domingo, 9 de setembro de 2012

Jesus Cristo O Nosso Poderoso Sumo Sacerdote

Portanto, fiquemos firmes na fé que anunciamos, pois temos um Grande Sacerdote poderoso, Jesus, o Filho de Deus, o qual entrou na própria presença de Deus. (Hb 4:14 – NTLH)

Quando o povo de Israel se organizou como nação, depois da aliança no Sinai, surgiu a necessidade de existir um corpo sacerdotal: ministros devidamente autorizados por Deus, para servirem como mediadores entre os homens e ele. Na ocasião, Arão e seus filhos foram designados para este ofício (Êx 28:1), que ficou restrito a ele e aos seus descendentes, no decorrer da história.
Havia distinções no corpo sacerdotal. O sumo sacerdote era o chefe dos sacerdotes, o representante maior da nação judaica perante Deus (Hb 5:1). Arão foi o primeiro sumo sacerdote. O trecho da carta aos Hebreus, que abordaremos neste estudo, nos mostrará que Jesus é superior a Arão e a todos os seus descendentes, como sumo sacerdote. Ele é o grande sumo sacerdote (Hb 4:14).
Já sabemos que um dos temas centrais da carta aos Hebreus é o sacerdócio de Cristo, “o que ele faz no céu hoje em favor do seu povo”. [1] Sabemos, também, que a carta aos Hebreus foi escrita para cristãos que enfrentavam a tentação de voltar ao judaísmo; afinal, ser cristão significava correr riscos, ao passo que ser judeu, não. Diante disso, o autor de Hebreus apresenta o grande sumo sacerdote que adentrou os céus, Jesus, o Filho de Deus (Hb 4:14), como alguém em quem eles deviam se apegar. O adjetivo “grande” evidencia o quanto Jesus é singular, quando comparado aos demais sumo sacerdotes que existiram. Entendamos os porquês:
1. Sua compaixão: Como sumo sacerdote, Jesus foi superior em compaixão, quando comparado aos demais. Em Hebreus, lemos: ... não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas (Hb 4:15). O termo “fraquezas” diz respeito a qualquer área de vulnerabilidade, própria dos seres humanos. O nosso grande sumo sacerdote, Jesus, “sofre junto conosco” – uma possível substituição para “compadecer-se” – em nossas fraquezas. Aliás, como o capítulo 5 de Hebreus irá mostrar, todo sumo sacerdote precisava ser capaz de compadecer-se das falhas daqueles que pecavam (Hb 5:2). Deveria ser uma pessoa que se identificava com o povo; era solidária com as suas fraquezas, lutas e ignorâncias. Neste sentido, tanto Jesus quanto os sumo sacerdotes da linhagem de Arão estavam capacitados, isto é, tinham condições de condoer-se dos pecadores.
A diferença entre Jesus e os demais sumo sacerdotes torna-se evidente na continuação do versículo. Sobre estes últimos é dito: ... pois ele também estava rodeado das mesmas tentações (Hb 5:2, BV). Os sumo sacerdotes araônicos se condoíam dos fracos, mas também eram fracos. A NTLH chega a traduzir assim este versículo: Como ele próprio tem suas fraquezas. Então, ele “podia condoer-se dos pecadores, mas também necessitava de quem se condoesse dele”. [2] Os sumo sacerdotes não eram a solução, mas parte do problema. Sobre Jesus, entretanto, é dito: ... como nós, passou por todo o tipo de tentação, porém, sem pecado (Hb 4:15).
Há uma clara distinção entre a fraqueza dos sacerdotes araônicos e a força de Jesus. Este “nunca foi ignorante, nem errou, mas tem perfeita compreensão daqueles que são assim”. [3]
É importante lembrarmos que a tentação, em si, não é pecado. Pecado é ceder à tentação. Na oração do Pai nosso fomos ensinados, por Jesus, a orar para que Deus não nos deixe cair em tentação (Mt 6:13), ou seja, não nos foi prometido não enfrentá-la, mas enfrentá-la com a ajuda divina. Jesus enfrentou tentações reais e decidiu, conscientemente, em todas elas, não ceder. É por isso que ele é a pessoa mais capacitada para nos ajudar e se compadecer de nós. Ele, mais do que qualquer outro, conhece a plena intensidade da tentação, “porque somente Ele jamais cedeu”. [4] Sua mente percebe com muito mais clareza as formas de tentação a que nós, que temos fraquezas, somos expostos. Por isso, é capaz de socorrer todos aqueles que semelhantemente estão sendo atacados pela tentação (Hb 2:18, KJV). Nenhum sumo sacerdote tinha tal capacidade.
2. Sua ordenação: Homem nenhum assumia a honra de servir como sumo sacerdote sem ser chamado por Deus. [5] Quem chamou Arão e seus filhos para servirem como sacerdotes foi o próprio Deus (Êx 28:1; Nm 3:10). O autor de Hebreus diz que ninguém pode tomar esta honra para si mesmo, mas deve ser chamado por Deus, como de fato o foi Arão (5:4, NVI). O nosso grande sumo Sacerdote, Jesus, também não tomou para si a glória desta função, mas foi chamado por Deus (Hb 5:5-6). Todavia, houve uma diferença no chamado de Jesus para tal função, quando comparamos com o dos sumo sacerdotes da época. Jesus não era da linhagem de Arão, e não fazia parte da tribo de Levi. Um dos pré-requisitos para ser sacerdote era fazer parte desta linhagem e pertencer a esta tribo. Se não pudesse ser comprovada a genealogia, era impossível para alguém ser aceito como sacerdote.
Jesus era da tribo de Judá, e Moisés não disse nada sobre sacerdotes desta tribo (Hb 7:14). Sobre sua ordem sacerdotal, o autor de Hebreus afirma: ... designado por Deus sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque (Hb 5:6). Jesus, então, era da ordem de Melquisedeque. Sabemos muito pouco sobre ele. No Antigo Testamento, temos apenas duas menções sobre este (cf. Gn 14:18; Sl 110:4). Contudo, era uma pessoa real, não um nome fictício. Ele, de fato, existiu. É chamado de rei de “Salém” (Gn 14:18; Hb 7:1), cidade que, mais tarde, passou a ser chamada de “Jerusalém” (Sl 76:2). Ele trouxe pão e vinho a Abrão, quando este voltava de uma batalha, e o abençoou, pois era sacerdote do Deus altíssimo, isto é, do Deus de Abraão. Embora não “fosse um israelita, e estava deste modo fora do centro da história redentora, conheceu a Deus por revelação e foi nomeado por Deus como sacerdote”. [6]
O autor de Hebreus menciona Melquisedeque como alguém sem pai, sem mãe (7:3), não por não ter pai e mãe, ou por ser de origem celestial, mas por não saber os nomes, visto não ter ele genealogia conhecida. Além disso, nada é dito também sobre ele ter tido um sucessor. Contudo, o Salmo 110:4 afirma que o Messias seria sacerdote segundo a sua ordem. Nosso grande sumo Sacerdote, Jesus, tinha uma linhagem sumo sacerdotal especial. O autor de Hebreus sugere, mesmo que de forma sutil, que o sacerdócio de Melquisedeque deve ser preferível ao de Levi, quando argumenta que aquele já existia muito tempo antes deste (Hb 7:10). Ele chega a dizer que, em razão de ter abençoado Abrão, bisavô de Levi, de onde sairiam os sacerdotes levíticos, Melquisedeque é superior a estes.
3. Sua perpetuidade: Em Hebreus 7:3, o autor da carta faz uma afirmação importante sobre Melquisedeque: ... sem princípio de dias nem fim de vida, feito semelhante ao Filho de Deus (NVI). O que significa a afirmação “nem fim de vida”? Será que o autor de Hebreus está sugerindo que ele não morreu? É óbvio que não. Embora a Bíblia não mencione sua morte, é muito natural a presumirmos. O que permanecia vivo, então, não era Melquisedeque, mas o seu sacerdócio: ... permanece para sempre (v.3). Conforme já dissemos, ele não teve sucessores, pelo menos não conhecidos. A razão de o seu sacerdócio permanecer para sempre também é simples: ele foi feito semelhante ao Filho de Deus (v.3), isto em termos de descrição e significação simbólica, e não por ser uma manifestação do Cristo pré-encarnado, como querem sugerir alguns.
Melquisedeque era semelhante ao Filho de Deus no que diz respeito ao sacerdócio. Daí porque este sacerdócio permanece para sempre. Cristo é a imagem “original, nele persiste desde a eternidade a verdadeira ordem sacerdotal, Melquisedeque é a réplica, que por sua vez aponta para o cumprimento pleno de todo sacerdócio em Cristo”. [7] Desta forma, podemos dizer, como Laubach [8], que Melquisedeque é o personagem terreno precoce do sacerdócio eterno de Jesus. Ele apontou, tempos antes, o que Jesus seria no futuro. O sacerdócio de Melquisedeque é precedente histórico para um tipo de sacerdócio separado da linhagem de Arão, livre da linha de descendência. Jesus se tornou sacerdote não por regras relativas à linhagem (Hb 7:16), e é, por isso, sacerdote para sempre (7:17).
Os sacerdotes começavam a servir como tal com 30 anos, e, geralmente, serviam até os 50 anos. O tempo de “serviço para um sacerdote podia ser de vinte a trinta anos, mas o fim viria. (...) O período do ofício deles é limitado”. [9] O autor de Hebreus diz que houve muitos sacerdotes da linhagem de Arão, pois a morte os impede de continuar em seus ofícios por muito tempo (Hb 7:23), mas visto que vive para sempre, Jesus tem um sacerdócio permanente (Hb 7:24). O cristianismo não tem a figura do sumo sacerdote, como no judaísmo. Nosso sumo sacerdote é Jesus. Ele nunca mais delegou este ofício a outra pessoa. Era de um sumo sacerdote assim que precisávamos! Ele intercede por nós constantemente e é capaz de salvar a todos que se aproximam dele (Hb 7:25).
4. Sua eficácia: Durante toda a sua vida terrena, Jesus submeteu-se, em tudo, à vontade do Pai. Ele recebeu aprovação do que fez aqui, por causa do seu intenso desejo de obedecer a Deus em todos os momentos (Hb 5:7 – NBV). Este intenso desejo por obedecer levou-o a realizar eficazmente a tarefa que tinha de realizar. Aliás, é isso que quer dizer o versículo 9, que afirma que Jesus foi “aperfeiçoado” (Hb 5). Afinal, como aperfeiçoar alguém que era, é e sempre será perfeito? O que aconteceu foi que a perfeição de Jesus foi testada durante toda a sua vida terrena, através de todo sofrimento pelo qual foi submetido, e, mesmo assim, ele se manteve santo, inocente e imaculado (Hb 7:26), cumprindo sua tarefa, oferecendo-se. Jesus, como sumo sacerdote, não oferece sacrifícios diários de animais em favor do pecado, como faziam os antigos sacerdotes: Ele o fez de uma vez por todas quando ofereceu a si mesmo (Hb 7:27).
Toda a caminhada terrena de Jesus foi uma trajetória rumo ao sacrifício. Daí, por tudo que fez, tornou-se a fonte da salvação eterna para todos os que lhe obedecem (Hb 5:9). Além disso, foi proclamado sumo sacerdote por Deus (Hb 5:10). Veja que interessante: nosso sumo sacerdote é fonte da nossa salvação e não “mera coberta do pecado (como sacrifício do sumo sacerdote arâmico)”. [10] Nosso grande sumo sacerdote, Jesus, resolveu definitivamente o problema dos seres humanos com Deus. Seu serviço sacerdotal é realmente eficaz, e não provisório. Ele pode salvar, de fato, os que, por meio dele, se achegam a Deus. Aliás, só ele pode fazer isso. Ninguém mais!
A grande prova de que a obra redentora de Jesus foi consumada e confirmada é a informação que temos de que ele entrou nos céus (Hb 4:14). Temos um sumo sacerdote que se assentou à direita da Majestade nos céus (Hb 8:1), e, de lá, intercede por nós, continuamente. Os sacerdotes da linhagem de Arão entravam no santuário interior do templo uma vez por ano, e permaneciam pouco tempo ali. Nosso sumo sacerdote, Jesus, entrou nos céus, na própria presença de Deus. Nenhum “impedimento atrapalha Sua passagem”. [11] Não há nada entre nosso sumo sacerdote e a presença de Deus. Que privilégio ter alguém assim para interceder por nós! A intenção do autor ao tratar do tema do sumo sacerdócio de Cristo não é teórica, mas prática.
Aplicando a Palavra de Deus em nossa vida:
Devemos conservar com firmeza nossa confissão de fé - O primeiro aspecto prático de que o autor de Hebreus trata é a confissão pública de fé. Já que temos este grande sumo sacerdote, cabe a nós nos posicionarmos ao lado dele sempre: … mantenhamos com firmeza a nossa declaração pública de fé (Hb 4:14). Aqui, a ideia de “manter” é “agarrar”. Agarrar o quê? Nossa confissão de fé. Os primeiros leitores desta carta haviam abraçado a fé em Jesus, mas, diante das perseguições, estavam pensando em abandoná-lo. Por isso, o autor lembra-lhes que a salvação só é encontrada em Cristo, que intercede por aqueles que o receberam e o têm como sumo sacerdote. Não deixe que as pressões o afastem do Senhor Jesus Cristo! Nos momentos difíceis, lembre-se de que você tem um intercessor e posicione-se sempre ao lado dele. Não abandone a sua confissão.
Devemos nos aproximar com confiança do trono da graça - Veja que incentivo glorioso faz o autor de Hebreus: … aproximemo-nos com confiança do trono da graça para que recebamos misericórdia e encontremos graça, a fim de sermos socorridos em momento oportuno (Hb 4:16). Uma vez que Jesus nos abriu o caminho rumo a Deus e desenvolve seu ofício sumo sacerdotal à direita da Majestade, nas alturas, somos convidados a trilhar este caminho. Somos convidados a nos achegar a Deus, em oração com confiança. Uma das características do trono de Deus, aonde somos convidados a ir, é que é um lugar de graça, isto é, um lugar onde o favor de Deus é distribuído. Se formos até esse trono, receberemos misericórdia e graça, e seremos socorridos na hora certa. Essa palavra fazia muito sentido para os leitores da carta aos Hebreus, diante das lutas que enfrentavam, e faz para nós, também. A ação mediadora do nosso sumo sacerdote permite-nos chegar a Deus. A todos os filhos de Deus, está aberto o caminho até o seu trono, de onde jorra a sua graça.
CONCLUSÃO
Lembre-se sempre: Jesus é o nosso grande sumo sacerdote. Você tem alguém para representá-lo nas coisas relativas a Deus; alguém que ofereceu a si próprio como sacrifício por você, para garantir-lhe o direito de ser perdoado definitivamente. Ele foi designado por Deus para esta função, ou seja, não se autonomeou sumo sacerdote. É de uma compaixão singular e faz parte de uma ordem sacerdotal superior (a de Melquisedeque). Será para sempre nosso sumo sacerdote. Como é encorajador saber estas coisas! Diante disso, conservemos firmes nossa confissão de fé e aproximemo-nos sempre do trono da graça de Deus.
Que Deus nos ajude sempre!

Bibliografia:

1. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento 2. Santo André: Geográfica, 2006. PÁG. 374
2. HENRICHSEN, Walter A. Depois do Sacrifício: Estudo Prático da Carta aos Hebreus. São Paulo: Vida, 1985. Pág. 55
3. GUTHRIE, Donald. Hebreus: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1983. Pág.119
4. ARRINGTON, French; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003. Pág. 1568
5. HENRICHSEN, Walter A. Depois do Sacrifício: Estudo Prático da Carta aos Hebreus. São Paulo: Vida, 1985. Pág. 55
6. ARRINGTON, French; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003. Pág. 1579
7. LAUBACH, Fritz. Carta aos Hebreus: Comentário Esperança. Curitiba: Esperança, 2000. Pág. 117
8. LAUBACH, Fritz. Carta aos Hebreus: Comentário Esperança. Curitiba: Esperança, 2000. Pág. 117
9. KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento: Hebreus. São Paulo: Cultura Cristã, 2003. Pág. 269
10. UNGER, Merril Frederick. Manual Bíblico Unger. São Paulo: Vida Nova, 2006. Pág. 613
11. GUTHRIE, Donald. Hebreus: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1983. Pág. 114

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