quinta-feira, 31 de março de 2011

O verdadeiro alimento

Um comentário:

Por Pr. Fernando dos Santos Duarte

“A lei do Senhor é perfeita e refrigera a alma; o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos símplices. Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro e ilumina os olhos. O temor do Senhor é límpido e permanece para sempre; os juízos do Senhor são verdadeiros e todos igualmente justos. São mais desejáveis que o ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos.” Salmo 19: 7-11.

Todo o ser vivo precisa se alimentar. Seja peixe, ave ou mamífero, todos os animais precisam de alimento para crescer e se desenvolver de forma sadia e equilibrada. Com o homem não é diferente. Os especialistas afirmam quer o ser humano deve se alimentar adequadamente de três em três horas, para que o organismo exerça as suas funções corretamente. Espiritualmente, o homem também deve se alimentar adequadamente, e esse alimento é a Bíblia Sagrada, a Palavra de Deus. Ela é comparada ao mel, que é um alimento extremamente rico e nutritivo. É ela quem sustenta, ensina e orienta a nossa vida.

Por meio do estudo e da meditação no que se refere à Bíblia podemos crescer e sobreviver espiritualmente. Uma observação muito importante é a de que a própria fé vem pelo “ouvir e o ouvir da Palavra de Deus” (Romanos 10:17). Se alimentar da Palavra é uma necessidade de todo e qualquer ser humano, seja homem ou mulher, rico ou pobre, jovem ou idoso. O alimento da Palavra é mais do que suficiente para o crescimento espiritual, não precisando de outras adições. Todas as informações que Deus revelou para nosso aprendizado está contida na Sua palavra, que não precisa de mais nada para ser completa.

Por meio da Bíblia somos fortalecidos no Senhor e na força de seu poder para lutar e vencer as dificuldades que a vida pode apresentar. O salmista Davi ainda declara que a Palavra do Senhor produz restauração e mudança de vida, sabedoria, alegria, segurança em meio às adversidades e justiça de Deus (Sl 19:7-9). Isto é, A Bíblia é completa em si mesma e supre as necessidades mais íntimas do homem, pois é Deus falando direta e abertamente com cada um de nós.

A Palavra do Senhor traz ao ser humano instrução e direção, já que demonstra a vontade de Deus para cada um de nós. Ela orienta e direciona o homem para que ele viva totalmente conforme o propósito de Deus, conhecendo profundamente o Senhor Jesus Cristo. Todos nós devemos edificar a nossa vida sobre o alicerce sólido da palavra de Deus, como o próprio Mestre Jesus declarou em Mateus 7: 24-25.
Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha.
Que cada um de nós possamos nos alimentar da Palavra de Deus tendo assim, a vida enriquecida e fortalecida em Cristo Jesus nosso Senhor!

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quarta-feira, 30 de março de 2011

Uma Visão a Fundo do Olho Humano

2 comentários:
Você alguma vez imaginou que seus olhos fossem assim????
 Da próxima vez que você quiser dizer que alguém tem olhos bonitos, preste bem atenção neles. Você poderá se surpreender! Suren Manvelyan, um professor armênio, usou seus amigos, colegas e alunos como modelos para fazer essas imagens oculares surpreendentes. Ele mesmo se maravilhou ao ver o resultado:
“Eu não sabia que eles tinham uma aparência tão complexa. Todos os dias vemos centenas de olhos, mas sequer suspeitam que eles têm uma estrutura tão bela, como se fossem superfícies de planetas desconhecidos.” Via Bored Panda

















E "algumas" pessoas insistem em dizer que somos obra do acaso...

Fonte: PavaBlog

Quando Deus nos manda contar estrelas

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Então o levou fora, e disse: Olha agora para os céus, e conta as estrelas, se as podes contar. E disse-lhe: Assim será a tua descendência. (Gênesis 15:5)

Por Claudia dos Santos Duarte

Ninguém gosta de se sentir inseguro ou perdido. Acredito que uma das piores sensações humanas é a de caminhar num determinado local em que não se sabe para onde vai. Ou de andar num lugar que não inspire qualquer confiança. Hoje nós vamos observar um momento em que Deus anima e dá certezas a um grande homem, chamado Abrão. Essa história está registrada no livro de Gênesis, capítulo 15, versículos 1 ao 6.

O versículo primeiro afirma: Depois destes acontecimentos: Quais acontecimentos? Vamos ver nos capítulos anteriores. Coisas ruins: fome e fuga para o Egito – 12:10, mentira no Egito por causa de Sara – 10:13, briga dos seus servos com os servos de Ló – 13:7, separação de Ló – 13:9, guerra com quatro reis – 14:12-17. Coisas boas: promessa de uma terra – 13:14-15, e é abençoado por Melquisedeque quando oferece o dízimo – 14:18-24.

Igualzinho a nós, que vivenciamos e alternamos bons e maus momentos: passamos na faculdade, mas enfrentamos o desemprego. Temos uma família, mas essa família não é tão perfeita como imaginávamos. Vivenciamos a alegria do nascimento de um bebê e também a profunda tristeza pela morte de alguém muito querido. Todas essas situações podem nos deixar inseguros e confusos.

Com relação a esses acontecimentos, podemos observar que Deus falou com Abraão e com certeza falará conosco, não permitindo que sejamos confundidos (v.1). O Senhor pode falar conosco seja na oração, por meio de um louvor, mas principalmente, através de sua Palavra! Essa Palavra vai revelar o cuidado de Deus para com a nossa vida – “Não temas”. Podemos sempre ter a convicção de que Deus cuida de nós melhor do que cuida das aves, ou do que o lírio do campo. A palavra de Deus também vai enfatizar a proteção Que o Senhor nos concede. Dá para andar nesses dias em que todos os governadores estão prometendo segurança? Mas Deus é nosso escudo. Ele nos cerca por trás, por diante. Nossas vida estão nas mãos do Deus vivo. Não precisamos temer o diabo, nem o mundo. Outro aspecto importante mencionado nessa palavra que o Senhor falou para Abrão e que também é para as nossas vidas é que Ele é um Deus que permite que caminhemos em vitória.

No entanto, num primeiro momento Abraão põe barreiras. Deus promete, mas ele não crê. Ele fala para o Senhor: Eu não tenho filhos. Meu herdeiro será Eliezer. Mas o objetivo de Deus para cada um de nós é que possamos ultrapassar as nossas limitações. Vamos enfrentar nossos medos interiores. Ousemos crer na palavra de Deus. Não olhemos as circunstâncias, por mais que elas sejam adversas: “Não tem gente. Não vai dá. Não tenho tempo. Estou muito ocupado.” Quantas limitações nós temos colocado diante de Deus! Mas o Senhor resolve esse problema de uma forma amorosa: no verso 4, Ele remove as limitações de Abrão, e as nossas também; no verso 5, Deus nos conduz para fora: Abraão estava dentro de uma tenda. Ele está cercado por paredes de pano. Ele olha pro chão e vê um tapete. A visão dele está limitada por aquelas circunstâncias. Nós olhamos e só vemos problemas. Então, Deus pega você pela mão e tira você da sua tenda. Além disso, Deus manda você levantar a cabeça: Abraão saiu da tenda e não ficou olhando para baixo. Ele olhou para o céu. Abramos os olhos e levantemos as nossas cabeças. Assim veremos que os problemas não são tão grandes como pensávamos. Por fim, Deus manda Abraão erguer a cabeça e começar a contar estrelas. Comecemos a contar as estrelas. Nunca conseguiremos contar o que Deus vai fazer nas nossas vidas, pois ele tem muito mais do que podemos pensar ou mesmo imaginar.

Abraão creu em Deus. Ele já era muito velho, ele não podia mais ser pai. Sara já era idosa e estéril. Mas para Deus não há impossíveis. Ele chama à existência as coisas que não existem. Abraão esperou contra a esperança. Ele creu no impossível. Ele venceu seus limites. Ele saiu da tenda. Ele saiu da incredulidade. Ele transportou o seu monte. Ele viu o invisível. Nada é impossível ao que crê.

Qual é o segredo da vida de Abraão? É que ele creu em Deus incondicionalmente. E foi justamente essa fé em Deus que permitiu que ele fosse mais do que vencedor e visse os projetos de Deus se cumprirem na sua vida.

Que a nossa fé em Cristo seja a cada dia mais firme e abundante!!!


terça-feira, 29 de março de 2011

39 coisas que você, provavelmente, não sabia....

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Quando não tenho nada para fazer... faço isso...


1) - Um lápis pode escrever uma linha reta de até 56 km.

2) - Todos os cisnes da Inglaterra são propriedade da rainha.

3) - Leonardo da Vinci inventou a tesoura.

4) - Um cubo mágico tem 4.325.003.274.489.856.000 posições possíveis.

5) - Caracóis podem dormir durante 3 anos.

6) - Crianças crescem mais rápido na primavera.

7) - As cordas das guitarras eram feitas originalmente de tripas de gato.

8) - A Coca-Cola seria verde se não fossem adicionados corantes.

9) - A Nintendo já possuiu uma companhia de táxis.

10) - É impossivel criar uma pasta com o nome “con” se você tiver Windows. [Eu tentei, juro que tentei... kkkkkkkkkkkkkkk]

11) - O Monte Everest cresce 4 milímetros a cada ano.

12) - A luta mais longa de boxe durou 110 rounds.

13) - Homens têm mais possibilidades de ser atingidos por um raio do que mulheres.

14) - Alexander Graham Bell, o inventor do telefone, não podia ligar para a sua mulher; ela era surda.

15) - No verão, a Torre Eiffel fica 15 cm maior que o seu tamanho original.

16) - Mageirocofobia é o medo de cozinhar.

17) - O ioiô foi criado para ser usado como arma.

18) - Porcos não suam.

19) - Você vê melhor quando está assustado.

20) - Vacas suam através do nariz.

21) - O fusca foi idéia de Hitler.

22) - Vermelho é a cor mais comum em bandeiras de países.

23) - Estão no pé 25% dos ossos do nosso corpo.

24) - Se você comer muita cenoura é possível que sua pele fique laranja.

26) - O pássaro Lira pode imitar qualquer som que escuta.

27) - Existe gordura suficiente no corpo para fazer 7 sabonetes.

28) - Os criadores das marcas Puma e Adidas são irmãos.

29) - As pessoas são mais altas de manhã do que de noite.

30) - Os monges tibetanos dormem em pé.

31) - É proibido entrar no México com mais de 2 CD’S.

32) - O nome do meio de Donald Duck (Pato Donald) é Fauntleroy.

33) - Porcos podem bronzear-se.

34) - Uma garrafa de vidro leva 4000 anos para se decompor.

35) - Os pingos de chuva caem em média com a velocidade de 35 km/h.

36) - Se você colocar uma abelha no frigorífico, ela vai dormir.

37) - Uma mosca reage a algo em 30 milésimos de segundo.

38) - Mulheres sorriem mais do que os homens.

39) - A baleia assassina é na verdade um golfinho.

40) - O recorde de vôo de uma galinha é de 13 segundos.

segunda-feira, 28 de março de 2011

O que é neopentecostalismo?

5 comentários:

Tanto o Pentecostal como o Neopentecostal são definidos por sua teologia. É a teologia que caracteriza a identidade de cada um, por isso, o melhor é analisarmos historicamente e teologicamente a trajetória dos dois grupos cristãos.

Os pentecostais

O movimento pentecostal surgiu nos Estados Unidos em Topeka, Kansas, no início do século XX. Influenciado pelo movimento pietista de comunhão com Deus através do estudo das Escrituras, movimento este que teve início em 1635.  Charles Parham fundou uma escola com a finalidade de estudar a Bíblia e buscar o avivamento de Atos capítulo 2. Um de seus estudantes, chamado Seymour passou a promover reuniões, em casas da cidade e, no dia 6 de abril de 1906, numa dessas reuniões, um menino de 8 anos falou em línguas, seguido de outras pessoas. Iniciava-se, assim, pelo menos formalmente, o movimento pentecostal.

Ênfase Teológica

No início do século XX, o pentecostalismo passou a enfatizar o batismo no Espírito Santo como revestimento de poder; as línguas estranhas como evidência da manifestação do Espírito Santo no crente; a manifestação dos dons espirituais. Numa das reuniões de Seymour, em Los Angeles, estava presente o pastor de uma igreja batista em Chicago, W. H. Durham, que também falou em línguas. No Brasil, o pentecostalismo está diretamente ligado ao movimento de Los Angeles, pois foram dois missionários deste movimento que trouxeram para o país o pentecostalismo. Daniel Berg e Gunnar Vingren, discípulos de Durham, em novembro de 1910. Eles chegaram ao Brasil convictos de que Deus os enviara a pregar a mensagem cristã a esta grande nação. Em junho de 1911, organizou-se em Belém do Pará, à Rua Siqueira Mendes, nº 67, a primeira Igreja de Fé Pentecostal no Brasil, primeiramente sob o título de “Missão de Fé Apostólica”, alterado em janeiro de 1918 para “Assembléia de Deus”, por Convenção realizada em Chicago, EUA.

Os Neopentecostais

Segundo Ricardo Mariano, em Neopentecostais – Sociologia do Novo Pentecostalismo no Brasil, (citado na revista Compromisso, 1º trimestre de 2003, págs. 79-80), o movimento pentecostal brasileiro se divide em três ondas:

A primeira onda é o chamado “Pentecostalismo Clássico”, da Rua Azuza no início do século XX.  A segunda onda é conhecida por “deutero-pentecostalismo” ou “pentecostal neoclássico”, movimento de cura divina do início da década de 50. Por fim, a terceira onda: “neopentecostalismo”, tendo suas origens na segunda metade da década de 70. Os precursores do movimento neopentecostal (Edir Macedo, R. R. Soares e Miguel Ângelo) saíram da Igreja de Nova Vida, do missionário canadense, naturalizado norte-americano, Robert McAlister, e fundaram as primeiras igrejas neopentecostais em solo brasileiro: Igreja Universal do Reino de Deus (1977), Internacional da Graça de Deus (1980) e Cristo Vive (1986). Ao lado destas três primeiras igrejas, encontramos ainda outras comunidades que se originaram de outras denominações tradicionais.

Expoentes e raízes teológicas

Dois nomes bastante influentes na teologia neopentecostal, com certeza são: Essek William Kenyon e Kenneth Hagin.

1. KENYON. Nasceu em 24 de abril de 1867, em Saratoga, Nova York, EUA, falecendo aos 19 de março de 1948, ele tinha pouco conhecimento teológico formal. “Kenyon nutria uma simpatia por Mary Baker Eddy” (Gondim, p. 44), fundadora do movimento herético “Ciência Cristã”, que afirma que a matéria, e a doença não existem. Tudo depende da mente.

2. KENNETH HAGIN. Discípulo de Kenyon. Nasceu em 20 de agosto de 1917, em McKinney, Estado do Texas, EUA. Sofreu várias enfermidades e pobreza; diz que se converteu após ter ido três vezes ao inferno (Romeiro, p. 10). Aos 16 anos diz ter recebido uma revelação de Mc. 11: 23,24, entendendo que tudo se pode obter de Deus, desde que confesse em voz alta, nunca duvidando da obtenção da resposta, mesmo que as evidências indiquem o contrário. Isso é a essência da “Confissão Positiva”.

Estes dois são os pulverizadores da teologia neopentecostal não apenas no Brasil, mas em toda América, misturaram teologia com gnosticismo e criaram uma estrutura teológica que encontrou solo fértil num país como o nosso; que é de terceiro mundo e sofre com questões básicas como saúde, falta de moradia, segurança, entre outras.

Teologia dos Neopentecostais

1. Teologia da prosperidade: A teologia da prosperidade, defendida pelos neopentecostais, afirma que um cristão verdadeiro e fiel a Deus, tem o direito de obter a felicidade integral, pode exigi-la, ainda durante a vida presente sobre a terra.

2. Confissão positiva: Confissão positiva é um título alternativo para a teologia da forma da fé ou doutrina da prosperidade promulgada por vários televangelistas “a expressão “confissão positiva” se refere literalmente a trazer à existência o que declaramos com nossa boca, uma vez que a fé é uma confissão”.

3. Maldições hereditárias: Chamada também de Quebra de Maldições, Maldições Hereditárias, Maldição de Família e Pecado de Geração. Pode ser definida como: A autorização dada ao diabo por alguém que exerce autoridade sobre outrem, para causar dano à vida do amaldiçoado. A Bíblia ensina que a responsabilidade do pecado é pessoal: Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Que tendes vós, vós que, acerca da terra de Israel, proferis este provérbio dizendo: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos é que se embotaram? Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR DEUS, jamais direis este provérbio em Israel (...). Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá (Ez. 18: 1-4).

4. Possessão de crentes: Os pregadores neopentecostais tem uma cosmovisão que dá lugar à crença na possessão de crentes por demônios. Essa crença fica clara no livro Orixás, Caboclos & Guias: Deuses ou Demônios (pgs. 101-104) no capítulo “Crentes endemoninhados?” – Macedo afirma claramente que o capítulo é fruto de sua observação: “Este capítulo não existiria se eu não tivesse visto constantemente pessoas de várias denominações evangélicas caírem endemoninhadas, como se fossem macumbeiras, ao receberem a oração da fé”. O Bispo Macedo não oferece nenhum texto bíblico como argumento para comprovar tal doutrina. Apenas fez “uma observação”.

O culto neopentecostal

A Bíblia nos apresenta um modelo de culto que é a adoração a Deus na pessoa de Cristo. Portanto, Cristo é o centro do culto, tudo deve girar em torno dEle e para Ele (Hebreus 10: 19-25).
Não é o que vemos num culto neopentecostal, onde o homem passa a ser o centro (antropocentrismo) do culto, tudo é para o homem (letras dos hinos, mensagens proferidas, testemunhos e outros) e feito na intenção de satisfazer esse homem. Isto não é bíblico, por atraente e satisfatório que pareça, não é para o homem que prestamos culto e sim para Deus. É quando prestamos culto a Deus que somos confrontados com nossa realidade, e descobrimos que somos carentes da graça de Deus. Neste momento Ele nos edifica e restaura; num culto antropocêntrico não existe espaço para Deus.

Outras práticas do culto neopentecostal

Hoje observamos práticas que eram comuns na Idade Média onde o catolicismo se utilizava de objetos ditos sagrados (posse de relíquias; unção e santificação de objetos; água benta; pedaços da cruz de Cristo; bulas papais etc.) para efetuar cura e absolvição de pecados. Essas mesmas práticas, os cristãos brasileiros, até a década de 70, só as viam nos cultos sincretistas afro-brasileiros (banhos sagrados, uso de rosas vermelhas, sal grosso, entre outras). É de assustar quando vemos igrejas neopentecostais usarem práticas e objetos ( copo d’água, rosa ungida, sal-grosso, pulseiras abençoadas, peças de roupas de entes queridos, óleos de Jerusalém, águas do rio Jordão, trombetas de Gideão, cajado de Moisés, cultos de descarrego etc.) como na Idade Média e no sincretismo brasileiro, em seus cultos. Esses objetos acabam servindo de mediação entre o homem e Deus. O perigo é que a Bíblia nos apresenta Cristo como sendo o único mediador entre Deus e o homem (I Tm. 2:5; Hb. 9:15; Hb. 12:24).

A evangelização dos neopentecostais

Jesus nos ordenou a pregar o Evangelho a todas as criaturas (Mt. 28: 19-20), a mensagem deve levar o ouvinte a crer no Senhor Jesus Cristo e a se arrepender e confessar os seus pecados, para obter a salvação (Rm. 10:10). O que vemos na evangelização neopentecostal é uma mensagem onde a pessoa é levada a satisfação do bem estar pessoal e não a uma mensagem de confissão para o perdão; isto é proselitismo e não pregação do Evangelho. Proselitismo é quando uma pessoa faz adesão a uma religião não por fé, mas por costume. Isto era o que Israel fazia com as pessoas que não eram cidadãos israelitas, mas que queriam professar a mesma crença; esta pessoa passava pelo ritual da circuncisão e assim se tornava israelita.

Conclusão:

Devemos firmar o compromisso de que a Bíblia é nossa única regra de fé e prática, portanto, nossa conduta eclesiástica deve se pautar na revelação divina, não devemos copiar ou aderir à práticas que não são aceitas pelo nosso presbitério. Sejamos fiéis primeiro àquele que nos chamou e que nos colocou como servos seus, para cuidar do seu rebanho. Não temos o direito de transformar a Igreja de Cristo em uma comunidade com objetivo e propósitos diferentes dos ensinados pelo Senhor da Igreja.



Comentários

O crente é santuário do Espírito Santo: Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo (I Co. 6: 19-20).

O Espírito Santo tem zelo por nós: Ou cuidais vós que em vão diz a Escritura: O Espírito que em nós habita tem ciúmes? (Tg. 4:5)

O crente é propriedade peculiar de Deus: Em que também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança até ao resgate da propriedade, em louvor da sua glória (Ef. 1: 13-14).

Jesus é o mais que valente que tomou posse da propriedade (Lc. 11: 21-22), portanto em Cristo estamos seguros.


DEC
PCamaral

domingo, 27 de março de 2011

É Hora do Almoço! Já para a Mesa!

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O que acontece quando você convida dois de seus melhores "amigos" para um almoço?

Prostitutos Cultuais e Mercadores da Fé

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O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos. Como eles se multiplicaram, assim pecaram contra mim; eu mudarei a sua honra em vergonha. Comem da oferta pelo pecado do meu povo, e pela transgressão dele têm desejo ardente. Por isso, como é o povo, assim será o sacerdote; e castigá-lo-ei segundo os seus caminhos, e dar-lhe-ei a recompensa das suas obras. Comerão, mas não se fartarão; entregar-se-ão à luxúria, mas não se multiplicarão; porque deixaram de atentar ao SENHOR. (Oséias 4:6-10)

Por João de Souza Filho

Eu estava tentando encontrar um adjetivo para qualificar os atuais cantores e pregadores que cobram elevadas somas em dinheiro para pregar ou cantar nas igrejas e em conferências promovidas por evangélicos, e achei que “mercador da fé” não é um adjetivo apropriado, porque é simples demais para nominar tais pessoas. Pois bem. Vejo esses exploradores da boa-fé evangélica como prostitutos cultuais – que é a tradução da versão atualizada – para os que se prostituíam junto aos templos pagãos e que depois passaram a se prostituir diante do templo do Senhor em Jerusalém. Porque os prostitutos (as) cultuais mencionados na Bíblia exploravam os que se dirigiam ao templo para adoração oferecendo-lhes um pouco de orgia – orgia sexual revestida de espiritualidade, como alguns desses a que me refiro que falam línguas, profetizam, oram pelos enfermos, são místicos e super espirituais. .. Mas orgiofantes (como os sacerdotes que prestavam culto a Dionísio).

Os prostitutos e prostitutas cultuais, comuns nos templos pagãos passaram a conviver com os adoradores junto ao templo de Jerusalém, indicativo de uma deformação espiritual da nação de Israel. Não estou afirmando que é comum tais pessoas se prostituir de verdade, em orgias sexuais; estou afirmando, isto sim, que sempre que uma pessoa se afasta de Deus, comete prostituição com outros deuses – fato mencionado pelo próprio Deus em várias passagens do Antigo Testamento. Em Ezequiel 16 ele compara Israel a uma menina, que é cuidada por Deus, adornada e preparada para ser esposa, mas se prostitui com os povos vizinhos.

Deus se antecipou ao que poderia acontecer e recomendou a Moisés: “Das filhas de Israel não haverá quem se prostitua no serviço do templo, nem dos filhos de Israel haverá quem o faça... Não trarás salário de prostituição nem preço de sodomita à Casa do Senhor, teu Deus (Dt 23.17-18). O que se vê hoje no Brasil é uma orgia espiritual, uma masturbação coletiva praticada por cantores e cantoras, pregadores e pregadoras, que não conseguiram fazer sucesso no mundo e encontraram na igreja um filão de negócio; o caminho para o enriquecimento à custa da espiritualidade dos irmãos.

Imagine o Lázaro da Bíblia, que Jesus ressuscitou dos mortos gravando seu cd e saindo pelo mundo a pregar nas igrejas, usando os recursos para comprar bens e imóveis em Atenas, Roma e Jerusalém. Imagine Dorcas, relatando sua ressurreição e insinuando aos irmãos por onde pregava que precisava de dinheiro para comprar máquinas de costura a fim de ajudar os pobres com maior eficácia, lucrando com a bênção alcançada. Eles seriam excluídos do rol de membros do céu pelos apóstolos. Pois sei que esses excrementos espirituais – e não há palavra melhor para descrever tais pessoas – cobram preços exorbitantes para pregar e cantar. Eu estava numa cidade pregando o evangelho e em várias cidades daquele Estado os irmãos se mobilizavam para ouvir o ex (que deve ter fracassado no mundo) cujo preço varia de 20 a 35 mil reais por apresentação. Este cantor que explora a espiritualidade do povo deve ganhar, pelo menos, com a agenda cheia em torno de cem mil reais por semana! Sim, porque fazem sucessos os ex-, sejam ex de quaisquer espécies. Ex que tocou na famosa banda do mundo; ex- que se prostituía com drogas, mas agora se prostitui com dinheiro. Prostituem-se com a fé. Sim, porque quais prostitutos cultuais do AT usam da espiritualidade para fazer orgia com o povo com o fim de levar o povo a se alegrar, enquanto eles ficam ricos.

Uma denominação pentecostal nutriu, alimentou e criou um pregador que cobra o exorbitante preço de quinze mil reais por pregação e nunca tomou uma atitude corretiva e disciplinar quanto a seu enriquecimento e vida pessoal; ao contrário, alimenta o sucesso desse mercador de dons. Balaão se sentiria envergonhado!

Assim, quando viajo pelo Brasil sinto no ar o odor fétido que eles deixam por onde passam; o odor da prostituição espiritual, o cheiro nauseabundo que costumam exalar os espiritualmente mortos. Que se prostituem espiritualmente e que levem pastores, líderes e povo à prostituição com eles é inegável, e não é de se duvidar de que se prostituam literalmente em seus confortáveis quartos de hotel. Pregadores e cantores que fazem exigências incomuns; que não aceitam fazer uma refeição na casa de irmãos; apenas em restaurantes que servem a La Carte. Que não se contentam com os bons hotéis e se não houver os melhores, recusam-se participar de eventos a menos que suas exigências sejam atendidas.

Os culpados são os líderes que atraídos pela ganância financeira esperam obter lucros com os gananciosos. Certamente porque muitos pastores, apóstolos e líderes se prostituíram espiritualmente, empolgados com as riquezas deste mundo, sonhando com mansões no litoral brasileiro e nas famosas cidades dos Estados Unidos.

Que posso dizer? Afirmar que alguns desses pastores que apóiam tais cantores e pregadores, juntamente com estes sejam descendentes de Balaão – que se prostituiu e usou de seus dons para ensinar Balaque a armar ciladas para os filhos de Israel – seria ofender o profeta do Antigo Testamento, que por seu pecado foi morto por Josué. Quem sabe possuem o DNA de Judas, ou são da mesma linhagem espiritual que vendem o nosso Senhor em troca das benesses de Mamom. Pedro e Judas descreveram tais cantores, pregadores e pastores com adjetivos pouco recomendáveis, afirmando que estes “andam em imundas paixões e menosprezam qualquer governo. Atrevidos, arrogantes, não temem difamar autoridades superiores...  Considerando como prazer a sua luxúria carnal em pleno dia, quais nódoas e deformidades, eles se regalam nas suas próprias mistificações, enquanto banqueteiam junto convosco; tendo os olhos cheios de adultério e insaciáveis no pecado, engodando almas inconstantes, tendo coração exercitado na avareza, filhos malditos; abandonando o reto caminho, se extraviaram, seguindo pelo caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça... Esses tais são como fonte sem água, como névoas impelidas por temporal. Para eles está reservada a negridão das trevas”

Por mistificações o apóstolo está se referindo aos que usam dos dons espirituais para se sobrepor aos demais; eles têm dons, são místicos e falam como se uma nuvem de transcendência divina repousasse sobre eles.

Faz-se necessária uma limpeza na igreja, a Casa de Deus, como fizeram Asa e Josafá. Asa tirou de cena sua própria mãe e “removeu os prostitutos cultuais” que usavam o templo como local de prostituição. Josafá ainda precisou intensificar a reforma, porque, de tempos em tempos os aproveitadores da boa vontade do povo; os exploradores da espiritualidade das pessoas, tais como eram os filhos de Eli aparecem na igreja de Deus (1 Rs 15.12; 22.47).

Uma igreja rameira serve de alcova para os exploradores da espiritualidade do povo. E Deus haverá de limpar sua igreja.
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Fonte: Pr. João de Souza Filho | Via Genizah | Compartilhado no PCamaral

sexta-feira, 25 de março de 2011

Sofrimento e Mudança

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Estou envergonhado de tudo o que disse e me arrependo, sentado aqui no chão, num monte de cinzas. (Jó 42:5 – NTLH)



Os cinco primeiros e os oito últimos versículos do livro de Jó estão recheados de bênçãos. Todos queriam estar na pele de Jó, podendo viver os fatos narrados nesses textos; afinal, tudo vai muito bem. Mas, não podemos esquecer que, entre eles, existem 42 capítulos, que registram muito sofrimento, muita espera, muita conversa muita acusação. Temos o capítulo 3, por exemplo, conhecido como “o capítulo do desabafo”. Assim como também temos o 28, “o capítulo da sabedoria”. E, só no fim, temos o capítulo 42, que pode, sem dúvida, ser chamado de “o capítulo das mudanças”. Muitas mudanças são registradas ali: a visão, os amigos, a família, os bens; enfim, muita coisa muda para Jó.

Quando Jó ainda estava falido, sentado no “lixão” da cidade de Uz, disse: Mas ele sabe o caminho por onde ando; se me colocasse à prova, sairia como ouro (Jó 23:10). Uma tradução mais literal do hebraico para a primeira parte deste versículo seria: “Mas ele (Deus) sabe o seu  caminho comigo”. A ideia é que Jó tinha a certeza de que Deus sabia o que estava fazendo com ele [1]. Ele sabia que estava passando por um teste, mas que no final “sairia como ouro”. O patriarca tinha a certeza de que as provas de Deus o aperfeiçoariam. Jó não negava a provação, mas tinha esperança além dela. Entendia que, depois dela, seria um homem melhor. E é justamente dessas mudanças que trata o último capítulo do livro de Jó.

1. Agora os meus olhos te veem: A primeira mudança descrita no capítulo 42 está ligada ao relacionamento de Jó com Deus. O sofrimento fez com que ele se aproximasse, de fato, do Senhor. É interessante notarmos as palavras “antes” e “agora”, do versículo 5. Leia o versículo e observe a mudança que aconteceu na vida de Jó, testemunhada por ele mesmo: Antes eu te conhecia só por ouvir falar, mas agora eu te vejo com meus próprios olhos (NTLH). Percebeu o que o fogo da provação fez com o patriarca? O sofrimento o tornou um homem mais maduro, deixando-o mais consciente da presença de Deus.

Que dádiva preciosa! Jó reconheceu que “antes” de todo o sofrimento pelo qual estava sendo submetido, seu conhecimento de Deus era intelectual, limitado, baseado no que ouvia falar. Mas “agora”, isto é, por causa de sua situação presente de sofrimento, ele foi confrontado pelo próprio Deus, ouviu-o, experimentou-o, e conheceu o Senhor de verdade (BV). Agora, Jó conhecia a Deus por experiência própria. Se essa fosse à única mudança ocorrida na vida de Jó, já valeria à pena ter passado tudo o que passou. Como ele chegou a essa fantástica experiência? Através da confrontação. Diante das 77 perguntas que Deus lhe fez para mostrar-lhe a sua soberania, Jó reconheceu: Estou envergonhado de tudo o que disse e me arrependo, sentado aqui no chão, num monte de cinzas (Jó 42:5 - NTLH). No versículo 6 ele diz que se “abomina” e se “arrepende”.

A palavra abomina significa derreter, dissolver, definhar [2]. Jó estava envergonhado, diante de todos os questionamentos de Deus (Jó 38:1-39:30, 40:6-41-34). Ainda fragilizado, reconhece a absoluta soberania do Senhor (Jó 42:2). Ao entender quem é Deus, Jó reconhece o quão insignificante é. Isso o fez conhecer Deus de verdade. Mas o texto também diz que ele se “arrependeu”. Do que Jó se arrependeu? Dos pecados pelos quais foi acusado? Não! De reivindicar para si uma integridade que ele não possuía? Não! Ele se arrependeu de ter ido longe demais em algumas de suas especulações sobre Deus. “Seu pecado não foi ter feito perguntas. Foi acreditar que possuía as respostas” [3]. Diante das perguntas do Senhor, Jó viu que não sabia de nada. Por isso, arrependeu-se e decidiu confiar somente no Senhor. Assim, ele conseguiu avançar em seu relacionamento com Deus. E mudou para melhor.

2. Pedido de perdão: Os que também foram exortados a mudar de atitude no último capítulo do livro de Jó são os seus amigos. Depois de passarem quase todo o livro acusando o amigo de ter cometido pecado e de estar pagando pelo que fizera, foram severamente repreendidos por Deus. No versículo 7, ele diz: ... pois não falaste verdade a meu respeito.

No versículo 8, a Bíblia Viva traduz assim a frase do Senhor para eles: ... vocês não me apresentaram a Jó tal como eu sou. Sem dúvida, os amigos de Jó erraram; também precisavam rever suas atitudes. E fizeram isso. Deus ordenou-lhes: Tomai, pois, sete novilhos e sete carneiros, e ide ao meu servo Jó, e oferecei holocausto por vós. O meu servo orará por vós (v. 8). O plano de restauração dos amigos incluía oferecer animais em holocaustos. Nos dias de Jó, a lei com relação a esse tipo de sacrifício ainda não havia sido instituída, mas Deus já usou o que mais tarde seria regra para receber o perdão dos pecados. Eles foram até Jó oferecer sacrifício e pedir para que o patriarca intercedesse por eles: ... fizeram como o Senhor lhes ordenara (v. 9).

É interessante como essa atitude é diferente das do restante do livro. Não vemos mais acusações infundadas. Eles não estão mais com os dedos em riste em direção a Jó. Ao contrário: vão até ele, numa atitude humilde, para se desculparem pelo que haviam dito. Veja que contradição! No decurso dos seus discursos, eles não haviam dado o mínimo indício de que poderiam ser objetos da ira de Deus e necessitavam da sua graça. Todavia, agora descobrem – é uma ironia encantadora – que, a não ser que pudessem obter a intercessão de Jó como apoio – o próprio Jó a quem haviam tratado como tão necessitado –, talvez não escapassem do desagrado divino [4]. Dos quatro amigos, só Eliú não foi mencionado. Temos de concordar que ele acertou mais do que errou. Mas, mesmo assim, seu discurso precisava de alguns ajustes e seu orgulho precisava desaparecer. Talvez o Senhor o tenha tratado em outra ocasião, não registrada no livro.

3. O soberano em cena de novo: A sentença que revela a mudança do quadro da vida de Jó se encontra no versículo 10, do capítulo 42: E o Senhor virou o cativeiro de Jó, quando orava pelos seus amigos. Depois de 42 capítulos de muito sofrimento, a expressão “o Senhor virou o cativeiro de Jó” dá o tom dos últimos sete versículos. No original hebraico, temos, literalmente, “... e o Senhor cativou o cativeiro de Jó”.

Enquanto Jó orava por seus amigos, ainda em frangalhos, sem família, sem bens, sem saúde, mas com sua fé renovada, o soberano entra em cena de novo, e decide mudar complemente o quadro da vida do homem de Uz. A atitude do patriarca de interceder por aqueles que o criticaram foi bastante nobre. Orar por aqueles que o acusaram? Orar por aqueles que fizeram com que suas feridas doessem um pouco mais? É interessante observar que o texto diz que a restauração de Jó está ligada a esse gesto de intercessão em favor dos seus amigos (vv. 9-10) e não ao seu arrependimento (v. 6). Conforme bem sabemos, o patriarca não estava sofrendo por causa de algum pecado cometido. Por isso, o fato de Deus abençoar Jó, com o dobro de tudo o que dantes possuía, não aconteceu em decorrência de ele abandonar algum tipo de pecado específico.

De acordo com a “Teologia da Retribuição”, ensinada pelos amigos de Jó, Deus abençoa os que lhe obedecem, e estes levam uma vida mais feliz, e castiga aqueles que se rebelam contra ele, e estes têm uma vida infeliz. Sabemos que isso é verdade até certo ponto, mas existem exceções. Muitos justos têm vida infeliz, enquanto que muitos injustos têm vida boa. Mas, ao final do livro de Jó, parece-nos que essa lógica de seus amigos estava certa; afinal, Jó fora bom, e suportara todas as provações e recebera grandes recompensas. Mas será que Deus era obrigado a deixar de abençoar Jó para provar que os seus amigos estavam errados? Não! Deus faz aquilo que lhe apraz. Seria absurdo dizer que ele está obrigado a conservar Jó na miséria, a fim de salvaguardar a teologia. Ademais, essas dádivas, no fim, foram gestos de graça, e não recompensas pelas virtudes de Jó [5].

4. Mudanças e mais mudanças: Do versículo 11 até o último versículo do capítulo 42, o livro de Jó relata a transformação que o Senhor realizou na vida do patriarca. Foram mudanças atrás de mudanças. Em primeiro lugar: Jó experimentou mudanças sociais. As pessoas que o desprezavam apareceram: Então vieram a ele todos os seus irmãos e todas as suas irmãs e todos quantos dantes o conheceram... cada um deles lhe deu uma peça de dinheiro, e cada um, um pendente de ouro. Deus jamais nos abandona. Isso é fato. Mas veja que ironia: ele pode usar os que nos abandonam para nos abençoar. Os que abandonaram Jó, agora o abençoavam.

Em segundo lugar: Jó experimentou mudanças materiais. Os seus parentes e amigos lhe trouxeram presentes em dinheiro e ouro; estavam fazendo algo parecido com um “fundo de restauração”. Com esses bens, o patriarca poderia começar a recompor sua vida. O versículo 12 diz: E assim, abençoou o Senhor o estado de Jó, mais do que o primeiro; porque teve quatorze mil ovelhas, e seis mil camelos, e mil juntas de boi, e mil jumentas. Além de mudanças sociais e materiais, em terceiro lugar, Jó experimentou mudanças familiares. Deus tem poder para reconstruir lares desfeitos pelas tragédias, e fez isso na vida de Jó: Também teve sete filhos e três filhas (42:13).

Sobre suas três novas filhas, a Bíblia diz que em toda a terra não se achavam mulheres tão formosas (v. 15). No Oriente, os pais se orgulhavam de ter filhas bonitas, e Jó teve três assim. Por fim, Jó foi abençoado por Deus com vida longa. (v. 16). O último versículo diz que ele morreu velho e farto de dias (v. 17). Falecer “velho e farto de dias” era o objetivo de toda a pessoa. Trata-se de um conceito que, além de uma vida longa, significa uma vida rica e plena que termina bem [6]. Sua morte foi feliz porque ele havia vivido bem a sua vida. Quem imaginava que o patriarca não escaparia da morte frente aquele terrível revés, se enganou. É Deus quem está no comando!

O QUE ISTO DIZ PARA NÓS HOJE?

Em meio ao sofrimento, aguarde de forma humilde a mudança - Em que momento do livro de Jó nós o vemos exigindo que Deus o restituísse tudo o que ele tinha? Em que versículo ele protesta contra Deus por causa dos seus direitos? Onde é que lemos que Jó determinou a mudança na sua vida? Sabe qual é a resposta para estas perguntas? Em lugar nenhum! Jó não exigiu, protestou ou decretou nada! Mesmo quando especulou algumas coisas sobre Deus, ele o fez respeitosamente, e, no final, quando viu que estava errado, arrependeu-se. Se você está enfrentando algum tipo de sofrimento, tenha humildade. Deus é soberano e sabe o que faz. Decretar, exigir, protestar e determinar que ele mude a nossa situação são atitudes arrogantes de quem ainda não entendeu quem é Deus.

Em meio ao sofrimento, aguarde de forma paciente a mudança - Se há algo pelo qual Jó é conhecido biblicamente é a sua paciência. Observe o que Tiago escreveu sobre ele, anos mais tarde: Vocês tem ouvido a respeito da paciência de Jó e sabem como no final o Senhor o abençoou (Tg 5:11 – NTLH). Em meio ao sofrimento, Jó não abandonou a fé e nem se apostatou. Diante das suas incompreensões, apegou-se a Deus e soube esperar nele. A chama da fé e da esperança esteve sempre viva em seu coração. Deus sabe o que faz! Se você está enfrentando algum tipo de sofrimento, acalme-se, tenha paciência. Quem sabe Deus ainda não mudou a sua situação porque ainda você não aprendeu o que ele quis que aprendesse? Não abandone a fé; espere confiante e pacientemente pelo Senhor.

3. Em meio ao sofrimento, aguarde de forma convicta a mudança - Sabe por que, em meio ao sofrimento, podemos aguardar a mudança de forma convicta? Por que ela virá. Disso podemos ter certeza. Talvez, Deus não lhe dê em dobro tudo o que você perdeu. O caso de Jó é o caso de Jó. Talvez, a nossa restauração não seja completa nesta vida, mas ela ocorrerá. Esta é uma certeza que todos nós podemos ter: o dia final para todo o sofrimento humano já está programado na “agenda de Deus”. Confie! O livro de Jó trata dessa tensão entre o que é e o que ainda será, entre o que está indo e o que está vindo, “entre o pôr-do-sol e o nascer do sol, entre o cântico de lamento e o cântico de alegria, entre a agitação e a tranqüilidade, entre o mistério do sofrimento e o mistério da felicidade plena” [7].

CONCLUSÃO

A mensagem do livro de Jó não perderia seu efeito, se não tivéssemos os últimos oito versículos do livro. Deus é soberano e justo. Se não conhecêssemos o relato da mudança material que houve na vida de Jó, ainda assim, saberíamos que, um dia, ele seria recompensado por Deus. Na verdade, o livro de Jó deixou bem claro que o mais importante, para esse homem, era Deus. Por isso, podemos glorificar a Deus pelos ensinamentos que tivemos para melhor lidar com o sofrimento. Terminamos em tom de esperança. Esperança por sabermos que todos os sofrimentos dos filhos de Deus têm seus dias contados por ele. Glória a Deus!

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Bibliografia

[1] [4] [5] - ANDERSEN, F. I. Jó: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova e
Mundo Cristão, 1984.

[2] - CHAPMAN, M. L. (at all). Comentário Bíblico Beacon: Jó a Cantares de
Salomão. Vol. 3. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.

[3] - AGUIAR, M. O enigma de Jó. Belo Horizonte: Betânia, 2005.

[6] - WIERSBE, Warren W. Antigo Testamento. Volume III, Poéticos. Santo André:
Geográfica, 2006.

[7] - CÉSAR, Elben M. Lenz. Para (melhor) enfrentar o sofrimento: a resistência
de Jó em meio à dor. Viçosa: Ultimato, 2008.



DEC – PCamaral

terça-feira, 22 de março de 2011

A Clareza da Palavra de Deus

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Qualquer pessoa que já tenha começado a ler a Bíblia seriamente percebe que algumas partes podem ser bem facilmente entendidas, enquanto outras parecem enigmáticas. Na verdade, bem no início da história da igreja Pedro já lembrava aos seus leitores que algumas partes das epístolas de Paulo eram de difícil compreensão: “Como igualmente o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, ao falar acerca destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles” (2Pe 3.15-16). Precisamos admitir, portanto, que nem todas as partes das Escrituras podem ser compreendidas com facilidade.

A. A Bíblia freqüentemente afirma a sua própria clareza

A clareza da Bíblia e a responsabilidade dos crentes em geral de lê-la e compreendê-la são freqüentemente enfatizadas. Todo o povo de Israel deveria ser capaz de compreender as palavras das Escrituras, e compreendê-las bem o bastante para diligentemente ensiná-las aos filhos. Esse ensinamento certamente não seria mera memorização mecânica, destituída de compreensão, pois o povo de Israel deveria discutir as palavras das Escrituras sentado dentro de casa, nas atividades cotidianas, andando na rua, na hora de ir para a cama ou quando se levantasse de manhã.

B. As qualidades morais e espirituais necessárias para a correta compreensão

Os autores do Novo Testamento freqüentemente afirmam que a capacidade de compreender corretamente as Escrituras é mais moral e espiritual do que intelectual: “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1Co 2.14; cf. 1.18-3.4; 2Co 3.14-16; 4.3-4, 6; Hb 5.14; Tg 1.5-6; 2Pe 3.5; cf. Mc 4.11-12; Jo 7.17; 8.43). Assim, embora os autores do Novo Testamento afirmem que a Bíblia em si está escrita claramente, afirmam também que não será compreendida corretamente por quem não se dispuser a receber os seus ensinamentos.

C. Definição de clareza das Escrituras

Para resumir essa matéria bíblica, podemos afirmar que a Bíblia é escrita de forma tal que todas as coisas necessárias para nossa salvação e para nossa vida e crescimento cristão encontram-se bem claramente expostas nas Escrituras. Embora os teólogos às vezes definam a clareza das Escrituras de modo mais estreito (dizendo, por exemplo, apenas que as Escrituras são claras no ensino do caminho da salvação), os muitos textos citados acima se aplicam a vários aspectos diferentes do ensino bíblico e não parecem sustentar nenhuma limitação com relação a temas sobre os quais se pode dizer que as Escrituras não falam claramente.

D. Por que as pessoas compreendem erradamente as Escrituras?

Durante a vida de Jesus, seus próprios discípulos às vezes demonstravam não compreender o Antigo Testamento e os próprios ensinamentos de Cristo (ver Mt 15.16; Mc 4.10-13; 6.52; 8.14-21; 9.32; Lc 18.34; Jo 8.27; 10.6). Embora às vezes isso se devesse ao fato de que eles simplesmente precisavam aguardar eventos futuros da história da redenção, especialmente da vida do próprio Cristo (ver Jo 12.16; 13.7; cf. Jo 2.22), também houve oportunidades em que isso se deveu à sua falta de fé ou dureza de coração (Lc 24.25).

E. O incentivo prático derivado dessa doutrina

A doutrina da clareza das Escrituras, portanto, tem uma implicação prática muito importante e em última instância bastante encorajadora. Ela nos diz que nos pontos em que há desacordo doutrinário ou ético (por exemplo, quanto ao batismo, à predestinação ou ao governo da igreja), só há duas causas possíveis dessas discordâncias:

(1) de um lado, pode ser que estejamos buscando fazer afirmações sobre pontos em que as próprias Escrituras se calam. Nesses casos, devemos estar prontos a admitir que Deus não deu resposta à nossa dúvida, aceitando as diferenças de pontos de vista dentro da igreja. (Isso sempre ocorrerá em questões bem práticas, como os métodos de evangelização, os estilos de ensino bíblico ou o tamanho apropriado da igreja.)

(2) Por outro lado, é possível que tenhamos cometido erros na nossa interpretação das Escrituras. Isso pode ter ocorrido porque as informações que usamos para decidir uma questão de interpretação eram imprecisas ou incompletas. Ou talvez porque haja alguma deficiência pessoal da nossa parte, como, por exemplo, orgulho pessoal, ganância, falta de fé, egoísmo ou mesmo dedicação insuficiente de tempo para ler e estudar as Escrituras com devoção.

F. O papel dos estudiosos

Diante disso, será que os estudiosos da Bíblia e aqueles dotados de conhecimento especializado de hebraico (para o Antigo Testamento) e grego (para o Novo Testamento) ainda têm algum papel a desempenhar? Certamente sim, e em pelo menos quatro áreas:

1. Eles podem ensinar claramente as Escrituras, transmitindo o seu conteúdo aos outros e assim desempenhando o ofício de “mestre” mencionado no Novo Testamento (1Co 12.28; Ef 4.11).

2. Podem examinar novos campos de compreensão dos ensinamentos das Escrituras.

Esse exame raramente (se tanto) envolverá negação dos ensinamentos centrais que a igreja vem sustentando ao longos dos séculos, mas muitas vezes implicará a aplicação das Escrituras a novos aspectos da vida, respostas a perguntas difíceis suscitadas tanto por crentes quanto por descrentes a cada novo período da história e a contínua atividade de aperfeiçoamento e aprimoramento da compreensão da igreja acerca de pontos específicos da interpretação de determinados versículos ou questões doutrinárias ou éticas.

3. Podem defender os ensinamentos da Bíblia contra os ataques de outros estudiosos ou de pessoas dotadas de conhecimento técnico especializado. O papel de ensinar a Palavra de Deus às vezes implica também corrigir falsos ensinos. O cristão precisa ser capaz não só de “exortar pelo reto ensino” mas também de “convencer os que o contradizem” (Tt 1.9; cf. 2Tm 2.25, “disciplinando com mansidão os que se opõem”; e Tt 2.7-8).

4. Podem complementar o estudo das Escrituras em prol da igreja. Os estudiosos bíblicos muitas vezes têm treinamento que lhes permite associar os ensinamentos das Escrituras à rica história da igreja e tornar mais precisa a interpretação das Escrituras e mais vívido o seu significado com um maior conhecimento das línguas e culturas nas quais a Bíblia foi escrita.
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Teologia Sistemática. Wayne Grudem, Edições Vida Nova. Parte 1 - A Doutrina da Palavra de Deus – p. 23 - 96

segunda-feira, 21 de março de 2011

Pode um crente cheio do Espírito Santo ficar possesso por demônios?

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Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. (Efésios 6:12)

A Palavra de Deus afirma que todo cristão está em uma frequente batalha, as afirmações do apóstolo Paulo em Efésios deixa claro para nós que esta batalha não é contra seres humanos, mas sim contra principados e potestades, contra os dominadores deste sistema mundial em trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais (Ef 6.12 KJV). As afirmações de Paulo nos levam a uma certeza: o crente está numa batalha espiritual. Entretanto, o grande questionamento é: em que proporções essa batalha ocorre, qual é de fato a relação do cristão nela em função de sua vida no mundo?

Este assunto é bastante extenso, há um número corriqueiro de literaturas que tentam explicar, algumas de forma até fantasiosa, esses mistérios envolvendo o mundo invisível, há também, por outro lado, um vasto número de experiências empíricas que produzem as mais diversas conclusões a respeito do assunto. Entretanto, propomos no presente artigo uma análise a respeito da atuação de Satanás na vida do cristão. Teria ele poder de possuir um crente salvo em Jesus? Teria ele o poder de ocasionar doenças em um crente salvo em Jesus, levando-o até mesmo à morte? Quais as implicações da graça de Deus e do sacrifício na cruz de Jesus na vida daqueles que são lavados no sangue de Cristo?

Há um movimento, chamado movimento de batalha espiritual, que acredita que a resposta para essas questões é sim. Acreditam que um crente, mesmo sendo fiel a Jesus, pode sim sofrer ataques e até mesmo possessão demoníaca. Infelizmente, boa parte dessa literatura se baseia no empirismo [1], ou seja, baseia-se em experiências vividas, em relatos de pessoas endemoninhadas e coisas do gênero. Mas, biblicamente temos razões para acreditar que a resposta para tal possessão (de um crente fiel a Cristo, lavado pelo seu sangue na cruz) seja não.

A morte de Cristo na cruz inaugurou uma nova etapa para a vida, a etapa da cruz. Na cruz Jesus conquistou uma nova vida para o crente e promoveu um resgate das trevas, porque “sabemos que os filhos de Deus não continuam pecando, porque o filho de Deus os guarda, e o Maligno não pode tocar neles” (IJo 5.18 NTLH). De igual modo, os reformadores possuíam uma convicção firme a respeito disso. Martinho Lutero, em sua poesia Castelo Forte cantada no Brados de Júbilo, afirma: “Se nos quisessem devorar demônios não contados, não nos podiam assustar, nem somos derrotados. O grande acusador dos servos do Senhor já condenado está; vencido cairá por uma só palavra”.

Os cuidados que precisamos ter nessa questão são dois: o primeiro é o de não superestimar as atitudes de Satanás, dando ênfase demasiada às suas atitudes; o outro é não subestimar, pensar que Satanás não existe. A existência de Satanás é algo concreto. No livro do Gênesis, no capítulo 3, é-nos contado que esse ser já atuava desde o início da criação. No entanto, nas páginas do Antigo Testamento, sua ação parece não ganhar muito destaque. Esse assunto não parece despertar grande interesse nos autores do Antigo Testamento. Devido a isso, são poucas as passagens relevantes.

Uma das únicas passagens que parece apresentar a ideia de possessão no Antigo Testamento é o caso de Saul, no capítulo 16 do primeiro livro de Samuel (não estamos afirmando aqui que o caso de Saul fosse de possessão, mas apenas uma referência que pode apresentar uma ação de Satanás; ao que tudo indica, o caso de Saul era de opressão, e não de possessão). A situação, no entanto, parece mudar nas narrativas dos evangelhos, onde os demônios aparecem atuando mais claramente. A manifestação explícita da ação de Satanás e de seus demônios se dá com a chegada de Cristo e com a inauguração do Reino de Deus. Na chegada do Reino de Deus através de Jesus, a ação de Satanás e de seus demônios não só é revelada como desafiada. Toda estrutura demoníaca é exposta e combatida por Jesus. Os evangelhos utilizam normalmente a palavra grega daimonion ou daimon, que se referem a seres espirituais hostis a Deus e aos homens. São espíritos maus, que atuam sob o comando de Satanás. São espíritos destituídos de corpo físico, tendo a capacidade de entrar numa pessoa.

Costumeiramente tem-se a tendência de dizer que a ideia de possessão era a maneira do povo do primeiro século referir-se a condições que hoje seriam chamadas de enfermidades mentais ou loucura. No entanto, os relatos dos evangelhos parecem fazer uma distinção clara entre doença e possessão. Por exemplo, Mt 4.24 diz-nos que eram trazidos “todos os que estavam padecendo de vários males e tormentos: endemoninhados, epiléticos e paralíticos”. A ideia de possessão na Bíblia tem a ver com o fato de uma pessoa ser tomada, ser habitada por um demônio. O termo utilizado para expressar essa ideia de possessão vem do grego Daimonizomai, ser possuído por demônio, ser endemoninhado, agir sob o controle de um demônio. Segundo o dicionário VINE, aqueles que são afligidos dessa maneira expressam a mente e a consciência do demônio ou demônios que neles habita (Lc 8.28). O termo aparece 7 vezes em Mateus, 4 em Marcos, uma vez em Lucas e João.

A Bíblia não informa sobre as condições que possibilitam uma pessoa ficar possessa, Cristo nos fala em Mt 12.44,45 que uma “casa vazia” pode ser ocupada. Podemos entender, através dos termos utilizados, que a ideia de possessão tem a ver com a habitação. O cristão é templo, habitação, morada do Deus Trino (Jo 14.16,17; 22,23; ICo 6.19), sendo assim, podemos deduzir logicamente que quem não tem a santa Trindade vivendo nele, está sujeito a ter como hóspede a Satanás (Mt 12.43-45; Lc 11.24-26). Não queremos dizer com isso que todo não crente está possesso, mas que a possessão ocorre na casa vazia, onde a santa Trindade não habita. Os demônios agem também através da influência demoníaca. A influência ocorre fora do corpo. A ideia de influência é muito clara na Bíblia. Satanás influencia Eva, sopra-lhe ideias que a levam a ir contra a ordem de Deus (Gn 3.1-5). Ele também influencia Davi, levando-o a fazer um recenseamento do povo (ICr 21.1). Na tentação de Jesus, todo o esforço de Satanás é de influenciá-lo a tal ponto de fazer com que ele caísse em suas propostas.

Satanás e seus demônios não podem possuir ou tomar o corpo dos crentes em Jesus, pois estes são moradas da Trindade. No entanto, ele pode influenciá-los, levando-os a pecar no intuito de afastá-los de Deus. A Bíblia nos orienta a resistir ao Diabo (Tg 4.7; IPe 5.8,9). Cada vez que um crente defende ou toma para si ideias malignas, seja em sistemas políticos, religiosos, artísticos, culturais, ele está sendo influenciado por Satanás, mas não possuído.

Que um verdadeiro cristão, um nascido de novo, não pode ficar possesso isso é inquestionável. “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não está no pecado; aquele que nasceu de Deus o protege, e o Maligno não o atinge”, I Jo 5.18. Porém, a garantia de proteção é condicional: não estar no pecado, também conforme I Jo 1.7: “Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado”. Quando não andamos na Luz, nós nos afastamos da comunhão e da proteção, mesmo frequentando a igreja. Com isso não estamos dizendo que qualquer crente em Jesus que pecar pode ficar possesso, o fato de o crente cair em pecado não dá o direito de o inimigo possuí-lo. O que queremos dizer com o “deixar de andar na Luz” é o mesmo que apostasia, quando o crente peca de forma deliberada e não busca o arrependimento. Para entendermos melhor, gostaria de traçar aqui um paralelo entre o herege e o apóstata. O herege é alguém que caiu em algum tipo de erro doutrinário, por consequência comete erro em sua conduta moral. Mais de modo geral continua sendo discípulo de Cristo, podendo ser restaurado. Em Tt 3.10, o apóstolo Paulo indica que há possibilidade de recuperação no início.

Segundo Champlin, na igreja pós-apostólica alguém era considerado apóstata mediante a renúncia da fé ou mediante o lapso moral, por haver cometido grandes pecados conscientemente e deliberadamente como o adultério e homicídio, sem se arrepender dos mesmos. Portanto, o apóstata é aquele que se afasta de Cristo, deixando de andar na luz, praticando pecado deliberadamente, mesmo estando na igreja. Pois há dois tipos de apóstata: o revelado, que assume seu estado, e o velado, que se afastou de Cristo, mas não da igreja por ter amigos e alguns privilégios.

Algo importante para se trazer à baila nesta discussão é saber diferenciar as doenças circunstanciais de uma possessão demoníaca. As mazelas do mundo ocorrem também de forma circunstancial, ou seja, como uma consequência da queda no Éden. A queda causou uma verdadeira catástrofe em todo o universo, é nesse sentido que Paulo afirma aos romanos: “sabemos que até hoje toda a criação geme e padece, como em dores de parto. E não somente ela, mas igualmente nós, que temos os primeiros frutos do Espírito, também gememos em nosso íntimo, esperando, com ansiosa expectativa, por nossa adoção como filhos, a redenção do nosso corpo”. A teologia chamará de mal moral e mal circunstancial. O mal moral é o pecado em todas as suas formas. Já o mal circunstancial é o mal que decorre do mal moral, que resulta em sofrimento, miséria, dores e doenças.

Já é certo que os cristãos estão sujeitos às mesmas mazelas no mundo, ou seja, também passam por privações, também são sujeitos a dores e sofrimento, assim como a doenças. O que não podemos fazer é confundir fatores clínicos com possessão demoníaca. É notadamente comum estabelecermos tais relações, principalmente quando estamos lidando com partes pouco conhecidas da mente humana. Doenças relacionadas ao cérebro são comumente confundidas com demônios. Uma breve consulta aos manuais de psiquiatria nos dá uma vasta lista de doenças relacionadas ao cérebro, do ponto de vista psiquiátrico temos: esquizofrenia, todos os variados tipos de neurose, depressão, psicose. As doenças neurológicas são diversas também: autismo, dislexia, encefalite, Alzheimer, Parkinson, entre outras. Temos ouvido a esse respeito e visto, ao longo da história, diversos crentes fiéis a Jesus Cristo passarem por essas doenças, assim como acompanhamos o sofrimento de suas famílias, casos como estes não podem ser confundidos ou mesmo relacionados com qualquer relação diabólica. Não estamos querendo dizer com isso que Satanás e seus demônios não estejam ativos no mundo; sim, estão, e provocam males sem fim à sociedade, entretanto, tais atos malignos não podem ser confundidos quando o que se deve tratar na verdade são doenças que atacam os seres humanos. Ainda há um grande mistério quando o assunto é a mente, uma histeria pode ser resultante de um grande stress emocional levando a pessoa ao choro teatral, ou mesmo à paralisia de membros do corpo .

Diante do exposto, conclusivamente podemos afirmar que a resposta para essa questão - se um crente salvo em Jesus pode ficar endemoninhado - é não. Embora o espaço não seja suficientemente grande para exaurirmos o assunto, é possível concluir, partindo de uma premissa simples: a vitória de Cristo na cruz. A vida do cristão parte da cruz de Cristo, e a Bíblia afirma em toda a extensão do Novo Testamento que na cruz Cristo derrotou todas as forças do mal. Cristo padece, morre e ressuscita; e como resultado dessa ação sobrenatural, ele declara vitória sobre as forças do mal para toda a eternidade. Este cenário é muito claro nas Escrituras: “despojando os principados e potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz”, Colossenses 2.14 e 15. A cruz de Cristo é o lugar onde ele triunfa sobre todas as potestades e principados do mal. Essa linguagem usada por Paulo é uma linguagem militar, retrata um soldado vencedor que despoja o derrotado de suas vestes e de suas armas, deixando-o completamente desarmado. Esse estado de Satanás nos permite ficarmos tranquilos em Cristo. São diversas as citações bíblicas que garantem ao crente em Cristo tranquilidade diante de Satanás, e todas elas expõem de forma direta um inimigo já derrotado por Cristo (Gn 3.15; Mc 3.26-27; Jo 12.31,33; 14.30; 16.8-11; Hb 2.14-15; Ap 20.1-3) . Outros textos poderiam ser citados, mas entendemos que estes são suficientes para determinar com clareza que Satanás já está derrotado por Cristo na cruz.

Como foi exposto acima, o crente pode sofrer tentações, pode sofrer os males ocasionados por este mundo, que aguarda ansioso a redenção em Cristo, mas um crente fiel em Cristo não pode ser possuído por Satanás. Ainda que tentado pelo Diabo, a Bíblia deixa claro de que forma ele (Diabo) deve ser resistido, ou seja, assumindo uma postura que considere à sua frente a cruz de Cristo e todas as suas implicações para os salvos no sangue de Cristo. Em outras palavras, a Bíblia nos orienta a vivermos através da perspectiva da cruz, escondidos no sacrifício de Cristo, vitoriosos através da sua vitória na cruz.

[1] - Na filosofia, Empirismo é um movimento que acredita nas experiências como únicas (ou principais) formadoras das ideias, discordando, portanto, da noção de ideias inatas.
O empirismo é descrito-caracterizado pelo conhecimento científico, a sabedoria é adquirida por percepções; pela origem das idéias por onde se percebe as coisas, independente de seus objetivos e significados; pela relação de causa-efeito por onde fixamos na mente o que é percebido atribuindo à percepção causas e efeitos; pela autonomia do sujeito que afirma a variação da consciência de acordo com cada momento; pela concepção da razão que não vê diferença entre o espírito e extensão, como propõe o Racionalismo e ainda pela matemática como linguagem que afirma a inexistência de hipóteses.
Na ciência, o empirismo é normalmente utilizado quando falamos no método científico tradicional (que é originário do empirismo filosófico), o qual defende que as teorias científicas devem ser baseadas na observação do mundo, em vez da intuição ou da fé, como lhe foi passado.
O termo tem uma etimologia dupla. A palavra latina experientia, de onde deriva a palavra "experiência", é originária da expressão grega εμπειρισμός. Por outro lado, deriva-se também de um uso mais específico da palavra empírico, relativo aos médicos cuja habilidade derive da experiência prática e não da instrução da teoria.


Bibliografia:

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ERICKSON, Millard J. Introdução à Teologia Sistemática. Vida Nova, 1997.

PEARLMAN, Myer. Conhecendo as Doutrinas da Bíblia. Vida, 2006.

LOPES, Augustus Nicodemos. O que Você Precisa Saber sobre Batalha Espiritual. Cultura Cristã, 2001.

Bíblia King James Atualizada. Edição de Estudos, Abba Press, 2007.

Bíblia de Estudos NVI. Editora Vida.

Bíblia de Estudos Almeida, RA. Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

BUBECK, Mark I. O adversário. São Paulo, Editora Vida Nova, 2ª edição, 2009.

BUBECK, Mark I. Vencer o adversário. São Paulo, Editora Vida Nova, 1993.

THOMPSON, Carroll. Feridas Satânicas. Rio de Janeiro, Graça Editorial, fevereiro,1999.

REDDIN, Opal. Confronto de poderes. São Paulo, Editora Vida, 1996.

Uma introdução ao estudo da psicologia. Editora Saraiva, 2004.

DOUGLAS, J. D. Novo dicionário da Bíblia. CPAD.


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DEC
PCamaral

domingo, 20 de março de 2011

As Cruzadas [2]

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Por volta do ano 1000, aumentou muito a peregrinação de cristãos para Jerusalém, pois corria a crença de que o fim dos tempos estava próximo e, por isso, valeria a pena qualquer sacrifício para evitar o inferno. Incidentalmente, as Cruzadas contribuíram muito para o comércio com o Oriente.
Chama-se cruzada a qualquer um dos movimentos militares de inspiração cristã que partiram da Europa Ocidental em direção à Terra Santa (nome pelo qual os cristãos denominavam a Palestina) e à cidade de Jerusalém com o intuito de conquistá-las, ocupá-las e mantê-las sob domínio cristão. Estes movimentos estenderam-se entre os séculos XI e XIII, época em que a Palestina estava sob controle dos turcos muçulmanos. No médio oriente, as cruzadas foram chamadas de invasões francas, já que os povos locais viam estes movimentos armados como invasões e por que a maioria dos cruzados vinha dos territórios do antigo Império Carolíngio e se autodenominavam francos.

Os ricos e poderosos cavaleiros da Ordem de São João de Jerusalém (Hospitalários) e dos Cavaleiros Templários foram criados durante as Cruzadas. O termo é também usado, por extensão, para descrever, de forma acrítica, qualquer guerra religiosa ou mesmo um movimento político ou moral. O termo cruzada não era conhecido no tempo histórico em que ocorreu. Na época eram usadas, entre outras, as expressões peregrinação e guerra santa. O termo Cruzada surgiu porque seus participantes se consideravam soldados de Cristo, distinguidos pela cruz aposta a suas roupas. As Cruzadas eram também uma peregrinação, uma forma de pagamento a alguma promessa, ou uma forma de pedir alguma graça, e era considerada uma penitência. Por volta do ano 1000, aumentou muito a peregrinação de cristãos para Jerusalém, pois corria a crença de que o fim dos tempos estava próximo e, por isso, valeria a pena qualquer sacrifício para evitar o inferno. Incidentalmente, as Cruzadas contribuíram muito para o comércio com o Oriente.

Acontecimentos que antecederam as Cruzadas

Depois da morte de Maomé (632), ondas de exércitos árabes lançaram-se com novo fervor à conquista dos seus antigos dominadores, os bizantinos e os persas sassânidas, que vinham de décadas de guerra. Estes últimos, depois de serem esmagadoramente derrotados em algumas batalhas, levaram cerca de trinta anos para serem totalmente destruídos. Isto se deu mais pela extensão do seu império do que à sua resistência militar: o último Xá morreu em Cabul em 655. Os bizantinos resistiram  bem menos: cederam uma parte da Síria, Palestina, Egito e o norte de África, mas ao fim mantiveram sua capital Constantinopla. Em novo impulso, os exércitos muçulmanos lançaram-se sobre a Índia, a Península Ibérica, o sul de Itália, a França, e as ilhas mediterrâneas. Por ser, na época, uma civilização tolerante e brilhante ,sob o ponto de vista intelectual e artístico, o império muçulmano é acometido de gigantismo o que acosionou um enfraquecimento militar e politico. Aos poucos, as zonas mais longínquas tornaram-se independentes ou então foram recuperadas pelos seus inimigos, bizantinos, francos, reinos neogodos.

No século X, essa desagregação acentuou-se, em parte devido à influência de grupos de mercenários que se converteram ao Islã e tentaram criar reinos separados. Os turcos seljúcidas (não confundir com os turcos otomanos antepassados dos criadores do atual estado da Turquia) procuraram impedir esse processo e conseguiram unificar uma parte do território. Acentuaram a guerra contra os cristãos, esmagaram as forças bizantinas em Manzikiert em 1071 conquistando, assim, o leste e o centro da Anatólia e Jerusalém em 1078. Depois de um período de expansão nos séculos X e XI o Império Bizantino viu-se em sérias dificuldades: envoltos em revoltas de nômades ao norte da fronteira, e a perda dos territórios da península Itálica, conquistados pelos normandos. Internamente, a expansão dos grandes domínios em detrimento do pequeno camponês resultou numa diminuição dos recursos financeiros e humanos disponíveis ao estado. Como solução, o imperador Aleixo I Comneno decidiu pedir auxílio militar ao Ocidente para fazer frente à ameaça seljúcida.

O domínio dos turcos seljúcidas sobre a Palestina foi entendido pelos cristãos do Ocidente como uma ameaça e uma forma de repressão aos peregrinos e cristãos do Oriente. Em 27 de janeiro de 1095, no concílio de Clermont, o papa Urbano II exortou os nobres franceses a libertar a Terra Santa e a colocar Jerusalém de novo sob soberania cristã, motivou uma expedição militar alegando que isto seria como uma forma de penitência. A multidão presente aceitou entusiasticamente o desafio e logo partiu em direção ao Oriente, sobrepondo uma cruz vermelha sobre suas roupas (daí terem recebido o nome de "cruzados"). Assim começavam as cruzadas.

Segundo a tradição aconteceram nove Cruzadas

Tradicionalmente se fala em nove Cruzadas, mas, na realidade, elas constituíram um movimento quase permanente. Abaixo relacionamos os movimentos principais

Cruzada Popular ou dos Mendigos (1096)

A Cruzada Popular ou dos Mendigos (1096) foi um acontecimento extra-oficial que consistiu em um movimento popular que bem caracteriza o misticismo da época e começou antes da Primeira Cruzada oficial. O monge Pedro, o Eremita, graças a suas pregações comoventes, conseguiu reunir uma multidão. Entre os guerreiros, havia uma multidão de mulheres, velhos e crianças. Na busca de recursos financeiros para a longa viagem até a Palestina, estes cruzados buscaram infiéis ricos mais próximos de suas casas. Assim, começaram a atacar judeus europeus[3]. As primeiras vítimas foram os judeus da Renânia[3]. Inspirado por Pedro o Eremita, o conde Emich de Leisengen marcou a própria testa com queimadura em forma de cruz e liderou um grupo de peregrinos para atacar os judeus da cidade de Spier. Apesar da oposição do bispo católico da cidade, os peregrinos mataram muitos judeus que se recusaram a abraçar a fé cristã[3]. O mesmo bando seguiu depois até Worms, atacou a Judengasse e matou mais de mil judeus[3]. O grupo prosseguiu até Mainz, onde mais 990 judeus foram mortos[3]. Ataques a judeus ocorreram também Colônia, Trier, Metz, Praga e Ratisbona e o sentimento anti-judeus espalhou-se pela França e Inglaterra. [3].

Ante a impaciência da multidão, em Oedenburg (atual Sopron), Pedro despachou seu comandante militar Walter o Impiedoso com cinco mil cruzados. Ao chegar à cidade bizantina de Belgrado, os cruzados começaram a pilhar a área rural e 150 deles morreram em confronto com a população local. Auxiliado por um cavaleiro, Guautério Sem-Haveres, os peregrinos atravessaram a Alemanha, Hungria e Bulgária, causando desordens e desacatos, sendo em parte aniquilados pelos búlgaros.

Em 1 de agosto de 1096, chegaram em péssimas condições a Constantinopla[3]. Mal equipada e mal alimentada, essa cruzada massacrou, pilhou e destruiu. Ainda assim, o imperador bizantino Aleixo I Comneno recebeu os seguidores do eremita em Constantinopla. Prudentemente, Aleixo aconselhou o grupo a aguardar a chegada de tropas mais bem equipadas. Mas a turba começou a saquear a cidade. O imperador bizantino, desejando afastar esse "bando turbulento" de sua capital, obrigou-os a se alojar fora de Constantinopla, perto da fronteira muçulmana, e procurou incentivá-los a atacar os infiéis. Foi um desastre, pois a Cruzada dos Mendigos chegou muito enfraquecida à Ásia Menor, onde foi arrasada pelos turcos. Somente um reduzido grupo de integrantes conseguiu juntar-se à cruzada dos cavaleiros.
Pedro o Eremita mostra o caminho de Jerusalém aos cruzados (iluminura francesa, c.1270)
Durante um mês, mais ou menos, tudo o que os cavaleiros turcos fizeram foi observar a movimentação dos invasores, que se ocupavam apenas de saquear as regiões próximas do acampamento onde foram alojados. Até que, em agosto de 1096, o bando inquieto cansou-se de esperar e partiu para a ofensiva. Quando parte dos europeus resolveu partir em direção às muralhas de Niceia (atual İznik), cidade dominada pelos muçulmanos, uma primeira patrulha de soldados do sultão turco Kilij Arslan foi enviada, sem sucesso, para barrá-los. Animado pela primeira vitória, o exército do Eremita continuou o ataque a Niceia, tomou uma fortaleza da região e comemoraram embriagando-se, sem saber que estavam caindo numa emboscada. O sultão mandou seus cavaleiros cercarem a fortaleza e cortarem os canais que levavam água aos invasores. Foi só esperar que a sede se encarregasse de aniquilá-los e derrotá-los, o que levou cerca de uma semana.

Quanto ao restante dos cruzados maltrapilhos, foi ainda mais fácil exterminá-los. Tão logo os francos tentaram uma ofensiva, marchando lentamente e levantando uma nuvem de poeira, foram recebidos por um ataque de flechas. A maioria morreu ali mesmo, já que não dispunha de nenhuma proteção. Os que sobreviveram fugiram em pânico. O sultão, que havia ouvido histórias temíveis sobre os francos, respirou aliviado. Mal imaginava ele que aquela era apenas a primeira invasão e que cavaleiros bem mais preparados ainda estavam por vir.

Primeira Cruzada (1096-1099)

Rota dos líderes da primeira cruzada, por William Shepherd, Atlas Histórico, 1911.
Foi chamada também de Cruzada dos Nobres ou dos Cavaleiros. Ao pregar e prometer a salvação a todos os que morressem em combate contra os pagãos (leia-se, muçulmanos) em 1095, o papa Urbano II estava criando um novo ciclo. É certo que a ideia não era totalmente nova: parece que já no século IX se declarara que os guerreiros mortos em combate contra os muçulmanos na Sicília mereciam a salvação. As várias versões que nos restam do seu apelo mostram que Urbano relatou também os infortúnios dos cristãos do oriente, e sublinhou que se até então os cavaleiros do ocidente habitualmente combatiam entre si perturbando a paz, poderiam agora lutar contra os verdadeiros inimigos da fé, colocando-se à serviço de uma boa causa. O apelo foi feito a todos sem distinção, pobres ou ricos. E foi, de fato, o que sucedeu. Mas os ricos e pobres rapidamente formaram cruzadas separadas.

Por volta de 1097, um exército de trinta mil homens, dentre eles muitos peregrinos, cruzou a Ásia Menor, partindo de Constantinopla. A cruzada dos cavaleiros, apesar de possuir recursos, progredia devagar. Fizeram um acordo com o imperador de Bizâncio de lhe devolver os territórios conquistados pelos turcos. Liderada por grandes senhores, levava desde proprietários a filhos da nobreza. Esse acordo seria,  futuramente, desrespeitado à medida que foram surgindo mal-entendidos entre as duas partes.

A tomada de Jerusalém durante a Primeira Cruzada em 1099
Os bizantinos formaram um grupo de mercenários solidamente enganjados, aos quais se pagava o soldo e que eram obededientes às ordens - não como aquelas turbas indisciplinadas; os cruzados não estavam dispostos, depois de tantos sacrifícios a entregar o que conquistraram. Apesar da animosidade entre os líderes e das promessas quebradas entre os cruzados e os bizantinos, a Cruzada prosseguiu. Os turcos estavam simplesmente desorganizados. A cavalaria pesada e a infantaria franca não tinha experiência em lutar contra a cavalaria leve e arqueiros turcos, e vice-versa. A resistência e a força dos cavaleiros venceram a campanha em uma série de  batalhas, a maioria muito difíceis.

Em 19 de junho de 1097, os cruzados cercaram e tomaram Niceia (atual İznik), devolvendo-a aos bizantinos, e logo tomaram o rumo de Antioquia. Em julho, foram atacados pelos turcos em Dorileia, mas conseguiram vencê-los e, após penosa marcha, chegaram aos arredores de Antioquia em 20 de outubro. A cidade de Antioquia somente cairia, após longo cerco, a 3 de junho de 1098, com a ajuda de um sentinela armênio que facilitou a entrada dos cruzados nas muralhas da cidade. Seguiu-se um saque terrível da população muçulmana da cidade, que ficou na posse de Boemundo de Taranto, o chefe dos normandos.

Cruzados (Larousse, 1922)
Godofredo de Bulhão, após longo cerco, conquistou Jerusalém atacando uma guarnição fraca em 1099. A repressão foi violenta. Segundo o arcebispo Guilherme de Tiro, a cidade oferecia tal espetáculo, tal carnificina de inimigos, tal derramamento de sangue que os próprios vencedores ficaram impressionados de horror e descontentamento. Godofredo de Bulhão ficou só com o título de protetor e, após  sua morte, Balduíno, seu irmão, proclamou-se rei. Os cristãos, nas duas conquistas, massacraram muito dos residentes, indiferentemente da idade, fé ou sexo. Após a vitória, era preciso organizar a conquista. Surgiram quatro estados cruzados, conhecidos coletivamente como Outremer ("Ultramar"), do norte para o sul: o Condado de Edessa, o Principado de Antióquia, o Condado de Trípoli, e o Reino de Jerusalém.

O sucesso da primeira cruzada pelas indisciplinadas tropas foi até certo ponto uma surpresa e ocorreu porque os cruzados chegaram num momento de desordem naquela periferia do mundo islâmico. Uma vez conquistado o território ao inimigo, os cruzados, cujos desentendimentos com os bizantinos começaram ainda durante a campanha, não mais quiseram devolver as terras aos seus irmãos de fé cristã do Império Bizantino. Muitos dos combatentes retiraram-se uma vez conquistada Jerusalém (incluindo os grandes senhores), mas um núcleo ficou (fala-se de algumas centenas de cavaleiros e um milhão de homens a pé). As cidades principais (como Antioquia, Edessa) tornaram-se capitais de principados e reinos (embora Jerusalém fosse de certo modo o centro político e religioso), com outras marcas a protegê-los.

O sistema feudal foi transplantado para oriente com algumas alterações: muitas vezes, em vez de receber feudos, os cavaleiros eram pagos com direitos ou rendas (modalidade que existia também na Europa). As cidades mercantis italianas tornaram-se fundamentais para a sobrevivência desses estados: permitiram a chegada de reforços e interceptar os movimentos das esquadras muçulmanas, tornando o Mediterrâneo novamente um mar navegável pelos ocidentais. Mas rapidamente os muçulmanos iriam reagir. De qualquer modo, nos anos seguintes, com a euforia da vitória, mais voluntários seguiram para o Oriente. Os contingentes seguiam por nacionalidades, continuando pouco organizados. As motivações eram variáveis: alguns pretendiam obter novos feudos, ou redimir-se das suas faltas, e havia também aqueles que "apenas" pretendiam ganhar batalhas, cobrir-se de glória, bênçãos espirituais, e voltar para a sua terra.

Os governantes cruzados encontravam-se em grande desvantagem numérica em relação às populações muçulmanas que eles tentavam controlar. Assim, construíram castelos e contrataram tropas mercenárias para mantê-los sob controle. A cultura e a religião dos francos era muito estranha para cativar os residentes da região. Dos seguros castelos, os cruzados interceptavam cavaleiros árabes. Por aproximadamente um século, os dois lados mantiveram um clássico conflito de guerrilha. Os cavaleiros francos eram muito fortes, mas lentos. Os árabes não aguentavam um ataque da cavalaria pesada, mas podiam cavalgar em círculo em volta dela, na esperança de incapacitar as unidades dos francos e fazer emboscadas no deserto. Os reinos cruzados localizavam-se, em sua maioria, no litoral, pelo qual eles podiam receber suprimentos e reforços, mas as constantes incursões e o populacho mostravam que eles não eram um sucesso econômico.

A Máquina de Guerra dos Cruzados, Gustave Doré (1832-1883)
Ordens de monges cavaleiros foram formadas para lutar pelas terras sagradas. Os Cavaleiros templários e hospitalários eram, em sua maioria, francos. Os cavaleiros teutônicos (Teutonicorum) eram germânicos. Esses eram os mais bravios e determinados dos cruzados, mas nunca eram suficientes para fazer a região ficar segura. Os reinos cruzados sobreviveram por um tempo, em parte porque aprenderam a negociar, conciliar e jogar os diferentes grupos árabes uns contra os outros.

Por volta do ano 1100, uma nova expedição partiu. Chegados a Constantinopla, levantaram-se discussões com os bizantinos que estavam fartos de ter aqueles vizinhos incómodos que pilhavam a terra, portavam-se de uma forma muito mais brutal em guerra, e ficavam com o que conquistavam (para além das diferenças culturais e religiosas). Entretanto, os turcos estavam a unificar-se para tentar fazer face a estas ameaça. Evitando combates directos até ao último momento contra a cavalaria pesada cristã, usaram tácticas de emboscadas. Em Mersivan, esmagaram um dos exércitos cristãos (o dos lombardos e francos) que fora abandonado pelos seus líderes e cavaleiros (que fugiram). Estes foram severamente criticados pela fuga, assim como Alexio, imperador de Bizâncio, por não ter dado apoio. Outro grupo, o exército de Nivernais, também foi destruído de forma similar (com fuga de líderes incluída). A expedição da Aquitânia portou-se melhor: ao menos os cavaleiros ficaram a combater e morrer juntamente com o povo. Alguns poucos conseguiram fugiram para Constantinopla. Três exércitos aniquilados em dois meses, enquanto que o pequeno exército de Jerusalém (com o membros da Primeira Cruzada) derrotava um exército egípcio.

Por alguns anos, não foram pregadas mais cruzadas, e os territórios cristãos no oriente tiveram de se aguentar por conta própria. Assumiram como padroeiro São Jorge da Capadócia, exemplo de cavaleiro cristão, e seu brasão de armas, a cruz vermelha num escudo branco. O condado de Edessa caiu em 1144, sob Zangi, governante de Alepo e Mosul. Caíram mais tarde Antioquia em 1268, Trípoli em 1289 e o último posto dos Cruzados, Acre, durou até 1291.

Segunda Cruzada (1147-1149)

A morte de Frederico Barbarossa, por Gustave Doré (1832-1883)
Em 1145, foi pregada uma nova cruzada por Eugénio III e São Bernardo. A perda do Condado de Edessa provocou a organização dessa cruzada. Desta vez foram reis que responderam ao apelo: Luís VII da França e Conrado III do Sacro Império, para nomear os mais importantes. Curiosamente, os continentes flamengos e ingleses acabaram por conquistar Lisboa e voltar para as suas terras na sua maioria, uma vez que eram concedidas indulgências para quem combatia na Península Ibérica. O exército de Conrado acabou esmagado pelos turcos num momento de repouso. O que sobrou juntou-se aos franceses, com o apoio dos templários. Com algumas dificuldades de transporte, mais uma vez uma parte do exército teve de ser abandonada para trás (sobretudo os plebeus a pé), e estes tiveram de abrir caminho contra os turcos.

Luís VII e Conrado em Jerusalém, depois de algumas discussões, acabaram por ser convencidos a atacar Damasco, mas ao fim de poucos dias tiveram que se retirar perante a ameaça de uma parte dos nobres fazê-lo por conta própria. O resultado desta cruzada foi miserável (se excetuarmos a conquista de Lisboa), tendo sucesso apenas em azedar as relações entre os reinos cruzados, os bizantinos e os governantes muçulmanos amigáveis. Nenhuma nova cruzada foi lançada até a um novo acontecimento: a conquista de Jerusalém pelos muçulmanos em 1187. Os cristãos enfrentavam um adversário decidido, Saladino.

Terceira Cruzada (1189-1192)

A Terceira Cruzada, pregada pelo Papa Gregório VIII após a tomada de Jerusalém pelo sultão Saladino em 1187, foi denominada Cruzada dos Reis. É assim denominada pela participação dos três principais soberanos europeus da época: Filipe Augusto (França), Frederico Barbaruiva (Sacro Império Romano-Germânico) e Ricardo Coração de Leão (Inglaterra). O imperador Frederico Barbaruiva, atendendo os apelos do papa, partiu com um contingente alemão de Ratisbona e tomou o itinerário danubiano atravessando com sucesso a Ásia Menor, porém afogou-se na Cilícia ao atravessar o Sélef (atual rio Göksu ). A sua morte representou o fim prático desse núcleo. Os reis de França e Inglaterra passaram o tempo todo a querelar-se, até que aquele se retirou. Se Ricardo Coração de Leão conseguiu alguns actos notáveis (a conquista de Chipre, Acre, Jaffa e uma série de vitórias contra efectivos superiores) também não teve pejo em massacrar prisioneiros (incluindo mulheres e crianças). Com Saladino, teve um adversário à altura, combatendo e travando um subtil táctico. Em 1192, acabou-se por chegar a um acordo: os cristãos mantinham o que tinham conquistado e obtinham o direito de peregrinação, desde que desarmados, a Jerusalém (que ficava em mãos muçulmanas).

Se esse objectivo principal falhara, alguns resultados tinham sido obtidos: Saladino vira a sua carreira de vitórias iniciais entrar num certo impasse e o território de Outremer (o nome que era dado aos reinos cruzados no oriente) sobrevivera.

Quarta Cruzada (1202-1204)

O doge Dandolo, de Veneza, pregando a cruzada (Gustave Doré)
A Quarta Cruzada foi denominada também de Cruzada Comercial, por ter sido desviada de seu intuito original pelo doge (duque) Enrico Dandolo, de Veneza, que levou os cristãos a saquear Zara e Constantinopla, onde foi fundado o Reino Latino de Constantinopla, fazendo com que o abismo entre as igrejas Ocidental e Oriental se estabelecesse definitivamente. O Papa Inocêncio III apelou a uma cruzada em 1198 para conquistar Jerusalém (o objectivo falhado da Terceira Cruzada), mas os preparativos começariam dois anos depois. Vários grandes senhores trouxeram exércitos e estipularam um acordo com Veneza que transportaria essas tropas na sua frota em troca de uma quantia. O problema é que muitos dos senhores acabaram por não ir, e os que foram não tinham condições para pagar o valor estipulado (que era fixo).

A entrada dos cruzados em Constantinopla, de Eugène Delacroix.
Foi criado um novo acordo então: os cruzados conquistariam Zara, uma cidade veneziana na Dalmácia que se revoltara, em troca de um adiamento do pagamento. Entretanto chegaram notícias de Bizâncio. O Imperador Isaac II fora derrubado pelo seu irmão Aleixo III e fora cegado. O filho de Isaac II, de nome Aleixo IV, conseguira fugir e apelara aos cruzados para o ajudarem: em troca de o colocarem no trono prometia-lhes dinheiro e os recursos do império para a conquista de Jerusalém. Ainda hoje os historiadores discutem se as coisas se passaram assim ou se foi uma justificação para o que se iria suceder. Os cruzados aceitaram imediatamente uma vez que isso parecia resolver os seus problemas. Partiram em 1202. O Papa considerou que se atacassem território cristão (nomeadamente Zara) ficariam excomungados. A cidade foi conquistada e depois de deixarem passar o Inverno atacaram Constantinopla. A cidade resistiu, mas o imperador Aleixo III acabou por fugir com o tesouro da cidade.

Com novos impostos a ser lançados para pagar as promessas feitas aos cruzados, rapidamente a população ficou à beira da revolta. Aleixo V, um parente afastado fez um golpe matando Aleixo IV e colocando novamente na prisão Isaac II que fora libertado pelos cruzados e governara com o filho.

Os cruzados decidiram então conquistar em proveito próprio o império, nomear um imperador latino e dividir os territórios. Aleixo fugiu com algum tesouro e a cidade foi saqueada pelos latinos durante três dias. Estátuas, mosaicos, relíquias, riquezas acumuladas durante quase um milénio foram pilhadas ou destruídas durante os incêndios. A cidade sofreu um golpe tão terrível que nunca mais conseguiu se recompor, mesmo depois de voltar a ser grega em 1261. E assim terminou a Quarta Cruzada, pois ninguém pensou mais em dirigir-se para Jerusalém: a maioria regressou com o que roubara, alguns ficaram com feudos no oriente.

Cruzada Albigense

Depois da Quarta Cruzada: Império Latino, Império de Niceia, Império de Trebizonda e o Despotado do Épiro. As fronteiras são incertas.
Geralmente é aceito pela maioria dos estudiosos que o catarismo surgiu em meados de 1143, quando surgiram os primeiros relatos de um grupo defendendo crenças similares em Colónia pela clérigo Eberwin de Steinfeld,[4] o catarismo acreditava no dualismo, professando a existência de um deus do Bem e outro do Mal, Cristo seria o deus do bem enviado para salvar as almas humanas, após a morte as almas boas iriam para o céu, enquanto as más iriam praticar metempsicose.[5] Os cátaros eram especialmente numerosos em Occitânia (sul da atual França),[6] e sua liderança era protegida por nobres poderosos,[7] e também por alguns bispos, que se ressentiam da autoridade papal em suas dioceses. Em 1178 Henri de Marcy, legado do papa, qualificou as populações de implantação cátara com a alcunha em latim de sedes Satanae, sedes de Satã.[8]

Quando as tentativas diplomáticas do Papa Inocêncio III para reverter o catarismo falharam[9], mais proeminentemente o suposto assassinato do legado papal Pierre de Castelnau, Inocêncio III declarou uma cruzada contra o Languedoc em 1208. A Inquisição foi criada em 1229 para erradicar os cátaros remanescentes, operando no sul de Toulouse, Albi, Carcassonne e outras cidades durante todo o século XIII, e uma grande parte do século XIV, extirpando definitivamente o movimento.[10]

Cruzada das Crianças (1212)

A Cruzada das Crianças, por Gustave Doré (1832-1883)
A Cruzada das Crianças, é um misto de fantasia e fatos. A lenda baseia-se em duas movimentações separadas com origem na França e na Alemanha, no ano de 1212. Esta cruzada teria ocorrido entre a Terceira e a Quarta Cruzada e seria um movimento extra-oficial, baseado na crença que apenas as almas puras (no caso as crianças) poderiam libertar Jerusalém. A ideia teria surgido após a notícia de que Constantinopla, uma cidade cristã, tinha sido saqueada pelos cruzados, fazendo cristãos crerem que não se poderia confiar em adultos. Cinquenta mil crianças teriam sido colocadas em navios, saindo do porto de Marselha (França) rumo a Jerusalém. O resultado foi um desastre, pois a maioria das crianças morreu no caminho, de fome ou de frio. As que sobreviveram foram vendidas como escravas pelos turcos no Norte da África. Alguns chegaram somente até a Itália, outros se dispersaram, e houve aqueles que foram seqüestrados e escravizados pelos muçulmanos.

Quinta Cruzada (1217-1221)

Também pregada por Inocêncio III, partiu em 1217 e foi liderada por André II, rei da Hungria, e por Leopoldo VI, duque da Áustria. Decidiu-se que para se conquistar Jerusalém era necessário conquistar o Egito primeiro, uma vez que este controlava esse território. Desembarcados em São João D'Acre, decidiram atacar Damietta, cidade que servia de acesso ao Cairo, a capital. Depois de conquistar uma pequena fortaleza de acesso aguardaram reforços e meteram-se a caminho. Depois de alguns combates, e quando tudo parecia perdido, uma série de crises na liderança egípcia permitiram aos cruzados ocupar o campo inimigo. O sultão acabou por oferecer o reino de Jerusalém e uma enorme quantia se os cristãos retirassem; o cardeal Pelágio, que se tornara num dos chefes da expedição, acabou por convencer os restantes a recusar.

Começaram a cercar Damietta e depois de algumas batalhas sofreram uma derrota. O sultão renovou a proposta, mas foi novamente recusada. Depois de um longo cerco, que durou de fevereiro a novembro, a cidade caiu. Os conflitos entre os cruzados agudizaram-se e perdeu-se tanto tempo que os egípcios recuperaram forças. Reforços até 1221 chegaram aos cristãos. Lançaram-se numa ofensiva, mas os muçulmanos foram retirando-se e levaram os cruzados a uma armadilha; sem comida e cercados acabaram por ter de chegar a um acordo: retiravam-se do Egito e tinham suas vidas salvas.

Sexta Cruzada (1228-1229)

Foi liderada pelo imperador do Sacro Império Frederico II, que tinha sido excomungado pelo Papa. Ele partiu com um exército que foi diminuindo com as deserções, e uma semi-hostilidade das forças cristãs locais devido à sua excomunhão pelo Papa. Aproveitando-se das discórdias entre os muçulmanos, Frederico II conseguiu, por intermédio da diplomacia, um tratado com os turcos que lhe concedia a posse de Jerusalém, Belém e Nazaré por dez anos. Mas a derrota dos cristãos em Gaza fê-los perder os Santos Lugares em 1244.

Sétima Cruzada (1248-1250)

Foi liderada pelo rei da França Luís IX, posteriormente canonizado como São Luís. Ele desembarcou diretamente no Egito e, depois de alguns combates, conquistou Damietta. Novamente o sultão ofereceu Jerusalém e novamente foi recusado. Em Mansurá, depois de quase terem vencido, os cruzados são derrotados pela imprudência do irmão do rei, Roberto de Artois. Depois de uma retirada desastrosa, o exército rendeu-se. Luís IX caiu prisioneiro e os cristãos tiveram de pagar um pesado resgate pela sua libertação. Somente a resistência da rainha francesa em Damietta permitiu que se conseguisse negociar com os egípcios. Luís ficou mais algum tempo e conseguiu salvar o território de Outremer (indiretamente, as invasões mongóis deram a sua contribuição).

Oitava Cruzada (1270)

Os egípcios da dinastia mameluca

    * em 1265, tomaram Cesareia, Haifa e Arsuf;

    * em 1266, ocuparam a Galileia e parte da Armênia e,

    * em 1268, conquistaram Antioquia.

O Oriente Médio vivia uma época de anarquia entre as ordens religiosas que deveriam defendê-lo, bem como entre comerciantes genoveses e venezianos.

O rei francês Luís IX retomou então o espírito das cruzadas e lançou novo empreendimento armado, a Oitava Cruzada, em 1270, embora sem grande percussão na Europa. Os objetivos eram agora diferentes dos projetos anteriores: geograficamente, o teatro de operações não era o Levante mas antes Túnis, e o propósito, mais que militar, era a conversão do emir da mesma cidade norte-africana.

Luís IX partiu inicialmente para o Egito, que estava sendo devastado pelo sultão Baibars. Dirigiu-se depois para Túnis, na esperança de converter o emir da cidade e o sultão ao cristianismo. O sultão Maomé recebeu-o de armas nas mãos. A expedição de São Luís redundou como quase todas as outras expedições, numa tragédia. Não chegaram sequer a ter oportunidade de combater: mal desembarcaram as forças francesas em Túnis, logo foram acometidas por uma peste que assolava a região, ceifando inúmeras vidas entre os cristãos, nomeadamente São Luís e um dos seus filhos. O outro filho do rei, Filipe, o Audaz, ainda em 1270, firmou um tratado de paz com o sultão e voltou à Europa. Chegou a Paris em maio de 1271 e foi coroado rei, em Reims, em agosto do mesmo ano.

Nona Cruzada (1271 - 1272)

A Nona Cruzada é, muitas vezes, considerada como parte da Oitava. Em 1268, Baibars, sultão mameluco de Egito, havia reduzido o Reino Latino de Jerusalém, o mais importante Estado cristão estabelecido pelos cruzados, a uma pequena faixa de terra entre Sídon e Acre.

Alguns meses após a morte de Luís IX, na Oitava Cruzada, o príncipe Eduardo da Inglaterra, depois Eduardo I, comandou os seus seguidores até Acre. Em 1271 e inícios de 1272, conseguiu combater Baibars, após firmar alianças com alguns governantes da região adversários dele. Em 1272, estabeleceu contatos para firmar uma trégua, mas Baibars tentou assassiná-lo, enviando homens que fingiram buscar o batismo como cristãos. Eduardo, então, começou preparativos para atacar Jerusalém, quando chegaram notícias da morte de seu pai, Henrique III. Eduardo, como herdeiro ao trono, decidiu retornar à Inglaterra e assinou um tratado com Baibars, que possibilitou seu retorno e, assim, terminou a Nona Cruzada.

Acontecimentos posteriores

O equilíbrio na região permaneceu frágil. Os anos seguintes viram um aumento das demandas dos Mamelucos, como também aumentaram as perseguição aos peregrinos, contrariando os termos da trégua. Em 1289, o Sultão Qalawun juntou um grande exército, investiu sobre o que restava do Condado de Trípoli, e, finalmente, cercou a capital e tomou-a depois de um sangrento assalto. O ataque a Trípoli, porém, foi particularmente devastador para os Mamelucos, porque a resistência cristã alcançou proporções fanáticas e Qalawun perdeu seu filho primogênito e mais capaz na campanha. Ele esperou outros dois anos para recuperar sua força. Em 1291, um grupo de peregrinos de Acre foi atacado e, em represália, mataram dezenove comerciantes muçulmanos em uma caravana síria. (Outra versão diz que um grupo de soldados italianos católicos degolaram os islâmicos e eliminaram na mesma leva outro tanto de sírios cristãos.) Qalawun exigiu que eles pagassem uma quantia extraordinária em compensação. Quando nenhuma resposta veio, o Sultão usou isto como um pretexto para sitiar Acre, e acabar com o último estado Cruzado independente na Terra Santa.

Em abril de 1291, a cidade acordou cercada por mais de 200 mil soldados muçulmanos. A cristandade correu em socorro de um de seus pontos mais estratégicos na Terra Santa. Cavaleiros hospitalários, teutônicos e templários, somados a tropas inglesas e italianas, partiram para defender o porto de Acre. Em 18 de Maio de 1291, as forças turcas e egípcias tomaram a cidade de Acre. Qalawun morreu durante o ataque, deixando Khalil, o último membro sobrevivente de sua família, como Sultão Mameluco. Com Acre tomada, os Estados Cruzados deixaram de existir. Caía assim o último bastião dos europeus na Palestina. Rapidamente, os poucos territórios estabelecidos pelos cruzados que restavam no Oriente Médio foram reconquistados pelos muçulmanos. Inicialmente, o centro do poder dos Cruzados foi movido para o norte (para Tortosa), e finalmente para a ilha de Chipre. Sua última posição segura na Terra Santa, a ilha de Rodes, foi perdida em 1302-1303. O período dos Cruzadas na Terra Santa estava terminado, quase duzentos anos depois de Papa Urbano II iniciar sua pregação.

Causas do fracasso

Diversas razões contribuíram para o fracasso das Cruzadas, entre elas: os europeus eram minoria, em meio a uma população geralmente hostil; a opressão à população nativa fez com que o domínio fosse cada vez mais difícil; as diversas lutas entre os próprios cristãos contribuíram para enfraquecê-los enormemente. Todas, exceto a pacífica sexta Cruzada (1228-1229), foram prejudicadas pela cobiça e brutalidade; judeus e cristãos na Europa foram massacrados por turbas armadas em seu caminho para a Terra Santa. O papado era incapaz de controlar as imensas forças à sua disposição.

O legado das cruzadas

As cruzadas influenciaram a cavalaria européia e, durante séculos, sua literatura.

Se por um lado aprofundaram a hostilidade entre o cristianismo e o Islã, por outro estimularam os contatos econômicos e culturais para benefício permanente da civilização européia. O comércio entre a Europa e a Ásia Menor aumentou consideravelmente e a Europa conheceu novos produtos, em especial, o açúcar e o algodão. Os contatos culturais que se estabeleceram entre a Europa e o Oriente tiveram um efeito estimulante no conhecimento ocidental e, até certo ponto, prepararam o caminho para o Renascimento.

A Jihad

Inimigos dos Cruzados, por Gustave Doré.
No início do século XII, o mundo muçulmano tinha praticamente esquecido a Jihad, a guerra religiosa travada contra os inimigos do Islã. A explosiva expansão da sua religião durante o século VIII tinha-se reduzido às memórias de grandeza dessa época. Após a queda de Jerusalém, muitos proeminentes líderes religiosos, como o qadi Abu Sa’ ad al-Harawi, tentaram convencer o califa abássida a preparar a Jihad contra os firanji (de francos, que era como os muçulmanos se referiam aos europeus). No entanto, somente perto de duas décadas depois é que o sultão turco designou um proeminente militar, um atabeg chamado Zengi, para resolver o problema firanj.

Após a primeira cruzada, a moral dos muçulmanos estava de rastos. Os firanj detinham uma reputação de ferocidade entre os turcos e os árabes. Com os espectaculares sucessos em Antioquia e Jerusalém, os firanj pareciam quase imparáveis. Eles humilhavam o poderoso califado egípcio anualmente e faziam investidas em terras inimigas impunemente. Exceptuando os vassalos do Egito, a maioria dos aterrorizados líderes muçulmanos dos territórios mais próximos pagavam um pesado tributo para assegurar a paz. Zengi iniciou o longo e lento processo de modificar a imagem que os muçulmanos tinham dos firanj.

Tendo recebido o domínio das terras à volta de Mossul e Alepo, Zengi começou uma campanha contra os firanj em 1132 com a ajuda do seu lugar-tenente Sawar. Em cinco anos, conseguiu reduzir o número dos castelos importantes ao longo da fronteira do Condado de Edessa e derrotou o exército firanj em batalha. Em 1144 capturou a cidade de Edessa e neutralizou de forma efectiva o primeiro domínio estabelecido pelos Cruzados.

Zengi foi o primeiro líder muçulmano a enfrentar os firanj e que não só sobreviveu, como triunfou. Ele provou que os firanj podiam ser bloqueados. Os líderes de Bagdad aprovaram os sucessos de Zengi, e cedo um grande número de títulos precediam o seu nome: O Emir, o General, o Grande, o Justo, o Ajudante de Deus, o Triunfante, o Único, o Pilar da Religião, a Pedra de Base do Islão, …Honra de Reis, Apoiante de Sultões … o Sol dos Merecedores, … Protector do Príncipe dos Fiéis. Zengi gostou tanto da enchente de elogios, que insistiu que os seus arautos e escrivães utilizassem todos os títulos na sua correspondência.

Embora Zengi fosse um grande herói militar, ele foi simplesmente muito implacável e cruel nas suas campanhas contra Damasco para motivar os muçulmanos para uma guerra religiosa. Uma noite do ano 1146, encontrando-se ele alcoolizado, ao ter presenciado a um erro do seu eunuco particular, Lulu (pérola), e prometeu mandá-lo executar por incompetência. Mais tarde, enquanto Zengi dormia, Lulu pegou na adaga do seu dono e apunhalou-o repetidamente e fugiu, coberto pela escuridão da noite.

O herdeiro de Zengi, Nur al-Din, e o seu sucessor Salah al-Din (Saladino), eram extremamente piedosos, observando rigidamente a Sunna e os Pilares do Islão na sua vida pública e particular. Ambos rodearam-se de religiosos e teólogos e sábios em geral. Para além disso fizeram uma activa campanha para espalhar o fervor religioso e propaganda entre os seus súbditos muçulmanos. Com os seus exemplos de religiosidade, Nur al-Din iniciou – e o seu sucessor Salah al-Din cultivou – uma guerra religiosa, uma jihad, contra os Firanj. Enquanto que Zengi apenas podia contar com os seus soldados, o apelo à jihad atraiu os soldados muçulmanos de toda a Arábia, Egito e Pérsia. Este massivo exército permitiu Salah al-Din esmagar os firanj na Batalha de Hattin e enfraquecer as forças da Terceira Cruzada de Ricardo Coração de Leão.

A chama da Jihad de Salah al-Din deixou de arder em 1193, quando morreu. O irmão do sultão, Saphadin, não pretendia entrar em mais guerras, e quando Ricardo Coração de Leão foi para a Europa, o poderio militar dos firanj estava praticamente neutralizado e não mais necessidade de derramamento de sangue. A partir desta altura Saphadim acreditava que a coexistência pacífica com Firanj ainda era possível. Várias décadas mais tarde, uma jihad iria finalmente purgar os firanj da Síria e Palestina, embora até 1291, os muçulmanos ainda partilhassem uma pequena parte desse território com os firanj.

As cruzadas na conquista de Portugal

Quando surgiu o reino de Portugal, a cristandade agitava-se no fervor das Cruzadas do Oriente. Os portos de Galiza, que davam acesso a Santiago de Compostela, a barra do Douro e a vasta baía de Lisboa, eram pontos de escala das frotas de cruzados que do Norte da Europa seguiam para a Terra Santa. Quando, em 1140, Afonso I tentou a conquista de Lisboa, fê-lo com o auxílio de estrangeiros: setenta navios franceses que tinham entrado a barra do Douro e aportado a Gaia. Mas a conquista não foi possível devido às poderosas defesas que rodeavam Lisboa.

Em 1147, entra na barra do Douro, vinda de Dartmouth, uma frota de 200 velas, transportando cruzados de várias nações: alemães, flamengos, normandos e ingleses num total de 13 000 homens. Aproveitando este facto, D. Afonso Henriques escreveu ao bispo do Porto D. Pedro, pedindo-lhe que persuadisse os cruzados a ajudarem-no na empresa, prometendo-lhes o saque da cidade. No dia seguinte desembarcaram os cruzados em Lisboa, que tiveram as últimas negociações com D. Afonso, firmando o pacto. Depois da tomada da cidade, muitos cruzados ficaram por lá. Um capitão de cruzados, Jourdan, foi senhor e parece que o primeiro povoador da Lourinhã. Ao francês Allardo foi doada Vila Verde dos Francos, no distrito de Lisboa e concelho de Alenquer (perto da Serra do Montejunto).

Alguns anos depois, em 1152, partiu de Bergen uma esquadra de peregrinos do Norte da Europa, comandados por Rognvaldo III, rei das Órcades, com 15 navios e 2 000 homens. No inverno do ano seguinte, esta esquadra estava nas costas de Galiza onde pilhou algumas povoações. No verão de 1154 desce a costa portuguesa e ajuda o monarca na conquista de Alcácer do Sal. A empresa era rendosa, pois a cidade era o mais importante porto do Sado, cercada de pinhais, cujas madeiras eram utilizadas na construção de navios. A empresa falhou e o mesmo se deu anos mais tarde desta vez com a ajuda da frota do conde da Flandres composta de franceses e flamengos, e partiu para a Síria em 1157, aportando à barra do Tejo.

Em 1189 D. Sancho I entra em negociações com outra esquadra, que acabou por entrar na baía de Lagos e ocuparam o Castelo de Albur (Alvor), um dos mais fortes da região. Meses depois entra no Tejo outra frota alemã que tocara em Dartmouth recebendo muitos peregrinos e que ajudou a conquistar Silves. Capital de província, populosa, grande centro de comércio e de cultura, a cidade estava bem fortificada. A notícia destas vitórias chegou ao Norte de África e a resposta não se fez esperar.

Os mouros põem cerco a Silves, que não conseguiram tomar, partindo o califa em direcção a Santarém, tomando Torres Novas no caminho e pondo o cerco a Tomar. Perante esta situação, D. Sancho I pediu auxílio aos cruzados vassalos de Ricardo Coração de Leão, que se tinham reunido no Tejo, e foram ter a Santarém, que não chegou a ser atacada por causa da peste que vitimou a maior parte dos mouros.

No ano seguinte, os mouros regressam reconquistando Silves, a província de Alcácer, com excepção de Évora. Anos depois outra armada de cruzados, mesmo sem terem chegado a acordo com D. Sancho I, tomam Silves e saqueiam a cidade, prosseguindo para a Síria. Em 1212, com a derrota na Batalha de Navas de Tolosa, o reino mouro entra em decadência. Em 1217, entra nova frota alemã, e D. Soeiro, bispo de Lisboa, convenceu-os a conquistar Alcácer do Sal, navegando a esquadra por Setúbal, com os seus 100 navios. Alcácer resistiu durante dois meses até capitular. No princípio do Inverno regressa a frota ao Tejo, passando aí o resto do inverno.

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Referências

   1. Riley-Smith, Jonathan. The Oxford History of the Crusades New York: Oxford University Press, 1999. ISBN 0-19-285364-3.

   2. Riley-Smith, Jonathan. The First Crusaders, 1095-1131 Cambridge University Press, 1998. ISBN 0-521-64603-0.

   3. WILLIAMS, Paul L.. O guia completo da Cruzadas. 1 ed. São Paulo: Madras, 2007. 326 p. 1 vol. vol. 1. ISBN 978-85-370-0225-4

   4. See especially R.I. Moore's The Origins of European Dissent, and the collection of essays Heresy and the Persecuting Society in the Middle Ages: Essays on the Work of R.I. Moore for a consideration of the origins of the Cathars, and proof against identifying earlier heretics in the West, such as those identified in  1025 at Monforte, outside Milan, as being Cathars. Also see Heresies of the High Middle Ages, a collection of pertinent documents on Western heresies of the High Middle Ages, edited by Walter Wakefield and Austin P. Evans. [Ver especialmente RI Moore As Origens do Europeu Dissent, ea coletânea de ensaios Heresy eda Sociedade Perseguições na Idade Média: Ensaios sobre a Obra de RI Moore para uma reflexão sobre as origens dos cátaros, e à prova de identificação hereges no início da Ocidente, como os identificados em 1025 em Monforte, nos arredores de Milão, como sendo os cátaros. Consulte também as heresias da Alta Idade Média, uma coleção de documentos pertinentes sobre heresias ocidental da Alta Idade Média, editado porWalter Wakefield Austin e P. Evans .]

   5. História Global Brasil e Geral. Volume Único. Gilberto Cotrim. ISBN 978-85-02-05256-7

   6. "Massacre of the Pure." Time. 28 April 1961.

   7. Duvernoy, Jean,(1976), escrito(a) em Paris,', CNRS, ISBN 2910352064. Text and French translation. Reprinted: Toulouse: Le Pérégrinateur, 1996.)

   8. (Labal :129)

   9. Sibly, W. A. and M. D., translators (1998), The history of the Albigensian Crusade: Peter of les Vaux-de-Cernay's Historia Albigensis, Woodbridge: Boydell, ISBN 0851158072

  10. Martin, Sean. The Cathars. [S.l.]: Pocket Essentials, 2005. 105–121 p.

Bibliografia

    * FLETCHER, Richard A. A cruz e o crescente: cristianismo e islã, de Maomé à Reforma. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2004.
    * WILLIAMS, Paul. O guia completo das cruzadas. São Paulo: Madras, 2007.
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Fonte: Wikipédia