terça-feira, 5 de outubro de 2010

Sejam Sábios Em Casa

Mulheres, sede vós, igualmente, submissas a vosso próprio marido, para que, se ele ainda não obedece à palavra, seja ganho, sem palavra alguma, por meio do procedimento de sua esposa. Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento. (I Pe 3:1 e 7a)

“Sandra Bullock é premiada com o Oscar de melhor atriz”. Este foi título da reportagem do jornal o Globo, em 08 de março de 2010. O Oscar em questão foi pela sua atuação no filme “Um Sonho Possível”. Nove dias depois da cerimônia de premiação em Hollywood, outra reportagem foi publicada pelo mesmo jornal “Sandra Bullock cancela viagem em meio a rumores de traição”. A traição em questão ocorreu, de acordo com a imprensa de celebridades, quando atriz gravava o mesmo filme que lhe deu o Oscar. E a viagem seria para promover o filme em Londres. A primeira reportagem mostra o tremendo sucesso profissional de Sandra Bullock e a segunda, o seu tremendo fracasso matrimonial. O que mais influi em nosso bem estar: o sucesso profissional ou o sucesso matrimonial? Os especialistas dizem que felicidade conjugal é muito mais importante que qualquer coisa e é determinante no bem estar do ser humano. Se uma pessoa tem um casamento de sucesso, não importam os percalços profissionais, ela será razoavelmente feliz. Porém, se o seu casamento é infeliz, não importam as vitórias de sua carreira: ela seguirá sentindo-se infeliz. Mas para se alcançar satisfação no casamento, é preciso muita sabedoria, e a base bíblica está em I Pedro, capítulo 3, versículos 1 a 7.

O texto de, I Pe 3:1-7, trata dos deveres das mulheres e dos maridos crentes em Jesus. Nota-se que a maior parte do texto se volta não para os homens, mas para as mulheres. Dos sete versículos, seis são dirigidos a elas e apenas um a eles. Por quê? Porque Pedro sabia que a situação delas inspirava mais cuidado. As mulheres, naquela época, não tinham o direito de escolher a própria religião. As solteiras seguiam a religião da família, e as casadas, a do marido. Isso, todavia, estava mudando. Inúmeras mulheres, pouco a pouco, abraçavam o evangelho, rompendo com a religião do marido.

1. Uma situação difícil: Quando os homens casados decidiam obedecer à palavra, invariavelmente, traziam toda a sua família consigo (At 16:29- 34). Mas isso não ocorria quando essa mesma decisão era tomada pelas mulheres casadas. Elas não eram seguidas pelos seus respectivos maridos. Iam “à igreja quase sempre sozinhas”. Diante desse fato, uma questão aguda logo surgiu entre elas: como deveriam proceder em relação ao marido descrente? O que elas queriam mesmo saber era se podiam deixá-lo para melhor servir a Cristo. Em sua carta, Pedro tratou desse difícil assunto. Ele as instruiu, dizendo: Mulheres, sede vós, igualmente, submissas a vosso próprio marido, para que, se ele ainda não obedece à palavra, seja ganho, sem palavra alguma, por meio do procedimento de sua esposa (3:1). O que Pedro ordena às mulheres não é a “separação” dos maridos descrentes, mas a “submissão” a eles. Essa, na verdade, não é a primeira nem a última vez em que Pedro ordena a submissão aos crentes em Jesus. Um pouco antes, essa mesma ordem havia sido dada aos cidadãos (2:13) e aos escravos (2:18). E mais adiante, foi a vez dos homens mais jovens recebê-la (5:5). Vamos pensar um pouco na submissão ordenada às mulheres. Qual a natureza dessa submissão? O verbo submeter-se, na língua original, significa, literalmente, colocar-se debaixo da autoridade de alguém. Qual a direção dessa submissão? Não se exige que a esposa se submeta a todos os homens, meramente porque são homens, mas apenas ao próprio marido. Qual a duração dessa submissão? Não deve ser ocasional, mas contínua. Esta é a idéia do verbo usado aqui. Qual o objetivo dessa submissão? A salvação do marido, que ainda não obedece à palavra de Deus. Ele poderá se converter ao Salvador, ao observar a conduta honesta e reverente de sua esposa (3:2). Por fim, qual a exceção dessa submissão? Mesmo que Pedro não cite isso no texto, podemos deduzir com segurança, que ele jamais incentivaria uma submissão que implicasse desobediência a palavra de Deus. Afinal, foi este mesmo Pedro que disse que mais importa obedecer a Deus do que aos homens (At. 5:29). Há uma exceção, portanto. Sendo assim, se o marido exigir que a esposa faça alguma coisa que contrarie os princípios do evangelho de Cristo, ela, com sabedoria e prudência, deverá se recusar a submeter-se a esse desejo, pois deve submeter-se a autoridade maior, que é Cristo. Ela não é obrigada a participar de qualquer coisa que viole a sua consciência iluminada pelo Espírito Santo.

2. Uma beleza preciosa: A beleza exterior era altamente apreciada e cultivada pelas mulheres solteiras e casadas da sociedade romana. Desde muito cedo, elas aprendiam a seguir a última moda dos penteados vistosos, do vestidos luxuosos e dos enfeites valiosos. Desde o evento da queda, narrado no terceiro capitulo de Gênesis, tem sido quase sempre assim: o homem e a mulher, de um modo geral, costumam dar muito mais valor ao seu exterior (I Sm 16:7). Por esta razão, esse padrão de beleza, focado somente na aparência, sem dúvida, exercia intensa pressão e grande atração sobre as mulheres crentes em Jesus. Diante disso, Pedro as orienta a priorizarem não a beleza exterior, mas, sim, a interior: Não seja o adorno da esposa o que é exterior, como frisado de cabelos, adereços de ouro, aparato de vestuário; seja, porém, o homem interior do coração, unido ao incorruptível trajo de um espírito manso e tranqüilo, que é de grande valor diante de Deus (3:3-4). Ao tratar da beleza interior, o apóstolo é didático e objetivo. Ele mostra a sua localização, indica a sua durabilidade, revela a sua constituição e aponta a sua preciosidade. A sua localização: o homem interior do coração, o que pode ser também traduzido por “o ser interior”. A sua durabilidade, incorruptível, não se perde com o passar do tempo, nem fica rugada. Quanto a sua constituição, é espírito manso e tranquilo. O termo espírito (pneuma), aqui, tem o sentido de “disposição interior”.

Manso não é o mesmo que “fraco”: é o mesmo que “gentil”. Tranquilo não é o mesmo que “apático”: é o mesmo que “calmo”. Com relação a sua preciosidade, é de grande valor diante de Deus. Grande valor, no grego, é o termo poluteles, que sempre é usado para se referir a algo caríssimo (Mc 14:3 e I Tm 2:9). Diante de Deus, a beleza do ser interior, priorizada também pelos mulheres do Antigo Testamento (3:5-6), não é somente valiosa e preciosa: ela é valiosíssima e preciosíssima. Mas quando Pedro ensina que se priorize a beleza interior, não ensina que se despreze a exterior. A razão por que ele insiste tanto no aspecto interior da beleza da esposa leal a Deus, Senhor da Terra, não é porque só esse é importante, mas porque só o outro, o exterior, era procurado e valorizado pela esposa leal a César, senhor de Roma. Sendo assim, dar mais atenção ao interior não significa, necessariamente, não dar atenção alguma ao exterior. Quem fez o exterior não é o mesmo que fez o interior? (Lc 11:40b). Sim, o Deus triúno, que nunca sentiu aversão pelo que é belo, no princípio, fez ambos totalmente lindos por dentro e por fora! Mas a queda os enfeiou.

3. Uma atitude sensível: Depois de se dirigir mais longamente às esposas crentes em Jesus, o apóstolo se dirige brevemente aos maridos crentes em Jesus (3:7). Ele mostra como o marido deve viver com sua esposa dentro do lar. Pedro começa falando de discernimento: Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento (3:7a). Discernimento, aqui, é uma tradução da palavra grega gnosis. Esta também pode significar inteligência, conhecimento, entendimento, compreensão. A ignorância é perigosa em qualquer área da vida, mas especialmente no casamento [Wiersbe (2008:529)]. Pedro prossegue discorrendo sobre tratamento: ...e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte [ou, vaso] mais frágil, tratai-a com dignidade (3:7b). O texto não mostra em que a mulher é mais frágil, mas não é difícil deduzir a natureza dessa fragilidade. A mulher é mais frágil fisicamente. A maior parte dos homens tem mais força física do que as mulheres. Muitos abusam disso. Os casos de agressão à mulher só crescem. A mulher é mais frágil emocionalmente. Num conflito relacional com o marido, ela se machuca mais. É mais emotiva. É por isso que a Bíblia ordena: Marido, ame a sua esposa e não seja grosseiro com ela (Cl 3:19, NTLH). A mulher é mais frágil socialmente. Se, ainda hoje, em muitos países, a mulher não tem alguns direitos básicos, imagine na época de Pedro. Ela não tinha valor próprio nem vida própria. Vivia apenas pelo e para o marido, que podia, de uma hora para outra, largá-la ou matá-la por razões fúteis. Contudo Pedro frisa que essa “parte mais frágil”, a esposa, não deve ser tratada pela “parte mais forte”, o marido, com desprezo, mas com dignidade, isto é, protegendo-a, honrando-a, ajudando-a, respeitando as suas opiniões, ouvindo os seus conselhos, considerando as suas necessidades, relacionando-se com ela, dentro e fora de casa, com amor e, cortesia.

Pedro conclui explicando por que os maridos devem tratar a esposa de modo digno: ...porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações (3:7c). Em primeiro lugar, o marido deve tratar a esposa de modo digno porque, apesar de ser, em alguns sentidos, mais frágil que ele, ela possui o mesmo valor diante de Deus e compartilha, igualmente, da mesma dádiva da vida eterna. Em segundo lugar, o marido deve tratar a esposa de modo digno para que a comunhão do casal com Deus não seja prejudicada. Pedro sabia que é muito difícil um casal unir-se em oração diante de Deus, quando algo perturba a comunhão conjugal. Esse ensino de Pedro, dirigido às mulheres e homens casados, comprova, mais uma vez, o quanto Deus valoriza a relação conjugal. Ele a criou e quer muito que ela dê certo. Por essa razão, pronuncia-se tanto a respeito dela, em sua palavra escrita. Sem rodeio algum, revela o que espera dos cônjuges. O que ele mais quer é que o marido e a mulher resolvam suas diferenças e seus conflitos conjugais sem recorrer ao divórcio.

Que atitudes práticas podemos tomar para vivermos melhor a vida comum do lar.

II. PRATICANDO A PALAVRA DE DEUS

O método de pregação - Uma pessoa recém-convertida ao evangelho mais do que depressa se põe a falar de Cristo para quem ainda não se rendeu a ele. Mas não temos sempre que usar palavras para evangelizar as pessoas ao nosso redor. Com frequência, pelo nosso comportamento, podemos influenciá-las e ganhá-las para Cristo. Se você tem alguém na sua casa que ainda não obedece à palavra, apesar das suas muitas pregações, reavalie e modifique o seu método de pregação. Evangelize sem palavra alguma. Apenas viva o evangelho. O Espírito de Deus pode usar a sua conduta para convencer o familiar incrédulo do pecado e conduzi-lo à fé em Cristo.

O conceito de beleza - Se você é alguém que acredita que ser magra é ser bela. Se você é alguém que sonha com a imagem do corpo perfeito vinda de Hollywood. Se você é alguém que se dedica, neuroticamente, a malhar, a viver em academias, a submeter-se a regimes exagerados, que gasta a maior parte do seu dinheiro com produtos de beleza e com cirurgias plásticas. Saiba: você está priorizando a beleza que a Bíblia não prioriza: a exterior. A palavra de Deus prioriza a outra beleza, a que está oculta no coração. Faça dessa beleza a razão da sua existência. Se você é pai ou mãe, com sabedoria, ajude os seus filhos a reavaliarem esse conceito de beleza difundido pela mídia e reafirme o conceito bíblico de beleza.

A maneira de conviver - Existem duas ordens muitas claras em I Pe 3:7, ambas dirigidas aos maridos: ...vivei a vida comum do lar e tratai-a com dignidade. Os verbos “vivei” e “tratai” estão no imperativo. A primeira ordem parece óbvia demais. Mas não é tão óbvia assim. Há maridos que não vivem a vida do lar, isto é, não participam dela. Deixam tudo para a esposa. Ela é quem faz com que as coisas andem dentro de casa: cria os filhos, resolve tudo. Se este é o seu caso, procure, ainda hoje, mudar de atitude. Participe mais da vida comum do seu lar com a sua esposa. Você também tem responsabilidades no andamento da casa. Não se omita, nem seja passivo. Você precisa saber o que está acontecendo, envolver-se mais com a sua mulher e com seus filhos.

CONCLUSÃO

Vimos que o ensino de Pedro, inspirado pelo Espírito Santo, teve como objetivo principal orientar a atitude das esposas e dos maridos na relação conjugal. Sendo assim, à luz do texto bíblico, que atitudes negativas devemos abandonar e que atitudes positivas devemos demonstrar para poder viver melhor com o nosso cônjuge?

Quem sabe, estas perguntas nos ajudem a analisar melhor as nossas atitudes: Você, esposa, tem permitido que o seu marido exerça a liderança do lar? Você se submete voluntariamente à autoridade do seu marido, ou age antes dele, independente dele ou contra ele? Você prioriza a beleza exterior ou a interior? Você, marido, tem vivido a vida comum do lar, ou pouco se interessa pelo que acontece nele? Tem tratado a sua esposa de forma respeitosa e digna dentro e fora de casa? Tem passado para ela a responsabilidade de cuidar de tudo dentro de casa? Tem se preocupado com o estado espiritual da sua esposa, orando por ela e com ela? Qual foi a última vez em que você ouviu a sua esposa, escutou os seus desabafos, suas mágoas, a tristeza do seu coração, a sua angústia, as suas dúvidas? Se você descobriu que muita coisa precisa melhorar em sua relação com o seu cônjuge, comece, ainda hoje, a mudar de atitude. Saiba: Quem instituiu o casamento está com você! Peça-lhe sabedoria!

Que Deus nos abençoe!

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DEC - PC@maral

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