terça-feira, 6 de abril de 2010

Chuvas esvaziam Centro do Rio; até vendedor de guarda-chuvas tem prejuízo

Muitos não conseguiram chegar ao local de trabalho e quem chegou foi dispensado

Carolina Farias, do R7

Foto: Carolina Farias/R7 - Avenida Passos, na região do Saara, maior centro
comercial popular do Rio, na manhã desta terça-feira; chuva obrigou comércio a fechar


A chuva histórica que atinge a região metropolitana do Rio de Janeiro desde a segunda-feira (5) impediu a chegada de milhares de pessoas ao trabalho no Centro da capital. A região estava quase vazia no início da tarde desta terça-feira (6). Até mesmo vendedores de guarda-chuvas reclamavam do baixo movimento. Muitos escritórios dispensaram os empregados que conseguiram chegar ao trabalho. Já o comércio estava praticamente todo fechado. A maioria dos estabelecimentos que “insistiu” em abrir as portas eram lanchonetes. Os bancos abriram, mas órgãos estaduais, federais e municipais ficaram fechados.

Grande parte daqueles que não foram trabalhar nesta terça por impossibilidade de chegar ao Centro, no entanto, muitos também tiveram problemas para voltar para casa na volta do trabalho na segunda, chegando ao destino somente na madrugada. Estes nem tentaram voltar à região por causa da situação caótica em que o Centro ainda se encontrava pela manhã. O prefeito Eduardo Paes (PMDB) fez um apelo no início da manhã para “quem estiver em local seguro não deve sair”.

O camelô Reinaldo Moura Ramalho, de 46 anos, que trabalha na rua Uruguaiana, nem conseguiu chegar em casa na segunda. Ele chegou a tentar. Entrou em um ônibus lotado, que ficou três horas parado em um mesmo lugar. Resolveu descer e dormiu em uma hospedaria no Centro.

- É a primeira vez que vejo isso na vida. É chato ficar com a mesma roupa.

O camelódromo da Uruguaiana estava com quase todos os boxes fechados. Ramalho não sabia se conseguiria ter um bom dia de vendas. Ele era um dos poucos vendedores ambulantes que estava no local.

O ascensorista Paulo Roberto Rangel, que trabalha no do prédio do Detran (Departamento Estadual de Trânsito) da avenida Presidente Vargas, saiu de casa às 3h40, em São Gonçalo, na região metropolitana, para conseguir chegar às 7h no local de trabalho.

- O ônibus ficou parado. Passamos por vários locais alagados como Neves [bairro de São Gonçalo] e Niterói.

Belmiro Sireno, dono de uma banca de jornal também na Presidente Vargas, costuma pegar quatro tipos de jornais para venda. Nesta terça pegou somente dois e sabe que os produtos vão encalhar. O movimento no estabelecimento, segundo ele, era somente de 20% do normal.

- Minha mulher já falou para eu voltar para a casa, mas hoje é dia de pagar uma editora. Tenho de ficar aqui.

Outra que se arriscou a ir trabalhar de ônibus foi a secretária Tatiana Moreira. Ela levou quatro horas de Vista Alegre, em Irajá, na zona norte do Rio, até o Centro. Ela saiu de casa sem ser avisada sobre a situação caótica em que a cidade se encontrava pela manhã. Apesar de ela ter chegado ao trabalho por volta das 10h30, foi dispensada por volta das 12h.

- Muitos colegas não vieram trabalhar. Saímos mais cedo. Agora estou esperando o ônibus para ver o que vai dar.

O economista do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) Sérgio Matos chegou ao trabalho sem enfrentar problemas, porque mora perto do trabalho e vai de metrô. No entanto, da equipe de 25 pessoas com quem trabalha, somente duas conseguiram chegar.

- Fechamos 12h. Não dava para trabalhar.

Foto: Carolina Farias/R7: O vendedor de guarda-chuvas Josimar de Araújo
tenta se livrar do estoque, mas movimento é baixo


A situação estava ruim até mesmo para o vendedor de guarda-chuvas Josimar de Araújo. Em dias de chuvas “comuns” ele vende em média 70 produtos rapidamente. Nesta terça-feira ele tinha conseguido vender cerca de 30 durante toda a manhã. Bom mesmo foi na segunda-feira, disse ele, quando a chuva começou ele vendeu cerca de 80 guardas-chuvas.

Queria que chovesse assim uns 15 dias.

Para conseguir chegar à Confeitaria Colombo, na rua Gonçalves Dias, no Centro, o garçom Francisco Rodrigues Alves demorou o dobro do tempo que leva naturalmente. Morador do Bairro de Fátima, na região central, ele vai para o trabalho a pé. Mas, hoje teve de dar várias voltas pela região, já que muitas vias do seu caminho habitual estavam embaixo d'água. O movimento no estabelecimento também estava bem abaixo do normal.

- Nessa hora [almoço] aqui fica tudo lotado. Só que hoje está tudo [comércio] fechado e por isso está vazio.

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Fonte: R7.com

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