segunda-feira, 29 de março de 2010

O Avanço do Reino de Deus no mundo.

Manoel Lino Simão

“Disse mais: A que assemelharemos o reino de Deus? Ou com que parábola o apresentaremos? É como um grão de mostarda, que, quando semeado, é a menor de todas as sementes sobre a terra; mas, uma vez semeada, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças e deita grandes ramos, a ponto de as aves do céu poderem aninhar-se à sua sombra.” (Mc 4:30-32)

Parábolas fazem parte da pedagogia que Jesus usou para ensinar aos seus discípulos e a todos os seus seguidores. No capítulo 13 de Mateus, Jesus contou as parábolas da semente de mostarda, do fermento, do joio, do tesouro escondido, da pérola, da rede. Jesus buscava ensinar verdades inseridas e vivenciadas no cotidiano das pessoas da sua época. A sua proposta era facilitar-lhes a compreensão do que seria o seu reino. Não precisamos de muito esforço para entender a parábola em pauta, ela nos ensina que Jesus nos trouxe o reino de Deus, que ele nos escolheu e nos nomeou para que déssemos frutos (Jo 15:16). Compete aos servos de Cristo semear a palavra, a semente que traz dentro de si o milagre da vida.

Quando Jesus contou a parábola da semente de mostarda, o reino ainda estava em projeção. Encontramos o Mestre enviando doze homens com uma missão específica, “ir às ovelhas perdidas do provo de Israel” (Mt 10:6). Assim, entendemos que a temática desta parábola é o crescimento do reino de Deus. A preocupação de Jesus com o avanço do reino é visível nos evangelhos. Em sua primeira pregação pública, ele declarou enfaticamente: “O tempo está cumprido, e o Reino de Deus está próximo. Arrependei- vos e crede no evangelho” (Mc 1:15). Isso equivale a dizer que não podemos negligenciar a semeadura da palavra. Por outro lado, podemos entender que o Mestre espera que seus discípulos priorizem o reino. Fomos chamados a servir na embaixada do reino, como representantes de Deus (II Co 5:18-20). Jesus assegurou que o reino precisa ser prioridade na vida dos seus seguidores: “... buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6:33).

No versículo 32, Jesus faz questão de ampliar a visão de seus servos, mostrando-lhes que a pequena semente cresceu, transformando-se em uma grande árvore. Como a massa que cresce, ao receber o fermento, o reino de Deus cresce com a pregação da palavra. Esta, uma vez semeada, cresce no coração das pessoas que a recebem e promove, de maneira integral, as mudanças, tornando essas pessoas cada vez mais parecidas com Cristo. O apóstolo Paulo refere-se a essa transformação, afirmando: “Quem está unido com Cristo é uma nova pessoa; acabou-se o que era velho, e já chegou o que é novo” (II Co 5:17 – NTLH). Todos os cristãos que, verdadeiramente, amam a Cristo, anseiam por esse crescimento; sabem que Jesus colocou as sementes em suas mãos e ordenou-lhes que as semeassem, dizendo: “Portanto, vão a todos os povos do mundo e façam com que sejam meus seguidores, batizando esses seguidores em nome do Pai do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28:18-20). Semear é cultivar! Jesus procura pessoas com esse desejo.

Ao contar a parábola da semente de mostarda, Jesus ensina e ilustra a verdade de que fazer o reino espalhar-se por toda a terra e alcançar as pessoas, tanto de longe quanto de perto, é responsabilidade da igreja. Crescer faz parte do reino e da igreja. Muitos admitem que a parábola deva ser interpretada apenas na perspectiva do crescimento espiritual. Contudo, o contexto imediato e amplo revela que Jesus está falando da expansão espiritual e numérica de seu reino. Alcançar os perdidos foi e sempre será a preocupação do Pai celeste. De Gênesis a Malaquias, a mensagem do crescimento do reino aparece com destaque. No Antigo Testamento, muitos textos revelam a visão missionária dos profetas. Contudo, bastam os dois seguintes para constatarmos que eles miravam o avanço da obra de Deus: “E há de ser que todo aquele que invocar o nome do Senhor será Salvo” (Jl 2:32). “Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim” (Is 6:8).

Por sua vez, o Novo Testamento revela o ápice da vontade salvadora do Pai: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16). Ainda garante que, apesar das terríveis adversidades e ataques, a igreja será vitoriosa, nessa santa missão: “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” (Mt 16:18). Nesse sentido o avanço do reino é um projeto do coração do Pai para nós, seus redimidos; cabe-nos cumprir a ordem do Mestre: “Então ele disse: Vão pelo mundo inteiro e anunciem o evangelho a todas as pessoas.” (Mc 16:15 – NTLH). Contudo, a parábola é apenas o ponto de partida, porque o grande manual de crescimento da igreja é, de fato, o livro de Atos, em que Jesus deixa claro que o reino já chegou, através da igreja e que ela tem a responsabilidade de levá-lo aos mais distantes lugares e pessoas da terra: “E recebereis a virtude do Espírito Santo e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda Judéia e Samaria e até os confins da terra” (At 1:8).

O que encontramos, em Atos, é uma igreja envolvida na proclamação do reino, cumprindo o ide de Jesus: “E todos os dias, no pátio do templo, e de casa em casa, eles continuavam a ensinar e a anunciar à boa noticia a respeito de Jesus o Messias” (At 5:42 – NTLH). “Enquanto eles semeavam a palavra, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (At 2:47). A verdade é que o chão não produzirá, se a igreja não semear, mas, se ela semear, o chão produzirá. Por essa razão é que a Bíblia adverte: “Semeia pela manhã a tua semente e à tarde não repouses a mão, porque não sabes qual prosperará; se esta, se aquela ou se ambas igualmente serão boas” (Ec 11:6; cf. Sl 126:5-6; Rm 10:13-14).

Fazer o reino de Deus avançar é mandamento de Deus para a igreja - Na mensagem da parábola, encontramos impresso o desejo de Cristo de ver o seu reino avançando, entre todas as nações, raças, tribos e línguas. Os patriarcas e os profetas comungaram com essa visão de Cristo. Davi orou a Deus pelo avanço do reino: “Todas as nações que fizeste virão, prostrar-se-ão diante de ti, Senhor, e glorificarão o teu nome” (Sl 86:9). Jesus orou ao Pai para que seu reino avançasse: “Eu não rogo somente por estes, mas também por aqueles que, pela sua palavra, hão de crer em mim.” ( Jo 17:20). Portanto, é pecado a igreja passar o ano inteiro envolvendo-se, espiritualmente, com programações internas que não visam colocar a semente no coração dos não-salvos. Se quisermos ser uma igreja abençoada e aprovada por Deus, temos que obedecer ao seu ide, ou seja, temos de orar, pedindo ousadia do Espírito Santo, para que realizemos programações em que a palavra seja semeada eficazmente aos não-salvos.

Fazer o reino de Deus avançar é mandamento de Deus para cada cristão - Não temos dúvida de que a igreja tem sido instrumento de Deus na propagação mundial do evangelho; mas, também, não podemos negar que, tanto no Antigo como no Novo Testamento, há um chamado pessoal para cada cristão. Foi assim com Ezequiel: “Filho do homem, eu te envio aos filhos de Israel, às nações rebeldes que se rebelaram contra mim.” (Ez. 2:3). Foi assim, também, com Isaías: “Em seguida, ouvi o Senhor dizer: Quem é que eu vou enviar? Quem será o nosso mensageiro? Então respondi: — Aqui estou eu. Envia-me a mim!” (Is 6:8 – NTLH). Foi assim com os apóstolos: “Não foram vocês que me escolheram; pelo contrário, fui eu que os escolhi para que vão e dêem fruto e que esse fruto não se perca. Isso a fim de que o Pai lhes dê tudo o que pedirem em meu nome.” (Jo 15:16 - NTLH). Ezequiel, Isaías e os apóstolos obedeceram a Deus e foram pregar aos não-salvos. Da mesma forma, todo aquele que foi alcançado pelo evangelho da graça de Deus deve ser obediente ao comando de pregar a palavra aos pecadores, sentindo, no coração, a mesma responsabilidade que Paulo sentiu, isto é, o dever de pregar a todos, tanto aos civilizados como aos não-civilizados, tanto aos instruídos como aos sem instrução (Rm 1:14 - NTLH).

O reino de Deus não virá, definitivamente, enquanto a palavra não for semeada a todos os pecadores - Quando os discípulos questionaram Jesus sobre a suntuosidade do templo de Jerusalém, o Mestre respondeu que tudo aquilo seria destruído. Mas Jesus não respondeu quando isso aconteceria; em vez disso, o Senhor passou a relatar alguns sinais da proximidade da sua vinda e do fim de todas as coisas. Isso tem duas implicações, na vida dos salvos, e é o próprio Jesus quem revela essa realidade espiritual: A primeira implicação tem a ver com a nossa perseverança cristã: “Quem ficar firme até o fim será salvo” (Mt 24:13 - NTLH). Já a segunda tem a ver com o nosso compromisso na expansão do reino: “E a boa noticia sobre o Reino será anunciada no mundo inteiro como testemunho para toda humanidade. Então virá o fim” (Mt. 24:14 NTLH). Se considerarmos que, quando Jesus contou a parábola que estamos estudando, a pregação do evangelho estava restrita, exclusivamente, aos Judeus, constataremos que essa realidade se assemelha muito a nós, pois gostamos de ficar enclausurados em nossas igrejas, ouvindo boa música, presenciando boa liturgia, o que, em princípio, não é pecado. Contudo, quando fazemos isso ignorando o princípio espiritual ensinado por Jesus, em Mt 23:23, tornamo-nos pecadores, pois o Mestre declara: “... estas coisas, porém, deveis fazer, sem omitir aquelas.” O ensino pessoal da palavra, o discipulado, através dos cursos bíblicos, o cuidado com o testemunho aos nossos amigos, com a retenção dos novos convertidos, devem ser praticados, para que o reino avance e Jesus logo venha buscar seu povo.

“Assim como o pai me enviou, também eu vos envio”. Mesmo não pertencendo aos evangelhos Sinóticos, o escritor João não difere dos demais evangelistas (Mateus, Marcos e Lucas), nem do Mestre, quanto à visão de crescimento do reino. Cristo foi comissionado pelo próprio Pai para trazer a salvação por meio do seu próprio sacrifício. No calvário, ouvimos Jesus dizer: “Pai está consumado”! Com a mesma autoridade do Pai, ele envia seus discípulos para levarem a mensagem de salvação até os confins da terra. Isso é possível, pois ele já nos deu o Espírito Santo. O que precisamos é seguir o conselho de Paulo: “Vocês são filhos queridos de Deus e por isso devem ser como Ele.” (Ef 5:1-2 – NTLH).

Que a vida de cada servo do Senhor seja dominada pelo amor aos perdidos; só assim veremos o avanço do reino de Deus. Amém!

Que Deus nos ajude e nos abençoe!

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Fonte: Autor Pastor José Lino Simão - divulgado no PC@maral

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