sexta-feira, 9 de abril de 2010

Tenho sede de viver

Edmilson Mendes

Não tenho nenhum amigo com sede de morrer. Conheço pessoas que querem morrer, mas este querer não é uma sede. O desespero muitas vezes leva ao suicídio não porque a pessoa queira morrer, e sim porque ela quer o fim dos seus problemas e dores. Mas sede de morrer? Não. Não conheço ninguém com esta vontade. A frase título deste texto: Tenho sede de viver saiu na chamada de capa da Veja São Paulo de 20 de janeiro de 2010. A frase não foi uma criação da equipe editorial de Veja, foi uma declaração da apresentadora Hebe Camargo.

Todos nós temos esta sede. A criança cheia de energia, o adolescente transbordando nos níveis de testosterona, os anciãos cheios de nostalgia. Todos fomos equipados com esta sede. Ansiamos por viver. Ninguém ora para conquistar um bom câncer, uma emocionante crise asmática, uma inesquecível e doce fratura, estas coisas, na verdade, quando surgem em nossas vidas, só fazem aumentar nossa sede de viver. Por isso choramos no velório e celebramos na maternidade. Embora saibamos que a morte é certa, não temos sede de morrer, nossa insistente sede é por vida. A Hebe está certa, sua declaração só confirma nossa sede natural. A vida precisa ser nossa constante motivação, expandindo e dando esperança a nossa visão.

Jesus ensinou esta lição certa vez para uma mulher. Exausto, cansado de sua caminhada, ao meio dia, com o sol a pino, olhou para uma samaritana e pediu: Dá-me de beber. Sede é exatamente o que Jesus sentiu e demonstrou. Judeus não falavam em hipótese alguma com samaritanos. Com samaritanos do sexo feminino, não mesmo. Mulher, e ainda por cima samaritana, que já havia casado cinco vezes, piorou. Para pedir água Jesus teve que passar por cima de muita regra, tradição e história. E só o fez por dois motivos. Primeiro, porque humanamente ele estava com sede, muita sede. Segundo, porque divinamente ele sabia que aquela mulher tinha uma gigantesca sede na sua alma, que somente seria saciada por ele, o Emanuel, o Deus conosco.

Naquele dia, a mulher samaritana estava representando todos nós, rejeitados, humilhados, injustiçados, perseguidos, incompreendidos, internamente secos de esperança, alegria e sentindo na vida. A água que Jesus ofereceu, ela recebeu. A mesma que todo sedento pode receber hoje, para nunca mais ter sede, segundo as palavras dele: “Aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede” (João 4.14).
A água doada graciosamente por Jesus chama-se salvação, e jorra para a vida eterna.
A humildade de Jesus impressiona. Ele, sendo Deus, pede água a uma mulher, quebrando, assim, todos os protocolos da época, por que então nós não vamos a ele, nossa fonte de água viva? Afinal, temos ou não sede de viver? Eu sei: sede como a da Hebe todo ser humano tem. Minha pergunta é sobre a sede transcendental. Sede além do céu azul. Sede para entrar nos portais do Salmo 24; enfim, temos sede de vida eterna? Ou tudo está muito bom do jeito que está?

Para uma vida equilibrada preciso saciar as duas sedes. A sede de viver bem aqui, com qualidade, recursos, amigos, festa, trabalho, saúde, doação, missão, contemplação, entrega. E a sede de seguir eternamente, vivendo a plenitude da felicidade, experimentando, em cada dia da eternidade, as coisas que o olho não viu e nem sentiu o coração.
Não sei você, mas só tenho conseguido saciar estas sedes em Cristo. Saciar mesmo. Pois ele não se contenta em dar vida; ele dá vida em abundância, amorosamente, exageradamente. Mas como beber desta água? A mulher samaritana nos dá uma pista. Não desista de enfrentar o sol. Não desista de sofrer suas realidades. Não esconda sua particular história. Jesus, a qualquer momento, talvez no clímax da sua sede, poderá aparecer.

***

Fonte: Autor Pastor Edmilson Mendes

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Todos os comentários serão moderados. Me reservo ao direito de não publicá-los caso o conteúdo esteja fora do contexto, ou do assunto, ou seja ofensivo ao autor do texto.