quarta-feira, 7 de abril de 2010

Especialistas defendem desocupação imediata de áreas de risco no Rio

Antonio Lacerda/Efe - Parte de um deslizamento de terra, em imagem feita nesta terça (6). Chuvas provocaram a morte de mais de cem pessoas

Especialistas em políticas urbanas e meio ambiente ouvidos pela reportagem do R7 defendem a remoção imediata - usando a força, se necessário - da população que ocupa áreas de risco no Rio de Janeiro. De segunda até o início da madrugada desta quarta-feira, as chuvas mataram mais de cem pessoas - número superior ao de vítimas de todo verão em São Paulo. A Prefeitura do Rio de Janeiro defende uma solução negociada.

O biólogo Mario Moscateli, professor de gerenciamento de ecossistemas no Centro Universitário da Cidade do Rio de Janeiro (UniverCidade), se diz revoltado com a situação na cidade. Para ele, o “politicamente correto não está dando certo” e quem resistir a uma possível desocupação deve “ser removido a força”. Moscateli diz que as mudanças climáticas exigem respostas rápidas dos governos:
- A sociedade e os administradores têm que entender que o clima mudou e o planeta vai cobrar cada vez mais e mais alto a conta que não foi paga já há algumas gerações. A ficha tem que cair e nós precisamos profissionalizar as políticas públicas.
Laura Valente, diretora para a América Latina do Iclei, rede composta por 1.100 governos locais que compartilha informações sobre sustentabilidade, concorda que a situação é urgente. Ela diz que o governo deve estar atento a todas as áreas de risco e sinalizar sua presença. Para a especialista, as casas em áreas irregulares devem ser destruídas logo após serem construídas.

Antonio Lacerda/Efe - Vista geral de um deslizamento de terra nesta terça-feira (6)

Carlos Alberto Mesquita, diretor executivo do Instituto BioAtlântica, também defende a remoção imediata das famílias em áreas de risco extremo. Ele comparou a situação a um "suicídio". Para Mesquita, hoje há tecnologia suficiente para medir o risco de determinadas encostas. Eymar Lopes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), confirmou à agência France Presse que a tecnologia existe, mas “não há é um mapeamento das áreas de risco” que permita às autoridades alertar a população.

Tanto Mesquita quanto Moscateli ressalvam que é necessário planejamento para colocar os removidos em um lugar com boa infraestrutura e perto do local de trabalho.

Meta de reassentamento

A Secretaria Municipal de Habitação do Rio de Janeiro disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que sua meta é reassentar 15 mil famílias até 2012. De janeiro de 2009 até hoje, 5% da meta foi cumprida - 750 famílias foram removidas, segundo a secretaria. Programas federais como o Minha Casa Minha Vida ajudarão a prefeitura a chegar ao seu objetivo, segundo a pasta.

A secretaria ainda disse discordar da opinião dos especialistas sobre o uso de força. Segundo assessoria de imprensa, a prefeitura trabalha apenas com soluções negociadas. A prefeitura tem como objetivo esclarecer às famílias que vivem em áreas perigosas que a vida delas corre risco.

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Fonte: R7.com

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