segunda-feira, 30 de julho de 2012

Discernindo o mundanismo

Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre. (1 João 2:15-17)


Por Douglas Wilson

Qual é a diferença entre essas duas afirmações?

Não cometa adultério.
Não seja mundano.

A primeira afirmação é objetiva e pode ser definida de forma objetiva. A segunda não pode. Porém, as duas são requerimentos das Escrituras para nós. Como seremos submissos à vontade de Deus quando temos problemas para discernir Seus vários requerimentos? Devemos pensar cuidadosamente sobre o que Ele nos falou para fazermos.

Quando alguém cobiça internamente outra pessoa que não seja seu cônjuge, ela comete adultério. Dadas algumas circunstâncias, essa cobiça se manifestará no adultério em si. A Palavra de Deus é muito clara quanto à proibição do adultério, tanto interno, quanto externo.

Consequentemente, saber se o adultério ocorreu não requer discernimento. Requer apenas os fatos. A Palavra de Deus proíbe dormir com a mulher de outro homem. Se um indivíduo dormir com a mulher do outro, então ocorreu adultério. Quando a concupiscência chega a adultério, se torna nítido que a vontade de Deus foi violada.

Mas quando alguém tem um coração mundano, que tipo de comportamento resultará disso? A resposta é: qualquer forma de comportamento imaginável. Consequentemente, mundanismo não pode ser definido, mas deve ser discernido. Essa é uma estrada com valas dos dois lados, e os cristãos erraram em ambas direções.

Alguns cristãos perceberam que o mundanismo não pode ser definido. Mas a reação deles quanto a essa verdade é assumir que nada pode ser feito em relação ao mundanismo e que qualquer tentativa de fazer algo é “legalismo”. Isso é negligência com o que Deus disse explicitamente para fazermos: “Não amar o mundo…”

Outros cristãos, zelosos pelo bem, tentaram fazer algo acerca do mundanismo, definindo-o e depois banindo qualquer manifestação dele, colocando-o sob proibição. As definições, entretanto, são necessariamente inadequadas, e logo o mundanismo aparece novamente e todas as regras bem intencionadas levam cativos consigo.

O primeiro grupo de cristãos é levado por qualquer moda que o mundo inventa. O lema desse grupo parece ser um desafio lançado para o mundo: “Tudo o que vocês fazem, nós podemos fazer pior”. Pense em qualquer coisa e os cristãos a fazem colocando um versículo bíblico aonde for possível. Quer uma lista? Rock, atividade aeróbica, dieta, estilos de corte de cabelo, maquiagem, psicologia de autoajuda, e assim por diante, ad nauseam. Essas são áreas nas quais o mundanismo pode ser discernido; eles não são representantes de nenhuma tentativa da minha parte de formular uma nova lista. Você pode fazer dieta sem ser mundano, e eu estou ouvindo rock enquanto escrevo isso aqui. Mas não se pode negar que tais atividades (e muitas outras) estão saturadas de mundanismo.

Os cristãos que estão na outra vala veem o problema e criam novas leis. Mas essas leis são, na melhor das hipóteses, ineficazes e, na pior, legalistas. É mundano ir ao cinema? Sim. Então ir ao cinema vai para a lista, e falam para os membros da igreja que eles não podem ir. O resultado? Eles assistem filmes no DVD. O legalismo ocorre quando as pessoas pensam que a santificação delas consiste em não fazer algumas coisas. Um legalista pode tentar ser consistente em seu comportamento exterior (usando aparelho de DVD), mas ele continua sem saber qual é a essência da piedade.

Qual é a solução para esse dilema? O mundanismo não pode ser permitido na igreja, e não pode ser tratado eficazmente por meio de regras. O mundanismo só pode ser erradicado por meio do discernimento de homens e mulheres de Deus. Quando eles enxergarem o mundanismo, eles devem falar. Mas, certamente, essa sinceridade os colocará em uma posição estranha.

Que tipo de pessoa é confiável para lidar com mundanismo? O autor de Hebreus menciona características de maturidade durante uma discussão sobre diferentes níveis de discipulado. Ele diz: “Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal” (Hb 5.14).

Note que o adulto tem o discernimento entre bem e mal que somente pode ser adquirido “pela prática”. Em outras palavras, um novo cristão seria incapaz de fazer esse julgamento. Mas esse não é o caso em relação ao comportamento que é claramente proibido nas Escrituras. A Bíblia proíbe assassinato, adultério, roubo, etc. Todos os cristãos entendem que essas coisas são erradas, e esse entendimento não requer discernimento.

Porém, existem áreas que, claramente, os cristãos imaturos precisam do discernimento de seus irmãos e irmãs mais maduros. Os problemas surgem, no entanto, quando os cristãos foram ensinados a olhar para qualquer aplicação extrabíblica de princípios bíblicos como legalismo. “O que você quer dizer com ‘eu não deveria estar vestindo isso’?”, “Aonde está isso na Bíblia?”. Esse equívoco é ainda mais provável porque realmente existe muito legalismo.

Esse problema pode ser resolvido se algumas coisas cruciais forem lembradas. Primeira, maturidade não é a mesma coisa que idade. Existem muitos santos mais velhos que estão não somente encalhados na lama, mas essa lama endureceu há anos. Essas pessoas não estão pedindo para você ser livre da sua cultura porque eles foram da deles. Eles querem que você seja livre da sua porque eles estão presos à cultura deles. Eles querem que você troque sua calça jeans por um terno de três peças, e rock por swing. Uma troca como esta não tem sentido.

Em segundo lugar, declarar possuir discernimento não é a mesma coisa que possuí-lo. Ninguém vai identificar suas próprias ações como legalismo. Todos afirmam ter discernimento, tendo-o ou não.

Quando você é confrontado por alguém sobre o seu comportamento em qualquer área cinzenta, verifique se essa pessoa atende aos seguintes critérios:

1 - Essa pessoa vive de acordo com a vontade revelada de Deus? Ela vive dentro dos limites da moralidade bíblica? Se ela tem problema com o preto e o branco, não há motivo para confiar nela em relação às áreas cinzentas. Se ela não consegue enxergar aquela grande letra “E” do exame de vista, não tem sentido pedir para ler as letras miúdas.

2 - Essa pessoa é independente da cultura dela, ou é simplesmente independente da tua? Essa oposição que ela tem ao mundanismo surtiu algum efeito em relação à maneira como ela vive?

3 - Essa pessoa é livre? O Espírito do Senhor traz liberdade, e essa liberdade deve ser aparente na vida de qualquer pessoa que é confiável para a tarefa de detectar o mundanismo.

Se esses critérios forem encontrados, podemos confiar nesse indivíduo quando ele fizer uma afirmação sobre algo em particular. À medida que os novos cristãos se submetem a esse padrão de instrução, eles também irão aprender e crescer em maturidade. O resultado será verdadeira libertação do mundo.

Traduzido por Fernanda Vilela | iPródigo.com | Original aqui | Compartilhado no PCamaral

Fonte: iPródigo.com

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