quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Olhar para Jesus é também imitá-lo


Saiamos, pois, a ele, fora do arraial, levando seu vitupério (...). Por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome. (Hb 13:13,15)
Não é dentro do arraial, mas fora dele, que nos identificamos com Cristo (Hb 13:13). O nosso compromisso não se restringe a quatro paredes de um templo, mas se estende, também, à vida secular. O capítulo treze de Hebreus é uma lição de espiritualidade. Portanto, se você almeja ter uma espiritualidade sadia, leia este capítulo com atenção e não hesite em meditar profundamente nele. Ser um crente espiritual, segundo as Escrituras, é muito mais que estar na igreja, nos dias de culto, cantando, ofertando, pregando etc. É disso que trata este estudo.
O livro de Hebreus não poderia terminar de modo tão adequado. O autor trata, no capítulo treze, sobre a espiritualidade cristã. Ele dá a entender, propositadamente, que a verdadeira espiritualidade sempre será alicerçada na pessoa de Jesus. Caso contrário, ela não passará de ritualismo vazio. Era esse o caso de muitos daqueles irmãos para os quais a carta fora endereçada. Eles achavam que o que os tornava cristãos verdadeiramente espirituais eram as práticas dos rituais no templo. Mas estavam equivocados. O capítulo em questão mostra-nos que, para ser verdadeiramente espiritual, o cristão deve refletir algumas atitudes:
O cristão deve cultivar o amor: Sem amor, é impossível alcançar uma espiritualidade sadia. Nos dois primeiros versículos de Hebreus 13, aprendemos que o amor deve ser cultivado de duas maneiras. Em primeiro lugar, deve ser cultivado para com os de dentro. O texto diz: Seja constante o amor fraternal (v.1). Dentro da família de Deus, todos somos irmãos. Por isso, é desejo do Pai que seus filhos se lembrem dos encarcerados, como se presos com eles (v.3a). Naquela época, muitos crentes eram levados presos em razão de não abrirem mão de sua fé. Além disso, os “prisioneiros dependiam dos parentes e amigos para receber comida, roupas e ter outras necessidades atendidas”. [1] Logo, cabia ao cristão livre ajudar o encarcerado. Em segundo lugar, o amor deve ser cultivado para com os de fora. O v. 2 diz: Não negligencieis a hospitalidade. O amor cristão não pode se restringir àqueles que fazem parte do corpo, mas também aos de fora. Aqueles irmãos deveriam estender o amor de seu próprio círculo para todos os homens. Eles deveriam acolher os estranhos, isto é, mostram o amor de Cristo, ao abrir seus lares aos viajantes. As estalagens daquele tempo eram lugares inseguros. [2] É óbvio que a hospitalidade era praticada também para com os irmãos em Cristo que não tinham onde pousar, mas não deveria ser negligenciada para com os de fora, pois alguns, praticando-a, sem o saber acolheram anjos (v.2).
O cristão deve preservar a pureza: Além do cultivo do amor, é necessário, para se alcançar uma espiritualidade sadia, preservar a pureza. O v.4 não deixa a desejar em sua clareza: Que o casamento seja respeitado por todos, e que os maridos e as esposas sejam fiéis um ao outro. Deus julgará os imorais e os que cometem adultério (NTLH). A vida matrimonial de uma pessoa diz muita coisa de sua espiritualidade. Esta não pode progredir, se aquela não estiver bem. Por isso, o casamento deve ser levado a sério. Ele é uma instituição divina e deve ser mantido puro. De acordo com o texto, a pureza deve ser preservada, pelo menos, de duas formas. A primeira delas é evitando-se a infidelidade. O autor adverte as pessoas para que não quebrem os votos do casamento cometendo adultério. O casamento é sagrado, e a corrupção dele é um pecado. [3] A infidelidade conjugal é a causa do esfacelamento de muitas famílias. A segunda é evitando-se a fornicação. O texto observa que Deus julgará os imorais. Os termos “imorais” ou “impuros” derivam da palavra grega pornos, e significam entrega à relação sexual ilícita, fornicação. Para o mundo, “Sexo é diversão, não pecado. Mas aos olhos de Deus o sexo ilícito é um pecado que merece punição”. [4]
O cristão deve buscar o contentamento: Ser espiritual é, entre outras coisas, viver com contentamento. Não vivem assim os que se entregam à avareza, isto é, aqueles que se apegam ao dinheiro. Quem vive dessa maneira, está sempre insatisfeito e isso é pecado, pois contraria a advertência bíblica: Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes (v.5a). Os cristãos daquela época precisavam ouvir estas palavras, pois “os adeptos do judaísmo diziam continuamente: ‘Nós temos o tabernáculo. Nós temos o sacerdócio. Nós temos as ofertas. Nós temos o belo ritual. O que vocês têm?’”. [5] Mas os cristãos não deveriam deixar-se levar por tais afrontas. Isso porque eram portadores de promessas mais excelentes. Eles deveriam contentar-se com o maior tesouro que alguém pode ter: Cristo. Portanto, ainda hoje, é necessário cuidado para não nos envolvermos nos laços traiçoeiros do amor ao dinheiro, pois é a raiz de todas as espécies de males (1 Tm 6:10). Por amor ao dinheiro, muitos matam e morrem; ludibriam os incautos; pervertem valores e se apostatam do evangelho. Se quisermos estar em paz com Deus, fujamos dessas coisas, pois grande fonte de lucro é a piedade com contentamento (1 Tm 6:6).
O cristão deve permanecer submisso: Além de amoroso, puro e contente, o cristão deve ser, de acordo com o autor da carta, submisso. Submissão e espiritualidade sadia andam juntas. Não há meio termo. O versículo sete diz que é preciso lembrar os nossos pastores que antes nos ministraram a palavra e nos encorajavam a imitar a fé que eles tiveram. Mas a primeira parte do versículo 17 vai além: “Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles”. O sentido de sujeitar, nesse texto, é ceder, obedecer à autoridade ou à admoestação de alguém. Nesse caso, o texto se reporta à autoridade eclesiástica. Aqui, é importante questionarmos: Temos levado a sério essa advertência? Temos nos revestido de humildade, a ponto de nos submetermos à autoridade pastoral? Reflitamos. Além de terem sido comissionados por Deus, os pastores velam por vossa alma, como quem deve prestar contas (v.17). Não se pode ignorar a importância dessa tarefa. A ele, foi dada a incumbência de pregar a palavra e advertir-nos, por meio dela, dos nossos maus caminhos (Ez 3:17,18). Portanto, tenha em mente que o ato de submeter-se graciosamente, sem revolta, rabugice ou altivez, é a verdadeira marca da grandeza e também da vida cheia do Espírito (Ef 5.18-21).6
O cristão deve dispor-se à abnegação: Era fora do acampamento que os corpos dos animais utilizados em sacrifício, no Dia da Expiação, eram queimados (v.11). Foi, também, fora das portas de Jerusalém que o Cordeiro que tira o pecado do mundo, Cristo, foi crucificado (v.12). Sabendo disso, o que fazer? A resposta é clara e sem rodeios: Portanto, saiamos até ele, fora do acampamento, suportando a desonra que ele suportou (v.13 – NVI). O texto instiga cada cristão a focar-se em Jesus, a buscar a cruz de Cristo. Mas, para que isso aconteça, é necessário sair do acampamento, ou seja, abandonar os antigos rituais de culto que envolviam os sacrifícios de animais e os demais serviços do tabernáculo terreno. Sair ao encontro do Mestre, porém, tem um preço. É preciso suportar a desonra que ele suportou. Cristo, ao ser pendurado na cruz, estava sob a maldição de Deus (Dt 21.23). Logo “ir até alguém que carrega a maldição de Deus é compartilhar ‘desgraça que ele carrega’”. [7] Desse modo, escolher a Cristo significava, para aqueles irmãos, negar a si mesmos e estar dispostos a enfrentar perseguições, prisões, dores e morte. É hora de os filhos de Deus saírem do arraial, pois é fora dele que temos uma vida cristã mais prática. É fora das portas do templo que temos acesso aos presídios, aos hospitais, às favelas. É fora do arraial que obedecemos ao Ide de Jesus. É lá que estão as pessoas mais carentes de Cristo. Renunciemos a nós mesmos, a ponto de encontrarmos Jesus fora do arraial.
O cristão deve oferecer sempre louvor: O sacrifício que Deus aceita não consiste em se oferecer holocaustos, pois Cristo já os aboliu, de uma vez por todas, oferecendo-se em sacrifício (Hb 7:27). O sacrifício que ele almeja de seus adoradores é o sacrifício de louvor (13:15). Este deve ser oferecido a Deus de modo contínuo e agradecido. A Bíblia Viva traduz o versículo 15 de Hebreus 13 da seguinte maneira: Com o auxílio de Jesus, nós ofereceremos continuamente o nosso sacrifício de louvor a Deus, ao contar aos nossos a glória do seu nome. Quando testemunhamos de Deus, expressamos gratidão pelo que ele é e faz. O salmista dá a entender isso, quando exclama: Bendiga ao Senhor a minha alma! Não esqueça de nenhuma de suas bênçãos! (Sl 103:2 – NVI). Esse sacrifício de louvor deve ser contínuo e agradecido por um motivo muito simples: Sempre estaremos em dívida para com Deus, ou seja, sempre dependeremos dele a fim de não perecermos (Lm 3:22). Também não podemos esquecer que glorificamos a Deus por meio de nossa vida obediente (1 Co 10:31). Logo, engana-se quem pensa que o louvor ao Senhor está restrito a quatro paredes de um templo. Muitos pensam desse modo. Acham que é importante exaltar o nome de Deus no templo, mas ignoram a santificação fora deste. Isso é errado e nocivo à vida espiritual de qualquer pessoa. Entenda: louvor e santidade estão intimamente ligados um ao outro.
APLICANDO A PALAVRA DE DEUS EM NOSSA VIDA
1. Quando somos realmente espirituais acolhemos ao próximo.
A hospitalidade é uma virtude. O Espírito Santo fez questão de dar-lhe a devida atenção, no último capítulo de Hebreus: Não negligencieis a hospitalidade (Hb 13:2). O ato de acolher os viajantes em suas casas era uma prática um tanto necessária e uma prova de amor ao próximo. Conosco não deve ser diferente: precisamos acolher uns aos outros, isto é, receber o próximo com agrado, oferecer-lhe refúgio. Quantas pessoas chegam a nossa congregação e não lhes damos a devida atenção? Quantas pessoas precisam de um refúgio, de uma palavra amiga, de um abraço, e, muitas vezes, agimos com indiferença? Sejamos espirituais: ajamos de modo diferente, acolhendo o próximo.
2. Quando somos realmente espirituais adoramos a Deus.
Além de darmos a devida atenção ao próximo, precisamos atentar para a adoração a Deus, como está escrito: Por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome (Hb 13:15). Dos nossos lábios, devem sair expressões que exaltem o nome do Senhor. Por isso, tenhamos cuidado com as palavras que proferimos! Isso porque a adoração ao nosso Deus envolve uma vida santa dentro e fora do templo. Portanto, não hesitemos em declarar: Ninguém há semelhante a ti, ó Senhor; tu és grande, e grande é o poder do teu nome (Jr 10:6).
CONCLUSÃO
Olhar para Jesus é, também, imitá-lo. Por isso, é necessário que cultivemos o amor, preservemos a pureza, busquemos o contentamento, permaneçamos submissos e nos disponhamos à abnegação. Não ignoremos a importância de acolhermos o próximo e adorar a Deus. Que ele nos abençoe sempre e sempre. Amém.


Bibliografia:
1. KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento: Hebreus. São Paulo: Cultura Cristã, 2003. Pág. 572
2. KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento: Hebreus. São Paulo: Cultura Cristã, 2003. Pág. 571.
3. KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento: Hebreus. São Paulo: Cultura Cristã, 2003. Pág. 573.
4. Bengel apud KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento: Hebreus. São Paulo: Cultura Cristã, 2003. Pág. 573
5. MACDONALD, William. Comentário bíblico popular: Novo Testamento. São Paulo: Mundo Cristão, 2008. Pág. 871
6. TAYLOR, Richard S. (et al). Comentário Bíblico Beacon: Hebreus a Apocalipse. Vol. 10. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. Pág. 130
7. KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento: Hebreus. São Paulo: Cultura Cristã, 2003. Pág. 590

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