quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A dura vida dos ateus em um Brasil cada vez mais evangélico

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A parábola do taxista e a intolerância. Reflexão a partir de uma conversa no trânsito de São Paulo. A expansão da fé evangélica está mudando “o homem cordial”?

Publicado na Revista Época - Coluna: SOCIEDADE - ELIANE BRUM - 14/11/2011 09h59 - Atualizado em 14/11/2011 09h59

Por Eliane Brum

ELIANE BRUM
O diálogo aconteceu entre uma jornalista e um taxista na última sexta-feira. Ela entrou no táxi do ponto do Shopping Villa Lobos, em São Paulo, por volta das 19h30. Como estava escuro demais para ler o jornal, como ela sempre faz, puxou conversa com o motorista de táxi, como ela nunca faz. Falaram do trânsito (inevitável em São Paulo) que, naquela sexta-feira chuvosa e às vésperas de um feriadão, contra todos os prognósticos, estava bom. Depois, outro taxista emparelhou o carro na Pedroso de Moraes para pedir um “Bom Ar” emprestado ao colega, porque tinha carregado um passageiro “com cheiro de jaula”. Continuaram, e ela comentou que trabalharia no feriado. Ele perguntou o que ela fazia. “Sou jornalista”, ela disse. E ele: “Eu quero muito melhorar o meu português. Estudei, mas escrevo tudo errado”. Ele era jovem, menos de 30 anos. “O melhor jeito de melhorar o português é lendo”, ela sugeriu. “Eu estou lendo mais agora, já li quatro livros neste ano. Para quem não lia nada...”, ele contou. “O importante é ler o que você gosta”, ela estimulou. “O que eu quero agora é ler a Bíblia”. Foi neste ponto que o diálogo conquistou o direito a seguir com travessões.

- Você é evangélico? – ela perguntou.
- Sou! – ele respondeu, animado.
- De que igreja?
- Tenho ido na Novidade de Vida. Mas já fui na Bola de Neve.
- Da Novidade de Vida eu nunca tinha ouvido falar, mas já li matérias sobre a Bola de Neve. É bacana a Novidade de Vida?
- Tou gostando muito. A Bola de Neve também é bem legal. De vez em quando eu vou lá.
- Legal.
- De que religião você é?
- Eu não tenho religião. Sou ateia.
- Deus me livre! Vai lá na Bola de Neve.
- Não, eu não sou religiosa. Sou ateia.
- Deus me livre!
- Engraçado isso. Eu respeito a sua escolha, mas você não respeita a minha.
- (riso nervoso).
- Eu sou uma pessoa decente, honesta, trato as pessoas com respeito, trabalho duro e tento fazer a minha parte para o mundo ser um lugar melhor. Por que eu seria pior por não ter uma fé?
- Por que as boas ações não salvam.
- Não?
- Só Jesus salva. Se você não aceitar Jesus, não será salva.
- Mas eu não quero ser salva.
- Deus me livre!
- Eu não acredito em salvação. Acredito em viver cada dia da melhor forma possível.
- Acho que você é espírita.
- Não, já disse a você. Sou ateia.
- É que Jesus não te pegou ainda. Mas ele vai pegar.
- Olha, sinceramente, acho difícil que Jesus vá me pegar. Mas sabe o que eu acho curioso? Que eu não queira tirar a sua fé, mas você queira tirar a minha não fé. Eu não acho que você seja pior do que eu por ser evangélico, mas você parece achar que é melhor do que eu porque é evangélico. Não era Jesus que pregava a tolerância?
- É, talvez seja melhor a gente mudar de assunto...

O taxista estava confuso. A passageira era ateia, mas parecia do bem. Era tranquila, doce e divertida. Mas ele fora doutrinado para acreditar que um ateu é uma espécie de Satanás. Como resolver esse impasse? (Talvez ele tenha lembrado, naquele momento, que o pastor avisara que o diabo assumia formas muito sedutoras para roubar a alma dos crentes. Mas, como não dá para ler pensamentos, só é possível afirmar que o taxista parecia viver um embate interno: ele não conseguia se convencer de que a mulher que agora falava sobre o cartão do banco que tinha perdido era a personificação do mal.)

Chegaram ao destino depois de mais algumas conversas corriqueiras. Ao se despedir, ela agradeceu a corrida e desejou a ele um bom fim de semana e uma boa noite. Ele retribuiu. E então, não conseguiu conter-se:

- Veja se aparece lá na igreja! – gritou, quando ela abria a porta.
- Veja se vira ateu! – ela retribuiu, bem humorada, antes de fechá-la.
Ainda deu tempo de ouvir uma risada nervosa.

A parábola do taxista me faz pensar em como a vida dos ateus poderá ser dura num Brasil cada vez mais evangélico – ou cada vez mais neopentecostal, já que é esta a característica das igrejas evangélicas que mais crescem. O catolicismo – no mundo contemporâneo, bem sublinhado – mantém uma relação de tolerância com o ateísmo. Por várias razões. Entre elas, a de que é possível ser católico – e não praticante. O fato de você não frequentar a igreja nem pagar o dízimo não chama maior atenção no Brasil católico nem condena ninguém ao inferno. Outra razão importante é que o catolicismo está disseminado na cultura, entrelaçado a uma forma de ver o mundo que influencia inclusive os ateus. Ser ateu num país de maioria católica nunca ameaçou a convivência entre os vizinhos. Ou entre taxistas e passageiros.

Já com os evangélicos neopentecostais, caso das inúmeras igrejas que se multiplicam com nomes cada vez mais imaginativos pelas esquinas das grandes e das pequenas cidades, pelos sertões e pela floresta amazônica, o caso é diferente. E não faço aqui nenhum juízo de valor sobre a fé católica ou a dos neopentecostais. Cada um tem o direito de professar a fé que quiser – assim como a sua não fé. Meu interesse é tentar compreender como essa porção cada vez mais numerosa do país está mudando o modo de ver o mundo e o modo de se relacionar com a cultura. Está mudando a forma de ser brasileiro.

Por que os ateus são uma ameaça às novas denominações evangélicas? Porque as neopentecostais – e não falo aqui nenhuma novidade – são constituídas no modo capitalista. Regidas, portanto, pelas leis de mercado. Por isso, nessas novas igrejas, não há como ser um evangélico não praticante. É possível, como o taxista exemplifica muito bem, pular de uma para outra, como um consumidor diante de vitrines que tentam seduzi-lo a entrar na loja pelo brilho de suas ofertas. Essa dificuldade de “fidelizar um fiel”, ao gerir a igreja como um modelo de negócio, obriga as neopentecostais a uma disputa de mercado cada vez mais agressiva e também a buscar fatias ainda inexploradas. É preciso que os fiéis estejam dentro das igrejas – e elas estão sempre de portas abertas – para consumir um dos muitos produtos milagrosos ou para serem consumidos por doações em dinheiro ou em espécie. O templo é um shopping da fé, com as vantagens e as desvantagens que isso implica.

É também por essa razão que a Igreja Católica, que em períodos de sua longa história atraiu fiéis com ossos de santos e passes para o céu, vive hoje o dilema de ser ameaçada pela vulgaridade das relações capitalistas numa fé de mercado. Dilema que procura resolver de uma maneira bastante inteligente, ao manter a salvo a tradição que tem lhe garantido poder e influência há dois mil anos, mas ao mesmo tempo estimular sua versão de mercado, encarnada pelos carismáticos. Como uma espécie de vanguarda, que contém o avanço das tropas “inimigas” lá na frente sem comprometer a integridade do exército que se mantém mais atrás, padres pop star como Marcelo Rossi e movimentos como a Canção Nova têm sido estratégicos para reduzir a sangria de fiéis para as neopentecostais. Não fosse esse tipo de abordagem mais agressiva e possivelmente já existiria uma porção ainda maior de evangélicos no país.

Tudo indica que a parábola do taxista se tornará cada vez mais frequente nas ruas do Brasil – em novas e ferozes versões. Afinal, não há nada mais ameaçador para o mercado do que quem está fora do mercado por convicção. E quem está fora do mercado da fé? Os ateus. É possível convencer um católico, um espírita ou um umbandista a mudar de religião. Mas é bem mais difícil – quando não impossível – converter um ateu. Para quem não acredita na existência de Deus, qualquer produto religioso, seja ele material, como um travesseiro que cura doenças, ou subjetivo, como o conforto da vida eterna, não tem qualquer apelo. Seria como vender gelo para um esquimó.

Tenho muitos amigos ateus. E eles me contam que têm evitado se apresentar dessa maneira porque a reação é cada vez mais hostil. Por enquanto, a reação é como a do taxista: “Deus me livre!”. Mas percebem que o cerco se aperta e, a qualquer momento, temem que alguém possa empunhar um punhado de dentes de alho diante deles ou iniciar um exorcismo ali mesmo, no sinal fechado ou na padaria da esquina. Acuados, têm preferido declarar-se “agnósticos”. Com sorte, parte dos crentes pode ficar em dúvida e pensar que é alguma igreja nova.

Já conhecia a “Bola de Neve” (ou “Bola de Neve Church, para os íntimos”, como diz o seu site), mas nunca tinha ouvido falar da “Novidade de Vida”. Busquei o site da igreja na internet. Na página de abertura, me deparei com uma preleção intitulada: “O perigo da tolerância”. O texto fala sobre as famílias, afirma que Deus não é tolerante e incita os fiéis a não tolerar o que não venha de Deus. Tolerar “coisas erradas” é o mesmo que “criar demônios de estimação”. Entre as muitas frases exemplares, uma se destaca: “Hoje em dia, o mal da sociedade tem sido a Tolerância (em negrito e em maiúscula)”. Deus me livre!, um ateu talvez tenha vontade de dizer. Mas nem esse conforto lhe resta.

Ainda que o crescimento evangélico no Brasil venha sendo investigado tanto pela academia como pelo jornalismo, é pouco para a profundidade das mudanças que tem trazido à vida cotidiana do país. As transformações no modo de ser brasileiro talvez sejam maiores do que possa parecer à primeira vista. Talvez estejam alterando o “homem cordial” – não no sentido estrito conferido por Sérgio Buarque de Holanda, mas no sentido atribuído pelo senso comum.

Me arriscaria a dizer que a liberdade de credo – e, portanto, também de não credo – determinada pela Constituição está sendo solapada na prática do dia a dia. Não deixa de ser curioso que, no século XXI, ser ateu volte a ter um conteúdo revolucionário. Mas, depois que Sarah Sheeva, uma das filhas de Pepeu Gomes e Baby do Brasil, passou a pastorear mulheres virgens – ou com vontade de voltar a ser – em busca de príncipes encantados, na “Igreja Celular Internacional”, nada mais me surpreende.

Se Deus existe, que nos livre de sermos obrigados a acreditar nele.

Eliane Brum, jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de um romance - Uma Duas (LeYa) - e de três livros de reportagem: Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo). E codiretora de dois documentários: Uma História Severina e Gretchen Filme Estrada.

elianebrum@uol.com.br
@brumelianebrum

(Eliane Brum escreve às segundas-feiras)

Fonte: Revista Época

Igrejas velhas não valem nada

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Não tenha vergonha de ser diferente. A mensagem do Cristianismo é e sempre foi contracultura, ela nada na contramão, na direção oposta do mundo.
E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo. (Apocalipse 14:6)
Por Mauricio Zágari

Se tem uma coisa que eu admiro nos japoneses é o respeito e a honra que eles dão aos idosos. São vistos como pessoas sábias, vividas, experientes, que já passaram por todo tipo de dor e sofrimento, que já erraram e acertaram muito, que entendem que a testosterona da juventude nos leva a cometer erros muitas vezes irreparáveis. No Japão, velho é bom. Paradoxalmente, no Brasil velho é ruim. É sinônimo de coisa ultrapassada, defasada, que não serve mais, que não entende os nossos tempos, que está apegada a tradicionalismos e coisas de uma época que não se aplica mais aos nossos dias.

Com o perdão da palavra, mas, nesse sentido, como nós, brasileiros, somos ignorantes!

Jovens têm, é lógico, o seu valor. São cheios de garra, têm disposição, ímpeto e vontade de mudar o mundo. O problema surge quando queremos mudar o que não precisa ser mudado. Pois, queira você ou não, jovem, você é inexperiente. Ainda tem muito feijão para comer. Um rapaz de 20 anos nunca vai se comparar a um senhor de 60, por exemplo, em número de cicatrizes na alma. Cara, são 40 anos a mais de vivência! Você acha isso pouco? Comparar chega a ser patético. Uma sociedade formada sobre a inexperiência dos jovens é uma sociedade que vai cometer todos os erros que os velhos já cometeram – sem necessidade alguma de que eles fossem repetidos Infelizmente, é o que tem ocorrido em muitas igrejas.

Fico lendo no twitter alguns pastores garotões querendo dizer aos mais velhos como se deve fazer igreja e o que leio muitas vezes me dá um desânimo atroz, pra não dizer assombro. É patente que são uns meninos cheios de boa vontade, mas também lotados até a boca de equívocos, inexperiência, ignorância teológica e falta de traquejo. Outro dia li um jovem pastor ligado a uma organização de mocidade para cristãos defender que masturbação não é pecado se você o faz pensando na sua esposa. Depois, o mesmo garotão comparou roupa de pastores com roupa de políticos numa analogia tão sem fundamento que me deu até pena. E basta ler os tuites dele que você percebe até coisas menores, como montes de erros de gramática e ortografia. E são esses que estão discipulando nossos jovens??? Deus tenha misericórdia de Sua Igreja…

Jovem, lembre-se que Israel foi dividido porque o rei jovem deu mais ouvidos aos conselheiros garotões do que aos anciãos. Você quer um conselheiro nas coisas de Deus e da vida? Busque alguém que tenha fios brancos na cabeça. Barba preta não faz de ninguém um bom pastor. Cabelos grisalhos também não, mas ajudam muito. Se eu vou a um médico, não procuro um recém-formado, vou aos que têm diplomas amarelados na parede e uma estrada longa percorrida. Por que não faria o mesmo com os médicos de alma?

Fui certa vez a uma conferência teológica acompanhado de um sacerdote que está na casa dos 50 anos. Eu tenho 39. Assistimos a uma palestra de um jovem e brilhante teólogo. A exposição dele foi excelente. Na saída comecei a elogiar o rapaz para esse sacerdote que estava comigo. Ele ouviu-me pacientemente. Ao final me disse uma frase que eu não esqueci: “Mauricio, ele pode ser muito bom, mas ainda não sofreu. Deixa ele sofrer mais e depois a gente conversa”. Refletindo sobre aquela frase, vi que ele estava coberto de razão: ninguém se torna um general sem carregar em si muitos ferimentos de batalhas passadas.

Os jovens cristãos chegam cheios de vontade de fazer e acontecer. Ótimo. Mas muitos, em especial pastores, enfiam os pés pelas mãos, porque ignoram o conselho dos mais velhos. Acham que sacerdotes com mais de 50 anos são velhos corocos presos a tradicionalismos inúteis, a pensamentos velhos e estruturas que não funcionam mais. Tadinhos. A Igreja tem de conversar com a sua época? Lógico! Mas a Igreja não tem que alterar a mensagem da Cruz para isso. Não precisa falar palavrões. Não precisa falar “quaé, mermão”. Muito menos reinventar a roda. O que funciona há 2 mil anos funciona há 2 mil anos!!! Que continue funcionando!!! Mas não: templos são coisas velhas, então temos de nos reunir em tendas ou outros ambientes alternativos. De preferência com cestas de basquete na parede pra mostrar como a gente é cool, tá ligado? Terno e gravata são coisas velhas? Então temos de pregar com camisas de malha com dizeres grafitados, como “Jesus rules!“. Ritos e cerimônias são coisas velhas? Então temos de abolir qualquer forma de liturgia. As teologias pregadas não mudam desde a época de Lutero e Calvino? Então temos de inventar bobagens novas como a Teologia Relacional porque, afinal de contas, como teólogos do século 16 poderiam estar certos? Nada disso, certos somos nós, para quem love wins. E fico imaginando Jesus vendo tudo isso e lembrando: “Eu sou o mesmo ontem, hoje e serei para sempre”. As pessoas e os tempos mudam? Claro! Mas a essência humana é igual desde Adão e é na essência do homem que o Evangelho age, não na sua cultura temporal.

Jovem, você não tem de reinventar o Evangelho. Ele está aí, prontinho, há 2 mil anos, num livro chamado Bíblia. O conteúdo desse livro não mudou em nada, nem seus ensinamentos. Ele é um presente de Deus para você. Se um pastor valorizar mais o papel de presente (ou seja, a forma como é apresentado) do que o presente em si, fuja dele. Busque uma igreja onde o velho é ensinado. Onde Deus continua sendo amor, mas também ira e justiça. Onde o cristão não tem que ter a cara de um skatista da moda para viver a fé.

Não tenha vergonha de ser diferente. A mensagem do Cristianismo é e sempre foi contracultura, ela nada na contramão, na direção oposta do mundo. Se alguém, mesmo um pastor maneirão da moda diz a você que você tem que participar das coisas do mundo como shows do Ozzy Osbourne… Ignore-o. Jesus disse em sua oração ao Pai em favor dos Seus: “Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, pois eles não são do mundo, como eu também não sou. Não rogo que os tires do mundo, mas que os protejas do Maligno. Eles não são do mundo, como eu também não sou“. Você está no mundo. Mas não é do mundo. Não se misture. Se o novo diz para você se misturar, corra para o velho. Para aquilo que já foi testado e aprovado pelo teste dos séculos e não para aquilo que tenta fazer de você uma cobaia de laboratório para novas experiências teológicas.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.
***

Fonte: Apenas

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Endereço aproximado… Uma viagem com o Google Street View

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Address Is Approximate from The Theory on Vimeo.

Curta de animação em stop motion feito como um projeto pessoal do diretor Tom Jenkins.

História: Na mesa, um brinquedo solitário anseia por escapar dos confins sombrios do escritório, então ele é levado numa viagem pelo país para a costa do Pacífico da única maneira que ele pode - usando um carro de brinquedo e Google Maps Street View.

Música da maravilhosa Orquestra Cinematic (cinematicorchestra.com). Produção, animação, filmagem, iluminação, edição e classificação por Tom Jenkins (theoryfilms.co.uk / facebook.com / theoryfilms - NOVO! MAKING OF ON PICS FB PAGE / @ thetheoryUK / twitter.com / # / thetheoryUK!).

Filmadas com Canon 5D MKII, Dragonframe Parar software de movimento e personalizado slider.

Fonte: Vi no Pavablog

Quando os lobos atacam as ovelhas

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De fato, muitos enganadores têm saído pelo mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em corpo. Tal é o enganador e o anticristo. Tenham cuidado, para que vocês não destruam o fruto do nosso trabalho, antes sejam recompensados plenamente. Todo aquele que não permanece no ensino de Cristo, mas vai além dele, não tem Deus; quem permanece no ensino tem o Pai e também o Filho. Se alguém chega a vocês e não trouxer esse ensino, não o recebam em casa nem o saúdem. Pois quem o saúda torna-se participante das suas obras malignas. (2 João 1:7-11)

Por Hernandes Dias Lopes


O apóstolo João, em sua segunda carta, versículos 7 a 11, fala acerca de três perigos que a igreja enfrenta em relação aos falsos mestres e enganadores, que como lobos, espreitam as ovelhas de Cristo. Os falsos mestres sempre existiram e sempre procuraram se infiltrar no meio do rebanho para atacar as ovelhas. Esses enganadores negam, por exemplo, as verdades essenciais da fé cristã, como a encarnação de Cristo e sua morte vicária na cruz. Eles têm o mesmo espírito do anticristo e vêm para preparar seu caminho (2 Jo 7). Esses lobos nem sempre colocam as unhas de fora. Na maioria das vezes, travestem-se de ovelhas para entrar no aprisco e devorá-las. Que cautela a igreja precisa ter? Quais são os perigos que precisamos evitar para não sermos atacados por essa alcateia de lobos?

1. O perigo de tornar atrás (2 Jo 8). João alerta aos crentes para ficarem atentos a fim de não retrocederem e não perderem aquilo que foi realizado com esforço pelos verdadeiros obreiros de Deus. Quem retrocede na fé, quem escuta a voz dos falsos mestres e quem se afasta da igreja do Deus vivo para dar ouvidos às heresias perniciosas dos falsos mestres rifa sua própria alma no balcão do engano. O apóstolo João recomenda cautela, pois os falsos mestres não se apresentam como tal. Eles vêm com voz suave. São simpáticos, atraentes, bons comunicadores. Parecem sempre estar na frente, trazendo revelações novas e espetaculares. Mas, sorrateiramente ou mesmo explicitamente negam as verdades fundamentais da fé cristã e desconstroem os pilares do cristianismo. Seguir esses aventureiros é desviar-se da fé, é mergulhar na escuridão da mentira de Satanás e colocar os pés no caminho largo que conduz à perdição.

2. O perigo de ir além (2 Jo 9). Os falsos mestres sempre ficam aquém das Escrituras ou vão além delas. Eles ultrapassam a doutrina de Cristo. Não têm a Palavra de Deus como única regra de fé e prática. Acrescentam à Bíblia alguma nova revelação. Ao fazerem isso, negam a veracidade e a suficiência das Escrituras. Negam também a Pessoa e a obra perfeita e completa de Cristo. Negam a salvação pela graça e introduzem mentiras perniciosas, fazendo-as passar pela última verdade a que todos os homens devem se render. O apóstolo Paulo já havia alertado aos crentes da Galácia que ainda que um anjo de Deus viesse do céu para pregar outro evangelho, além daquele que foi pregado, deveria ser rejeitado veementemente. Só há um evangelho. Só há uma mensagem salvadora. Buscar outros caminhos, outras fontes e outras revelações é cair num abismo trevoso, é desviar-se da verdade, é apostatar-se da fé.

3. O perigo de ir junto (2 Jo 10,11). O apóstolo João é enfático em dizer que não podemos receber em nossa casa aqueles que trazem em sua bagagem a falsa doutrina, aqueles que negam nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo como nosso único e suficiente Salvador e Senhor. Não podemos dar as boas vindas a esses lobos travestidos de ovelhas, pois fazer isso é tornar-se cúmplice de suas obras más. Os falsos mestres são incansáveis em sua jornada de morte. Eles são itinerantes. Batem de porta em porta e buscam sempre uma oportunidade para enredar alguém com sua astúcia. A única forma de mantermos esses lobos fora do aprisco, longe das ovelhas e distante da nossa casa é firmarmo-nos na verdade. Sem o conhecimento das Escrituras, não teremos discernimento necessário para distinguir entre o lobo e a ovelha, entre a verdade e a mentira, entre o verdadeiro evangelho e o falso evangelho. Nesse tempo em que a sociedade organizada, por meio de suas mais respeitadas instituições, conspiram contra os valores espirituais e morais que devem reger a família. Nesse tempo em que florescem como cogumelo novas seitas bem como novas igrejas introduzindo novidades estranhas às Escrituras, arrebatando multidões aos seus redutos, precisamos nos acautelar e dar ouvidos à exortação do apóstolo João: Não torne atrás! Não vá além da doutrina! Não caminhe junto com os falsos mestres!
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Fonte: Palavra da Verdade

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Fim dos Tempos: a verdade sobre José Luiz de Jesus Miranda

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Publicado originalmente no INPR Brasil

Por Johnny T. Bernardo

Jesus Cristo desembarcou no aeroporto internacional do Rio na sexta-feira de manhã, vindo de Miami, com toda a pinta de turista: chiclete na boca, óculos de sol, Rolex no pulso e corrente de ouro no pescoço. Despontou no saguão, e as 300 pessoas que haviam madrugado ali foram ao delírio. Uma bateria de escola de samba deu início à batucada, e mulatas se requebraram em sinal de boas-vindas. Seguranças tiveram de abrir passagem. “Jesus Cristo” sorriu, deu a mão aos mais eufóricos e enxugou o suor do rosto com um lenço. Antes de entrar no carro que o levaria para um hotel cinco estrelas na Barra da Tijuca, outro êxtase: tirou o blazer e exibiu tatuado no braço um 666, o número bíblico da besta.

Foi com essa tônica que o jornal O Estado de São Paulo descreveu a primeira visita de Jesus Cristo após se “reencarnar” na pele de um portoriquenho. José Luiz de Jesus Miranda é o líder de uma igreja que proclama que o diabo foi destruído por Cristo na cruz e que o pecado não existe mais. Chamado de Cristo, Anticristo e 666, o líder portoriquenho criou uma legião de seguidores fanáticos que tatuam em sua própria pele o número da besta, que eles chamam de o "número da prosperidade". Aceitam apenas os escritos de Paulo, e rejeitam os demais livros da Bíblia - todos eles "corrompidos".

Com discípulos em 30 países do mundo, o Ministério Cresciendo en Gracia é mais conhecido pelos "piquetes" que promove contra a Igreja Católica e os evangélicos. Na visita do Papa Bento XVI ao Brasil, em maio de 2007, cerca de cinquenta seguidores de Miranda foram presos enquanto protestavam em frente ao estádio do Pacaembu. Em Miami, onde são em maior número, eles são conhecidos praticamente por toda a sociedade e alvo de inúmeras especulações por parte da mídia local. Foi o jornal Miami Herald que trouxe as primeiras denúncias contra o fundador, que abriria uma ferida jamais fechada por seus seguidores.

Infância conturbada

Natural de Ponce, a terceira cidade mais importante de Porto Rico, José Luiz de Jesus Miranda nasceu em 22 de abril de 1946. Com uma infância conturbada, foi criado em meio à extrema pobreza e por várias vezes se envolveu em pequenos furtos, drogas e prisões decorrentes de sua vida desregrada. Aos 20 anos de idade (1966) disse ter tido seu primeiro "contato" com o Evangelho. Após participar de um culto, se "converteu" ao pentecostalismo e mais tarde fez-se membro da Igreja Batista. Antes disso, passou pela Igreja Católica e religiões nativas.

Pouco tempo depois, José Miranda decidiu se mudar para os Estados Unidos, onde entrou em contato com a Igreja Batista do Sul. Em 14 de abril de 1971 casou com Nydia de Jesus, com quem teve cinco filhos.

Obcecado por pesquisas escatológicas, dedicou parte do seu tempo ao estudo do Apocalipse. Após longas noites de reflexão, chegou à conclusão que João não compreendeu o verdadeiro significado da profecia. Ao consultar o mapa múndi, verificou que a cidade em que nasceu estava exatamente sob a latitude 66,6. A partir de então, começou a desenvolver a ideia de que a marca da besta estaria de alguma forma relacionada a ele.

A revelação

Segundo Miranda, a sua trajetória como “Cristo” teria começado em 1973, em Massachusetts, EUA, quando dois anjos (ou pessoas, segundo algumas versões) aparecerem e revelaram que ele era o Messias, o Cristo reencarnado que deveria trazer salvação completa aos homens. Foi a partir daí que ele começou a sua trajetória “messiânica”, buscando convencer a quem lhe desse ouvidos que ele era o “Cristo” reencarnado e que somente através dele o homem poderia alcançar a vida eterna.

Por essa mesma época Miranda fez uma de suas mais críticas afirmações: “Eu sou maior que Jesus... eu ensino melhor que ele”. Obviamente, tal declaração é rechaçada pelos adeptos da seita que afirmam que seu líder jamais disse ser Jesus ou maior que este. O reconhecimento – da divindade de Miranda – se deu, segundo eles, pela própria Igreja Cresciendo en Gracia.

Havia passado apenas seis anos desde que Miranda se “converteu” ao cristianismo, se destacou como pregador eloquente e plantador de igrejas, quando Deus teria vindo ao seu encontro e “revelado” sua missão. Algo semelhante acontece em outras seitas, como as Testemunhas de Jeová e a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Charles Russel e Joseph Smith também provinham de famílias protestantes, que viam a Bíblia como a inerrante Palavra de Deus, mas que com o tempo mudaram sua forma de pensar. Foram influenciados por algo externo a eles, como revelações “sobrenaturais” e apóstatas do Evangelho. Seguiram o caminho de Balaão.

A instrução de Paulo aos gálatas não nos deixa em dúvida: “Mas, ainda que nós ou um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que nós temos pregado, seja anátema” (Gál. 1.8). O Ministério Cresciendo en Gracia prega outro evangelho e, consequentemente, outro Jesus.

Contradições

A vida de José Luiz de Jesus Miranda é recheada de mentiras e contradições. Seus discípulos tentam ao máximo que podem esconder tais contradições, alegando que seu líder não tinha convicção (à época) de sua verdadeira vocação. Mesmo diante das negações, existem documentos que provam que Miranda jamais poderia ser Jesus (pelo menos não o do Novo Testamento).

Em 1973, segundo exposto no texto acima, Miranda teria recebido a “revelação” segundo a qual ele seria a reencarnação de Jesus e que deveria combater os inimigos de Deus. Passados apenas 15 anos (isso em 1998), ele se levantou contra a "revelação" anterior e passou a se apresentar como a "reencarnação" do apóstolo Paulo. Isso mostra quão confuso e distante estava Miranda do verdadeiro Evangelho. Se ele era mesmo Jesus, por que tanta confusão quanto a sua identidade? Pelo o que sabemos dos evangelhos, Jesus jamais se confundiu no que dizia respeito a sua relação com o Pai e missão no mundo. Miranda parece ser um "cristo" confuso, porque ora se identifica com Jesus, ora com Paulo.

Insatisfeito com sua condição de apóstolo "reencarnado", mais uma vez José Miranda se apresentou a igreja em Miami como o Cristo ressurreto. Isso é uma espinha na garganta dos seguidores, que para fugir da verdade argumentam que Miranda jamais disse ser Jesus. Segundo eles, coube a Igreja reconhecê-lo como Jesus, o salvador. Isso vai contra o que o próprio Miranda anuncia aos quatro cantos da terra, em entrevistas e teleconferências. Prova disso é que nem mesmo a sua família ficou ao seu lado. Segundo testemunhou posteriormente, seu esposo mentiu ao se revelar como Jesus, e que o interesse por trás era o dinheiro que ele poderia arrancar dos fieis.

Mesmo diante das inúmeras críticas e denúncias publicadas em jornais dos EUA e Porto Rico, José Luiz Miranda prosseguiu em sua afirmação e foi mais além: em 2007, durante um culto na sede em Miami, tirou o casaco e surpreendeu a todos ao mostrar tatuado em seu antebraço o número 666. Foi à gota d'água para que pipocassem inúmeras outras denúncias e deserções. Muitos crentes, perplexos com a nova revelação do seu líder, abandonaram a igreja e passaram a fazer franca oposição a ele. Jornais, programas humorísticos, canais abertos e privados, exploraram o assunto por semanas. Virou o tema do momento. Mas era só o começo de uma série de irregularidades que viriam a público nos EUA e países latinos.

Problemas com a justiça

Para desespero dos que acreditam que José Luiz de Jesus Miranda é mesmo a reencarnação de Jesus, há inúmeras denúncias de enriquecimento ilícito e problemas conjugais envolvendo o líder portoriquenho. Essas denúncias foram trazidas à tona pelo jornal Miami Herald, que investigou a fundo o Ministério Cresciendo em Gracia, organização essa fundada em 1986 por Miranda. Tais denúncias põem em cheque uma vez por todas as pretensões de Miranda, pois revelam fatos até então desconhecidos do público em geral e dos seguidores da seita. Há uma blindagem no sentido de impedir que tais informações cheguem ao conhecimento de brasileiros e colombianos, povos alvos no trabalho de proselitismo na América do Sul.

Pelo o que podemos absorver da história de José Miranda, não há nada que indique uma conduta tipicamente messiânica, com retos padrões de moralidade e pudor. Mesmo depois de se auto-proclamar como "Jesus Cristo" (2005, Flórida, EUA), aparentemente nada mudou na vida e ministério desse controvertido líder portoriquenho. Tamanha era a sua falta de sanidade que até mesmo sua mulher Nydia e seus cinco filhos o abandonaram, regressando para Porto Rico e organizando uma Igreja que denuncia os abusos cometidos por seu ex-marido.

Depois de Nydia, José Miranda contraiu um novo matrimônio com Josefina de Jesus Torres, separando-se pouco tempo depois. Após esse novo matrimônio, José Miranda passou a frequentar com maior regularidade os tablóides dos EUA, acusado de não pagar a pensão a sua ex-mulher Josefina. Após uma sentença promulgada por um tribunal da Flórida, que determinava o pagamento das pensões, Miranda desapareceu dos EUA e somente algum tempo depois retornaria a Flórida. Em resposta, o juiz Roberto Pineiro determinou a desapropriação de alguns bens de Miranda, como uma casa em Houston, para pagar os cinco meses de pensão atrasados, num montante de 72.000 dólares.

O principal motivo que levou Josefina Torres a pedir o divórcio, foram os constantes maus tratos praticados por José Miranda. Segundo consta nos autos do processo, Josefina testemunhou que seu então marido a empurrou contra uma cerca e emocionalmente a abusou, ameaçando enviar anjos da destruição para ela e seus filhos.

Prostituição e poligamia

Após esse divórcio, Miranda passou a ser acusado de manter relações sexuais com inúmeras meninas nos EUA e países latinos. No Brasil, suspeita-se que Miranda teria alguma relação com a cantora Rebequinha, que em vídeos no YouTube exalta Miranda como "Jesus Cristo homem". Aos oitos anos de idade, em um clipe gravado em uma praia do nordeste, um trecho da música cantada por ela causou uma grande polêmica: "Nem todas as riquezas deste mundo podem me separar de você José Miranda... você pode pegar uma legião de mulheres com chapéus de cowboy e franjando suas saias...". Em outro vídeo, feito já em sua maioridade, Rebequinha canta: "... podem falar o que quiser de mim, seu nome é José Luiz...".

Seria mera coincidência o fato que em Honduras, após um culto celebrado por discípulos de José Miranda, um jovem chamado Hernandez procurou seu pastor e revelou algo surpreendente.

"Eles nos disseram que nós podemos ter até 12 mulheres que não é errado, e se virmos alguma mulher na rua, podemos levá-la também".

Hernandez revelou ainda o interesse do Ministério Cresciendo em Gracia de alcançar os evangélicos hondurenhos, além de comprar seus templos.

José Miranda não é o Jesus do Novo Testamento

1. José Luiz de Jesus Miranda

a) Ostenta uma vida de luxo e badalação

b) Casou duas vezes e é pensionista delas

c) Foi viciado em heroína e por muitos anos esteve preso

d) Em 1998 disse ser a reencarnação de Jesus, diferindo de 1973 quando afirmou ser Jesus.

e) Promove violência e intolerância religiosa

f) Está sendo processado por enriquecimento ilícito

g) Aparece em uma lista da NNDB como uma das personalidades americanas pegas dirigindo embriagado

2. O Jesus do Novo Testamento

a) Não era rico, nem ostentava uma vida de badalação

b) Não era casado nem pagava pensão

c) Não era viciado em heroína ou em qualquer outra droga do gênero

d) Jamais negou sua filiação divina, nem tinha dúvida de sua chamada

e) Não incitava a violência e/ou intolerância religiosa

f) Nunca se envolveu em escândalos financeiros

G) Jesus jamais se intoxicou com bebida alcoólica

Johnny T. Bernardo é apologista, escritor, jornalista, colaborador da revista Apologética Cristã e do jornal norteamericano The Christian Post e fundador do INPR Brasil (Instituto de Pesquisas Religiosas). Há mais de dez anos se dedica ao estudo de seitas e heresias, sendo um dos seus campos de atuação a fenomenologia religiosa e religiosidade brasileira. É também o autor da matéria “Igreja Dividida, as fragmentações do Catolicismo Romano”, publicada no final de 2010 pela Revista Apologética Cristã (M.A.S Editora). Assina também a coluna Giro da Fé da referida revista.


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Fonte: INPR Brasil

domingo, 27 de novembro de 2011

Olhando firmemente para Jesus!

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Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta, (Hebreus 12:1)

Por Ricardo Barbosa de Sousa

Uma característica de viver em uma cultura que oferece tantas possibilidades é perder o foco, não saber o que realmente importa. Vivemos de forma dispersa, seduzidos por uma infinidade de ofertas, criando uma ciranda de opções que mudam constantemente nosso olhar de direção. A perda da objetividade nos conduz a uma dificuldade na integração das diferentes realidades da vida. Somos seres distraídos, ansiosos e inquietos. A obsessão pela autorrealização, autossegurança e autoimagem surge da necessidade de dar nitidez a um cenário desfocado. Temos a tendência de pensar que nossos problemas são externos. Porém, se não temos um foco internamente seguiremos à deriva. Como diz o velho ditado: “Quando o piloto não sabe o destino do seu barco, qualquer vento sopra a favor”. As distrações externas apenas refletem a falta de integração interna.

Na carta aos Hebreus, o autor dedica todo o capítulo 11 para descrever, em curtas biografias, a vida de homens e mulheres que viveram vidas focadas. Apesar das inúmeras possibilidades e pressões, mantiveram seus olhos fixos em promessas divinas ainda não cumpridas. Viveram e morreram por elas. O autor entra no capítulo 12 com um relato e um apelo. Todo aquele elenco de homens e mulheres que viveram vidas focadas tornou-se uma “nuvem de testemunhas”, ajudando e encorajando outros homens e mulheres a viverem da mesma forma. O que eles fizeram? Mantiveram seus olhos fixos em Jesus.

Tenho pensado nas testemunhas que têm me ajudado a não perder o foco. Confesso que, às vezes, olho a minha volta e encontro muita gente que me incentiva com métodos, estratégias, técnicas, programas; no entanto, são poucos os que me ajudam a manter meus olhos focados em Jesus. Algumas destas testemunhas viveram séculos atrás. Agostinho é uma testemunha fiel que sempre me ajuda a olhar com honestidade para o meu pecado e para a bondade de Deus. Ler as “Confissões” mantém meus olhos voltados para Jesus. Outra testemunha pela qual tenho grande apreço é Gregório Magno, que viveu no século 6. Sua obra “Regra Pastoral” tem me ajudado a manter o foco do ministério pastoral e evitado que me entregue às seduções dos atalhos.
Confesso que, às vezes, olho a minha volta e encontro muita gente que me incentiva com métodos, estratégias, técnicas, programas; no entanto, são poucos os que me ajudam a manter meus olhos focados em Jesus.
Os movimentos mendicantes do século 13 me ajudam a reconhecer o valor da simplicidade. Os reformadores me inspiram tanto na devoção como no estudo cuidadoso e reverente das Escrituras. Ao longo de minha vida algumas testemunhas fiéis e verdadeiras me ajudaram a manter meus olhos fixos em Jesus. Várias delas seguem ao meu lado, anonimamente, insistindo para que jamais perca Jesus de vista. Uma testemunha que teve grande influência em minha vida e pela qual sempre nutri grande admiração é John Stott, que há pouco tempo deixou este “corpo corruptível” para receber “o corpo glorificado”. Ele, com seus sermões, livros e dedicação, me estimulou a amar a Bíblia, a igreja e o Salvador.

A vida moderna, com suas múltiplas ofertas, intensifica o individualismo e acaba por produzir uma forma de ruptura entre a realidade interna e externa. Por outro lado, a revelação de Deus como Trindade, que tem a comunhão e a interdependência de um no ser do outro, forma a base da vida e da espiritualidade cristã. A consciência de que fomos criados por Deus e para Deus estabelece o eixo para vivermos de forma centrada.

Existe um centro na vida: Jesus Cristo. Ele é o princípio e o fim. Aquele por meio de quem tudo existe e para quem todas as coisas convergem. Diante dele se dobrarão todos os joelhos no céu, na terra e debaixo da terra, e toda língua o confessará como Senhor e Deus. Ele é o que se encontra assentado no trono, em torno do qual nós nos colocamos em adoração e obediência.

Precisamos de testemunhas. Nuvens de testemunhas. Precisamos de pessoas que nos ajudem a desembaraçar os nós do pecado e de tudo o que nos impede de caminhar em direção a Cristo. A vida moderna segue nos oferecendo muitas distrações. Manter os olhos fixos em Jesus nos possibilita viver de forma íntegra e centrada.

Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto e coordenador do Centro Cristão de Estudos, em Brasília. É autor de “Janelas para a Vida” e “O Caminho do Coração”.

Fonte: Revista Ultimato edição 332 de setembro/outubro

Como Neemias Reorganizou Jerusalém

2 comentários:
Depois que o muro foi reconstruído e que eu coloquei as portas no lugar, foram nomeados os porteiros, os cantores e os levitas. (Ne 7:1

No último artigo sobre o tema “Neemias”, vimos que, mesmo em meio às calúnias, a reconstrução dos muros de Jerusalém chegou ao fim (Ne 6:16). Até o capítulo 6 de Neemias, o foco era a reconstrução dos muros. Todavia, do capítulo 7 em diante, muda-se o foco. A frase “depois que os muros foram reconstruídos” marca essa transição. A partir daqui, o foco do livro passa a ser os cidadãos e uma reconstrução da vida espiritual. Depois que os muros foram reconstruídos, a comunidade precisava ser reorganizada. Jerusalém ficou muito tempo despovoada. Não havia habitantes; a cidade agora tinha muros, mas quase não tinha pessoas residindo nela. Por que construir muros em volta de entulhos? Neste estudo, trataremos das medidas tomadas por Neemias para resolver esse problema.

Uma cidade não é feita só de muros e paredes, mas de pessoas. Os capítulos 7 e 11 de Neemias tratam da reorganização da cidade de Jerusalém. Assim como o capítulo 3, estes dois capítulos podem até parecer bem áridos e sem vida, afinal, como extrair princípios para a nossa vida cristã à luz dessas longas listas de nomes difíceis? Entretanto, não podemos nos esquecer do que diz a carta aos Romanos: ... tudo o que foi escrito no passado, foi escrito para nos ensinar (15:4). Mesmo nessas listas de nomes, podemos encontrar verdades espirituais. Estes capítulos tratam da reorganização da comunidade de Jerusalém: sua reestruturação e repovoamento. Consideremos estes dois assuntos.

A REESTRUTURAÇÃO:

Depois de conduzir brilhantemente a reconstrução dos muros da cidade, Neemias, também, de forma brilhante, restaura a ordem na cidade de Jerusalém. “As pessoas sabiam o que fazer na construção do muro e depois da construção do muro”. [1] As principais medidas que visavam à reestruturação da comunidade estavam ligadas a duas áreas: a segurança e a liderança. Comecemos tratando das medidas para a proteção da cidade. O versículo 1 do capítulo 7 diz que, uma vez reconstruídos os muros, foram estabelecidos “porteiros”. Eles seriam os vigias, tanto das portas do templo quanto dos portões da cidade. Esses porteiros receberam instruções específicas sobre seu trabalho.

Neemias lhes disse: ... não se abram as portas de Jerusalém até que o sol aqueça e, enquanto os guardas ainda estão ali, que se fechem as portas e se tranquem (v. 3a). “No Oriente, o costume era abrir os portões de uma cidade ao nascer-do-sol e fechá-los ao pôr-do-sol. Ninguém era admitido na cidade antes ou depois destas horas”. [2]

Quando abertos, pela manhã, era comum a entrada de comerciantes, que vinham e montavam suas barracas de venda, além de ser, também, um convite para a entrada de inimigos. Este era um bom horário para os inimigos entrarem, pois a maioria do povo da cidade ainda estaria dormindo e desprevenido. Por essa razão, Neemias tomou algumas medidas para proteger ainda mais o povo, diminuindo o tempo em que os portões ficariam abertos, ou seja, não a partir do “nascer do sol”, mas a partir do momento em que o sol se aquecesse, garantindo, assim, que as pessoas estivessem acordadas e alertas.

De igual modo, Neemias também instituiu guardas para vigiarem a cidade durante a noite (v. 3b), “presumivelmente um grupo colocado em diversos postos espalhados pelo muro e o outro junto às casas para guardar as diversas partes da cidade”. [3] É interessante observar que Neemias continuou com a tática de deixar as pessoas trabalhando perto de suas casas (cf. 3:10, 23, 28-30). Obviamente, por saber que estava perto de casa, o guarda ficava muito mais comprometido com a vigilância. Com os porteiros e com os guardas espalhados nas mais diversas regiões da cidade, dia e noite, Jerusalém estava bem mais protegida de ataques externos. Um sistema de segurança fora estabelecido.

A segunda medida tomada, visando à reestruturação da comunidade, estava ligada à liderança da cidade de Jerusalém. Neemias não era do tipo centralizador, que faz tudo e não quer nomear novos líderes. Ele sabia que a cidade estava reconstruída, precisava de novos líderes e, em razão disso, fez nomeações. Escolheu duas pessoas preparadas para a tarefa. Duas pessoas que dariam conta do recado. Foram elas: Nomeei Hanani, meu irmão, para governar Jerusalém, e com ele Hananias, comandante da fortaleza (v. 2a). É bom sabermos que Neemias não nomeou Hanani simplesmente porque ele era seu irmão.

Foi Hanani quem viajou até a corte de Artaxerxes para avisar Neemias da situação dos judeus, num tempo de oposição contra a reconstrução de Jerusalém (Ed 4:16). Ele era um homem totalmente comprometido com a situação em que se encontrava Jerusalém. Era respeitado; tinha conquistado a confiança do povo. Quanto a Hananias, a razão de sua escolha encontra-se no final do versículo 3: ... era homem fiel e temente a Deus, mais do que a maioria dos homens. Hananias não era o tipo de pessoa que brincava de servir a Deus, mas do tipo de pessoa que o leva a sério. Com uma liderança assim, Jerusalém tinha tudo para avançar.

O REPOVOAMENTO:

A segurança e a liderança da cidade foram instituídas, mas ainda faltavam pessoas para morar em Jerusalém: A cidade era espaçosa e grande, mas havia pouca gente nela, e as casas não estavam edificadas ainda (7:4). Jerusalém precisava ser repovoada.

Alguém pode perguntar: Mas por que Jerusalém fora deixada relativamente desabitada? Precisamos nos lembrar que a cidade não tinha muros e ficara mais de cem anos nessa situação; então, até “que os muros estivessem de pé, nada poderia ser feito. Com ele no chão, Jerusalém não tinha defesa contra atacantes e invasores, e não era local para se fazer um lar (7.4)”. [4] Morar em Jerusalém, sem muros, significava correr perigo.

Ademais, como a cidade estava debilitada e o comércio fragilizado, faltava dinheiro. No interior, as pessoas estariam aparentemente mais seguras e poderiam ser mais prósperas. [5] Por isso, um dos grandes desafios de Neemias, depois da reconstrução dos muros, era trazer as pessoas de volta para Jerusalém. Como ele fez isso? Primeiramente, decidiu fazer um recenseamento (Ne 7:5). Essa decisão não partiu da sua cabeça: Deus a pôs no seu coração. O senso não era só para ver quantas pessoas havia ali, mas quem eram essas pessoas. A cidade precisava ser povoada, mas não a qualquer custo.

A cidade precisava estar habitada por servos de Deus genuínos, isto é, judeus puros. “Por causa disso alguns sacerdotes foram afastados: não puderam provar sua ascendência; certamente seus ancestrais foram casados com gentios”. [6] Para nós, essas medidas podem até parecer exageradas, mas não eram no contexto em que Neemias vivia. Nesta época, as tradições eram extremamente valorizadas e, como líder, ele tinha de defendê-las. Quando decidiu fazer o censo dos judeus, encontrou o registro das famílias dos que foram os primeiros a voltar de Judá (v. 5b), com Zorobabel. O nome destas pessoas está registrado em Neemias 7:6-73. Esse registro veio a ser a base que Neemias usou para determinar a pureza daqueles que iriam morar em Jerusalém.

No capítulo 11 de Neemias, temos registrados os nomes daqueles que repovoaram Jerusalém. Esse capítulo é uma continuação do capítulo 7, e, por isso, ambos não devem ser lidos separadamente. As poucas pessoas que moravam em Jerusalém, mencionadas no capítulo 7, eram os príncipes do povo, segundo o capítulo 11 (v. 1). O restante do povo construiu casas fora de Jerusalém, ocupava-se da vida agrícola, longe dos problemas próprios de toda cidade grande. [7] Por causa dos motivos que já mencionamos, era mais vantajoso viver fora de Jerusalém. Porém, duas coisas fizeram o povo voltar para Jerusalém, segundo o capítulo 11: Em primeiro lugar, eles lançaram sortes para trazer um de dez para que habitasse a santa cidade de Jerusalém; e as nove partes permaneceriam nas outras cidades (v. 1b).

Um homem em cada dez levaria sua família para a capital. O lançar sortes demonstrava, para os judeus, submissão à vontade de Deus (cf. Pv 16:33). Na mente deles, por este método, era o próprio Senhor quem decidiria as famílias que deveriam ir para Jerusalém. Em segundo lugar, o capítulo 11 também diz que houve um grupo que se ofereceu voluntariamente para morar em Jerusalém (v. 2). No primeiro versículo, não temos voluntários: se a sorte caísse sobre determinada família, esta teria que mudar. O termo hebraico traduzido por “voluntariamente” traz a idéia de generosidade interior, disposição. “Em outras palavras, bem no fundo, esses voluntários foram instigados, impelidos por Deus para mudar-se. E foi o que fizeram”. [8] Estes, diz o texto, foram abençoados pelo povo (v. 2).

Na continuação do capítulo 11, dos versículos 3-19, temos a lista daqueles que foram morar em Jerusalém; dos versículos 20-36, daqueles que foram habitar nas cidades de Judá e nas aldeias e povoados do interior. É interessante observarmos que Neemias não organizou apenas a capital Jerusalém, mas toda a nação. Nessas listas, podemos ver o número das pessoas que foram morar nos lugares mencionados, assim como suas ocupações. Novamente, ficamos admirados com a organização de Neemias. Através de sua liderança, a cidade de Jerusalém foi reestruturada e repovoada e a nação fortalecida. As cicatrizes deixadas pela destruição do cativeiro babilônico começavam a ser apagadas. Tudo isso foi possível porque Neemias era um líder com o coração ligado no Altíssimo (7:5).

APLICANDO A PALAVRA DE DEUS EM NOSSA VIDA

Devemos reconhecer o valor da história em nossas comunidades.

Os judeus que retornaram do exílio haviam preservado o registro genealógico de suas respectivas famílias. Quando Deus pôs no coração de Neemias o desejo de juntar o povo para registrar as genealogias (Ne 7:5), ele não teve muito trabalho, pois encontrou o registro pronto (Ne 7:6-73). A leitura da longa lista de nomes difíceis pode ser angustiante, mas cada nome tem uma história. “Esses judeus foram os ‘elos vivos’ que ligaram o passado histórico ao futuro profético e tornaram possível a vinda de Jesus Cristo ao mundo”. [9] A igreja de hoje reconhece a importância de preservar a sua história? Não podemos viver a lastimável experiência de ser um povo sem raízes. A razão de não sabermos quem somos, em muito, está ligada ao fato de não sabermos de onde viemos. Temos uma memória, temos raízes! Um povo que conhece sua história é um povo forte.

Devemos desejar líderes exemplares em nossas comunidades.

Quando foi nomear pessoas para assumir a liderança em Jerusalém, Neemias não escolheu qualquer um: escolheu pessoas fiéis e tementes a Deus (Ne 7:3). E é assim que deve ser. Paulo, escrevendo a Timóteo, disse: E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros (2 Tm 2:2). O bastão da liderança deve ser passado, mas não a qualquer um. Em nossas comunidades, desejemos líderes exemplares. Infelizmente, vivemos num país em que a corrupção de alguns dos nossos líderes chegou a níveis intoleráveis. Aqueles que deveriam ser exemplo para a nação a envergonham; aqueles que deveriam defendê-la a pisoteiam. Não podemos aceitar que isso aconteça no meio dos filhos de Deus! Oremos por nossos líderes!

Devemos orar por pessoas dispostas em nossas comunidades.

Se há algo que chama bastante atenção no capítulo 11 de Neemias é o número de pessoas dispostas a trabalhar nas mais diferentes frentes: havia 822 pessoas que faziam o serviço no templo (v. 12); os cabeças dos levitas presidiam o serviço fora da Casa de Deus (v. 16); todos os levitas na santa cidade foram duzentos e oitenta e quatro (v. 19); havia um que estava à disposição do rei, em todos os negócios do povo (v. 24) e um que dirigia os louvores nas orações (v. 17). Como é bom poder contar com pessoas dispostas em nossas comunidades para servir nas mais diferentes funções ou ministérios, gente que trabalha em favor do povo, que não busca apenas os seus próprios interesses, mas que tem alegria em servir o próximo! Geralmente, na igreja, 20% das pessoas servem e 80% são servidas. Oremos para que Deus desperte pessoas em nossas comunidades

CONCLUSÃO

Estudar os capítulos 7 e 11 do livro de Neemias nos dá uma dimensão ainda maior da missão desse servo de Deus. Ele não coordenou apenas a reconstrução dos muros da cidade de Jerusalém, como geralmente lembramos. Nesses capítulos, observamos a habilidade de Neemias, sob a direção de Deus, para reorganizar a cidade de Jerusalém. Ele institui a liderança e a segurança na cidade, além de tomar providências para seu repovoamento. Lembramos que podemos aprender alguns princípios para que as nossas comunidades sejam fortes, também. Reconheçamos o valor da história, desejemos líderes exemplares e oremos para que Deus levante pessoas dispostas ao trabalho.

Que Deus nos abençoe!



Bibliografia

1. LOPES, Hernandes Dias. Neemias: O líder que restaurou uma nação. São Paulo: Hagnos, 2006. pág. 122

2. CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento Interpretado: versículo por versículo. Vol. 3. São Paulo: Candeia, 2000. pág. 1796

3. PFEIFFER, Charles F. (Ed.). Comentário Bíblico Moody. Vl. 2. São Paulo: IBR, 1988. pág. 295

4. PACKER, I. J. Neemias: paixão pela fidelidade – sabedoria extraída do livro de Neemias. Rio de Janeiro: CPAD, 2010. pág. 78

5. LOPES, Hernandes Dias. Neemias: O líder que restaurou uma nação. São Paulo: Hagnos, 2006. pág. 179

6. GRETZ, J. R. O prefeito de Jerusalém: Segredos de Neemias para os líderes de hoje. Florianópolis: GB Comunicação, 1997. pág. 112

7. CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento Interpretado: versículo por versículo. Vol. 3. São Paulo: Candeia, 2000. pág. 1808

8. SWINDOLL, Charles R. Liderança em tempos de crise: como Neemias motivou seu povo para alcançar uma visão. São Paulo: Mundo Cristão, 2004. pág. 164

9. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento. Vol. 2. Santo André: Geográfica: 2008. pág. 652


Fonte: DEC - Revista de estudos na Escola Bíblica 296 - 2011 | Adaptado para o blog por PCamaral

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Igreja não é Entretenimento

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Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem. (1 Timóteo 4:16)

Por PCamaral
"O diabo raramente criou algo mais perspicaz do que sugerir à igreja que sua missão consiste em prover entretenimento para as pessoas, tendo em vista ganhá-las para Cristo" (C. H. Spurgeon)

Como esta frase tem martelado minha mente e como tenho pensado, e até, em alguns momentos, me desesperado com a possibilidade, real, disto estar acontecendo neste momento com a minha igreja.

Homens despreparados espiritualmente, confiantes em suas técnicas de oratória e de influenciar grandes massas de pessoas. Homens com seus olhos voltados para a “igreja empresa” manipulam multidões com suas performances teatrais, textos bem decorados e argumentos voltados, não para a salvação ou edificação de seus ouvintes, mas para seus mais íntimos e egoístas desejos, meramente humanos, “quero me dar bem custe o que custar”. “quero sucesso”, “quero ser famoso” “quero que meu nome seja célebre entre os homens da terra”.

Ao lado destes, correndo “cabeça com cabeça” estão os membros, com tanto ou mais egoísmo, que seguem esses “famosos lideres”. Eles não seguem Jesus, e se forem indagados sobre quem é realmente Jesus não o sabem. Olhos desviados do sacrifício da cruz e postos no prêmio, não o da salvação eterna, proporcionado pelo Filho de Deus, mas, no prêmio efêmero de uma vida abastada e na conquista de bens, muitos bens, quantos mais, maior a benção, é nisso que se respaldam, pois se adquiriram todas essas coisas é por que são “homens de Deus”.

Estes homens, dominados pela ganância e pelo egoísmo colocam de lado o que verdadeiramente importa: Jesus Cristo, da maneira correta. Usam o nome do Senhor a seu bel prazer e necessidade. Eles não querem saber de Jesus, não desejam saber sobre o seu próximo, só olham para seus umbigos, caminham para um abismo e levam consigo centenas de milhares de pessoas, que se fazem culpadas e merecedoras de idêntico castigo, pois, em sua grande maioria, compartilham dos mesmos desejos.

Irmãos não amemos de boca, mas em ações de graça e misericórdia. Não adoremos em sórdida ganância, como se, tivéssemos, nós, pecadores, algum direito. Deus é o dono da vida, dono da terra, pois está escrito: “Ao Senhor pertence a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam” (Sl 24:1).

Tudo pertence ao Senhor, a única coisa que temos direito legal é a morte, e para escaparmos desta condenação, o Senhor Jesus atuou como instrumento substitutivo, morreu em meu lugar, morreu no seu lugar. Pelo Seu sangue temos nossa dívida paga e nos reconciliamos com Deus. Somente Jesus “é o Caminho e a Verdade e a Vida” (Jo 14:6). Fuja, meu irmão dos falsos pastores, alerte aos outros crentes que estão sendo enganados por eles. Não permita que sejam tragados pela mentira. Pregue a Palavra da verdade, o Evangelho da Salvação, que é “poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Rm 1:16). Quem sabe, conseguiremos arrebatar alguns deles do fogo (Jd 1:22-23).

Lembre-se; o que gera o crente é a Palavra de Deus, o que mantém o crente é a Palavra de Deus e o que faz a igreja crescer em edificação é a Palavra de Deus. Sem a Palavra de Deus não existe crente, não existe igreja, não existe salvação! Nada a pode substituir, pois Deus é a própria Palavra. Conhecendo a Palavra conhecemos Deus, pois, Ele se revela a nós por meio da Sua Palavra.

Não permita que o entretenimento invada a igreja de Cristo. Faça discípulos preocupados em pregar o verdadeiro evangelho. Discípulos preocupados e serem dependentes do Espírito Santo e do Seu mover. Se santifique pelos outros, Jesus fazia sempre isso, pois sabia das limitações humanas, “e a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade” (João 17:19). Arregace as mangas e dobre os joelhos, ore, ore, ore, dependa de Deus, e lute para que o Evangelho de Jesus Cristo não seja diluído pelas modernidades do mundo, que nos invadem e atropelam, ao ponto de, no futuro, nossos filhos e nossos netos não conseguirem discernir entre o falso e o verdadeiro e tudo não passar de “simples entretenimento”.

Que Deus nos ajude!


Fonte: PCamaral

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Fraudes bancárias: a culpa é sua ou do banco?

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Veja como se prevenir e o que fazer caso seu cartão seja clonado ou sua conta seja invadida

Por Rafael Arbulu

Abra o seu e-mail. Agora. Vá para a aba de spams. Boas são as chances de você encontrar alguma mensagem intitulada "Atualize dados cadastrais de sua conta no Banco XXXX" ou então alguma "empresa" está lhe oferecendo um produto em condições praticamente irresistíveis. Você deve saber que essa mensagem é uma provável tentativa de roubo de dados, logo, você não deve sequer abrir esse e-mail.Entretanto, sempre há o usuário mais leigo, que simplesmente abre todas as mensagens direcionadas a ele e, pior, obedece a todas as orientações contidas naquela mensagem, sem questionar-se da autenticidade delas. Assim começa uma fraude bancária. Esse foi o caso da fotógrafa Margarete Barreiro, que gerenciava a conta jurídica do marido. Após baixar um discador da Embratel, ela caiu na situação que muitos brasileiros tremem só de pensar.
"Quando baixei o discador, fui levada para o site da Embratel, onde fui preenchendo os dados que me pediam. O site estava aparentemente em ordem – tinha até a propaganda da Ana Paula Arósio, que fazia isso na época – então fui fazendo tudo sem pensar. Isso foi em uma sexta-feira. No mesmo dia, minha conta foi bloqueada. Só fui mesmo perceber que era roubo quando liguei no banco e eles me informaram que as movimentações na conta estavam estranhas. Pedi um extrato e quase caí dura", diz.
A conta de Margarete tinha gastos que, somados, chegavam em aproximadamente R$ 100 mil, divididos entre pagamentos de contas pessoais, despachantes, faturas de cartão de crédito e outras despesas. "Dava a impressão de que alguém se endividou muito e me roubou para pagar, sabe?"

O caso da fotógrafa, residente em Ubatuba há mais de 10 anos, é um dos poucos que tiveram um final feliz: o banco foi rápido em abrir sindicância e acionar a polícia, cujos técnicos orientaram a vítima a não apagar nenhum e-mail. Após a perícia, todo o valor roubado foi ressarcido. "Hoje, eu olho muitos detalhes de sites que eles falam que é 'clonado'. Procuro erros de português, e também quando pego coisa diferente no visual. Evito ao máximo mexer com dinheiro na internet se for em um ambiente que eu não conheço", diz Margarete.

Segundo levantamento do instituto de pesquisa de marketing Synovate, o Brasil é o terceiro país em número de fraudes via internet banking. Seja por falha humana ou invasão, o estudo indica que o Brasil realmente precisa repensar suas diretrizes de segurança.

Em entrevista concedida ao Olhar Digital, o gerente de infraestrutura da Finnet, Caio Camargo, falou sobre o funcionamento do mecanismo de fraudes e como bancos e correntistas podem evitar que esse problema cresça ainda mais. Confira as dicas de segurança a seguir.

Segundo Caio Camargo, a maior parte das fraudes via internet banking ocorrem por falha humana. Na opinião dele, independentemente da estrutura de segurança aplicada, não há como prever as atitudes de quem está sentado à frente do monitor – e isso costuma ser o catalisador dos problemas: "Ele [o usuário] sempre pode ser enganado por e-mails maliciosos, por exemplo. O pior é que a tendência disso é aumentar, uma vez que o número de pessoas que têm acesso à internet também cresce. Uma coisa puxa a outra".

A justificativa para isso, de acordo com Camargo, reside no fato de que os processos automáticos, embora nunca 100% seguros, sempre estão atualizados para resistir a ataques de hackers. Para ele, o hacker e o sistema fazem um jogo de gato e rato, com o hacker sempre tentando desenvolver novas ferramentas para furar a segurança de um site ao invés do banco tentar se adaptar ao hacker: "as instituições mantêm constante vigilância sobre sua estrutura. Geralmente, quando um hacker tenta invadir, os bancos já sabem disso e podem solidificar a defesa em pontos específicos".

"A única forma que enxergo de reverter esse quadro é através de uma mudança de comportamento", diz o especialista. "É preciso conscientizar as pessoas a não abrir e-mails desconhecidos, não informar seus dados em qualquer lugar. Investimentos em infra-estrutura também são necessários, mas não há como prever o que o usuário vai fazer".

Me roubaram! O que faço agora?

Mesmo com todo o cuidado, casos como o da sra. Margarete ainda podem atingir qualquer pessoa. E, quando isso acontece, a maior parte da população simplesmente não sabe como reagir. Pensando nisso, o Olhar Digital conversou com Guilherme Varella, advogado do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), em busca de orientações jurídicas para o usuário que for lesado por uma fraude bancária:

Olhar Digital (OD) - Como os bancos podem atuar na prevenção de fraudes e proteção aos clientes?

Guilherme Varella (GV) - Primeiro: os bancos arcam com todo o aparato técnico para garantir a segurança das transações. O investimento em tecnologia deve ser proporcional àquele feito em publicidade, oferta de serviços, capacitação profissional etc.
Segundo: os bancos devem informar, de forma clara e objetiva, em linguagem palatável, os consumidores de possíveis ameaças que podem ocorrer, como utilizar o antivírus, além de disponibilizar um serviço de atendimento capaz de auxiliar o consumidor nessas questões de forma clara e ágil.

OD - O que, efetivamente, um usuário de internet banking pode fazer para evitar golpes e fraudes na sua conta?

GV - Como a maior parte das responsabilidades recai sobre o banco, ao cliente só se pode pedir – e não exigir – que ele se atente às informações de orientação oferecidas pelo próprio banco, do tipo "O Banco Da Esquina não manda e-mails! Delete se receber algo dizendo que vem de nós". Além disso, os cuidados básicos ainda valem: não informar senhas a terceiros, não anotar senhas - mas sim memorizá-las -, não emprestar cartões de crédito a terceiros etc.

OD - Na eventualidade de algum usuário ser lesado por esse tipo de problema, o que ele deve fazer? Quem ele procura e como ele pode reparar os danos sofridos?

GV - Acionar o banco, informando-o do ocorrido. Isso deve ser imediato e evita a continuidade da fraude. Depois, ele procura a delegacia especializada em crimes de informática ou mesmo as normais e registra um boletim de ocorrência, detalhando o caso, os prejuízos sofridos etc. O banco deverá receber um pedido do cliente para ressarcimento, o qual deverá ser obrigatoriamente obedecido. Em caso de negação, o PROCON deverá ser acionado para interpelar pelo cliente.

OD - E quanto à instituição bancária? Quais são os deveres deles em relação ao cliente lesado por uma fraude online? Como eles podem alegar a não obrigação de ressarcimento dos danos?

GV - Pelo Código de Defesa do Consumidor, quem oferece serviços é responsável integralmente pela estrutura de segurança de seus meios. A plataforma de um banco na internet, proteção de dados, tudo isso é responsabilidade dos bancos.
Supondo que, durante uma transação bancária, a conexão caiu e os valores foram debitados indevidamente, é o banco quem deve arcar com o custo de ressarcir o cliente.
O consumidor só poderá ser onerado se for identificado uso de má fé por parte dele, como quebrar segurança do site etc.

OD - Dizem que, se o usuário estiver com um programa de antivírus desatualizado, o banco pode se livrar de ressarcir o cliente. Isso é verdade?

GV - Não. Se isso é usado como argumento, o cliente pode refutá-lo e recorrer à Justiça. O cliente, sendo leigo, não é obrigado a ter o conhecimento técnico para agir da forma que o banco julgue necessária. Uma atualização de antivírus, por exemplo, não deixa de ser feita por má fé.

OD - E no caso de cartões clonados? O cliente não tem como saber que isso aconteceu até a conta chegar. Como ele prova que aquela compra não foi feita por ele e como ele pode ser reparado por isso?

GV - Se o cliente não tem como saber, está fora da alçada de controle dele, logo, ele não tem culpa. Quem deve arcar com o ônus dessa clonagem é o próprio banco ou a administradora do cartão. É o estabelecimento que oferece o cartão quem deve averiguar onde se deu a clonagem, como se deu, quando se deu. O papel do cliente, neste caso, é, por exemplo, provar que, no momento da compra, ele estava no trabalho, ou impossibilitado de realizar aquela compra naquele momento. Isso feito, a responsabilidade é do banco. Temos que diferenciar as coisas, antes de tudo: consumidor é consumidor, criminoso é criminoso. O primeiro acessa o sistema para uso de serviços, enquanto o segundo tenta burlar, fazer o que não deve. É contra esses que o sistema de segurança do banco deve agir. É difícil pensar em situações onde o consumidor haja de má fé, pois o internet banking é para uso doméstico pessoal.
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Fonte: Olhar Digital

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Afinal, o que vai acontecer com a Terra em 2012?

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Planetas errantes em rota de colisão com a terra, chegada de ETs, tempestades solares, profecias inventadas... some todos esses ingredientes e construa a teoria mais popular da internet. O que há de verdade (se é que há alguma) no chamado apocalipse Maia

Publicado na Revista Eletrônica Galileu - Video UOL Mais

Reportagem de Pablo Nogueira

Você temeria o futuro se levasse a vida de Tom Cruise, com mais de US$ 300 milhões no banco e presença garantida na lista de celebridades mais ricas do mundo elaborada pela revista "Forbes"? Então imagine o impacto da notícia, divulgada no ano passado, de que o superastro estaria construindo um abrigo subterrâneo de US$ 10 milhões no subsolo de sua mansão no Colorado. Segundo o relato publicado pela revista "Star", Cruise estaria convicto de que a Terra experimentará um contato potencialmente devastador com uma raça alienígena em 2012. Um porta-voz do ator desmentiu a notícia, mas o estrago foi feito. A história do bunker de Tom Cruise circula a todo vapor pela internet. Os adeptos do debate formam um grupo de tamanho indefinido, que se espalha por todos os continentes, e que acredita que a vida em nosso planeta vai mudar, para pior ou para melhor, em 21/12/2012.

Nessa data se encerra um calendário que era usado pelos antigos maias no auge da sua civilização. Por isso, todo o movimento envolvendo o ano de 2012 é chamado genericamente também de "profecia maia". Enquanto o tal dia não chega, a turma se prepara consumindo livros, documentários, DVDs e palestras. Uma busca pelos termos "2012" e "maya" (em inglês) no Google revela mais de 2 milhões de citações. Isso é a ponta do iceberg de uma riquíssima comunidade, estruturada em centenas de blogs, fóruns, sites, portais e até uma versão particular da Wikipédia, o "2012wiki". Em fevereiro foi lançado nos EUA "2012 - Doomsday" ("2012 - O Dia do Juízo Final") e dois outros filmes devem sair até 2010, um deles sob a batuta do diretor de "Independence Day" (1996), Roland Emmerich. Nos últimos dois anos, pelo menos 18 livros sobre o tema chegaram às prateleiras nos EUA, boa parte com termos como "apocalipse" e "cataclisma mundial" em seus títulos. Por aqui, só no primeiro semestre deste ano foram publicadas três obras.

Paranóia: rumores dão conta
de que Tom Cruise mandou
construir um abrigo antiapocalipse.
Seus assessores negam a história
Essa popularidade é o ponto culminante de um processo que começou há duas décadas. Em 1984, o americano José Arguelles publicou "O Fator Maia". Nele mesclava seus estudos sobre o fim do calendário maia com suas próprias idéias apocalípticas. Arguelles disse que a data marcaria o fim do ciclo do Homo sapiens e o início de uma época ecologicamente mais harmoniosa. E conclamou os leitores a se reunirem em várias partes do mundo nos dias 16 e 17 de agosto de 1987 para meditar e rezar, dando um pontapé inicial para o grande dia que ainda estava 25 anos no futuro. Esse evento, batizado de Convergência Harmônica, atraiu grande atenção da mídia americana e ganhou o apoio de celebridades como a atriz Shirley McLaine. "Arguelles se inspirou em um livro de ficção para criar a convergência harmônica, mas foi ela quem deu início à onda de 2012", afirma Robert Sitler, especialista em cultura maia da universidade Stetson, nos EUA. Arguelles ganhou fama e deu início a um movimento com seguidores no mundo inteiro, inclusive no Brasil. E a New Age ganhou sua própria dimensão profética.

Teorias à la carte

Convergência harmônica:
grupo liderado por José Arguelles
espera por 2012 desde 1987
De lá para cá, só fez crescer o número de pessoas que têm desenvolvido suas próprias especulações sobre o que vai acontecer na data tão esperada. E para isso vale recorrer a todas as ferramentas. Um belga utilizou a matemática e a mitologia para fazer uma análise comparativa das civilizações maia e egípcia. Concluiu que as duas são originárias de Atlântida e que o fim do mundo será causado por uma mudança no campo magnético da Terra, relacionada ao ciclo de manchas solares. Um ufólogo calculou a distância entre a linha do Equador e a cidade americana de Roswell, onde um disco voador teria caído. Encontrou o valor de 2.012 milhas - sinal, acredita, de que a queda do óvni foi uma mensagem cifrada sobre a data em que os ETs irão se revelar. Outro americano usou drogas psicodélicas e um computador para analisar o I Ching e concluiu que o livro é um calendário de eventos que prevê o fim da história humana em novembro de 2012 (a data foi ajustada depois). Um matemático, também usando um software, encontrou uma profecia codificada no Antigo Testamento falando de um asteróide (ou cometa) que atingiria a Terra. Um jornalista preferiu compilar os dados sobre vulcanismo, terremotos, queda de asteróides, radiação vinda do espaço etc. e concluiu que todos esses eventos devastadores têm forte possibilidade de acontecer em um futuro muito próximo. E é essa discussão, onde cabe tudo, que está entupindo a internet e as prateleiras. "Há muito pouco de maia nessa história. Essas profecias nada têm em comum, exceto o fato de se referirem à mesma data e apostarem numa transformação radical", diz Sitler.

Para o pesquisador inglês Joseph Gelfer, a aposta na mudança seria uma chave para entender essa onda. Gelfer estuda o interesse por 2012 na Austrália e lembra que profecias existem em muitas culturas. "Mas elas se situam num futuro longínquo, não são iminentes. Essa idéia também faz com que algumas das piores características dos nossos tempos, como as guerras ou a mudança climática, sejam vistas como etapas para a transformação", diz.

Outro fator importante é o grande volume de informação pseudocientífica. "Muitos dos que rejeitam os conceitos New Age se interessam pelas profecias de 2012. A maior parte do que se diz sobre o assunto é apresentado como o resultado de rigorosa pesquisa, mas são, na verdade, idéias questionáveis ou pura especulação."

Nas próximas páginas, você vai saber o que os cientistas dizem sobre alguns dos cenários mais debatidos pela comunidade de 2012. E descobrirá o que os próprios maias escreveram sobre a data.

MITO #1>>>RESGATE ALIENÍGENA

Quem crê em extraterrestres vê esperança da sua chegada à Terra nas profecias de 2012

Cena de sonho: será que um dia
faremos contato com os ETs?
Talvez o grupo que tenha mais esperanças positivas para 2012 seja o dos apaixonados por óvnis. Não dispensam o temor de um cataclisma, mas acreditam que a data irá inaugurar uma nova era para a humanidade, marcada pelo contato com os ETs. Eis um exemplo típico de profecia ufológica, colhida entre as centenas de sites que debatem o tema: "Crescem os rumores de que civilizações extraterrestres estão preparando um evento espetacular em 2012. Ninguém sabe ao certo o que os maias realmente esperavam para o iminente cataclisma. Mas agora muitos centros de pesquisa crêem que a Terra passará por um grande perigo em 2012 e depois. No momento certo, avançadas civilizações extraterrestres resgatarão a civilização humana. De acordo com pesquisadores, a Federação do Universo, representando todas as 88 constelações, virá oficialmente visitar a Terra. Isso porá um fim à ocultação de óvnis em todos os continentes".

O editor da revista "UFO", Claudeir Covo, vê tudo isso com o senso crítico de quem estuda ufologia há 42 anos. "Em 1999, também havia uma grande expectativa de contato. Isso só serviu para mostrar o quanto de fantasia ainda existe." Ele descarta os relatos daqueles que dizem ter sido avisados pelos próprios ETs de que 2012 será o ano em que faremos contato. "Já conheci e entrevistei quem alega se comunicar com alienígenas. Nunca vi uma evidência que me convencesse." Covo lembra de um caso ocorrido no ano passado. Sua revista publicou o relato de uma pessoa que afirmava ter recebido uma mensagem assegurando o contato iminente. "Evidentemente, nada aconteceu e a pessoa sumiu. Não acho que vá acontecer algo em 2012."

MITO #2>>>PROFECIA MAIA

Textos originais são vagos e dão margem a todo tipo de interpretação. Foi o que bastou para a sua usurpação e a criação do mito contemporâneo sobre o Apocalipse

A Profecia Maia
O calendário de conta longa é apenas um entre os vários que os maias usavam. Assim como os nossos meses, anos e séculos, ele se estrutura em unidades de tempo cada vez maiores. Cada 20 dias formam um "mês", ou uinal. Cada 18 uinals, 1 tun, ou "ano", cada 20 tuns faziam um katun e assim sucessivamente. Enquanto o nosso sistema de contagem de séculos não leva a um fim, o calendário de conta longa maia dura cerca de 5.200 anos e se encerra na data 13.0.0.0.0, que para muitos estudiosos (não há um consenso a respeito) corresponde ao nosso 21/12/2012.

Isso não significa que eles esperassem pelo fim do mundo naquele dia. "Os povos ameríndios não tinham apenas uma concepção linear de tempo, que permitisse pensar num fim absoluto", diz Eduardo Natalino dos Santos, professor de história da América Pré-hispânica da USP. Ele diz que há textos míticos maias que falam em idades anteriores ao aparecimento da humanidade atual, e afirmam que a era atual duraria 5.200 anos. "Mas em nenhum lugar se diz que o ciclo que estamos vivendo seria o último." A maioria dos estudiosos acredita que, após chegar à data final, o calendário se reiniciaria. Assim como, para nós, o 31 de dezembro é sucedido pelo 1 de janeiro, para eles o dia 22/12/2012 corresponderia ao dia 0.0.0.0.1.

Entre os milhares de textos maias conhecidos, há apenas um que faz menção à data. Uma inscrição encontrada na ruína de Tortuguero (Costa Rica) diz que nela virá à Terra Bolon Yokte K'u, deus associado à guerra e à criação. Um indício indireto da mesma profecia está nos "Livros de Chilam Balam". Escrita por vários autores após a conquista espanhola, a obra traz previsões para os katuns que, num outro sistema de contagem de tempo, se repetem a cada 256 anos. Para o katun associado a 2012, o livro prevê a chegada de vários seres, entre eles "aquele que vomita sangue" e o deus Kukulcan, muito popular na América Central.

Mas mesmo esses textos talvez não correspondam ao que entendemos por profecias. Natalino diz que, embora os maias tivessem uma visão qualitativa do tempo - havia períodos "benéficos" e "maléficos" - isso não implica que fossem fatalistas. Os finais dos ciclos eram datas religiosamente importantes, pois num deles a idade atual poderia terminar. "Mas os sacerdotes podiam realizar certas práticas que assegurassem a continuidade do mundo", explica Natalino. Ele diz que no período colonial e depois houve rebeliões populares inspiradas pelas profecias de Chilam Balam. "Mas basta dar um pulo à América Central para ver que os maias de hoje estão cheios de projetos e nem um pouco preocupados com 2012."

UM OUTRO OLHAR SOBRE O TEMPO
Conheça as diferenças entre o calendário gregoriano, adotado no Ocidente, e a maneira usada pelos maias para medir o tempo



FOLHINHA
Como os maias registraram 27/12/724


MITO #3>>>INVERSÃO MAGNÉTICA

Mais uma carga de lenha na fogueira de 2012: suposto enfraquecimento do campo magnético terrestre levaria à incidência letal de partículas solares

A luz e o calor produzidos pelo Sol tornam a vida na Terra possível. Mas, se não fosse pelas defesas que temos contra a radiação e o fluxo de partículas que chegam continuamente vindos da estrela, também não estaríamos aqui agora. Uma das principais defesas de nosso planeta é o seu campo magnético. Explicando de maneira simples, ele possui dois pólos, um norte e outro sul, que atualmente se situam mais ou menos perto dos pólos geográficos. Mas os geofísicos sabem que, de tempos em tempos, as polaridades se invertem, isto é: o ponto onde fica o pólo sul magnético se torna o ponto do pólo norte, e vice-versa. "Sabemos que centenas de inversões aconteceram no passado, mas não se sabe o que as causa", diz Eder Molina, professor do Instituto Astronômico e Geofísico da USP. A mais recente inversão ocorreu há 700 mil anos. E a próxima talvez esteja a caminho. "Sinais sugerem que alguma coisa está acontecendo. A intensidade do campo entre os pólos norte e sul está diminuindo. Acredita-se que essa diminuição possa ser parte de um processo de reversão, embora isso seja apenas uma hipótese."

A ocorrência de uma inversão súbita dos pólos magnéticos terrestres é um dos cenários apocalípticos previstos para 2012. Será isso que os cientistas estão detectando? "Não", diz Molina. "Os indícios sugerem um processo muito gradual, que levará talvez milhares de anos. Nós conhecemos muito bem o campo magnético terrestre, graças ao mapeamento feito por observatórios e satélites. Essas informações nos ajudam, por exemplo, a procurar petróleo e minerais valiosos. Se uma mudança brusca estivesse ocorrendo, já teria sido detectada." Molina afirma que veríamos muitos sinais, sob a forma de problemas nas telecomunicações e o desligamento de usinas elétricas. Não haveria como esconder um problema desses, pois o que estaria em jogo seria a sobrevivência da civilização. Mas não vemos nada disso por aí.

ESCUDO DE FORÇA
Entenda a atuação do campo magnético terrestre e suas variações imprevisíveis


MITO #4>>>CICLOS SOLARES

Aparente hiperatividade do astro alimenta especulações sobre bombardeio radioativo. Mas a estrela está se comportando conforme o previsto

Muitos dos cenários para 2012 baseiam-se na idéia de que o Sol estaria passando por um período de atividade sem precedentes. Os defensores dessa tese ressaltam o fato de que, entre 28 de outubro e 4 de novembro de 2003, ocorreram algumas das maiores explosões solares já registradas. Em 20 de janeiro de 2005, a Terra registrou o maior bombardeio de partículas de alta energia oriundas do Sol. Como 2005 foi o ano do furacão Katrina, há quem vincule os fenômenos, sugerindo que o clima é governado por variações na atividade solar. Como a previsão dos astrofísicos é de que 2012 registre um ponto de alta atividade em nossa estrela, há quem acredite que a soma de tudo isso seja uma catástrofe.

As variações na atividade solar são causadas por mudanças na configuração do campo magnético que ocorrem a cada 11 anos. Para Adriana Silva Valio, pesquisadora do Centro de Radioastronomia e Astrofísica Mackenzie, basta dar uma olhada nos dados dos últimos oito anos para ver que o Sol tem se comportado normalmente. De lá para cá, a atividade reduziu-se, e a tendência é que, nos próximos anos, volte a se intensificar, alcançando patamares elevados em 2012. Tudo isso está dentro do esperado.

O decréscimo da atividade aconteceu mesmo com as superexplosões de 2003. "O fato é que a tecnologia para acompanharmos o fenômeno é muito recente. Talvez eventos semelhantes tenham acontecido no passado", afirma Adriana. Ela também diz que o ciclo solar de 11 anos, por si só, não parece ser capaz de afetar significativamente o clima da Terra. "No ponto de maior atividade, a quantidade de energia solar recebida pela Terra cresce apenas 0,1%."

Porém, ela diz que fatores desconhecidos e ligados ao Sol parecem sim afetar o clima na Terra. "No século 18, o Sol não apresentou manchas por sete décadas. O mundo ficou mais frio, e os canais de Veneza congelaram. Mas parece que para que mudanças assim ocorram levam décadas ou mesmo séculos", diz.

USINA DE ENERGIA
Diferença de velocidade na rotação do astro faz com que a atividade solar varie em ciclos de 11 anos



MITO #5>>>NIBIRU

Hipotético décimo planeta do Sistema Solar (há quem diga que se trata de uma outra estrela) estaria rumando de encontro à Terra. Acredite se quiser? Melhor não


Muito antes que a data de 21/12/2012 começasse a tocar corações e mentes, o israelense Zecharia Sitchin começou a divulgar suas idéias sobre a origem da Terra, inspiradas, segundo ele, na decifração de antigos textos babilônicos. De acordo com Sitchin, há em nosso sistema solar um objeto que a ciência moderna desconhece e que os antigos chamavam de Nibiru. Esse objeto, que pode ser um planeta ou uma pequena estrela, passaria próximo ao Sol a cada 3.600 anos. Sitchin afirma que, em uma dessas passagens, uma colisão entre um de seus satélites e um planetóide que existia entre Marte e Júpiter teria dado origem à Terra. Outros autores passaram a usar as idéias de Sitchin nos anos 1990. Eles dizem que Nibiru vai passar por perto de nosso planeta em 2012, e a atração gravitacional entre os dois resultará em dilúvios e terremotos.

Para Carlos Henrique Veiga, astrônomo do Observatório Nacional, é possível que existam planetas ainda desconhecidos no Sistema Solar. Poderiam ter, inclusive, algumas das características atribuídas a Nibiru, como um período muito longo e órbita extremamente elíptica. "Mas as órbitas de planetas não se sobrepõem umas às outras. Esse cruzamento só ocorre com cometas e asteróides." Quanto à segunda possibilidade, a de que Nibiru seria uma estrela se escondendo nas vizinhanças, Veiga diz que sua presença causaria uma alteração na dinâmica do Sistema Solar. "Tanto ela quanto o Sol teriam que girar ao redor de um centro de massa. Os planetas girariam em torno das duas ou desse novo ponto central. Não é isso que estamos vendo", afirma.

Outro cenário sugere que, em 21/12/2012, o Sol, ao nascer, estaria alinhado com o plano da Via-Láctea. Nessa posição, receberia algum tipo de irradiação misteriosa vinda do centro da galáxia. Essa informação, porém, é contestada até por autores de populares livros sobre 2012, como o astrônomo John Major Jenkins. O que é verdade é que o Sol está cruzando o plano da nossa galáxia, mas isso não é motivo para preocupação. "O centro da Via-Láctea está a quase 30 mil anos-luz de distância. Por isso, esse posicionamento não deverá trazer maiores conseqüências. No máximo, pode favorecer a atração de cometas e asteróides em direção ao Sol", diz Veiga.

A GRANDE VIAGEM
Os astrônomos nunca o observaram, mas há terráqueos que juram já ter visto Nibiru viajando pelo Cosmos
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Fonte: Galileu