quinta-feira, 14 de junho de 2012

9 regras para inventar um deus cristão improvável

De fato, não seguimos fábulas engenhosamente inventadas, quando lhes falamos a respeito do poder e da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo; pelo contrário, nós fomos testemunhas oculares da sua majestade. (2 Pedro 1:16)

Por Zé Luís

Claro que sei que, por hábito, deve-se escrever o nome do Todo-Poderoso com letra maiúscula, mas a intenção aqui é inventar um deus fictício, nos termos do que o Cristianismo apresenta.

Dia desses, lendo uma bobagem do gênero, com um título semelhante, notei que o autor foi raso em sua descrição, já que usava termos de uma religião genérica, mostrando sua total ignorância sobre o assunto. O site em questão era especializado em assuntos sexuais masculinos (não, não oferecerei o endereço do mesmo: sei que meu blog não tem a audiência que fará alguma diferença, mas não serei eu quem dará uma visita a mais para aquela porcaria que me foi enviada por e-mail).

Entendo que quando um ateu quer se aventurar a falar sobre crenças e fé, é como um crente leigo expondo dados sobre biologia. Um ex-ateu (que ironicamente é referência para muitos cristãos), C.S.Lewis, definiu a grande diferença entre o cristianismo e as outras religiões em uma única palavra: Graça.

Mas creio que podemos re-inventar o Cristianismo, sem apelar para as adaptações que outras crenças fizeram quando tentaram tornar a crença em Jesus em algo mais aceitável (como feito em Roma, quando passaram a celebrar o dia do nascimento do Messias no mesmo dia da celebração de um deus local, entre tantas outras coisas adaptadas).

1. O deus a ser criado andará entre os homens, terá aparência de homem, odor de homem, necessidades biológicas de homem, nada disso poderá ser ocultado em sua personalidade. Mesmo assim, se indagado sobre sua real identidade, dirá que é Deus, e mesmo assim, ninguém o julgará louco por tal afirmação.

2. Crie diálogos para esse deus – essa personagem conversará com pessoas comuns, não apenas com gente preparada, culta, que ofereça algo intelectualmente digno de filosofia. As respostas devem extrapolar o que um homem comum poderia responder ou imaginar (por mais inteligente que seja, lembre-se: ele é um deus e suas repostas extrapolam a compreensão, entende?). Não falamos aqui de uma resposta megalomaníaca, com cenários apocalípticos ininteligíveis a essa dimensão: falamos de alguém acessível, sem rompantes de grandeza, antes andará com gente miserável, independente da classe social, mas que seja capaz de informar à qualquer compreensão com respostas tão simples que até uma criança entenderia.

3. Seu deus, apesar de poderoso, se deixará espancar, cuspir, humilhar, não prometerá vinganças ou danação: ele só tem interesse em recrutar pessoas para seu Reino invisível, sem exigir das pessoas nada. Se permitirá assassinar, sem revide, apesar de seu poder, e sem deixar que nenhum dos seus seja tocado. Caso esse seu personagem seja capaz de ressurgir da morte, ele procurará os amigos, e não os inimigos (sendo um deus, ele terá a eternidade para resolver qualquer coisa, já que não pensa como homem...não perca esse foco).

4. Seu esboço de deus cristão tem que estar de acordo com tudo que – supostamente – havia sido dito nas histórias – ditas - sagradas anteriormente. Um bom convencimento para tal é que se tenha já algo escrito há algum tempo, predizendo seu personagem. Quatro mil anos devem bastar (não se esqueça que esses documentos -inventados? - devem ser escritos por diferentes autores, em diferente épocas e grupos sociais, escrevendo sempre em co-relação, sem mesmo terem se visto ou conhecido. Não é lá uma tarefa muito simples, mas para quem deseja criar algo tão simples como uma crença religiosa, o Cristianismo me parece um desafio válido, não é mesmo?

5. A ideia de um homem-deus, aceito pelas mais diversas classes, mesmo quando esta a condena, deve ser permeada de ideias sempre contemporâneas, pragmáticas e, independente do tempo ou meio social, aplicáveis no meio em que se vive. A coisa deve funcionar agora e daqui a 3000 anos, tanto em um continente, como em outro. Deve se imaginar o desenrolar de sua ficção de forma bem abrangente.

6. O deus criado deve usar de recursos e conhecimentos só disponíveis daqui a 2000 anos. Psicologia, por exemplo, não pode ser usada pelo seu messias, já que é atualmente matéria bem difundida, mas não conhecida na época do Cristo, que sabia como ninguém usar da matéria em suas parábolas.

7. Estão vetados os usos de recursos de divulgação, como TV, rádio, internet, telefone, ou qualquer recurso midiático, e a sociedade onde seu deus inventado também não poderá ter esse mesmo acesso (algo como os estados mais afastados do norte do país pode ser um excelente cenário para seu novo cristianismo) .

8. Mesmo assim, o culto a esse deus deve perdurar pelos séculos, mesmo com a improbabilidade de um deus ser gerado dentro de um povo historicamente perseguido pelos outros povos - além de estar dominado, na época, por outro. Um deus crucificado, indigente entre dezenas de milhares de outros executados da mesma forma por Roma,

9. A mão de obra que divulgará sua crença será um bando de discípulos sem formação, que não entendam absolutamente nada do que seu mestre ensine, e mesmo assim, consigam divulgar isso ao mundo, pelos séculos dos séculos

Perceba que não pedi para inventar milagres, exorcismos, ressurreições, curas... Isso aí qualquer personagem fictício é capaz de fazer, embora nenhum consiga dar o contexto necessário a cada um das histórias descritas nos 4 evangelhos.

O escreve e o Genizah as vezes surta e divulga e o PCamaral compartilha - básico... rsrsrs

Fonte: Genizah

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