garcia Montosa

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sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Você está descontente?


Cristãos devem ser pessoas contentes. Nós vemos isto demonstrado nas Escrituras através da vida do apóstolo Paulo (Fp 4.9-11). Também vemos que isso nos é ordenado em Hebreus 13.5. Bom, o que é contentamento? Eu defini da seguinte forma: Contentamento é o tranquilo espírito interior que alegremente se submete à providência de Deus.

Como você sabe que está Descontente?


1. Você está murmurando sobre o Presente?


Se nós estamos reclamando sobre algo que estamos passando no presente momento, então estamos discutindo com Deus. Estamos dizendo que nós não deveríamos estar passando pelo que estamos passando. Nossas experiências presentes nos servem como um ímã para puxar a nós ou o nosso descontentamento ou o nosso contentamento. Se estamos murmurando, então podemos ter certeza de que nós não somos contentes. Estamos essencialmente dizendo que Deus está fazendo algo errado.

Devemos perceber que tal descontentamento questiona a sabedoria, bondade, e poder de Deus.

2. Você tem amarguras por causa do Passado?


Todo mundo já passou por dias difíceis. Alguns sofreram mais que outros, mas todos já sentiram o aguilhão do pecado e dor que nosso mundo decaído nos dá. Muitas pessoas vivem sob a nuvem de suas experiências passadas e se tornam cada vez mais amarguradas. Com o passar do tempo, nós revisitamos e analisamos as situações a partir da perspectiva de uma vítima, somente para alimentar a nossa amargura. Não podemos estar contentes no presente quando estamos alimentando amargura a respeito do passado. Estamos essencialmente dizendo que Deus fez algo errado.

Devemos perceber que tal descontentamento questiona a sabedoria, bondade, e poder de Deus.

3. Você está preocupando com o Futuro?


O que vai acontecer amanhã? Como saberei que realmente tudo vai estar bem? Onde vou trabalhar? Com quem casarei? Podemos fazer centenas de outras perguntas acerca do futuro, mas a conclusão é que nós não sabemos. E não podemos saber. Infelizmente, muitas pessoas sentam-se no cativeiro da preocupação a respeito do futuro e perdem o gozo do contentamento no presente. Jesus diz que isso é a característica do incrédulo (Mt 6:25-34) e não do crente, que conhece e confia em Deus. Se estamos nos preocupando, então estamos essencialmente dizendo que Deus fará algo errado.

Devemos perceber que tal descontentamento questiona a sabedoria, bondade e poder de Deus.

Como aconselhamos a nós mesmos?


1. Lembre-se da Doutrina da Providência.


Providência basicamente significa que Deus está trabalhando cumprir todas as coisas que devem acontecer. Ele está envolvido nos detalhes; por meio dela, com as Sua mãos, Ele sustenta e governa todas as coisas (como diz o catecismo). Isto significa que qualquer coisa que aconteceu, está acontecendo ou acontecerá vem com sanção divina. E mais, cristãos em especial devem ser encorajados a lembrar que a providência divina significa que ele está operando todas as coisas de forma que elas contribuam juntamente para a Sua glória e o nosso bem (Rm 8.28). Quando eu estou insatisfeito a respeito do passado, presente ou do futuro, então eu estou lutando contra o governo de Deus, questionando Sua sabedoria e duvidando do Seu amor. Se estamos insatisfeitos, então devemos nos lembrar da confortante doutrina da providência de Deus.

2. Lembre-se da Bondade de Deus.


Estar descontente é questionar a bondade de Deus. Lembremos que as coisas não estão “boas” porque dizemos que elas estão boas. As coisas estão “boas” porque elas estão consistentes com quem Deus é e com o que Ele diz que é bom. Ele é o juiz da bondade. “Tu és bom e abençoador” (Sl 119,68). Enquanto nós, como crentes, podemos ter dificuldades em aceitar o rótulo de Deus daquilo que é bom (Rm 8:28) nós podemos ter certeza de que a dificuldade não é com a definição de Deus, mas com a nossa percepção do que é bom. Nós podemos diagnosticar e aconselhar muito dos nossos problemas pessoais se interpretarmos nossas circunstâncias à luz do caráter de Deus ao invés de interpretar o caráter de Deus à luz das nossas circunstâncias. Ele é bom.

3. Lembre-se da cruz


O mais importante remédio que temos para nossas almas é a cruz. É o colírio que remove a irritação dos olhos das nossas almas e focaliza a nossa vista com clareza baseada na verdade. A cruz nos faz lembrar o que nós merecemos. Nós não merecemos misericórdia mas a recebemos. Deus interviu na nossa eterna celebração egoísta e pregou o nosso pecado na cruz (Col. 2:14). Não podemos jamais falar daquilo que merecemos quando estamos debaixo da sombra da cruz. A cruz nos lembra que Jesus recebeu o que nós merecemos e nós recebemos o que Jesus mereceu. É difícil murmurar e reclamar quando você lembra que merece o inferno.

Mas a cruz também nos lembra que Deus é confiável. Não é este o maior problema para nós? Você pode confiar em Deus? Bem, coloque-se novamente sob a sombra da cruz e deixe o apóstolo interpretá-la para você a aplicá-la às experiências da nossa vida: “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes, o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?” (Romanos 8:32)

Se você pode confiar em Deus para cuidar dos maiores problemas (pecado/morte) então você pode confiar que ele vai cuidar de você em coisas secundárias (tudo mais).

Se desejamos aprender a ter contentamento, então temos que ser capazes de reconhecer o descontentamento. Se estamos murmurando, amargurados ou preocupados então podemos ter certeza de que estamos descontentes. Devemos correr de volta ao Deus da Palavra e à Palavra de Deus para sermos relembrados da verdade.


Fonte:
Reforma 21 - Erik Raymond
Traduzido por Nayara Andrejczyk | Original aqui
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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Entre turistas e peregrinos


“Todos estes viveram pela fé, e morreram sem receber o que tinha sido prometido; viram-no de longe e de longe o saudaram, reconhecendo que eram estrangeiros e peregrinos na terra” (Hebreus 11.13).

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman usa a imagem do turista para representar um comportamento bastante comum nos dias de hoje. Turista é aquele indivíduo que visita muitos lugares, mas não pertence a nenhum deles. Às vezes, fica extasiado com aquilo que vê; em outras ocasiões, o desdenha por ter em sua mente um grande quadro comparativo de lugares e situações. Seja qual for seu sentimento, não pretende se comprometer com nada à sua volta. Afinal, está apenas de passagem. Sua maior motivação está vinculada à descoberta de novos lugares, à vivência de novas experiências.

Por outro lado, Bauman apresenta a imagem do peregrino. O peregrino é uma espécie em extinção em nossa cultura contemporânea. Diferentemente do turista, ele não está envolvido numa aventura de entretenimento, mas numa jornada que tem um início, um meio e um fim. Algo o moveu a iniciar a jornada, e ele percebe que, ao longo dela, existe uma missão a ser vivenciada – e a realidade última se encontra no fim da caminhada. Tudo o que presencia ao longo do caminho são pontos de referência de grande importância e, portanto, tratados com grande reverência por parte do peregrino.

Interessante que não poucas vezes na história da espiritualidade cristã os discípulos de Cristo são comparados aos peregrinos. Existe uma estreita relação entre a jornada de um cristão e a experiência de um peregrino. Ambas possuem alguns elementos em comum: a consciência de que a realidade última está ainda por vir; a sensibilidade de que o caminho que trilham pertence ao processo da descoberta e do preparo de si mesmo para esta realidade final; e, por fim, o senso de missão para com os lugares por onde passam e as pessoas que encontram em direção do lugar almejado.

As metáforas de Bauman remetem-nos às maiores barreiras impostas pela nossa cultura ao desenvolvimento de uma espiritualidade biblicamente consistente e sadia. Em nossas igrejas, não é difícil constatar a presença massiva de pessoas mais parecidas com turistas do que com peregrinos. Elas estão ali para usufruir do espaço, degustar das informações transmitidas do púlpito e, principalmente, experimentar o clima. Tão logo se sintam saciados com o que é oferecido e com a forma como as coisas acontecem, são tomados pelo tédio; logo serão impulsionados na direção de um novo lugar, onde encontrarão novas informações e terão novas experiências.

Como consequência disso, é triste constatar que algumas de nossas igrejas se tornaram “centro turísticos”, com diferentes elementos de fascinação. Em algumas delas, a atração principal é o famoso pregador com seu poder de reflexão; em outras, é a música de adoração, com seu poder de arrebatamento coletivo. Há também denominações onde o clímax é o momento de oração, com seu alardeado poder de convencer Deus a agir e, até mesmo, de coagi-lo a mudar de ideia diante de determinadas situações.

O que muitos cristãos não se dão conta é da completa inviabilidade de uma espiritualidade sadia nessa cultura gerada por demandas de turistas. Enquanto turistas estão comprometidos apenas com o próprio prazer e seu insaciável desejo por entretenimento, peregrinos estão comprometidos com uma jornada na qual possuem uma vocação a ser exercida ao longo do caminho. Enquanto turistas consomem lugares e atrações como fins em si mesmos, peregrinos estabelecem relacionamentos, caminhando com reverência e integrando as experiências – e as pessoas que encontra – na construção da própria maturidade. Turistas estabelecem relacionamentos frágeis e descartáveis; peregrinos descobrem, especialmente na vivência com aqueles com quem caminham lado a lado na jornada, uma grande fonte de consolo, confronto, encorajamento e sabedoria.

Turistas, de forma geral, não possuem qualquer compromisso para com o mundo à sua volta. Afinal, pensam, estão apenas de passagem, e importa apenas aproveitar o momento, antes de seguir viagem. Já peregrinos estão numa jornada que os faz o próximo daquele que está à beira do caminho, tal como o samaritano da parábola. Eles querem ser luz e sal, sentem o chamado para influenciar os outros com sua ação e testemunho.

Como cristãos, temos tido uma postura de turista ou de peregrino diante da nossa comunidade e para com o mundo no qual estamos inseridos? Qual seria o reflexo em nossas vidas, comunidades e sociedades se, na contramão da cultura do superficial e do transitório, aceitássemos o desafio de viver como peregrinos, e não turistas?

Fonte:
Chácara Primavera via Sou da Promessa
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sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Para discipular é necessário ser um discípulo


“Jesus ia passando por todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando as boas novas do Reino e curando todas as enfermidades e doenças. Ao ver as multidões, teve compaixão delas, porque estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor. Então disse aos seus discípulos: ‘A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Peçam, pois, ao Senhor da seara que envie trabalhadores para a sua seara’”. Mateus 9:35-38

Atualmente vivemos numa sociedade em que a internet e as redes sociais estimulam as pessoas a terem seguidores virtuais e a serem seguidos virtualmente. Esses seguidores são pessoas que acompanham as postagens uns dos outros, além disso elas “curtem” e “compartilham” as informações que são disponibilizadas pelos seus “seguidores” ou “amigos virtuais”. Com relação à Palavra de Deus, ela nos orienta a sermos discípulos de Cristo e a discipularmos outras pessoas para Jesus.

A palavra “discípulo” vem do grego “mathetes”, que significa “aprendiz”, ou seja, aquele que aprende. Essa palavra também era utilizada para definir alguém que era seguidor de outrem. Com relação a esse termo, é interessante observar que ele aparece mais de 260 vezes no Novo Testamento, enquanto a palavra “cristão” aparece somente 03 vezes. Isso aponta para a importância que a Bíblia concede ao discipulado!

Deus nos chamou para sermos discípulos e discipuladores. Por meio da leitura do texto acima, podemos retirar alguns princípios fundamentais. Em primeiro lugar, no versículo 35 está registrado que Jesus se preocupava em ensinar às pessoas. Como discípulos de Jesus, devemos aprender e praticar os ensinamentos do Mestre.

O nosso propósito de vida é o de obedecer a Cristo e imitá-lo. Devemos nos preocupar em ensinarmos outras pessoas o que Cristo deixou registrado em sua palavra. O verdadeiro discípulo do Mestre proclama a mensagem de salvação para que outros também tornem-se seus discípulos.

Jesus sentiu compaixão pela multidão. Seus discípulos também devem ser capazes de amar ao próximo e de se compadecer dos aflitos e dos necessitados. A grande motivação é o nosso amor por Cristo e pelas vidas. O discípulo ama a Cristo com todo o coração, alma e entendimento!

Que possamos ser discípulos e discipuladores para que dessa forma, o nome de Jesus seja glorificado por meio de nossas vidas.


Fonte:
Sou da Promessa - Fernando Duarte

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terça-feira, 4 de agosto de 2015

Não Tomarás o Nome do Senhor em Vão


A ética de Jesus é a ética dos Dez Mandamentos. Ele ensinou o seu povo a viver por essa regra e ele mesmo o fez. Ele é a própria encarnação da obediência a Deus; em nenhum outro lugar os Dez Mandamentos estão personificados e manifestados em plenitude como estão na vida de Jesus.

Assim como a lei de Deus exige que não tomemos o seu nome em vão, também Jesus nos ensina a orar: “Santificado seja o teu nome” (Mateus 6.9). A oração expressa o nosso desejo de guardar o terceiro mandamento. Ela também expressa a nossa necessidade da graça de Deus para esse fim. A oração é um reconhecimento de que o próprio Deus provê para nós aquilo que ele exige de nós.

Na Escritura, o nome de Deus é um meio de ele revelar a si mesmo. Bem no início, em Gênesis 4.26, há uma referência a pessoas invocando o nome do Senhor – não porque Deus lhes houvesse dito o seu nome pactual, mas porque ele falou e revelou a si mesmo. Depois, contudo, Deus de fato tornou o seu nome conhecido. Ele se revelou a Moisés como o grande “EU SOU” (Êxodo 3.14) e declarou haver levantado Faraó para que o seu nome – a revelação da sua justiça e poder – fosse proclamada por toda a terra (Êxodo 9.16). Depois, o templo foi construído “ao nome do SENHOR” (1 Reis 3.2; 8.17) e aquele nome se tornou o objeto da adoração de Israel à medida que eles louvavam o nome de Deus por meio de cânticos (Salmo 69.30; 122.4).

O nome de Deus é tão importante ao ponto de ser solenemente protegido nos Dez Mandamentos por uma proibição de que se tome seu nome em vão (Êxodo 20.7). A violação dessa lei é uma ofensa capital: “Aquele que blasfemar o nome do SENHOR será morto” (Levítico 24.16). Levítico cita uma variedade de exemplos do que esse abuso do nome divino inclui: oferecer os filhos a Moloque (18.21), jurar falsamente (19.12), os sacerdotes cortarem as extremidades da barba (21.5-6). Essa grande variedade de violações ao mandamento mostra que tomar o nome do Senhor em vão envolve não apenas falá-lo de modo errado, mas inclui vivê-lo de modo inadequado.

Era o nome do Senhor que deveria ser posto “sobre” o povo de Israel, por meio da bênção araônica (Números 6.24-27). O nome não era apenas um título ou epíteto, mas incluía o caráter e a sublimidade de Deus revelados para a salvação e a santificação do seu povo. Pelo nome de Deus eles são salvos e pelo nome de Deus eles são separados.

Esses temas são evidenciados na vida e na obra de Jesus. Ele veio à terra, por nós e para nossa salvação, em nome do Pai (João 5.43; 10.25). Ele viveu para glorificar o nome de Deus (12.28; 17.4) e para revelá-lo (17.6). Em nome de Deus ele havia preservado o seu povo e naquele mesmo nome eles seriam guardados eternamente (17.11-12). O nome de Deus, posto sobre o seu povo pelo batismo (Mateus 28.19), seria o nome pelo qual o Espírito Santo viria para confortá-los e ouvir-lhes as orações (João 14.26; 16.23). É o nome de Deus que assegura a vida eterna a todos os que creem (20.31).

João Calvino está correto, portanto, ao comentar acerca do terceiro mandamento que “[ele nos ensina] a ser ponderados de alma e língua, para não falarmos do próprio Deus e de seus mistérios senão de modo reverente e muito sóbrio, para que, ao avaliar suas obras, não concebamos senão o que é digno de honra diante d’Ele” (Instituição 2.8.22).[1] Esse senso de honra vinculado ao nome de Deus é o que caracteriza uma vida de santidade e uma adoração genuína. Tanto em nosso serviço como em nossa adoração, devemos pensar nas coisas de Deus com adoração e reverência, sabendo que o fato de Deus haver se revelado a nós pelo nome é, em si mesmo, um imenso ato de graça.

Em seu estudo dos Dez Mandamentos, o famoso puritano Thomas Watson cita doze maneiras pelas quais tomamos o nome de Deus em vão. Entre elas estão: usar o nome de Deus com irreverência; professar o seu nome, mas não viver de acordo com a nossa profissão; adorá-lo externamente, mas não com o coração; usar erroneamente a sua Palavra; descumprir nossas promessas; e falar sem cuidado pela honra divina. É uma análise impressionante, que não pretende controlar as minúcias do nosso comportamento, mas mostrar-nos como o terceiro mandamento permeia o todo da vida.

Ao nomear a si mesmo, Deus não apenas descortina quem ele é, mas o faz de tal modo que possamos conhecê-lo pessoalmente. Viver de acordo com o terceiro mandamento é reconhecer e confessar que Deus merece a mais alta honra; que ele nos separou ao pôr o seu nome sobre nós; que estaríamos completamente perdidos não fosse o fato de, por causa do seu nome, ele nos guardar e proteger; e que ele nos chama a viver segundo o exemplo de Jesus, glorificando a Deus na terra. Nós somos os portadores do nome de Deus; que a nossa conduta demonstre isso.

Notas:

[1] N.T.: João Calvino. A instituição da religião cristã. Tomo I, livro II. Trad. Carlos Eduardo de Oliveira. São Paulo: UNESP, 2008, p. 368.


Fonte:
Ministério Fiel - Iain Campbell
Tradução: Vinícius Silva Pimentel
Revisão: Vinícius Musselman Pimentel

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segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Encontrando diáconos fiéis


Uma igreja sem líderes piedosos, é uma igreja em perigo. E uma igreja que não treina outros líderes é uma igreja infiel. Deus nos dá líderes nas igrejas, para o seu amadurecimento, unidade e solidez em cada congregação local. Sem a existência de uma liderança piedosa, fiel e que se multiplica, a igreja sofrerá profundamente.

O apóstolo Paulo reconhecia quão importante é esta liderança. Em sua segunda epístola a Timóteo, o apóstolo escreve ao seu filho na fé diversas instruções e exortações finais, incluindo esta de encontrar bons líderes. Timóteo cresceu sob a instrução espiritual de sua avó Loide e de sua mãe Eunice (2Timóteo 2.2,5). Ele viajou, serviu e aprendeu ao lado de Paulo. Agora, já perto do fim de sua vida, instruindo “à sombra do cadafalso”1 , Paulo escreve com profunda ternura, praticamente em todos os versículos. Entre as muitas jóias nessa carta, uma delas é sua maneira de encarregar Timóteo a encontrar “homens fiéis.”

Os ensinos do apóstolo precisam, necessariamente, serem passados de mãos fiéis para outras mãos fiéis. E isso quer dizer que o pastor deve estar capacitado para encontrar homens capacitados e treiná-los. Se um homem não se encontra habilitado para discipular a outros, parecerá bastante estranho que ele tenha sido chamado para o ofício pastoral.

Uma das importantes orientações que Paulo deu a Timóteo, diz respeito ao ofício do diaconato.

Encontrar diáconos fiéis não é uma tarefa simples, e, portanto, deve ser feita com muita diligência.

Os diáconos são aqueles que se entregam ao serviço de cuidar das necessidades do corpo local. Nestas últimas duas ou três décadas, mais e mais igrejas estão adotando o modelo bíblico de uma multiplicidade de pastores, ou presbíteros, o que significa que a posição oficial dos diáconos tem sido redefinida ou negligenciada. Os diáconos, porém, são uma parte indispensável no serviço do corpo de Cristo e na multiplicação do ministério da igreja.

Vemos isso, claramente, em Atos 6, onde os apóstolos encarregaram a igreja em Jerusalém, de procurar diversos homens cheios do Espírito e de sabedoria. A palavra diácono não é encontrada nesta passagem mas, entretanto, parece apontar nessa direção.

A oportunidade: Em Atos 6.1 lemos que o número dos discípulos estava se multiplicando. Eram dias de prosperidade espiritual na conversão de muitas almas e de sua consequente matrícula na escola de Cristo. A Palavra de Deus avançava e produzia frutos.

O conflito: Na igreja, porém, os gregos, ou melhor, os judeus helenistas, levantaram uma reclamação contra os hebreus, ou seja, os judeus que falavam hebraico. Aqueles não criam que a alimentação estava sendo distribuída equitativamente entre as viúvas. E não parecia que esta distribuição desigual estivesse ocorrendo de forma aleatória. Parecia que as viúvas estavam sendo atendidas de forma diferenciada, porque umas eram gregas e as outras, judias. A discrepância parecia ser um caso de racismo étnico ou cultural, e essa situação ameaçava a unidade da igreja e o bem estar físico de alguns membros.

A solução: então, os apóstolos deliberaram duas coisas. Primeiro, determinaram priorizar o seu próprio ministério da Palavra e da oração, acima do cuidado físico das pessoas necessitadas. Segundo, decidiram instruir a igreja a escolher sete homens para “servir as mesas” – diáconos (v.2). Assim procedendo, os apóstolos fizeram provisões para ambos os ministérios: da Palavra e do cuidado às viúvas.

Existem tensões culturais e ameaças à unidade da igreja? Desejamos ver uma maior e mais diversificada integração da igreja na vida dos crentes? Pois a posição diaconal foi estabelecida justamente para promover uma harmonia que cruze as barreiras culturais e as diferenças de idiomas.

A igreja está sendo ameaçada de uma ruptura em seu seio? Os diáconos eram como os “amortecedores” da igreja, em seu princípio. Eles absorviam as reclamações e as preocupações, resolvendo-as piedosamente e, assim, promoviam a unidade e o testemunho dos santos.

Quando Estevão, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau foram comissionados para o diaconato, “crescia a Palavra de Deus e, em Jerusalém, multiplicava-se o número dos discípulos; também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé” (Atos 6.7). Quem dentre nós não deseja ver a Palavra de Deus espalhando-se, o número dos discípulos crescendo rapidamente, um grande número de pessoas obedecendo à fé? Um ministério diaconal assim efetivo, facilitou na igreja primitiva, visto que liberou os “diáconos da Palavra” – os apóstolos – para levarem a cabo o seu trabalho. Com esta esperança em mente, eu oro para que o Senhor nos guie em nossa consideração de diáconos e de como encontrá-los em nosso meio.

O Diácono deve ser cheio do Espírito:


Não podemos jamais subestimar a importância de termos pessoas cheias do Espírito para servir no ofício diaconal. Se os próprios apóstolos – homens com excepcional vocação e dons – viram a importância crucial de se ter cristãos assim, cheios do Espírito, para servir nesse cargo, quanto mais necessitaremos nós da companhia de tais associados no evangelho? Aprendendo a identificar e a orar por homens tais como esses, nossas congregações locais se fortalecerão.

O Diácono deve ser Sincero:


Que vantagem terá uma igreja onde os seus servos não são capazes de falar as coisas com verdade e cumprir as suas palavras? As igrejas se tornam lugares perigosos, quando seus líderes falham em serem honestos, transparentes e confiáveis. Sinceridade poderá não ser a base final da verdade, porém, não poderá haver verdade profunda comunicada, onde a sinceridade esteja em falta.

O Diácono deve manter a Fé:


Em muitas igrejas, os diáconos servem no ministério de ensino. Quando uma pessoa possui esse dom especial para ensinar, tal serviço resulta em benefício. Mas, se o diácono lidera uma classe de Escola Dominical ou não, ele continuará professando, vivendo e exemplificando as profundas verdades da fé diante do povo de Deus. Assim, pois, as congregações perceberão ser necessário para a glória de Deus e para a saúde da igreja, encontrar diáconos instruídos pela verdade da Palavra de Deus e pelo evangelho que ela revela.

O Diácono deve ser experiente e irrepreensível:


O Senhor não estabeleceu o ofício de diáconos como algo extra, na igreja local. O ofício não existe como um anexo obsoleto. Ao contrário, os diáconos servem à mesa do Senhor com vistas a facilitar o avanço do evangelho, a saúde do corpo local, e o regozijo dos santos. Os diáconos são indispensáveis à igreja. Com muita razão, Paulo conclui: “Pois os que desempenharem bem o diaconato alcançam para si mesmos justa preeminência e muita intrepidez, na fé em Cristo Jesus” (1Timóteo 3.13).

Que nobre vocação!

Fonte:
Ministerio Fiel
Trecho do livro "Encontrando Presbíteros e Diáconos Fiéis", de Thabiti Anyabwile, lançamento de Agosto de 2016.


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sexta-feira, 31 de julho de 2015

Como saber se sou cristão?


Sempre que aconselho cristãos a procura da certeza da salvação, eu os levo para 1 João. Essa breve epístola é cheia de ajuda para determinar se estamos na fé ou não. Em particular, existem três sinais em 1 João dados a nós para respondermos a questão “Tenho confiança ou condenação?”

O primeiro sinal é teológico. 


Você pode ter confiança se você crê em Jesus Cristo, o Filho de Deus (5.11-13). João não quer que as pessoas tenham dúvida. Deus quer que você tenha segurança, que você saiba que tem a vida eterna. E esse é o primeiro sinal, que você acredita em Jesus. Você acredita que ele é o Cristo ou o Messias (2.22). Você acredita que ele é o Filho de Deus (5.10). E você acredita que Jesus Cristo veio em carne (4.2). Então, se você tem a sua teologia errada sobre Jesus você não terá a vida eterna. Mas um dos sinais que devem te dar confiança perante Deus é que você acredita em seu único filho Jesus Cristo nosso Senhor (4.14-16; 5.1,5)

O segundo sinal é moral. 


Você pode ter confiança se você vive uma vida justa (3.6-9). Aqueles que praticam iniquidade, que mergulham de cabeça no pecado, que não apenas tropeçam mas habitualmente andam na iniquidade não devem ser confiantes. Isso não é diferente do que Paulo nos diz em Romanos 6 que não somos mais escravos do pecado mas servos para a justiça e em Gálatas 5 que aqueles que andam na carne não herdarão o reino de Deus. Isso não é diferente do que Jesus nos diz em João 15 que uma árvore boa não pode gerar frutos ruins e uma árvore ruim não pode gerar frutos bons. Então, se você vive uma vida moralmente justa você pode ter confiança (3.24). E para que esse padrão não te faça desesperar, tenha em mente que parte de uma vida justa é recusar-se a afirmar que você vive sem pecado e vir a Cristo para nos purificar de todo pecado (1.9-10).

O terceiro sinal é social. 


Você pode ter confiança se você ama outros cristãos (3.14). Se você odeia como Caim você não tem vida. Porém, se o seu coração e a sua carteira estão abertos para irmãos e irmãs, a vida eterna permanece em você. Um sinal necessário de verdadeira vida espiritual é que amamos uns aos outros (4.7-12,21).

“Tenho confiança ou condenação?”

Essas são as três indicações de João para nos assegurar que estamos no caminho que leva para a vida eterna. Essas não são três coisas que devemos fazer para merecer a salvação, mas três indicadores de que Deus tem de fato nos salvado. Acreditamos em Jesus Cristo, o Filho de Deus. Vivemos uma vida justa. Somos generosos para com outros cristãos. Ou podemos colocar da seguinte forma: sabemos que temos a vida eterna se amamos Jesus, se amamos os seus mandamentos e se amamos o seu povo. Nenhum dos três é um opcional. Todos devem ser presentes no cristão, e todos são entendidos como sinais para a nossa certeza (veja 2.4,6; 4.20; 5;2).

João elabora os mesmos pontos repetidamente. Você ama a Deus? Você ama os seus mandamentos? Você ama o seu povo? Se não, é um sinal de que você tem a morte. Se sim, é um sinal de que você tem a vida. E isso significa confiança ao invés de condenação.


Fonte:
Reforma 21 - Kevin DeYoung
Traduzido por Pedro Vilela | Original aqui
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segunda-feira, 27 de julho de 2015

É legítimo um cristão ser dizimista?


O dízimo está sendo atacado em nossos dias com rigor desmesurado. Em parte, porque muitos líderes inescrupulosos usam expedientes escusos e reprováveis para arrancar do povo o último vintém, a fim de viverem no fausto e no luxo. Outros, porque em muitas igrejas falta transparência na prestação de contas e o povo não sabe quanto entra nos cofres da igreja nem onde os recursos são aplicados. Há, ainda outros, que são contra o dízimo porque não estão convencidos de que este é o claro ensino das Escrituras.

O dízimo não é uma questão meramente financeira. Trata-se do reconhecimento de que tudo o que existe é de Deus. Não trouxemos nada para o mundo nem nada dele levaremos. Somos apenas mordomos de Deus e, no exercício dessa mordomia, devemos ser encontrados fiéis. O dízimo mais do que um valor, é um emblema. É um sinal de fidelidade a Deus e confiança em sua providência. A devolução dos dízimos é uma ordenança divina. Não temos licença para retê-lo, subtraí-lo nem administrá-lo.

De todas as críticas feitas à doutrina do dízimo, talvez a mais frequente seja esta: “O dízimo faz parte da lei cerimonial e esta foi abolida na cruz. Logo estou desobrigado de ser dizimista”. À esta crítica, respondemos que a prática do dízimo está presente em toda a Bíblia. No Antigo Testamento está presente nos livros da lei, nos livros históricos, nos livros poéticos e nos livros proféticos. No Novo Testamento está presente tanto nos evangelhos como nas epístolas. É importante dizer que a prática do dízimo é anterior à lei cerimonial (Gn 14.20; 28.18-22). Abrão, quatrocentos anos antes de a lei ser instituída, pagou dízimo a Melquisedeque, tipo de Cristo (Hb 7.1-10). O dízimo foi incluído na lei, pois foi a maneira de Deus prover o sustento da tribo de Levi, aqueles que trabalhavam no ministério (Lv 27.30-33; Nm 18.21-32; Dt 14.22-29; 18.1-8).

De todas as críticas feitas à doutrina do dízimo, talvez a mais frequente seja esta: “O dízimo faz parte da lei cerimonial e esta foi abolida na cruz. Logo estou desobrigado de ser dizimista”. À esta crítica, respondemos que a prática do dízimo está presente em toda a Bíblia.
Da mesma forma, os que estão no ministério hoje, na vigência da nova aliança, devem viver do ministério. Os mesmos princípios usados na antiga aliança são também usados na nova aliança para tratar do sustento dos obreiros (1Co 9.7-14). Embora a ordem levítica tenha cessado com o advento da nova aliança, os dízimos não cessaram, porque Abraão como pai da fé pagou o dízimo a Melquisedeque, tipo de Cristo, e nós, como filhos de Abraão, pagamos o dízimo a Cristo, sacerdote da ordem de Melquisedeque (Hb 7.4-10).

Aqueles que usam Mt 23.23 para dizer que Jesus sanciona o dízimo antes da inauguração da nova aliança, mas que depois de sua morte, essa sanção não era mais válida, esquecem-se de que junto ao dízimo Jesus menciona também outros preceitos da mesma lei (a justiça, a misericórdia e a fé): “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas” (Mt 23.23).

Se estamos desobrigados do dízimo, por ser da lei, deveríamos também estar desobrigados desses outros preceitos da lei, ou seja, a justiça, a misericórdia e a fé. Fica evidente que Jesus reprova os escribas e fariseus pelo sua prática legalista e meritória do dízimo. Pensavam que o dízimo era uma espécie de salvo conduto. Imaginavam que por serem dizimistas tinham licença para negligenciar os outros preceitos da lei. Na verdade, os escribas e fariseus, besuntados de hipocrisia, estavam superestimando o valor do dízimo e menosprezando os principais preceitos da lei. Ao mesmo tempo, porém, que Jesus reprova a visão distorcida dos escribas e fariseus, que davam uma super-ênfase ao dízimo em detrimento da justiça, da misericórdia e da fé, referenda a prática do dízimo. Apesar dos desvios de uns e das críticas de outros, devemos continuar fiéis a Deus, na devolução dos dízimos, pois este é o claro ensino das Escrituras.

Fonte:
Palavra da Verdade - Hernandes Dias Lopes

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terça-feira, 21 de julho de 2015

Disciplina e resistência


Algumas pessoas têm alvos, mas se perdem no caminho, não sabem como chegar lá. São idealistas, com convicções superficiais, e pouco pragmáticas. Tendem a ser pessoas frustradas. Outras vivem num círculo vicioso de atividades sem saber para onde estão indo, simplesmente se habituaram a fazer o que fazem. São pragmáticas, superficiais e pouco idealistas. Tendem ao tédio. Frustração e tédio são marcas da vida de muitos cristãos modernos.

A jornada cristã requer as duas coisas: um ideal (visão) e um caminho (missão). Paulo disse ao rei Agripa que não foi desobediente à visão celestial. Ele tinha um alvo e caminhou, resolutamente, em direção a ele. Uma preocupação de Moisés em relação ao povo de Deus era o risco de se desviarem dos caminhos propostos por Deus, de não ouvirem mais a sua palavra e acabarem sendo seduzidos por outros deuses. Encantaram-se com a paisagem e perderam o destino. Para Moisés, permanecer em Deus e no caminho proposto por ele era a única garantia de vida.

O ponto de partida de todo cristão é a graça de Deus, que nos alcança, salva e nos apresenta um novo caminho. O ponto de chegada é a glória, a realização plena do propósito de Deus. Entre um e outro, temos diante de nós a extraordinária aventura da vida. Ao longo desta aventura, temos escolhas a serem feitas, decisões que precisam ser tomadas. Necessitamos ser treinados a fazer as escolhas certas. Se formos pegos de surpresa, daremos ouvidos às vozes mais estridentes, às propostas mais sedutoras, aos caminhos mais largos. Isso nos leva à frustração ou ao tédio.

Uma das armadilhas que enfrentamos na civilização moderna são as inúmeras possibilidades e meios que ela nos oferece. Muitos deuses gritam todos os dias, clamam por nossa atenção, insistem que sua agenda é urgente. O grande inimigo do cristão moderno é a dispersão; talvez uma das ciladas mais sutis do Diabo. Temos alvos, sem objetividade, ou corremos muito, sem chegar a lugar algum.

Quando Paulo fala sobre a necessidade de sermos revestidos de toda a “armadura de Deus”, o propósito não é, a priori, sair por aí lutando contra algum inimigo invisível, mas a necessidade que temos de permanecer em Cristo. Precisamos resistir às ciladas do Diabo para permanecer firmes e inabaláveis em meio à confusão do mundo. A “armadura de Deus” diz mais respeito a nós do que ao inimigo.

É cada vez mais comum encontrar crentes deprimidos e frustrados ou secularizados e narcisistas. É como se “as forças espirituais do mal” drenassem toda a vitalidade espiritual. As disciplinas espirituais são as práticas necessárias para não se cair nas ciladas da dispersão e vir a perder a força vital da fé. Precisamos nos firmar na verdade, na justiça, no evangelho, na fé, na salvação e na Palavra. Este é o caminho que nos conduz ao alvo. Fora dele certamente nos perderemos.

A oração é a disciplina que integra todas as outras. Enquanto permanecemos orando e vigiando com toda a súplica e gratidão, o caminho permanece claro diante de nós. A prática da oração não só nos preserva em Deus, mas preserva Deus em nós. A presença de Deus nos ajuda a discernir o mundo em que vivemos e como devemos viver nele.

O apóstolo Paulo tinha um alvo -- ele chama-o de “coroa incorruptível” e, como um atleta disciplinado, ele corria tendo aquele alvo bem claro diante de si. A disciplina rigorosa que ele impôs a si mesmo era para que ele não fosse desqualificado na aventura da vida, precisava resistir firme contra todas as ciladas do inimigo. Não basta ter um alvo, é preciso saber alcançá-lo, como não basta apenas correr, é preciso saber para onde estamos correndo.


Fonte:
Ultimato - Ricardo Barbosa de Sousa

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