domingo, 1 de julho de 2012

Jesus Cristo é a pessoa mais importante do mundo.

Jesus foi considerado digno de maior glória do que Moisés, da mesma forma que o construtor de uma casa tem mais honra do que a própria casa. (Hb 3:3 – NVI)

Falar das pessoas de quem gostamos ou de personagens da história que admiramos é agradável. Mas falar da pessoa de Jesus é, sem dúvida, muito mais agradável. Cristo é a pessoa mais importante do mundo. Muitos cristãos judeus da época em que a carta aos Hebreus foi escrita tinham dificuldade de aceitar isso. Para eles, Moisés superava Cristo em grau de importância. Que pensamento equivocado! Sabendo disso, o autor de Hebreus se apressa em mostrar-lhes que Jesus é superior.
Infelizmente, nem todas as pessoas conseguem manter uma vida cristã constante. Há aquelas que começam bem, mas logo fraquejam e desistem. Olham para trás, ao invés de olhar para frente; olham para o mundo, ao invés de olhar para Cristo. No caso dos irmãos a quem a Carta aos Hebreus foi enviada, estava acontecendo algo semelhante. Por valorizar Moisés acima de Jesus, muitos estavam querendo abandonar o cristianismo para voltar às práticas do judaísmo. Então, o autor de Hebreus compara ambos (Cristo e Moisés), a fim de mostrar que seguir Jesus é fundamental.
Jesus Cristo é superior em posição - O capitulo três de Hebreus enfatiza, de modo visível, a superioridade de Jesus em relação a Moisés, no que se refere a ofício ou posição. Dar maior importância a qualquer outra pessoa mais do que a Moisés era um enorme desafio. Isso porque os “judeus pensavam que ninguém era maior do que Moisés, pois ele havia dado ao povo de Israel duas tábuas de pedra nas quais Deus tinha escrito a lei (Êx 34)”. [1] Mas o autor de Hebreus encarou esse desafio, ao dizer: ... considerai atentamente o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus (v.1). Observe que não é a Moisés que devemos considerar “atentamente”, mas a Cristo. Este é maior em posição, pois é Apóstolo e Sumo Sacerdote.
Quanto à posição, Jesus é superior a Moisés em alguns aspectos. O primeiro deles refere-se à natureza pessoal. O texto se refere a Cristo como Apóstolo. O que é isso? É um título referente a “alguém enviado com uma comissão”. [2] Obviamente, Moisés foi enviado por Deus com o fim de resgatar o povo hebreu da servidão. Contudo, era apenas um profeta. Mas Cristo foi enviado como o Filho unigênito para que todos os que nele crerem tenham vida eterna (Jo 3:16). Não é difícil perceber que este possui uma importância significativa em relação àquele. Afinal, Cristo é o Filho de Deus, uma das pessoas da Trindade. É divino; é Deus (Jo 1:1).
O segundo aspecto que revela a superioridade de Jesus sobre Moisés é a importância do seu ofício. O texto é claro: Jesus é Sumo Sacerdote. Este ofício é muito importante na Bíblia. Somente o Sumo Sacerdote podia entrar no compartimento mais importante do tabernáculo: o Santo dos Santos, portando sangue de animais como oferta pelo pecado (Hb 13:11). Moisés, no entanto, nunca foi sumo sacerdote. Ele não dispunha de nenhuma autoridade para entrar no Santo dos Santos. Mas Jesus, sendo sumo sacerdote, ofereceu não sangue de animais, mas o seu próprio sangue, para purificar a nossa consciência de obras mortas (cf. 9:11-14).
O terceiro aspecto pelo qual Cristo é superior a Moisés diz respeito à mensagem proclamada. Isso é interessante. O final do versículo cinco do capítulo 3 diz que a obra de Moisés foi esclarecer e lembrar aquelas coisas que aconteceriam no futuro (NBV). Assim, “o profeta Moisés falou de coisas por vir, enquanto Jesus Cristo cumpriu tais coisas”. [3] Este confirmou tal verdade: ... vim para cumprir (Mt 5:17). Entenda: Cristo, e não Moisés, é o cumprimento da mensagem proclamada. Cristo, e não Moisés, é o Verbo de Deus, Palavra encarnada, descrito por João 1:1. Os cristãos daquela geração precisavam ter isso em mente. E não só eles, mas nós também.
Jesus Cristo é superior em honra -  Cristo é superior a Moisés em sua posição. Mas não só isso. Ele é também maior em honra. A propósito, somente Cristo tem autoridade para expressar, sem correr o risco de ser equivocado em sua afirmação, as seguintes palavras: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra (Mt 28:18). Quanto a Moisés, porém, não podemos dizer o mesmo. Todavia, é necessário esclarecer que este é também digno de honra. O autor da carta diz que Jesus foi fiel a Deus, que o escolheu, assim como Moisés também servia fielmente na casa de Deus (Hb 3:2 – NBV).
Em outras palavras, Moisés não deixou a desejar, quanto à missão que recebeu de Deus. Foi fiel. Não foi à toa que Deus o honrou de muitas maneiras. O próprio Deus apareceu a Moisés face a face (Êx 33:11) e lhe deu vida longa de 120 anos. Quando Moisés morreu, em Moabe, Deus o sepultou (Dt 34:6). [4] Sem dúvida, Moisés foi um excelente servo de Deus. A sua honra, porém, não excede a de Jesus, e nem poderia, pois, nas palavras de Paulo a Timóteo, Cristo é o único que possui imortalidade, que habita em luz inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver. A ele honra e poder eterno. Amém! (1 Tm 6:16).
O autor da Carta aos Hebreus faz questão de mostrar tal verdade, a partir do versículo três, que diz: Jesus, todavia, tem sido considerado digno de tanto maior honra do que Moisés. Dois importantes motivos levaram-no a essa conclusão. O primeiro refere-se ao fato de que Cristo é o construtor da casa: ... maior honra do que a casa tem aquele que a estabeleceu (v.3b). O v.6 diz que essa casa somos nós. Em outras palavras, essa casa é a igreja, a família de Deus. Cristo é, portanto, o edificador da igreja (Mt 16:18), o cabeça do corpo (Cl 1:18). Sendo a igreja uma noiva singular, redimida e santa, não deve se vangloriar, pois a honra pertence àquele que a tornou assim.
O segundo motivo refere-se ao fato de que Cristo é o dono da casa. No versículo cinco, Moisés é apresentado como um servo na casa de Deus. Ele esteve por muito tempo à frente do povo do Senhor, mas não era dono desse povo. Cristo, todavia, é como Filho, em sua casa. A igreja pertence a ele. Logo, merece ser honrado como tal. Por isso, cabe a ele, e somente ele, afirmar: ... edificarei a minha igreja (Mt 16:18). Por ser Jesus, e não Moisés, o dono da igreja é que as portas do inferno não prevalecerão contra ela (v.18b). Não resta dúvida: Cristo é superior em honra.
Jesus Cristo é superior em cuidado - Além de ser superior a Moisés em posição e honra, Cristo é também superior em cuidado. É importante lembrarmos que os irmãos daquela época viviam num contexto de perseguição e estavam desgastados e desanimados espiritualmente. Por isso, seus joelhos se tinham afrouxado, na vereda da resistência e da atividade justas, e as suas mãos pendiam indefesas, como se fossem homens derrotados (Hb 12:12). Estavam com séria dificuldade de progredir na vida cristã e corriam o risco de se desviar. [5] Eis a razão do alerta bíblico para eles: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração (3:7,8).
Quando se está em condição semelhante à daqueles irmãos, é possível se imaginar um Cristo distante, inerte, de mãos atadas. O autor da carta, porém, mostra o oposto: no capítulo 3, Cristo não só é presente como também cuidadoso com os seus. Esse cuidado pode ser observado no sacerdócio de Jesus. Ele é tanto Sumo Sacerdote (v.1) quanto sacerdote. Cristo é, na verdade, o Grande Sacerdote de que necessitamos (Hb 7:26). O sacerdote oferecia sacrifícios todos os dias pelos pecados do povo (v.27). Como sacerdote, Cristo ofereceu um único sacrifício. Ele intercede por nós (Rm 8:34), cuida de nós e se preocupa com a nossa santificação.
Em Hb 3:6, o cuidado de Cristo pela sua igreja é ainda mais nítido, pois o autor afirma que ele é fiel, como Filho, em sua casa. Cristo não é um construtor displicente que abandona a casa, depois de construí-la. Indiferença não faz parte do seu caráter. Cristo ama o seu povo e, por causa de tão grande amor, fez-se carne e habitou entre os pecadores, cheio de graça e de verdade (Jo 1:14). Cristo é o edificador da igreja, “e por ‘edificador’ entende-se não somente o contratante ou operário, mas o autor, aquele que provê a casa, como dono, arquiteto, investidor, construtor e fornecedor, tudo em uma única pessoa”. [6]
Evidentemente, Moisés também cuidou do povo de Deus, como servo, mas não pôde exercer tal função para sempre. Desse modo, o seu cuidado para com o povo do Senhor só compreendeu breves 80 anos. Logo, Cristo é superior também no seu cuidado, pois cuida da igreja, ainda hoje. Desceu à sepultura, mas lá não permaneceu. Está vivo, atuante e perto! Vale lembrar a promessa que ele fez aos seus discípulos, após a sua ressurreição: E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século (Mt 28:20b).
APLICANDO E PRATICANDO A PALAVRA DE DEUS EM NOSSA VIDA
1. Jesus é mais importante: não o substitua! - Moisés teve a sua importância, na história do povo de Deus. Logo, merece honra. Mas não a ponto de ser elevado acima de Jesus. Para muitos hebreus, Moisés era a pessoa mais importante. Este pensamento, contudo, é equivocado. Jesus é digno de maior honra (Hb 3:13). E quanto a nós, temos considerado digno de maior honra a Jesus ou ao líder espiritual a quem muito estimamos? Será que as nossas opiniões têm dado lugar às de Cristo? Será que não o temos substituído por bens materiais, como um veículo do ano, uma casa ou o dinheiro? Não substitua o criador pela criatura. Jesus é mais importante.
2. Jesus é mais importante: não o abandone! - Muitos irmãos hebreus estavam propensos a deixar de olhar para Cristo e a voltar às antigas práticas do judaísmo. Isso culminou no desânimo e na apatia de muitos deles. Abandonar Cristo para voltar às velhas práticas era um risco presente, e a incredulidade ganhava espaço. Daí o alerta: ... não endureçais o vosso coração (Hb 3:8). Desistir de Cristo nunca será uma boa escolha. Quem faz isso, só tem a perder. Não deixemos, portanto, de focar a nossa mente e o nosso coração em Jesus. Antes, conservemos firmes, até o fim, a nossa alegria e a nossa esperança no Senhor (v.6 – NBV). Não desistamos de servi-lo, pois ele é a pessoa mais importante do mundo.
CONCLUSÃO
Jesus é o nome da pessoa infinitamente superior a tudo e a todos, pois, nas palavras inspiradas de Paulo, dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém! (Rm 11:36). Cristo é, de fato, mais importante do que Moisés, em posição, honra e cuidado. Portanto, precisamos ter em mente que não devemos substituir Jesus, nem o abandonar. Não deixemos que a incredulidade nos afaste do Deus vivo (Hb 3:12), mas deleitemo-nos em nosso Senhor (Hb 3:6).
Louvado e Exaltado seja o nome do Senhor Jesus!

Bibliografia


1. KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento: Hebreus. São Paulo: Cultura Cristã, 2003. Pág. 121
2. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento 2. Santo André: Geográfica, 2006. Pág. 368
3. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento 2. Santo André: Geográfica, 2006. Pág. 369
4. KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento: Hebreus. São Paulo: Cultura Cristã, 2003. Pág. 125
5. CHAMPLIN, Russel Norman. O Novo Testamento interpretado: versículo por versículo. Vol V. São Paulo: Milenium, 1980. Pág. 468
6. TAYLOR, Richard S. (et al). Comentário Bíblico Beacon: Hebreus a Apocalipse. Vol. 10. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. Pág. 36

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PCamaral

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