quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Redes (quase) Sociais

Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer. Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda. Isto vos mando: Que vos ameis uns aos outros. (João 15:13-17)

Por Andrei C. S. Soares

Imagine que seus pais são muito bons para você. Ou se não for o seu caso, pense nos seus irmãos e irmãs, com eles você conversa e confia. Ou se ainda não for o seu caso, na igreja ou na escola, e possa ser que no seu trabalho, você tem alguém em quem confiar. Agora, imagine junto comigo uma cena. Quando uma dessas pessoas está em sua casa e vocês estão conversando. Você passa por momentos difíceis, momentos em que gostaria de falar, mas não acha que é o momento certo. Aí, por um momento você sai do local em que estava conversando com uma dessas pessoas e acessa alguma rede social (Orkut, Facebook, Twitter e etc.), e percebe que o papo flui, assim como um rio corre para o mar.

De repente, se lembra de que já fazem alguns minutos que ficou na rede e deixou seu amigo “boiando”. Aí, fica com status de ocupado ou ausente, e volta para encerrar o papo com quem “realmente” estava ao seu lado. Parece um relato meio sem graça, sem sentido, porém muito mais sem sentido é ter “amigos” nas redes sociais e em alguns momentos da vida perceber-se sem ninguém “ao vivo” a quem recorrer.

Isso se dá, porque às vezes passamos tanto tempo na Internet e que, quando voltamos para realidade, parece que todos se foram. Considero que é frustrante valorizar mais “amizades” virtuais do que gente perto da gente. O verdadeiro contato acontece quando tocamos o outro (no melhor sentido da palavra), quando há o “ao vivo”, o corpo presente. Sinceramente, por mais verdadeiro que seja os “beijos” e “abraços”, no final dos recados, nada substitui o abraço real ou o beijo real. E se por acaso esse texto te incomoda, isso pode ser um sinal que você precisa voltar pra realidade.

Fiquei pensativo um dia desses, quando vi uma imagem no Facebook. Era uma imagem muito engraçada. Um velório que tinha quatro pessoas, e um dos presentes fez um questionamento: “ele tinha dois mil amigos no Facebook, pensava que teriam mais pessoais aqui”. Essa imagem me chamou a atenção e me fez pensar bastante sobre os “amigos” que tenho nas redes sociais.

Faça um teste: “Dos amigos que você tem nas redes sociais, pense em quantos, você já teve um contato real. Pelo menos, quantos deles, você já pelo menos falou um oi “ao vivo”? Pense se fosse para você fazer uma seleção, quantos destes restariam?”. Esse texto é um questionamento que estou fazendo a mim mesmo. Isso é fruto de uma conversa que tive com uma amiga e de nossa “indignação” de quão “irreais” às vezes parecemos.

Se tivermos que imitar a Deus, e o temos, precisamos ser mais reais! Deus não se limitou ao céu, ao contrario, visto ser isso impossível, sempre se relacionou com a criação. No Gênesis, a Santa Escritura diz que “(...) o homem e a mulher ouviram a voz do SENHOR Deus, que estava passeando pelo jardim.” (Gn 3.8 NTLH). Outro texto interessante é quando Abraão recebe a visita de três homens (veja a história completa em Gênesis 18). Os convida para ficar com ele, prepara-lhes alimentos e recebe as palavras que vieram trazer-lhe e “então, dois dos visitantes saíram, indo na direção de Sodoma; porém Abraão ficou ali com Deus, o SENHOR.” (Gn 18.22).

Se ainda lermos outros casos na Bíblia, em Mateus 1.23, Jesus chega mais perto ainda, pois “a virgem ficará grávida e terá um filho que receberá o nome de Emanuel.’ (Emanuel quer dizer “Deus está conosco”.)” (NTLH). Através da encarnação de Cristo esse contato com Deus é ainda mais aproximado “Por isso, irmãos, por causa da morte de Jesus na cruz nós temos completa liberdade de entrar no Lugar Santíssimo [presença de Deus].” (Hebreus 10.19 NTLH). Agora, Deus transferiu-se de vez para estar com os que se entregaram a Cristo através do Espírito Santo, ou “não sabeis vós que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1Co 3.16).

Veja que tanto no Antigo como no Novo Testamento, Deus sempre teve um contato real com as pessoas. Deus é um ser pessoal, no sentido de comunicação, com o qual podemos e devemos nos relacionar. Se Deus que mesmo sendo grandioso se importou a tal ponto de se compartilhar conosco, devemos nós não ficar “ilhados” na virtualidade dos nossos dias, mas compartilhar de vida, no “boca a boca” do dia a dia. Sem exageros, sem achar que não se deve usar mais usar internet (eu a uso), entretanto, voltemos mais a realidades de nossa vida.

Na Trindade.


Fonte: Sou da Promessa compartilhado no PCamaral

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