quarta-feira, 3 de março de 2010

Severino, Severino!

Juliano Pozati


- Vejam, o povo nordestino agora é numeroso e mais forte do que nós. Temos que agir com astúcia, para que não se tornem ainda mais numerosos e, no caso de guerra, aliem-se aos nossos inimigos, lutem contra nós e fujam de São Paulo.

Estabeleceram, pois, sobre eles chefes forçados, para os oprimir com tarefas pesadas. E assim os nordestinos construiram para o prefeito a cidade de São Paulo. Todavia quanto mais eram oprimidos, mais numerosos se tornavam e mais se espalhavam. Por isso os paulistas passaram a temer os nordestinos, e os sujeitaram a cruel escravidão. Deram-lhes a vida amarga, impodo-lhes a árdua tarefa de preparar o concreto e fazer blocos, executar todo tipo de serviço predial e de condominio; em tudo os paulistas sujeitavam cruel escravidão.

- Severino, Severino!

- Eis-me aqui! – respondeu ele.

- Tire as Havaiannas dos pés Severino, pois o lugar em que você está é terra santa. Eu sou o Deus de seus pais, Deus de Cleitom, Deus de Uélintom, Deus de Uóxintom.

Então Severino cobriu o rosto e teve medo de olhar para Deus.

- De fato tenho visto a opressão do meu povo em São Paulo, tenho escutado seu clamor, por causa de seus feitores e sei o quanto eles estão sofrendo. Por isso desci para livrá-los das mãos dos paulistas e tirá-los daqui para uma terra boa e vasta, onde mana leite de coco e azeite de dendê com fartura. Pois agora o clamor dos nordestinos chegou a mim, e tenho visto como os paulistas os oprimem.

Ex 1. 2.

***

Fonte: Do excelente blog Duas Asas do Juliano Pozati divulgado aqui no PC@maral

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