terça-feira, 4 de setembro de 2012

Pregando Cristo a partir do Decálogo

Mas o homem que observa atentamente a lei perfeita que traz a liberdade, e persevera na prática dessa lei, não esquecendo o que ouviu mas praticando-o, será feliz naquilo que fizer. (Tiago 1:25)

Por John Frame

Se toda Escritura testifica de Cristo, a lei de Deus certamente não pode ser exceção. Quando estudamos a Lei num contexto de seminário, então, nada pode ser mais importante que estudar seu testemunho de Cristo. Ministros do Evangelho precisam aprender como pregar a Cristo a partir da Lei. De fato, a Lei carrega o testemunho de Cristo de diversas maneiras, algumas das quais eu discuto nos seguintes pontos.

1. O Decálogo apresenta a justiça de Cristo. Quando dizemos que Cristo foi o perfeito cordeiro de Deus e o perfeito exemplo para a vida cristã, estamos dizendo que ele obedeceu perfeitamente a lei de Deus. Ele nunca teve nenhum deus diante de seu Pai. Ele nunca adorou ídolos ou tomou o nome de Deus em vão. A despeito do que diziam os fariseus, ele nunca violou o mandamento do Sabbath. Portanto, o decálogo nos conta como Jesus era. Nos mostra seu caráter perfeito.

2. O Decálogo nos mostra nossa necessidade de Cristo. A lei de Deus nos convence do pecado e nos leva a Jesus. Nos mostra quem somos a parte de Cristo. Somos idólatras, blasfemos, quebramos o Sabbath, e por aí vai.

3. O Decálogo mostra a justiça de Cristo imputada em nós. Nele somos santos. Deus nos vê em Cristo, como cumpridores da lei.

4. O Decálogo nos mostra como Deus quer que agradeçamos por Cristo. No decálogo, a obediência se segue à redenção. Deus diz ao seu povo que ele os tirou do Egito. A lei não é algo que eles devem guardar para merecer redenção. Deus já os redimiu. Guardar a lei é a maneira de eles agradecerem a Deus pela salvação espontaneamente dada. Assim, a Confissão de Heidelberg explica a lei sob a categoria de gratidão.

5. Cristo é a substância da Lei. Esse ponto está relacionado ao primeiro, mas não é o mesmo. Aqui eu quero dizer que Jesus não é apenas aquele que guarda a lei perfeitamente (de acordo com sua humanidade), mas que, de acordo com sua deidade, ele é aquele que honramos e adoramos quando guardamos a lei:

(a) O primeiro mandamento nos ensina a adorar Jesus como o único e verdadeiro Senhor, Salvador e Mediador (Atos 4.12, 1 Tm 2.5).

(b) No segundo mandamento, Jesus é a única imagem perfeita de Deus (Cl 1.15, Hb 1.3). Nossa devoção a ele impede a adoração de qualquer outra imagem.

(c) No terceiro mandamento, Jesus é o nome de Deus, o nome sob qual todo joelho deve se dobrar (Fl 2.10,11; cf. Is 45.23).

(d) No quarto mandamento, Jesus é nosso repouso do Sabbath. Em sua presença, cessamos nossas obrigações diárias e ouvimos sua voz (Lc 10.38-42).

(e) No quinto mandamento, honramos a Jesus, que nos trouxe como seus “filhos” (Hb 2.10) à glória.

(f) No sexto mandamento, honramo-lo como a vida (Jo 10.10, 14.6; Gl 2.20; Cl 3.4), Senhor da vida(At 3.15), aquele que deu sua vida para que possamos viver (Mc 10.45).

(g) No sétimo mandamento, honramo-lo como nosso noivo, que se entregou para nos lavar, nos purificar, como noiva sem manchas (Ef 5.22,23). Nós o amamos como nenhum outro.

(h) No oitavo mandamento, honramos Jesus como nossa herança (Ef 1.11) e como aquele que provê todas as necessidades para seu povo neste mundo e além.

(i) No novo mandamento, honramo-lo como a verdade de Deus (Jo 1.17, 14.6), em quem todas as promessas de Deus são Sim e Amém (2 Co 1.20)

(j) No décimo mandamento, honramo-lo como nossa completa suficiência (2 Co 3.5, 12.9) para alcançarmos tanto nossas necessidades externas quanto os desejos renovados de nossos corações.

Fonte: iPródigo | Compartilhado no PCamaral

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