quinta-feira, 18 de março de 2010

O Amor de Deus

Na primeira carta de João, no capitulo 4, versículo 8, lemos: Deus é amor. Esse texto evidencia que esse atributo de Deus já existia, antes da criação, entre os membros da Trindade. Jesus fala ao Pai da glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo (João 17:24), indicando, assim, que o Pai já amava e honrava o Filho desde a eternidade. E continua até hoje, pois lemos: O Pai ama ao Filho, e todas as coisas tem confiado às suas mãos! (João 3:35). Grudem assim define esse atributo divino:

Dizer que Deus tem o amor como atributo é dizer que ele se doa eternamente aos outros. Esse atributo de Deus mostra que faz parte da sua natureza doar-se a fim de distribuir bênçãos, ou o bem aos outros. [GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática Atual e Exaustiva. São Paulo: Vida Nova, 2009, p.145].
Tanto no Evangelho quanto nas cartas de João encontramos, repetidas vezes, provas do amor de Deus (Jo 15:24, 3:35, 14:31,; IJo 4:10, 4:19, 5:3). Bancroft apresenta o amor de Deus como um atributo pelo qual ele se inclina a buscar os melhores interesses de suas criaturas e a cpmunicar-se com elas a despeito do sacrifício nisso envolvido. [BANCROFT, E. H. Teologia Elementar. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1992, p. 73]. Deus sempre deseja o bem de suas criaturas e se deleita nisso.

A Bíblia Sagrada apresenta três definições acerca de Deus: 1) Deus é espírito (Jo 4:24), 2) Deus é luz (I Jo 1:5) e 3) Deus é amor (I Jo 4:8). Esse amor de Deus é eterno, soberano, infinito, imutável, santo e pleno de graça, [PINK, W.A. Os Atributos de Deus. São Paulo: PES, 2001, p.118]. O maior amor de Deus por nós foi manifestado na pessoa gloriosa de Jesus Cristo, que foi enviado pela Triunidade para nos resgatar de nossos pecados. Para nos salvar, Jesus Cristo morreu na cruz do Calvário, esse é o maior amor de que a humanidade já ouviu falar. Mas será que a morte de Cristo era mesmo necessária? [GRUDEM, Wayne A. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999, PP.482-483]. Sim, era necessária! Por quatro razões:

1ª RAZÃO: Era necessário que Cristo morresse para pagar a pena de morte que merecemos por causa dos nossos pecados. Os efeitos do pecado não atingiram somente Adão e Eva, pois a Bíblia diz o seguinte: (...) é verdade que, por causa de um só homem e por meio do seu pecado, a morte começou a dominar a raça humana (Rm 5:17a – NTLH). Por causa do pecado de Adão, viemos ao mundo com uma natureza inteiramente depravada e sob a condenação de Deus. Então, Jesus se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado.

2ª RAZÃO: Era necessário que Cristo morresse para nos livrar da ira de Deus, que sempre se revela para castigar aquele que se rebela contra a sua vontade. Em seu grande amor por nós, o próprio Deus ofereceu o substituto, Jesus, o seu único e amado Filho. Assim, na cruz, Jesus sofreu para absorver e desviar a profunda e furiosa ira de Deus, de nós para si mesmo: Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados (I Jo 4:10). A palavra “propiciação”, no grego, é hilasmos, [ἱλασμὸν] que tem o sentido de sacrifício que afasta ou aplaca a ira de Deus e, dessa forma, torna Deus propicio ou favorável a nós.

3ª RAZÃO: Era necessário que Cristo morresse para nos reconciliar com Deus, de quem estávamos separados e distanciados pelo pecado. Ao pecar, Adão voltou suas costas para Deus. A comunhão e a amizade que havia entre ambos foram rompidas e quebradas, por causa do pecado. Mas, a despeito disso, Deus mesmo tomou a iniciativa de amar os seres humanos, ao ponto extremo de enviar-lhes seu Filho, como a Bíblia declara: Mas Deus nos mostrou o quanto nos ama: Cristo morreu por nós quando ainda vivíamos no pecado (Rm 5:8 – NTLH). A morte de Cristo satisfez as exigências de Deus, reconciliando-nos com ele: (...) nós éramos inimigos de Deus, mas ele nos tornou seus amigos por meio da morte do seu Filho (Rm 5:10a).

4ª RAZÃO: Era necessário que Cristo morresse para nos redimir ou para nos resgatar da servidão e do cativeiro do pecado e de Satanás. Jesus afirmou que a razão da sua vinda era dar a sua vida em resgate de muitos (Mt 20:28; Mc 10:45). “Resgate” é a tradução da palavra grega lutron, [λύτρον], que, quando usada, fazia a pessoa pensar no dinheiro de compra usado para alforriar ou libertar um escravo. Nota-se que a morte de Cristo é mostrada como pagamento de um preço ou de um resgate, em vários textos da Bíblia (Lc 21:28; Rm 3:24, 8:23; I Co 1:30; Ef 1:7, 14, 4:30; Cl 1:14; Hb 9:15, 11:35). De fato, Deus nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados (Cl 1:13-14).

Agora, deve-se frisar que Deus resolveu salvar os pecadores não por necessidade, mas por misericórdia e amor. Ele poderia, naturalmente, dispensar aos seres humanos pecadores o mesmo tratamento dispensado aos seres angelicais rebeldes: Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, [inferno; no original, tártaro] os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo; (II PE 2:4). Ele, sem dúvida, poderia ter escolhido não resgatar do pecado um ser humano sequer. Contudo, a Bíblia Sagrada afirma que a misericórdia de Deus é muito grande, e o seu amor por nós é tanto que, quando estávamos espiritualmente mortos por causa da nossa desobediência, ele nos trouxe para a vida que temos em união com Cristo (Ef 2:4-5).

O amor, portanto, foi a razão de Deus ter enviado seu Filho, que, por sua vez, também nos amou e deu a sua vida por nós, como uma oferta de perfuma agradável e como um sacrifício que agrada a Deus! (Ef 5:2b – MTLH).

Como afirma Hodge:
O Pai não estava obrigado a prover um substituto para os homens apostatados, nem o Filho obrigado a assumir tal oficio. Foi um ato de pura graça que Deus suspendesse a execução da pena da lei, e consentisse nos sofrimentos e morte vicários de seu Filho unigênito. E foi um ato de amor sem paralelo que o Filho consentisse em assumir nossa natureza, levar nossos pecados e morrer, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus. Portanto, todos os benefícios que se creditam em favor dos pecadores como conseqüência da satisfação realizada por Cristo são para eles simples dádivas; bênçãos às quais eles mesmos não tem direito algum. Requerem nossa gratidão e excluem toda a jactância. [HODGE, Charles. Teologia Sistemática. São Paulo: Hagnos, 2001, p.835-836].
Deve-se frisar, ainda, que, ao morrer por amor, Cristo pagou a pena dos pecados de todos e não apenas dos que seriam, por fim, salvos; ele sabia de antemão quais seriam. Os benefícios da morte de Cristo se estendem a todos, homens e mulheres do mundo inteiro, como nos mostram os textos de Jo 1:29; 3:16; 6:51; II Co 5:19; I Jo 2:2; I Tm 2:6; Hb 2:9. Para receber esses benefícios espirituais, a pessoa precisa crer em Cristo. Jesus Cristo mesmo afirma: (...) o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora (Jo 6:37b). Foi esse atributo, que faz parte da natureza de Deus, o seu eterno amor, que levou Jesus Cristo para a cruz do Calvário e nos salvou da condenação eterna.

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