quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Não tire seus olhos de Jesus Cristo!!!

Portanto, também nós, rodeados de tão grande nuvem de testemunhas, depois de eliminar tudo o que nos impede de prosseguir e o pecado que nos assedia, corramos com perseverança a corrida que nos está proposta, fixando os olhos em Jesus. (Hb 12:1-2b – AS21)

 “Lembrai-vos dos primeiros dias” é o incentivo do autor de Hebreus aos cristãos judeus hesitantes, que estavam pensando em retroceder ao judaísmo (Hb 10:31-34). Nesse trecho de sua carta, ele mostra o quanto eles sofreram quando receberam a Cristo como Senhor; foi um grande desafio de sofrimentos (v. 32). Ora foram humilhados; ora, maltratados. Ora foram presos; ora tiveram bens confiscados. Não fazia nenhum sentido retroceder agora, depois de tudo o que já haviam passado por Cristo. Por isso, demonstrando percepção de um bom pastor, o escritor dirige-se a estes crentes e os exorta a permanecerem firmes (Hb 10:35-36).

A responsabilidade dos crentes frente à superioridade de Jesus.

Com o objetivo de facilitar a compreensão da mensagem por parte de seus leitores, o escritor da Carta aos Hebreus, no capítulo 12, utiliza figuras bem conhecidas em seus dias. Seus contemporâneos haviam desenvolvido interesse especial pelos esportes [1] e os cristãos do primeiro século conheciam bem essa realidade. Ele utiliza a figura da arquibancada com os espectadores, da arena com os atletas, da competição, da vestimenta do competidor, do preparo do atleta para competir bem, da necessidade de observar a pista da corrida.
Santificação, foco, disciplina e responsabilidade corporativa serão analisadas a seguir.

Devemos buscar  a santificação: Para Deus, a santificação de seus filhos é questão prática e é demonstrada na maneira como se relacionam com o próximo – amigos, vizinhos, cônjuge, filhos, pais e, inclusive, inimigos (Hb 12:14); como administram seus negócios, suas finanças, seus bens, e, ainda, como se relacionam com ele, inclusive nos momentos difíceis. Paz e santificação caminham de mãos dadas e precisam ser vistas no dia a dia do crente. O cristão se diferencia dos não cristãos por seu comportamento, seus pensamentos e suas atitudes.
Sobre a busca pela santificação, o autor da Carta aos Hebreus diz: ... desembaracemo-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia (Hb 12:1). Observe que são usadas as palavras peso e pecado. A primeira palavra (peso) refere-se a tudo que tornaria o atleta mais lento na corrida – a túnica, que era comprida e não permitia passos largos, os calçados inapropriados. O atleta deveria por de lado, rejeitar, abandonar, desprezar o peso extra para correr bem. A vestimenta do corredor de longa distância é camiseta, shorts e tênis, e pesa menos de meio quilo. [2] Peso pode não ser pecaminoso, mas, se tornar o cristão lento na corrida, torna-se pecado.
Já a palavra pecado tem sentido mais amplo. Todo tipo de pecado precisa ser eliminado na vida do crente. Cada pessoa tem seu ponto fraco e é exatamente nesse aspecto que precisa vigiar mais. Qualquer um pode, em determinado momento, ser surpreendido em alguma falta, mas existem aquelas situações constantes. O ponto fraco de alguns pode ser o dinheiro; de outros, o poder, o sexo ilícito, e a lista não para por aqui. Cada um precisa conhecer-se e seguir a recomendação de Jesus para vencer seus pontos fracos (Mt 26:41).
Precisamos olhar para Jesus Cristo: Ninguém vence na vida, se não tiver foco. Quando aqueles crentes estavam enfrentando a tentação de se desconcentrar e perder o foco, com o risco de abandonar sua fé, o autor da carta de Hebreus, incentiva-os a manter o foco na posição certa: ... olhando firmemente para o autor e consumador da fé, Jesus. Essa afirmação sugere desviar os olhos de pessoas ou coisas e olhar exclusivamente para Jesus. Diz respeito à impossibilidade de olhar em duas direções simultaneamente. [3] Trata-se de olhar para Jesus sem distração nenhuma. Então, todas as demais coisas se tornam secundárias. [4]
Jesus é o autor e consumador da fé. A salvação está em Cristo. Ele é o agente, o promotor da salvação (Hb 2:10). A palavra grega teleiontes, traduzida por “aperfeiçoador”, refere-se a alguém que leva alguma coisa até o seu fim. A informação clara, neste texto, é que Jesus quer que o crente permaneça firme, e se manterá ao lado dele, até o fim, para que este objetivo seja alcançado. Jesus nunca desiste dos seus (Jo 17:12). Com relação a isso, Paulo apresenta a seguinte certeza: ... aquele começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo (Fp 1:6).
Em determinados momentos, é possível ceder, como Elias, ao pensamento de estar sozinho (1 Rs 19:9-10). É preciso manter a consciência de que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas (Hb 12:1). São os heróis da fé que estão presentes, através de seu testemunho (Hb 11), e, acima de tudo, Cristo, que está sempre com os seus. O autor e consumador da fé, através da sua palavra, garante a todo crente a ininterrupta assistência divina na corrida que lhe está proposta. Contemplar, pela fé, a Jesus, na posição elevada em que está, traz segurança ao coração e certeza de sua presença constante (Mt 28:20).
Devemos aceitar a disciplina: Deus corrige seus filhos. Aceitar a correção é não tentar fugir dela; é permitir que a disciplina do Senhor realize a correção necessária; é cair de joelhos perante Deus e, assim, aprender as lições que ele preparou para o crescimento do crente (Rm 8:28-29). A disciplina para os filhos pode parecer contraditória, até que se perceba que não é extensiva aos que não são de Deus (Hb 12:8). É importante ter em mente o propósito final da disciplina: levar o crente a participar da santidade divina (Hb 12:10).
Ao citar Provérbios 3:11-12, o escritor sagrado está comunicando aos seus leitores que Deus se dirige aos seus filhos por intermédio de sua palavra, orientando e incentivando-os. O crente é filho de Deus e precisa viver como tal, sentir que a mão de Deus está agindo em sua vida, mesmo na adversidade e saber que as adversidades podem ser instrumentos divinos para seu crescimento espiritual (Jó 2:10). Assim, o crente não se sentirá desencorajado ante a adversidade, mas ficará firme, por saber que Deus é seu pai e está agindo para o seu bem.
É difícil aceitar a disciplina, enquanto ela está acontecendo (Hb 12:11). Quando, na hora do almoço, o pai não permite que o filho coma somente doce, mas lhe dá alimento saudável, está sendo responsável e amoroso; está pensando no futuro do filho, pois a disciplina, dentro de seus limites, pode parecer ruim, na infância, mas produz bons resultados na vida adulta. Através de diferentes situações, Deus limita seus filhos, impedindo que façam o que não deveriam ou que não façam o que deveriam. Ele é pai amoroso e pensa em seu futuro.
Precisamos exercitar o companheirismo: A recomendação registrada em Hebreus 12:13 é novamente um empréstimo tomado do mundo esportivo. O autor está se expressando como um treinador de um time esportivo, [5] e usa dito familiar aos seus leitores e ao mundo dos esportes da época. [6] Os corredores precisam de encorajamento durante a corrida, que, às vezes, é desgastante. Esse encorajamento é expresso no dito proverbial: “Firmai as mãos cansadas e os joelhos vacilantes”. Ele ainda diz mais: Endireitem os caminhos para os vossos pés. Era comum o atleta observar a pista da corrida, antes de a iniciar, para perceber possíveis deficiências, para evitar quedas, machucados e a sua desqualificação. Por isso, os caminhos deveriam ser nivelados. Ao fazer isso, os atletas mais preparados estavam fazendo um trabalho importante. Nem todos os competidores têm a mesma condição física. Desta maneira, até os corredores menos preparados, que, no texto, são chamados de “coxos ou mancos”, poderiam completar a corrida.
A mensagem aqui transmitida é sobre a necessidade, a obrigação e a responsabilidade corporativa que os crentes têm (Hb 3:13; 4:1; 6:11). Noutras palavras, “as decisões corretas que forem tomadas pelos fortes beneficiarão os fracos, e assim todos poderão completar juntos a carreira, sem que alguns se desviem”. [7] Entre os cristãos hebreus, havia vacilantes, que estavam em dúvida entre o cristianismo e o judaísmo. [8] O apelo, então, era em favor do fraco e do desanimado, que estavam manquejando na fé. O corpo de Cristo é formado de muitas partes (1 Co 12:12-27) e todas formam uma unidade, sendo que nenhuma parte existe por si mesma, mas cada uma é responsável pelo todo e a totalidade do corpo é responsável por cada parte individualmente (Rm 15:1). [9] O membro do corpo de Cristo tem a tarefa de cuidar do outro em questões espirituais, de maneira que a ninguém seja permitido extraviar-se, sem que receba orientação e seja animado a permanecer na fé.
Não deve haver indiferença, como a que Caim demonstrou (Gn 4:9). É preciso trabalho árduo para remover as pedras e tornar o caminho reto. Quando o cristão segue pelo caminho errado ou quando acrescenta dificuldades ao caminho, torna-se mau exemplo para os que virão depois. O crente deve ter em vista não apenas a própria sobrevivência, mas também o fato de que outros seguirão pelo mesmo caminho. Portanto, a orientação é também no sentido de que se deve fazer o melhor para que os outros, que virão em seguida, não sejam prejudicados, e os menos qualificados, ao invés de caírem, se fortaleçam e sigam os exemplos de seus antecessores, que fizeram o melhor, aplanando o caminho para facilitar-lhes a caminhada.
APLICANDO A PALAVRA DE DEUS EM NOSSA VIDA
1. Olhar para Jesus é não ir pelos atalhos mas andar no caminho que Ele mostrou para nós - Somos chamados e orientados para a corrida; precisamos saber que não temos a opção de escolher como correr. A Bíblia nos aponta a corrida que nos está proposta (Hb 12:1). Corra a corrida que Deus lhe propõe, sabendo que cada um tem sua própria pista com seus obstáculos. Muitos estão fora tentando imaginar como seriam felizes, se estivessem no lugar de outro, e, com isso, perdem tempo e desperdiçam energia. Deus não errou, ao lhe propor a sua corrida. Reclamar é o mesmo que dizer a Deus que ele errou. Pare de reclamar. Volte para a corrida e não tire os olhos de Jesus.
2. Olhar para Jesus é também perceber e ajudar o próximo - Nenhum crente é autossuficiente, no processo de santificação e no relacionamento com Deus. Todos precisamos de ajuda e todos podemos ajudar. Essa é a dinâmica do corpo de Cristo. Irmãos na fé podem estar em dificuldade, assolados por problemas familiares, financeiros e outros que também afetam a vida espiritual. Alguns se enfraqueceram e estão a ponto de se afastar da fé. A indiferença faz com que não tenhamos nenhuma percepção da necessidade destas pessoas. Palavras de encorajamento, citações de textos bíblicos, orações são formas de ajudar.
CONCLUSÃO
O capítulo 12 da Carta aos Hebreus é um estímulo à perseverança. A santificação é um processo que requer tal virtude. Muitos são os obstáculos, e o crente precisa manter os olhos fitos em Cristo, que é o grande exemplo. Por causa da alegria que viria depois, ele suportou injúrias e sofrimentos. A disciplina divina nunca é perda de tempo. É uma ajuda no amadurecimento do crente, para que, depois de passadas todas essas coisas, este possa contemplar o Senhor em sua perfeição.
A responsabilidade do crente é ficar firme e crer que a capacitação para vencer vem de Deus.
Que Deus nos abençoe!

Bibliografia

1. KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento: Hebreus. São Paulo: Cultura Cristã, 2003. Pág. 512
2. KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento: Hebreus. São Paulo: Cultura Cristã, 2003. Pág. 519
3. GUTHRIE, Donald. Hebreus: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1983. Pág.234
4. KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento: Hebreus. São Paulo: Cultura Cristã, 2003. Pág. 520
5. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento 2. Santo André: Geográfica, 2006. Pág. 420
6. KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento: Hebreus. São Paulo: Cultura Cristã, 2003. Pág. 536
7. ARRINGTON, French; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003. Pág. 1634
8. WILEY, Orton H. A Excelência da nova aliança em Cristo: Comentário Exaustivo da Carta aos Hebreus. Rio de Janeiro: Central Gospel, 2008. Pág. 517
9. KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento: Hebreus. São Paulo: Cultura Cristã, 2003. Pág. 537


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