sábado, 7 de julho de 2012

A Oportunidade de Acesso à Presença de Deus

Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou. (Hb 10:19-20)

Existem algumas pessoas que são inacessíveis. Agendas super lotadas, inúmeras reuniões etc. Já pensou se Deus fosse assim? Já pensou se, para falar com ele, tivéssemos de ligar para algum anjo agendando a conversa? Se ele atendesse apenas uma pessoa por vez? Nosso Deus não é assim! Não há secretária alguma; não há impedimento algum. Ele está disponível 24 horas por dia. Agora mesmo, se quisermos, podemos falar com ele e ser ouvidos com a atenção que só um Pai como ele pode nos dar. Se houvesse uma sala, a porta estaria sempre aberta.
O texto de Hebreus 10:19-39, que servirá de base para este estudo, contém uma mensagem importante para o crente de hoje. É um convite para que nos aproximemos de Deus pelo novo e vivo caminho. O “rasgar” do véu que separava o Santo do Santíssimo, ocorrido por ocasião da morte de Jesus, tem um importante significado figurativo: Significa que, a partir de então, o acesso ao Santo dos Santos, ou seja, o acesso a Deus, mediante Jesus Cristo, estava franqueado a todos. Todavia, o autor de Hebreus dirige seu convite aos “irmãos” (v. 19). Somente as pessoas que se entregaram a Cristo, que foram transformadas por ele em seus “irmãos”, têm acesso a esta bênção. Entendamos, de forma mais clara, esta mensagem na carta.
A ordem é para entrarmos! O Pai aguarda por nós! O nosso texto começa dizendo: Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos. O convite está feito, cabe a nós a decisão de aceitá-lo. Este convite jamais seria aceito por um israelita, antes de Cristo. Jamais um adorador, sob a Antiga Aliança, teria a ousadia de tentar entrar no Santo dos Santos. O templo, onde se realizavam os sacrifícios, estava dividido em dois compartimentos: o Lugar Santo e o Santo dos santos. No Santo dos santos, só o sumo sacerdote podia entrar, uma vez por ano.
O espesso véu “que separava o santuário do lugar santíssimo era uma barreira entre o povo e Deus. Somente pela morte de Cristo é que esse véu foi rasgado (Mc 15:38) e foi aberto o acesso para o santuário celestial, onde Deus habita”. [1] O autor de Hebreus convida os seus leitores a entrar com “intrepidez”. O termo também poderia ser traduzido por “alegre confiança”.
Como foi dito antes, a nenhum adorador, na história do povo de Israel, era permitida a entrada no Santo dos santos. O acesso a esse lugar era permitido somente ao sumo sacerdote e apenas no dia da expiação, que ocorria uma vez por ano: no dia 10 do sétimo mês: O décimo dia deste sétimo mês é o Dia da Expiação (...) (Levítico 23:27) Então, poder fazer isso agora, devia ser motivo de muita alegria.
Desde a entrada do pecado no mundo, o acesso direto à presença de Deus foi dificultado aos humanos, fazendo-se necessária a figura de um intermediário para tornar possível o relacionamento entre eles e Deus. A princípio, foram os patriarcas que exerceram esse papel; depois, vieram os profetas e os sacerdotes. Estes últimos, por centenas de anos, foram os representantes dos homens diante de Deus, pois tomavam conhecimento das necessidades deles e as levavam a Deus, através dos sacrifícios que eram feitos anualmente pelos pecados do povo.
Quem foi o responsável por abrir essa porta? O autor de Hebreus diz que temos acesso a Deus, pelo sangue de Jesus. A nossa “permissão de entrar na presença de Deus não se deve ao sangue de animais, mas sim ao sangue que Cristo derramou”. [2] Nos sacrifícios que eram feitos no passado pelos sacerdotes, com o objetivo de obter o perdão dos pecados do povo, era indispensável a presença do sangue de animais. O sumo sacerdote, encarregado desse serviço, tinha de oferecer sacrifício pelo seu próprio pecado, antes de orar e interceder pelo povo. Hoje, não temos mais necessidade de sangue de animais, nem de mediação humana, nem de repetição do mesmo sacrifício, porque Jesus morreu por nós, abrindo-nos a porta e franqueando-nos a entrada até o trono do Pai.
No princípio, ainda no Éden, Deus demonstrou interesse em continuar mantendo boas relações com os seres humanos. E isto aconteceu por algum tempo. A Escritura afirma que, naquele tempo, Deus passeava pelo Jardim e conversava com o primeiro casal (Gn 3:20). Porém, o pecado interrompeu essas boas relações e, em consequência dele, os humanos se afastaram de Deus e passaram a necessitar de intermediários para se comunicarem com ele. Com a morte de Jesus, porém, o reencontro entre ambos se tornou possível: Mas agora em Cristo Jesus, vós, que dantes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto (Ef 2:13).
O autor de Hebreus também diz que temos um grande sacerdote sobre a casa de Deus (v. 21). É interessante que Jesus, como sumo sacerdote, é chamado de “grande”, “como é a obra que Cristo fez por nós, que resultou na comunhão com a Sua pessoa e na vida em sua presença, as quais são as mais preciosas de todas as bênçãos. Foram estas o alvo de Seu sofrimento e triunfo”. [3] Agora, qualquer um pode ir diretamente à presença dele, e sem medo, desde que utilize o caminho por ele indicado: Pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne (Hb 10:20). O caminho é novo porque não depende mais do sangue de animais e nem de intermediários humanos. É vivo porque tem vínculo com uma pessoa viva: Jesus. Ele é o próprio caminho, e está vivo. Temos acesso a Deus, quando andamos por este caminho, quando temos comunhão com Cristo.
Este privilégio exige de nós responsabilidade: Depois de exortar seus leitores a entrarem com ousadia no santuário do Senhor “pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou”, o escritor da carta aos Hebreus enumerou duas condições a atender e dois estados preliminares necessários, para se aproximar de Deus. Sobre as duas condições, a primeira é aproximar-se com coração sincero (v. 22a). Um coração assim é “fiel, em contraste com o árido e hipócrita. Deus sempre olha o coração e vê além das retenções e superficialidades. O coração sincero é honesto diante de Deus”. [4] Levando em conta tudo o que Cristo fez por nós, devemos nos aproximar de Deus sem fingimentos, sem intenções impuras em nosso interior.
A segunda condição é “em inteira certeza de fé” (v. 22b). O acesso à presença de Deus está reservado àqueles que têm fé, pois a mesma Escritura afirma: Mas o justo viverá da fé; e, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele (Hb 10:38); e ainda: De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe (Hb 11:6). Então, para se aproximar de Deus é preciso ter fé: fé na sua existência, na obra expiatória de Cristo, na obra do nosso sumo sacerdote diante de Deus. Não podemos ter “dúvidas ou erros quanto ao livre acesso a Deus que nos foi aberto através de Cristo como nosso Sacrifício e supremo Sumo Sacerdote”. [5]
Os estados preliminares necessários para nos aproximarmos de Deus são os seguintes: 1) “tendo os corações purificados da má consciência” (v. 22c), e 2) “o corpo lavado com água limpa”. Os verbos, “purificado” e “lavado” referem-se a acontecimentos passados. Eles, claramente, se referem a duas funções do antigo sacerdote: a aspersão com sangue e água (um gesto que o sacerdote executava para a purificação dos pecados) e a lavagem com água (os sacerdotes, em seu ministério diário, deveriam lavar-se na bacia, pois, para os judeus, a lavagem exterior era muito importante; a água era de uso comum em seus rituais de purificação). Jesus preparou tudo isso para todos nós. Esses dois itens estão relacionados à nossa regeneração. Somente os que nasceram de novo foram perdoados e purificados, podem e devem aproximar-se com coração sincero e plena certeza de fé. Jesus nos purificou dos nossos pecados. Estes são incentivos para nos aproximarmos de Deus.
Devemos adotar os seguintes critérios: Nos versículos 23-25, do capítulo 10 desta carta, o autor faz outras recomendações igualmente importantes: a) Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; b) e consideremo-nos uns aos outros; e c) não deixando a nossa congregação.

Vejamos cada uma delas:
a) “retenhamos firmes a confissão da nossa esperança”. Com base nestas palavras, Wiersbe entende que “os leitores desta carta estavam sendo tentados a abandonar sua profissão de fé em Jesus Cristo e voltar ao culto segundo a antiga aliança”. [6] Por isso, as palavras aí expressas têm o sentido de um apelo ao retorno daqueles que estavam querendo voltar atrás.
b) “(...) e consideremo-nos uns aos outros (...)”. A consideração mútua deve ser uma característica marcante na vida dos verdadeiros cristãos. A comunhão entre os fiéis seguidores de Cristo não deve e não pode ser interrompida sem prejuízo para toda a comunidade. O amor, a consideração e o respeito devem ser cultivados por todos, em todo tempo. A consideração a que se refere o versículo 24 do capítulo 10 desta carta é o estímulo de que cada um precisa para continuar praticando boas obras, pois, assim fazendo, cada um estará incentivando os demais a serem fiéis e obedientes.
c) “(...) não deixando a nossa congregação”. Estas palavras parecem ter sido dirigidas àqueles crentes que, por razões que desconhecemos, estavam desmotivados quanto ao dever de frequentar a igreja. A participação nos cultos é muito importante, porque favorece o crescimento espiritual do crente e fortalece os laços da amizade cristã e religiosa entre os fiéis. Para evitar que essa negligência continuasse acontecendo, a recomendação dada foi a seguinte: (...) antes admoestemo-nos uns aos outros; e tanto mais quanto vedes que se vai aproximando aquele Dia. O “Dia” se refere ao retorno glorioso de Cristo. Quanto mais este dia se aproxima, ajudemo-nos uns aos outros com palavras de ânimo.
APLICANDO A PALAVRA DE DEUS EM NOSSA VIDA
1. Entremos confiantes na presença do Pai - A oportunidade que nos foi dada por Deus de nos permitir chegar à sua presença, por meio da morte de seu Filho Jesus Cristo, constitui um privilégio que jamais poderemos esquecer. Hoje, ao contrário do que acontecia na Antiga Aliança, temos acesso ao trono do Pai, sem a intervenção de sangue de animais. O mais importante é saber que somos aceitos por ele. Por isso, sejamos suficientemente ousados, corajosos, seguros e confiantes, como nos recomenda a sua palavra, como está escrito em Hb 10:19. Por isso, conversemos com o nosso Pai. Em todo tempo, em todos os lugares.
2. Continuemos firmes na presença do Pai - A Palavra nos diz: Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança, porque fiel é o que prometeu (v.23). Firmeza é a qualidade de que mais estamos precisando nesses tempos difíceis que estamos vivendo. Estar firme é ser perseverante na fé e na obediência; é não vacilar e nem desistir da caminhada, mesmo que ela seja espinhosa e difícil; é procurar o auxílio divino, sempre que o nosso bem-estar espiritual seja ameaçado. Deus estará sempre pronto a nos atender, se nos aproximarmos dele com verdadeiro coração e inteira certeza de fé.
CONCLUSÃO
Neste estudo foi-nos mostrada a diferença entre os servos de Deus do passado e os do presente, no que diz respeito à oportunidade de acesso à presença de Deus. No passado, era o sangue dos animais sacrificados que possibilitava esse acesso, e o sacerdote, um homem tão imperfeito como qualquer de nós, era o intermediário nessa relação. Hoje, esse acesso nos é permitido, graças ao sacrifício de Jesus Cristo, que, feito uma única vez e de forma definitiva, foi suficiente para perdoar todos os nossos pecados. Sejamos gratos a Deus por essa providência.
Glórias a Deus!

Bibliografia:
1. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento 2. Santo André: Geográfica, 2006. Pág. 407
2. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento 2. Santo André: Geográfica, 2006. Pág. 407
3. WILEY, Orton H. A Excelência da nova aliança em Cristo: Comentário Exaustivo da Carta aos Hebreus. Rio de Janeiro: Central Gospel, 2008. Pág. 445-446
4. WILEY, Orton H. A Excelência da nova aliança em Cristo: Comentário Exaustivo da Carta aos Hebreus. Rio de Janeiro: Central Gospel, 2008. Pág. 446
5. ARRINGTON, French; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003. Pág. 1602
6. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento 2. Santo André: Geográfica, 2006. Pág. 408


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