quarta-feira, 30 de junho de 2010

A Última Tentação De Cristo

2 comentários:

Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres. (Mt 26:39b)

Quando pensamos na tentação de Cristo, logo imaginamos aquela em que esteve no deserto, sendo tentado por satanás (Mt 4:1-10). Esta, com certeza, foi terrível, porque Jesus estava iniciando o seu ministério, e uma vacilação representaria o fim do plano de salvação. Mas, bravamente, Jesus derrotou o mal, em todas as fases, e provou que a sua humanização não era de brincadeira e que estava disposto a tudo para salvar a humanidade. Na resistência de Cristo às propostas indecentes do maligno, ficou claro que o pão, o prestigio e o poder, sem Deus, não valem a pena. Outras tentações vieram e foram igualmente derrotadas. Jesus foi tentado a assumir o governo daquela região (Jo 6:15), a desistir da cruz (Mt16:23) e a escapar da cruz (Lc 23:39), mas não desistiu.

Quando, porém, chegamos a última tentação de Jesus, um misto de gratidão, temor, respeito e alegria envolve a nossa alma. Jesus estava no jardim do Getsêmani. O elemento tentador não foi externo, mas a própria carne, a natureza humana da qual estava vestido. Era noite, estava sozinho e nem mesmo os seus três mais fiéis discípulos conseguiam orar com ele. O futuro sombrio aproximava-se e ele sabia de tudo: Do beijo falso de Judas, do valor pelo qual fora vendido, do julgamento mentiroso, da multidão impiedosa, da crueldade dos algozes, das vestes rasgadas, da dor dos cravos, da sede, do abandono, da morte. Agitou-se profundamente, a ponto de os seus poros eliminarem gotas de sangue. Procurou despertar Pedro, Tiago e João, mas estes não reagiram.

A tentação chegou ao auge, e, no momento mais difícil, quando tinha a oportunidade de usar os seus poderes em beneficio da sobrevivência, curvou-se submisso, fiel e orou: Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres. A sua vontade, embora fosse primária, não era superior à do Pai. Esta, sim, era prioridade. Essa foi a mais heróica das orações. Assim, Jesus recuperou suas forças, suas emoções, sua paixão e caminhou absoluto até o fim. Ele recebeu, ali, no Getsêmani, o conforto dos anjos; na ressurreição, a glória do Espírito Santo, e, na ascensão, o abraço do próprio Pai.

Esta última tentação de Cristo nos ensina que podemos ser tentados a olhar para trás, a desistir do projeto dos céus, a retornar às velhas práticas, a abandonar os princípios do reino de Deus; a ficar com dó de nós mesmos, da própria carne; a lançar fora o cálice, quando este está amargo. Mas, graças a Deus, Jesus venceu a tentação e nos deixou exemplo de que, se formos fiéis, poderemos derrotar nossas paixões, trabalhar para o Senhor, viver vitoriosamente, acima das circunstâncias e alcançar o céu.

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DEC - PC@maral

O Reinado Da Divisão - Série: Monarquia [4]

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“Quando os israelitas viram que o rei não ia atender o seu pedido, começaram a gritar: Abaixo Davi e a sua família! O que foi que eles já fizeram por nós? Homens de Israel, vamos para casa! Que Roboão cuide de si mesmo! E assim os israelitas foram para as suas casas” (I Rs 12:16 – NTLH)
A prepotência, a insensibilidade e a opressão para com as pessoas e a obra de Deus são pecados e podem causar divisão.
O Reino Unido de Israel chegou ao fim, após cento e vinte anos de monarquia e três governos, Saul (1053- 1013 a.C.), Davi (1013- 973 a.C) e Salomão (973- 933 a.C). A partir do reinado de Davi, Israel conquistou muitos territórios, expandiu suas fronteiras, equipou seu exército e se enriqueceu bastante. Em nenhum outro tempo Israel conseguiu área tão extensa. No entanto, com o passar do tempo, passou a ter sérios problemas em lidar com o pecado nas alianças políticas, na administração pública, na religião, na família real e na vida particular dos reis.

Apesar de os profetas alertarem severamente os reis de Israel sobre o pecado, foi justamente por causa do pecado de Salomão e da dureza de Roboão, seu filho e herdeiro, que o reino unido se dividiu, em 933 a.C., como previu o profeta Aías (I Rs 11:26-32). O que causou a divisão? A causa imediata da divisão foi a insensata conduta de Roboão, sucessor de Salomão. A maneira cruel como Roboão tratou as coisas do reino foi desastrosa, e sua prepotência, sua insensibilidade e sua opressão deram um trágico desfecho à história de Israel: As dez tribos do norte seguiram a Jeroboão, filho de Nebate, e as duas tribos do sul ficaram leais a Roboão. O reino de Israel se dividiu e nunca mais as doze tribos estiveram sob o mesmo governo (II Cr 10:19).

I - A HISTÓRIA CONTADA

Sempre houve tensão entre as tribos do norte e do sul de Israel. Saul teve sérios problemas em manter a unidade das doze tribos, no final de seu governo. Davi, por sua vez, foi declarado rei primeiramente nas tribos do norte e, posteriormente, nas tribos do sul, governando sobre as doze tribos. Salomão teve problemas com as tribos do norte, e, apesar de mantê-las ligadas à Judá, foi intolerante, aplicando-lhes elevadas taxas de tributo para sustentar um reinado que tinha contas altíssimas. As tribos do norte eram tratadas de maneira desprezível e exploradora. Com o passar do tempo, a rivalidade e a insatisfação apareceram e aumentaram.

A divisão da nação parecia inevitável, mas faltava a pessoa decidida e corajosa para comandá-la. Deus a levantou! O seu nome? Jeroboão, homem não somente inteligente, mas também trabalhador. Este, numa das suas viagens, encontrou-se com o profeta Aías, que lhe falou das intenções de Deus a respeito do reinado de Salomão: Eis que rasgarei o reino da mão de Salomão, e a ti darei dez tribos (I Rs 11:31). Disse-lhe ainda a razão da divisão: Vou fazer isso porque Salomão me rejeitou e tem adorado deuses estrangeiros (I Rs 11:33 – NTLH). Percebemos, portanto, que a idolatria foi o motivo principal da divisão do reinado davídico (I Rs 11:4-5).

Deus não tolerou o pecado e apostasia de Salomão. Por causa disso, ele seria julgado de maneira severa: Você quebrou a sua aliança comigo e desobedeceu aos meus mandamentos; por isso, eu vou tirar o reino de você e vou dá-lo a um dos seus oficiais (I Rs 11:11 – NTLH). Isto se daria apenas no reinado de Roboão, seu filho. A notícia da escolha de um novo rei espalhou-se rapidamente em Israel, e Jeroboão, temendo a morte, fugiu para o Egito, onde buscou apoio, junto a Sisaque I, rei do Egito: Por causa disso Salomão tentou matar Jeroboão, mas ele fugiu para o Egito. Jeroboão ficou com Sisaque, rei do Egito, e morou lá até a morte de Salomão (I Rs 11:40 – NTLH).

O conturbado governo de Roboão teve início com a morte de Salomão: Salomão morreu e foi sepultado na cidade de Davi e seu filho Roboão ficou no lugar dele como rei (I Rs 11:43 – NTLH). A principal tarefa do novo rei foi construir uma ampla aliança com as doze tribos que proporcionasse unidade estável ao reino. Sua atitude pareceu coerente, uma convocação para que toda a liderança do reino unido participasse de uma assembléia na cidade de Siquém, que era a cidade central e palco das grandes convocações públicas de Israel, desde os dias de Josué (Js 20).

Tudo estava pronto para o início de um grande governo, Roboão foi até Siquém, onde todo o povo de Israel estava reunido para fazê-lo rei (I Rs 12:1 – NTLH). O povo estava disposto a manter o governo unido, e Jeroboão – que tinha voltado do Egito, após saber da morte de Salomão (I Rs 12:2) – tornou-se porta-voz das negociações e das alianças com o novo rei de Israel (I Rs 12:3). A sua reivindicação era simples: queria que Roboão aliviasse a pesada cobrança de impostos, imposta pelo seu pai, Salomão, para sustentar a gastança do seu glorioso e opulento reinado.

A corte Israelita tinha grandes problemas econômicos e era sustentada pelos pesados impostos colocados sobre os povos conquistados. As tribos do norte eram tratadas como povos subjugados, trabalhavam para sustentar a nobreza real; daí a solicitação explícita ao rei de Israel para que os pesados tributos fossem diminuídos: Salomão, o seu pai nos tratou com dureza e nos fez carregar cargas pesadas. Se o Senhor tornar essas cargas mais leves e a nossa vida mais fácil, nós seremos seus servidores (12:4 – NTLH).

Roboão prometeu estudar e discutir a reivindicação apresentada. Em três dias, teria a resposta: Ide-vos e, após três dias, voltai a mim. E o povo se foi (I Rs 12:5). Roboão tinha tudo para desfazer a insatisfação e conseguir a lealdade das tribos do norte. Infelizmente, o rei não conseguiu dimensionar o problema de seu reino; tomou a atitude errada. O rei não aceitou a proposta das dez tribos e resolveu resistir. Após rejeitar o conselho dos anciãos e absorver o conselho dos jovens da corte, escolheu manter as mordomias da classe dominante: O meu pai fez vocês carregarem cargas pesadas; eu vou aumentar o peso ainda mais. Ele castigou vocês com chicotes; eu vou surrá-los com correias [chicotes com pontas de metal] (I Rs 12:14 – NTLH).

O rei não deu ouvidos ao clamor do povo. Ele foi radical em sua posição de governante e não aceitou a proposta que unificaria o reino. Por que Roboão foi tão indiferente e prepotente? Porque Deus quis que fosse assim: O rei, pois, não deu ouvidos ao povo; porque este acontecimento vinha do SENHOR, para confirmar a palavra que o SENHOR tinha dito por intermédio de Aías, o silonita, a Jeroboão, filho de Nebate. (I Rs 12:15)
Tinha de ser assim, para que a promessa de punição divina à apostasia de Salomão fosse cumprida. Roboão não sabia, mas, através da sua insensata e obstinada decisão, o soberano propósito divino estava se realizando.
Vendo Israel que toda tentativa de diálogo com o rei havia esgotado, os israelitas declararam sua independência do governo de Roboão, usando um conhecido adágio do norte, contra Davi (I Sm 20:1), e, mais uma vez, o “grito” foi usado contra Roboão, neto de Davi: Abaixo Davi e sua família! O que foi que eles fizeram por nós? Homens de Israel, vamos para casa! Que Roboão cuide de si mesmo! E assim os israelitas foram para suas casas (I Rs 12:16). Roboão fracassou, na tentativa de um governo unificado em Israel. A atitude do povo em voltar as costas contra o rei era uma declaração pública de independência.

O rei tentou manter ainda por força seus domínios e enviou seu superintendente para manter os serviços forçados, junto às tribos rebeladas, mas o povo assassinou o superintendente do rei, e Roboão fugiu para Jerusalém, de onde governou Judá por dezessete anos: Então o rei Roboão mandou Adonirão, o encarregado dos trabalhadores forçados, para falar com os israelitas, mas eles o mataram a pedradas. Porém Roboão saltou depressa para o seu carro de guerra e fugiu para Jerusalém (I Rs 12:18). Assim, o reino unificado de Israel se dividiu em dois e jamais voltou a ter as dimensões geográficas que teve nos crescentes anos da monarquia davídica. Cumpriu-se a palavra do Senhor.

II – A HISTÓRIA APLICADA

1. Aprendemos com Roboão que a prepotência divide o povo de Deus.

As tribos do norte, lideradas por Jeroboão I, fizeram uma solicitação justa: Se o Senhor tornar a nossa carga mais leve e nossa vida mais fácil, nós seremos seus servidores (I Rs 12:4b – NTLH). Veja que a posição das tribos do norte não era subversiva. A expressão seremos seus servidores indicava submissão ao rei Roboão. O povo queria apenas justiça social e igualdade, pois as tribos do sul eram privilegiadas se comparadas com as do norte. Na sua prepotência, o rei ignorou o clamor do povo; tratou-o de maneira abusiva e arrogante: O meu pai fez vocês carregarem pesadas cargas eu vou aumentar o peso ainda mais (I Rs 12:14 – NTLH). A intransigência de Roboão dividiu o reino e colocou o povo de Deus em constante ameaça de guerra.

Fujamos da prepotência. Não sejamos abusivos e injustos com o povo de Deus. Não tratemos as suas reivindicações com desprezo e arrogância. Os resultados das decisões de um líder prepotente são: divisão do rebanho, independência da liderança e contrariedade do povo. Assim como Deus não poupou a prepotência de Roboão (I Rs 12:19-20), de Saul (I Sm 13:8-14), de Jeroboão (I Rs 14:1-16), de Acabe (I Rs 21:19-22), de Nabucodonosor (Dn 4:28-37) e de muitos outros líderes, também trará juízo sobre os que usam desse expediente pecaminoso, condenado pelas Escrituras Sagradas, para exercer domínio sobre a obra e o povo de Deus.

2. Aprendemos com Roboão que a insensibilidade divide o povo de Deus.

A insensibilidade para com o povo de Deus foi considerada pecado na história de Roboão. O povo esperou três dias por uma resposta positiva, mas, infelizmente, o rei não o atendeu e mostrou-se indiferente ao seu clamor: “Assim o rei Roboão não atendeu o povo...”, (v. 15) e, “Respondeu o rei ao povo asperamente..”. (v. 13). Essa atitude impiedosa transformou a assembléia de Siquém em revolta popular, que desencadeou a divisão do reino. O grito de todos denunciava a desintegração da tão sonhada unidade em Israel: Abaixo Davi e sua família! Assim, a soberania da casa de Davi foi repudiada pelas dez tribos do norte de Israel [1] (Comentário Moody, Vol. 2, p. 151), que buscaram novos caminhos para a liberdade. A tentativa de Roboão de impor a liderança pela força resultou em assassinato e divisão do reino.

A Bíblia aconselha os líderes a cuidarem do rebanho de Jesus Cristo e a não seguirem o mau exemplo de Roboão. A sensibilidade de um líder, ao lidar com as pessoas, faz toda diferença. Somos chamados a cuidar das pessoas, sentir suas dores, e propor saídas biblicamente corretas para os seus dilemas. Nosso exemplo não vem do impiedoso Roboão, mas de Jesus Cristo, que se empenhou em sarar as feridas do povo, libertar os oprimidos de sua época (Lc 4:18-19; At 10:38). Ele curou cegos (Mc 10:46-52; Jo 9:1-11), coxos e aleijados (Jo 5:1-14), leprosos (Mt 8:1-4; Lc 17:11-19) e conviveu com os pecadores e excluídos dentre o povo (Lc 18:15-17, 19:1-10; Jo 4:1-15). Devemos seguir o exemplo de Cristo, que, além de curar a muitos, proclamou as boas novas de salvação a todos.

3. Aprendemos com Roboão que a exploração divide o povo de Deus.

O povo de Israel, desde a conquista de Canaã, foi orientado por Deus a não oprimir os seus irmãos, sendo que, entre eles, havia leis específicas sobre o serviço forçado e a escravidão. Ao terminar o templo, em Jerusalém, assim declarou Salomão: Nenhum israelita foi obrigado a trabalhar como escravo (I Rs 9:22a – NTLH). A lembrança da escravidão egípcia, para Israel, deveria estar sempre presente em sua memória, a fim de ser uma nação justa: Lembre-se que você foi escravo no Egito (Dt 15:15a – NTLH). Daí, as relações de patrão e empregados, reis e súditos, senhores e escravos deveriam ser pautadas pela justiça. Deus desaprova a exploração do ser humano, em todos os seus aspectos. Há, na palavra de Deus, alertas veementes contra a exploração. Leia, por exemplo, na sua Bíblia, Isaías 58:3, Amós 8:4,6, Mq 3:1-3.

Assim como Deus repudiou a exploração, nos tempos de Roboão e em toda Bíblia, tenhamos certeza de que punirá a todos que têm um tratamento desumano e injusto para com seus liderados, funcionários, esposas, filhos e até mesmo para com os membros da Igreja. Quem serve a Deus, não deve ter pacto com a injustiça, porque toda injustiça é pecado (I Jo 5:17a); mas o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os que lhe pertencem. E mais: Aparte-se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor (II Tm 2:19). Deus vê as nossas atitudes, quando lidamos com as pessoas, especialmente com a igreja.

CONCLUSÃO

A estratégia do rei Roboão para unificar o reino de Israel teve, por conseqüência, resultados negativos por causa de suas atitudes. Mesmo sendo um rei que não tinha o mesmo compromisso que Davi teve com Deus, poderia ter feito um grande governo, pois o povo reuniu-se para aclamá-lo como rei de Israel. Sua prepotência, sua insensibilidade e sua opressão sobre o povo transformaram a cidade de Siquem em um campo de batalha e revolta popular. A casa de Davi veio abaixo! Jeroboão I liderou as dez tribos do norte e Roboão teve as duas tribos do sul ligadas ao seu governo, em Judá. As decisões erradas de um líder dividiram o reino de Israel, em 933 a.C., que nunca mais voltou a ser um governo unificado, como nos tempos de Davi.

Mesmo quando a situação era irreversível, Roboão propôs guerra às tribos do norte, sendo que o profeta Semaías levou-lhe uma dura mensagem da parte de Deus: Se marchar contra o reino do norte será derrotado. Assim como Deus puniu a casa de Roboão, por suas atitudes pecaminosas e cruéis para com o povo, punirá também quem estiver agindo com prepotência, insensibilidade e a exploração no meio do povo Deus.

Deus não vai tolerar a indiferença de muitos para com seu povo e sua obra: ... quando Deus julgar, não terá misericórdia de pessoas que não teve misericórdia dos outros. Mas as pessoas que tiverem misericórdia dos outros não serão condenadas no dia do juízo de Deus. (Tg. 2.13). Todos, indistintamente terão de acertar suas contas com Deus (II Co 5:10; Rm 14:10).

Que Deus nos ajude a sermos justos em toda a nossa maneira de viver.

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BIBLIOGRAFIA:

Bíblia Sagrada, Ed. CONTEMPORÂNEA, Vida, EUA. 1995.

Bíblia Sagrada, NTLH, SBB, São Paulo – SP. 2003

Comentário Bíblico Moody, Vol. 02. Impressa Batista Regular. São Paulo – SP. 1991.

DOUGLAS, J.D. O Novo Dicionário da Bíblia. Ed. Vida Nova. São Paulo – SP. 2003.

LASOR, W. HUBBARD, D. & BUSH, F. Introdução ao Antigo Testamento. Ed. Vida Nova. São Paulo – SP. 1999.

O Mundo da Bíblia, 2ª Ed.. Paulus. São Paulo – SP. 1986.

WALTON, J. MATTHEWS, V & CHAVALAS, M. Comentário Bíblico Atos. Belo Horizonte – MG. 1997.

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[1] Comentário Moody, Vol. 2, p.

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Fonte: Estudo bíblico de autoria do Pastor Adelmilson Júlio Pereira - Divulgado no PC@maral - SÉRIE MONARQUIA

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Por que fé de Kaká incomoda tanto a razão de Juca Kfouri?

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Por Fernando Khoury

“O perverso, na sua soberba, não investiga; que não há Deus são todas as suas cogitações” Salmo 10.4

“O coração tem razões que a própria razão desconhece”. Blaise Pascal

"Um pouco de ciência aliena os homens de Deus, mas muita ciência os leva de volta a Ele" Louis Pasteur
Após ouvir as últimas pérolas do comentarista esportivo Juca Kfouri alfinetando, pela milionésima vez, sua fé em Jesus Cristo, Kaká resolveu se pronunciar.

A indignação de Kaká tem razão de ser. Não é a primeira vez que o jornalista perde tempo precioso na mídia para atacar a fé que jogadores de futebol depositam em Jesus. Em um dos programas do Jô Soares, inclusive, ambos se divertem às custas da fé dos atletas e do seu agradecimento a Jesus Cristo.

São várias as acusações. “Os jogadores colocam Jesus Cristo onde ele não tem que estar”. “Existem lugares apropriados e definidos para se manifestar a crença em Jesus”. “Tá ficando chato toda hora ver jogador levantando a mão pro céu agradecendo a Jesus pelo belo gol ou pela brilhante defesa”. “Essa manifestação dos jogadores é uma forma de tenta enfiar a fé cristã pela minha goela abaixo”. “Agradecer a Jesus durante a partida de futebol é merchandising religioso”.


O que é mais paradoxal no discurso de Juca Kfouri é a energia que ele despende para criticar e censurar algo que ele mesmo acredita não existir. É intrigante como a fé de Kaká incomoda tanto a razão de Juca Kfouri.

Há tanta mazela no mundo em que vivemos para ser denunciada, existe tanta atitude repugnante e suja nos bastidores e nas emissoras de TV para ser delatada, há tantos vícios, orgias e outras promiscuidades no mundo do futebol para serem criticadas, que a escolha da fé em Jesus Cristo para ser alvo de ataque na mídia chega a ser grotesca. É por essas e outras que gosto de dizer que Juca Kfouri, antes de ser um ateu, é um à toa.

Sim, Juca Kfouri é um ateu à toa. À toa não apenas no sentido de alguém que não tem ocupação ou não tem o que fazer, mas principalmente no sentido de alguém que não tem razão. Juca Kfouri condena a fé de Kaká à toa – sem qualquer razão ou justificativa – e à toa – porque sua postura demonstra que não deve ter nada mais importante para fazer ou pensar.

Isso mesmo: Juca usa sua razão para embasar seu ateísmo, e usa seu ateísmo para acusar sem razão. É um arrogante intelectual que confunde laicidade de Estado com intolerância à fé, desconhecendo até mesmo que o direito que hoje ele possui de não acreditar ou professar fé alguma tem lastro na própria liberdade de convicção religiosa, conquistada pelo sanque de mártires do passado. Assim, se ele condena a liberdade de manifestação de crença, ele está condenando a livre manifestação do seu próprio ateísmo.

E não é só. Vejam que contrassenso: Juca critica e debocha de Kaká por manifestar sua fé através do seu trabalho (futebol), enquanto o próprio Juca faz uso do seu trabalho (jornalismo) para manifestar sua falta de fé e criticar a manifestação das demais. Juca acusa Kaká de colocar Jesus Cristo em lugares inapropriados, onde Ele não está. Ora, fico me perguntando se Kaká também não poderia acusar Juca de manifestar sua falta de fé em lugares inadequados?

O ateu à toa faz uso da liberdade de imprensa para censurar a manifestação da liberdade de religião. Agora, eu te pergunto: o que é mais racional? O que deve prevalecer? A permissão ao agradecimento de um religioso a Deus de acordo com sua crença ou a proibição às manifestações de fé com base na intolerância e no desconforto de um descrente?

Imagino que grande parte do desconforto de Juca Kfouri se deve à revolta interna que ele sente ao perceber que a razão que motiva sua descrença não tem resposta para a maioria de suas inquietações. E, muito menos, para explicar a fé e a confiança que as pessoas – sejam elas alfabetizadas e bem informadas como Kaká ou não – têm em Jesus Cristo.

A razão acusadora do ateu à toa não lhe fornece subsídios para entender o que faz com que um homem que diz ter ressuscitado há mais de dois mil anos atrás rompa as barreiras da história, do tempo, do espaço e da evolução científica para influenciar e transformar vidas de pessoas sedentas em pleno século XXI.

O mesmo Jesus que Juca faz questão de negar disse certa vez que a boca fala do que o coração está cheio. Assim fica mais fácil entender o porquê de tantos ataques à fé cristã. É simples: o coração do Juca está cheio de ódio às pessoas que atribuem seus méritos e conquistas a Jesus Cristo.

Ver um jogador de futebol levantando as mãos pro céu após o gol causa náuseas ao ateu à toa, talvez porque ele próprio não tenha pra onde levantar as próprias mãos quando algo de bom lhe acontece. Ouvir um goleiro agradecendo a Jesus Cristo pela defesa realizada deixa o ateu à toa com ânsia de vômito, muito provavelmente porque ele não sabe – e não tem – a quem agradecer por uma conquista. Testemunhar o clamor e a gratidão de uma mãe desesperada pelo consolo que Deus lhe proporcionou quando perdeu seu filho num acidente soa como ignorância para o ateu à toa, porque ele simplesmente não tem a quem recorrer quando a razão não apresenta explicação para as perguntas sem resposta que a vida lhe impõe.

Enquanto isso, Juca Kfouri continua desprezando a alegria infinita que Deus pode e quer oferecer aos homens, como um prisioneiro dentro de uma caverna que, acorrentado à escuridão de sua própria razão, só consegue enxergar através de uma única fresta de luz exterior, julgando ser real aquilo que é apenas uma sombra da verdadeira realidade.

O Deus vivo não é um fenômeno que pode ser explicado ou comprovado por experimentos de laboratório. Deus deve ser sentido pelo coração, e não provado pela razão. Até porque a ciência jamais poderá explicar um Deus que, mesmo sendo todo-Amor, cura com a ferida, apaga o passado com fogo, consola com a dor, fala nos momentos de silêncio e dá a paz com o conflito interior.

Aliás, muitas das presunções dos que se dizem racionalistas e ateus devem ser repensadas sob a lógica das hipóteses que eles mesmos aceitam como verdadeiras. Como diz C. S. Lewis:

“se o sistema solar foi criado por uma colisão estelar acidental, então o aparecimento da vida orgânica neste planeta foi também um acidente, e toda a evolução do Homem foi um acidente também. Se é assim, então todos nossos pensamentos atuais são meros acidentes – o subproduto acidental de um movimento de átomos. [...] Mas se os pensamentos deles são meros subprodutos acidentais, por que devemos considerá-los verdadeiros? Não vejo razão para acreditarmos que um acidente deva ser capaz de me proporcionar o entendimento sobre todos os outros acidentes. É como esperar que a forma acidental tomada pelo leite esparramado pelo chão, quando você deixa cair a jarra, pudesse explicar como a jarra foi feita e porque ela caiu”.

Por isso, entre ser escravo de uma razão que nunca vai me libertar e ser amigo e servo de um Deus que me faz livre, fico com a liberdade. Entre ser dependente de uma intelectualidade que me torna cada vez mais arrogante e ser dependente de um Deus que me faz humilde, prefiro a humildade. Entre as presepadas passageiras faladas por Juca Kfouri e as palavras de vida eterna e paz deixadas por Jesus, fico com as de Jesus. Em vez de dar crédito a um ateu que não acredita em Deus, prefiro dar crédito a um Deus que não acredita em ateus. Prefiro ter fé em um Deus que não acredita em “Jucas Kfouris”.

A diferença entre o ateu à toa e Kaká? Para o primeiro, nada na vida é um milagre. Para Kaká, tudo na vida é um milagre. Parafraseando Benjamin Franklin, Kaká acredita no cristianismo da mesma forma que acredita que o sol nasce todo dia. Não apenas porque o vê, mas porque através dele Kaká vê tudo ao seu redor.

E, da minha parte, faço como Kaká: agradeço este texto a Jesus Cristo, porque, sem Ele, eu não posso fazer nada!

Comentário PC@maral

Por que essas pessoas tem tanta raiva de algo que não acreditam? Por que, como o próprio texto comenta, perder tanto tempo e energia combatendo algo que juram de pé junto que não é real? Se não creem, se não dão crédito, se, com suas inteligências afirmam categoricamente que Deus é fruto da imaginação por que então o medo? Será que é o medo de estarem errados em suas "crenças"?

Enfim, compartilho a opinião do autor, e para as pessoas que não acreditam que Deus existe e combatem essa realidade, vou tender para o lado da razão extrema:

Dizem, a maioria das pessoas, que uma coisa é certa e que irá acontecer com todos nós, e essa certeza é a morte, todos nós iremos morrer um dia. Eu próprio, costumo dizer que existem DUAS certezas na vida do ser humano: a primeira é a morte e a segunda é estar diante de Jesus Cristo no Dia do Julgamento. A questão é: de que maneira você deseja estar diante Dele? Como crente em seu sacrificio e obra redentora, herdeiro de seu reino preparado desde a fundação do mundo ou como total descrente ressuscitado para a morte eterna ou destruição total?

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Fonte: Texto de autoria do Fernando Khoury no blog Atelier de Idéias com o títulko original de "Juca Kfouri: o ateu à toa!" via Pulpito Cristão compartilhado no PC@maral

sexta-feira, 25 de junho de 2010

A Voz e o Silêncio

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Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca. (Isaías 53:7)

É difícil termos controle sobre nossas palavras, embora isso seja de suma importância em qualquer relacionamento. Não podemos nos descuidar, mas buscar constantemente esta parte do fruto do Espírito: o domínio próprio (Gl 5:22).

Palavras certas, nos momentos certos, são verdadeiras maçãs de ouro em bandejas de prata (PV 25:11). Tiago, no seu terceiro capítulo, nos dá uma verdadeira aula sobre a importância de acertarmos em nossa fala. Nossas palavras podem fazer bem ou mal, ferindo ou ajudando quem nos ouve.

O falar e o silenciar produzem um equilíbrio tão importante quanto o que a música produz. O que seria das melodias, se não houvesse pausas? Um pensador disse que, para vencermos, devemos ser surdos de um ouvido e cegos de um olho. A isso, acrescento que deveríamos ter somente a metade de nossas línguas, ou seja: não deveríamos valorizar em demasia tudo que ouvimos e vemos, mas deveríamos falar apenas o essencial, o que edifica. Bom senso é, então, essencial para não cometermos o pecado da omissão.

Com Adão, aprendemos o que não devemos fazer com nossas palavras. Ele foi um anti-exemplo, quando encontrou sua esposa em pecado: ficou em silêncio e compartilhou o erro (Gn 3:6 ; I Tm 2:13-14); e, quando confrontado por Deus, lançou a culpa sobre Eva (Gn 3:12).

Com Jesus, o segundo Adão, podemos aprender o que é ser vitorioso nesta área. No ensino, Jesus sempre foi claro, contundente e, ao mesmo tempo, simples, usando os elementos que seus discípulos conheciam. Quando foi necessário agir com palavras duras, não as economizou: raça de víboras e sepulcros caiados, foi algumas delas (Mt 23:27,33). Mas, quando estava para ser crucificado, para morrer pelo mundo inteiro, no exato momento do seu julgamento, ficou em silêncio (Lc 23:9). Por que ele não respondeu nada às falsas acusações? A única resposta é a de que estava certo de que o Pai sabia daquela situação e faria o melhor.

Nós também somos convocados a repetirmos o exemplo de Jesus. Seríamos, com certeza, mais vitoriosos, se, em determinados momentos, calássemos e deixássemos o Senhor agir, como disse Jesus no Getsêmani: Pai meu, se este cálice não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade (Mt 26:42).

A nossa natureza sempre exige vingança; a carne sempre cobra comportamento da carne. Mas quanta destruição pode resultar de uma única palavra! Se estivermos seguros em Deus, ele intervirá em nosso socorro. Ele é fiel em tudo e nos promete singularmente: Toda arma forjada contra ti não prosperará; toda língua que ousar contra ti em juízo, tu a condenarás; esta é a herança dos servos do SENHOR e o seu direito que de mim procede, diz o SENHOR. (Is 54:17).

Temperemos nossas vidas com a voz e o silêncio; sejamos felizes e trabalhemos para o Senhor.


DEC
PCamaral

Os Planos do Senhor

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“Então, respondeu Jó ao Senhor: Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.” (Jó 42:1-2)

Depois de tantos conflitos e perdas, Jó se rende e faz uma profunda declaração ao Senhor, declaração esta que deveríamos assimilar também em nossas vidas. Jó começa com uma certeza: “Bem sei”.

Nosso relacionamento com Deus não deve estar apenas na emoção, mas, também, na razão, na consciência, na convicção. Quem assim vive, não passa apenas alguns momentos com Deus, mas todos. A comunhão não é apenas de lábios, mas com a própria vida. Todo gesto, toda palavra e toda atitude anunciam a presença do Autor da Vida.

Na continuação, Jó demonstra a grandeza de Deus: “tudo podes”. A maioria das murmurações e das blasfêmias parte de um coração incrédulo. Assim, ao contrário de murmurar, o patriarca confessa: “tudo podes”.

E nós? Qual é o tamanho do nosso Deus? Em que áreas ele pode atuar? Ele é o Todo-Poderoso! Ele está acima de tudo e de todos! Ele é inigualável! Ele pode alterar todas as circunstâncias!

Na rendição de Jó, pode ser vista, também, a preocupação de Deus. Isso nos mostra que nada acontece por acaso: pessoas, situações e lugares obedecem a uma regência superior. Quanto mais as pessoas tentam fugir de Deus, mais caem nos braços dele. Mesmo as situações catastróficas trazem lições para a nossa vida.

Por outro lado, concluímos que Deus está preocupado também com nossos pequenos detalhes. Ele é o Deus do macro e do micro; está preocupado com o universo e também com o nosso destino, com o brilho do sol e também com o nosso sobrenome e o pão nosso de cada dia.

Mas a seriedade desta declaração está na vigilância de Deus: “nenhum dos teus planos pode ser frustrado”, ou seja: Deus estabelece e os cumpre. Ele é sério. Quando age, ninguém o pode impedir. Foi assim, em toda a história geral, e será também em nossa história particular.

Quando falamos em planos de Deus, jamais nos esquecemos do maior projeto de resgate da história: Deus se fez gente como nós, de carne e osso; espelhou santidade em tudo; derramou-se em amor, numa cruz; reviveu, após três dias; intercede por nós e ainda nos quer levar à sua companhia, por toda a eternidade. Essa é a “boa notícia”, o “evangelho”.

Por que Deus permitiu a morte de todos os filhos de Jó [dez], a perda dos seus bens e da sua saúde? Para ouvir deste homem totalmente quebrantado esta confissão e devolver-lhe em dobro todas as coisas. É por isso, também, que o Senhor permite tantas lutas para as nossas vidas. Para fazermos esta declaração, como Jó, aprendendo a ler na cartilha divina e sermos infinitamente felizes.

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Fonte: DEC - PC@maral

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Sem Deus Nada Posso Fazer

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A experiência própria me deixa cada vez mais convicto de que nada de edificante tenho para dizer ou fazer, a menos que minha vida, palavras, pensamentos e ministério sejam fruto de uma experiência e intimidade reais com Deus. Se as atitudes que manifesto são, em toda a sua amplitude, fruto dos meus preconceitos, ressentimentos, feridas, e "rixas", perco até mesmo o discernimento e o verdadeiro sentido das Escrituras.

Como a maioria das pessoas, tenho decepções, discordâncias, feridas profundas, e pessoas com as quais tenho dificuldades de me relacionar. Já fui tratado mal (ou pelo menos julguei que tivesse sido). Não posso permitir que as lembranças de certas experiências negativas continuem vivas em minha mente e emoções, levando-me a agir de forma irada, com ressentimentos e, até mesmo, com hostilidade. Se eu tirar o meu alimento da raiz da amargura, em vez de buscá-lo na Videira Verdadeira, com certeza estarei me envenenando. E, no lugar de abençoar aos outros, estarei amaldiçoando-os. Tenho de perdoar de todo o meu coração, e continuar perdoando sempre.

A Palavra de Deus diz: "Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados.” (Hebreus 12:14,15). Isso pode acontecer durante uma conversa com alguém, ou até mesmo quando eu estiver no púlpito, pregando.

Jesus Cristo deve ser a minha fonte de energia e inspiração, e minha experiência com Deus deve ser diária. Tenho de me alimentar de Cristo, e não das minhas experiências amargas. E não é só isso: preciso também me alimentar de Cristo hoje, e não ficar buscando alimento nas experiências que tive com ele no passado. O pão velho endurece, o leite azeda, as frutas e os legumes estragam, e a carne apodrece. E conosco o processo é parecido.

Necessito do maná fresco e saudável para me alimentar e me aquietar hoje, pois preciso estar transbordando do Espírito Santo de Deus, sempre.

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Fonte: Transcrito da revista Mensagem da Cruz nº125 - Autor: George R. Foster - Divulgado no PC@maral

O Reino de Deus e a Pérola

Um comentário:
“O reino dos céus é também semelhante a um que negocia e procura boas pérolas; e tendo achado uma pérola de grande valor, vendeu tudo o que possuía, e a comprou.” (Mt 13:45-46)

Por PCamaral

Dentre as muitas alegorias do reino de Deus, está a pérola. Mas, por que este destaque especial à pérola, em detrimento de tantas jóias preciosas? A composição de muitas jóias advém de pedras preciosas, como o diamante, a esmeralda, o rubi, e outras são metais preciosos como ouro, prata, platina, cobre. Todos estes elementos são minerais, neutros, não vivos. Em contraste com estes, está a pérola, a única jóia preciosa que é gerada por um ser vivo.

Quando uma ostra, no fundo do mar é atingida por um pequeno grão de areia, que a fere, imediatamente libera, em torno do minúsculo objeto estranho, um líquido especial, que, ao solidificar-se, torna-se uma linda pérola. Desta forma, o que foi um sofrimento, transforma-se em algo de valor inestimável.

Quantas vezes diante do sofrimento ouvimos lamentos? Por quê? Por quê? E por quê? Ou quando não, verdadeiras blasfêmias são ditas contra o Criador. A pérola nos ensina que um acidente de percurso pode se tornar uma preciosidade, que a dor pode ser uma grande riqueza, que o líquido pode ser sólido, que um grão de areia pode ser uma jóia, que o que é pequeno hoje, pode ser grande amanhã; basta para isso, ser revestido de ação, de vida, aceitando e reconhecendo que o sofrimento nada mais é que uma grande oportunidade de transformação e de crescimento.

Este milagre da natureza representa o reino de Deus para a nossa vida. Quando o céu da vida enegrecer, o mar calmo transformar-se em tempestade, quando você visitar o jardim da existência e perceber apenas espinhos e folhas caídas, pare, reflita, agradeça e prossiga. Toda tentação, toda tribulação também trazem consigo a grande oportunidade de vitória, de glorificação e de adoração. De outra forma, toda derrota começa quando falta Deus e termina quando Deus se aproxima.

Mas, na mensagem da pérola, podemos ver também o ser mais glorioso e valioso do universo, Jesus Cristo, e a sua grande obra em favor da humanidade, a salvação. Com nossos pecados, o ferimos, quando, ali na cruz, deu o seu sangue, para nos purificar de toda culpa e nos vocacionar para uma vida de eterna vitória. A transformação foi quando, após três dias, foi envolto novamente com as virtudes do Espírito Santo e reviveu. O grão de areia, o Cristo morto, transformou-se na maior das pérolas, o Cristo Vivo!

Por isso, perceba o valor do reino de Deus e distribua este maravilhoso tesouro.

Louvado e exaltado seja o nome do Senhor Jesus!

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PCamaral

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O Reinado Da Riqueza - Série: Monarquia [3]

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“Assim o rei Salomão excedeu a todos os reis da terra, tanto em riquezas como em sabedoria”. (I Rs 10:23)
Aprendendo e praticando a forma correta de angariar e usar as riquezas.
A riqueza material é, por natureza, um tema polêmico na igreja de Cristo. Uns acham que os ricos não entrarão no reino dos céus; outros entendem que a verdadeira espiritualidade é expressa por uma vida de pobreza. A Bíblia Sagrada não apóia nenhuma dessas visões, porque a salvação não está condicionada à pobreza ou à riqueza, mas à graça de Deus, pela fé em Cristo, que capacita os salvos a obedecerem a Deus.

De qualquer forma, temos, neste estudo, a oportunidade de melhorarmos nossa visão sobre a maneira como os salvos devem lidar com as riquezas, tendo como inspiração a vida do rei Salomão, o homem mais rico do Antigo Testamento; veremos que, ao contrário do que muitos cristãos pensam, este rei não é um bom exemplo a ser seguido, quando o assunto é riqueza material.

I - A HISTÓRIA CONTADA

Salomão não foi um monarca que assumiu o poder depois da morte do pai; Davi ainda vivia, quando ouviu falar que seu filho mais velho, Adonias, intentava usurpara seu trono (I Rs 1:5 a 2:53). Diante disso, o rei chamou a Salomão e lhe preveniu sobre alguns homens que poderiam causar graves instabilidades no reino de Israel; eram eles: Joabe e Simei, além do próprio Adonias (I Rs 2:5-10). Mas o que determinou a passagem do trono a Salomão não foi este fato, mas a ordem que Deus dera a Davi (I Cr 22:5-19).

Salomão era o décimo filho de Davi, e, por isso, tinha poucas chances de assumir o trono; entretanto, a morte violenta de seus irmãos mais velhos, antes de assumirem o poder explica a situação (II Sm 10 – I Rs 2). A história resumida do esplendoroso reinado de Salomão é encontrada em I Reis 1:11 e I Crônicas 28 a II Crônicas 9. Para facilitar a sua compreensão, utilizaremos a divisão feita por Gadner [1], que divide o assunto em quatro partes, a saber: a garantia do trono para Salomão (I Rs 1-2), a sabedoria de Salomão e suas realizações (I Rs 3-8), a fama internacional de Salomão e a conseqüente apostasia (I Rs 9 a 13:8), e os oponentes de Salomão (I Rs 11:9-43).

A narrativa da coroação de Salomão é apresentada na Bíblia com duas perspectivas: de acordo com I Crônicas 28-29, Salomão foi ungido rei numa solenidade aberta, pública, quando se declarou que aquela era uma escolha divina; em I Rs 1, porém, tem-se uma cerimônia de coroamento fechada, privada, feita às pressas.

Não há contradição; o que ocorre é a revelação do que aconteceu exteriormente e o que ocorreu nos “bastidores do poder”, isto é, Adonias, com o apoio do sacerdote Abiatar, havia se declarado rei, ainda com Davi vivo e sem o apoio do profeta Natã, do sacerdote Zadoque e dos valentes de Davi (I Rs 1:5-10). O velho rei, porém, jamais repreendeu Adonias (I Rs 1:6). Diante dessa situação, o profeta Natã e a mãe de Salomão, Bate-Seba, concluíram que era necessário agir rapidamente. Com argumentos envolventes, mexeram com o brio de Davi, mostrando-lhe que as intenções de Adonias eram contrárias às do rei. Assim, Davi decidiu ungir a Salomão como rei de Israel (I Rs 1:11-31).

Com a elevação de Salomão ao poder, este repreendeu a Adonias e a oposição cessou (I Rs 1:50-53). Porém, o início do reinado de Salomão não foi marcado pela paz. Quando Adonias insistiu que o rei lhe desse Abisague como esposa, Salomão mandou executá-lo, por não concordar que seu irmão desejasse deitar-se com a virgem que passou a fazer parte do harém de seu pai, Davi, quando este já não tinha vitalidade (I Rs 2:13-25).

O sacerdote Abiatar, que sempre apoiara Adonias, foi expulso (I Rs 2:26 e 27); mas o comandante Joabe foi executado (I Rs2:36-46). Suas funções foram assumidas por Benaia e Zadoque, respectivamente, como prêmio pela fidelidade a Davi e a Salomão. O rei ainda mandou executar a Simei, que também apoiara Adonias (I Rs 2:36-46). Assim, o violento Benaia matou os principais opositores do rei.

Toda essa truculência, porém, não tem relação com a bênção de Deus sobre Salomão, uma vez que a graça e a misericórdia divina sobre o rei não se baseavam nos atos deste, mas na aliança que Deus fizera com Davi e seus descendentes de torná-los uma dinastia perene em Jerusalém (II Sm 7:4-17).

Ao ver que Salomão estava usando as mesmas armas violentas que o pai usara para resolver os problemas (cf. II Cr 22:7-8), Deus lhe apareceu pela primeira vez e lhe disse: Pede-me o que queres que eu te dê (I Rs 3:5). Salomão fez este pedido: A teu servo, pois dá um coração entendido para julgar a teu povo, para que prudentemente discirna entre o bem e o mal: porque quem poderia julgar a este teu tão grande povo? (I Rs 3:9) Agradou-se o Senhor de Salomão e concedeu-lhe um bom entendimento, que, na Bíblia, significa ter um coração capaz de ouvir a palavra de Deus e obedecer-lhe. Assim, Salomão foi divinamente habilitado para discernir entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, entre o superficial e o essencial, enfim, pela observação das palavras e dos atos, ele teria condições de entender o que realmente se passava no coração das pessoas que o rodeavam.

Tamanha sabedoria proporcionaria a Salomão reagir corretamente diante das situações mais complexas e realizar um reinado afinado com a vontade de Deus. Davi havia perdido essa capacidade parcialmente depois de seu pecado com Bate-Seba, quando não percebeu o levante de Absalão, de Adonias, entre outros. Depois deste encontro com Deus, Salomão procurou mudar suas atitudes políticas: em vez de violência, buscou alinhar suas ações aos princípios estabelecidos na aliança que Deus fizera com seu pai. Desta forma, além de sabedoria, Deus adicionou riquezas e glória incomparáveis aos demais reis de seu tempo (I Rs 4:13); mas com uma condição: Se tu andares nos meus caminhos, guardando os meus estatutos e os meus mandamentos, como andou teu pai Davi, prolongarei os teus dias (I Rs 3:14 – TB; cf. I Rs 2:2-4).

A prova de que o rei havia adquirido refinada habilidade para resolver problemas de maneira sábia viria logo em seguida, com a maravilhosa decisão sobre o caso das duas mães que pleiteavam o mesmo bebê (I Rs 3:16-26). O povo reconheceu que havia nele a sabedoria de Deus, para fazer justiça (I Rs 3:28). Gardner destaca exemplos adicionais da sabedoria deste rei de Israel:
Salomão organizou seu próspero reino (1 Rs 4.1-21), sua corte (1 Rs 4.2-28), e escreveu provérbios e outras literaturas sobre sabedoria (1 Rs 4.29-34; cf. Pv 1.1; 10.1; 25.1; Ct 1.1 e os títulos dos Sl 72 e 127). A maior demonstração da sabedoria de Salomão, entretanto, foi a construção do Templo do Senhor Deus de Israel. 1 Reis 5 a 7 contém os detalhes das negociações, os preparativos, do início e fim da obra. A sua inauguração foi celebrada com a introdução da Arca da Aliança na parte santíssima da estrutura (1 Rs 8.1-11). Esse ato foi seguido pela bênção de Salomão sobre o povo e a sua dedicatória, onde falou das promessas que Deus fizera a Davi, seu pai, e intercedeu pelo bem-estar do povo e da terra (1 Rs 8.12-66). [2]
Até este ponto Salomão era um modelo de rei. Para preveni-lo de futuros deslizes que o poder costuma causar, Deus lhe apareceu pela segunda vez, advertindo-lhe, bem como a seu povo, de que todas aquelas bênçãos graciosas seriam suspensas, se eles não permanecessem fiéis ao pacto feito com Davi (I Rs 9:3-9). Desta forma, a sabedoria, a riqueza e as realizações de Salomão correram mundo afora.

Champlin informa que o rei expandiu o território que ia ao Eufrates, no nordeste; ao ribeiro do Egito, no sudeste; ao mar Mediterrâneo, no oeste, e ao deserto arábico, no leste. O rei introduziu ao exército cavalos, carruagens e várias inovações militares que o tornaram invencível. Através dos fenícios, Salomão conseguiu desenvolver uma relação comercial marítima que lhe rendeu muitas riquezas; fez de Hirão, rei de Tiro, um poderoso parceiro comercial (I Rs 5:1-12, 9:10-14); [3] fez, também, vários tratados comerciais, inclusive através de casamentos (I Rs 3:1; 10:24 e 25; II Cr 9:23 e 24). Em I Rs 4:20-28, 10:14-29, é descrita a impressionante riqueza de seu reinado.

Cada vez mais, Salomão usava sua sabedoria para enriquecer e para construir sua obra prima: o Templo. Para tanto, cobrou pesados impostos dos parceiros comercias e do povo (I Rs 9:10-14, 12:4), e não hesitou em usar mão de obra escrava (I Rs 9:15-24), medidas que iriam se transformar na base da divisão do reino, depois de sua morte. Esquecendo-se de que sua riqueza vinha das mãos do Senhor, Salomão se empolgou com sua capacidade de realizar grandes empreendimentos, e, assim, aprofundou seus relacionamentos íntimos e ilícitos com mulheres pagãs (I Rs 11:1-3) e suas parcerias comerciais com reis pagãos. De longe, rainhas vinham vê-lo e admirá-lo (I Rs 10:1-13). Com o tempo, suas esposas o conduziram à idolatria:
Porque sucedeu que, no tempo da velhice de Salomão, suas mulheres lhe perverteram o coração para seguir outros deuses; e o seu coração não era perfeito para com o SENHOR, seu Deus, como o coração de Davi, seu pai, porque Salomão andou em seguimento de Astarote, deusa dos sidônios, e em seguimento de Milcom, a abominação dos amonitas. Assim fez Salomão o que era mau aos olhos do SENHOR e não perseverou em seguir ao SENHOR, como Davi, seu pai. Então, edificou Salomão um alto a Quemos, a abominação dos moabitas, sobre o monte que está diante de Jerusalém, e a Moloque, a abominação dos filhos de Amom. E assim fez para com todas as suas mulheres estrangeiras, as quais queimavam incenso e sacrificavam a seus deuses. (I Rs 11:4-8)
O sábio e entendido Salomão manchou seu reinado com a poligamia e com a idolatria. Nestas condições, Deus lhe apareceu pela terceira vez declarando juízo contra seus pecados e misericórdia para com a descendência de Davi:

Pelo que disse o SENHOR a Salomão: Visto que houve isso em ti, que não guardaste o meu concerto e os meus estatutos que te mandei, certamente, rasgarei de ti este reino e o darei a teu servo. Todavia, nos teus dias não o farei, por amor de Davi, teu pai; da mão de teu filho o rasgarei; porém todo o reino não rasgarei; uma tribo darei a teu filho, por amor de meu servo Davi e por amor de Jerusalém, que tenho elegido. (I Rs 11:11-13; cf. vv 31-33)

A partir de então, o reino próspero começou a desabar; a imensa riqueza, a pompa, o luxo, tudo acabaria. Deus levantou adversários contra Salomão: Hadade, Rezom, Jeroboão (I Rs 11:14,23,26, cf. vv. 14-40). Cada um destes homens foi usado por Deus para enfraquecer e arrancar Salomão do trono, porque o rei decidiu ser desleal para com o Senhor. As palavras de Deus proferidas em I Rs 11:11-13 iriam se cumprir através da divisão do reino, sob os reinados de Jeroboão, seu servo, e de Roboão, seu filho. Desta forma, depois de quarenta anos de reinado, Salomão morreu e Roboão, seu filho, assumiu o seu lugar (I Rs 11:42-43).

II - A HISTÓRIA APLICADA

1. A verdadeira riqueza não deve ser medida por padrões materiais.

Sem dúvida, o reinado de Salomão foi marcado pela grandeza, pela prosperidade, pelas grandes construções, pela riqueza material. Contudo, o Senhor Jesus, ao se referir ao próspero Salomão, afirmou: ... eis que está aqui quem é mais do que Salomão (Mt 12:42). Pelos padrões mundanos de riqueza, Jesus Cristo é insignificante comparado a Salomão, pois não tinha nem onde reclinar a cabeça (Lc 9:58). Talvez essa seja a razão por que muitos pregadores modernos inspiram-se na riqueza de Salomão para pregar uma fé material e enriquecerem a custa da simplicidade das pessoas. Mas, quando a comparação entre Cristo e Salomão é feita com base nos padrões do reino de Deus, encontra-se a verdade: Jesus Cristo é incomparavelmente maior do que os homens mais poderosos da terra. E mais: Ele é a maior riqueza que uma pessoa pode ter nesta vida (Mt 13:44-45; cf. I Pe 2:6-7).

A verdadeira grandeza deve ser medida por valores espirituais, não por valores materiais. Portanto, na busca pelo dinheiro, tenhamos cuidado para não esquecermos que o verdadeiro tesouro não habita em nossa conta bancária, mas em nosso espírito. Por não terem esse entendimento ou não aceitarem este ensinamento, muitos que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína (I Tm 6:9). Por isso, a Palavra nos adverte: Ouvi, meus amados irmãos. Porventura, não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam? (Tg 2:5 – cf. Mt 6:19-21; Pv 22:1)

2. A riqueza material não deve ser buscada com padrões mundanos.

Conquanto tenha ouvido do próprio Deus a promessa de torná-lo um homem materialmente rico e cheio de glória, como cumprimento do pacto feito com Davi (I Rs 3:13), Salomão lançou mão de padrões mundanos, ao casar com mulheres pagãs, adorar seus deuses e se associar a reis ímpios, a fim de obter riquezas e poder.

Não é de hoje que pessoas, ansiosas por verem as promessas de Deus se cumprir em suas vidas, usam meios ilícitos para conquistá-las. A ansiosa Sara desobedeceu a Deus, ao mandar a sua serva, Agar, deitar-se com seu marido, Abraão, por achar que Deus estava demorando em cumprir sua promessa de dar-lhe um filho (Gn 15 e 16). Tais posturas demonstram falta de confiança em Deus. Ao lançarem mão de padrões mundanos, os servos de Deus revelam desconfiar da competência divina em cuidar de suas necessidades.

Não devemos buscar a riqueza material a qualquer custo, nem sacrificar a obediência a Deus e a integridade cristã. É pecado mentir, trapacear, roubar, burlar, humilhar pessoas, enfim, usar meios ilícitos para obtermos bens materiais.

Ao ensinar que o Pai celeste não deixa faltar nenhum bem básico à vida, Jesus Cristo comparou Salomão aos lírios do campo, e declarou: E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles (Mt 7:29). Mais uma vez, o padrão pomposo de Salomão não é citado por Jesus como um bom exemplo. O pai de Salomão, na velhice, garantiu: Fui moço e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua descendência a mendigar o pão (Sl 37:25).

Precisamos confiar em Jesus! Por isso, vos digo: não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo, mais do que a vestimenta? (Mt 6:25; cf. vv. 31-34)

3. A riqueza material deve ser desfrutada com sabedoria divina.

Não é pecado sermos ricos materialmente. Deus deu riquezas a Abraão; prometeu terra que mana leite e mel para seu povo, em Canaã, e Jesus viu muitos ricos no templo de Jerusalém (Lc 21:1). A grandiosa riqueza de Salomão, contudo, não serve como padrão para os cristãos sinceros, por dois motivos: (1) grande parte dela foi construída com negociações pecaminosas; (2) ela não foi desfrutada com sabedoria. Salomão ganhou e gastou com a extravagante pompa de seu reino. Quantas pessoas, em nossos dias, ganham riquezas de forma tortuosa, iníqua, ao mesmo tempo em que as desperdiçam? A riqueza concentrada na mão de poucos é gasta nos restaurantes, nas lojas, onde o preço de um prato de comida e de uma peça de roupa é um verdadeiro escândalo para os pobres.

Não devemos utilizar de forma fútil a riqueza material adquirida com a bênção de Deus. Precisamos pedir sabedoria divina para ganharmos e para gastarmos. Em mais este ponto, nosso exemplo não é o sábio Salomão, mas Cristo, que é a nossa sabedoria (I Co 1:30; cf. Mt 13:54). Com base nesta, e diante da carência de materiais básicos para as viúvas, a igreja de Cristo, em Jerusalém, decidiu: Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete varões de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio (At 6:3).

Ganhar com integridade e gastar com prudência é uma atitude de obediência a Deus e uma demonstração de espiritualidade alinhada com o ideal de riqueza que o Senhor deseja partilhar com seus filhos nesta vida.

CONCLUSÃO

Geralmente, a visão que temos de Salomão é a de um rei bem-sucedido, de maneira que muitos de nós o tomamos como um grande exemplo a ser seguido por nossos filhos, especialmente, em suas vidas profissionais. Mas, como lemos, Cristo não o vê como nós; e como não poderia ser diferente, o Senhor está correto, pois o substituto de Davi só foi bem-sucedido quanto a ter um coração capaz de ouvir as pessoas e entendê-las para poder julgar suas questões de forma reta. Pessoalmente e espiritualmente, porém, ele foi um fracasso, pois não conseguiu transformar em obediência o que ouviu de Deus.

Aqui está a grande lição: ninguém sendo dotado de grande sabedoria e sensibilidade para com os problemas dos outros está desobrigado de ser obediente e fiel a Deus, ou seja, a sabedoria humana não substitui a retidão e a santidade.


Referências Bibliograficas
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[1] Gardner, Paul, Quem é Quem na Bíblia Sagrada. Ed. Vida, São Paulo, 1995.

[2] Gardner, Paul, Quem é Quem na Bíblia Sagrada, Ed. Vida, São Paulo, 1995.

[3] Champlin, Russell Norman. Dicionário - O Velho Testamento Interpretado Versículo por Versículo, vol 4, p. 5222, Candeia, 2000.

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Fonte: Estudo bíblico de autoria do Pastor José Lima de Farias Filho - Divulgado no PC@maral - SÉRIE MONARQUIA

domingo, 20 de junho de 2010

O autêntico é livre de si mesmo

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Há um poder de libertação muito grande na autenticidade do ser.

Uma das coisas que a religiosidade produz é a hipocrisia omissa. Diria que o religioso torna-se vítima da sua própria devoção. Na busca por mudança interior há a tentativa de transformar o exterior, e isso costumeiramente resulta na dissimulação e até simulação de caráter.

O engajamento em trocar velhos hábitos tidos impuros por atitudes condizentes com as regras de fé adotadas é igualado ao arrependimento e entrega dos quais conclamam as boas notícias de Jesus Cristo, para os mais vis e repugnantes.

Quando me esforço para mudar o jeito como falo, o tipo de roupa que visto, o tipo de amigos que tenho, a natureza dos lugares que frequento e como lido com as pessoas sem antes ter tido a essencial renovação do ser, estou apenas limpando o exterior do copo.

Provavelmente, e muito provavelmente, sua religião empurra-lhe por esse infrutífero caminho: adotar novos preceitos de vida, nova indumentária, novos jargões e formulações prontas e a incapacidade de sustentar pensamento livre. Tudo isso sob a retórica de estar nascendo de novo.

Ao passo que, com Jesus Cristo, a ordem das coisas é bastante diferente. Aliás, se há alguém que quebrou paradigmas sem conta foi o Senhor. Mas isso fica para outra explanação. Não me recordo de ler nos Evangelhos nenhuma narrativa que mostre Jesus aceitando pessoas sob a condição de mudança exterior. A mesma pode até vir a ocorrer, mas sempre em consequência de uma total reviravolta interior. O que carregamos no coração é que será refletido na aparência. E não há falsidade que esconderá isso por muito tempo, seja luz ou trevas o que existir lá dentro.

Jesus não dizia, “venha para minha igreja, mude de vida e receba meu perdão e aceitação”. O contrário, “receba meu perdão e minha aceitação, e isso mudará sua vida”. Um dos atributos dessa ordem é ser livre do status quo. Tornar-se autêntico mesmo que não signifique ainda pronto, totalmente santo e irrepreensível, é uma virtude pouco encontrada nos crentes. Como posso receber o perdão salvífico de Cristo sem exercer a disciplina da autenticidade? O autêntico vê pouca dificuldade na humildade. Assim, vê grande alegria no perdão reconciliável do Pai, em seu Filho. Sua honestidade para consigo mesmo o conduz a uma saudável transformação de dentro para fora.

Eis, então o problema do religioso que aprendeu a mudar como vive sem antes receber a Vida dentro de si. Acometido da pressão de parecer santo e ungido para os outros, apodreceu seu interior pelo preço de ostentar parecer o que ainda não conseguiu ser.

Portanto, vive preso a si mesmo.

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Autor: Thiago Mendanha via Hermes Fernandes compartilhado no PC@maral

O Reinado Da Expansão - Série: Monarquia [2]

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“Ia Davi crescendo em poder cada vez mais, porque o SENHOR, Deus dos Exércitos, era com ele.” (II Sm 5:10)
Desenvolva atitudes espirituais que contribuam para o amadurecimento de sua fé.
Nos dias atuais, vivemos uma febre de desenvolvimento, de expansão, de crescimento. Fala-se sobre o crescimento do PIB, o crescimento da balança comercial, o crescimento do consumo, o crescimento do Brasil, o crescimento da violência, o crescimento da Igreja. A palavra de ordem, seja no mundo, na vida pessoal ou na igreja, é CRESCIMENTO.

Davi foi o homem escolhido por Deus para substituir o rebelde Saul, e que, pela graça de Deus, seu reino cresceu como a areia do mar. Mas, em que base Davi expandiu o reino de Israel? Utilizou-se este rei de quaisquer meios para suas grandes conquistas? Não! Por ser um homem cheio do Espírito Santo (I Sm 16:13), Davi liderou a obra de Deus baseado em princípios estabelecidos na palavra do Senhor. Por isso, ele e sua casa foram eternizados como símbolos do estabelecimento do reino de Deus na terra, pois foi da raiz de Davi que nasceu o Salvador da humanidade (Rm 1:3; Ap 5:5).

I - A HISTÓRIA CONTADA

Davi é considerado o mais importante rei da história de Israel. Filho mais novo de Jessé, da tribo de Judá, ele foi bisneto de Boaz e de Rute (I Sm 17:11-12; Rt 4:18-22; Mt 1:2-6); foi o segundo rei de Israel e teve as principais partes de sua vida registradas a partir de I Sm 16, II Rs 1–2, I Cr 2 a 29. Quando adolescente, cuidava dos rebanhos de sua família; tornou-se pastor de ovelhas e aprendeu a defendê-las dos fortes ataques dos predadores. Em pouco tempo, desenvolveu acurada habilidade e agilidade para atacar e defender. Por viver em constante perigo, também aprendeu a depender de Deus; assim, juntando dependência divina com habilidades pessoais, Davi enfrentou e venceu seu primeiro grande desafio, o gigante Golias, afirmando-lhe: O SENHOR me livrou da mão do leão e da do urso; ele me livrará da mão deste filisteu (I Sm 17:37).

A estrondosa vitória do corajoso jovem pastor contra o terrível e temido guerreiro filisteu tornou inevitável a popularidade de Davi em Israel (I Sm 18:5,16). Consequentemente, o respeito do povo pelo primeiro rei da nação, o medroso Saul, começou a despencar (I Sm 18:6-15); o coração do rei encheu-se de ódio. De repente, o jovem que havia sido convidado a morar no palácio real (I Sm 18:2), que havia sido escolhido pelo rei para ser seu fiel escudeiro e seu músico preferido (I Sm 16:14,21), passou a correr perigo de morte, e, por isso, teve de fugir (I Sm 18:17-30). A partir de então, Saul montou muitas armadilhas para matar Davi (I Sm 19:1-7, 21:10-15, 22:1-2), que, por duas vezes, teve chances reais de matar o rei, mas não o fez, por temor a Deus (I Sm 24:1-7, 26:1-12). Contudo, Davi se movimentava, lutava e protegia Israel dos filisteus (I Sm 23, 30:7-20).

A morte do conselheiro Samuel (I Sm 25:1), a frustração por não ter eliminado a Davi, o medo dos filisteus, os problemas do reino e o desvio da fé deixaram Saul profundamente vulnerável. Desesperado, consultou os mortos, isto é, os demônios (I Sm 28; II Ts 2:11). Na verdade, o Espírito Santo havia se afastado dele e Deus lhe enviara um espírito mal para o atormentar (I Sm 16:14; cf. II Ts 2:11-12). Sem a bênção de Deus sobre o rei, Israel se tornou presa fácil dos amalequitas e dos demais adversários (I Sm 30:1-7). Contra os poderosos filisteus, os israelitas acovardaram-se, fugiram, mas caíram feridos no monte Gilboa. E os filisteus apertaram com Saul e seus filhos: e os filisteus mataram a Jônatas, e a Abinadabe, e a Malquisua, filhos de Saul (I Sm 31:1-2). Perdido, Saul se matou: Assim, faleceu Saul, e seus três filhos, e o seu pajem de armas, e também todos os seus homens morreram juntamente naquele dia (I Sm 31:6).

Com a morte de Saul, Is-Bosete, que era seu filho, foi erguido rei pelas tribos do Norte (II Sm 2:8-9); por sua vez, o povo de Judá separou-se das demais tribos e aclamou Davi como rei, em Hebrom (II Sm 2:3-4). A incompetência de Is-Bosete logo se tornou evidente; as conspirações no reino do Norte se agravaram, culminando na morte do rei (II Sm 4:6-8). Desta forma, sete anos e meio depois de ter sido declarado rei, em Judá, Davi viu todas as tribos do Norte voltar à sua liderança (II Sm 5:1-3). Tinha ele trinta anos, quando começou a reinar sobre todo o Israel e o fez por quarenta anos (II Sm 5:4-5).

Com o reino unificado, Davi lançou-se ao trabalho; não satisfeito com a localização de Hebrom, situada em uma região montanhosa de Judá, o novo rei ordenou a conquista da cidade de Jerusalém, como ponto de partida para a grande expansão de seu reino. A respeito disso, Paul Gardner declara: A cidade nunca pertencera aos israelitas [ela era dos jebuseus] e localizava-se num ponto estratégico, em um cruzamento entre o leste e o oeste, o norte e o sul. Joabe, o comandante militar, liderou uma campanha bem sucedida contra aquela localidade e a conquistou para o rei. Davi consolidou seu reino, ao fazer de Jerusalém sua capital administrativa. Era uma cidade neutra, pois não tinha qualquer ligação especial nem com as tribos do Norte nem com as do Sul (II Sm 5:9,10). [1]

Estabelecido administrativamente em Jerusalém, o reino de Davi não parou de crescer. Primeiramente, ele convenceu todas as tribos a fazerem da nova capital o centro religioso mais importante da nação. Para tanto, o rei levou para Jerusalém a Arca da Aliança, símbolo do pacto que Deus fizera com seu povo (II Sm 6:1-19). Em seguida, o rei revelou seu desejo de construir um templo para adoração do nome do Senhor. Deus, porém, ao negar-lhe o pedido (II Sm 7:1-7 – veja por que Deus lhe negou o pedido – cf. I Cr 22:8), concedeu-lhe algo mais precioso: uma “casa” permanente: Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será estabelecido para sempre (II Sm 7:16). Davi acabara de receber um lugar e um nome perpétuo no reino de Deus (cf. Sl 2 e 72). Esta promessa é conhecida como “O Pacto Davídico”, que, segundo Gardner [2], trata de uma administração soberana, feita pela graça, segundo o qual o Senhor ungiu Davi e sua casa para estabelecer seu reino e efetivamente trazer um reinado de paz, glória e bênção, o que realmente veio a se cumprir em Jesus Cristo (Mt 28:20; At 2; Cl 1).

Com a bênção de Deus, Davi construiu um palácio para sua moradia (II Sm 5:11), derrotou definitivamente os filisteus (II Sm 5:17-25; 21:15-22; cf. I Cr 18:1), subjugou os moabitas, os amonitas, os idumeus, os arameus e os amalequitas (II Sm 8:10; 12:26-31; cf. I Cr 18:2). Seu império tomou proporções territoriais tão grandes que “Estendia-se desde Ezion-Jeber, no extremo sul, no golfo de Aqabah, até a região de Hums, perto da cidade-estado de Hamate, no extremo norte.” [3]

Além de dominar os adversários e estabelecer com firmeza a paz em Israel, Davi “Cobrou imposto dos arameus e das nações que decidiu não subjugar (II Sm 8:10). Depositou a maior parte dos tributos e espólios no fundo para a construção do Templo [que seu filho, Salomão, iria construir, cf. II Sm 7; I Cr 17] (2 Sm 8:11,12).”[4] O rei de Israel também construiu estradas (II Sm 5:2); providenciou condições para que os levitas desenvolvessem suas atividades em quarenta e oito cidades do país; estabeleceu as cidades de refúgio (Nm 35); introduziu no culto a música sacra (I Sm 16:14-23); compôs dezenas de músicas; foi generoso ao garantir a Mefibosete, neto de Saul, direito à herança real (II Sm 9:13).

Contudo, o rei Davi cometeu grandes falhas: além de ter desobedecido a Deus, ao fazer um senso que causou a morte de muitos inocentes (II Sm 24), adulterou com a mulher de Urias, engravidou-a, tentou responsabilizar o marido, e, num ato hediondo, orquestrou, com sucesso, a morte desse fiel soldado na guerra (II Sm 11:1-24). Tamanha torpeza mereceu severa condenação divina, através do profeta Natã (II Sm 12:1-12). Como conseqüência, Davi sentiu na pele a confusão na família e no reino, como prometera o Senhor (II Sm 12:10): seu filho com Bate-Seba morreu, seu outro filho, Amnom, violentou a própria irmã, Tamar, e o outro filho, Absalão, assassinou Amnom e conspirou contra o reinado. Fugindo dos homens de Davi teve seus cabelos presos numa árvore, e, encontrado por eles, foi morto por Joabe, causando grandes sofrimentos ao rei (II Sm 12:15-24, 13:1–15:18, 17:27–18:33). Com isso, a autoridade moral e espiritual de Davi se enfraqueceu e a conspiração contra seu reino continuou com o fracassado levante de Seba (II Sm 20:1-22).

Como reagiu Davi? Ele respondeu ao seu grave pecado com inigualável arrependimento: Pequei contra o Senhor! E Deus respondeu com inigualável misericórdia: Também o SENHOR te perdoou o teu pecado; não morrerás (II Sm 12:13). Fale-se o que quiser deste pecado de Davi, mas reconheça-se: ele é o maior exemplo de arrependimento das Escrituras Sagradas. O rei não tentou justificar seus erros; não culpou a Bate-Seba; não culpou a Satanás, como muitos o fazem hoje. Pelo contrário, com o coração temendo e tremendo, suplicou: Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias (Sl 51:1). Ele sabia que Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos de espírito (Sl 34:18).

Já velho e cansado, Davi morreu e foi sepultado ao lado dos seus antepassados na Cidade de Davi. Ele foi rei de Israel quarenta anos. Governou sete anos em Hebrom e trinta e três anos em Jerusalém (I Rs 2:10-11 – NTLH). Sua morte, porém, não o tornou menos importante: o Salvador do mundo, Jesus Cristo, é da descendência de Davi, assim como seu reino (Jo 7:42; Mc 11:10). Por meio de Cristo, são-nos dadas as bênçãos prometidas a Davi (At 13:16-34). É por isso que, a exemplo daquele pobre cego da palestina, quando angustiados, podemos clamar a Jesus: Filho de Davi tem misericórdia de mim (Lc 18:39).

II - A HISTÓRIA APLICADA

1. A igreja expande-se, quando a liderança é reta de coração.

A exemplo de Saul, Davi não foi um homem infalível (II Sm 11:1-24; 24). Entretanto, seu forte caráter espiritual transformou-o em um homem capaz de aceitar a correção com resignação e humildade diante de Natã, o profeta de Deus (II Sm 12:1-15). A diferença estava no coração: o do primeiro rei era tortuoso; o do segundo era reto. Por isso, referindo-se a Davi, Samuel garantiu a Saul: ... agora, não subsistirá o teu reino; já tem buscado o SENHOR para si um homem segundo o seu coração e já lhe tem ordenado o SENHOR que seja chefe sobre o seu povo, porquanto não guardaste o que o SENHOR te ordenou (I Sm 13:14). Desta forma, todo o reino de Israel foi entregue por Deus a Davi, e este fez o país expandir-se espiritualmente, economicamente, geograficamente, militarmente. Todo esse êxito, porém, não impediu o rei de clamar: Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito reto (Sl 51:10).

A Bíblia Sagrada é enfática, ao afirmar que quem faz a igreja de Cristo crescer é Deus (II Sm 5:10; I Co 3:6-7; I Ts 3:12). Como? Por meio de homens e de mulheres retos de coração: E vos darei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com ciência e com inteligência (Jr 3:15). Dar-se-á o caso de a falta de crescimento na igreja ocorrer por falta de retidão da liderança? Planejamentos, estratégias, treinamentos, eventos, ajuntamentos, viagens não moverão o coração de Deus, se o coração humano não for reto para com seus semelhantes e para com Deus. Os grandes projetos feitos com muito sacrifício pela liderança podem ser em vão, porque os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus (Sl 51:17).

Como é difícil os servos de Deus aceitarem esta verdade! Porém, se quisermos ver Deus expandir a igreja, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência e o corpo lavado com água limpa (Hb 10:22).

2. A igreja expande-se, quando a liderança trabalha para a glória de Cristo.

Assim que Davi assumiu o reinado de todo o Israel, Hirão, rei de Tiro, enviou mensageiros a Davi, e madeira de cedro, e carpinteiros, e pedreiros, que edificaram uma casa a Davi (II Sm 5:11). Hirão estava preocupado com o conforto de Davi (II Sm 7:1a). A intenção de Davi, porém, era construir uma casa para Deus (II Sm 7:2-6). E mais: a Arca da Aliança, que simbolizava a presença de Deus entre seu povo, fora transportada para Jerusalém, o serviço dos levitas fora estabelecido em dezenas de cidades do país e o culto fora revitalizado, com músicas espirituais, como jamais houvera.

O rei sabia que o êxito de seu reino ocorrera porque o SENHOR Deus dos Exércitos era com ele (II Sm 5:10), e, por isso, a glória daquele reino não lhe pertencia (Is 42:8). Porque administrava o reino pensando unicamente na glória divina, Davi foi escolhido para ser o símbolo do estabelecimento do reino eterno de Deus (Mt 1:1, 9:29; Mc 10:48, 11:10, 12:35; Lc 18:38-39, 20:41; At 13:16,34).

Quanto a este tema, a Bíblia Sagrada também é enfática: Tudo, na igreja de Cristo, deve ser feito para a glória de Deus (I Co 10:31; I Tm 1:17, 6:16; Ap 5:13). Dar-se-á, então, o caso de a falta de crescimento na igreja ocorrer porque a liderança trabalha para a glória de si mesma? Quando escrevemos, pregamos, ensinamos, administramos, cantamos, ministramos, servimos, socorremos, qual é a nossa motivação? Quanta vaidade pessoal entre nós!

Amados, não trabalhemos por salário, nem por cargos, nem por títulos, nem por fama, mas para que concordemente e a uma voz glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo (Rm 15:6). Os servos de Deus têm dificuldades para vivenciarem esta verdade. Mas, se quisermos vê-lo expandir a igreja, nada façamos por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo (Fp 2:3).

3. A igreja expande-se, quando a liderança trabalha em favor da unidade.

Davi foi aclamado rei, mediante a união de todas as tribos de Israel, que lhe disseram: Somos do mesmo povo de que tu és (II Sm 5:1b). A localização neutra da cidade de Jerusalém, conquistada pelo rei, foi uma forma de unir ainda mais as tribos. A transformação desta cidade no principal centro religioso da nação também foi uma estratégia para que a comunhão fosse fortalecida; a presença da Arca da Aliança nesta capital atraía todos os israelitas para uma adoração nacional. Assim, quando essa comunhão era ameaçada pelos inimigos externos e internos, Davi agia com rigor para que a paz e a unidade permanecessem em Israel (II Sm 5:17-25, 8:10, 12:15-31, 13:1–15:18, 17:27–18:33, 20:1-22, 21:15-22; I Cr 18:1).

Continua a Bíblia Sagrada sendo enfática: A igreja de Cristo deve viver unida (Jo 17:23; I Co 1:10; Cl 2:2). Dar-se-ia o caso de a falta de crescimento na igreja ocorrer porque a liderança trabalha desunida? Somos uniformes quanto à doutrina, à espiritualidade, à liturgia, à adoração, à administração, à visão, à missão? Se não somos, então estamos destruindo a obra de Cristo, o qual de ambos fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, reconciliou ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz, destruindo por ela a inimizade (Ef 2:14,16).

Não nos iludamos: Se não houver unidade bíblica, não haverá unidade nas outras áreas da vida cristã. E convenhamos: temos imensas dificuldades em nos curvarmos à autoridade das Escrituras Sagradas. Então, que se levantem, entre nós, líderes corajosos e destemidos, poderosos na Palavra; que se levante gente que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade (II Tm 2:15), que se baseie em princípios bíblicos para nutrir a unidade, pois, se quisermos ver Deus expandir a igreja, precisamos nos esforçar diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz (Ef 4:3).

CONCLUSÃO

Como pastor de ovelhas, o rei Davi não tinha a profissão mais nobre daquela sociedade, mas, por ser um homem segundo o coração de Deus, foi escolhido para ser o maior monarca da história de Israel. Seu nome e sua casa expandiram-se de tal maneira que foram eternizados na história da salvação como se vê nestas expressões bíblicas: A Casa de Davi, O Trono de Davi, O Tabernáculo de Davi, A Cidade de Davi, O Deus de Davi, O Pacto de Davi, O Descendente de Davi (Is 7:2,13,14, 9:7, 16:5, 22:9, 38:5; Jr 13:13, 33:21,22,26).

Nosso Salvador é denominado raiz e geração de Davi (Ap 5:5, 22:16). Se quisermos ver, em nossas vidas, as mesmas bênçãos vivenciadas por Davi e participarmos daquelas graças eternas que lhe foram prometidas, e que são concretizadas na pessoa de Jesus Cristo, tenhamos o coração reto, vivamos unidos e demos a devida glória ao Senhor.


Referências Bibliograficas

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[1] Gardner, Paul. Quem é Quem na Bíblia Sagrada. Ed. Vida, São Paulo, 1995, p. 131.

[2] Gardner, Paul, Quem é Quem na Bíblia Sagrada, pg. 132, Ed. Vida, São Paulo, 1995.

[3]Champlin, Russell Norman. Dicionário - O Velho Testamento Interpretado Versículo por Versículo, vol 4, p. 4103, Candeia, 2000.

[4] Gardner, Paul, Quem é Quem na Bíblia Sagrada. Ed. Vida, São Paulo, 1995, p. 132.

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Fonte: Estudo bíblico de autoria do Pastor José Lima de Farias Filho - Divulgado no PC@maral - SÉRIE MONARQUIA

sábado, 19 de junho de 2010

O Reinado Da Rebelião - Série: Monarquia [1]

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“Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria e culto a ídolos do lar. Visto que rejeitaste a palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei.” (I Sm 15:23)
Pessoas que percorrem o caminho da rebelião tornam-se inflexíveis, vaidosas e cobiçosas.
Estou iniciando uma nova série de estudos. Por meio deles, entraremos em contato com um dos mais interessantes períodos da história dos israelitas: o período da monarquia. Veremos o seu começo, o seu progresso, a sua divisão e o seu declínio. Trata-se de tempo de luzes e trevas, marcado não somente por vitórias, mas também por derrotas [1]. Veremos a história de catorze reinados: o da rebelião, o da expansão, o da riqueza, o da divisão, o da idolatria, o da renovação, o da instrução, o da fraqueza, o da exaltação, o da reforma, o do castigo, o da perversão, o da palavra e o do cativeiro. Que o Senhor nos ajude a tirarmos lições preciosas desses períodos da história de Israel.

Este primeiro estudo trata do primeiro reinado, o da rebelião, que é assim chamado porque começou e terminou com rebelião. Nasceu não “da vontade do Deus do povo”, mas “da vontade do povo de Deus”, que queria imitar as nações vizinhas. O povo de Israel tinha o Rei dos reis, mas não se orgulhou dele nem se alegrou nele. Ao contrário, rejeitou o seu governo e a sua vontade. Deus lhes deu o rei. O seu nome? Saul. Ele teve tudo da parte de Deus para desenvolver um excelente e próspero reinado: foi ungido por Deus, transformado pelo Espírito Santo e aceito pelo povo. Mas foi um fracasso! O que houve? Rebelião! Vejamos a sua trágica história.

I - A HISTÓRIA CONTADA

O povo de Israel sofria muito por causa das maldades e das perversões cometidas pelos filhos de Samuel. A crise, porém, já vinha de há muito tempo, durando décadas. Os líderes do povo pensavam que o problema estava no sistema de governo vigente. Após a morte de Josué, os israelitas não tiveram nenhum chefe único reconhecido por todas as tribos. Naquele tempo, não havia rei em Israel, e cada um fazia o que bem queria (Jz 17:6, 18:1, 21:25). Para resolver o problema, os líderes pediram a mudança. O que reivindicaram? Veja você mesmo: ... constitui-nos, pois, agora, um rei sobre nós, para que nos governe, como o têm todas as nações (I Sm 8:5).

A reação do velho servo de Deus foi de decepção. Sentiu-se traído. A exigência deles não tinha lógica, nem fazia sentido. Israel já tinha Rei: Deus. Sem saber o que fazer e o que falar, então, Samuel orou ao SENHOR (I Sm 8:6). Antes de falar com o povo de Deus, falou com o Deus do povo. Para Samuel, “a voz de Deus” era mais importante que “a voz do povo”. Sabia que nem sempre a voz do povo é a voz de Deus! Como Deus reagiu à exigência dos israelitas? O pedido não foi bem recebido, embora tenha sido atendido por Deus (I Sm 8:7). Deus tem a sua vontade ativa, mas também trabalha com a vontade permissiva. Ele usou esta segunda para ensinar algumas lições ao seu povo.

Antes, porém, o Senhor ordenou que Samuel advertisse os israelitas de que, se o novo sistema político fosse adotado, radicais mudanças ocorreriam, sobretudo, na estrutura familiar, a base da sociedade judaica, que passaria a enfrentar profundos prejuízos relacionais, materiais e espiritual (I Sm 8:11-22). O povo permaneceu irredutível! Samuel voltou a falar com o Senhor sobre o que o povo havia dito. Diante disso, Deus autorizou a substituição da “teocracia” pela “monarquia”, escolhendo um filho de Quis, chamado Saul, da tribo de Benjamim, a menor de Israel (I Sm 9:17).

Após consagrá-lo, Samuel o apresentou aos israelitas (I Sm 10:1,24). Houve delírio – afinal, o homem escolhido para ser monarca era bonito, moreno, robusto, valente: E todo o povo gritou: - Viva o rei! (I Sm 10:24b). Depois da aclamação popular, Samuel leu as leis do reino (I Sm 10:25), deixando nas mãos do novo rei os governos da sua nação. As tribos, então, retornaram para as suas casas. Saul foi para Gibeá com alguns homens que serviriam como seus soldados, cujo coração Deus tocara (I Sm 10:26). Deus fez de tudo para que Saul tivesse um reinado muito abençoado (I Sm 10:9,26). Deus fez a sua parte. E Saul, fez a dele? No primeiro ano, sim.

Saul começou bem (I Sm 11:1-13), mas não continuou bem. No segundo ano do seu reinado, trocou a submissão pela rebelião. Em primeiro lugar, ele não conseguiu obedecer aos limites de sua atividade e da sua autoridade. Ao defrontar-se com os poderosos invasores filisteus, impacientou-se com Samuel e, imprudentemente, usurpou a função sacerdotal do sacrifício (I Sm 13:8-14). Por essa sua atitude de interior rebelião contra a lei de Deus, que normatizava a ministração de sacrifícios e holocaustos, Saul soube que o seu reino não subsistiria, pois o Senhor já procurava alguém segundo o seu coração para substituí-lo (I Sm 13:14).

Ele ficou apenas nesta rebelião? Não. Em outra ocasião, Deus lhe ordenou que destruísse completamente os amalequitas, sem poupar pessoas, objetos e animais. Para guerras desse tipo, o Senhor tinha normas muito claras (Dt 7:1-5, 20:10-18). Nada deveria ser preservado: ... destrói totalmente a tudo o que tiver, e nada lhe poupes (I Sm 15:3). Por causa da sua cobiça, poupou as ovelhas, o que lhe traria muito louvor e honra da parte do povo de Israel: ... não os quiseram destruir totalmente (I Sm 15:9b). Essa outra atitude rebelde de Saul deixou o Senhor profundamente decepcionado, a ponto de dizer-se arrependido de ter escolhido Saul para ser rei (I Sm 15:11).

Ainda era madrugada, quando Samuel partiu à procura de Saul, Soube que ele tinha ido para a cidade de Carmelo, onde havia construído um monumento em honra de si mesmo, e que depois tinha seguido para Gilgal (I Sm 15:12 – NTLH). Qual foi a reação de Saul, ao ver Samuel em Gilgal: sentiu-se constrangido ou envergonhado? Nada disso. Ele reagiu de maneira receptiva; porém, insincera e covarde (I Sm 15:13-15). Para se eximir da culpa, tal como Arão no Sinai (Êx 32:22), e Adão e Eva no Éden, tentou jogar a culpa nos outros (I Sm 15:15). Em nenhum momento confessou a desobediência.

Após proferir a famosa e conhecida expressão: Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar (I Sm 15:22; Am 5:21-27; Os 6:6; Is 1:11-15), o profeta declarou-lhe: Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria e culto a ídolos do lar. Visto que rejeitaste a palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei (I Sm 15:23). Percebamos que o “o pecado de Saul foi visto como rebelião, visto que ele, propositada e conscientemente, quebrou as regras da guerra santa, salvando tanto a vida humana quanto a animal, quando o mandamento era aniquilar tudo” [2]

Não podendo mais esconder o pecado, confessou-o. Antes, por duas vezes, negou qualquer participação na desobediência (I Sm 15:13-15, 20-21). Agora, por duas vezes, ele afirma: Pequei (I Sm 15:24,30). A sua confissão é sincera? Percebe-se que não. Em primeiro lugar, a sua confissão era incompleta. Ele disse que pecara porque temera a voz do povo de Deus (I Sm 15:24b). Continuava culpando os israelitas. Se temesse mais “o Deus do povo”, temeria menos “o povo de Deus”. Em segundo lugar, a sua confissão é interesseira! Ele confessara porque não queria perder os privilégios, as regalias e os prestígios da monarquia. Saul pegara gosto pela pompa do poder.

Arruinado e humilhado, insistiu com Samuel para voltar com ele para adorar ao Senhor em Gilgal, porque não desejava ser envergonhado publicamente (I Sm 15:25-29). Perdeu o trono, mas queria manter as aparências: Então, Samuel seguiu a Saul, e este adorou o SENHOR (I Sm 15:31). Melhor teria sido se Saul tivesse voltado sozinho. O que ele temia, ocorreu. Diante dos anciãos do povo de Israel, Samuel fez o que ele não fizera: matou o sanguinário e desumano Agague (I Sm 15:30). E, assim, a sua desobediência e a sua transgressão tornaram-se públicas. Foi o último encontro do profeta piedoso com o monarca rebelde: Nunca mais viu Samuel a Saul até ao dia da sua morte (I Sm 15:35a).

II - A HISTÓRIA APLICADA

1. Pessoas que trilham o caminho da rebeldia à palavra de Deus tornam-se inflexíveis.

O povo não mediu as conseqüências do pedido que fez. Samuel o advertiu do que a monarquia lhe traria: tirania, opressão, a obrigação de prestar serviço militar, impostos altos; talvez, até a escravidão. O povo mudou de idéia? Não! Manteve-se inflexível: Mas o povo não se importou com o aviso de Samuel. Pelo contrário, eles disseram: Não adianta. Nós queremos um rei (I Sm 8:19 – NTLH). Deus, então, atendeu ao pedido e realizou a vontade dos israelitas. Logo, Saul passou a seguir os seus próprios caminhos.

Quando pedirmos alguma coisa a Deus, pensemos nas conseqüências. Nem tudo o que pedimos é do agrado de Deus. Muitas vezes, você quer, a todo custo, que Deus realize seus desejos e suas vontades. Ele mostra o quanto você irá sofrer, caso atenda a sua oração, mas você não cede. Você continua inflexível! Não seria hora de mudar de atitude, irmão? Por favor, entenda o seguinte: o fato de Deus dizer “não” a algumas de suas orações, não significa maldade; significa bondade. Ele quer isentá-lo de angústias, de problemas, de tragédias. Diante disso, ao orar ao Pai, diga sempre: faça-se a tua vontade, assim na terra, como no céu (Mt 6:10). Se você se importar com a vontade de Deus, receberá as melhores respostas (I Jo 5:14-15).

2. Pessoas que trilham o caminho da rebeldia à palavra de Deus tornam-se vaidosas.

Houve tempo em que Saul se enxergava com bastante modéstia e discrição. Chegou a assustar-se com as honrarias recebidas de Samuel (I Sm 9:21-24). Era um homem humilde, sem ambições políticas. Ele procurara o profeta, não para oferecer-se como candidato a monarca, mas para obter o seu auxílio na busca pelas jumentas da família (I Sm 9:5-20). No dia de sua posse, ocultara-se entre a bagagem, pois não se sentira capaz de ocupar elevada posição (I Sm 10:17-27). Após vencer os amonitas, atribuíra o crédito a Deus (I Sm 11:13). Mais tarde, no entanto, já em estado de rebelião à palavra de Deus, Saul perdera a modéstia, tornando-se homem orgulhoso: construíra um monumento para si mesmo. O poder lhe subira à cabeça! Ficara obcecado por honrarias humanas (I Sm 15:30). Enaltecera a si próprio.

Aprendemos com Saul algo sobre liderança e autoridade. Ele serve de modelo para nos alertar. Infelizmente, muitas pessoas que assumem a posição de autoridade e liderança entre o povo de Deus se deixam levar pela vaidade. No início de tudo, são humildes e modestas (I Co 1:26-29), com o passar do tempo, porém, começam a se vangloriar dos seus feitos; ficam ávidas pela honra, pelo elogio, pela glória e pelo louvor dos homens; vivem para despertar o interesse e a admiração dos outros; quando superadas, sentem-se ameaçadas e tornam-se vingativas (I Sm 18:7-9, 23:14-15). Por isso, como Saul, começam triunfantemente, mas terminam tragicamente (I Sm 31:4-13): porque o orgulho leva a pessoa à destruição, e a vaidade faz cair na desgraça (Pv 16:18 – NTLH).

3. Pessoas que trilham o caminho da rebeldia à palavra de Deus tornam-se cobiçosas.

Depois de vencer os amalequitas, Saul incluiu em seu rebanho alguns dos melhores animais dos despojos. O que era ruim foi destruído, mas o que era bom foi poupado por Saul (I Sm 15:8). Deus havia dado a Saul ordens expressas para que não poupasse nada e ninguém naquela guerra, mas ele achou que não era preciso cumpri-las integralmente. Isso desagradou tanto ao Deus de Israel que ele inspirou Samuel a expressar uma segunda rejeição de Saul. Quando Samuel perguntou-lhe sobre o balido das ovelhas e o mugido dos bois, Saul respondeu: ... o povo poupou o melhor das ovelhas e dos bois, para oferecer ao SENHOR, teu Deus (I Sm 15:14-15,21). Ele estava dizendo a verdade? Não. A razão era outra: ganância. Ao invés de admitir a sua ganância, inventou uma mentira.

No meio do povo de Deus, há muitos que são movidos pela cobiça e dominados pela avareza! Por causa da cobiça, sacrificam, desonram e desprezam os valores e os princípios da palavra de Deus, envolvendo-se em corrupção, em negociata, em falcatruas, em trambiques. Por intermédio da graça divina, podemos ser perdoados de nossa ganância. Mas como a história de Saul indica, aos olhos de Deus, avareza e cobiça não são ofensas leves. O apóstolo Paulo chamou a avareza de idolatria e ordenou à igreja de Corinto que exercesse severa disciplina contra qualquer pessoa culpada de ganância (I Co 5:11; Ef 5:5). Ele colocou a ganância ao lado do adultério e declarou que os que vivem nestas coisas não farão parte do reino de Deus. Guardemo-nos da cobiça (Lc 12:15).

CONCLUSÃO

Saul não somente viveu tragicamente, mas também morreu tragicamente. Pediu para ser morto, mas não foi atendido (I Sm 31:4a). O que fez? Cometeu suicídio: então, Saul tomou da espada e se lançou sobre ela (I Sm 31:4b). A tragédia não terminou. A seguir, os filisteus deceparam-lhe a cabeça e levaram-na de lugar em lugar como se fosse o troféu do triunfo sobre os filhos de Israel. A cerimônia da zombaria continuou: [Os filisteus] puseram as armas de Saul no templo de Astarote e o seu corpo afixaram no muro de Bete-Seã (I Sm 31:10 – NTLH). O seu corpo ficou ali dependurado, até que alguns homens valentes de uma cidade vizinha viessem para sepultá-lo (I Sm 31:11-12).

Que final trágico e terrível! Poderia ser diferente? Sim! A história de Saul poderia ter terminado de maneira diferente, se tivesse ocorrido da maneira diferente. Dia após dia, porém, escolheu o caminho da rebelião. Saul optou por viver na insubmissão, na desobediência, na transgressão: “ele cuspiu na face daquele que lhe deu graça, como se dissesse: não preciso de Ti! Vou viver e morrer como quiser!” [3] Atenção: É assim que terminam as pessoas que escolhem caminhar pela espaçosa estrada da rebelião à perfeita palavra de Deus. Por isso é que a Bíblia nos alerta: Não se enganem: ninguém zomba de Deus. O que uma pessoa plantar, é isso mesmo que colherá (Gl 6:7 – NTLH).

Que o Senhor guarde o nosso coração da rebelião à sua Palavra! Amém!


Referências Bibliograficas
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[1] HESTER, Humberto Inman. O Livro dos Livros. 3a Edição, Rio de Janeiro: Juerp, 1983, p. 68.

[2] Champlin, R. N. O Antigo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, volume 2, São Paulo: Editora Candeia, 2000, 1.177.

[3] Swindoll , Charles R. Davi: Um Homem Segundo o Coração de Deus. São Paulo: Mundo Cristão, 2003, p. 158.

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Fonte: Estudo bíblico de autoria do Pastor Genilson Soares da Silva - Divulgado no PC@maral - SÉRIE MONARQUIA