quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O Reinado Do Castigo - Série: Monarquia [11]


Por isso, o SENHOR rejeitou todos os israelitas; ele os castigou, entregando-os a inimigos cruéis, e no fim os expulsou da sua presença. (II Rs 17:20 – NTLH)

A nação de Israel já de muito havia se apostatado do Deus de Abraão, Isaque e Jacó, que, insistentemente, havia levantado profetas, no intuito de convencer a nação a abandonar suas práticas pecaminosas e voltar a se basear na direção do Altíssimo. Os esforços divinos, todavia, foram vãos. Toda a nação de Israel havia se corrompido e se tornado surda às divinas advertências. Havia chegado o tempo em que Deus mostraria toda a sua indignação e, mais uma vez, usaria de uma nação pagã para dar ao seu povo o castigo merecido.

Oséias foi último rei de Israel. Reinou por nove anos, sendo que, com ele, terminaria, definitivamente, toda a linhagem real do reino norte. O fim de seu reinado não seria apenas o fim do império de um rei, mas de todo um reino, que morreria e, a partir de então, jamais se levantaria novamente. Rapazes e moças israelitas, sob o castigo do cativeiro Assírio, seriam obrigados a se casarem com jovens de outras nações; deuses pagãos seriam introduzidos em seus ritos, novos padrões éticos seriam estabelecidos e, finalmente, extinguir-se-ia todo vínculo com o verdadeiro Deus.

I – A HISTÓRIA CONTADA

O reino de Israel, desde sua fundação, como analisamos no estudo [4] O Reinado da Divisão, sempre teve atitudes reprováveis aos olhos do Senhor e, com a morte de Jeroboão II, desabou praticamente tudo o que ainda restava de bom em Israel. Entre os anos de 753 e 722 a.C., seis reis sucederam o reinado em Israel, sendo este um período abalado por assassinatos e golpes sangrentos. Houve quatro golpes de Estado (golpistas: Salum, Menahem, Pecah e Oséias) e quatro assassinatos (assassinados: Zacarias, Salum, Pecahia e Pecah). Dos vinte reis que ocuparam o trono da nação de Israel, sete foram assassinados, e todos eles, sem exceção, foram julgados maus perante os olhos do Senhor. Mesmo sendo constantemente advertidos pelos profetas Elias, Elizeu, Oséias, Amós, Miquéias e outros profetas menores, todos se fizeram surdos às advertências divinas.

Como as nações que a antecederam, Israel se deixou vencer pela prática constante da idolatria e de imoralidades: E os filhos de Israel fizeram secretamente coisas que não eram retas, contra o Senhor seu Deus; edificaram altos em todas as suas cidades, desde a torre dos atalaias até à cidade forte (...). Queimaram os seus filhos e filhas como sacrifícios a deuses pagãos, consultaram médiuns e adivinhos e só fizeram coisa erradas, que o Senhor não aprova, e por isso ele ficou irado com eles. (II Reis 17: 9,17 – NTLH). Aquelas nações perderam o direito da terra por causa de seu vil procedimento, e, por ocasião do período que antecedeu o cativeiro assírio, as mesmas coisas aconteciam a Israel.

Entretanto, tamanha maldade não passou despercebida aos olhos do Senhor, e a promessa de que, caso seu povo se deixasse levar pela maldade das demais nações, o Senhor lhe daria o mesmo castigo: Porém, se o teu coração se desviar; e não quiseres dar ouvidos, e fores seduzido para te inclinares a outros deuses, e os servires, então eu vos denuncio hoje que, certamente, perecereis: não prolongareis os dias na terra a que vais, passando o Jordão para que, entrando nela a possuas (Dt 30:17-18), o que finalmente se cumpriu: O Senhor ficou tão irado, que os expulsou da sua presença, deixando apenas o Reino de Judá! (II Rs 17:18 – NTLH)

No ano de 745 a.C., subiu ao trono da Assíria o rei Tiglate-Pileser III, que foi um grande guerreiro e estadista, através de quem a Assíria, que, até então, não passava de um reino decadente, tornou-se um dos grandes impérios da antiguidade. Ao longo dos seus dezoito anos de reinado (745–726 a.C.), Tiglate-Pileser III, homem hábil e brutal, tornou-se um dos maiores conquistadores da Assíria. Ele alcançou inúmeras vitórias em múltiplos lugares. Dominou os babilônicos, os medos, até que, em 738 a.C. já havia dominado grande parte da Síria e da Finícia, conquistou também Israel que foi obrigado a lhe pagar tributo, levou cativa uma parte de sua população, as tribos transjordânicas e os habitantes da Galiléia, para a Assíria.

Com a morte Tiglate-Pileser III, em 727 a.C, subiu ao trono Salmaneser V, que reinou entre 726- 722 a.C. Nesta ocasião, Oséias, rei de Israel, pensou ser o momento adequado para se revoltar contra o domínio Assírio. Começou a negar o tributo à Assíria e a buscar aliança com Sô, o rei do Egito (II Rs 17:4), com o intuito de se livrar das freqüentes ameaças e dos pesados tributos da Assíria. Foi um erro fatal. O Egito, na ocasião, estava passando por diversos problemas internos e estava muito fraco. Não veio dali, obviamente, a ajuda esperada, quando Salmaneser V atacou, prendeu o rei, ocupou o país e cercou Samaria, em 724 a.C., fazendo com que a dura sorte do reino de Israel fosse lançada nas mãos de seus inimigos.
Nota: Sargão II, que servia como general do exército, cujo nome significa "rei legítimo", usurpou do trono e fundou uma nova dinastia na Assíria. Nos registros, ele afirma que capturou Samaria, embora alguns acreditem que Salmaneser V realmente conquistou a cidade e que Sargão reivindicou para si o crédito, tendo governado por dezesseis anos. [3]
Ele cercou Samaria por três anos (II Rs 17:5). Após, três longos anos, Israel, finalmente, caiu nas suas poderosas mãos. No nono ano do reinado Oséias, Samaria foi invadida e arrasada (II Rs 17:6a). Foi ele quem se encarregou da deportação de 27.290 pessoas para várias regiões do Império Assírio (II Rs 17:6b) e da substituição da população israelita por outros povos que foram importados de muitos locais do Império Assírio e ali instalados (II Rs 17:24). Com a instalação, no território, de outros povos e outros costumes, chegou, para Israel, o fim definitivo.

A vida a partir de então, no cativeiro, não seria menos difícil do que quando tinham de pagar pesados impostos ao seu dominador. As cidades e os territórios, onde foram colocados os israelitas, eram controlados pelas forças assírias. Liberdade, ali, era algo totalmente desconhecido por todos, que haviam sido cruelmente despojados de todos os seus bens. Tendo a Assíria se tornado um reino extremamente forte, seu tratamento aos israelitas, ao deportá-los de sua terra, não fora uma atitude isolada, por parte de seus dominadores: tratamento idêntico teve os demais povos subjugados. Isso proporcionou o convívio de vários povos em um único território. Casamentos entre essas pessoas foram conseqüências que não demoraram a acontecer. Com isso, finalmente, os israelitas perderam a sua identidade sócio-econômica política, cultural e religiosa.

Deus prometeu a Jeroboão que o reino do Norte seria grandemente abençoado com estabilidade política e prosperidade material, se ele escutasse e guardasse os seus estatutos. Não foi o que aconteceu. Os compromissos espirituais foram quebrados e ignorados. A idolatria foi crescendo, até se tornar insuportável. A ira do Senhor foi provocada! Muitos profetas tudo fizeram no sentido de salvar a nação, mas foram impotentes para conter a avalanche de rebeldia contra a palavra de Deus. Assim, acabou o reinado de Israel, “que perdurara por duzentos e cinqüenta e quatro anos, desde a morte de Salomão e o cisma provocado por Jeroboão I, até que Samaria foi tomada pelo exército Assírio, no nono ano do governo de Oséias”. [2]

O mau exemplo do povo de Deus do passado não deve servir apenas para criticarmos ou para falarmos mal dele, mas sim para termos consciência de que hoje, muitas vezes, continuamos agindo da mesma forma, desobedecendo a Deus, não sendo fiéis a Ele e, conseqüentemente, não cumprindo nossa parte no compromisso assumido com Deus.

II – A HISTÓRIA APLICADA

1. A história de Oséias nos mostra o quanto é perigoso ignorarmos a advertência espiritual.

Através dos ministérios de profetas e videntes, em sua misericórdia, Deus falou a seu povo de todas as maneiras possíveis, advertindo, solicitando, ameaçando (II Rs 17:13b). Sobre Israel, pesava a repousava a obrigação de ser obediente às palavras do profeta, pois eram palavras do próprio Deus: De todo aquele que não ouvir as minhas palavras, que ele falar em meu nome, disso lhe pedirei contas (Dt 18:19). O povo, porém, não prestou atenção às advertências de Deus: Mas eles não quiseram ouvir e foram obstinados como seus antepassados (II Rs 17:14 – NVI). O reino do norte fez pouco caso dos avisos de Deus: ... rejeitaram as suas advertências (II Rs 17:15b), insistindo continuar no caminho da perversão e da rebeldia. Assim sendo, o Santo de Israel não teve outra saída, a não ser aplicar o apropriado julgamento aos israelitas: ... ele os castigou, entregando-os a inimigos cruéis (II Rs 17:20 – NTLH).

A Bíblia mostra página após página, que quem ignora apelos de Deus, sofre terrivelmente. Isso acontece não porque Deus é impiedoso ou ruim, mas, sim, porque é justo. Nas Escrituras Sagradas, está escrito que a severidade de Deus é tão grande quanto a sua misericórdia. Deus não suporta o pecado! Ele leva o pecado a sério: pune-o, independentemente de quem o pratique. Não importa se trata de um pagão, de um crente ou de qualquer outra pessoa; é a mesma mão que castiga, não há livramento, senão através de arrependimento. Se Deus vem advertindo-o a abandonar algum pecado, não demore em fazê-lo. Arrependa-se hoje mesmo. As pessoas que desprezam o que Deus fala são punidas por ele. Ouvir a Palavra é vida; não ouvi-la é ser julgado por ela. É preciso dar atenção à Palavra de Deus: Temei a Deus e dai-lhe glória, pois é chegada a hora do seu juízo (Ap 14:7).

2. A história de Oséias nos mostra o quanto é perigoso rompermos o compromisso espiritual.

Israel era um povo que estava em aliança com Deus. A base dessa aliança eram os dez mandamentos, instituídos por Deus, no monte Sinai. Os primeiros três mandamentos condenam abertamente a prática da idolatria. Esta aliança, porém, foi sucessivamente ignorada pela liderança e população do reino do Norte: Eles adoraram outros deuses. Eles provocaram a ira de Deus, o SENHOR, com todas as coisas más que fizeram e serviram os ídolos, dos quais o SENHOR lhes tinha dito: Não fareis estas coisas (II Rs 17:11b-12 – NTLH). Eles adulteraram espiritualmente; foram atrás de outros deuses, como nos mostra, de maneira trágica, Oséias, o profeta do reino do Norte. Por terem quebrado a aliança, os israelitas foram julgados.

Temos visto, atualmente, um grande número de pessoas que vão às igrejas, gostam de alardear que sentem orgulho de ser evangélicas, mas, na realidade, isso não passa apenas de puro formalismo e nominalismo. São pessoas que, a exemplo do povo de Israel, ‘‘casam-se’’ com Senhor – assumem um compromisso público com Deus –, mas que têm feito do pecado seu amante mais ardente. Em outras palavras, vivem em adultério espiritual. Por causa disso, a convivência com Deus vai ficando cada vez mais intolerável e indiferente, até que uma decisão precisa ser tomada. É quando muitos se divorciam de Deus, da igreja, dos irmãos, para se entregarem totalmente à vida deliberada na carne.

O compromisso que assumimos com Deus, no dia em que nos convertemos, é muito sério, sendo que, todos os dias, ele vai nos cobrar responsabilidades advindas desse compromisso.

3. A história de Oséias nos mostra o quantoé perigoso adotarmos a duplicidade espiritual.

A geração que entrou em Canaã foi uma geração com oportunidades diferentes daquela que saiu do Egito, onde o povo de Israel havia passado centenas de anos. Lá, milhares nasceram e cresceram, conhecendo os deuses egípcios, tendo pouco ou nenhum conhecimento ou contato com o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. No deserto, através de milagres, sinais e prodígios, o Senhor foi, pouco a pouco, se manifestando à nação de Israel. A geração que entrou em Canaã, portanto, nasceu durante a peregrinação no deserto e tinha o conhecimento do verdadeiro Deus. Entrando, porém, na terra prometida, estranhamente, afastou-se dele e foi após os deuses cananitas e se prostituiu com eles. Mesmo assim, queria ser digna dos favores do verdadeiro Deus; queria que Deus mantivesse sua lealdade, no cumprimento de suas promessas, sem a obediência recíproca. O fim foi trágico: o povo se perdeu e a nação foi extinta da face da terra.

A Bíblia nos diz que é impossível servirmos a dois senhores: ou servimos a um ou ao outro. Servir a dois senhores não dá (Lc 16:33), pois a natureza psicológica do ser humano não suporta duplicidade espiritual. Uma vida dupla gera conflitos, angústias, dúvidas, estresse no coração. Não dá para ser amigo de Deus e do mundo (Tg 4:4). Muitas pessoas, em nossos dias, precisam responder à mesma pergunta que Elias fez no Monte Carmelo: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? (I Rs 18:21a). Aquele que, a exemplo da nação de Israel, optou por viver em caminho duplo certamente corre perigo, pois grande é a probabilidade de que o mesmo fim daquela o alcance. Diante disso, as perguntas que não podem deixar de ser feitas são: Qual é o nível do seu relacionamento com Deus? Você anda meio dividido? Lembre-se de uma coisa: Deus exige exclusividade. Ele não quer corações divididos: ... está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele servirás (Mt 4:10b).

CONCLUSÃO

É claro o ensinamento bíblico de que cada ser humano é responsável pelos seus atos, tanto perante Deus como perante todos os seus semelhantes. O princípio bíblico, neste caso, é que tudo o que é feito por cada um de nós é visto por Deus e nos trará conseqüências, como explica R. N. Champlin: “Do principio ao fim, a Bíblia dá a entender que o indivíduo está sujeito à sociedade dos homens e a Deus. Isto significa que seus atos estão sujeitos a exame, e, subseqüente, a recompensa ou castigo” (Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia, p. 669).

Certamente Deus, em sua infinita bondade, não tem prazer em castigar alguém. Se dependesse dele, ninguém jamais receberia algum tipo de punição, entretanto, enquanto estivermos neste processo de maturação, o castigo se faz necessário, tanto para nos inibir de errar quanto para nos punir, se viermos a errar, no sentido de nos mostrar a sua divina repulsa pelo erro.

Certamente, o castigo é uma porção necessária do amor de Deus, no sentido de servir de remédio para o erro e de corrigir o errado. A Bíblia nos mostra, ainda, que haverá um castigo definitivo para os que não se voltaram para o caminho da vida. Esse castigo futuro será baseado no comportamento de cada um: O qual recompensará a cada um segundo as obras (Rm 2:6). Será um castigo retributivo: E como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disto o juízo (Hb 9.27), tendo, ainda, neste caso, um efeito definitivo. A voz de alerta, para que não sejamos alcançados por este terrível castigo, faz-se ouvir ainda hoje: Se hoje ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração (Sl 95.7-8).


Referencias Bibliograficas

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[1] CHAMPLIN, 5248, vol 7. dicionário MZ.

[2] Russel N. Champlin. Antigo Testamento Interpretado, p. 1532.

[3] A História de Israel no Antigo Testamento – Samuel J. Schultz – Vida Nova 2007, p. 161.




Fonte: Estudo bíblico de autoria do Pastor Aléssio Gomes de Oliveira - Divulgado no PC@maral - SÉRIE MONARQUIA

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