quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Os Anjos Foram Criados por Deus

Louvai-o todos os seus anjos; louvai-o, todas as suas legiões celestes. Louvem o nome do Senhor, pois mandou ele, e foram criados. (Sl 148:2,5)

Por Valdeci Nunes de Oliveira

De todos os assuntos tratados nas Escrituras, um dos que têm despertado a atenção e a curiosidade dos leitores, sem dúvida alguma, é o que diz respeito à existência e à atuação dos anjos. Quem são eles? Qual a sua origem? Quantos são? Onde habitam? Vamos, então, examinar a Bíblia, em busca de uma melhor compreensão desse assunto.

I – EXAMINANDO A DOUTRINA BÍBLICA

1. Quem são? Há uma falsa doutrina que ensina que os anjos não existem. Nessa concepção, eles são apenas “invenções de imaginações muito religiosas”. [CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia e Filosofia. 5 ed. São Paulo: Hagnos, 2001, vol. 1. pag.172]  Por isso, antes de qualquer coisa, é necessário esclarecer que a existência e o ministério dos anjos são fartamente ensinados na Bíblia Sagrada. Só no Antigo Testamento, encontramos 108 alusões aos anjos; no Novo Testamento, o número é ainda maior: 165 referências. Por isso, deixemos, então, as especulações e as teorias humanas de lado, e fiquemos com a revelação das Escrituras Sagradas. A existência dos anjos não pode ser ignorada. Eles são seres espirituais criados por Deus, com uma natureza superior à dos humanos. Na terra ou no céu, estão sempre a serviço de Deus. As Escrituras os chamam de legião ou exército: E foi também Jacó o seu caminho, e encontraram-no os anjos de Deus. E Jacó disse, quando os viu: Este é o exército de Deus (Gn 32:1-2; cf. Lc 2:13; Mt 26:53); porque, continuamente, estão sob as ordens do Senhor dos exércitos (Sl 46:11).

2. Qual a sua origem? É bem claro, que os anjos foram criados por Deus: ... pois mandou ele, e foram criados (Sl 148:2). Em outra parte, diz a mesma Escritura, sobre as obras criadas, incluindo os anjos: Porque nele foram criadas todas as coisas (...) sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades (Cl 1:16). Portanto, se os anjos são criaturas de Deus, eles não existem desde a eternidade: tiveram um princípio. Quando, então, eles foram criados? A Bíblia não é clara quanto ao tempo exato da criação dos anjos. Há quem defenda, porém, que a criação deles ocorreu quando Deus criou os céus (Gn 1:1) e algum tempo antes de Deus ter criado a terra. [THIESSEN, H. C. Palestras Introdutórias à Teologia Sistemática. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1987. pag. 129]. Entretanto, como nas Escrituras não encontramos nada além de indícios, precisamos nos conformar com o fato de Deus não nos ter fornecido muitas informações sobre o tempo da origem dos anjos.

3. Onde habitam? Há, pelo menos, dois textos nas Escrituras, nos quais alguns autores se baseiam para sugerir que a morada dos anjos é na terra. Ambos, ao se referirem ao movimento dos anjos entre o céu e a terra, colocam o ato de subir em primeiro plano: ... os anjos de Deus subiam e desciam (Gn 28:12); ... os anjos de Deus subindo e descendo (Jo 1:51). No entanto, pensar assim não é bíblico. Os textos em questão somente descrevem ministrações de anjos, da parte de Deus, para os santos, aqui na terra. Há um bom número de textos bíblicos que se referem aos anjos como habitantes do céu. Aqui estão alguns deles: E eis que houvera, um grande terremoto, porque um anjo do Senhor, descido do céu (Mt 28:2); E depois destas coisas vi descer do céu outro anjo (Ap 18:1); Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu (Mc 13:32; cf. Mt 24:36, 28:2; Mc 12:25, 13:32; Lc 22:43; Gl 1:8). Não há como negar: a habitação dos anjos no céu é um assunto revelado com clareza na Bíblia.

4. Quantos são? Não é possível imaginar o número de anjos que existem. Na entrega da Lei dos Dez Mandamentos a Moisés, no monte Sinai, Deus veio acompanhado por dez milhares de anjos (Dt 33:2); o salmista afirma que os carros de Deus são vinte milhares (Sl 68:17); em Hebreus, eles são muitos milhares (Hb 12:22). Quando por ocasião de sua prisão, Jesus disse a Pedro que, se tivesse recorrido ao Pai, em busca de ajuda, ele lhe teria enviado mais de doze legiões de anjos (Mt 26:53-54). Ao usar o termo “legião”, Jesus deve ter levado em conta o significado que essa palavra tinha para os romanos. Para estes, o termo era usado para designar um contingente de até seis mil soldados. Neste caso, doze legiões de anjos equivaleriam a setenta e dois mil anjos. Portanto, temos, aí, dez mil, vinte mil, setenta e dois mil e não pára por aí. João declara que viu e ouviu a voz de muitos anjos: ... e o número deles era de milhões de milhões e milhares de milhares (Ap 5:11). Sem dúvida, o pensamento central de todos esses versículos é que, humanamente, o número deles é incontável.

5. Como estão organizados? Os anjos são organizados em categorias. Existem, por exemplo, anjos e arcanjos. Estes últimos parecem estar hierarquicamente acima dos anjos. Além destes, existem os querubins e os serafins. Quanto às áreas de atuação, existem: tronos, principados, potestades, domínios e hostes espirituais (Ef 6:12; Cl 1:16). Essa classificação vale para os anjos em geral, bons e maus. Dois anjos, especialmente, são conhecidos pelos seus próprios nomes: Miguel, que parece ser o guerreiro do Senhor (Dn 10:21, 12:1; I Ts 4:16; Ap 12:7), e Gabriel, o anunciador de boas notícias (Dn 8:16, 9:21; Lc 1:19,26).

6. E quanto ao seu caráter? Os anjos foram criados por Deus, originalmente, como seres santos e puros. Pelo menos dois terços deles ainda permanecem assim (Ap 2:4). Nas muitas referências que lhes são feitas nas Escrituras, há alguns textos em que se registra que, diante da aparição de anjos, a reação dos humanos foi de admiração e espanto. Ao se deparar com um deles, Daniel teve a sensação de estar diante do próprio Deus, e desmaiou: ... e transmudou-se em mim a minha formosura em desmaio, e não retive força alguma (Dn 10:8). O anjo que removeu a pedra da sepultura de Jesus, no dia da ressurreição deste, foi visto com grande espanto pelos soldados que montavam guarda à sepultura, e a reação deles foi descrita pelo evangelista Mateus com as seguintes palavras: E os guardas, com medo dele, ficaram muito assombrados, e como mortos (Mt 28:4). Todavia, mesmo sendo vistos com respeito, admiração e espanto pelos seres humanos, os anjos não são divinos, ou seja, não são iguais a Deus. A suficiência deles, como de todos os seres criados, vem de Deus (Ne 9:6).

7. E quanto ao seu poder? Embora poderosos (Sl 103:20; II Sm 14:20), os anjos, tanto os bons quanto os maus, estão subordinados a Deus. Só fazem o que ele determina e só vão aonde são por ele enviados. Vejamos, por exemplo, como Daniel entendia seu livramento na cova dos leões: O meu Deus enviou o seu anjo, e fechou a boca dos leões, para que não me fizesse dano (Dn 6:22). Quando Pedro foi salvo milagrosamente da prisão, exclamou: ... o Senhor enviou o seu anjo, e me livrou da mão de Herodes (At 12:11).

8. São iguais aos seres humanos? Alguns segmentos da filosofia moderna tendem a supervalorizar o ser humano de tal modo que não admitem a existência de nenhum outro ser que lhe seja superior. Porém, as Escrituras não só atestam a existência dos anjos, mas também afirmam que são superiores aos seres humanos em vários sentidos: Quem é o homem? (...) Fizeste-o um pouco menor do que os anjos (Hb 2:6-7; cf. Sl 8:5). Esse versículo visa “ser uma marca da dignidade do homem. Indica a superioridade distintiva do homem sobre todos os outros seres criados a não ser aos anjos”. [GUTHRIE, D. Hebreus: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1983. pag. 80]. Eles também são apresentados como possuidores de inteligência sobre-humana: ... sábio é meu senhor, segundo a sabedoria dum anjo de Deus (II Sm 14:20); são maiores em força e poder (II Pe 2:11). E essas não são as únicas diferenças: os anjos são espíritos (cf. Hb 1:14), e, de acordo com as palavras de Cristo, um espírito não tem carne e nem ossos (Lc 24:36-39). Eles são incorpóreos. Diferentemente dos seres humanos, os anjos não têm distinção de sexo, e, por isso mesmo, não se casam e nem se procriam (Lc 20:34-36).

Depois de examinarmos a doutrina bíblica dos anjos, não há como negar: Existe uma ordem de seres celestiais que ocupam um lugar bem diferente: não são deuses, nem são humanos. Em um número incontável, todos eles foram criados por Deus. Estão organizados em hierarquias, mas todos, indistintamente, inclusive os anjos maus, estão subordinados e debaixo das ordens do Senhor. Entender tudo isso é necessário e importante para nós, pois nos torna mais conscientes de alguns atributos divinos que veremos logo a seguir.

II – VIVENCIANDO A DOUTRINA BÍBLICA

Entender que os anjos foram criados torna-nos mais conscientes da onipotência de Deus - A doutrina dos anjos está largamente difundida nas Escrituras. Ela nos dá uma nova consciência da grandeza e do poder de Deus que fez o céu, o céu dos céus, e todo seu exército, a terra e tudo o que nela há, os mares e tudo o que neles há (Ne 9:6). Pense no número assombroso e incontável de anjos que já existiam e executavam os propósitos de Deus, antes mesmo que o homem surgisse. Devemos admitir: Deus é poderoso! Ele domina sobre todas as coisas (I Cr 29:12). Adore aquele que é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo que pedimos ou pensamos (Ef 3:20 – NVI).

Entender que os anjos foram criados torna-nos mais conscientes da sabedoria de Deus - Toda criação evidencia a inteligência e a sabedoria do seu arquiteto. No Salmo 19:1, lemos: os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra de suas mãos. A criação é uma proclamação da sabedoria de Deus! Pense em como ele organizou todas as coisas. Pense em como ele organizou os inumeráveis anjos, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele (Cl 1:16). Devemos admitir: Deus é sábio! Em todos os dias de sua vida, louve aquele que com sabedoria fundou a terra, e com inteligência preparou os céus (PV 3:19).

Entender que os anjos foram criados torna-nos mais conscientes da providência de Deus - Por providência, entendemos o contínuo envolvimento divino com as coisas criadas: [GRUDEM, W. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999 pag. 247]. Pois nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra visíveis e invisíveis (...) e todas as coisas subsistem por ele (Cl 1:16-17). Tudo que existe no universo está de pé e perdura por causa de Cristo. Os anjos – coisas invisíveis continuam a existir porque ele os sustenta. Pense em todo o universo, nos numerosos seres angelicais: Deus conserva com vida a todos (Ne 9:6b). Devemos admitir: Deus é provedor! Agradeça àquele pelo qual vivemos, nos movemos e existimos (At 17:28).

CONCLUSÃO

Concluindo e lembramos ao leitor que, embora os anjos sejam superiores aos humanos, não são iguais a Deus, pois são seres espirituais criados por Ele e estão sempre prontos a obedecerem as suas ordens: Bendizei ao Senhor, anjos seus, magníficos em poder, que cumpris as suas ordens (Sl 103:20). Lembramos, também, que entender que todos os milhões de anjos foram criados por Deus é muito importante para nós, pois nos torna mais conscientes da onipotência, da sabedoria e da providência de Deus. Por isso, celebremos o criador, que é bendito eternamente. Amém (Rm 1:26).

DEC

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