sábado, 23 de junho de 2012

Nestes últimos tempos, Deus continua falando conosco, por meio de Jesus Cristo.

Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo. O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas; (Hebreus 1:1-3)

Em nenhuma outra carta ou livro da Bíblia, a obra de Cristo é tão enfatizada e destacada como em Hebreus. Quando lemos Hebreus do inicio ao fim, constatamos que, para o autor, Jesus é superior a tudo; ele é melhor. Logo no início, nos três primeiros versículos, o autor apresenta uma descrição sobre Cristo simplesmente fantástica. O que é dito nas frases deste pequeno trecho é “uma das declarações cristológicas mais completas do Novo Testamento”. [1]

Em Amós, é dito que o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem revelar aos seus servos, os profetas (Am 3:7). Nos primeiros versículos de sua carta, o autor de Hebreus menciona os profetas. Seu objetivo é mostrar que estes servos de Deus, tidos na mais alta consideração pelo povo judeu, eram menores do que Jesus Cristo, que é superior a todo e qualquer profeta. Como ficará evidenciado, Jesus é a “fonte, o centro e o fim de tudo o que Deus tem para dizer”. [2] No decorrer deste estudo, entenderemos isso mais claramente.

O nosso Deus é o Deus que fala

Apesar de ser uma carta, o autor de Hebreus não inicia seu texto como uma carta. Ele dispensa a saudação e vai direto à mensagem: No passado, por meio dos profetas, Deus falou aos pais muitas vezes e de muitas maneiras (Hb 1:1). O nosso Deus é um Deus que fala, isto é, um Deus que se revela. Se ele permanecesse em silêncio e “não tivesse falado, a raça humana teria perecido na escuridão do pecado e da ignorância. Para nossa felicidade, Deus escolheu falar”. [3] Falou no passado aos pais, uma referência à nação hebraica e seus antepassados.

Por meio dos profetas, Deus falou muitas vezes e de muitas maneiras (Hb 1:1). Cada profeta apresentou algum aspecto da vontade de Deus. Uns clamaram por justiça social; outros, por santidade; outros, por fidelidade a Deus; outros, ainda, se destacaram pelo seu anúncio do messias etc. Mas o fato é: Deus falou! Ele comunicou sua vontade aos seres humanos. E quem eram os profetas? Eram pessoas que falavam com autoridade e proclamavam as mensagens de Deus: Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo. (2 Pd 1:20-21). Não formulavam sua mensagem, mas eram inspirados pelo Espírito Santo.

A mensagem não nascia no desejo do profeta, mas vinha do próprio Deus. A Bíblia A Mensagem traduz esse versículo da seguinte forma: Passando por uma longa linha de profetas, Deus falou aos nossos antepassados séculos a fio. Infelizmente, nem sempre as pessoas davam crédito aos profetas, “e muito menos obedeciam aos seus ensinos. Muitas vezes, os profetas eram ridicularizados e rejeitados”. [4] O próprio Jesus mencionou as vezes em que Deus quis ajuntar o povo, mas este, além de recusá-lo, matou os profetas, apedrejou os que eram enviados por Deus (Mt 23:29,37).

Mesmo assim, Deus continuou falando ao seu povo. É interessante que o autor de Hebreus acrescenta que Deus falou muitas vezes e de muitas maneiras. Deus se revelou progressivamente, “pouco a pouco, primeiro para um profeta e então para outro”. [5] É importante dizer que ele se revelou aos seus instrumentos, mas respeitou suas limitações; não revelou mais do que eles podiam entender. Por isso, desde o primeiro versículo de sua carta, o autor de Hebreus deixa claro que existe algo a mais. No versículo seguinte, ele mostra que há uma mensagem que supera tudo o que havia sido revelado aos profetas, até então.

O Filho a revelação máxima de Deus

Depois de discorrer sobre Deus ter se revelado por meio de profetas, o autor de Hebreus escreve: ... nestes últimos dias, porém, ele nos falou pelo Filho, a quem designou herdeiro de todas as coisas e por meio de quem também fez o universo (Hb 1:2). Jesus Cristo é a revelação máxima de Deus. Toda revelação de Deus por intermédio dos profetas era incompleta. O soberano escolheu revelar-se a si mesmo de modo completo através de Jesus Cristo. A história “da revelação divina é uma história de progressão até Cristo, mas não há progressão além dele”. [6]

Há algumas informações relevantes neste texto de Hebreus 1:2.

Em primeiro lugar, sobre o tempo da revelação. Há um nítido contraste entre os versículos 1 e 2 sobre esta questão: “No passado (...) nestes últimos dias”. “No passado” diz respeito à era do Antigo Testamento, antes da vinda do Messias. Os “últimos dias”, mencionado pelo autor de Hebreus, iniciaram-se com a encarnação de Cristo e só terminarão com a sua segunda vinda. A era messiânica começou com Jesus. Neste tempo, que, inclusive, compreende o que estamos vivendo, Deus continua falando por meio de Jesus Cristo.

Em segundo lugar, precisamos tratar dos destinatários da revelação. Novamente, há um contraste interessante, nos versículos 1 e 2: “... falou aos pais (...) nos falou”. Deus se comunicou com as pessoas que viveram antes de Cristo, antes da cruz. Elas tiveram porções da revelação de Deus. Os que viveram depois da cruz, depois da encarnação de Jesus, continuam tendo a revelação da parte de Deus. Ele escolheu que fosse assim. Não foram apenas Abraão, Moisés, Elias etc. que puderam entender a vontade de Deus. Ele continua falando conosco, por intermédio de Jesus Cristo.

Em terceiro lugar, devemos mencionar a pessoa da revelação. O contraste, aqui, é entre “por meio dos profetas (...) pelo Filho”. Os profetas “eram simplesmente servos de Deus, mas Deus escolheu seu Filho como revelação suprema aos homens”. [7] Os profetas trouxeram a revelação de Deus “em parte”; Jesus a trouxe na totalidade. Por isso, de certa maneira, somos privilegiados. Tudo o que veio antes de Jesus era parcial e preparatório. Através dele, contudo, “Deus vem pessoalmente a nós. Em Cristo reside a plenitude de Deus. (...) Não é possível que Deus chegue mais perto de nós seres humanos do que chegou na pessoa de Jesus”. [8] Jesus é a perfeita e última revelação de Deus aos seres humanos. Por isso, quem não o recebe e não dá ouvidos a essa “fala” de Deus através do Filho, está perdido.

A exaltação do Filho

Conforme mencionado, a carta aos Hebreus destaca a superioridade de Cristo. Nos versículos 2b-3 do capítulo 1, temos sete informações gloriosas sobre Cristo. Em primeiro lugar, Jesus é herdeiro de todas as coisas. A ideia de herdeiro é a de que Jesus é o dono legítimo de tudo. O termo indica posse legal. Na verdade, nunca houve um tempo em que Jesus não fosse o dono de todas as coisas. Quando lemos que ele foi “designado”, devemos levar em conta que o escritor está apenas mencionando a realidade presente do decreto. Ele não diz nada sobre quando o filho foi decretado herdeiro, pois nunca houve um tempo em que ele não fosse herdeiro ou dono legítimo de todas as coisas. [9]

Em segundo lugar, Jesus é o criador do universo. Por meio dele foram criadas todas as coisas, inclusive o universo. O Filho estava presente na criação (cf. Jo 1:3; Cl 1:16). Em terceiro lugar, Jesus é o resplendor da glória de Deus. Assim como o sol irradia a sua luz sobre a terra, podemos ver Cristo como resplendor do brilho do Pai. Ele revela a majestade de Deus. É a imagem viva do Pai. É interessante que Paulo diz que as pessoas pecaram e carecem da “glória de Deus” (Rm 3:23). Jesus é a expressão exata dessa glória. As pessoas precisam dele. O autor de Hebreus, em quarto lugar, diz que Jesus é a representação exata do ser de Deus.

A palavra grega charakter, traduzida por “representação exata”, referia-se, na época do Novo Testamento, à marca que um carimbo deixava em um selo de cera ou moeda. A correspondência entre a impressão gravada e o carimbo era exata. [10] Assim é Jesus. Ele é o que Deus é, em seu caráter, natureza e essência. Ele é Deus. Jesus não é incompleto. Não há algo em falta na sua representação. Quem vê Jesus, vê Deus. Em quinto lugar, Jesus sustenta todas as coisas. O mundo não foi criado e, depois, abandonado. O Deus que o criou é o mesmo que o sustenta.

Em sexto lugar, Jesus é aquele que fez a purificação dos pecados. O ser humano tinha uma dívida com Deus, por causa do pecado. Não podíamos salvar a nós mesmos. Todavia, por meio de Jesus, recebemos o perdão dos pecados. A sua morte, na cruz, é o ápice da sua missão. Se ele não tivesse morrido por nós, não poderíamos ser perdoados e purificados. Não poderíamos ser justos aos olhos de Deus. Em sétimo lugar, Jesus está assentado à direita da Majestade nas alturas. Depois de sua morte, ele foi ressuscitado e ascenso aos céus. Foi exaltado e está assentado à direita de Deus. É Senhor “e segura todas as rédeas do acontecimento mundial em suas mãos misericordiosas, que foram perfuradas em nosso favor, e ele terá a última palavra no final da história”. [11] Amém!

Aplicando a Palavra de Deus em nossa vida

Dependa do sustento do Filho!

O que você faz, quando as coisas começam a dar errado em sua vida? Para onde corre, quando os seus planos se frustram e seus planejamentos vão por água abaixo? Sente medo, quando começa a ouvir nos noticiários ou jornais sobre catástrofes e guerras? Diante de tudo o que discorremos até aqui, acreditamos ter ficado bem claro o quanto Deus se importa com o ser humano. Ele sempre tem se revelado aos seus servos. E o ápice de sua revelação foi o Senhor Jesus. Ele é criador, dono legítimo e sustentador de todas as coisas. O Senhor Jesus segura as rédeas da história. Dependa de Cristo. Diante dos imprevistos, busque guarida nele. E creia: ele está e estará sempre no controle. No céu, há um trono que nunca fica vazio (Is 6:1; Hb 1:3).

Desfrute da benção do perdão oferecido pelo Filho!

O grande problema do ser humano é o pecado. Todos pecaram! Alegra-nos saber, através do autor de Hebreus, que Jesus fez a purificação dos pecados, isto é, sua “remoção” ou “limpeza”. Esta remoção foi realizada através do seu sacrifício. Na cruz ele perdoou os nossos pecados. Todos eles foram apagados. O texto diz que Jesus “fez” isso: havendo feito... No original temos uma só palavra, o verbo poiesámenos, que está num tempo grego que indica uma ação já consumada e completa. Todos que receberam a Cristo como Senhor e Salvador tiveram seus pecados definitivamente perdoados! Se você, que lê este texto, ainda não o recebeu, faça isso o quanto antes! Agora, para os que já entregaram sua vida a Jesus, não se esqueça: não precisamos mais viver aterrorizados, com pavor do passado, pois fomos lavados, santificados e justificados em nome do Senhor Jesus Cristo (1 Co 6:11). O Filho, que é a expressão exata do Pai, nos perdoou. Temos o nome limpo no céu. Desfrute desta bênção com alegria e responsabilidade.

Concluindo

Como vimos, Jesus é a representação exata do Pai. O que o Pai é, o Filho é. Portanto, continuemos olhando para Cristo. Além de criador, ele é nosso sustentador. Está assentado no trono e governa todas as coisas pelo seu poder. Perdoou-nos de maneira completa, e, por isso, não é necessária a repetição do seu sacrifício. É superior aos profetas e a todos os personagens bíblicos. Nestes últimos tempos, Deus continua falando conosco, por meio de Jesus Cristo. Nossa principal tarefa é viver de maneira obediente a essa revelação. Que assim seja.

Louvado e exaltado seja o nome do Senhor Jesus!


Bibliografia:

1. ARRINGTON, French; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003. Pág. 1542
2. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento 2. Santo André: Geográfica, 2006. Pág. 361
3. ARRINGTON, French; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003. Pág. 1541
4. HENRICHSEN, Walter A. Depois do Sacrifício: Estudo Prático da Carta aos Hebreus. São Paulo: Vida, 1985. Pág. 20
5. ARRINGTON, French; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003. Pág. 1541
6. KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento: Hebreus. São Paulo: Cultura Cristã, 2003. Pág. 44
7. ARRINGTON, French; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003. Pág. 1542
8. LAUBACH, Fritz. Carta aos Hebreus: Comentário Esperança. Curitiba: Esperança, 2000. Pág. 35
9. ARRINGTON, French; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003. Pág. 1543
10. ARRINGTON, French; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003. Pág. 1543
11. LAUBACH, Fritz. Carta aos Hebreus: Comentário Esperança. Curitiba: Esperança, 2000. Pág. 40


DEC
PCamaral

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