segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O anticristo aparecerá com o desaparecimento daquele que agora o detém

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A verdade é que o mistério da iniqüidade já está em ação, restando apenas que seja afastado aquele que agora o detém (2Ts 2.7)

Alguém ou algo está tapando o pequeno buraco do dique para que a água do lado de lá não o derrube e passe para o lado de cá, inundando e destruindo tudo. O mistério da iniqüidade já está em ação, a megaapostasia já está a caminho e o “homem do pecado” poderá se manigestar a qualquer hora. O desastre final, de grandes proporções, que antecede a vinda de Jesus em poder e muita glória, ainda não aconteceu porque alguém ou algo está detendo ou barrando a chegada do anticristo. Os tessalonicenses sabiam se era algo ou alguém e sabiam o seu nome: “E agora vocês sabem o que o está detendo, para que ele [o homem do pecado] seja revelado no seu devido tempo” (2Ts 2.6). Os leitores imediatos (de ontem) sabiam, mas os leitores distantes (de hoje), nós, não sabemos.

Agora é a vez do impedidor, e não do homem do pecado. Mas a hora e o dia do impedidor ser afastado e deixar livre o caminho está chegando. “Então será revelado o perverso, a quem o Senhor Jesus matará”, garante o apóstolo Paulo (2Ts 2.8).

O homem do pecado está sendo retido por uma ação ou por uma pessoa. Há “alguma coisa” (NTLH) ou certo “poder limitativo” (na versão de Phillips) que não deixa que ele se manifeste agora. Não se sabe se o impedidor é um poder abstrato e impessoal (como sugere o “o que” de 2Ts 2.6) ou um poder pessoal (como sugere o “a quem” de 2Ts 2.8). Pode ser que sejam ambos ao mesmo tempo. O texto leva a um interessante trocadilho: o homem do pecado aparecerá com o desaparecimento do impedidor.

A curiosidade é enorme. Todos gostaríamos de saber de quem ou de que Paulo está falando. Em Concernente à Cidade de Deus, Agostinho (354-430), o maior teólogo da antiguidade, confessa francamente que mesmo com os melhores esforços não era capaz de descobrir o que o apóstolo queria dizer.

A sugestão de que o impedidor seria o Espírito Santo é simpática, mas não tem o apoio dos melhores intérpretes. Entre as muitas teorias, a que parece ter mais peso assegura que o famoso barrador do homem do pecado é “o poder do governo humano bem ordenado”, “o princípio da legalidade oposto ao da ilegalidade” (C. J. Ellicott).

Segundo este ponto de vista, diz William Hendriksen, “Paulo tinha em mente que, enquanto a lei e a ordem prevalecerem, o homem da iniqüidade está impossibilitado de aparecer no cenário da história com seu programa de injustiça, blasfêmia e perseguição sem precedentes” (Comentário de 1 e 2 Tessalonicenses. p. 268). O mesmo autor diz que essa interpretação é mais freqüente entre os pais da igreja. Um dos mais antigos deles, Tertuliano, nascido em Cartago por volta doano 155, declarou: “Que obstáculo há senão o Estado romano?”.

De fato, para impor e fazer prevalecer sua ditadura religiosa atéia e anticristã, o homem do pecado tem de encontrar um mundo desprovido de autoridade, lei e ordem. Além do mais, essa interpretação ajuda a entender por que Paulo se refere ao mesmo tempo a um poder abstrato e a um poder pessoal: este seria o chefe do governo e aquele seria o governo em si.
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Fonte: Revista Ultimato edição 309

Verdades sobre a Reforma que ainda precisamos resgatar

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Por Alan Brizotti

Estamos na Semana da Reforma. 31 de outubro de 1517, Wittenberg, Alemanha. Um novo tempo começava, das ânsias guardadas no cerne de corações inflamados, surge uma nova forma, Reforma. Como um abençoado eco de Wycliffe (1328-1384), cujos ossos foram queimados trinta anos depois de sua morte, e de John Huss (1373-1415), o “ganso” que profetizou sobre o “cisne”, um tempo de redescobertas começava.

Na porta da igreja do castelo de Wittenberg, 95 teses começavam a desmontar uma história de opressão teológica. A vida de Lutero era marcada por um demolidor peso de culpa e senso absurdo do pecado, até o dia em que ele se depara com Rm.1.17, onde sua mente é aberta para a verdade transformadora da justificação por graça e fé. No século XIX, a frase mais conhecida da Reforma seria popularizada: “Ecclesia reformata et semper reformanda est” (“A igreja reformada está sempre se reformando”).

Quais são as principais verdades sobre a Reforma que ainda precisamos resgatar?

I – O resgate da justificação do pecador por graça e fé

Questão central do Evangelho: Como podemos, míseros pecadores, ser alvos da graça de Deus? John Stott dizia que “ninguém entende o cristianismo, se não entende a palavra ‘justificado’". A justificação por graça e fé começa onde há libertação dos esquemas de merecimento: indulgências, peregrinações, penitências, ativismo eclesiástico.

Reafirmar esse princípio nos leva a desmascarar teologias que priorizam o ter em detrimento do ser. É o efeito Lutero destruindo a tirania do merecimento.

II – O resgate da autoridade normativa das Escrituras

A redescoberta do evangelho tem passagem obrigatória pela oração e estudo da Palavra. Na época de Lutero, a hermenêutica estava presa aos esquemas próprios e tendenciosos de interpretação da igreja. A reforma afirma que as Escrituras têm autoridade suprema sobre qualquer ponto de vista humano. Não somos chamados a pregar uma teologia, mas o evangelho!

Lutero dizia que “no momento em que lemos a Bíblia é quando o Diabo mais se apresenta, pois tenta nosso coração a interpretar as verdades lidas segundo nossa própria vontade, e não segundo a vontade soberana de Deus”.
É preciso redescobrir a centralidade da Palavra. Reafirmar esse princípio nos leva hoje a questionar nossa hermenêutica, a assumir uma atitude bereana (At. 17. 10, 11), uma atitude de quem pensa.

III – O resgate da igreja como comunhão dos santos

Lutero amava a igreja, não queria dividi-la, mas oferecer-lhe um caminho de cura. A igreja era governada pelo Papa, e não por Cristo. Somente o clero possuía a Bíblia, isso sem falar no acúmulo de riquezas e poder da igreja enquanto o povo sofria na miséria (isso lembra alguma coisa?). Para Lutero, a igreja é o “autêntico povo de Deus”, os líderes servem à igreja, e não podem se servir dela. Por isso Lutero reafirmou o sacerdócio geral de todos os crentes – todo cristão tem a responsabilidade de anunciar o evangelho.

Reafirmar esse princípio hoje, numa sociedade do egoísmo, do individualismo e da indiferença, é assumir um chamado ao arrependimento. Esse arrependimento abrange todos os “caciques denominacionais” que ainda exploravam o povo, até às mentalidades ingênuas que, por preguiça mental, nunca progridem na fé.

IV – O resgate da liberdade do cristão

Lutero redescobre o prazer de ser livre. Como somente Deus é livre, ele nos concede a liberdade por meio de Jesus Cristo (Jo. 8.31,32 e 36). Lutero perguntava: “para que serve a liberdade do cristão?”, ao que ele mesmo respondia: “o cristão é livre para amar”. Estamos dispostos a amar hoje?

Reafirmar esse princípio significa reavaliar todo e qualquer sistema de submissão opressiva, legalismos asfixiantes, estreitamentos neurotizantes, experiências carismáticas carentes de misericórdia, que destroem a liberdade.

V – O resgate da centralidade da cruz de Cristo

Através da libertação em Cristo, o cristão se torna “um Cristo para os outros”(Lutero), portanto, quem é cristão não pode dominar sobre os seus semelhantes, sob pretexto algum. Antes, solidariza-se com o sofredor, ajudando-o a carregar a cruz. Na cruz, o cristão vê crucificado o mundo. Dela vem a nossa vocação para estabelecer o reino de justiça, igualdade e paz. É o sinal supremo do amor de Deus.

Reafirmar esse princípio significa voltar à verdade de que não somos celebridades, mas servos. Como um cristão do passado dizia, “a vida oferece somente duas alternativas: autocrucificação com Cristo ou autodestruição sem ele”.

Somos chamados a discernir o espírito de cada época. Será que estamos dispostos a assumir o “efeito Lutero” em nossa prática teológica atual? Que a igreja seja sempre uma “igreja reformada, sempre se reformando”.

Até mais...
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Fonte: Alan Brizotti compartilhado no PCamaral

domingo, 30 de outubro de 2011

A mega apostasia

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“Antes daquele dia virá a apostasia e, então, será revelado o homem do pecado” (2Ts 2.3)

Quando um católico torna-se protestante ou quando um protestante torna-se católico, não cometem necessariamente apostasia. Mas quando eles abandonam a salvação pela graça e abraçam, por exemplo, a doutrina da reencarnação, isso é apostasia de fato. Se alguém acreditava na divindade e humanidade de Cristo, em seu sacrifício vicário e em sua ressurreição gloriosa e já não acredita, essa pessoa pode ser acusada corretamente de apostasia. Mas não é apóstata quem freqüenta uma igreja cristã sem nunca ter crido nesses pontos centrais e inquestionáveis do cristianismo. Trata-se, neste caso, de um intruso, de um cristão nominal, de um pecador não arrependido e não salvo, que precisa ser evangelizado. Assim, não é temeridade afirmar a possibilidade de a igreja visível ter em suas fileiras mais apóstatas e intrusos do que crentes verdadeiros.

A apostasia é mais uma questão doutrinária do que uma questão ética, mas esta pode ser afetada por aquela. Ela aparece tanto na história de Israel no Antigo Testamento como na história da igreja no Novo Testamento. Na antiga aliança, em certas ocasiões, havia apostasia intensa, como no caso do rei Acaz, que repudiou o temor do Senhor e tornou-se idólatra, chegando até a queimar seus filhos em sacrifício aos deuses pagãos (2Cr 28.1-4). O mesmo aconteceu poucos anos depois com o rei Manassés, logo após a reforma religiosa liderada por Ezequias, seu pai (2Cr 33.1-20). Na nova aliança, temos a informação de que algumas pessoas rejeitaram a fé e a boa consciência e “naufragaram na fé” (uma alusão à apostasia). Entre elas estavam Himineu e Alexandre (1Tm 1.18-20).

Na história da igreja, o caso mais famoso de apostasia foi o do imperador romano conhecido como Juliano, o apóstata. Ele era sobrinho de Constantino, o imperador que teria se convertido ao cristianismo, e recebeu uma educação cristã. Entretanto, rejeitou a fé e no curto período em que governou o Império Romano, de 361 a 363 (apenas 18 meses), tentou deter o avanço do cristianismo e proclamou o paganismo como religião oficial. Isso aconteceu 48 anos após seu tio ter legalizado o cristianismo, em 313.

Nem sempre é prudente chamar de apóstata aquele que não consegue resistir à perseguição e à tortura e nega da boca para fora a fé cristã. Na época do imperador Décio (de 248 a 251), alguns deles cederam à pressão e fizeram manifestações públicas em favor das divindades romanas. Mais tarde se arrependeram. O clero da época se dividiu quanto ao trato a ser dispensado a eles. Cipriano, o bispo de Cartago, foi mais complacente que Novaciano, sacerdote residente em Roma. Enquanto este era totalmente contrário à readmissão deles e chegou a dividir a igreja por causa disso, Cipriano, convertido por volta de 246 e eleito bispo em 249, defendia a reintegração dos apóstatas em nome da bondade e da misericórdia divinas, não de imediato, mas depois de certo período de arrependimento comprovado. Em 251, Cipriano escreveu seu famoso De lapsis (a respeito dos que caíram). Ele próprio sofreu martírio antes de completar 60 anos.

A apostasia é um perigo contínuo para a igreja. E o Novo Testamento contém sérias advertências contra ela. A mais severa parece dizer que não há possibilidade de retorno para quem caiu deliberadamente em suas malhas:
“Como é que as pessoas que abandonaram a fé podem se arrepender de novo? Elas já estavam na luz de Deus. Já haviam experimentado o dom do céu e recebido a sua parte do Espírito Santo. Já haviam conhecido por experiência que a palavra de Deus é boa e tinham experimentado os poderes do mundo que há de vir. Mas depois abandonaram a fé. É impossível levar essas pessoas a se arrependerem de novo, pois estão crucificando outra vez o Filho de Deus e zombando publicamente dele” (Hb 6.4-6, NTLH).
Estamos cada vez mais próximos da megaapostasia, aquela negação ostensiva e globalizada da fé, que abre caminho para a revelação e o domínio do homem do pecado. É isso que Paulo explica aos tessalonicenses: “Antes daquele dia [o dia do juízo final] virá a apostasia e, então, será revelado o homem do pecado, o filho da perdição” (2Ts 2.3). (Veja A vinda do homem do pecado e a vinda do Filho do homem). A mesma profecia é mencionada outra vez por Paulo em outra Epístola: “O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios” (1Tm 4.1). Alguns anos antes de Paulo, Jesus Cristo já havia anunciado: “Nessa época [um pouco antes da parusia] muitos vão abandonar a sua fé e vão trair e odiar uns aos outros. Então muitos falsos profetas aparecerão e enganarão muita gente. A maldade vai se espalhar tanto, que o amor de muitos esfriará; mas quem ficar firme até o fim será salvo” (Mt 24.10-13, NTLH).

À vista do progresso e da ousadia da megaapostasia, o conselho de Pedro é bastante oportuno: “Sabendo disso, guardem-se para que não sejam levados pelo erro dos que não têm princípios morais, nem percam a sua firmeza e caiam. Cresçam, porém, na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, agora e para sempre! Amém” (2Pe 3.17-18).
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Fonte: Revista Ultimato edição 309

sábado, 29 de outubro de 2011

O mistério da iniqüidade e os escritores “nefandos” dos séculos 18 e 19

Um comentário:
Não é fácil desmascarar o mistério da iniqüidade, por ele ser como um segredo de Estado. Existe a persistente tentação de achar que o mal de hoje é mais escandaloso e globalizado do que o mal de ontem. E, por mais contraditório que possa parecer, por vezes enxergamos mal demais ou não enxergamos o mal todo. Qualquer falta de equilíbrio nessa questão será creditada ao “mistério da iniqüidade” (2Ts 2.7), em prejuízo do “mistério do evangelho” (Ef 6.19). Os maiores tropeços na construção do reino de Deus na terra são causados pelo fanatismo religioso, que enche as páginas da história da religião e gera muitos descrentes. Parte do sucesso do livro Deus, Um Delírio, de Richard Dawkins, o mais notável profeta do ateísmo na atualidade, deve ser atribuída ao grande mal-estar provocado pelos crimes de ontem e de hoje cometidos por culpa do fanatismo religioso, a maior fábrica de ateus do mundo. É o que afirmou The Times: “Em Deus, Um Delírio, a liberdade intelectual da crença religiosa é desnudada sem piedade, assim como os crimes cometidos em nome dela”.
fanatismo religioso, a maior fábrica de ateus do mundo
Ao comentar o manual Literaturas Estrangeiras (FTD, 1931), o filósofo brasileiro Leandro Konder conta como a Igreja Católica entendeu certos escritores dos séculos 18 e 19.
Em Literaturas Estrangeiras o escritor francês Voltaire (1694-1778) é chamado de o “corifeu da impiedade no século 18”. E, por ter cometido “erros satânicos”, deve ser considerado pessoa “de memória execranda”, abominável. O filósofo alemão Friedrich Hegel (1770-1831) é acusado de ensinar “a identidade dos contrários e negar os princípios mais elementares da razão”. O poeta francês Charles Baudelaire (1821-1867) está “cheio de miasmas, pestilências, de sujidades físicas e morais”, e, além de ser nojento e desequilibrado, “dirige preces a Satanás”. O escritor francês Émile Zola (1840-1902) é “o mestre da pornografia”. O filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) deve ser o Anticristo, pois “blasfema grosseiramente contra Cristo e sua igreja e acabou doido”. O escritor francês Anatole France (1844-1924) é um “corruptor diabólico, ímpio e imoral até o cinismo”. E o neurologista austríaco Sigmund Freud (1856-1939) é um “abridor de sarjetas da alma”. (Jornal do Brasil, “Idéias & Livros”, 25/08/07, p. 7).
Curiosamente, dos sete nomes citados, quatro são franceses nascidos em Paris. Konder cita outros nomes e explica que o manual Literaturas Estrangeiras, de autoria coletiva e anônima, era adotado pelas escolas católicas do Rio de Janeiro.

Mesmo polêmico e demasiadamente contundente, o curioso livro mostra um lado da questão e explica como a literatura pode misturar a verdade com o erro e provocar ao mesmo tempo coisas positivas e negativas. Sem dúvida, a Europa pós-cristã e secular de hoje tem muito a ver com os autores citados pelo livro de quase oitenta anos e com outros, principalmente o naturalista britânico Charles Darwin (1809-1882) e o filósofo e economista alemão Karl Marx (1818-1883).

A pessoa comprometida com o “mistério do evangelho” não deve ser proibida de ler livros nem de ligar a televisão. Ao contrário, deve agir como o sábio: “Ele escutou [ou leu], examinou [ou pesquisou] e colecionou [ou selecionou] muitos provérbios” (Ec 12.9). É exatamente isso que Paulo aconselha aos tessalonicenses: “Examinem tudo, fiquem com o que é bom” (1Ts 5.21, NTLH).
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Fonte: Revista Ultimato - edição 309

Soberania de Deus e Responsabilidade Humana na Evangelização (Rm 9.1-29)

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27ª Edição da Conferência Fiel para Pastores e Líderes
Evangelização e Missões - Ano: 2011

2ª Mensagem

Preletor: Augustus Nicodemus
Soberania de Deus e Responsabilidade Humana na Evangelização (Rm 9.1-29

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Fonte: Editora Fiel compartilhado no PCamaral

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O mistério da iniqüidade - um processo histórico

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“A verdade é que o mistério da iniqüidade já está em ação” (2Ts 2.7)

Não era novidade na época de Paulo. Não deve ser novidade em nosso tempo. Mas alguns custam a enxergar ou a entender “o mistério da iniqüidade” a que Paulo se refere. E quando o descobrem, pensam que a questão é atual e não um processo histórico. Daí a tentação de dizer que os dias de hoje nunca foram tão difíceis e nunca houve tanta apostasia, tanto pecado, tanta maldade. À igreja dos tessalonicenses, o apóstolo dá a seguinte explicação: “A verdade é que o mistério da iniqüidade já está em ação” (2Ts 2.7).

Para entender sem dificuldade o que é o mistério da iniqüidade ou o mistério da impiedade, também chamado de “a força oculta da iniqüidade” (Bíblia do Peregrino) e de “a Misteriosa Maldade” (NTLH), é preciso contrastar esse mistério com outro, o “mistério do evangelho” (Ef 6.19).

Ambas as expressões são da lavra do apóstolo Paulo. O mistério do evangelho diz respeito ao plano de Deus de “unir, no tempo certo, debaixo da autoridade de Cristo, tudo o que existe no céu e na terra” (Ef 1.10, NTLH). Já o mistério da iniqüidade diz respeito ao plano diabólico de não fazer convergir em Cristo toda a longa e sofrida história humana. Chamam-se mistérios ou segredos porque ambos são gerados e geridos à margem da sociedade e à margem da história, de forma não plenamente visíveis.

O mistério do evangelho e o mistério da iniqüidade são opostos entre si e estão permanentemente em conflito aberto. Pois um deles se baseia na verdade e o outro, na mentira. Enquanto Jesus é a encarnação da verdade — “a graça e a verdade vieram por intermédio de Cristo” (Jo 1.17) —, o diabo é a encarnação da mentira — “Quando [ele] mente, fala a sua própria língua, pois é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8.44). Os dois mistérios usam o advérbio “certamente” em seus discursos. Deus afirma de maneira categórica: “Não coma a fruta dessa árvore [a árvore do conhecimento do bem e do mal]; pois, no dia em que você a comer, certamente morrerá” (Gn 2.17, NTLH). E a “a antiga serpente, que é o diabo” (Ap 20.2), afirma categoricamente o contrário: “Certamente [você e seu marido] não morrerão” (Gn 3.4).

A declaração de guerra entre o mistério do evangelho e o mistério da iniqüidade aconteceu logo após a queda: “Porei inimizade entre ti [a serpente] e a mulher, e entre a tua descendência e sua descendência; ele [a semente da mulher] te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3.15, BH).

Só o mistério do evangelho pode nos libertar do mistério da iniqüidade (Jo 8.32). A graça irresistível de Deus pode nos resgatar do poder aparentemente irresistível das trevas e nos transportar para o Reino do seu Filho amado (Cl 1.13).

A noção do mistério da iniqüidade tem de penetrar em nosso cotidiano, exatamente porque é uma presença constante e clandestina, que lida com forças ocultas, com sinais e prodígios de mentira e com falsos mestres, falsos apóstolos e falsos cristos (Mt 24.1-35; 2Ts 2.9; Ap 13.1-18).

É preciso ter sempre em mente aquela explicação dada por Jesus na Parábola do Joio: depois da semeadura da boa semente, “enquanto todos dormiam, veio o inimigo e semeou o joio no meio do trigo e se foi” (Mt 13.25). Nesse e em muitos outros discursos, Jesus se refere aos bastidores da iniqüidade — o lado encoberto da maldade. O mistério da iniqüidade serve-se de homens e mulheres que são como “belos túmulos — cheios de ossos de pessoas mortas, de podridão e sujeira” (Mt 23.27, BV).
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Fonte: Revista Ultimato edição 309

A Necessidade da Pregação para a Salvação do Mundo (Rm 10.1-15)

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Evangelização e Missões - Ano: 2011

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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Por que Pregar aos Gentios? (Rm 1.18-32)

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Evangelização e Missões - Ano: 2011

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terça-feira, 25 de outubro de 2011

O Apelo Missionário de Paulo (Rm 15.8-32)

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27ª Edição da Conferência Fiel para Pastores e Líderes
Evangelização e Missões - Ano: 2011

4ª Mensagem

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O Apelo Missionário de Paulo (Rm 15.8-32)

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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A Igreja Que não Existe Mais!

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Por Ariovaldo Ramos

"Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens e os repartiam por todos, segundo a necessidade de cada um. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E cada dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos.” At 2. 43-47

Na época do surgimento da Igreja do Novo Testamento, a palavra igreja significava, apenas, uma reunião qualquer de um grupo organizado ou não. Assim, o texto nos revela que havia um grupo organizado em torno de sua fé (Todos os que criam estavam unidos) – todos acreditavam em Cristo. Segundo o texto, os participantes do grupo do Cristo não tinham propriedade pessoal, tudo era de todos (tinham tudo em comum)– os membros desse grupo vendiam suas propriedades e bens e repartiam por todos – e isso era administrado a partir da necessidade de cada um; e se reuniam todos os dias no templo; e pensavam todos do mesmo jeito, primando pelo mesmo padrão de vida (unânimes); e comiam juntos todos os dias, repartidos em casas, que, agora, eram de todos, uma vez que não havia mais propriedade particular; e eram alegres e de coração simples; e viviam a louvar a Deus; e todo o povo gostava deles, e o grupo crescia diariamente. Diariamente, portanto, havia gente acreditando em Cristo, se unindo ao grupo, abrindo mão de suas propriedades e bens e colocando tudo a disposição de todos.

Essa Igreja era a Comunhão dos santos – chamados e trazidos para fora do império das trevas, para servirem ao Criador, no Reino da Luz. Essa Igreja não precisava orar por necessidades materiais e sociais, bastava contar para os irmãos, que a comunidade resolvia a necessidade deles. Deus havia respondido, a priori, todas as orações por necessidades materiais e sociais, fazendo surgir uma comunidade solidária. O pedido: “O pão nosso de cada dia, dá-nos hoje. (MT 6.9) ” estava respondido, e diariamente. Então, para haver o “pão nosso” não pode haver o pão, o bem ou a propriedade minha, todos os bens e propriedades têm de ser de todos.

Mais tarde, eles elegeram um grupo de pessoas, chamadas de diáconos – garçons, para cuidar disso (At 6.3). Então, diante de qualquer necessidade, bastava procurar os garçons, que a comunidade cuidava de tudo. Era o princípio do direito: se alguém tinha uma necessidade, a comunidade tinha um dever.

Essa Igreja não existe mais!  

“Está doente algum de vós? Chame os anciãos da igreja, e estes orem sobre ele, ungido-o com óleo em nome do Senhor; e a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados.” Tg 5.14,15 Os membros da comunidade do Cristo não precisavam orar por cura física, bastava procurar os presbíteros: lideres eleitos pelo povo, a partir de suas qualidades como cristãos (1Tm 3.1-7); que eles ungiriam com óleo, que representa a ação do Espírito Santo, porque é o Espírito Santo, quem unge e cura (Lc 4.18), e a pessoa seria curada; claro, sempre segundo a vontade do Senhor, porque essa é a regra de ouro: “Venha o teu Reino, seja feita a tua vontade, assim na Terra como no Céu. (MT 6.10)”

Os crentes em Jesus de Nazaré, não precisavam fazer varredura espiritual para ver se tinham qualquer problema, parecido com o que hoje é chamado de maldição hereditária, ou similar. A oração dos presbíteros ministrava o perdão de Deus, conquistado por Cristo na cruz e na ressurreição. Deus havia respondido todas as orações por cura física pela instituição de presbíteros, que tinham a autoridade para ministrar o poder de Cristo sobre a enfermidade, segundo a vontade de Deus, dependendo, portanto, apenas, do que o Altíssimo tivesse decidido sobre a pessoa em questão.

Essa Igreja não existe mais!

Pelo que orava a Igreja do Novo Testamento? “Mas eles ainda os ameaçaram mais, e, não achando motivo para os castigar, soltaram-nos, por causa do povo; porque todos glorificavam a Deus pelo que acontecera; pois tinha mais de quarenta anos o homem em quem se operara esta cura milagrosa. E soltos eles, foram para os seus, e contaram tudo o que lhes haviam dito os principais sacerdotes e os anciãos. Ao ouvirem isto, levantaram unanimemente a voz a Deus e disseram: Senhor, tu que fizeste o céu, a terra, o mar, e tudo o que neles há; que pelo Espírito Santo, por boca de nosso pai Davi, teu servo, disseste: Por que se enfureceram os gentios, e os povos imaginaram coisas vãs? Levantaram-se os reis da terra, e as autoridades ajuntaram-se à uma, contra o Senhor e contra o seu Ungido. Porque verdadeiramente se ajuntaram, nesta cidade, contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, não só Herodes, mas também Pôncio Pilatos com os gentios e os povos de Israel; para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho predeterminaram que se fizesse. Agora pois, ó Senhor, olha para as suas ameaças, e concede aos teus servos que falem com toda a intrepidez a tua palavra, enquanto estendes a mão para curar e para que se façam sinais e prodígios pelo nome de teu santo Servo Jesus. E, tendo eles orado, tremeu o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com intrepidez a palavra de Deus.” At 4.21-31 Oravam para que nenhum sofrimento os impedisse de glorificar a Cristo, de anunciá-lo com coragem e determinação – o Cristo que eles viviam diariamente pela fraternidade solidária. Oravam por missão!

Para além da Igreja que está sob perseguição, não há sinal de que essa Igreja ainda exista!

O que existe?

A Comunhão dos santos existe na realidade da Igreja invisível. Mas, que relevância tem na história uma igreja invisível? Ajuntamentos cúlticos – há os que procuram se pautam pela Bíblia, e os que nem tanto. Instituições – (muitas e cada vez mais) há as que ainda tentam ser apenas um odre para o vinho, e as que nem tanto. Discursos sobre Cristo e sua obra – há os que falam sobre Jesus, segundo a Bíblia, e os que nem tanto. Conversões pessoais – há as que trazem marcas do Novo Testamento, e as que nem tanto. Missionários – há os que pregam a Cristo, sua morte e ressurreição, e os que nem tanto.

O apoio ao missionário está mais para esmola do que para sustento. Ação social – há as que querem emancipar o pobre, por amor a Cristo, e as que nem tanto. Pastores e Lideres – há os que tentam alcançar o padrão dos presbíteros do Novo Testamento, e os que tanto menos. Títulos - em profusão, constratanto com a escassez de irmãos. Orações - principalmente, por necessidades materiais, sociais e de cura, que parecem não ser respondidas, pelo menos, não a contento. Milagres – (mas pessoais) a misericórdia divina continua se manifestando, porém, não se entende mais o princípio de sua ação. Ministérios – há os que são ministros (servos), e os que nem tanto.

Riqueza – Instituições estão cada vez mais ricas, e há os que usufruem da mesma. Ricos e Poderosos - muitos e cada vez mais se declaram conversos, mas não se converteram como Zaqueu. Irmãos e irmãs que amam a Cristo e a Igreja, mas que estão cada vez mais confusos sobre o que estão assistindo – e há, cada vez mais, um amor em crise. E ecoa a voz do Cristo: Contudo quando vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra? (Lc 18.8).

Talvez, ainda haja tempo de pedir perdão!


Fonte: ariovaldoramos.com.br via Reflexões Teológicas - dica do Marcos Aurélio no Facebook

sábado, 22 de outubro de 2011

A Lei do Amor e o Amor à Lei

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A lei do SENHOR é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do SENHOR é fiel, e dá sabedoria aos símplices. Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o coração; o mandamento do SENHOR é puro, e ilumina os olhos. O temor do SENHOR é limpo, e permanece eternamente; os juízos do SENHOR são verdadeiros e justos juntamente. Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino; e mais doces do que o mel e o licor dos favos. Também por eles é admoestado o teu servo; e em os guardar há grande recompensa. (Salmo 19:7-11)

Por Kevin DeYoung

Kevin DeYoung é o pastor da University Reformed Church em East Lasing, MI, EUA. Obteve sua graduação pelo Hope College e seu mestrado pelo Gordon-Conwell Theological Seminary. É autor de diversos livros, preletor em conferências teológicas e pastorais, é cooperador do ministério "The Gospel Coalition" e mantém um Blog na internet "DeYoung, restless and reformed". Kevin é casado com Trisha com quem tem 4 filhos.

Alguns cristãos cometem o erro de colocar o amor contra a lei, como se ambos fossem excludentes. Ou você tem uma religião de amor ou uma religião da lei. Mas essa equação é profundamente antibíblica. Para quem não sabe, o "amor" é um mandamento da lei (Dt 6.5; Lv 19.18; Mt 22.36-40). Se você prescreve o amor, está falando da lei. Ao contrário, se você está dizendo que a lei não vale mais, então está dizendo que o amor, o resumo da lei, também não vale.

Além disso, considere a íntima relação que Jesus faz entre o amor e a lei. Para Jesus não existe amor sem obediência à lei (João 14.15). Mas ele diz mais do que isto. Jesus coloca a comunhão com Deus junto com a guarda dos mandamentos. Quando guardamos os mandamentos de Cristo, nós o amamos. E quando amamos Cristo, o Pai nos ama. E todo aquele que o Pai ama, Cristo ama e se lhe revela (João 14.21). Então, não se pode permanecer no amor de Cristo à parte dos mandamentos de Cristo (João 15.10). O que significa que não há plenitude de alegria à parte da busca da santidade (João 15.11). A lei de Deus é uma expressão de sua graça. A lei é o plano de Deus para o seu povo santificado desfrutar da comunhão com ele. Por isso os Salmos estão cheios de declarações de deleite relacionadas com os mandamentos de Deus. Mesmo com o fim da aliança mosaica, certamente o Salmista nos estabelece um exemplo. O homem feliz se deleita na lei do Senhor e medita nela de dia e de noite (Sl 1.2). Os preceitos e as regras do Senhor são mais doces do que o mel e devem ser mais desejados que o ouro (Sl 19.10). Sim, a lei pode levar o homem natural a pecar (Gl 3.19,22). Mas o povo de Deus se regozija nos seus estatutos e percebe coisas maravilhosas na sua lei (Sl 119.18). Anseia estar constantemente guardando seus estatutos (v.5). Aos olhos do crente a lei ainda é boa e verdadeira; é a nossa esperança, nosso consolo e nosso cântico.

Não precisamos ter medo de aterrissar na lei – nunca como meio de merecimento de justificação, mas como a expressão exata de tê-la recebido. Podemos concluir um sermão com alguma coisa que devemos fazer. Não está errado aconselhar os outros à obediência. O legalismo é um problema na igreja, como também o antinomianismo. É claro que não ouço ninguém dizer: "vamos continuar pecando para que a graça abunde" (Rm 6.1). É a pior forma de antinomianismo. Mas de maneira estrita o antinomianismo simplesmente significa "sem lei", e alguns cristãos dão pouquíssimo lugar à lei na busca da santidade. Um mestre comenta sobre um pastor antinomiano do século XVII na Inglaterra: "Ele cria que a lei serviu para um propósito útil de convencer os homens da necessidade de um Salvador; não obstante, não lhe deu quase nenhum lugar na vida, uma vez que declarou que 'a graça livre é a mestra das boas obras'." Enfatizar a graça pura não é o problema. O problema é presumir que as boas obras vão fluir invariavelmente do nada a não ser de uma ênfase diligente do evangelho.

A ironia consiste em colocarmos cada imperativo em ordem para crer no evangelho mais fortemente, transformar o evangelho em outra coisa e a fé naquela coisa que precisamos para ser melhores. Se realmente cremos, a obediência vem junto. Não há necessidade de mandamentos ou esforço. Mas a Bíblia não raciocina deste modo. Não há problema com a palavra "portanto". Graça, graça, graça, portanto, pare com isto, comece a fazer aquilo, e obedeça aos mandamentos de Deus. As boas obras sempre estarão enraizadas nas boas novas da morte e ressurreição de Cristo, mas eu creio que estamos esperando demais do "fluxo" e não fazemos o suficiente ensinando que a obediência à lei — com um espírito disposto, possível quando operado pelo Espírito Santo — é a devida resposta à graça pura.

Por mais que Lutero ridicularizasse o mau uso da Lei, ele não rejeitou o papel positivo da lei na vida do crente. A Fórmula Luterana da Concordância está absolutamente certa quando diz: "Cremos, ensinamos e confessamos que a pregação da Lei deve ser recomendada com diligência, não apenas ao incrédulo e impenitente, mas também aos verdadeiros crentes, que foram verdadeiramente convertidos, regenerados e justificados pela fé" (Epítome 6.2). Os pregadores devem pregar a lei sem acanhamento. Os pais devem insistir na obediência sem timidez. A lei pode e deve ser recomendada aos verdadeiros crentes — não para condenação, mas para correção e promoção do Cristianismo. As Escrituras indicam e Deus manda, para o nosso bem, e na graça.

Traduzido por: Yolanda Mirdsa Krievin

Copyright © Kevin DeYoung 2011
Copyright © Editora Fiel 2011

Traduzido do original em inglês: The Law of Love and the Love of Law. Publicado no Blog de Kevin DeYoung no site The Gospel Coalition.

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

Fonte: Editora Fiel

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Os Rebanhos de Nietzsche e os Rebanhos da Igreja Contemporanea

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Olhando com Nietzsche para rebanhos distintos

Por Antognoni Misael

Observa o rebanho que pasta diante dos teus olhos: ele não sabe o que significa nem o ontem nem o hoje; ele pula, pasta, repousa, digere, pula novamente, e assim da manhã à noite, dia após dia, estritamente ligado a seu prazer e à sua dor, ao impulso do instante, não conhecendo por esta razão nem a melancolia nem a tristeza. Este é um espetáculo duro para o homem, este mesmo homem que vê o animal no alto de sua humanidade, mas que inveja por outro lado a felicidade dele – pois este homem só deseja isto: viver como um animal, sem tristeza e sem sofrimento; mas ele só deseja em vão, pois não pode desejar isto como faz o animal.
[BARROS, José D’assunção. Teoria da História. Editora Vozes, Volume III. Petrópolis – Rio de Janeiro: 2011] (NIETSZCHE, 2005: 70)
É bem verdade que discutir Nietzsche com a igreja seja para alguns uma sórdida proposta. Mas por que não dialogar com ideias tão ofensivas aos postulados cristãos? Aliás, será se elas realmente se contrapõem ao real que vivemos?

Nietzsche sempre debateu intensamente questões como sofrimento, culpa, moral, dentre outras. Neste recorte, especificamente ele fala de um homem que deseja alcançar o mais pleno sentido de sua existência. Um homem que não suporta os apuros da vida, a imprevisibilidade da dor. Um homem que entendeu que a racionalidade tem suas implicações: a imperfeição emocional (medo, angústia, incerteza, ansiedade...). Mas este mesmo homem que deseja profundamente o instante, o hoje, o prazer, a riqueza, a felicidade material, em contrapartida, se atreveu a barganhar com Deus, tentou decretar seu futuro, disse não aceitar o “mal” para si, atribuindo toda sorte de imprevistos ao diabo e “colocando” Deus na parede por toda perca e estrago causado a si.

O rebanho que Nietzsche contempla não sabe de onde veio nem para onde vai. Ele apenas existe, mas não entende nada sobre o existir. No entanto, olhando para este rebanho lembro-me, por instantes, do rebanho evangélico (salve-se o rebanho de Deus). Ele até parece com o de Nietzsche, aliás, ele quer, no fundo, ser o rebanho nietzschiano, pois assim como o dele, esse rebanho quer “pular, pastar, repousar, digerir, pular novamente, e assim da manhã à noite, dia após dia, estritamente ligado a seu prazer e à sua dor, ao impulso do instante, não QUER conhecer por esta razão nem a melancolia nem a tristeza”. Ele quer viver no eterno prazer. Quer sucesso financeiro. Quer nostalgia. Quer êxtase. Quer fazer sua vida um hedônico “Let It Be”. Ou não é isso que andam idealizando e oferecendo po aí?

Este rebanho odeia pensar. Prefere pular. Cantar. Usar. Usufruir. Ah! Esse rebanho odeia a razão e o culto racional. Ele Ama seus próprios instintos. Esse rebanho se satisfaz com a sua selva, suas presas, sua própria natureza.

E você? Faz parte dele?
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Fonte: Arte de Chocar compartilhado no PCamaral

Drive-thru de oração chega ao Rio de Janeiro

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Na capital fluminense, bênção sobre quatro rodas é feita na Barra da Tijuca. Veja galeria de fotos

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro

“O trânsito estressa... Que tal uma oração?”, sugere cartaz da Igreja Universal do Reino de Deus no templo de cerca de dois mil metros quadrados na Barra da Tijuca. O prédio fica em um dos bairros mais valorizados do Rio, numa região que registra crescimento vertiginoso e dá um ar de Miami à capital. É também a que lança modismos dos mais inusitados, como festas de casamento para cachorros de até R$ 12 mil, e a que tem shopping com réplica da Estátua da Liberdade. E é onde mais se encontram serviços delivery, fast foods e atendimentos em sistema drive-thru na cidade. Não há, portanto, de se espantar com essa novidade da fé. Mas que ela chama a atenção... isso chama. “Fazemos cerca de 100 atendimentos diários”, conta o pastor Carlos Azevedo, responsável pelo projeto.
Foto: André Durão
O drive-thru da oração funciona das 14h às 20h, de segunda a sábado. Aos domingos, missionários vão para a praia, onde fazem pregações itinerantes
De acordo com a Gerência de Informações de Tráfego da CET-Rio, órgão da Secretaria Municipal de Transportes, a Avenida das Américas recebe diariamente cerca de 134.750 veículos (média do movimento diário em dias úteis) em seu trecho mais movimentado. O fluxo mostra a importância do caminho, que é o principal para a circulação dos carros entre os bairros da Barra, Recreio dos Bandeirantes e Guaratiba, além de ligar seus moradores a outras localidades da zona oeste.

Por ser a principal – e mais movimentada da região –, a Avenida das Américas concentra significativa parte do comércio local. São mais de 20 centros comerciais como o Barra Shopping e New York City Center (o tal da Estátua da Liberdade) e ainda quatro hipermercados de redes nacionais e multinacionais, sem contar os grandes condomínios residenciais e comerciais.

Para chamar a atenção dos motoristas diante de tanto movimento, um grande cartaz com letras vermelhas anuncia o “drive-thru de oração”. A publicidade é reforçada por placas menores, com frases como a do início deste texto, instaladas nas calçadas bem próximas ao engarrafamento. Apesar do apelo visual, são os voluntários, boa parte jovens com idade média de 18 anos, que vão literalmente às ruas convencer os mais estressados de que seja qual for o problema, há salvação – se não para o trânsito, pelo menos para a angústia de ficar retido nele.
Foto: André Durão
Para chamar a atenção de uma das principais vias do rio de Janeiro, Universal conta com publicidade em letras garrafais
“Para com essa ideia, não tem isso de cobrar”
Há três meses à frente da Universal da Barra, o pastor Carlos, de 42 anos, afirma que o drive-thru de oração quer garantir a quem precisa um “momento de paz”. O serviço não é novo no Brasil, mas no Rio é inédito. Há dois anos foi implantado na filial da congregação na Vila Mariana, em São Paulo, depois de ser criado pela congênere da Califórnia (EUA). “As pessoas vivem na correria do dia a dia, sem tempo para nada. O que oferecemos é mais uma forma de comunicação com Deus”, explica o líder religioso. E nada de suspeitas de que a igreja cobra pelo socorro. Pastor Carlos garante: “Para com essa ideia, não tem isso de cobrar”.

Na última terça-feira (18), entre 19h e 20h05, 14 veículos fugiram rapidamente do trânsito colossal da Avenida das Américas em busca da palavra no drive-thru do templo. “É muito bom, a gente fica com o coração fortalecido depois de um dia cansativo. Saio com a certeza de que estou com Deus”, testemunha o motorista executivo Alexandre Lima, de 48 anos, que seguia para casa em Realengo (zona oeste), acompanhado da mulher, a administradora Solange Fernandes, e do filho Alessandro, de cinco anos.
Foto: André Durão
Carros em fila para receber a bênção. Pastor responsável pela igreja diz que atendimento chega a 100 por dia
Na cadeira de criança fixada no banco de trás do automóvel, o menino Alessandro foi ungido pelo pastor adjunto que pede para ser chamado apenas de Vinícius, embora não tenha se importado de ser fotografado. O garoto ficou quietinho durante a oração, que não dura mais de um minuto. Solange, também evangélica, mas seguidora da Igreja da Graça, apoiou o pit stop do marido. “Se 10% dos que estão nesse engarrafamento passassem por aqui, certamente ficariam mais tranquilos. A oração ajuda a pessoa a se sentir melhor”, afirma.

Rosas e azeite

De calça, camisa polo e sapatos brancos (como o pastor titular do templo), Vinícius ouve o pedido do motorista, fecha os olhos, segura o cálice dourado em uma das mãos enquanto com a outra ampara a cabeça do que eles chamam de “abençoado”. Posicionado, ele ora. Vinícius, um jovem pastor de 27 anos, membro da Universal “desde que nasceu”, explica sua missão: “Vem pessoas aqui muito desesperadas. Percebo que basta uma palavra de conforto, uma oração, para que melhorem. É gratificante”, diz. “Tem gente que quer só uma oração, tem gente que pede para ungir o carro, o volante ou a si próprio. O que a pessoa pede a gente faz”, acrescenta. Sobre o óleo ungido no cálice dourado, esclarece: “É azeite”. Em seguida, emenda: “Mas a senhora pergunta, hein?”.

Foto: André Durão
Vinícius, pastor adjunto, é o responsável pelas orações no serviço drive-thru; com um cálice dourado e azeite de cozinha ungido, ele atende os fieis
Enquanto Vinícius ora, um “exército de Jesus” formado por uma tropa de sete voluntários se embrenha por entre os carros para distribuir “rosas consagradas” e jornais em formato tabloide editados pela congregação do Bispo Edir Macedo. Um táxi reduz a velocidade, mas não entra no drive-thru. “Aleluia, irmão”, grita o motorista, satisfeito com um exemplar do semanário que lhe fora entregue pela janela do veículo. Motoristas de vans e ônibus passam ao largo, mas não seguem a viagem sem parar para pegar a publicação. Passageiros dos coletivos abrem o vidro das janelas e, braços para fora, pedem um exemplar. Há os que recusam o papel, mas a tropa evangélica não se intimida com a rejeição.

Foto: André Durão
Voluntários distribuem jornais da Universal para atrair fiéis. A Defesa Civil registrou 301 acidentes na Av. das Américas em 2011, mas eles não temem riscos


Pouco depois das 20h, o drive-thru encerra as atividades. Terça-feira é dia de "cura", na “Sessão do Descarrego”. “É o dia mais engraçado”, conta o vendedor de uma das três lojas de automóveis vizinhas ao templo. “Tem gente que para aqui na porta e enquanto recebe a bênção cai no chão. A gente fica esperando para ver quem vai cair”, diverte-se uma colega de trabalho que está ao seu lado. Ambos pediram para não ser fotografados nem identificados para evitar constrangimentos com a vizinhança.

Alheios a olhares de soslaio, os pastores Carlos e Vinícius entram na igreja, que tem capacidade para 620 pessoas sentadas. “Nosso objetivo é apenas a comunhão com Deus”, diz Carlos, antes de se despedir. Os obreiros guardam os cones, a tenda montada para o funcionamento do drive-thru (que é feito de segunda a sábado, das 14h às 20h) e seguem para a homilia. Pelos gritos de “cura” da “Sessão de Descarrego”, dá para perceber que o serviço da fé não para.
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Fonte: IG - Ultimo Segundo - Texto reproduzido na integra conforme artigo publicado no portal IG.

O Mistério da Iniqüidade em Alta

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Portanto, eu vos julgarei, cada um conforme os seus caminhos, ó casa de Israel, diz o Senhor DEUS. Tornai-vos, e convertei-vos de todas as vossas transgressões, e a iniqüidade não vos servirá de tropeço. (Ezequiel 18:30)

O que se ouve, o que se lê e o que se comenta hoje dão a forte impressão de que o mistério da iniqüidade está em alta. O check-up do panorama em curso é de fato preocupante. Não há otimismo nem esperança frente à tensão provocada, em todas as frentes, pelo estranho e incontido comportamento humano. E não são os religiosos que estão declarando esta espécie de calamidade pública. Não estamos satisfeitos nem seguros nem tranqüilos. A palavra irreversível está no ar, está nos discursos, está nas notícias.

A corrupção parece irreversível - O médico Dioclécio Campos Júnior, professor da Universidade de Brasília e presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, faz uma análise em linguagem médica muito contundente: “A sociedade brasileira está gravemente enferma. Seus órgãos padecem de corrupção que a corrói com o poder devastador da gangrena. Suas funções estruturantes perverteram-se no caos das disputas de privilégios. A injustiça campeia como micróbio resistente que lhes contamina as entranhas. As discriminações sociais, raciais e econômicas aparecem em seu corpo deformado como chagas profundas, em incessante progressão. O país recusa-se a olhar no espelho. Rejeita o diagnóstico que emerge dos sintomas de sua própria realidade”.

A chaga da corrupção em todas as esferas do governo e da sociedade pode ser mais freqüente e menos punida aqui, mas não é problema exclusivamente brasileiro. Nações subdesenvolvidas da África, nações emergentes da América Latina e da Ásia e nações prósperas e poderosas da Ásia, da Europa e América do Norte têm sérios problemas de corrupção. O Projeto Milênio, da Federação Mundial das Associações das Nações Unidas, revela que os subornos são mais freqüentes nos países ricos. Calcula-se em um trilhão de dólares o dinheiro anualmente empregado na corrupção no mundo (Jornal do Brasil, 13/09/07, A2).

Foi-se o tempo em que se dizia, talvez com justiça, que o problema da corrupção era menor em países de tradição protestante e maior em países de tradição católica. É verdade que os países nórdicos (Dinamarca, Finlândia, Suécia, Noruega e Islândia), todos de tradição luterana, são um exemplo no que diz respeito à justiça social e à transparência política.

Há menos de três meses duas pessoas do mais alto escalão do Japão, um dos países mais ricos do mundo, envolveram-se em escândalos tais que um deles (o Ministro da Agricultura) se suicidou e outro (o Primeiro Ministro) renunciou.

Apesar da distância de 93 anos entre eles, vale a pena colocar lado a lado dois pronunciamentos sobre a corrupção brasileira: o célebre discurso de Ruy Barbosa em 1914 e a palavra de Luiz Fernando Corrêa, novo diretor da Polícia Federal, em setembro de 2007. O primeiro reclamou: “De tanto ver triunfar nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, e ter vergonha de ser honesto”. O segundo foi muito sucinto: “Se somarmos todos os furtos e roubos em um ano numa região, o prejuízo será menor que o causado pela corrupção” (Veja, 26/09/2007, p. 11).

A licenciosidade parece irreversível - Antes havia prostituição e algum adultério aqui e ali. Os poucos homossexuais estavam escondidos dentro do armário. O casamento era mantido a qualquer preço, mesmo apenas na aparência. Os mais ousados compravam e escondiam da família revistas pornográficas e viam filmes pornográficos.

Hoje, meninos e meninas praticam o amor livre, se necessário, até mesmo na casa paterna, sob permissão (ou conselho?) do pai e da mãe. Homens casados ou solteiros procuram os muitos motéis nos arredores das cidades onde moram para se encontrarem com mulheres casadas ou solteiras. Separa-se e divorcia-se quantas vezes a relação anterior perder o sabor. Aborta-se a criança que está sendo gerada a contragosto, para esconder a relação extraconjugal ou para deixar o casal livre para viver a vida que desejam levar. (No Brasil 1,2 milhão de adolescentes abortam por ano.) Multidões de gays saem do armário e se encontram com os novos gays que não chegaram a entrar em armários, organizam marchas, compram agências de viagens, fazem turismo, gastam dinheiro a rodo e exigem respeito de todos em nome dos direitos humanos. Mais do que apenas fotos, qualquer pessoa, não importa a idade nem o gênero, pode ver crianças nuas ou cenas de sexos explícito na tela do computador e da televisão. Marido e mulher passam uma noite ou fim de semana a bordo de um navio para experimentar novas emoções sexuais com o marido da outra e com a mulher do outro. Para satisfazer todos os gostos, implementa-se cada vez mais o turismo sexual, do qual as maiores vítimas são menores de idade. (Estima-se que cerca de cem mil crianças e adolescentes são explorados sexualmente no Brasil hoje.)

Homossexuais e travestis se juntam às prostitutas para atrair clientes que passam de carro em certos pontos de quase toda cidade ao cair da noite. Pedófilos são presos, cumprem pena, saem da cadeia e voltam a cometer o mesmo crime. Escândalos sexuais cometidos por líderes religiosos desta e daquela denominação cristã, católica ou protestante, abalam a autoridade da igreja de Jesus Cristo. Jornalista de 39 anos que se diz recém-convertida ao protestantismo, depois de se envolver com político de renome, deixa-se fotografar nua em troca de algumas centenas de mil reais. Outro dia, o escritor Fausto Wolff queixou-se de que queria ir ao teatro e verificou que “das 20 peças em cartaz nove tratavam de homossexualismo, com homem vestido de mulher e tudo” (Jornal do Brasil, 26/08/2007, B2). Nossas novelas e canais de TV em geral são um prato cheio para alimentar o sexo livre.

Alguns governos estão modificando o seu Código Penal para deixar impune a prática de relações consentidas com menores acima de 14 anos. O presidente da França anda defendendo a castração química de pedófilos para reforçar a punição de pessoas que cometeram crimes de natureza sexual e para impedir novos delitos. Para tornar compreensível e natural a prática homossexual, certo cientista italiano, ex-ministro da saúde de seu país, está defendendo a teoria de que a humanidade deve caminhar para o bissexualismo “como resultado da evolução natural das espécies” (Jornal do Brasil, 21/08/07, A24).

Autores recentes estão afirmando que a poligamia é normal e a monogamia é anormal. Tendo em vista o capítulo da teologia que estuda a chamada queda do homem, fato que a ciência desconhece ou não leva em conta, não é de se estranhar que 80% das 1.100 sociedades pesquisadas pelo Ethnografic Atlas entendem que a monogamia seja um mito e a poligamia seja um fato real tido como ideal (Isto é, 29/08/07, p. 54). Não é a sociedade nem a ciência que têm a última palavra em questões de comportamento. Isso é muito perigoso. O padrão de conduta é da competência do Criador e está claramente exposta no Decálogo (Êx 20).

A chamada revolução sexual é recente. Teria começado nos anos 60 ou um pouco antes, com a publicação dos dois relatórios do biólogo americano Alfred Kinsey, o primeiro em 1948 (O Comportamento Sexual do Homem) e o segundo em 1953 (O Comportamento Sexual da Mulher). Daí surgiu a chamada permissive society, que continua em pleno vigor, expandindo-se cada vez mais.

A paixão pelo dinheiro parece irreversível - Três pesquisas realizadas recentemente entre jovens americanos mostram que o maior objetivo na vida da maioria deles é “ficar rico” (Folha de São Paulo, 19/08/07, p. 8). A persistente idéia de que o dinheiro gera sensação de segurança e bem-estar invade todas as mentes, mesmo depois de todos os estudos em contrário, elaborados por especialistas no assunto. Um deles é o conhecido economista brasileiro Eduardo Gianetti da Fonseca, autor do livro Felicidade: “A máxima de que dinheiro traz felicidade é falsa”. Gianetti cita uma pesquisa feita com ganhadores de prêmios acima de 500 mil dólares nos Estados Unidos, segundo a qual, “passado o nível de euforia, a sensação de bem-estar volta ao seu estado normal, e depois até cai” (Jornal do Brasil, 31/12/06, E2).

Outro estudo, feito pela rede MTV quase na mesma ocasião, mostra que os jovens de países em desenvolvimento são mais felizes do que os de países ricos. A pesquisa reuniu 5.400 jovens de 14 países. Apenas 43% das pessoas entre 16 e 34 anos disseram ser felizes. A taxa seria muito mais baixa se a entrevista tivesse sido feita exclusivamente com países ricos: apenas 8% dos jovens nipônicos e 30% dos americanos declaram ser felizes.

No início de 2007, o empresário brasileiro Benjamin Steinbruch, diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional, depois de lembrar que a renda per capita mundial cresce em média 3,4% ao ano desde 2000, fez uma solene pergunta: “Apesar disso, seria possível dizer que as pessoas estão mais felizes no mundo?”. Ele mesmo responde: “É difícil responder sim. Basta olhar para a insegurança mundial, os conflitos bélicos e os focos de pobreza extrema, fome e miséria” (Folha de São Paulo, 02/01/07, B2).

Geração após geração, todas desprezam as experiências e os conselhos de Salomão, em cerca de 950 a.C.: “Quem ama o dinheiro jamais terá o suficiente; quem ama as riquezas jamais ficará satisfeito com os seus rendimentos” (Ec 5.10). “Tudo é ilusão, tudo é como correr atrás do vento” (ou “vão e frustrante”, como traduz a Bíblia Hebraica), na opinião do sábio (Ec 2.26, NTLH). O grande e eterno problema é que “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males” (1Tm 6.10).

O narcotráfico parece irreversível - O fabrico, o tráfico e o consumo de drogas que geram dependência química continuam a desafiar qualquer providência governamental de âmbito nacional ou internacional. É uma porta aberta para uma série quase sem fim de crimes: furtos, roubos, assaltos, seqüestros, corrupção e assassinatos. Os confrontos quase diários entre a polícia e os narcotraficantes deixam uma enorme quantidade de mortos de ambos os lados. Na repressão ao narcotráfico, aviões são abatidos como se fosse tempo de guerra. O tráfico controla favelas inteiras no Brasil e algumas regiões da Colômbia. Na guerra urbana, muitos inocentes — homens, mulheres e crianças — são vítimas de alguma bala perdida. As penitenciárias estão superlotadas de traficantes, alguns dos quais continuam a comandar de lá mesmo as suas gangues. Além de matarem a sangue frio algum possível delator ou informante, os próprios traficantes matam uns aos outros para garantir o território de cada um. Para manter o vício, os usuários de drogas se entregam à prostituição e são capazes de roubar ou assassinar os próprios pais.

É impossível calcular a quantidade de dinheiro lavado e a fortuna pessoal dos mais bem-sucedidos traficantes. Na residência de um deles, o colombiano Juan Carlos Ramirez Abadia, de 44 anos, em Barueri, SP, a Polícia Federal apreendeu em agosto de 2007, 554 mil dólares, 250 mil euros e 55 mil reais, no valor total de quase 1,8 milhão de reais. O traficante está entre os dez mais ricos do Brasil. Estima-se que ele tenha uma fortuna de 3,6 bilhões de reais, logo depois de Abílio Diniz, do Grupo Pão de Acúcar, e de Júlio Bozano, do Banco Bozano Simonsen, ambos com 3,8 bilhões. Abadia é acusado de ter ordenado o assassinato de 315 pessoas na Colômbia e nos Estados Unidos (mais de sete mortes para cada ano da sua vida).

Com tanto dinheiro, o narcotráfico consegue corromper muita gente. O próprio Abadia confessa ter dado 800 mil dólares à Polícia para evitar que três pessoas do seu grupo fossem presas. Outro colombiano, diz a reportagem da Folha de São Paulo, estabeleceu-se no Brasil em 1994 e nunca foi importunado oficialmente pela polícia nesses 13 anos, graças às propinas pagas. Gustavo Bautista tinha meia dúzia de empresas que exportavam frutas para a Europa e tinha cerca de 2 mil empregados. Junto com as frutas ele enviava cocaína para a Holanda. A volúpia do dinheiro e o medo de ser morto por saber demais, dificulta ou mesmo impede que alguém abandone o narcotráfico. E o negócio floresce cada vez mais. Os Estados Unidos garantem que só o cartel Norte del Valle teria exportado mais de 500 toneladas de cocaína, no valor acima de 10 bilhões de dólares, da Colômbia para o México e posteriormente para o território americano.
Não há evidências de que essa estranha e monstruosa página da história vai virar.
A guerra nuclear parece irreversível - O físico brasileiro Marcelo Gleiser, professor no Dartmouth College, em Hanover, nos Estados Unidos, e autor de A Harmonia do Mundo, lembra que “a tradição guerreira, que faz parte da história da humanidade, começou com pedras e hoje chegou às bombas de hidrogênio. Ela teve início em disputas de pequenos pedaços de terra e hoje envolve o mundo inteiro. E não mudou”. Gleiser não vê esperança no desarmamento e indaga: “Como as potências nucleares, agarradas às suas bombas cada vez mais sofisticadas, esperam que países como a Coréia do Norte, a Índia, o Paquistão e, mais recentemente, o Irã, abandonem seus sonhos de poder nuclear?” O físico garante que “existe algo de muito patológico numa espécie que se diz inteligente, mas que só é capaz de garantir sua sobrevivência pelo acúmulo de armas de destruição em massa”.

A última observação de Gleiser é também contundente: “Vivemos todos com uma corda apertada no pescoço que fingimos não ver” (Folha de São Paulo, “Mais.”, 26/08/07, p. 9). O sociólogo Frédéric Gros acrescenta que “a introdução da bomba nuclear tornou, há mais de cinqüenta anos, improvável um conflito clássico entre as grandes potências”. Hoje “nós entramos na idade dos estados de violência” e precisamos de quem “invente novas esperanças” (Jornal do Brasil, “Idéias & Livros”, de 18/08/07, p. 3).

A descristianização do Ocidente parece irreversível - Um século depois da “invasão” do cristianismo no Oriente, começou a “invasão” do hinduísmo no Ocidente. É curioso observar que o primeiro missionário protestante das missões modernas, o inglês William Carey, chegou à Índia em 1793, aos 32 anos de idade. E o professor hindu Swami Vivekananda chegou aos Estados Unidos exatamente cem anos depois, em 1893, e também aos 32 anos. Aquele pregava o perdão de pecados mediante o sacrifício vicário de Jesus Cristo e este pregava o contrário: todo mal cometido será reparado por meio de expiações pessoais nesta e em novas e difíceis reencarnações. Desde então, o Ocidente passou a ser “campo missionário” dos outrora chamados “gentios” (os não-judeus) e “pagãos” (os não-cristãos).

O nome mais amplo e mais apropriado para indicar hoje os adeptos de várias religiões e movimentos da linha esotérica é Nova Era (New Age), que já não designa uma seita, mas uma constelação delas, como salienta Hélio Damante.

Além desse guarda-chuva quase do tamanho da camada de ozônio, sob o qual se abrigam velhas e novas religiões, inclusive, a Seicho-No-Ie, a Igreja Messiânica Mundial, a brasileira Legião da Boa Vontade, o Hare Krishma e outros, o islamismo tem presença atuante no Ocidente.

Apesar da “reenvagelização” (no vocabulário protestante) e da “nova evangelização” (no vocabulário católico), tanto a Europa como a América, e também parte da Oceania (Austrália e Nova Zelândia), são continentes cada vez mais pós-cristãos. Todavia o problema não é apenas a presença, a propaganda e o proselitismo das religiões asiáticas. Existe também a pregação aberta da secularização teórica (através da imprensa falada, escrita e televisiva, de peças de teatro, música etc.) e prática (através da corrida ao dinheiro e do consumismo) e da pregação também aberta do ateísmo (através de livros que colocam em dúvida os alicerces do cristianismo, como o nascimento virginal e a ressurreição de Jesus e até a existência de Deus).

Acaba de ser lançado no Brasil pela Companhia das Letras o livro Deus, Um Delírio, do biólogo britânico Richard Dawkins. A propaganda de meia página publicada na Folha de São Paulo diz que o livro estava na 32ª semana dos mais vendidos nos Estados Unidos e cita a recomendação da revista Veja: “Deus, Um Delírio é tudo o que o título provocador promete: um destaque ao fanatismo e à irracionalidade que, segundo o autor, estão na base da crença em um ser divino”.

Certo jornal de Chicago conta que nos Estados Unidos já há acampamentos de veraneio para crianças atéias. Faz parte do programa um passeio de avião, durante o qual, após ter alcançado uma boa altura, o piloto explica às crianças: “Pelo menos até aqui não há nenhuma evidência de um Deus no céu”. Há menos de cinqüenta anos esse tipo de propaganda do ateísmo era feita na antiga União Soviética sob os protestos dos americanos (um professor comunista derramou um pó de cor avermelhada num copo cheio de água para mostrar aos seus alunos que Jesus não fez nenhum milagre ao transformar água em vinho). (Veja Americano funda acampamento de verão para mostrar que Deus não existe)

(Outra coisa que parece irreversível é a degradação do meio ambiente, que foi matéria de capa da edição de março/abril de 2006 de Ultimato).

Aumento das despesas militares nos últimos dez anos por região e no mundo (em bilhões de dólares)

 REGIÃO 1997 2006 % do aumento
 África 10,315,5 51% 
 América 375575 53% 
 Ásia e Oceania 131 185 41%
 Europa 283 310 10%
 Oriente Médio 46,1 72,5 57%
 Mundo 844 1.158 37%

Os cinco países com maiores gastos militares em 2006

 País Gastos (em bilhões de dólares)Gasto per capita (em dólares) 
 EUA 528,71.756 
 Reino Unido 59,2990 
 França 53,1 875
 China 49,5 37
 Japão 43,7 341


Fonte: SIPRI -Stockholm International Peace Research Institute. Yearbook 2007. p. 270.
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Fonte: Revista Ultimato - edição 309

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Vídeo 'Worship Wrong' Viral no Facebook, estimula a reflexão sobre o Culto Show

2 comentários:


O vídeo produzido pela Primeira Igreja Batista de Orlando destacando o louvor superficial de alguns crentes é sucesso no Facebook americano. Mas a piada tem levado alguns usuários de redes sociais a fazer uma reflexão séria.

Originalmente, a composição seria utilizada como ilustração de um sermão cujo tema era o “culto errado”. Após ser postado no YouTube, o vídeo teve milhares de acessos e foi muito “curtido” e comentado nas redes sociais. A descrição no canal da Primeira Igreja Batista de Orlando explica que o vídeo serve para mostrar que “às vezes, quando estamos adorando, não somos totalmente sinceros. Mostramos como seria caso falássemos o que realmente está em nosso coração”.
Jennifer Bratton, uma das que pessoas que comentou, escreveu: “É engraçado, mas muito verdadeiro”.

“Eu não ri. Mas é triste saber como isso é verdade”, escreveu Destiny Nicole Panos.

Steve Frey concordou: “é uma canção engraçada, mas chega tão perto do que vemos todo domingo que chega a ser triste”.

“Faço isso também, com certeza. As igrejas precisam olhar para seus momentos de adoração e perguntar se esta canção não os descreve”, disse Jeff Davis.
Os cantores no vídeo são George Livings, Doug Pierce e Melissa Vasquez, todos membros do ministério de adoração da Primeira Igreja Batista de Orlando.

Eu também não ri nem um pouquinho, muito pelo contrário, chorei ao constatar no que o evangelho, que custou a vida e o sangue de Jesus, tem se tornado ao longo desses anos por causa da ganância de certos homens inescrupulosos e que não temem a Deus. Que o Senhor tenha misericórdia de todos nós. - pcamaral

Vídeo legendado por Gospel Prime Via Pavablog

Quando não tenho nada para fazer faço isso...... [7]

2 comentários:
Essa eu peguei lá do Marcony do Hospital da Alma - Parece que quando ele era pequeno ficava gravando esses videos para tentar aparecer na web......


#RIMUITO até agora......

domingo, 16 de outubro de 2011

A "Marca" de Cristo

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A evangelização na era do consumo tem muito do discurso do marketing. Mas a Igreja não pode oferecer o Evangelho como bem de consumo.

Por Tyler Wigg-Stevenson

A marca Jesus é uma das mais conhecidas e rentáveis do mundo. O nome do Filho de Deus acompanha a humanidade há dois milênios, resistiu a toda sorte de crises – da opressão romana no início da Era Cristã ao comunismo, das trevas da Idade Média ao ateísmo filosófico do século 19 – e é a razão da fé de pelo menos 2 bilhões de pessoas. Seus ensinos e as frases que disse em seu ministério terreno – como o genial “Dai a César o que é de César” ou o inquietante “Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra” – fazem parte dos mais diversos cases de marketing. Mas são justamente as estratégias empregadas na propagação do Evangelho que têm causado mais controvérsia. Esta é a questão que se levanta quando pesamos os métodos de evangelismo público por parte de igrejas marcadas pela cultura ocidental, saturadas pelo marketing. Ora, qualquer secundarista sabe que marketing pode ser definido como todas as atividades que ajudam empreendedores a identificar e moldar o desejo de seu alvo, os consumidores – e, então, satisfaze-los mais do que seus competidores o fazem. Isso geralmente envolve pesquisas de mercado, análise das necessidades do cliente, e, então, decisões estratégicas sobre design de produtos, preços, promoções, propaganda e distribuição.

A Igreja enfrentou – e enfrenta – questões inevitáveis por escolher manter o evangelismo pessoal e testemunho público em uma sociedade marcada por uma cultura consumista. A primeira questão é: Será que devemos transformar em artigo de mercado a Igreja e a mensagem de Cristo? Podemos usar técnicas de marketing no cumprimento do “Ide” de Jesus? Temos condições de mudar o meio sem afetar a mensagem? Ou será que o próprio meio do marketing mancha nossa pregação, fazendo-nos resistir até o último suspiro a toda acomodação à nossa cultura de consumo? Parece evidente que, a menos que nos abstenhamos de toda forma de evangelismo, o marketing é inevitável. Se ele é a linguagem da nossa cultura, os cristãos devem ter fluência nele, da mesma forma que os missionários transculturais precisam dominar o idioma dos povos aonde vão atuar.

O marketing é apenas a última encarnação dos clássicos modelos evangelísticos, como a persuasão e o exemplo de vida. Por esta perspectiva, o erro estaria em fazer um marketing da Igreja de forma pobre, o que a faria parecer menos do que ela é – como uma marca indesejável – para um público de não cristãos. Deve-se ter em mente, também, que o marketing tem um problema: às vezes, ele leva as pessoas a fazer exatamente o oposto do desejado.

Conflitos com a vida cristã– Em outros termos, as pessoas que respondem ao marketing eclesiástico encaram Jesus como uma mercadoria. Este é o primeiro e grande problema, pois isso é blasfêmia: nós estamos falando sobre o Logos encarnado, e não sobre uma logo. Por outro lado (caso blasfêmia não seja o suficiente...), isso deveria nos preocupar pelo problema que traz para o discipulado. O consumismo não é apenas um fenômeno social – é espiritual. Ele vem dos hábitos e comportamentos espirituais que conflitam com as práticas particulares da vida cristã.

Existem vários conflitos desta natureza, mas quatro se destacam como mais arriscados:

1. “Você é o que você compra” versus senhorio de Cristo – Em uma sociedade consumista, a identidade das pessoas vem do elas consomem. O principal foco de uma sociedade consumista é o consumidor – o que é essencial. Marcas comerciais não fazem nada para abalar essa auto-suficiência fundamental; na verdade, elas dependem disso. A dinâmica é simples – nós pagamos pelo privilégio de algumas marcas porque gostamos do que elas fazem por nós. Em contrapartida, as marcas estão bastante satisfeitas em receber nosso dinheiro. Consumidores espirituais, portanto, haverão de se aproximar da Igreja com o mesmo narcisismo com o qual se aproximam das demais marcas, com questionamentos como: “O que estou expressando a meu respeito, caso eu compre a marca Jesus?”; ou “Como o cristianismo completará a visão que eu tenho de mim mesmo?”.
Aqueles que vêm à igreja esperando satisfações de mercado e procurando apenas salvar sua vida não encontrarão nem uma coisa nem outra.
A implicação teológica disso é: eu pertenço a mim mesmo. Sou meu próprio projeto, meu próprio produto. Essa é uma terrível rejeição à glória que deve ser dada a Deus como Criador. O perigo está no fato de que a Igreja passa, com isso, a transformar rapidamente o Evangelho em mera ferramenta de preenchimento pessoal. Pregações e evangelismo que enfatizam apenas os benefícios de se tornar um crente apresentam uma mensagem não muito diferente das propagandas que falam sobre as vantagens de determinados modelos de carros, por exemplo. Essa atitude prejudica o crescimento dos discípulos rumo a uma vida centrada em Deus e no próximo. Sim, a vida cristã traz plenitude para além da imaginação; mas ela vem apenas quando buscamos a Deus mais do que a nós mesmos. Aqueles que vêm à igreja esperando satisfações de mercado e procurando apenas salvar sua vida não encontrarão nem uma coisa nem outra.

2. Descontentamento versus a suficiência de Cristo – Embora o consumismo prometa plenitude pessoal, os ciclos econômicos dependem inteiramente de um descontentamento contínuo. No fundo, o consumismo não se trata apenas de comprar um produto novo, mas sim, de adquirir esse produto para que você se sinta novo. As pessoas que trabalham com o marketing sabem disso e planejam seus produtos de tal forma que o consumidor sempre é levado a desejar o novo que está por vir, o último modelo do que já tem. .

Consumidores descontentes também carregam uma armadilha espiritual semelhante. Inicialmente, nossa busca perpétua por conforto e felicidade, na verdade, aniquila-se toda chance de satisfação de nossos desejos. O prazer de comprar um novo produto ou serviço, na verdade, durará pouco tempo. Logo vai embora – e o pior é que imediatamente depois, passamos a desejar algo novo. Em seguida – e esta é uma questão perversa –, nós não conseguimos lidar com desconforto. Como consumidores, buscamos novos produtos quando percebemos os primeiros sinais de irritação. Como as clinicamente identificáveis dependências de compras, esse é um espantoso indicador de uma cultura decadente.
fazendo de Jesus o Senhor de fato de nossas vidas, precisaremos cada vez de menos coisas para termos satisfação completa
A maioria das pessoas, nos mais diversos lugares, não tem o luxo de lutar por vidas livres do sofrimento e da dor. Evidentemente, termos todas as nossas necessidades sempre supridas é precisamente o oposto do que o discípulo deve experimentar. Paulo mostra uma indiferença quanto às circunstâncias da própria vida, sentimento que era fruto de sua maturidade espiritual: “Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez. Tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4.11-13).

A questão levantada pelo apóstolo não é que veremos todas as nossas necessidades prontamente assistidas, mas que, fazendo de Jesus o Senhor de fato de nossas vidas, precisaremos cada vez de menos coisas para termos satisfação completa. O discipulado, presente na comunidade cristã, tem como objetivo satisfazer com uma só coisa: o senhorio de Cristo em sua vida.

3. O relativismo das marcas versus o senhorio de Cristo – Um bom profissional do marketing busca formar um tipo de pessoa que se identifica tanto com sua marca que passa a considerar algo inimaginável a possibilidade de viver sem ela. Em se tratando de valores, esse tipo de entusiasmo parece indicar uma superioridade das marcas na vida de alguém. Entretanto, subjacente a esse fanatismo pelas marcas, está o relativismo inerente no consumismo. Uma marca de celular não é inerentemente melhor do que a concorrente, embora produtos do gênero precisem ter certa dose de competição técnica. Uma delas pode até fazer um melhor trabalho de capturar as mentes e os corações; todavia, dizer que determinado logo é melhor do que outro é tão ridículo quanto afirmar que os moradores de Boston são melhores do que os moradores de Chicago. Melhores por quais padrões? Para ser honesto, as marcas comunicam coisas diferentes umas das outras. No mercado americano de automóveis, Mercedes representa luxo, enquanto Honda expressa confiança. Ambas, porém, fazem o que devem fazer em termos de qualidade. Portanto, a superioridade de uma sobre a outra está única e exclusivamente na cabeça do consumidor.
Se um consumidor descontente com uma marca de TV escolhe outra, a primeira perde e a segunda ganha. Mas se uma pessoa deixa de escolher a Cristo para servir a outros deuses – ou a deus algum –, Cristo não é nem um pouco diminuído.
O consumidor que compra nosso marketing fará de Jesus sua marca escolhida, e o zelo resultante dessa escolha parecerá fé apaixonada. Aparências nos desapontam. Uma fé genuinamente apaixonada está enraizada em quem Cristo de fato é. Um zelo pela marca, por sua vez, está centrado na própria pessoa, pois a superioridade de uma marca sobre a outra depende tão somente do entusiasmo do seu devoto. O zelo existente mascara a arbitrariedade da escolha. Entretanto, a escolha por Cristo não é arbitrária. Se um consumidor descontente com uma marca de TV escolhe outra, a primeira perde e a segunda ganha. Mas se uma pessoa deixa de escolher a Cristo para servir a outros deuses – ou a deus algum –, Cristo não é nem um pouco diminuído.

Consumidores espirituais não têm porque achar que o cristianismo não é uma opção entre muitas. Entretanto, a santidade na vida de uma igreja é um grande testemunho do contrário. A igreja revela a supremacia de Cristo em um mundo que nega seu poder quando ama o que não é amado, perdoa o imperdoável, promove reconciliações aparentemente impossíveis e faz a perseverança triunfar sobre as dificuldades.

4. Fragmentação versus unidade de Cristo – A chave para o sucesso no marketing é a segmentação: dividir determinada população em grupos identificáveis por suas preferências relacionadas ao consumo. Trata-se de uma análise demográfica. Um profissional do marketing pode olhar para as contas mensais de uma pessoa, ou apenas para o CEP de seu endereço e descobrir coisas importantes para acerca de seu perfil de consumo. As segmentações nos chamados nichos de mercado permitem aos marqueteiros concentrar suas mensagens em públicos mais restritos, tornando-as mais eficazes. Isso tem permitido que o ser humano do século 21 com capacidade de consumo possa viver praticamente alocado dentro de suas preferências. Vivemos em bairros residenciais com pessoas que se parecem conosco, vamos a igrejas cujos membros têm perfil social semelhante ao nosso, passeamos com companheiros que têm os mesmos gostos que nós. Tudo isso contribui para relutarmos contra a vida em contextos nos quais as pessoas não são como nós.

Isso, é claro, é um problema para a Igreja. A unidade cristã é um valor bíblico inegociável. Pense na oração de Jesus em João 17, na exortação de Paulo aos filipenses para que fossem um com a mente de Cristo, ou na metáfora da Igreja como o corpo de Cristo, com diferentes membros igualmente importantes em suas funções. Como Paulo afirmou em Gálatas 3.28, a unidade de Cristo rompeu todas as principais diferenças da sociedade romana: de tribo, classe e gênero. Com efeito, nenhuma identidade importa tanto quanto a identidade cristã.

Precisamos, portanto, estar atentos para as infiltrações da segmentação do marketing nas nossas igrejas. Isso tem provocado duas inaceitáveis consequências: igrejas extremamente homogêneas representando tendências consumistas e, na outra ponta, pequenos grupos homogêneos dentro de grandes igrejas. Ambas as tendências tendem a nos separar dos que nos parecem “diferentes” e a nos levar uma comunhão restrita por padrões sociais, culturais, etários ou até mesmo étnicos – ou seja, caímos no nicho eclesiástico. Certamente foi a isso que Paulo referiu-se como “conformação com este século”, citada em Romanos 12.2.
A Igreja é como uma família, um reino, uma organização social, uma reduto de vida, de companheirismo e – para os nossos dias – um mercado.
O consumismo veio para ficar. Hábitos como autocriação, descontentamento, relativismo e fragmentação se tornarão mais dominantes nos próximos anos. Essa é a forma que a economia global e as transações comerciais julgam ser interessante. Não podemos derrotar nossa realidade; podemos, sim, viver de forma fiel em meio a esse contexto. Para isso, é fundamental nos lembrarmos da natureza da Igreja de Cristo. Em todas as épocas, cristãos têm lutado para defini-la; é uma tarefa difícil porque é a única instituição divina e humana ao mesmo tempo. A Igreja é como uma família, um reino, uma organização social, uma reduto de vida, de companheirismo e – para os nossos dias – um mercado. O problema se instaura quando procuramos definir a Igreja como um todo a partir de apenas um de seus aspectos. Ou seja, tratando-a como um mercado que tem uma marca a ser vendida. Se tratarmos o Evangelho como um produto, não estaremos levando aqueles que não crêem a pensar na cruz como apenas mais um logo?

Nós também precisamos entender, porém, que, não importa o que façamos, o consumismo inevitavelmente estará presente na forma pela qual as pessoas veem a Igreja em nossa sociedade. Toda nossa comunicação da Palavra de Deus será encarada como um marketing; toda exposição dos conteúdos do Evangelho será tida como um produto. E o evangelismo será visto como uma venda. Nada há que possamos fazer para mudar esse contexto. Há ainda mais razões para desafiarmos as expectativas. Consumidores espirituais virão às nossas igrejas como vão às vitrines das lojas nos shoppings, procurando um produto que combine com suas preferências. Eles desejarão isso porque consumir é a única salvação que eles conhecem. Trarão todos os seus recursos e terão grande dificuldade em entender a graça de Deus, porque não conseguem conceber algo que não pode ser comprado. Eles virão à nossa vitrine buscando o que querem, da mesma forma como fizeram aqueles que foram a Jesus, em seus dias, buscando comprar seus produtos – os milagres que operava. Naquela época, eles estavam procurando por um mestre, um homem louco, um profeta ou revolucionário, e – no fim – por um cadáver. Hoje, eles estão buscando uma marca espiritual.

Nos dias de Jesus na Terra, quem o procurou encontrou um Messias vivo e um Senhor. Eles encontraram o Deus pelo qual nem mesmo estavam procurando. A pergunta que nos cabe, hoje, é se aqueles que o buscam hoje haverão de achá-lo no que se chama de corpo de Cristo, chamado para transformar o mundo – e se, procurando algo novo para comprar, serão surpreendidos por Deus.
Consumidores espirituais virão às nossas igrejas como vão às vitrines das lojas nos shoppings, procurando um produto que combine com suas preferências. Eles desejarão isso porque consumir é a única salvação que eles conhecem. Trarão todos os seus recursos e terão grande dificuldade em entender a graça de Deus, porque não conseguem conceber algo que não pode ser comprado. Eles virão à nossa vitrine buscando o que querem, da mesma forma como fizeram aqueles que foram a Jesus, em seus dias, buscando comprar seus produtos – os milagres que operava.
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Fonte: Cristianismo Hoje

Fé, razão, pecado e redenção no pensamento de Blaise Pascal [8]

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Publicado originalmente em Revista Ultimato

Nicodemos e Pascal

A relação entre o Nicodemos do Evangelho de João e o Pascal dos “Pensamentos” é que ambos eram pessoas importantes e se envolveram com Jesus. Isso é notável porque para muitos o evangelho “é uma coisa que nenhuma pessoa instruída e razoável pode aceitar ou crer”, como observa Martyn Lloyd-Jones.

Nicodemos era “uma autoridade entre os judeus” (Jo 8.31) por ser um dos 71 membros do Sinédrio, a suprema corte de justiça e o corpo governante do povo judeu. Jesus o chamou de “mestre em Israel” (Jo 3.10). Provavelmente era um homem instruído, poderoso e rico. A Bíblia faz questão de registrar duas vezes que o primeiro encontro de Nicodemos com Jesus deu-se “à noite”, isto é, clandestinamente (Jo 3.2; 19.39). Nessa ocasião, ele ouviu Jesus falar sobre o novo nascimento, o levantamento da serpente no deserto e seu próprio levantamento na cruz “para que todo o que nele crê tenha a vida eterna” (Jo 3.15). É provável que Nicodemos tenha sido a primeira pessoa a ouvir o mais conhecido versículo da Bíblia: “Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito...” (Jo 3.16). Num segundo momento, Nicodemos teve a coragem de levantar sua voz no Sinédrio a favor de Jesus: “De acordo com a nossa lei não podemos condenar um homem sem ouvi-lo primeiro e descobrir o que ele fez” (Jo 7.51, NTLH). Finalmente, Nicodemos foi corajoso ao se associar, de dia e não de noite, a José de Arimateia, outro membro do Sinédrio, para tirar Jesus da cruz, embalsamar e dar sepultura ao seu corpo. Para tanto, ele mesmo levou 34 quilos de especiarias (Jo 19.38-42).

Nada mais se fala sobre Nicodemos, mas é provável que ele tenha se tornado um cristão professo. Segundo a tradição, ele teria sido batizado por Pedro e João, sofrido perseguições, perdido seu lugar no Sinédrio e obrigado a deixar Jerusalém!

Excluir a razão e não admitir senão a razão são dois extremos a evitar

Uma das tragédias da religião é a renúncia da razão em fortalecimento da fé. Poucas pessoas foram tão equilibradas como Pascal a esse respeito.
É preciso saber duvidar quando necessário, afirmar quando necessário e submeter-se quando necessário. Quem não faz assim não entende a força da razão.
Se se submete tudo à razão, o cristianismo nada terá de misterioso nem de sobrenatural. Se se contrariam os princípios da razão, o cristianismo será absurdo e ridículo.

O coração tem razões que a razão desconhece. Sente-se isso em mil coisas. É o coração que sente Deus e não a razão. Eis o que é a fé: Deus sensível ao coração e não à razão.

A religião não é absolutamente contrária à razão. Esforcem-se para se convencerem da existência de Deus não por argumentação, mas pela diminuição de suas paixões carnais.

Por serem bastante infelizes, devemos mostrar piedade para com os que não querem ou não conseguem crer.

Submissão e uso da razão - eis em que consiste o verdadeiro cristianismo. O último passo da razão é reconhecer que existe uma infinidade de coisas que a supera. Se a razão não reconhece isso, ela é fraca. Se as coisas naturais a superam, o que se dirá das sobrenaturais?

Não há nada tão conforme a razão do que a retratação da razão.

Não é de se admirar ver pessoas simples crerem sem raciocínio. Deus lhes dá o amor a ele, e o ódio a si mesmas.

Dizem que somos incapazes de conhecer se existe mesmo um Deus. Entretanto, o certo é que Deus existe ou não existe. Não há meio termo nessa questão.

O homem é naturalmente crédulo e incrédulo, tímido e temerário.

Não tire de seu aprendizado a conclusão de que você sabe tudo, mas sim a certeza de que ainda resta muito a saber.

Se Deus se descobrisse mais continuamente, não haveria mérito em acreditar nele. Se ele não se descobrisse, não haveria nem um pouco de fé. Mas ele se esconde constantemente e se descobre raramente para aqueles que desejam se colocar ao seu serviço.

Se o homem não foi feito para Deus por que só é feliz em Deus? Se o homem é feito para Deus, por que é tão contrário a Deus?

Não tenho palavras para qualificar aquele que duvida e não corre atrás da certeza, aquele que, ao mesmo tempo, é sumamente infeliz e injusto, e ainda se sente tranquilo e satisfeito e se vangloria disso tudo.

É uma estranha inversão a sensibilidade do homem às pequenas coisas e a insensibilidade dele às grandes coisas.

+ Blaise Pascal - 1 - 2 - 3 - 4 - 5 - 6 - 7 - 8