domingo, 17 de janeiro de 2010

Abigail Uma mulher pacificadora - "Série Homens e Mulheres da Bíblia"

Nabal era o nome deste homem, e Abigail, o de sua mulher; esta era sensata e formosa, porém o homem era duro e maligno em todo o seu trato. Era ele da casa de Calebe (I Sm 25:3)

Por Genilson Soares da Silva

Introdução: Há pessoas que são especialistas em contruir muros: vivem erguendo barreiras entre aqueles com os quais convivem, com os quais trabalham, com os quais estudam, com os quais congregam. Fazem isto promovendo discórdias, semeando contendas, espalhando fofocas, denegrindo a imagem de outro, inventando histórias. Não é sem razão que, de um modo geral, tantas crises façam parte das relações humanas. Mas, hoje, vamos ler sobre uma mulher que era especialista em construir pontes. O seu nome? Abigail. Além de linda, ela era sábia, muito sábia. Ela usou essa sabedoria para construir uma ponte entre Davi e Nabal, o seu marido. Esta sua atuação pacificadora é extremamente instrutiva e edificante. Vamos aprender muito com esta mulher, cuja história está registrada no primeiro livro de Samuel (25:2-42).

I – O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE ABIGAIL

1) O pedido humilde: Logo depois do sepultamento de Samuel, Davi partiu e desceu de Parã, região desértica e inóspita. Desse lugar, soube que Nabal estava cortando a lã das suas ovelhas, num vilarejo chamado Carmelo. Esse pecuarista, extremamente poderoso e próspero, descendente do famoso Calebe, era casado com Abigail, uma mulher muito linda e muito gentil. O tempo da tosquia era um tempo de mostrar hospitalidade e generosidade, quando os envolvidos eram servidos com muita comida e bebida. Sendo assim, esta era a ocasião certa para Davi pedir uma ajuda a Nabal. Foi o que fez. Enviou a Nabal dez homens, com o objetivo de solicitar-lhe ajuda material para suprir as necessidades daqueles que o acompanhavam. Davi e os que o seguiam nunca tiveram contato pessoal e direto com aquele homem abastado. Mas, em outro tempo, em campo aberto, tiveram contato com aqueles que pastoreavam o seu rebanho. Nessa época, Davi e o seu bando – formado, na maioria, por pessoas endividadas, insatisfeitas, empobrecidas – poderiam ter atacado os pastores e roubado o rebanho de Nabal. Mas fizeram exatamente o contrário: foram como um muro ao redor deles, protegendo-os e ajudando-os contra possíveis ataques de ladrões violentos e animais ferozes do deserto. O pedido de Davi, portanto, era razoável. Ainda hoje, esta espécie de “preço de proteção” é regularmente arrecadado pelos beduínos, nas fronteiras entre as terras desérticas e as terras cultivadas.

2) A recusa estúpida: Ao chegarem à presença de Nabal, os homens enviados fizeram uma abordagem altamente diplomática, civilizada e conveniente. Fizeram exatamente conforme a orientação de Davi. Não se utilizaram, em tempo algum, de mecanismos chantagistas ou ameaçadores para extorquir dinheiro e favores de Nabal. Eles simplesmente disseram: "dá, pois, a teus servos e a Davi, teu filho, qualquer coisa que tiveres à mão" (I Sm 25:8b). Assim que deram este recado, sentaram-se e aguardaram a resposta. Eles devem ter imaginado uma resposta igualmente educada e bondosa. Nabal, porém, fiel ao significado do seu nome, respondeu aos polidos mensageiros de Davi de maneira altamente grosseria e insultuosa. Apesar de possuir um nome com significado negativo – Nabal significa estupidez e insensatez –, aquele homem poderia ter reagido de maneira positiva e agradecida, oferecendo sua bebida e sua comida àqueles homens. A pessoa não está obrigada a comportar-se negativamente, somente porque o seu nome tem um sentido negativo. O nome – quer seja “positivo”, quer seja “negativo”não ,exerce influência no caráter, na conduta e no destino de uma pessoa. Se fosse assim, pessoas com “bons” nomes jamais teriam maus comportamentos e pessoas com “maus” nomes jamais teriam bons comportamentos. Tudo depende da decisão pessoal. Logo, Nabal respondeu com grosseria, não por causa do “nome negativo”, mas por causa da opção pessoal.

3) O desejo vingativo: Os homens enviados retornaram e relataram a Davi que foram tratados com profundo descaso e completo desprezo por Nabal. Davi ficou grandemente indignado com aquele tratamento desrespeitoso. Convocou, imediatamente, quatrocentos homens bem armados com afiadas espadas, para subirem ao encontro daquele homem mesquinho. Nabal pagou o bem de Davi com o mau. Agora, pois, Davi iria pagar o mal de Nabal com o mal. Nabal e toda a sua casa seriam brutalmente assassinados por aquele exército movido pela vingança imediata. Perseguido por Saul, Davi não foi vingativo; antes, entregou tudo a Deus. No caso de Nabal, porém, ficou irado, e dispôs-se a vingar-se dele. As Escrituras Sagradas condenavam abertamente esta reação rancorosa e esta atitude vingativa. Davi sabia que o seu Deus era favorável à realização da justiça, mas contrário à manifestação da vingança. Isto estava registrado em Levítico, capítulo dezenove, versículo dezoito: "Não se vingue, nem guarde ódio de alguém do seu povo, mas ame os outros como você ama a você mesmo. Eu sou o SENHOR" (Lv 19:17 – NTLH). Não se podia mesmo esperar uma reação diferente daquela mostrada por Nabal. Que outra reação teria um filho de Belial? A reação dele era, portanto, condizente com seu caráter autoritário e com sua natureza dominadora. Mas a reação de Davi é espantosa e assustadora. Por quê? Porque Davi tinha o Espírito do Senhor. Desde que fora ungido por Samuel, o Espírito do SENHOR se apossara de Davi (I SM 16:13). Por isso, a sua reação poderia e deveria ser diferente.

4) A notícia terrível: Nabal ignorou o favor de Davi e de seu grupo, mas um dos seus servos o reconheceu. Este foi às pressas até Abigail, mulher de Nabal, para anunciar o ocorrido: "Davi enviou do deserto uns mensageiros com saudações para o nosso patrão, mas ele os tratou mal" (I Sm 25:14b). A seguir, o mesmo servo confirmou a bondade de Davi e dos que o seguiam: "no entanto, eles têm sido muito bons para a gente: nunca nos incomodaram e, durante todo o tempo em que estivemos com eles nos campos, eles não roubaram nada que era nosso" (I Sm 25:15 – NTLH). Disse mais ainda: "Eles nos protegeram dia e noite todo o tempo em que estivemos com eles tomando conta dos nossos rebanhos" (I Sm 25:16 – NTLH). Logo depois, o sábio servo fez um sombrio alerta a Abigail, ao mostrar que a vida de Nabal e a de todos os demais que viviam na sua casa corriam risco: "pois, considera e vê o que hás de fazer, porque já o mal está, de fato, determinado contra o nosso senhor e contra toda a sua casa". Nabal era mesmo desajuizado, pois arriscou sua vida e de toda a sua família, por conta de sua ingratidão, sua arrogância, sua prepotência. O pior de tudo era que ele não permitia a ninguém lhe advertir ou lhe alertar sobre o perigo que estava correndo. O servo admitiu isso, quando disse: "e ele é filho de Belial, e não há quem lhe possa falar" (I Sm 25:17b).

5) A decisão prudente: Abigail, depois de ser avisada do perigo a que seu marido havia exposto toda a família, apressou-se para reverter a situação. Ela, porém, agiu com extrema prudência. O momento inspirava cuidado, pois a sua missão era salvar vidas e não destruí-las. Qualquer gesto ou qualquer fala fora de lugar poria tudo a perder. Mas, além de bela, Abigail era muito sábia. O seu gesto de enviar a sua frente algo para Davi e sua gente comerem e beberem serviria para apaziguar aqueles homens dominados pela cólera e pela amargura. Assim que os servos dela foram, Abigail partiu, em cima do seu animal. "De repente, numa curva, na descida, encontrou Davi e os seus homens, que vinham na sua direção" (I Sm 25:20 – NTLH). De novo, Abigail se mostrou sábia. Tão logo viu Davi, desceu do animal, prostrou- se com o rosto em terra e pediu uma chance para lhe falar. Primeiramente, Abigail pediu perdão a Davi: "Ah! Senhor meu, caia a culpa sobre mim (...) eu, porém, tua serva, não vi os moços de meu senhor, que enviaste" (I Sm 25:24a,25b). A seguir, Abigail pediu a Davi que deixasse seus inimigos com o Senhor, que os jogaria longe, "como um homem que atira pedras com a sua funda" (I Sm 25:29b). Depois, após afirmar que, no tempo certo, o Senhor poria Davi no trono de Israel, Abigail frisou: "E, quando isso acontecer, o senhor não terá motivo para se arrepender, ou sentir remorso por haver matado sem razão, ou por ter se vingado por si mesmo" (I Sm 25:31a).

6) A mudança imediata: O Espírito de Deus tomou as palavras de Abigail como espada afiada de dois gumes e enterrou diretamente no coração de Davi. O valente guerreiro ficou profundamente comovido. Ele passou a pesar todos os acontecimentos, consultar a consciência, considerar o preço daquela decisão pecaminosa, pensar no futuro. Davi, então, voltou atrás no seu voto. Ele tinha dito: "que Deus me castigue se eu não matar até o último daqueles homens antes do amanhecer!" (I Sm 25:22 – NTLH). Ele se deu conta de que aquele voto, feito impensadamente, em momentos de desespero, baseado em raciocínios falazes e gerado pela pecaminosidade latente, não atingiria o alvo e não agradaria a Deus. Ele deveria ser anulado e quebrado. Foi o que Davi fez: recolheu a sua espada da vingança; saiu dos caminhos de destruição e miséria e transferiu-se para o caminho da paz. O verdadeiro Davi, então, reapareceu. Ficou tão grato que louvou a Deus por aquele encontro, fruto não da casualidade, mas, sim, da providência divina: "Bendito o SENHOR, Deus de Israel, que, hoje, te enviou ao meu encontro". Davi era um homem especial, escolhido pelo Senhor, não para lutar as próprias batalhas, mas para lutar a batalhas de seu Deus. Ele não tinha o direito de governar sobre si mesmo. Por estão razão, Deus não o deixou andar na teimosia do seu coração (Sl 81:12). Ele enviou lhe Abigail, mulher corajosa, temente, sensível, humilde, disponível, bondosa, pacífica, para evitar que se tornasse o causador de uma chacina que mancharia a sua integridade e roubaria a sua autoridade. Diante de tão grande livramento, Davi agradeceu a Deus e a Abigail (I Sm 25:33-35). "A mulher que teme ao SENHOR, essa será louvada" (PV 31:30b).

7) A justiça divina: Após cumprir a sua missão de paz, "voltou Abigail a Nabal" (I Sm 25:36a). Essa volta de Abigail para o marido é incrível. Ela não estava voltando para um marido generoso, carinhoso, tranqüilo, mas para um marido mesquinho, grosseiro e irascível. Abigail, porém, não o abandonou, mas retornou para ele. Ela teve a chance de fugir com Davi, mas não fugiu. Ao chegar a sua casa, Abigail se deparou com um banquete suntuoso e um marido embriagado. Ela logo notou que aquela não seria a melhor ocasião para conversar com ele, "pelo que não lhe referiu ela coisa alguma, nem pouco nem muito, até ao amanhecer" (I Sm 25:36). Pela manhã, Abigail contou a Nabal tudo que havia ocorrido. Qual foi a reação de Nabal? "Ele teve um ataque e ficou completamente paralisado" (I Sm 25:37b – NTLH). Dez dias após, "feriu o SENHOR a Nabal, e este morreu" (I Sm 25:38). Por que Deus deixou que Nabal vivesse ainda dez dias? Por causa da sua longanimidade (II Pe 3:9). Deus estava lhe dando um tempo para que mudasse o seu modo de viver, da perversidade para a santidade. Deus amava a Nabal e queria muito que aquele homem perverso se convertesse do seu mau caminho (Ez 18:23, 33:11). Nabal, porém, não soube aproveitar aquela oportunidade misericordiosa. Então, o Senhor o feriu de morte. Como Abigail havia dito, Deus cuidou da causa de Davi. Ao saber disso, Davi, novamente, louvou a Deus, dizendo: "Ele me vingou de Nabal, que me insultou. E assim livrou este seu servo de fazer o mal. O SENHOR castigou Nabal por sua maldade" (I Sm 25:39a – NTLH). Depois disso, "mandou Davi falar a Abigail que desejava tomá-la por mulher" (I Sm 25:39b). Abigail aceitou e se apressou em partir para junto dele (I Sm 25:40-42).

II – LIÇÕES DA VIDA DE ABIGAIL

1. Procuremos resolver os conflitos interpessoais com urgência.

O senso de urgência de Abigail fica evidente na narrativa (I Sm 25:18,23,34). Assim que soube, pelo seu servo, das resoluções do coração de Davi, Abigail apressou-se para apaziguá-lo e pacificá-lo. Uma tragédia foi evitada! Talvez você conheça alguém que tenha resolvido nunca mais pôr os pés na igreja, que tenha resolvido abandonar o cônjuge, que tenha resolvido vingar-se de alguém, que tenha resolvido entregar-se às aventuras da carne, jogar fora toda a herança cristã adquirida até agora. Não fique inerte e imóvel diante disso. Mova-se! Não seja vagaroso! Trilhe, agora, o caminho da pacificação. Inicie-se na arte de pacificar as relações conflitantes. Deus pode usar você para ajudar alguém a revogar uma decisão tomada, que irá trazer remorso, angústia, tristeza. "Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus" (Mt 5:9).

2. Procuremos resolver os conflitos interpessoais com prudência.

Abigail não tinha somente senso de urgência, mas tinha também senso de prudência. A sua prudência pode ser vista, principalmente, no seu jeito de falar. Seis vezes chamou a si mesma de “tua serva” (I Sm 25:25,27,28,31,41), e oito vezes chamou a Davi de “meu senhor” (I Sm 25:25-27,31,41). A sua fala era humilde e tranqüila. Não havia ira em sua fala. Que aula de prudência! Não foi à toa que Davi a louvou. Há pessoas que não sabem falar sem elevar o tom da voz. Assim foram criados: obedeciam no grito; agora, também, tudo se resolve no grito. Às vezes, até nas igrejas é assim: tudo é gritado. Vence quem fala mais e alto. Há alguns cujas palavras são como pontas de espada (PV 12:18). Todavia, o falar prudente evita uma sucessão de erros que podem aumentar ainda mais o conflito. Por meio da prudência conserta-se o conflito.

3. Procuremos resolver os conflitos interpessoais com paciência.

Na hora em que ouviu dizer que Davi queria matar o seu marido, Abigail poderia ter dito: “Pode matar o meu marido. É o que ele merece”. Mas não disse. Ela deixou Deus fazer a justiça na hora certa e do modo certo! Por favor, preste atenção: sempre que você perceber que não pode fazer mais nada, espere pelo Senhor: "A pessoa de mau gênio sempre causa problemas, mas a que tem paciência traz a paz" (Pv 15 :18 – NTLH). Só Deus pode gerar justiça, e ele nos convida a sermos seus parceiros, no que se refere a causas que nos envolvem (I Sm 25:3) ou que envolvem outras pessoas (I Sm 25:26). Coloque a injustiça sofrida diante de Deus, que a tomará como uma causa dele. Deixe-se instruir por ele sobre os caminhos a serem seguidos (I Sm 25:29). Quando você faz o que é certo, Deus cuida de encaminhar as situações da melhor forma (I Sm 25:38-39). "Sendo o caminho dos homens agradável ao SENHOR, este reconcilia com eles os seus inimigos" (Pv 16 :7).

CONCLUSÃO

Deus quer que você seja um pacificador, ou seja, alguém que atua restaurando e fortalecendo relacionamentos. Antes, porém, de agir numa situação conflituosa, ore a Deus, pedindo a sabedoria do alto, que é pacífica (Tg 3:17 ). Peça-lhe autocontrole para neutralizar a gritaria, com palavras suaves; para responder às ameaças, com tranqüilidade; para falar claramente, sem usar de sarcasmo; para não utilizar intrigas; para não ser um permanente alimentador de fofocas e não fomentar contendas; para ser um melhor ouvinte e um melhor observador. Seja um pacificador ativo; construa pontes de aproximação. O pacífico deseja a paz, mas o pacificador promove a paz, encoraja à reconciliação, e estabelece o entendimento. Valorize os relacionamentos e esforce-se, ao máximo, para mantê-los em paz (Rm 12:18; Ef 4:3)

Medite nessas coisas, e que Deus nos abençoe!

Texto de autoria do Pastor Genilson Soares da Silva adaptado por PCamaral para ilustrar a série "Homens de Mulheres da Bíblia - O exemplo dado por eles"

Um comentário:

  1. um dia DEUS me colocou uma abgail em minha vida hoje posso dizer que sou vencedor como davi DEUS tomou minha causa amem pelo maravilhoso estudo que DEUS TE ABENÇÕE

    ResponderExcluir

PCamaral, Palavra de Deus, Teologia, Estudos, Evangelho, Reflexões, Bíblia Sagrada, Estudos Bíblicos, Mensagens Bíblicas

Todos os comentários serão moderados. Me reservo ao direito de publicá-los ou não caso o conteúdo esteja fora do contexto, ou do assunto, ou seja ofensivo ao autor do texto.