quarta-feira, 17 de março de 2010

Sejam santos no alimento

Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus. (I Co 10:31)

O que você come, como você come, onde você come, com quem você come, o quanto você come pode tornar você mais santo ou menos santo. Esaú e Daniel que o digam. A alma de Esaú era controlada pelo paladar. Por um prato de comida ele negociou a sua primogenitura, isto é, os seus direitos de filho mais velho (Gn 25:34). Com Daniel foi diferente. Ele, ao contrário de outros jovens também vindos de Israel: Resolveu (...) firmemente, não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia (Dn 1:8). Manteve o seu compromisso com Deus. Uma vez que alimentação e santificação se relacionam diretamente, o que devemos evitar e o que devemos fazer para sermos mais santos na sua obtenção e no seu consumo. Afinal, santificação é um processo, e todos nós, crentes em Jesus Cristo, estamos nos aperfeiçoando, e neste processo, inclui-se a nossa alimentação.

Você é o que você come e também quanto e como você come. Os alimentos podem ajudar ou prejudicar sua saúde. Mas não é recomendável sentar-se à mesa como se vai a uma farmácia ou lançar-se a excessos como um condenado em sua última refeição. O prazer do equilíbrio é a chave de tudo. Quando o francês Jean Anthelme Brillat-Savarin cunhou, em 1825, a expressão “diga-me o que comes e eu te direi o que és”, referia-se, sobretudo, aos prazeres de uma boa refeição. Em seu tratado de gastronomia “A Fisiologia do Gosto”, a primeira obra sobre a relação do homem com a comida, ele dizia que a elaboração de um novo prato causava mais felicidade à espécie humana do que a descoberta de uma estrela. (...) Já está provado que, das dez doenças que mais matam no mundo, cinco estão diretamente associadas a uma dieta de má qualidade: obesidade, infarto, derrame, diabetes e câncer – sobretudo o de mama, o de próstata e o de intestino. “Quem quer que seja o pai de uma doença, a mãe foi uma dieta deficiente”, diz o nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran). Não é preciso ser um freqüentador compulsivo de spas de emagrecimento para perceber que basta uma semana de alimentação regrada, frugal e saudável para o organismo funcionar melhor. O hálito melhora, o cabelo fica mais sedoso, a pele mais viçosa. Surge o ânimo para acordar mais cedo e, por que não, fazer inclusive uma caminhada. (...) Ah, os refrigerantes, as batatas fritas, os hambúrgueres... Se eles não fossem tão gostosos, não teriam ganhado o planeta. Já as frutas, as verduras, os legumes... Bem, a verdade nua e crua (ou cozida, como queira) é que são alimentos difíceis de engolir para oito em cada dez pessoas (e para dez em cada dez crianças). Pesquisadores da Universidade de Oxford, na Inglaterra, desvendaram os mecanismos cerebrais que tornam uma fritura mais apetitosa do que um rabanete. Eles descobriram que as comidas gordurosas ativam uma região cerebral conhecida como córtex cingulado, a mesma que se acende quando recebemos um carinho ou sentimos o cheiro de um perfume. A educação dos sentidos, no entanto, não é tão difícil como parece. Há uma máxima antiga segundo a qual “as doenças não afetam quem sabe o que comer, o que não comer, quando comer e como comer”. Isso está ao seu alcance.

[Fonte: BUCHALLA, Anna Paula in Você é o que você come. Disponível em: Revista Veja online (http://veja.abril.com.br/300408/p_114.shtml) > Acessado em 19/10/2009.]


E O QUE DIZ A BÍBLIA?

O Deus dos dois primeiros capítulos de Gênesis é o Deus que fala. Ele fala mais no primeiro capítulo (1:3,6,9,11,14,15,20,22,24,26,28,29,30) do que no segundo (16,17,18). Mas Deus não fala muito com o ser humano: apenas três vezes. Na primeira (Gn 1:28) e na segunda (Gn 1:29-30), fala com Adão e Eva juntos. Na terceira (Gn 2:16-17), ele fala só com Adão. Dessas três falas de Deus, as que têm o conteúdo mais extenso são a segunda e a terceira, que apresentam instruções relacionadas à alimentação. Mas as instruções divinas sobre alimentação não estão apenas em Gênesis: estão em toda a Bíblia. Vejamos quais são elas.

1. INSTRUÇÕES BÍBLICAS SOBRE A OBTENÇÃO DO ALIMENTO:

Para sermos santos na obtenção do alimento, devemos evitar algumas práticas.

Em primeiro lugar, a Bíblia diz que devemos evitar a ilegalidade, porque a comida que se consegue desonestamente pode ser muito gostosa, mas depois será como areia na boca (Pv 20:17 – NTLH). Isso quer dizer que o nosso alimento não deve ser proveniente de atividades ilegais ou imorais, tais como prostituição, estelionato, desmatamento, contrabando, sonegação, pirataria, agiotagem, narcotráfico, jogatina, exploração. Jesus, mesmo tendo muita fome, recusou-se a utilizar meios contrários à vontade divina para conseguir alimento (Lc 4:3).

Em segundo lugar, a Bíblia diz que, na obtenção do alimento, devemos evitar a ansiedade. O que o ansioso mais detesta e mais abomina é esperar. Por essa razão, ele não se sente nada bem diante da ordem: Lança o teu pão sobre as águas, porque, depois de muitos dias, o acharás (Ec 11:1). O que ele não gosta nessa ordem? Disto: ... depois de muitos dias, o acharás. A sua maior aflição não é nem o fato de ter que lançar a semente, mas o fato de ter que “aguardar” o tempo certo da colheita (Mc 4:28-29). O ansioso “atropela processos: quer comer antes de ficar pronto, colocar o pão no forno antes de preparar a massa, colher antes de plantar, plantar antes de preparar a terra”

Em terceiro lugar, a Bíblia diz que, na obtenção do alimento, devemos evitar o oportunismo. Certa ocasião, Paulo soube (II Ts 3:11) que, numa das igrejas em que havia estado, alguns irmãos insistiam em viver à custa de outrem, mesmo depois de terem sido por ele orientados, tanto pelo exemplo (II Ts 2:9) quanto pela palavra (II Ts 2:10). Esses irmãos sobreviviam do oportunismo. A pessoa influenciada pelo oportunismo se aproveita da bondade, do trabalho e do recurso do próximo para se sustentar. O apóstolo confrontou energicamente o gravíssimo comportamento oportunista: a esses tais, porém, mandamos e exortamos, por nosso Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando com sossego, comam o seu próprio pão (II Ts 3:12).

Em quarto lugar, a Bíblia diz que, na obtenção do alimento, devemos evitar o materialismo. Tão logo Jesus notou que o impulso de grande parte do povo em sua direção era somente de natureza material, isto é, para obtenção de alimento (Jo 6:26), declarou: Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna (Jo 6:27). Obviamente, “o Senhor não quis dizer com isso que não deveriam trabalhar para ganhar o pão diário, mas que isso não deveria ser o alvo principal deles. Satisfazer o apetite físico não é a coisa mais importante na vida”, porque está escrito: nem só de pão vivera o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus (Mt 4:4 – NTLH).

Em quinto lugar, a Bíblia diz que, na obtenção do alimento, devemos evitar o individualismo. Alguém que vive sob o domínio do individualismo revela pouca ou nenhuma solidariedade. Olha para a sua colheita e nota que ela foi boa, muito boa (Lc 12:16). Vai faltar-lhe celeiro para guardar tantos frutos e tantos cereais (Lc 12:17). Mas ele não vai repartir a sobra com aquele que plantou tudo, mas não colheu nada. Ele vai mesmo é construir celeiros maiores para estocar o excedente para o futuro (Lc 12:18)! Então, dirá a sua alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te (Lc 12:19). Esta atitude é absurda, pois “quem vive aos cuidados de um Deus doador convive com a responsabilidade de compartilhar”3 (Pv 22:9).

2. INSTRUÇÕES BÍBLICAS SOBRE O CONSUMO DO ALIMENTO:

Não basta ser santo apenas na obtenção do alimento: precisamos ser também santos no seu consumo. Para sermos santos nessa área, precisamos seguir algumas práticas.

Em primeiro lugar, devemos ter cuidado com o que escolhemos para nossa alimentação. O Deus da Bíblia, que possui santidade perfeita (Lv 11:44) e que detém soberania absoluta (Dt 14:2), alistou para o seu povo, de todos os tempos e de todos os locais, os alimentos próprios para o consumo (Lv 11; Dt 14). Além disso, devemos, de igual modo, nos abster das carnes dos animais oferecidas nos templos pagãos, sufocados e do sangue (At 15:29).

Em segundo lugar, a Bíblia diz que para sermos santos no consumo do alimento devemos observar a temperança. Uma pessoa temperante domina, governa, controla o seu apetite, quando se alimenta do que é permitido por Deus. O seu deus (Fp 3:19) e o seu senhor (Rm 16:18) não é o próprio ventre. O seu estômago não é soberano. O seu lema não é: os alimentos são para o estômago, e o estômago, para os alimentos (I Co 6:13). O seu apetite não dita a direção da sua vida. Conhece e consome os alimentos pela palavra de Deus, mas não se deixa dominar por nenhum deles (I Co 6:12). Ela não ingere nem pouco nem muito alimento: ingere somente o suficiente para viver de maneira saudável.

Em terceiro lugar, a Bíblia diz que, para sermos santos no consumo do alimento, devemos observar a gratidão. A Bíblia fala que nos últimos tempos certos mestres falsos iriam exigir abstinência de alimentos permitidos pela palavra Deus. Se o Deus que os criou nos permitiu e nos autorizou consumi-los, não devemos jamais recusá-los, mas sim recebê-los com ações de graças diante dele (I Tm 4:3). Deve haver sempre ações de graça diante de Deus, porque dele (...) são todas as coisas (Rm 11:36a), ou seja, pertencem a ele e procedem dele. É Deus quem dá o sustento aos que ele ama, mesmo quando estão dormindo (Sl 127:2 – NTLH).

Em quarto lugar, a Bíblia diz que para sermos santos no consumo do alimento devemos observar a comunhão. Tanto na igreja coríntia, quanto na igreja romana houve muita contenda, intolerância, acusações e escândalo por causa do consumo de alimentos (Rm 14:1 – 15:13; I Co 8:1, 10:14-33, 11:17-22). A comunhão fraternal foi terrivelmente prejudicada. Eles ignoravam que o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo (Rm 14:17). Ele ignoravam que todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam (I Co 10:23). Não sejamos causa de tropeço (...) para a igreja de Deus (I Co 10:32) por ocasião dos nossos almoços e jantares coletivos. Portanto, quer comais, quer bebais (...), fazei tudo para a glória de Deus (I Co 10:31).

Em quinto lugar, a Bíblia diz que para sermos santos no consumo do alimento devemos observar a prudência. Os filhos e as filhas de Jó eram unidos e alegres. Juntos faziam muitos banquetes (Jó 1:4). Assim que os banquetes terminavam: chamava Jó a seus filhos e os santificava (Jó 1:5a). Sempre fazia isso porque temia que um dos filhos poderia ter pecado (Jó 1:5c – NTLH). Jó não era um pai ingênuo: era prudente. De fato, por falta de prudência ao redor de uma mesa de almoço, ou de jantar, negócios escusos são fechados, alimentos prejudiciais à saúde são consumidos, bebidas alcoólicas são tomadas, palavras impróprias são faladas, princípios bíblicos são quebrados, pessoas casadas são seduzidas, decisões injustas são tomadas. Sejamos sóbrios também ao redor da mesa!

Uma das mais belas cenas da igreja é aquela quando vemos todos os irmãos e irmãs ao redor da mesa do Senhor, para tomar da ceia que ele mesmo instituiu, para anunciar a sua morte e relembrar a sua vinda. Uma vez que não querem comer e beber juízo para si, buscam se postar e se portar de um modo digno e santo, porque sabem que estão diante da Ceia do Senhor, que teve o seu sangue derramado e seu corpo partido para salvá-los. Mas não é apenas diante da Ceia do Senhor, que precisamos nos comportar com santidade. Vimos que a Bíblia também recomenda santidade na refeição diária, tanto na sua obtenção, quanto no seu consumo.

APLICANDO O CONHECIMENTO BÍBLICO

1. Andemos sem preocupação!

No sermão do monte, o nosso Senhor Jesus, ensina: ... não se preocupem com a comida (...) que precisam para viver (Mt 6:25a, NTLH). O que ele proíbe aqui, obviamente, não é a previdência e o planejamento, mas a perturbadora preocupação com a própria sobrevivência. Ele não nos ensina a negligenciar o presente ou o futuro! O que ele nos pede é para que não andemos agitados em relação ao atendimento e suprimento das nossas necessidades, pois Deus as conhece e as atende. “Se ele nos deu a vida, não a sustentará? Não cuida ele dos pássaros e das flores? Não deu ele seu Filho? Como então recusará dar-nos algum bem? Confiemos nele e fiquemos em paz”. Vamos fazer o que a Bíblia orienta: Entreguem todas as suas preocupações a Deus, pois ele cuida de vocês (I Pd 5:7, NTLH).

2. Peçamos sem extravagância!

Como viver livre da atormentadora preocupação com a sobrevivência? Orando a Deus! É isso que a palavra Deus nos recomenda claramente: Não se preocupem com nada, mas em todas as orações peçam a Deus o que vocês precisam (Fp 4:6a, NTLH). Interessante a expressão: o que vocês precisam. Está de acordo com oração que Jesus ensinou: Dá-nos hoje o alimento que precisamos (Mt 6:11, NTLH). O que passar disso é extravagância! Que a nossa oração seja a oração de Agur, escritor de alguns provérbios: Eu te peço, ó Deus, (...). Dá-me somente o alimento que preciso para viver. Porque, se eu tiver mais do que o necessário, poderei dizer que não preciso de ti. (Pv 30:7-9, NTLH). Queiramos e peçamos apenas o suficiente!

3. Vivamos sem insatisfação!

Ao nosso redor vemos, infelizmente, um monte de crente em Jesus que vive o tempo todo descontente com tudo e com todos. Não estão contentes com o corpo, com a casa, com o carro, com a roupa, com o ganho, com o outro, com o filho, com o irmão, com a igreja, com Deus, com o pastor, com a vida. Não era assim com Paulo. Ele disse: aprendi a estar satisfeito com o que tenho. (...) Aprendi o segredo de me sentir contente em todo lugar e em qualquer situação, quer esteja alimentado ou com fome, quer tenha muito ou tenha pouco (Fp 4:11-12b, NTLH). Sabe quem lhe dava força para viver sempre alegre e feliz? Cristo. Ele mesmo disse: Com a força que Cristo me dá, posso enfrentar qualquer situação (Fl 4:12). Se ele podia viver contente em toda e qualquer situação, nós também podemos. Porque o Cristo dele é também é o nosso Cristo! Portanto, se temos comida e roupas, fiquemos contentes com isso (I Tm 6:9, NTLH).

CONCLUSÃO:

Vimos que para não perdemos a santidade nem na obtenção, nem no consumo do alimento, devemos obedecer as instruções da palavra de Deus a esse respeito. Acabamos de conhecer algumas delas. Que aquele que dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas; e de um só fez toda a geração dos homens para habitar sobre toda a face da terra (At 17:25b-26), nos ajude por meio da sua imerecida graça e do seu glorioso poder a vivê-las, dia após dia. Só com essa ajuda vamos conseguir ganhar e comer o nosso pão de cada dia, evitando a ilegalidade, a ansiedade, o oportunismo, o materialismo, o individualismo, tendo cuidado, temperança, gratidão, comunhão e prudência.

Que Deus nos ajude sempre e nos abençoe!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Todos os comentários serão moderados. Me reservo ao direito de não publicá-los caso o conteúdo esteja fora do contexto, ou do assunto, ou seja ofensivo ao autor do texto.