quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Quando o Povo de Deus se Reúne para Fortalecer a União

2 comentários:
Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos! (Sl 133:1)

Que maravilha, quando o povo do Senhor se reúne para fortalecer a união! Alguns dias atrás publiquei: Quando o Povo de Deus se Reúne para Rever suas Atitudes. Hoje, a palavra de Deus mostrará que também é preciso rever atitudes nos relacionamentos interpessoais, para que estes sejam fortalecidos. Deus aponta o caminho e dá os recursos para que seus filhos se relacionem satisfatoriamente uns com os outros. A união e seus resultados, conforme descritos na Bíblia, serão abordados neste novo estudo.
Davi, o autor do Salmo 133, viu sua casa ser arrebentada por falta de união. Possivelmente, por causa de seu escandaloso pecado, ele não se sentiu à vontade para exortar seus filhos: Amnon violentou Tamar, sua meio-irmã, e Davi não o confrontou, nem confortou a filha. Absalão matou Amnon, seu irmão, e o rei não interferiu. Absalão conspirou e usurpou o trono do pai, e, depois de assumir o governo, matou o irmão Adonias. Ao todo, foram três filhos assassinados e uma filha desonrada. Na casa de Davi, havia ódio, conspiração, estupro e assassinatos, não união. Por tanto sofrer com a falta dela, Davi aprendeu lições importantes sobre a união. Vamos estudá-las aqui.
A união é bela: Quando escreveu o salmo 133, Davi tinha consciência do quanto é importante a paz entre os irmãos. Uma casa dividida está fadada ao fracasso (Mt 12:25). Divisão, intriga e inveja demonstram, claramente, carnalidade e apego ao mundo (1 Co 3:1-3). Por outro lado, vejamos o que a Bíblia diz: Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos! (Sl 133:1). A palavra “bom” transmite a ideia de belo. Qualquer um achará bonita uma família unida. No mundo, não há maior demonstração do poder do evangelho do que uma igreja unida pelo amor (Jo 13:35). A glória de Deus é refletida na igreja pela sua união em amor.
O Salmo 133 não defende a união entre crentes e incrédulos, não é referência ao ecumenismo. O que o Salmo ensina é a união dentro da família, entre os que passaram pelo mesmo processo de nascimento espiritual, que adoram o mesmo Deus, que pregam o mesmo evangelho, que confessam Jesus Cristo como único Senhor e verdadeiro Deus, que creem em sua palavra e estão dispostos a seguir a verdadeira doutrina bíblica. Não há união entre luz e trevas (2 Co 6:14-18); não existe união fora do evangelho, não há união fora da verdade (Ef 4:3-6). Deus quer a igreja unida dentro dos princípios bíblicos.
A igreja de Cristo será tão forte quanto for sua unidade e coesão. Unida, ela propicia o ambiente acolhedor para o crescimento da confiança e da alegria que resultarão num ambiente de perdão, compreensão, solidariedade, ajuda e comprometimento. A união caracterizava a igreja neotestamentária (At 2:42-47). Quando pessoas de raças, classes sociais e culturais diferentes convivem em harmonia, quando as diferenças não são suficientes para separá-las, quando a união é embasada em princípios espirituais e eternos, a beleza dessa união despertará nos homens vontade de conhecer melhor a razão da união.
Quando há união entre os irmãos, são abertos os canais para a ação poderosa do Espírito Santo.
A união é terapêutica: A falta de união acarreta muitos problemas na comunidade cristã. A igreja em Corinto é exemplo disso: era marcada por divisões (1 Co 1:10,11), contendas (1 Co 6:1-7), preconceitos (1 Co 11:17-19) e até mesmo os dons espirituais que foram dados para fortalecer a igreja estavam sendo usados de maneira errada: para promover divisão. Não havia união nem amor. Como resultado, muitos estavam fracos e doentes (1 Co 11:30). As coisas exteriores podem causar divisões, riqueza, aparência, preconceitos étnicos, condição social. Na união, as coisas externas são menos importantes que as eternas. O texto compara a união entre os irmãos com o azeite perfumado sobre a cabeça de Arão, que desce pelas suas barbas e pela gola do seu manto sacerdotal (Sl 133:2 – NTLH). O azeite ou óleo é símbolo do Espírito Santo (Is 61:1-3; Lc 4:17-19; At 10:38).
Quando há união entre os irmãos, são abertos os canais para a ação poderosa do Espírito Santo. Nesse ambiente de fraternidade e respeito, vidas são tratadas e curadas. Uma igreja unida é canal de saúde e vida, é uma agência da ação restauradora de Deus na terra. Uma das grandes necessidades do ser humano é a de pertencer a um grupo do qual receba reconhecimento e valorização. Não existe, na terra, uma organização que tenha melhores condições de satisfazer esses anseios humanos que a igreja de Cristo. A igreja é o lugar ideal para as pessoas não se sentirem discriminadas e nem solitárias. Mesmo que a família e a sociedade não proporcionem esse ambiente de valorização da pessoa, na igreja, há todos os recursos para a cura, inclusive para os que perderam toda a motivação.
A união é revigorante: Um povo agrário como os israelitas e que habitava numa terra de montes e de vales dependia das chuvas que ocorriam duas vezes por ano e também do orvalho para regar suas plantações (Dt 11:10-17). Localizado no extremo-norte de Israel, o Hermom é o monte mais alto da região, e Sião, um dos mais baixos. São separados por mais de 300 quilômetros, e, ainda assim, o Senhor faz cair o orvalho sobre ambos. Deus é Deus em toda a terra. Viajantes afirmam que, em certas partes daquele lugar, o orvalho percebido pela manhã é tão forte que parece ter caído abundante chuva na terra. [1]
A união é comparada ao orvalho (Sl 133:3). Algumas qualidades do orvalho justificam essa comparação: primeiro, ele é discreto: cai à noite, sem trovões, nem relâmpagos. A união do povo de Deus não precisa ser alardeada, mas precisa ser vivida. Segundo, ele é constante: cai durante toda a noite. A união do crente com seus irmãos não é para um culto ou para os cultos, mas, também, para ser desfrutada constantemente. Terceiro, ele é abundante: ainda que em minúsculas porções, umedece a terra. Pequenos gestos em amor que promovam a união terão resultados poderosos na vida das pessoas e da igreja toda. Após o calor escaldante do dia, vem o orvalho noturno para revigorar as plantas. O orvalho simboliza a presença revigorante de Deus na vida do seu povo: Serei para Israel como o orvalho, ele florescerá como o lírio e lançará as raízes como o cedro do Líbano (Os 14:5); e ainda: Porque haverá sementeira de paz; a vide dará o seu fruto, a terra, a sua novidade, e os céus, o seu orvalho; e farei que o resto deste povo herde tudo isto (Zc 8:12). A igreja tem necessidade do refrigério trazido pelo Espírito Santo que vem silenciosa, mas abundantemente, como o orvalho para revigorar a relva.
A união do povo de Deus não acontece por imposições humanas, mas como resposta das pessoas que foram lavadas pelo sangue de Jesus à ação do Espírito Santo. A unidade artificial é fácil.
A união é abençoadora: A última frase do Salmo 133 é: Ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre (v. 3b). O “ali” do salmista se refere ao monte Sião, lugar que recebe o orvalho do Hermom: ali, há a bênção de Deus. Não esqueça que, neste Salmo, a “união” é comparada com este “orvalho”. Então, assim como há bênção no monte Sião, que recebe o orvalho do Hermom, há bênção e vida para sempre onde há união entre o povo de Deus. Ao combinarmos as frases do primeiro e do último verso, encontramos uma mensagem maravilhosa: Como é bom e agradável os irmãos viverem em união! Ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre. Onde “existe a persistência e a luta pela manutenção da união, existe uma constante ordem direta de Deus: Bênção e vida para sempre!”. [2]
A união entre os irmãos é abençoadora. Mas, para isso, precisa ser autêntica. Impor regras para manter a unidade é fraude. A união do povo de Deus não acontece por imposições humanas, mas como resposta das pessoas que foram lavadas pelo sangue de Jesus à ação do Espírito Santo. A unidade artificial é fácil. Os homens são capazes de esconder diferenças reais e criar alianças ímpias, como o faziam os fariseus e os herodianos, quando se uniam contra seu adversário comum, Jesus. Mas a unidade real requer trabalho duro. Exige estudo diligente, humildade genuína, amor pelos irmãos e, acima de tudo, um amor incondicional por Deus e sua palavra. Mas, quando ela acontece há bênção e vida para sempre. “Se andarmos em união seremos uma família e uma igreja abençoada e cheia da vida de Deus. (...) E essa bênção não é desvinculada da vida dele”. [3] E se faltar a união? Teremos dificuldades. Ficaremos fracos. “Se é bom e suave viver em união, certamente é mal e pesado viver sem ela”. [4] Por isso, peçamos a ajuda do Senhor para vivermos sempre essa bênção. Quando nos reunirmos para adorar o Senhor, fortaleçamos, cada dia e cada vez mais, a união. Ao invés de muros de separação, construamos pontes que nos liguem uns com os outros.
PRATICANDO A PALAVRA DE DEUS
1. Para fortalecer a união, devemos combater seus oponentes.
Mal entendidos, fofocas, maldades, contendas, ciúmes, disputas são oponentes do fortalecimento da união e podem facilmente romper relacionamentos. Amigos foram separados, quando afetados por adversidades relacionais. Ninguém está imune a este tipo de adversidade, especialmente o crente. Nossos inimigos, que são a carne, o mundo e o diabo, conspiram para arruinar relacionamentos e destruir a união entre os filhos de Deus, razão pela qual é preciso vigiar: Sede vigilantes, permanecei firmes na fé, portai-vos varonilmente, fortalecei-vos (1 Co 16:13). Nenhum crente pode se dar ao luxo de baixar a guarda, quando se trata de união. Adversidades relacionais podem ser vistas como oportunidades para crescimento na união. Muitos relacionamentos foram abalados e até desfeitos por situações que poderiam facilmente ser resolvidas, se houvesse a consciência de que nossos três grandes inimigos atuam sem escrúpulos e sem clemência. Quando há descuido, a união fica fragilizada. Ao invés de sermos vencidos, vençamos com vigilância e sejamos como a “pipa” de papel: [5] a pipa só sobe contra o vento. Quanto mais fortes os ventos, mais unidos estejamos, para a glória de Deus.
2. Para fortalecer a união, devemos lutar por seu aperfeiçoamento.
Já observou como é fácil fazer as coisas erradas e difícil fazer o que é certo? Paulo tinha essa consciência (Rm 7:19). Sabedor de que, para manter a união, é preciso empenho, o apóstolo recomenda: ... esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz (Ef 4:3). A ideia apresentada no texto é a de que é necessário todo esforço possível para que a unidade seja mantida. O que Paulo diz aqui não é algo impossível, mas também não é algo que vem sem custo. A unidade é resultado de nosso esforço consciente e adequado. Precisamos lutar pela união. A unidade da igreja é um desejo do coração de Deus e Jesus orou para que ela seja uma realidade (Jo 17:11, 21-22), dizendo: ... a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade. À medida que nos empenhamos por fortalecer a união, cumpre-se em nós a oração de Jesus. Ele pediu que fôssemos aperfeiçoados na unidade. O desejo do coração de Cristo é que todos os seus filhos sejam aprimorados, que as arestas sejam tiradas e que tenhamos um contínuo crescimento para fortalecer o vínculo da paz. Não podemos fugir à responsabilidade de fazer o que nos compete em favor da preservação e do aperfeiçoamento da união.
3. Para fortalecer a união, devemos incentivar a sua prática.
Quem quer glorificar a Deus, incentivará a unidade entre os crentes: Por isso procuremos sempre as coisas que trazem a paz e que nos ajudam a fortalecer uns aos outros na fé (Rm 14:19 – NTLH). Ajudados pelo Espírito Santo, devemos trabalhar humildemente para manter a unidade: Então peço que me dêem a grande satisfação de viverem em harmonia, tendo um mesmo amor e sendo unidos de alma e mente. Não façam nada por interesse pessoal ou por desejos tolos de receber elogios (Fp 2:2-3 –NTLH). Também é preciso incentivar os que querem a desunião a abandonar esses pensamentos mesquinhos. Paulo nos dá a fórmula prática: Irmãos, peço, pela autoridade do nosso Senhor Jesus Cristo, que vocês estejam de acordo no que dizem e que não haja divisões entre vocês. Sejam completamente unidos num só pensamento e numa só intenção (1 Co 1:10 – NTLH). Erroneamente, muitos cedem às divisões e até incentivam sua prática. Fazem isso em nome da justiça. Incitam um irmão contra outro, sem considerar o que a Bíblia diz: Os maus provocam divisões, e quem fala mal dos outros separa os maiores amigos (Pv 16:28 –NTLH). Ao contrário destes, incentivemos a prática da união entre os irmãos.
CONCLUSÃO
Duas imagens são apresentadas no Salmo 133: o óleo e o orvalho - ambas ensinam que a união do povo de Deus não é algo que se construa somente pela habilidade humana, mas que Deus a envia do alto sobre o seu povo: É como óleo ... que desce ... é como orvalho ... que desce (v. 2,3). “A verdadeira união, como todas as boas dádivas, vem de cima; é doada”. [6] Por outro lado, se há falta de união entre os crentes, não se deve entender que Deus não a tenha enviado. O ensino é de que a união tem origem em Deus. Ele está agindo para manter a união, mas nós, crentes em Cristo, temos a responsabilidade de responder favoravelmente a esta ação. Quando cada irmão fizer sua parte, a união acontecerá.
Amém.
Bibligrafia
1. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento 2: Poéticos. Santo André: Geográfica, 2006. Pág. 336 
2. MENDES, Edmilson Ferreira, in OLIVEIRA, Aléssio Gomes (Org.). Consolidando Vidas. São Paulo: GEVC, 2005. Pág. 29
3. LOPES, Hernandes Dias. O melhor de Deus para sua vida. Vols. 1 e 2. Belo Horizonte: Betânia, 2004. Pág. 96
4. MENDES, Edmilson Ferreira, in OLIVEIRA, Aléssio Gomes (Org.). Consolidando Vidas. São Paulo: GEVC, 2005. Pág. 30
5. Brinquedo de papel, de forma oval ou triangular, que se lança ao vento, ficando preso por um barbante.
6. KIDNER, Derek. Salmos 73-150: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1981. Pág. 463

DEC - PCamaral

Mobilização e oração #YousefNadarkhani

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WASHINGTON, EUA — Os Estados Unidos afirmaram nesta quinta-feira que o Irã mostrará um "desprezo total" pela liberdade religiosa se suas autoridades executarem um pastor iraniano que se recusa a negar sua fé cristã para se converter ao islã.
"Os Estados Unidos condenam a pena de morte imposta ao pastor Youssef Nadarkhani. A execução da pena capital constituirá uma nova prova do desprezo das autoridades iranianas pela liberdade de culto", declarou o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, em um comunicado.
"O pastor Nadarkhani não fez nada além de manter sua fé devota, que é um direito universal de todas as pessoas".
"A tentativa das autoridades iranianas de forçá-lo a renunciar a sua fé viola os valores religiosos que elas alegam defender, atravessa todos os limites da decência e viola as próprias obrigações internacionais do Irã".
"Nós convocamos as autoridades iranianas a libertar o pastor Nadarkhani e a demonstrar compromisso com os Direitos Humanos básicos e universais, incluindo a liberdade de religião".
Nadarkhani, de cerca de 30 anos, tornou-se pastor de uma pequena comunidade evangélica chamada de Igreja do Irã após se converter do Islã aos 19 anos.
Autoridades iranianas o prenderam por apostasia em 2009 e o condenaram à morte sob a lei islâmica da Sharia.
O pastor foi poupado por um recurso da Suprema Corte em julho, afirmou seu advogado à AFP, mas foi condenado à morte novamente depois que o caso foi reexaminado em um tribunal de sua cidade natal, Gilan, de acordo com meios de comunicação locais.
O pastor Yousef enfrentou  duas “audiências’ nos dias 27 e 28 de setembro onde o mesmo teria a oportunidade de negar a sua fé cristã e declarar retorno ao Islã. Fontes informam que o pastor se negou a fazer isto e reafirmou a sua confissão cristã.
Diversos blogs cristãos estão se unindo na tentativa de chamar a atenção das autoridades mundiais através do twitter usando
Há também a tentativa de sensibilizar embaixadores e autoridades iranianas no estrangeiro.
A ação está a cargo de alguns grupos cristãos e todos podem colaborar usando a ferramenta de mobilização e-activist:

1) Use o link: http://e-activist.com/ea-action/action?ea.client.id=88&ea.campaign.id=12209

2) Preencha o formulário (está em inglês, mas é fácil). 

3) Na caixa ADD YOUR MESSAGE HERE, copie e cole o email abaixo.

Your Excellency, the Ambassador of Iran
Dear Sir,
Along with many other people around the world, I have been following with great concern the case of Pastor Yousef Nadarkhani, who is being tried by a court in Rasht due to his religious beliefs.
I am writing to express my concern and hope that the court will drop all charges against Pastor Yousef, in accordance with international law and especially Iranian law and constitution, which clearly allows freedom for Christians to maintain their religious beliefs and practices.
I am also requesting Your Excellency to pass on my appeal and that of many others to the Iranian government, as a matter of great urgency in this case, so that an innocent person may not be condemned and the constitution of Iran may not be violated.
I am very grateful for your attention to this request.
Respectfully and sincerely,
ASSINE

4) Envie seu email ( send YOUR email)


Com informações da AFP,  Portas Abertas, GLOBO e Gospel Prime.


Via Genizah 

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Não basta dizer, é preciso fazer!

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Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus. (João 3:21)

Por Ricardo Barbosa de Sousa em Revista Ultimato


Muitos gostariam que o Sermão do Monte terminasse com a conhecida “lei áurea” -- “Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas” (Mt 7.12). E o mais famoso sermão de Jesus terminaria com um bom resumo de tudo o que ele havia acabado de ensinar.

Porém, Mateus não termina assim. Ele segue com uma recomendação e conclui com uma pequena parábola, na qual Jesus deixa claro o que ele espera dos seus ouvintes. Uma forma de entender a conclusão desse sermão são os pronomes: “nem todo o que “me” diz”, “aquele que faz a vontade do “meu” Pai”, “hão de dizer-‘me’”, “apartai-vos de ‘mim’”, “ouve as ‘minhas’ palavras”. Eles nos levam a considerar quem ensina, e não apenas o que se ensina. São essas palavras que formarão o texto que definirá o julgamento, que terá como fundamento o que as pessoas fizeram com suas palavras.

Jesus começa sua recomendação dizendo: “Entrai pela porta estreita” (v. 13). Não é simplesmente um convite, mas um imperativo. No final do sermão, Jesus afirma que existem duas portas e dois caminhos. Um deles leva à morte; o outro, à vida. Jesus reconhece, com tristeza, que são poucos os que entram pelo caminho estreito (v. 14).

O caminho estreito é o herdado. É o caminho da criação, da redenção, o caminho de Jesus. Não é algo imposto a nós, é o caminho que Jesus trilhou e que agora nos convida a trilhar. O caminho largo é o imposto. Chega a nós pela imposição da maioria, da propaganda, daqueles que não suportam seguir sozinhos pelo caminho da perdição e da destruição. O caminho largo não é congruente com aquilo que fomos criados para ser.

O caminho estreito é o do reino preparado para nós antes da fundação do mundo. Jesus não diz que quem não andar pelo caminho estreito será punido. É o próprio caminho largo que nos conduz à morte. Seguir pelo caminho largo ou procurar entrar pelo estreito é uma escolha que fazemos.

O caminho estreito envolve o ouvir e o fazer. Na parábola dos dois construtores, a diferença não está no ouvir -- ambos ouviram. A diferença está no fazer. Existem duas opções: ouvir as palavras de Jesus e não praticá-las ou ouvi-las e praticá-las. A casa que cai é composta por crentes que consideram as palavras de Jesus bonitas para se ouvir, boas para se falar e ensinar, mas irreais para serem praticadas. Como diz C. S. Lewis em “O Grande Abismo”:

Só há duas espécies de pessoas no final: as que dizem a Deus: “Seja feita a tua vontade”, e aqueles a quem Deus diz: “A tua vontade seja feita”. Todos os que estão no inferno foi porque o escolheram. Sem essa auto escolha não haveria inferno. Alma alguma que desejar sincera e constantemente a alegria irá perdê-la. Os que buscam encontram. Para aqueles que batem, a porta é aberta.

Jesus afirma na conclusão do sermão que “nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (v. 21). Existe uma diferença entre os sinais do poder e da ação de Deus e os sinais de que pertencemos a ele. Deus pode expulsar demônios usando qualquer pessoa. Os milagres são sinais do poder de Deus, não de que pertencemos a ele. Os sinais de nosso pertencimento são os frutos da obediência, do praticar aquilo que Jesus ensinou. São estes os frutos que Jesus espera encontrar naqueles que dizem: Senhor, Senhor! Fé em Jesus não é fé real enquanto não fazemos o que ele nos manda fazer.

Nosso problema com o Sermão do Monte é mais com aquele que ensina do que com o ensino em si. Confiamos neste Senhor? Cremos que ele é bom? Estamos seguros de que ele realmente sabe o que necessitamos? Se não confiamos nele, vamos achar suas palavras bonitas de se ouvir e boas para se falar -- mas não reais para se viver. O julgamento para aqueles crentes que ouvem, mas não praticam, será a ausência da comunhão divina: “Nunca vos conheci”.

Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto e coordenador do Centro Cristão de Estudos, em Brasília. É autor de “Janelas para a Vida” e “O Caminho do Coração”.


terça-feira, 27 de setembro de 2011

Quando o Povo de Deus se Reúne e Serve ao Senhor com Temor

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Servi ao Senhor com temor e alegrai-vos nele com tremor. (Sl 2:11)
O mundo define grandeza em termos de poder. Por isso, desde cedo, aprendemos a competir. Queremos os melhores lugares, as maiores posições, os melhores salários, o melhor carro, a melhor casa. Para chegar ao poder, muitos jogam sujo, trapaceiam, armam esquemas, burlam regras, compram votos, etc. Todavia, devemos lembrar que esse “desejo de grandeza” não é privilégio do nosso tempo. Tiago e João, discípulos de Jesus, também se sentiram tentados a andar no caminho ilusório do poder (Mc 10:35-37). Daí, o mestre dos mestres mostrou-lhes qual o verdadeiro caminho para a grandeza: Qualquer que entre vós quiser ser grande, será o que vos sirva (Mc 10:43).

Ser “grande”, para Jesus, está relacionado com “servir”. “Deus avalia a nossa grandeza pela quantidade de pessoas que servimos, não pela quantidade de pessoas que nos servem”. [1]
É bem possível que algo em torno de sessenta milhões de homens, mulheres e crianças, viviam na servidão, em todo o Império Romano. Os escravos eram considerados bens particulares, ferramentas, como machados e enxadas. Por isso, os cristãos dos primeiros séculos da história do cristianismo sabiam muito bem o que era ser servo de alguém, e qual a relação que devia haver entre o servo e seu senhor. Era difícil pensar algo de bom ou positivo relacionado à servidão. Todavia, a Bíblia diz que aqueles que receberam Jesus são servos. Antes de sermos alcançados pelo evangelho, éramos todos servos do pecado (Rm 6:16), e, uma vez aceitando o evangelho, nós nos tornamos servos de Deus (v. 22). Isso significa que, agora, servimos em sinal de gratidão a um Senhor que nos tornou livres da escravidão do pecado.
Você foi chamado não para ser visto, mas para servir a Deus! Lembre-se disto, quando for retirar uma oferta, cantar um louvor, pregar a palavra, ministrar a lição, etc.
O chamado do servo: O serviço faz parte do culto a Deus. Fomos criados, salvos e chamados para servi-lo! A Bíblia diz que recebemos uma nova vida da parte de Cristo Jesus para que realizássemos as boas obras (Ef 2:10 – NBV). Essas boas obras estão relacionadas com o serviço a Deus. Sempre que servimos as pessoas, estamos servindo a Deus2 (Cl 3:23-24). Outro texto que confirma que recebemos uma nova vida para que sirvamos a Deus é 2 Timóteo 1:9. Ali, Paulo diz a Timóteo: Foi ele quem nos salvou e nos chamou para o seu santo trabalho (NBV). Você foi chamado não para ser visto, mas para servir a Deus! Lembre-se disto, quando for retirar uma oferta, cantar um louvor, pregar a palavra, ministrar a lição, etc.
Nós pertencemos a Cristo Jesus, que foi ressuscitado para que nós possamos viver uma vida útil no serviço a Deus (Rm 7:4 – NTLH). O resultado da nossa união com Cristo deve ser uma vida santificada. Todos nós fomos chamados pelo Senhor, independentemente do lugar e do tempo. Cada um foi chamado para servir. Agora, servimos a um Senhor que é digno de ser servido. O ensino da palavra de Deus é o seguinte: ... assim como apresentastes os vossos membros para servirem à imundícia, e à maldade para a maldade, assim apresentai agora os vossos membros para servirem à justiça para santificação (Rm 6:19). Fomos comprados por alto preço, glorifiquemos a Deus (1 Co 6:20). Que, ao invés de ambição egoísta ou vaidade (Fp 2:3), haja serviço a Deus com temor em nosso meio, quando nos reunirmos para adorá-lo.
A prontidão do servo: Uma das características do servo consiste em estar sempre de prontidão. “Estar de prontidão” significa estar preparado para agir a qualquer momento, se necessário. Uma das coisas que Deus pediu a Israel, já no início da conquista da terra prometida, foi: ... que ameis ao Senhor vosso Deus (...) e o sirvais com todo o vosso coração, e com toda a vossa alma (Js 22:5 cf. Dt 10:12; Mq 6:8). Portanto, agora, da mesma forma, Deus quer que o sirvamos com dedicação e amor. Porque para isso fomos chamados. E devemos fazê-lo com prontidão. Você está disposto a adorar a Deus, servindo-o a qualquer momento?
Quando é convidado para realizar alguma tarefa na igreja, qual a sua reação? Você é como o soldado que, quando está servindo, quer agradar o seu comandante e por isso não se envolve nos negócios desta vida (2 Tm 2:4 –NTLH)? O compromisso do soldado é estar sempre em prontidão para servir o comandante. Você está sempre pronto para servir a Cristo, onde quer que você esteja? Reunir-se com os irmãos para cultuar a Deus e dedicar tempo especial para estar a sós com ele tem sido um peso para você? “Ser servo significa desistir do direito de controlar a sua agenda e permitir que Deus a interrompa sempre que precisar”. [3] A noite vem quando ninguém pode trabalhar (Jo 9:4). Enquanto é dia, sirva ao Senhor com prontidão!
O exemplo de servo: Em se tratando de servir, Jesus é o melhor exemplo que podemos ter. Olhando ele, sentimo-nos envergonhados, pois, quando solicitados a fazer algo pela causa de Deus, não hesitamos em apresentar desculpas para não servir. A Escritura afirma que Jesus, sendo em forma de Deus não teve por usurpação o ser igual a Deus mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo (Fp 2:6-7). Da Escritura, temos mais esta sentença: De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus (Fp 2:5).
Um dos mais destacados exemplos de Jesus, durante sua passagem entre os homens, foi, sem dúvida alguma, aquele que deu diante dos seus discípulos, na noite em que celebrou a ceia (Jo 13:4-5). A atitude adotada por ele de lavar os pés de seus discípulos foi decisiva para desmontar toda e qualquer pretensão alimentada por eles, até ali, sobre quem seria o maior. Essa atitude foi complementada pelas palavras: Porque eu vos dei o exemplo para que assim como eu vos fiz façais vós também (...). Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes (Jo 13:15-17). Jesus agiu como servo, assim também devemos fazer. Por isso, no culto individual ou coletivo ou ao realizar qualquer outra atividade no corpo de Cristo, tenha a atitude de servo. Faça como Jesus faria.
A discrição do servo: O servo do Senhor é modesto e despretensioso; não se gloria do que faz. Não é de seu feitio enaltecer suas próprias qualidades. Não faz tocar a trombeta, quando faz algo digno de elogio. Seu objetivo é fazer o bem, sem lhe importar onde, quando e a quem. Jesus condenou o comportamento de determinada classe de indivíduos, que se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens (Mt 6:5). Para Jesus, esse tipo de conduta precisa ser evitado. Não haverá galardão para quem age assim.
O servo do Senhor age discretamente e com temor. Enfatizando a importância da discrição nas atitudes do crente, Jesus observou: Tu, porém, ao dares a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a tua direita; para que a tua esmola seja dada ocultamente; e teu Pai, que a vê em segredo, te recompensará publicamente (Mt 6:3-4). Portanto, basta que Deus, em cujo nome o benefício foi feito, saiba, pois é dele que vem o galardão. O serviço com discrição é um culto secreto de que Deus muito se agrada. Quando nos reunirmos para a adoração coletiva, devemos ser para ele essa oferta agradável de corações despretensiosos, de filhos que estão dispostos a servi-lo sempre.
O altruísmo do servo: O servo é altruísta. Mas o que é altruísmo? É a qualidade daquele que se preocupa com o bem-estar dos outros. O altruísmo é caracterizado pela boa-vontade demonstrada por uma pessoa em relação às demais. O altruísta não consegue ver alguém necessitado e ficar de braços cruzados, sem nada fazer para atender à sua necessidade. Assim, serve a Deus e aos filhos de Deus. Da mesma forma como se esforça para cuidar do seu próprio bem, o servo altruísta cuida também do seu próximo. O samaritano descrito em Lc 10:25-37 é um bom exemplo disso.
A vida cristã só tem sentido quando os bens materiais e espirituais de uma pessoa forem, de alguma forma, partilhados com outrem (Hb 13:16). Assim viviam os membros da igreja primitiva (At 2:42). Assim devemos viver: ... sede, antes, servos uns dos outros (Gl 5:13). E mais: ao servirmos uns aos outros, devemos ter como motivação o amor (Gl 5:13b). O “amor é o princípio divino que deve guiar os nossos relacionamentos” [4] e o nosso serviço a Deus e ao próximo. Nosso culto só será verdadeiro se for motivado pelo amor.
A fidelidade do servo: O verdadeiro servo é aquele que serve com temor. Ele não tem medo, mas tem o devido cuidado para não ofender ou desagradar o seu Senhor. Esse é o temor que induz à fidelidade. Paulo vê no bom soldado que foi alistado para a guerra o exemplo do servo fiel. Por isso, diz a Timóteo: Sofre pois, comigo as aflições como bom soldado de Jesus Cristo. Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra (2 Tm 2:3-4). A única preocupação dos soldados é agradar aquele que os chamou para a batalha.
Deus tem grandes coisas para serem feitas, e quer fazê-las através de nós ou com a nossa colaboração. Executar essas tarefas constitui um privilégio, pois nada pode ser mais gratificante do que colaborar com Deus na realização de qualquer serviço. É a adoração que lhe prestamos. Para isso, o crente foi chamado. Deus quer que sejamos fiéis e lhe ofereçamos um culto verdadeiro. Normalmente, quem é fiel no pouco também é fiel no muito (Lc 16:10). A fidelidade independe do tamanho da tarefa.
PRATICANDO A PALAVRA DE DEUS
1. Quem serve ao Senhor, precisa sempre de humildade.
Reunido em Mileto, quando se despediu da igreja e dos presbíteros daquela região, o apóstolo Paulo falou do serviço que desenvolveu na Ásia e de como se comportou no desempenho desse serviço. Ali esteve servindo ao Senhor com toda a humildade (At 20:19). E não foi fácil para ele o serviço que fez para o Senhor, naquela região. Esse serviço lhe exigiu muitas lágrimas, pois esteve envolvido em tentações e sujeito a muitas ciladas, como ele mesmo declarou. Mas Paulo seguia o exemplo de Cristo (Mt 11:28). Não estava fazendo nada para se autopromover, mas tudo para a glória de Deus. Ao lermos o capítulo 21 de Mateus, concluímos não ter sido nada fácil também para Jesus tomar a decisão de vir a este mundo, que muitos dos servos de Deus (os profetas), que vieram antes dele, foram perseguidos, torturados e mortos (vv. 34-36). Apesar disso tudo, ele não se intimidou. Numa atitude de renúncia, veio à terra e cumpriu prontamente a missão que lhe foi confiada. Os adoradores servos não escolhem tarefas. Seu maior prazer é servir. Foi isto o que Jesus fez: ...aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens (Fp 2:7). Isso é adorar de verdade. Você tem agido assim? Recebe um convite para trabalhar nos bastidores de um culto com o mesmo entusiasmo que recebe um convite para estar à frente?
2. Quem serve ao Senhor, precisa sempre de compaixão.
Nós provamos o nosso amor para com Deus, quando amamos e nos compadecemos dos nossos irmãos. Neste particular, Jesus também foi exemplo. Inúmeras vezes, o evangelho registra a ocorrência desse sentimento nele: Mt 9:36; 14:14; 18:27; Mc 6:34; Lc 7:13; 10:33. Disso trataram também os apóstolos: Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos (Ef 4:32). E, finalmente, sede todos de um mesmo sentimento, compassivos, cheios de amor fraternal, misericordiosos, humildes (1 Pd 3:8). Esse é o sentimento do evangelho. Em Filipenses 2:4, lemos o seguinte: Cada um não se preocupe somente com o que é seu, mas também com o que é dos outros. “No mundo, cada um cuida primeiro de si, pensa somente em si, e seu olhar está atento somente aos seus próprios interesses. Os interesses dos outros estão fora de seu verdadeiro campo de visão”. [5] Todavia, na reunião do povo de Deus, entre os servos de Cristo, pode e deve ser diferente. Os verdadeiros servos pensam mais nos outros do que em si mesmos. O serviço que prestamos a Deus não pode ser em causa própria. Servir para que os outros gostem de nós, para sermos admirados, para alcançarmos os nossos objetivos é manipulação, não serviço! [6] Precisamos sempre vigiar as nossas intenções para não servirmos com carnalidade (Gl 5:13ª).
3. Quem serve ao Senhor, precisa sempre de exultação.
Servi ao Senhor com alegria e apresentai-vos a ele com canto (Sl 100:2). Este é o apelo que temos da parte de Deus. Aliás, cantar é a reação mais comum manifestada por aquele que está alegre. Tiago ensina: Está alguém alegre? Cante louvores (Tg 5:13). O salmista convida: Vinde, cantemos ao Senhor, cantemos com júbilo à rocha da nossa salvação. Apresentemo- nos ante à sua face com louvores, e celebremo-lo com salmos (Sl 95:1-2). Não é difícil servir ao Senhor, quando o que fazemos para ele é feito com alegria. É assim que estamos servindo ao Senhor? Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém (Zc 9:9). Alegria e exultação são duas coisas que caracterizam muito bem o comportamento do crente. A palavra exultar parece indicar o estado emocional que leva uma pessoa a gritar e saltar de alegria (At 3:8). Então, a exultação é a alegria no seu mais alto grau de intensidade. Aliás, a “Nova Bíblia Viva” traduz a palavra “exultar”, de Zc 9:9, por “gritar”. A Escritura recomenda: Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração (Ef 5:19 20). É assim que o crente deve servir a Deus: de maneira alegre e exultante.
CONCLUSÃO
Este estudo nos fez lembrar que, antes de sermos alcançados pelo evangelho, éramos todos servos do pecado (Rm 6:16). Aceitando o evangelho, nós nos tornamos servos de Deus (v. 22). Isso significa que continuamos como servos, mas agora temos um novo Senhor a quem devemos servir em sinal de nossa gratidão, por nos ter libertado da escravidão do pecado. A ele, devemos servir com alegria, com temor, com prontidão, com discrição, com altruísmo, com fidelidade, com humildade, com compaixão, com exultação. É assim que estamos servindo ao nosso Deus? Assim seja.

Bibliografia:
1. WARREN, Rick. Uma vida com propósitos. São Paulo: Vida, 2003. Pág. 222
2. WARREN, Rick. Uma vida com propósitos. São Paulo: Vida, 2003. Pág. 197 
3. WARREN, Rick. Uma vida com propósitos. São Paulo: Vida, 2003. Pág. 223
4. GETZ, Gene A. Um por todos, todos por um. Brasília: Palavra, 2006. Pág. 96 
5. LOPES, Hernandes Dias. Filipenses: a alegria triunfante no meio das provas. São Paulo:Hagnos, 2007. Pág. 116
6. WARREN, Rick. Uma vida com propósitos. São Paulo: Vida, 2003. Pág. 229

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O que a Bíblia diz sobre corrupção

2 comentários:
Por Hermes C. Fernandes em Cristianismo Subversivo

Há quem pense que a corrupção seja um fenômeno recente na sociedade. Se o fosse, não haveria tantas advertências bíblicas contra ela. “O que anda em justiça, e o que fala com retidão, que arremessa para longe de si o ganho de opressões, e que sacode das suas mãos todo suborno, que tapa os seus ouvidos para não ouvir falar de sangue, e fecha os olhos para não ver o mal; este habitará nas alturas, e as fortalezas das rochas serão o seu alto refúgio. O seu pão lhe será dado, e as suas águas serão certas”. Isaías 33:15-16 - “Verdadeiramente a opressão faz endoidecer até o sábio, e o suborno corrompe o coração”. Eclesiastes 7:7

Advertência contra a corrupção no funcionalismo público

“Chegaram também uns cobradores de impostos, para serem batizados, e lhe perguntaram: Mestre, que devemos fazer? Respondeu-lhes: Não peçais mais do que o que vos está ordenado”. Lucas 3:12-13

Advertência contra a corrupção policial

“Então uns soldados o interrogaram: E nós, o que faremos? Ele lhes disse: A ninguém trateis mal, não deis denúncia falsa, e contentai-vos com o vosso soldo”. Lucas 3:14

Advertência contra a corrupção no Poder Judiciário

“Não torcerás a justiça, nem farás acepção de pessoas. Não tomarás subornos, pois o soborno cega os olhos dos sábios, e perverte as palavras dos justos. Segue a justiça, e só a justiça, para que vivas e possuas a terra que o Senhor teu Deus te dá”. Deuteronômio 16:19-20

“Também suborno não aceitarás, pois o suborno cega os que têm vista, e perverte as palavras dos justos”. Êxodo 23:8

“O ímpio acerta o suborno em secreto, para perverter as veredas da justiça”. Provérbios 17:23

“Ai dos que...justificam o ímpio por suborno, e ao justo negam justiça”. Isaías 5:22a,23

“Até quando defendereis os injustos, e tomareis partido ao lado dos ímpios? Defendei a causa do fraco e do órfão; protegei os direitos do pobre e do oprimido. Livrai o fraco e o necessitado; tirai-os das mãos dos ímpios. Eles nada sabem, e nada entendem. Andam em trevas”. Salmos 82:2-5a

“Não farás injustiça no juízo; não favorecerás ao pobre, nem serás complacente com o poderoso, mas com justiça julgarás o teu próximo”. Levítico 19:15

Independência entre os poderes

“Pereceu da terra o homem piedoso, e não há entre os homens um que seja reto. Todos armam ciladas para sangue; cada um caça a seu irmão com uma rede. As suas mãos fazem diligentemente o mal; o príncipe exige condenação, o juiz aceita suborno, e o grande fala da corrupção da sua alma, e assim todos eles são perturbadores”.
Miquéias 7:2-3

Advertência contra a corrupção no Poder Executivo

“Os teus príncipes são rebeldes, companheiros de ladrões; cada um deles ama o suborno, e corre atrás de presentes. Não fazem justiça ao órfão, e não chega perante eles a causa das viúvas”. Isaías 1:23

“Pela justiça o rei estabelece a terra, mas o amigo de subornos a transtorna”. Provérbios 29:4

“Abominação é para os reis o praticarem a impiedade, pois com justiça se estabelece o trono”. Provérbios 16:12

Advertência acerca dos acessores corruptos

“Tira o ímpio da presença do rei, e o seu trono se firmará na justiça”. Provérbios 25:5

Advertência contra a corrupção no Poder Legislativo

“Ai dos que decretam leis injustas, e dos escrivães que escrevem perversidades, para privar da justiça os pobres, e para arrebatar o direito dos aflitos do meu povo, despojando as viúvas, e roubando os órfãos! Mas que fareis no dia da visitação, e da assolação, que há de vir de longe? A quem recorrereis para obter socorro, e onde deixareis a vossa glória, sem que cada um se abata entre os presos, e caia entre os mortos?” Isaías 10:1-4

Advertência contra a corrupção e a ganância no meio empresarial

“No meio de ti aceitam-se subornos para se derramar sangue; recebes usura e lucros ilícitos, e usas de avareza com o teu próximo, oprimindo-o. E de mim te esqueceste, diz o Senhor Deus. Eu certamente baterei as mãos contra o lucro desonesto que ganhastes...” Ezequiel 22:12-13a

“Melhor é o pouco, com justiça, do que grandes rendas, com injustiça”. Provérbios 16:8

“O que oprime ao pobre para aumentar o seu lucro, ou o que dá ao rico, certamente empobrecerá”. Provérbios 22:16

Advertência contra juros absurdos praticados pelo Sistema Financeiro

“O que aumenta a sua fazenda com juros e usura, ajunta-a para o que se compadece do pobre”. Provérbios 28:8

“Sendo o homem justo, e fazendo juízo e justiça (...) não oprimindo a ninguém, tornando ao devedor o seu penhor, não roubando, dando o seu pão ao faminto, e cobrindo ao nu com vestes; não dando o seu dinheiro à usura, não recebendo demais, desviando a sua mão da injustiça, e fazendo verdadeiro juízo entre homem e homem; andando nos meus estatutos, e guardando os meus juízos, para proceder segundo a verdade, o tal justo certamente viverá, diz o Senhor Deus”. Ezequiel 18:5,7-9

“Se emprestares dinheiro ao meu povo, ao pobre, que está contigo, não te haverás com ele como credor; não lhe imporás juros”. Êxodo 22:25

“Aos retos até das trevas nasce a luz, pois é compassivo, compassivo e justo. Bem irá ao que se compadece e empresta, que conduz os seus negócios com justiça. (...) É liberal, dá aos pobres, a sua retidão permanece para sempre; a sua força se exaltará em glória”.
Salmos 112:4-5,9

Advertência acerca dos Direitos trabalhistas

“Se desprezei o direito do meu servo ou da minha serva, quando contendiam comigo, então que faria eu quando Deus se levantasse? E, inquirindo ele a causa, que lhe responderia?” Jó 31:13-14

“Chegar-me-ei a vós para juízo, e serei uma testemunha veloz contra os feiticeiros e contra os adúlteros, e contra os que juram falsamente, e contra os que defraudam o trabalhador, e pervertem o direito da viúva, e do órfão, e do estrangeiro, e não me temem, diz o Senhor dos Exércitos”. Malaquias 3:5

“Vós, senhores, dai a vossos servos o que é de justiça e eqüidade, sabendo que também vós tendes um Senhor nos céus”. Colossenses 4:1

“Não oprimirás o teu próximo, nem o roubarás. O salário do operário não ficará em teu poder até o dia seguinte”. Levítico 19:13

Advertência contra lucros desonestos

“O mercador tem balança enganadora em sua mão; ele ama a opressão”. Oséias 12:7

“Não terás dois pesos na tua bolsa, um grande e um pequeno. Não terás duas medidas em tua casa, uma grande uma pequena. Terás somente pesos exatos e justos, e medidas exatas e justas, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá. Pois o Senhor teu Deus abomina todo aquele que pratica tal injustiça”. Deuteronômio 25:13-16

“Balança enganosa é abominação para o Senhor, mas o peso justo é o seu prazer”. Provérbios 11:1

“O peso e a balança justos são do Senhor; obra sua são todos os pesos da bolsa”. Provérbios 16:11

“Poderei eu inocentar balanças falsas, com um saco de pesos enganosos?” Miquéias 6:11

“Não cometereis injustiça nos julgamentos, nas medidas de comprimento, de peso ou de capacidade. Balanças justas, pesos justos, efa justo, e justo him tereis. Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito.” Levítico 19:35-36.

Imagine se nossos políticos tivessem a Bíblia como livro de cabeceira, em vez de "O Príncipe" de Maquiavel. Veriam que a corrupção não compensa.

domingo, 25 de setembro de 2011

Quando o Povo de Deus se Reúne para Rever suas Atitudes

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Tenho pensado na minha maneira de agir e prometo seguir os teus ensinamentos. (Sl 119:59)
Em artigo anterior, fizemos uma análise sobre o papel fundamental da palavra de Deus no culto. O texto de hoje está, intimamente ligado com a pregação da palavra. Quando a Escritura é pregada ou lida em nossas celebrações, é momento propício para considerarmos as nossas ações, para ver se a nossa maneira de agir, nesta ou naquela área, está ou não condizente com o ensino bíblico. O escritor do Salmo 119 meditou sobre a sua vida e chegou à conclusão de que deveria voltar-se na direção dos testemunhos divinos. É sobre essa saudável prática, necessária no nosso culto a Deus, que trataremos neste post.

“O tema principal do Salmo 119 é o uso prático da Palavra de Deus na vida daquele que teme ao Senhor”. [1]
Novamente, a exemplo do texto Quando o Povo de deus se Reúne para Ouvir a Palavra do Senhor , analisaremos um trecho do Salmo 119. Apesar de não sabermos ao certo o nome do seu autor, sabemos que foi escrito por alguém que desejava intensamente compreender e viver a palavra de Deus. Seu respeito e admiração pelas Escrituras são dignos de serem imitados! “O tema principal do Salmo 119 é o uso prático da Palavra de Deus na vida daquele que teme ao Senhor”. [1] O autor nos mostra como podemos usar a Bíblia para lidar com as pressões e perseguições que sempre acompanham uma caminhada obediente na fé. Uma das práticas espirituais, citada por ele, nos versos 57-64, que são a base deste estudo, precisa fazer parte do nosso culto a Deus: é a prática da sondagem, da auto análise. Vejamos.
O crente deve firmar um compromisso verdadeiro com Deus: Em primeiro lugar, precisamos afirmar que toda auto análise, para nós, servos de Deus, só será bem sucedida e eficiente se estiver firmada num compromisso verdadeiro com Deus e com sua palavra. Se a nossa base não for a palavra de Deus, corremos o risco de mudar de atitude e ainda continuar no erro; sair de uma atitude errada para outra atitude errada. É na Bíblia que encontramos a vontade de Deus revelada, e o nosso grande objetivo como cristãos é fazer esta vontade. Então, para revermos as nossas atitudes que não condizem com a vontade de Deus e que precisam ser corrigidas, devemos nos basear na Escritura.
O autor do Salmo 119 tinha a palavra de Deus por base. Ele inicia o trecho do nosso estudo mostrando que tinha feito um compromisso com Deus e com sua palavra. Chama Deus de sua “porção” (v. 57a). A ideia desta palavra é de que o Senhor é a sua maior riqueza (NBV). E, justamente por isso, o salmista diz: ... prometo obedecer às tuas palavras (v. 57b). “Uma das promessas mais elogiosas e, ao mesmo tempo, mais arriscadas, é a de pôr em prática as palavras de Deus”. [2] O verbo “obedecer”, usado por ele, exprime a ideia de “atenção cuidadosa”. Lembre-se disto: toda revisão de atitudes deve ser pautada na palavra. Por isso, no culto, temos ótimas oportunidades para colocar esse exercício espiritual em prática, principalmente no momento da pregação.
toda revisão de atitudes deve ser pautada na palavra
O crente deve ser coerente em seu pedido: Conforme já dissemos, o trecho do Salmo 119 que estamos estudando narra um momento em que o autor andou meditando sobre sua vida. Como vimos, ele começa mencionando a promessa que havia feito de obedecer à palavra de Deus. No verso 58, antes de narrar sua auto análise pessoal, ele faz um pedido urgente e necessário para quem vai praticar este exercício: Imploro de todo o coração a tua graça. A palavra traduzida por “graça”, aqui, significa, literalmente, no original, “rosto” ou “face”. O rosto identifica a pessoa e reflete a atitude e os sentimentos desta. Então, o verso 58 é a oração de um coração desejoso da presença de Deus. É um apelo que vem de alguém que está analisando os seus caminhos. De alguém que deseja mudar.
Na sequência do verso, ele diz: ... tem piedade de mim, ou, como traduz a Bíblia Viva: Mostre o seu cuidado e proteção por mim. O poeta vira-se para Deus, a fim de buscar dele sustento e graça. Quer que o Senhor lhe mostre compaixão. Seu pedido é por misericórdia e favor de Deus. É importante esse pedido, quando o assunto é rever atitudes. A razão para isso é simples: nem sempre temos a força necessária para mudar, quando detectamos as falhas. Precisamos da ajuda do alto! Por isso, o apelo do salmista deve ser o nosso apelo. Enquanto a mensagem é pregada, se as nossas atitudes não estiverem condizentes com a mesma, imploremos a presença, a misericórdia e o favor do Senhor! Se desejarmos sinceramente a mudança, a ajuda virá.
O crente precisa fazer uma reflexão saudável: Depois de pedir a ajuda do alto, na primeira parte do verso 59, o salmista descreve a sua prática pessoal, que, certamente, deve estar entre os exercícios de todo cristão. Um exercício que vale a pena, que nos auxilia em nossa sobrevivência espiritual, nos ajuda a continuar avançando no rumo certo. O salmista diz: Considerei os meus caminhos (v. 59a). “Considerar” é pensar, calcular, fazer juízo, contar, contabilizar. A ideia básica da palavra, nestes versos, é empregar a mente na atividade básica de pensar. Por isso, a NTLH traduziu o verso da seguinte forma: Tenho pensado na minha maneira de agir (NTLH).
O autor andou meditando em sua jornada, tendo em vista remediar, imediatamente, quaisquer defeitos. “Alguns intérpretes vêem neste versículo o arrependimento de um homem que se tinha desviado do caminho reto”. [3] Essa reflexão é extremamente saudável. De vez em quando, é preciso parar mesmo para refletir. Para trazer à lembrança os últimos passos. “Para localizar o passo falso, o equívoco, o desvio, a nascente da crise, o início da queda. Para esquadrinhar o comportamento desde então”. [4] Essa prática, às vezes, tão ignorada, deve fazer parte do nosso culto a Deus. Sempre que a palavra for anunciada, é tempo de rever atitudes! Não perca a oportunidade.
O crente precisa decidir inteligentemente: Quando ponderava sobre o sua vida, o salmista percebeu que os seus pés haviam se afastado do caminho. Veja o que ele mesmo disse: Quando paro para pensar sobre a minha vida, trato sempre de abandonar os meus caminhos errados para andar segundo a sua vontade revelada (v. 59). Depois do exame, ele decidiu trazer de volta os passos para o caminho correto. Daí a importância de pensarmos sobre nossa conduta. Depois de pensar, o poeta não quis mais andar errante.
A reflexão o fez mudar. Ele decidiu voltar, e o fez com rapidez. Não brincou com suas próprias convicções, nem procurou abafar nada. Observe o que ele disse, no verso seguinte: Apresso-me a obedecer aos teus mandamentos (v. 60). “Apressar” traz o sentido de “acelerar”. Nem sempre se deve acelerar ao máximo. Numa rodovia, por exemplo, existem limites de velocidade. Mas, no que diz respeito a voltar a guardar os mandamentos do Senhor, a mudar atitudes erradas, a velocidade deve ser total. E sem atrasos. O salmista também disse: ... não me detenho. Ele está realmente decidido a mudar. Essa sua decisão é muito inteligente. Não basta rever atitudes. Para que haja cura, as falhas encontradas devem ser consertadas. É preciso voltar às origens, ao padrão das Escrituras (Ap 2:5).
O crente deve ter todo o cuidado, pois existem armadilhas muito perigosas pelo caminho: Depois de refletirmos sobre as nossas atitudes e decidirmos mudar as que destoam da vontade de Deus, precisamos continuar vigilantes. Ainda poderemos cair novamente, errar o passo. O risco continua real. As armadilhas continuarão. Se não estivermos firmes em nossa resolução de andar segundo a vontade de Deus, o perigo de um novo tombo é concreto. Atente para o que diz o verso 61 do Salmo 119: Embora os ímpios me enleiem com laços, não me esquecerei da tua lei. Na NTLH está escrito assim: Os maus armaram uma armadilha para me pegar, mas eu não me esqueço da tua lei.
Apesar de o salmista ter acabado de dizer que decidiu voltar com pressa a obedecer ao Senhor, ele reconhece que, neste caminho, enfrentará oposição. Ainda há “laços”, “armadilhas”. Seria muito bom, se pudéssemos ser rodeados apenas por pessoas boas, que nos amam, nos querem bem, amigos de verdade. Mas não há ninguém que tenha esse privilégio de ter somente este tipo de pessoa do seu lado. No Salmo 119, o autor faz questão de mostrar a presença dos adversários. Mas o salmista não permite que estes inimigos, com suas ciladas, alterem a sua conduta. Ele se apega a Deus e sua palavra. “Só aquele que age assim pode sobreviver neste mundo de inveja, ódio e violência”. [5]
O crente precisa se prevenir: Depois de repensar os caminhos, mudar, saber que as armadilhas ainda serão preparadas, o salmista começa a tratar de algumas atitudes preventivas que tomará para continuar no caminho certo. Essas atitudes podem ajudá-lo a se manter de pé. É sábio fortalecermo-nos em tempos de paz, para aguentarmos firmes, quando vier a luta. O salmista diz que irá fazer, pelo menos, duas coisas: Primeiro, vai manter uma comunhão viva com Deus. No verso 62, ele diz: À meia noite, me levantarei para te louvar pelos teus justos juízos. O coração do salmista transbordava de gratidão pelos juízos do Senhor. Ele o louvaria por eles! Não há como manter os nossos pés fincados no caminho certo, se não tivermos comunhão viva com o Senhor.
Em segundo lugar, o salmista tinha amigos e mostra que continuaria ao lado deles. Ele afirma ser amigo daqueles que eram tementes a Deus. Havia pessoas que compartilhavam de sua busca espiritual. Ele diz: ... sou companheiro dos que o temem (v. 63). A força da unidade é necessária para nos mantermos de pé. “Os que têm mente idêntica nos fortalecem, e nós os fortalecemos, e isso é parte importante do andar espiritual”. [6] O salmista escolheu andar com aqueles que andavam com o Senhor. Façamos isso também! No culto, podemos encontrar pessoas tementes a Deus. Que ele as use para nos ajudar a ficar firmes nos seus estatutos.
PRATICANDO A PALAVRA DE DEUS
1. Devemos repensar nossas atitudes contrárias à Escritura, sem falsidade.
Você já fez o compromisso sério, diante de Deus, de obedecer as suas palavras (Sl 119:57), de ter a Bíblia como sua única regra de fé e de prática? Já se comprometeu a pautar sua conduta nos ensinos bíblicos? Se sim, então, enquanto a palavra for pregada no culto, se alguma atitude sua for confrontada, não tente se blindar, fingir que não é com você. Se há algo que a Bíblia reprova e que você anda aprovando, ou algo que a Bíblia aprova que você anda reprovando, mude! É tempo de revisão na sua maneira de agir! E não adianta mentir para você mesmo. Fale a verdade. Não se engane e nem engane os outros a seu próprio respeito. Se você deseja uma auto análise eficiente, arranque a máscara. Não tente sustentar ser uma pessoa que você não é. Se a Escritura está mexendo com você, não fique tentando armar justificativas para validar o seu comportamento. Mude! Jesus disse a alguns escribas e fariseus: ... sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia! (Mt 23:27). Quando nos reunirmos para adorar a Deus, não encubramos o nosso mau caráter, a nossa mentira. Só assim poderemos ser atendidos, perdoados, renovados e transformados por aquele que é grande em misericórdia.
Nessa hora, o mais importante não é o que os outros vão pensar, mas o que o Senhor vai pensar, se não tivermos coragem de reconhecer nosso erro.
2. Devemos reconhecer e deixar para trás nossas atitudes contrárias à Escritura, sem covardia.
O covarde é aquele que recua ante o perigo ou o medo. Em se tratando de rever atitudes, essa postura não pode estar presente. É preciso muita coragem para se admitir os próprios erros. Desde o primeiro pecado, nós, seres humanos, temos uma dificuldade natural de admitir as nossas falhas. Temos facilidade para culpar os outros (cf. Gn 3:12), para camuflar o erro e continuar vivendo a vida. Todavia, essa não é a atitude correta. Uma vez que examinamos as nossas atitudes e detectamos nosso desvio do caminho, precisamos de coragem suficiente para dizer: “Eu pequei e preciso mudar”. Nessa hora, o mais importante não é o que os outros vão pensar, mas o que o Senhor vai pensar, se não tivermos coragem de reconhecer nosso erro. O salmista precisou de coragem para dizer publicamente que pensou no seu modo de agir e precisou voltar os seus passos (Sl 119:59). Davi precisou de coragem para dizer: ... reconheço as minhas transgressões (Sl 51:3). Paulo precisou de coragem para dizer: Miserável homem que sou! (Rm 7:24). O filho pródigo precisou de coragem para, após refletir em seus caminhos errados, reencaminhar seus passos na direção certa e dizer: Pai, pequei contra o céu e perante ti (Lc 21:22). Tenhamos coragem! Depois da pregação, sempre há o momento do convite àqueles que necessitam de mudança. Não se demore a reconhecer seu erro e suplicar perdão.
3. Devemos mudar nossas atitudes contrárias à Escritura, e sem mais demora.
Assim que descobriu a falha em seu caminho, o salmista, sem atrasos, voltou-se para a obediência à palavra de Deus. Ele disse: Eu me apressarei e não hesitarei em obedecer aos teus mandamentos (v. 60). Na versão da Nova Bíblia Viva, este verso foi traduzido assim: Quando se trata de cumprir os seus mandamentos, não tenho tempo a perder (NBV). Se suas atitudes não condizem com a palavra do Senhor, o momento de voltar é agora! A Escritura Sagrada é inspirada por Deus e útil para ensinar a verdade, condenar o erro, corrigir as faltas e ensinar a maneira correta de viver (2 Tm 3:16 – NTLH). Modifiquemos as nossas atitudes contrárias a Escritura, sem demora! Se você não tem tratado sua esposa como deveria, é tempo de rever atitudes! Se não tem tratado seus filhos como deveria, é tempo de rever atitudes! Se não tem tratado os seus pais como deveria, é tempo de rever atitudes! Se não tem se comportado em seu ambiente de trabalho como deveria, é tempo de rever atitudes! Se já não tem mais servido a Deus com entusiasmo, é tempo de rever atitudes! Se as pessoas estão olhando para você e já não glorificam mais a Deus pelas suas boas obras, é tempo de rever atitudes! Deixe a palavra de Deus, que é viva e eficaz, mexer com a sua conduta: sem demora!
Se suas atitudes não condizem com a palavra do Senhor, o momento de voltar é agora!
CONCLUSÃO
Antigamente, você louvava a Deus com todo entusiasmo. Antigamente, você tinha o desejo ardente de anunciar Jesus. Antigamente, você era o primeiro a chegar ao culto. Antigamente, você tinha um ardente desejo de orar. Antigamente, você era um excelente pai de família. Antigamente, você era um cristão exemplar. O que aconteceu? O que mudou? Pense. Esquadrinhemos os nossos caminhos, provemo-los e voltemos para o Senhor (Lm 3:40). Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras (Ap 2:5). É tempo de rever atitudes! No culto, e fora dele, pratiquemos esse saudável exercício espiritual.

Bibliografia:
1. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento 2: Poéticos. Santo André: Geográfica, 2006. Pág. 292
2. CÉSAR, Elben M. Lenz. Refeições diárias com o sabor dos Salmos. 2 ed., Viçosa, MG: Ultimato, 2006. Pág. 268 
3. CHAMPLIN, Russel Norman. O Antigo Testamento interpretado: versículo por versículo. São Paulo: Candeia, 2000. Pág. 2441
4. CÉSAR, Elben M. Lenz. Refeições diárias com o sabor dos Salmos. 2 ed., Viçosa, MG: Ultimato, 2006. Pág. 269 
5. CÉSAR, Elben M. Lenz. Refeições diárias com o sabor dos Salmos. 2 ed., Viçosa, MG: Ultimato, 2006. Pág. 272
6. CHAMPLIN, Russel Norman. O Antigo Testamento interpretado: versículo por versículo. São Paulo: Candeia, 2000. Pág. 2442

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sábado, 24 de setembro de 2011

Jesus X Igreja: tornei-me cristão quando saí da igreja

2 comentários:

Por Mauricio Zágari

Esta semana vi no twitter de alguém um link para a tabela que está aqui ao lado. Ela sintetiza um discurso que nos últimos anos se tornou moda entre grande parcela dos cristãos brasileiros: o grupo que passou a satanizar a igreja institucional. Segundo esse segmento, a igreja (com letra minúscula) é o grande mal do universo. Não mais as obras da carne, o pecado, o mundo, o diabo, nada disso. A maligna, satânica e perversa igreja organizada é o vilão da hora. O lema desse grupo poderia ser resumido a “tornei-me cristão quando saí da igreja”. Legiões têm abraçado esse discurso e passado adiante essa ideologia, em geral em redes de relacionamento, blogs e sites da internet. Analisei esse quadro e gostaria de tecer comentários a respeito (em breve abordarei em detalhes aqui no Apenas os pontos apresentados nesse quadro, mas por ora me atrevo a fazer uma consideração geral).

Antes de mais nada, é importante dizer que amo Jesus. Fui chamado pela graça, resgatado sem merecer e justificado exclusivamente pelo sangue do Cordeiro, sem mérito ou obra que me valesse. Por isso, busco Jesus de Nazaré. Sou grato a Ele. Preciso dele a cada passo, contando com sua misericórdia para me perdoar diariamente de minha multidão de pecados. Sei que só em sua pessoa, na seiva que corre na videira verdadeira, posso obter a vida – e por isso mesmo meu interesse é encontrá-lo onde Ele estiver. Ao mesmo tempo estou ciente dos absurdos que acontecem em muitas igrejas. Teologia da Prosperidade, igrejas onde se oprimem membros com usos e costumes humanos, congregações de fachada para o exercício de poder humano, legalismos vazios, cultos sem espiritualidade, politização e capitalização da fé… enfim, todos os descalabros que estamos acostumadíssimos a ver em diversos rincões por aí.

Por isso compreendo que, juntando-se o amor por Jesus à percepção desses absurdos no seio da chamada igreja evangélica, é natural que muitos decidam apedrejar o conceito de “igreja” para defender a causa de Cristo. Afinal, é a saída mais rápida e fácil. É a solução do médico que, para curar uma unha encravada, decide amputar a perna. Sim, isso é exatamente o que vem acontecendo: bons cristãos, ansiosos por uma vida profunda em Jesus, se revoltam contra o tanto de abuso e opressão que enxergam em determinadas igrejas e denominações que saem atacando o conceito – em vez de atacar os problemas.

O principal erro no discurso dos que demonizam a igreja institucional é o generalismo. A tabela acima estaria perfeita se viesse a se referir a determinadas congregações e denominações. Ela seria verídica se dissesse “igreja x” ou “igreja y”. Mas anatemizar o universo de todas as igrejas organizadas por causa dos maus exemplos é de uma irresponsabilidade, ignorância e superficialidade dignas de nota. Jesus é um, então Ele pode ser tomado como medida de comparação. Mas “igreja” (novamente: com minúsculas) é um substantivo comum que designa tantos modelos diferentes de reuniões de cristãos que construir uma comparação apenas a partir desse termo já é um equívoco em si. De qual igreja estamos falando? Neopentecostal? Tradicional? Presbiteriana? Batista? Católica romana? Ortodoxa? A dos puritanos? A dos morávios? A de John Wesley? A de Agostinho? A das catacumbas? A monástica? A de Tomás à Kempis? Luterana? Calvinista? Anglicana? Episcopal? Congregacional? Pentecostal? As comunidades alternativas dos desigrejados? A da minha esquina? A do leitor? Qual?

E não é só isso. Dentro desse universo de expressões institucionais que chamamos de “igreja”, há cristãos sérios e também falsos cristãos, simultaneamente. Peguemos uma igreja organizada qualquer. Dentro dela você encontrará pessoas espirituais e pessoas carnais, interesseiras ou devotadas, pastores canalhas e pastores piedosos, homens de Deus e joio do diabo. Então, dentro desse universo pluralista, cheio de nuances, cores e tons, criar uma tabela ou um discurso generalizando o conceito “igreja” é tentar embutir o oceano num copo d’água. Fazer isso é julgar inocentes, chamar de opressores muitos homens que pregam a liberdade e a piedade, acusar os que Jesus não acusa. Logo, é em sua essência bastante anticristão.

Lembremos sempre da pergunta de Abraão a Deus em Gênesis 18: “Exterminarás o justo com o ímpio?”. Ao que o Senhor responde que se houver dez justos ao menos em Sodoma Ele não destruirá a cidade.

Quem critica desse modo generalista e irresponsável a “igreja institucional”, a exemplo do autor da tabela acima, está usando o mesmo raciocínio de “homem não presta”. Isso geralmente é dito por alguma mulher que foi magoada por um, dois ou no máximo três homens. Mas há cerca de 3,5 bilhões de homens no mundo! Então afirmar que “homem não presta” é um generalismo brutal e bem injusto. Do mesmo modo, dizer que a “igreja” é isso tudo o que a tabela e que o discurso anti-igreja institucional dizem é no mínimo brutalizante.

Além disso, é de uma ignorância histórica patente. Lógico que a igreja errou muito ao longo de sua trajetória, com os exemplos clássicos da inquisição, omissão na Alemanha nazista, papado carnal, indulgências e outros desmandos mais. Ela é formada por homens, como alguém esperaria que ela não errasse? Errou do mesmo modo que errou a Igreja (com maiúscula) de Atos dos Apóstolos, que tinha em seu seio mentirosos e ladrões como Ananias e Safira, homens que se repreendiam na cara como Paulo e Pedro, discórdias como a de Paulo e Barnabé, entre muitas outras questões vistas nas epístolas e em Apocalipse (e não vejo ninguém demonizando a Igreja apostólica). Mas quem sataniza a igreja institucional ou ignora ou sofre de amnésia a respeito de tudo o que ela já fez e que ainda faz pelo Reino de Deus.

Pra começar, foi dentro de uma igreja institucional que Jesus me chamou à salvação. Só isso já me torna eternamente grato. E provavelmente você que me lê aqui também veio a conhecer Cristo numa igreja organizada. E possivelmente a maioria das pessoas que criticam a igreja! Esse tem sido ao longo de dois milênios o papel principal dessa igreja tão falha, tão pecadora e tão…humana. Humana assim como eu e você, que erramos todos os dias, pecamos sempre e ainda assim o Espírito Santo permanece habitando em nós e fazendo coisas boas por nosso intermédio – tesouro excelente em vasos de barro. Deus não nos fulmina por errarmos (senão eu, por exemplo, já seria cinza e pó há muito tempo), Ele nos chama ao arrependimento. Por que com a igreja organizada que comete deslizes seria diferente? Lembremos das palavras de Paulo em Rm 14.3: “Aquele que come de tudo não deve desprezar o que não come, e aquele que não come de tudo não deve condenar aquele que come, pois Deus o aceitou”. Condenaremos quem Deus aceitou? Como podemos ter a arrogância de pressupor que Deus rejeitou a igreja institucional como um todo?

Com todos os seus erros, a igreja conduziu milhões ao conhecimento de Cristo ao longo dos séculos, perpetuou as Escrituras, levou a mensagem da salvação aos cativos, empreendeu ações missionárias extremamente relevantes e ajudou a levar educação, saúde e apoio humanitário a multidões. Exatamente como faz hoje. Disso os críticos generalistas da igreja organizada aparentemente não se lembram (ou será que nunca estudaram História da Igreja? Ou será que não leem notícias da igreja pelo mundo?).

Conheço muitas igrejas institucionais, denominacionais, onde homens e mulheres de Deus buscam o Senhor de modo verdadeiro. Conheço muitos pastores piedosos e obedientes à Palavra. Conheço muitas, mas muitas pessoas que foram resgatadas do pecado, das drogas, do crime, da corrupção, do espancamento, da opressão familiar, de crises existenciais, da depressão e, principalmente, do inferno, por Cristo por intermédio das chamadas igrejas institucionais. Não posso, por isso, demonizá-las, pois estaria chamando de demoníaco aquilo que Deus torna sagrado ao utilizar como canal de bênção.

No capítulo 12 do evangelho segundo Mateus, os fariseus acusaram Jesus de expulsar demônios pelo poder de Belzebu (“Mas quando os fariseus ouviram isso, disseram: “É somente por Belzebu, o príncipe dos demônios, que ele expulsa demônios” – Mt 12.24). Ou seja: demonizaram o próprio Cristo. Hoje o mesmo está sendo feito com a igreja como um todo por tais críticos. Além disso, incorrem aqueles que acusam o conceito generalizado de “igreja” de agir contra Jesus o perigo de estar dividindo aquilo que Deus quer unir. Curioso é notar que no versículo seguinte, Mt 12.25, o texto bíblico nos diz: “Jesus, conhecendo os seus pensamentos [dos fariseus], disse-lhes: Todo reino dividido contra si mesmo será arruinado, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá”. Será que no afã de purificar a casa – cheios de boas intenções – os críticos da igreja institucional não estão dividindo a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo? Será que ao generalizar que TODA igreja organizada é um câncer o Corpo não está ferindo a si mesmo?

Tenhamos responsabilidade. Precisamos lutar sempre pela purificação daquilo que está errado dentro da Igreja. Mas dizer que isso se faz pela aniquilação da igreja institucional é miopia espiritual e histórica, além de falta de amor. Combatamos o pecado. Oremos contra os falsos mestres. Preguemos contra as heresias. Desmascaremos as doutrinas de demônios. Denunciemos os líderes abusadores. Mas não generalizemos ao irrefletidamente acusar um organismo que ainda abriga milhares que não se curvaram a Baal de ser algo do mal. Pôr Jesus em oposição à igreja (com minúscula) é contrapor o Salvador à Igreja (com maiúscula) – que está presente aos milhões dentro dessas instituições imperfeitas. É jogar o Noivo contra a noiva. O Pastor contra as ovelhas. E não acredito que Deus fique muito feliz com isso.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.
***

Fonte: Apenas

Quando a Última Palavra é a do Macho!

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Será que Sou Capaz?

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Quantas vezes você já se sentiu pequeno diante de uma situação?

Por Diego Barros

“Então Moisés disse a Deus: Quem sou eu, que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel?” (Ex 3:11)

Quantas você você já se sentiu incapaz de fazer algo que lhe foi designado? Quantas vezes você já se sentiu pequeno diante de uma situação que considerou impossível de resolver? Por quantas vezes você fugiu de um problema pois teve medo dele?

A Bíblia conta a história de um homem chamado Moisés que foi criado como um príncipe no palácio de Faraó, rei do Egito. Certo dia, ao ver uma injustiça sendo cometida contra um irmão hebreu (pois tinha consciência de sua origem), mata um soldado egípicio e, com medo das consequências, foge para as terras de Midiã, para não ser condenado e morto. Certo dia, Moisés apascentava as ovelhas de seu sogro e o Senhor fala com ele do meio de uma sarça, a qual ardia mas não se consumia. Ali dá ordem à Moisés para que volte ao Egito e vá até Faraó para livrar o seu povo da escravidão.

Assim como Moisés, cometemos erros, e nossa primeira reação é fugir. Mas Deus tinha uma missão para ele. Se você estivesse no lugar de Moisés como se sentiria se o Senhor mandasse você voltar a um lugar onde querem te matar? O que você faria? Como se sentiria? Você relutaria se sentindo incapaz e fugiria ou confiaria no Senhor e iria em frente, como fez Moisés?

Moisés confiou no Senhor e obteve a vitória, livrou o povo de Israel do cativeiro egípcio. Esse é o nosso Deus! Ele sempre nos capacita para enfrentar as situações adversas, pois sabe da nossa fragilidade humana. O Senhor está no controle de todas as coisas! O nosso Deus está conosco em TODOS os momentos! Confie no Senhor mesmo que você não se sinta capaz, pois ele te capacitará e te dará a vitória!
***

Fonte: Semeando a Palavra para Alcançar Vidas

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Duas visões, um só Evangelho

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Pregações de Jesus sobre o reino dos céus e de Paulo sobre a justificação pela fé podem parecer diferentes, mas ambas dão testemunho de Cristo.

Por Scot McKnight

Há uma tensão crescente entre os evangélicos sobre quem estabelece os parâmetros: Jesus ou Paulo? Em outras palavras, o crente deve estabelecer o ensino do Evangelho e sua vida cristã no ideal do Reino de Deus ou da justificação pela fé? A questão não é tão simples de responder como pode parecer à primeira vista. Pode-se dizer sem exagero que o movimento evangélico deve sua força fundamental à Reforma do século 16 e aos grandes despertamentos e avivamentos dos séculos 18 e 19, bem como à chegada, já no século 20, da noção do chamado evangelho social, que pareceu vincular o “reino” ao que é “liberal” e à “justiça” – ou seja, trata-se de um movimento moldado pelo apóstolo Paulo do começo ao fim. Além disso, quando alguns evangélicos recentemente redescobriram a visão do reino de Jesus, foram frequentemente advertidos de que estavam a ponto de enamorar-se pelo evangelho social.

No entanto, algo tem acontecido nas duas últimas décadas: uma mudança sutil, porém inequívoca, entre muitos cristãos, de uma teologia centrada em Paulo para uma visão do reino conforme Jesus. Não é exagero dizer que a fé evangélica enfrenta uma crise em se tratando do relacionamento entre Jesus e Paulo, e que infelizmente muitos hoje estão escolhendo lados. Jovens pensadores têm como “primeira língua” Jesus e o reino. No entanto, a despeito da tendência – ou, talvez, em reação a ela–, muitos olham para Paulo e para a justificação pela fé como sua base. Os que enfatizam a prevalência do conceito de reino esforçam-se para encaixar Paulo nela, enquanto que os aficionados nos termos teológicos paulinos lutam para fazer Jesus encaixar-se neles.

Evangélicos têm oferecido duas maneiras de resolver esse dilema – ou seja, fazer com que Paulo e Jesus estejam em perfeita harmonia. O que se observa é que cada abordagem imagina que esteja articulando o próprio evangelho. Uma explora o evangelho de Jesus, a visão do reino, e mostra como Paulo se encaixa nele. A outra enfatiza o evangelho de Paulo, sua teologia da justificação, e mostra como Jesus se encaixa nele. Cada abordagem requer alguns ajustes – porém, com esforço extra e algumas explicações especiais, julga poder mostrar a unidade da mensagem de Jesus e de Paulo, e que o evangelho do reino e o evangelho da justificação é um e o mesmo.

O reino de Deus, seguindo-se a linha de pensadores como George Eldon Ladd, é definido como o “reino dinâmico de Deus.” Ela está baseada em textos como Mateus 12.28, onde Jesus diz que, se expulsava demônios pelo Espírito de Deus, então o Reino de Deus havia chegado até eles. Já no registro de Marcos 1.15, o tempo se cumpriu, o reino de Deus se aproximou e, portanto, bastaria que os homens se arrependessem de seus maus caminhos e cressem nele. Não é difícil encaixar a idéia central da justificação pela fé no molde da presença dinâmica, pessoal e redentora de Deus na obra de Jesus. Com algumas variações cuidadosas, o apelo de Paulo aos romanos quanto à justificação e seu testemunho à igreja de Éfeso acerca de uma redenção cósmica em Cristo podem ser obtidos no âmbito do reino.

REINO “DINÂMICO”

No entanto, alguns problemas emergem e podem trazer certo desconforto com relação a esse tipo de harmonização. Paulo pensa mais em termos de soteriologia, justificação e eclesiologia do que no reino. Uma falha ainda mais fatal reside nessa abordagem: o reino significa mais que o reino “dinâmico” de Deus em ação por meio de Cristo. A ênfase nessa dinâmica pode levar à noção de que a idéia de reino refere-se à experiência pessoal de conversão.

A barreira em uma estrada aqui é insuperável: o reino, para qualquer judeu no primeiro século, tinha ao menos quatro componentes: um rei (Jesus ou Deus); um povo (Israel); um território (o que ocupavam); e uma lei (a de Moisés). Uma conclusão óbvia é de que não se pode começar no reino com Jesus e simplesmente atravessar o caminho, concluindo que Cristo estava, afinal, falando sobre justificação.

Acontece que alguns dos temas centrais do reino para Jesus, que são encontrados em passagens cruciais do evangelho, como seu primeiro sermão em Nazaré (Lucas 4.16-30), não são encontrados em Paulo. Evidentemente, o apóstolo se importava com os pobres, mas nos escritos do apóstolo não aparece uma mensagem revolucionária sobre possessões com tal intensidade que permita concluir de modo correto que ele estivesse essencialmente ensinando a mesma coisa que Jesus. Assim, o reino e a justificação não são a mesma coisa. Temos de encontrar uma maneira melhor para harmonizar Jesus e Paulo.

Desse modo, outros têm como ponto de partida o entendimento de Paulo sobre a justificação e encontram uma maneira de incorporar a visão de Jesus sobre o reino. Uma tentativa recente de John Piper, uma das luzes principais no renascimento da teologia reformada, ilustra como isso pode ser feito. Em uma conferência de pastores, Piper fez uma pergunta simples: “Jesus pregou o evangelho de Paulo?” Tal questionamento, equivalente a indagar se Jesus se encaixa a Paulo, poderia irritar muitos leitores e historiadores da Bíblia, mas essas perguntas sobre a Bíblia não são inapropriadas. Para responder a elas, Piper investigou a única vez em que a palavra “justificado”, no sentido paulino, aparece nos evangelhos. É na passagem de Lucas 18.14, quando o Mestre diz que o coletor de impostos foi para casa justificado diante de Deus após sua oração de confissão.

A exegese habilidosa e a persuasão teológica de Piper o levaram a concluir que Jesus ensinou a justificação pela fé, uma mensagem central do Novo Testamento, encontrada também nas epístolas paulinas. O evangelho é, primeiro e antes de tudo, sobre Jesus – ou, colocando-se em termos teológicos, sobre cristologia. Por trás ou embaixo do reino e da justificação está o evangelho, e o evangelho é a história salvadora de Jesus que complementa a história de Israel. “Evangelizar”, assim, é contar uma história sobre Jesus como Messias, Senhor, Filho de Deus e Salvador. Cristo pregou o mesmo evangelho de Paulo, de Pedro, de João, simplesmente porque pregou a si mesmo.

Qualquer leitura dos evangelhos levará, e qualquer evangelho levará, constantemente, a essa pergunta que o próprio Jesus está fazendo aos que o viram e o ouviram: “Quem sou eu?”. Seu sermão inaugural na sinagoga de sua cidade natal, Nazaré, é uma declaração profunda e apropriadamente egocêntrica sobre si mesmo. Perdemos a essência dessa passagem se reduzimos a história ao reino, apenas. Na sinagoga, Jesus lê a Escritura a partir de Isaías 61.1-2, uma passagem sobre a redenção do reino no fim dos tempos. Mas o que precisamos notar é que Jesus pensa ser o agente dessa redenção, que não é nenhum outro senão “o ungido” – afirmação que enfureceu tanto os ouvintes que o expulsaram e fizeram menção de matá-lo.
O evangelho é o cerne da Bíblia, e o evangelho é a história de Jesus
QUEM É JESUS?

Outro texto-chave acerca do reino é o de Lucas 7.20-23. João Batista pergunta se Jesus é ou não aquele que, de acordo com as profecias, haveria de vir. O Filho de Deus responde criando um mosaico inteligente e belo a partir de trechos do livro de Isaías. E termina com uma afirmação ousada: “Feliz é aquele que não se escandaliza por minha causa”. Em outras palavras, Jesus afirma ter cumprido essas Escrituras. É como se dissesse que toda a história de Israel se complementa nele. De novo, a palavra de Jesus é totalmente egocêntrica.

Há um conjunto de passagens no Novo Testamento em que Jesus e João Batista travam diálogos um com o outro, e com outras pessoas, sobre quem eles são. Muitas vezes, passamos por esses textos sem a devida atenção, talvez porque os conheçamos bem demais. Mas, que tipo de pessoas andam em derredor perguntando às outras quem elas são? E quando fazem essas perguntas, elas supõem que as respostas sejam encontradas nas predições da Bíblia? Quem dentre nós diz um para o outro, “quem você acha que eu sou?" Nenhum de nós faz isso e, se fizéssemos, seríamos colocados à margem da sociedade – ou, talvez, internados.

Jesus e João parecem ter tido uma conversa sobre quem de fato eram. E, conquanto João nem sempre pareça estar certo de quem seja, Jesus fala com convicção sobre quem ele mesmo e o próprio João são. Há algo aqui que percorre as páginas dos evangelhos: Jesus e João se veem como aqueles que complementam a história de Israel, e a história deles é a história salvadora. É exatamente isso o que Paulo disse que era o evangelho. Jesus pode ter falado acerca do reino, e Paulo pode ter falado sobre a justificação; mas sobre o reino e a justificação está a cristologia: ela é a história acerca de Jesus, que é Messias e Senhor, e que traz o reino e justifica pecadores pela fé. Somente quando entendemos o evangelho como a história salvadora sobre Jesus que complementa a história de Israel é que enxergamos a unidade profunda entre Jesus e Paulo. Ambos evangelizaram com o mesmo evangelho, porque contaram a história de Jesus.

Por exemplo, que tipo de pessoa poderia dizer coisas como: “Não pensem que vim abolir a lei ou os profetas; não vim abolir, mas cumprir” (Mateus 5.17)? Jesus declara que toda a lei e os escritos dos grandes profetas do passado apontam para ele e são cumpridos nele, o que significa evangelizar exatamente como Paulo fez ao dizer que, “de acordo com as Escrituras”, as coisas eram exatamente assim. E que tipo de pessoa poderia predizer mais de uma vez que não apenas morreria, como também ressuscitaria dentre os mortos, como o Filho de Deus fez claramente em Marcos 9.31?

Que tipo de pessoa escolhe o simbólico número doze, que está conectado à formação como um povo de doze tribos e também à esperança do renascimento das dez tribos perdidas? No entanto, há mais: Jesus não se inclui porque se percebe como Senhor dos doze. Ao nomear doze discípulos, ele viu a história se complementando e a si mesmo como Senhor dessa complementação. Isso é evangelizar! E esse é o evangelho de todos os apóstolos. Ou que tipo de pessoa prediz mais de uma vez que não somente morrerá, como também ressuscitará, como fez o Salvador, de maneira categórica, conforme o registro de Marcos 9.31?

Que tipo de pessoa resume sua vida como sendo o Filho do Homem que veio para dar a sua vida em resgate por muitos, porém o faz de modo a combinar o Filho do Homem da visão de Daniel 7 com a imagem do servo, de Isaías 42-43? Isso é o que encontramos, quando combinamos Marcos 10:45 com Marcos 14:24.

Que tipo de pessoa se enxerga como sendo a Páscoa, como Jesus se vê na ultima ceia? Naquele cenáculo, Jesus sintetizou imagens profundas, dando sentido à própria vida por meio dessas imagens, e declara que ele mesmo é o agente redentor e perdoador para Israel. Novamente, estamos exatamente onde Paulo estava em I Coríntios 15, quando disse que Jesus morreu “pelos nossos pecados”. Esse é o evangelho de Paulo, expresso claramente nas palavras e ações de Jesus.

Se começarmos nossa análise do aparente paradoxo entre Jesus e Paulo exclusivamente a partir do reino, teremos de deformar o apóstolo para que se amolde a essa visão. Por outro lado, se partirmos exclusivamente da noção de justificação, teremos de forçosamente adaptar os ensinos de Jesus àquela idéia. No entanto, se começarmos simplesmente com o evangelho pregado por Cristo, e se o entendermos como Paulo o entendeu, encontraremos o que une as duas figuras – o fato de que ambos dão testemunho de Jesus como o centro da história de Deus. O evangelho é o cerne da Bíblia, e o evangelho é a história de Jesus. Portanto, toda vez que falarmos sobre Jesus, estaremos evangelizando. Falar a outros acerca de Cristo os levará ao reino e à justificação – mas somente se começarmos com Jesus.

Scot McKnighté professor de ciências da religião e escritor
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Fonte: Cristianismo Hoje | Compartilhado no PCamaral