terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Igual ao Mundo ou Igual a Jesus?

2 comentários:
Por Ricardo Rodrigues

Recentemente vimos explodir na TV, rádio e na web o “fenômeno” da música “Ai se eu te pego”, interpretada pelo cantor Michel Teló. Como se não bastasse esses versinhos pegajosos me acompanharem durante todo o dia, me deparei com a versão gospel dessa música.

“Deus eu te quero” é o nome da obra prima, de algum sem noção total, que com certeza não conhece muito de bíblia e diz que é apenas uma forma útil de evangelização.

Pronto, está aí minha indagação: Quem foi que disse que fazer coisas parecidas com as que o mundo faz é uma forma de evangelização? Jesus não foi!

Ah, você pode estar pensando, esse irmão é muito piegas, não tem nada a ver, o que importa é o conteúdo da música! Já pensei assim um dia, mas quanto mais eu conheço a Jesus e aprendo sobre Seu modo de evangelizar as pessoas, mais eu tenho certeza de que estava errado e de que a coisa não é bem por aí.

Cada dia é uma coisa nova, já vimos Raves Gospel, Bailes Funk Gospel, Micaretas Gospel, entre outras barbaridades que se dizem neopentecostais. Mas por que será que nos empenhamos tanto em criar esse tipo de evento com o intuito de atrair jovens para Cristo? Será que é necessário que façamos eventos, músicas ou usemos de idéias mundanas para conseguir atrair a atenção dos jovens e, assim, ganhar as almas?

Paulo diz o seguinte: “Sejam meus imitadores, como eu sou de Cristo...” Interessante, o apóstolo que ficou conhecido como o maior pregador do evangelho de Jesus, nos instrui a seguir o seu exemplo, assim como ele segue o de Cristo.

Pronto, quer argumento melhor que este? Se você encontrar em algum lugar da Palavra, Cristo fazendo ou promovendo atos ou eventos que se pareciam com aqueles que o povo fazia para alcançar as almas, então você pode fazer o mesmo. Do contrário pense bem, Jesus nunca quis se parecer com o mundo, mas sempre quis que os homens se parecessem com Ele.

Quero deixar algo bem claro, não sou contra os diversos ritmos musicas, seja lá qual for, tenho certeza de que, com inteligência e uma boa base bíblica, qualquer ritmo pode conter uma palavra edificante e evangelizadora. O que não concordo é com o desejo desenfreado de muitos irmãos por usarem seus talentos de uma forma equivocada e podendo até atrapalhar o processo de evangelização de uma alma perdida.

Ou você acha que um cara que era micareteiro e “pegava” todas as meninas no carnaval, ao ser convidado para uma “micareta gospel”, vai entender que ali é lugar de louvor e adoração a Deus?

Jesus nos diz em Mateus 16:24: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. “

Aquele que quer ser transformado e ser igual a Jesus deve saber que tudo aquilo que o ligava ao mundo, seja música, bebida, festas, lascívia, deve ser crucificado e renegado, tudo deve ser deixado para trás para que não haja espaço para mais nada em seu coração, a não ser para o agir transformador do Espírito Santo de Deus.

Pense nisso!
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Fonte: Sou da Promessa compartilhado no PCamaral

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O que significa ser crente hoje

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Publicado originalmente no Blog do autor

Por Samuel Camara

No início da Era Cristã, os discípulos de Jesus foram chamados de cristãos, mas isso nada tinha de elogio; era apenas um adjetivo pejorativo, pois eles eram “diferentes”. Naquele tempo eles eram perseguidos e lançados às feras. Quando o cristianismo se tornou a religião majoritária e oficial, cristão virou substantivo. Ficou “chique”, pois não mais havia perseguições e apenas se requeria deles mera formalidade exterior.

Aconteceu de modo semelhante com os crentes no Brasil. De um passado de perseguições inclementes, ocasião em que muitos pagaram com a própria vida por causa de suas convicções, depois as coisas mudaram. Com inúmeras igrejas e teologias para todos os gostos (e desgostos), ser crente ganhou uma conotação “chique” que destoa de seu antigo significado.

Muitos acham que crente é aquele que não mata, não rouba, não mente, não tem vícios, frequenta igreja, veste-se modesta e decentemente, e não fala coisas inconvenientes. Outros acham que o crente não precisa ser diferente, isto é, pode viver do mesmo jeito que vivia antes, desde que faça as coisas “em nome do Senhor”. Já outros acham que, sendo crentes, adquirem um passaporte para um mundo-cor-de-rosa, tornando-se supercrentes: jamais ficam doentes, não têm crises financeiras, nem quaisquer problemas.

Embora respeite opiniões contrárias, entendo que ser crente é algo mais profundo, pois tem a ver com a mente e o coração, com uma radical mudança na essência do ser, e não apenas com meras atitudes exteriores. Pode-se tentar dar muitas definições, mas ser crente jamais passará disso: uma nova criatura a viver de conformidade com o Evangelho de Jesus Cristo. Esse ponto tem sido ignorado e traz muitas confusões às mentes das pessoas.

Mas o termo crente está em desuso. Agora, o chique é ser evangélico. Quando mulheres famosas posam nuas, falam imoralidades e rebolam “em nome do Senhor”, se dizendo evangélicas e defendendo que o exterior não importa, pois “Deus quer é o coração”; quando bandidos contumazes cometem todo tipo de atrocidade, mas no dia seguinte a serem pegos já se postam com a Bíblia na mão e se dizem evangélicos; quando desvios de comportamento procuram ser atenuados com essa nova palavra mágica, então podemos ver que algo está errado não só no entendimento do que significa ser evangélico, mas no próprio “modus vivendi” das pessoas que trazem afrontas e vitupério ao nome de Cristo.

Crente e evangélico, por definição, deveriam ser essencialmente a mesma coisa — aquele que segue fielmente o Evangelho. O problema é o desvio espiritual de quem quer apenas um rótulo chique, cuja religião demonstra cristianismo sem Cristo, discipulado sem cruz, privilégios sem responsabilidades, espiritualidade sem amor, liturgia sem liberdade do Espírito, e piedade sem poder de Deus.

Se crente é aquele que segue o Evangelho, tomemos uma expressão do Sermão do Monte para julgarmos a situação segundo a reta justiça. Jesus disse: “Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido... para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte”.

A função primária do sal é salgar, preservar e dar sabor. O propósito da luz é iluminar. São coisas tão evidentes que não necessitam de ilustração. Jesus as utilizou para deixar claro que esperava de Seus discípulos que a sua influência na sociedade fosse semelhante ao sal e luz.

O problema é que alguns são “crentes” apenas nominalmente, não são regenerados; são “crentes” insípidos e em trevas, que nunca salgam e jamais iluminam nada. Jesus os identificou como “joio”. Estes alargam o “caminho estreito” da salvação e fazem com que o nome do Senhor seja blasfemado. Em contrapartida, louvo a Deus pelos crentes fiéis, os quais vivem de modo digno do Evangelho, honrando o bom nome de Cristo e demonstrando com o seu exemplo que a verdade do Evangelho se credencia na prática.

Quando a sociedade julga os crentes por aqueles que não vivem de acordo com o Evangelho, podemos tirar disso uma lição. A sociedade espera que sejamos realmente diferentes, que vivamos o que pregamos, não o contrário. Quando somos expostos pela imprensa por causa de uns poucos “convencidos” (não convertidos), isso só deve nos fortalecer no propósito de continuarmos a ser sal e luz num mundo que se revolve cada vez mais na podridão de suas próprias trevas espirituais e morais.

Jesus disse que a árvore é conhecida pelos seus frutos. E também afirmou: “Nem todo o que me diz: ‘Senhor, Senhor!’ entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus”.

Vale a pena ser crente em Jesus!
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Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Como ler e compreender a Bíblia

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Publicado originalmente em Cristianismo Hoje

Novas estratégias de interpretação das Escrituras podem aprofundar a vida do fiel com Cristo. Por ser um livro extenso, mesmo os leitores mais cuidadosos podem interpretá-la de muitas maneiras.

Por J. Todd Billings


Muitas vozes têm se levantado – e com razão – para dizer que uma crise de interpretação bíblica está em curso. Embora a Bíblia Sagrada seja o livro de maior circulação no mundo e os cristãos, estimados em mais de 2,3 bilhões de pessoas, sejam o maior grupo religioso do planeta, é preciso salientar que tal crise não envolve exatamente o declínio do número de leitores que reconhecem a autoridade das Sagradas Escrituras como Palavra de Deus. O problema é de outra natureza, bem mais sutil – e preocupante. Acontece que muitos que leem e interpretam o livro sagrado da fé instituída por Jesus não o fazem, necessariamente, do ponto de vista cristão.

Em tempos de pragmatismo exacerbado em praticamente todas as áreas de atividade humana e de uma crescente importância ao chamado bem estar do indivíduo, mais e mais pessoas têm enxergado a Bíblia como uma espécie de panaceia para todos os males e angústias. Textos e princípios da Palavra de Deus são empregados ao arrepio da boa hermenêutica, no objetivo de estimular, e até mesmo justificar, mesmo as práticas mais mesquinhas. Livros, pregações e palestras de cunho cristão prometem soluções bíblicas para se ter sucesso nas finanças, boa saúde, relacionamentos amorosos bem sucedidos – vitória, enfim, em todas as áreas. Assim, cada crente é incentivado a ver aplicações práticas de sua fé em vários aspectos da vida, com se a Bíblia fosse um “livro-resposta” para toda a sorte de necessidades e problemas.

Entretanto, esse tipo de mensagem, centrada no indivíduo e em suas preferências, carece de uma interpretação da Bíblia como um livro que questiona as necessidades essenciais do ser humano ou que aponta para muito além delas. E não são apenas os escritores e preletores bem-intencionados que falham em oferecer uma abordagem bíblica realmente cristã. Vários estudiosos interpretam as Escrituras como parte da História antiga, utilizando-a somente como mais um elemento para responder a questões arqueológicas e sociológicas sobre a Antiguidade. Outros tentam reconstruir o pensamento de um livro ou de um autor específico à luz da modernidade. Há quem seja capaz de escrever profundos ensaios sobre a teologia de Paulo sem considerar, em momento algum, que Deus esteja falando às pessoas de seu tempo por meio dos textos antigos do apóstolo – sem falar naqueles que procuram fazer uma correlação entre o contexto histórico de uma passagem com o mundo atual, mas, inadvertidamente, sugerem que muitos cristãos não são capazes de entender a Palavra de Deus por não terem a necessária formação acadêmica.

Em parte, devido a inadequações tanto na leitura popular quanto acadêmica da Bíblia, um número crescente de estudiosos passou a defender o que chamam de “interpretação teológica das Escrituras”. Eles incentivam uma leitura do texto bíblico como instrumento de autorrevelação divina e de salvação do homem por meio de Jesus, enredo central de toda a narrativa do Antigo e do Novo Testamento. Esta escola de interpretação inclui uma grande variedade de práticas, mas todas elas visam a promover o conhecimento do Deus Trino e o discipulado cristão por meio das Escrituras.

Quando se examina a interpretação bíblica, é preciso prestar atenção à chamada teologia funcional, ou seja, o fato de que a maneira como se usa a Bíblia reflete as convicções que se têm a respeito dela. Existem, basicamente, duas abordagens comuns para a utilização das Escrituras. Alguns leitores se voltam para a Bíblia como se tivessem em mãos o projeto de construção de um prédio. Em seguida, passam a tentar encaixar passagens isoladas como se fossem os tijolos. Tal prática parte do princípio de que já se sabe o sentido maior das Escrituras – portanto, a tarefa de interpretação bíblica se torna uma questão apenas de descobrir onde determinada passagem se encaixa no sistema teológico defendido por cada um.

Outros preferem uma abordagem do tipo self-service. Nesta ótica, muito empregada hoje em dia, a Palavra de Deus é como um enorme buffet de comida a quilo – cada um escolhe o que vai consumir à vontade, de acordo com suas preferências teológicas e interesses. Em ambas os casos, tanto o do projeto de construção quanto o do self-service, as Escrituras são usadas no sentido de atender a um propósito pessoal. Quem está no controle é o usuário; ele pode até reconhecer a autoridade bíblica, desde que ela confirme suas ideias preconcebidas ou o abasteça com conselhos divinos acerca de suas necessidades. Os leitores que trazem consigo seu próprio projeto pré-concebido acreditam que não se pode ler as Sagradas Escrituras sem trazer à tona algum entendimento. Já os do tipo self-service acreditam que a Bíblia é um livro pelo qual Deus fala diretamente com eles.

“REGRA DE FÉ”

Uma leitura teológica das Escrituras faz uso das duas suposições, embora de uma forma muito mais profunda e completa. É como se, em vez de fornecer ao leitor um projeto detalhado, a análise teológica da Bíblia trouxesse uma espécie de mapa de viagem. Tal mapa, entretanto, não nos oferece todas as respostas sobre qualquer texto em particular. Em vez disso, a leitura é o começo de uma jornada na qual Deus, através de sua Palavra, vai ao encontro do indivíduo repetidas vezes, trazendo reconfortantes sinais de sua presença e surpresas que podem até confundir, mas também descortinam novas perspectivas. A leitura bíblica, portanto, não tem a ver com a montagem de um quebra-cabeças, mas com a resolução de um mistério. Através das Escrituras, encontramos nada menos que o misterioso Deus Trino, em pessoa.

Os primeiros cristãos também ensinavam que os seguidores de Jesus deveriam aproximar-se das Escrituras com uma espécie de mapa teológico básico em mãos. Por volta do segundo século, Irineu falou sobre a “regra de fé”, como forma de entender os princípios básicos com os quais os crentes ortodoxos (em oposição aos gnósticos) deveriam aproximar-se da Palavra de Deus. Essa regra de fé não foi criação de algum estudioso em particular, mas provinha do Evangelho e da identidade cristã, fundamentada no batismo: quem lia as Escrituras o fazia como seguidor de Jesus, batizado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Assim, os primeiros credos batismais, ou declarações de fé, tinham um caráter trinitário – como o Credo Apostólico, por exemplo – e forneceram o conteúdo básico da regra de fé.

Mas por que isso foi e é necessário? A Bíblia é um livro extenso, e mesmo os leitores mais cuidadosos podem interpretá-la de muitas e diferentes maneiras. Contudo, nem todas essas formas de interpretação são, de fato, cristãs, na plena acepção da palavra. Por exemplo, uma pessoa pode ler a Bíblia de modo que veja o Deus de Israel apenas como um juiz, ou seja, uma antítese do Pai gracioso apresentado nos evangelhos. Mas esta não é a leitura cristã nem do Antigo nem do Novo Testamento. Nos primeiros séculos do cristianismo, a regra de fé ajudou a assegurar que os cristãos mantivessem a conexão entre as duas partes das Escrituras, uma visão ampla na qual o Deus da Criação e da Aliança, revelado aos patriarcas e à nação de Israel, é também o Deus revelado em Jesus Cristo.

A regra de fé, baseada na crença no Deus Trino, tem sido um elemento crítico para a leitura da Bíblia desde a Igreja Primitiva, passando pela Idade Média e pela Reforma Protestante. Os reformadores enfatizaram que a Escritura (e não a tradição da Igreja) era a única e definitiva regra de fé. Lutero, Calvino e outros confirmaram isso, de forma clara e entusiástica, ao defender uma abordagem das Escrituras com base na Trindade. Ao interpretar o Velho Testamento assim como o Novo, os reformadores buscavam ler as Escrituras à luz de Cristo, como o cumprimento das promessas de Deus na Criação e na Aliança, aplicando esse princípio à Igreja e aos discípulos de Jesus. Segundo muitos estudiosos contemporâneos, essa regra de fé trinitária básica estabelece as bases apropriadas para a interpretação da Bíblia como o livro-texto do cristianismo.

A regra de fé, neste sentido, é o que nos dá a percepção do que é central e do que é periférico em termos de interpretação bíblica. Ele não define com antecedência o significado de determinadas passagens; em vez disso, fornece ao leitor uma melhor percepção da esfera em que se dá a jornada da leitura da Bíblia, forjando um caminho para uma comunhão mais profunda com o divino. O novo mundo em que Deus nos coloca por meio das Escrituras é vasto e amplo, mas também tem um caráter específico. É uma jornada pelo caminho de Jesus Cristo, pelo poder do Espírito, uma antecipação do clímax da comunhão final com o Deus Trino.

Mas e a questão da necessidade de conhecimento especializado para a correta interpretação teológica das Escrituras? Ao mesmo tempo que alguns adeptos do movimento da interpretação teológica nos encorajam a um envolvimento maior com comentaristas pré-modernos e com a moderna crítica bíblica, eles também têm grande confiança na capacidade das congregações comuns de se aproximarem das Escrituras como sendo a Palavra de Deus. Duas dinâmicas são, muitas vezes, ignoradas nas interpretações bíblicas contemporâneas, especialmente, aquelas baseadas em suposições histórico-críticas. A primeira é a obra do Espírito de trazer luz à Escritura; a segunda, a interpretação bíblica “em Cristo”.

Congregações cristãs em todo o mundo cultivam uma percepção dessas duas realidades quando oram pela iluminação do Espírito, quando adoram a Deus ou quando aplicam as Escrituras na vida da comunidade em forma de discipulado e testemunho. É claro que essas práticas não são garantia de uma hermenêutica fiel, porém são dinâmicas indispensáveis para interpretar a Bíblia como, de fato, Escritura Sagrada. Isso porque a presença do Espírito em uma comunidade cristã, estabelecida em Jesus, tem a capacidade única de equipar esse grupo para interpretar a Bíblia como Palavra de Deus.

IDENTIDADE EM CRISTO

Acontece que aproximar-se da Bíblia com tais pressupostos teológicos é considerado anátema para muitos teólogos da atualidade. Eles supõem que as convicções teológicas opõem-se à fiel interpretação bíblica, ao invés de ser sua potencial aliada. Há uma preocupação genuína por trás dessa objeção: a de que a teologia deve ser extraída da Bíblia, e não imposta ao texto escriturístico. Aqueles que fazem esse tipo de objeção, normalmente, partem do pressuposto de que não somos capazes de ser imparciais em nossa interpretação, mas sim, que a Bíblia é que deve dar uma espécie de suporte a nossas conjecturas teológicas.

Embora seja correto procurar extrair da Bíblia a nossa teologia (e não o contrário), outros estudiosos observam que as convicções teológicas e as práticas religiosas, como a adoração, tornam a leitura bíblica mais frutífera. Como afirma R.R. Reno, no seu prefácio ao Comentário Brazos, a doutrina teológica “é um aspecto crucial da pegagogia divina, um agente de esclarecimento para nossas mentes turvadas pelos enganos”. Naturalmente, uma leitura teológica da Escritura pode conter também armadilhas. Mas a solução, definitivamente, não é deixar o estudo da Bíblia somente para os especialistas acadêmicos. Pelo contrário – é recuperar a perspectiva do lugar das Escrituras em meio à obra de redenção divina e abraçar a tarefa de ler o texto bíblico com abertura suficiente para que Deus possa reformar e remodelar nossa caminhada. Assim, faremos morrer o velho homem e dar espaço a uma nova identidade em Cristo.

Devemos também evitar o outro extremo: interpretar a Bíblia sozinhos, sem qualquer ajuda. Em nossos dias, muitos acreditam que o indivíduo pode ser um intérprete “todo-poderoso” do texto sagrado – não haveria necessidade de consultar o que dizem os comentaristas nem tampouco estar integrado a uma comunidade de fé. Apenas o indivíduo, a Bíblia e o Espírito Santo bastariam. Embora, por vezes, o dito reformado Sola Scriptura seja usado para justificar tal procedimento, ele é, na verdade, uma grave distorção desse princípio protestante. Os principais exegetas da Reforma consultaram o que outros escreveram através dos tempos, bem como aprimoraram seus conhecimentos das línguas bíblicas e se aperfeiçoaram em outras habilidades necessárias à correta hermenêutica.

O movimento da interpretação teológica das Escrituras busca reunir o que a modernidade dividiu: o discipulado e o estudo bíblico crítico. Agostinho, em sua obra intitulada Sobre o ensino cristão, afirma que Jesus Cristo, como o Deus-humano encarnado, é a “estrada” para nossa pátria celestial. Assim, toda interpretação da Escritura deve ser necessariamente feita à luz de Jesus Cristo – e conduzir ao nosso crescimento no amor a Deus e ao próximo. Paralelamente, Agostinho destaca que ter conhecimento do grego e do hebraico é muito importante para a interpretação das Escrituras. Em pleno século 5, Le já dizia que a leitura bíblica agrupa as disciplinas da história, da retórica, da lógica e do que modernamente chamaríamos de antropologia cultural.

Assim como Agostinho, o movimento da interpretação teológica tem buscado aproximar o discipulado cristão do estudo acadêmico das Escrituras. Desta maneira, mesmo narrativas extremamente ligadas ao contexto cultural e religioso no qual foram escritas ganham novos contornos. As passagens dos evangelhos que se referem aos fariseus, por exemplo. À primeira vista, as repreensões de Jesus àquele grupo não dizem respeito ao leitor moderno. Mas o estudo histórico tem mostrado que os fariseus não eram apenas legalistas estereotipados – eles buscavam de fato uma renovação na obediência à Lei da Aliança, a partir das promessas de Deus para Israel. É verdade que pensavam diferente de Jesus e dos primeiros cristãos, mas também é certo que havia aspectos comuns entre eles.

Assim, quando pensamos estar livres de quaisquer implicações das duras palavras de Jesus aos fariseus, o raciocínio em perspectiva histórica nos ajuda a, mais uma vez, a aplicar em nossas vidas a mensagem (sempre tão pungente) da Palavra de Deus. Em termos mais gerais, pode-se dizer que o estudo crítico ajuda os leitores a evitarem erros que atrapalhem uma leitura bíblica frutífera. Tais equívocos podem ser mal-entendidos quanto aos tipos bíblicos ou equívocos de interpretação de natureza linguística ou cultural. Daí a importância do conhecimento das línguas originais e de crítica textual. Embora tais elementos não sejam imprescindíveis à apropriação dos conteúdos espirituais da Palavra de Deus, eles fornecem caminhos seguros para uma hermenêutica mais fundamentada. Como Agostinho sugeriu, vários métodos interpretativos são válidos. Entretanto, eles precisam conduzir a uma compreensão da Bíblia como a poderosa Palavra de Deus e a um entendimento da Igreja como uma comunidade de discípulos, que cresce à imagem de Cristo.

VIVER PELA PALAVRA

Uma característica fundamental de muitos trabalhos na área da interpretação teológica tem sido o renascimento de formas de interpretação bíblica essencialmente simbólica. Sob esse ponto de vista, o Antigo Testamento não tem apenas um sentido histórico – como querem muitas correntes –, mas também espiritual, que se estende a Jesus e à sua Igreja nos dias de hoje, na forma de alegorias ou tipologias essenciais à vida cristã. Ao longo dos últimos dois mil anos de cristianismo, raramente os exegetas deixaram a figura de Jesus fora de sua leitura do Antigo Testamento. Assim, a narrativa da primeira parte da Bíblia Sagrada continuou a ter integridade, mesmo quando significados “espirituais” referentes a Cristo foram sobrepostos a ela.

Esta abordagem do Velho Testamento está baseada no próprio Novo Testamento, que nos dá bons exemplos dela. Para os escritores neotestamentários, não é apenas um salmo ou profecia messiânica ocasional que se aplica a Cristo – eles leem todas as Escrituras de Israel sob a perspectiva do advento e da obra salvadora do Filho de Deus. Por exemplo, o livro de Hebreus começa com sete citações de textos do Antigo Testamento a partir de diversos contextos (Salmos, Deuteronômio e II Samuel); no entanto, é inegável que todas elas se aplicam a Cristo. Isso não se deve à hermenêutica particular do autor da epístola, mas a seu entendimento de quem é Cristo no plano de salvação de Deus: “Há muito tempo Deus falou muitas vezes e de várias maneiras aos nossos antepassados por meio dos profetas, mas nestes últimos dias falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e por meio de quem fez o universo. O Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser” (Hebreus 1.1-3, na Nova Versão Internacional).

O Filho foi o cumprimento de diferentes passagens do Antigo Testamento. Embora, nas palavras do escritor, ele não tenha sido reconhecido como verdadeiro Messias em seus dias, o Filho é o Criador e também é o “herdeiro de todas as coisas” – e, em Jesus Cristo, deu-se a conhecer na história humana. Isso significa que uma leitura espiritual do Antigo Testamento não pode aniquilar a sua narrativa em si. Quando o Jesus ressurreto abriu o entendimento de seus companheiros no caminho de Emaús “para entender as Escrituras”, ele não disse que a lei de Moisés, os escritos dos profetas e os Salmos tinham sido descartados, mas sim, que estavam se cumprindo nele (Lucas 24.44-45).

Como observa John Webster, teólogo da Universidade de Aberdeen, na Escócia, e um dos maiores defensores da interpretação teológica, a “leitura das Escrituras é um episódio na história do pecado e de sua superação; e vencer o pecado é a obra única obra de Cristo e do Espírito”. Assim, de acordo com esse raciocínio, a leitura bíblica está inevitavelmente ligado à regeneração. Como tal, lemos a Bíblia esperando receber uma palavra divina – tanto de conforto, quanto de confronto. A Palavra de Deus nos renova, ao mesmo tempo em que confronta nossos ídolos pessoais e culturais, traz luz ao nosso caminho e nos equipa para nosso serviço neste mundo.

Assim, ver a Bíblia como a Palavra de Deus envolve deleitar-se nela, memorizá-la e viver por ela. Quando Jesus foi tentado por Satanás, respondeu com passagens bíblicas que tinha na memória. Paulo, em sua Epístola aos Colossenses, adverte os crentes a deixarem a palavra de Cristo “habitar” abundantemente em si. Já o evangelho de João mostra a dinâmica trinitária do viver pela palavra do Filho de Deus, quando diz que o Espírito, enviado aos crentes, glorificará Cristo. Deleitar-se e viver pela Palavra de Deus é algo extremamente prático e tem a ver com nossas finanças, família e até mesmo nossos corpos. No entanto, não se deve entrar por tal caminho em busca de sucesso neste mundo, mas, sim, da mortificação de nossa velha criatura e para a nova vida realizada pelo Espírito Santo.

Desta forma, podemos ler a Bíblia confiantemente, sabendo que Deus age de forma poderosa através de sua Palavra, por meio da adoração comunitária, em meio à oração, à memorização, ao ensino e ao testemunho. Não temos, necessariamente, que dominar plenamente a Bíblia para, então, torná-la relevante em nossas vidas. Pelo contrário: através das Escrituras, o Senhor nos abre um novo lugar de habitação – um local de comunhão com Cristo em um caminho que conduz ao amor a Deus e ao próximo.

Nossa jornada rumo à santificação não termina nesta vida; assim, também, não é neste mundo que finda nossa jornada de meditação nas Escrituras. Lutamos contra elas, muitas vezes, quando nos diz o que não queremos ouvir. Mas elas também confirmam e edificam nossa nova identidade em Cristo. Em tudo isso, o valor da Palavra de Deus é inesgotável, porque o Espírito usa a Escritura para testificar de Cristo, que é o Verbo enviado pelo Pai. Quando lemos a Bíblia como Escritura divinamente inspirada, não somos os dominadores, mas os dominados – e, por meio dela, recebemos do Deus Trino o seu fôlego de vida.


Tradução: Élidi Miranda
J. Todd Billings é professor de teologia reformada do Seminário Teológico Ocidental em Holland, Michiga (EUA)

Fonte: Cristianismo Hoje


terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Pregando a Cristo

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O que eles chamam de evangelho não é a mensagem a respeito da pessoa e da obra de Cristo e de como sua obra consumada e seus benefícios podem ser apropriados pela pessoa, por meio da fé.

Publicado originalmente em Editora Fiel

Por R. C. Sproul

A igreja do século XXI enfrenta muitas crises. Uma das mais sérias é a crise de pregação. Filosofias de pregação amplamente diversas competem por aceitação no clero contemporâneo. Alguns veem o sermão como um discurso informal; outros, como um estímulo para saúde psicológica; outros, como um comentário sobre política contemporânea. Mas alguns ainda veem a exposição da Escritura Sagrada como um ingrediente necessário ao ofício de pregar. À luz desses pontos de vista, sempre é proveitoso ir ao Novo Testamento para procurar ou determinar o método e a mensagem da pregação apostólica apresentados no relato bíblico.

Em primeira instância, temos de distinguir entre dois tipos de pregação. A primeira tem sido chamada kerygma; a segunda, didache. Esta distinção se refere à diferença entre proclamação (kerygma) e ensino ou instrução (didache).

Parece que a estratégia da igreja apostólica era ganhar convertidos por meio da proclamação do evangelho. Uma vez que as pessoas respondiam ao evangelho, eram batizadas e recebidas na igreja visível. Elas se colocavam sob uma exposição regular e sistemática do ensino do apóstolos, por meio de pregação regular (homilias) e em grupos específicos de instrução catequética.

Na evangelização inicial da comunidade gentílica, os apóstolos não entraram em grandes detalhes sobre a história redentora no Antigo Testamento. Tal conhecimento era pressuposto entre os ouvintes judeus, mas não era argumentado entre os gentios. No entanto, mesmo para os ouvintes judeus, a ênfase central da pregação evangelística estava no anúncio de que o Messias já viera e inaugurara o reino de Deus.

Se tomássemos tempo para examinar os sermões dos apóstolos registrados no livro de Atos dos Apóstolos, veríamos neles uma estrutura comum e familiar. Nesta análise, podemos discernir a kerygma apostólica, a proclamação básica do evangelho. Nesta kerygma, o foco da pregação era a pessoa e a obra de Jesus. O próprio evangelho era chamado o evangelho de Jesus Cristo. O evangelho é sobre Jesus. Envolve a proclamação e a declaração do que Cristo realizou em sua vida, em sua morte e em sua ressurreição. Depois de serem pregados os detalhes da morte, da ressurreição e da ascensão de Jesus para a direita do Pai, os apóstolos chamavam as pessoas a se convertem a Cristo - a se arrependerem de seus pecados e receberem a Cristo, pela fé.

Quando procuramos inferir destes exemplos como a igreja apostólica realizou a evangelização, temos de perguntar: o que é apropriado para transferirmos os princípios da pregação apostólica para a igreja contemporânea? Algumas igrejas acreditam que é imprescindível o pastor pregar o evangelho ou comunicar a kerygma em todo sermão que ele pregar. Essa opinião vê a ênfase da pregação no domingo de manhã como uma ênfase de evangelização, de proclamação do evangelho. Hoje, muitos pregadores dizem que estão pregando o evangelho com regularidade, quando em alguns casos nunca pregaram o evangelho, de modo algum. O que eles chamam de evangelho não é a mensagem a respeito da pessoa e da obra de Cristo e de como sua obra consumada e seus benefícios podem ser apropriados pela pessoa, por meio da fé. Em vez disso, o evangelho de Cristo é substituído por promessas terapêuticas de uma vida de propósitos ou de ter realização pessoal por vir a Cristo. Em mensagens como essas, o foco está em nós, e não em Jesus.

Por outro lado, examinando o padrão de adoração da igreja primitiva, vemos que a assembleia semanal dos santos envolvia reunirem-se para adoração, comunhão, oração, celebração da Ceia do Senhor e dedicação ao ensino dos apóstolos. Se estivéssemos lá, veríamos que a pregação apostólica abrangia toda a história redentora e os principais assuntos da revelação divina, não se restringindo apenas à kerygma evangelística.

Portanto, a kerygma é a proclamação essencial da vida, morte, ressurreição, ascensão e governo de Jesus Cristo, bem como uma chamada à conversão e ao arrependimento. É esta kerygma que o Novo Testamento indica ser o poder de Deus para a salvação (Rm 1.16). Não pode haver nenhum substituto aceitável para ela. Quando a igreja perde sua kerygma, ela perde sua identidade.
R. C. Sproul nasceu em 1939, no estado da Pensilvânia. É ministro presbiteriano, pastor da Igreja St. Andrews Chapel, na Florida; fundador e presidente do ministério Ligonier, professor e palestrante em seminários e conferências; autor de dezenas de livros, vários deles publicados em português; possui um programa de rádio chamado: Renove sua Mente, o qual é transmitido para uma grande audiência nos EUA e para mais de 60 outros países; Suas graduações incluem passagem pelas seguintes universidades e centros de estudos teológicos: Westminster College, Pennsylvania, Pittsburgh Theological Seminary, Universidade livre de Amsterdã e Whitefield Theological Seminary. É casado com Vesta Ann e o casal tem dois filhos, já adultos.

Traduzido por: Francisco Wellington Ferreira
Copyright © R. C. Sproul / Tabletalk Magazine
Copyright © Editora Fiel 2012

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

Fonte: Editora Fiel

As 12 Vulnerabilidades Humanas

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Publicado originalmente em Clinica de Psicologia

Vulnerabilidades são as dificuldades internas, mentais, vivenciadas ao longo da vida. Algumas vulnerabilidades existem desde o nascimento, outras, a maioria, são dificuldades emocionais que aparecem durante a vida e se desenvolvem conforme você vai aprendendo crenças irracionais, ou vai tendo exemplos ruins e desilusões.

Independente de serem genéticas ou adquiridas, sempre é possível aliviar essas vulnerabilidades emocionais, diminuir as diferenças internas e criar uma boa resistência para esse stress emociona l.

Nossas 12 vulnerabilidades

1ª Frustração - Frustração o que você sente quando diz: “Não suporto quando as coisas não saem do jeito certo, do jeito que eu quero”. A pessoa se frustra quando tem na cabeça tudo determinado. No budismo se diz que o caminho para a iluminação é eliminar o desejo. Eu não sou budista, mas creio que é isto a que se refere. Quanto mais desejos, mais inflexível você for mais você vai se frustrar. Quanto mais você dizer “Se não for desse jeito, eu não quero nada” mais vai desenvolver sofrimento emocional.

2ª Pressa - Você percebe que é um apressado quando vive dizendo “Não me faça perder tempo”. Sabe aquela pessoa que vive dando pulinho no lugar? Se não tiver nada para fazer ela não aproveita o tempo, não curte seu dia, o sol gostoso ou a lua bonita, ela inventa mais alguma coisa para fazer porque tem pressa e não pode “perder tempo”.

3ª Solidão - A solidão um sofrimento para muitas pessoas. Se você sente angustia em ficar sozinho, você sofre de solidão . Solidão não tem uma definição fechada, estar só é o que sua cabeça determina que seja, se você determinar que pode ser uma boa companhia para você mesmo, parabéns! Você superou a solidão. Mas, se você sofre por ficar sozinho então temos dois caminhos para você, ou treinamos habilidades sociais, e a psicologia comportamental faz isso muito bem, ou você aprende a não se avaliar tão negativamente assim por estar sozinho. Pergunte para você mesmo: “O que significa estar só?” Se você responder que significa ser rejeitado, temos que fazer um trabalho cognitivo, ou seja, mudar essa percepção. Aí a terapia cognitiva faz um trabalho muito legal.

4ª O tédio - “Coisas monótonas repetitivas me deixam chateado”, “Todo relacionamento fica chato depois de um tempo”. Se você é o dono dessas frases então você sofre com o tédio . E aí, o que a gente faz com pessoas assim? Manda ela se meter em esportes radicais, cada vez mais arriscados, cada vez mais caros? Ou vamos aprender que adrenalina também é vicio! Adrenalina é uma droga endógena, ou seja, seu próprio corpo produz, mas mesmo assim é uma droga que vicia. E como tudo o que é demais faz mal, temos é que pensar no equilíbrio da pessoa como um todo. É muito melhor viver sem ter que pular de uma ponte por dia para sentir alguma emoção, assim é a realidade nossa do dia a dia.

5ª Sobrecarga de Trabalho - Trabalhar demais, assumir mais tarefas do que seria possível, pode ter várias origens. Pode ser baixa assertividade , pode ser que você não consegue falar o famoso “não” na hora certa, pode ser expectativas irreais, você pode achar que a única forma de ser reconhecido é trabalhando feito uma “mula de carga”, isso até você ver outro se dar bem melhor que você e trabalhando só metade. Ou você confundiu as coisas e acha que qualidade de vida é conseguir comprar um monte de coisas que você não vai ter tempo para desfrutar.
Porque você está sobrecarregado de tanto trabalho? E não me venha dizer que é impossível mudar. Acredite em mim, sua vida é o que você faz dela, se a forma como sua vida está não está legal é porque você precisa perceber que depende de você, e só de você mudar isso. Se não conseguir sozinho.
6ª Ansiedade - Num primeiro momento parece que não é nada, mas só de transtornos de ansiedade o código internacional de doenças tem uma lista enorme. Desde o transtorno do stress pós traumático , ansiedade generalizad a, síndrome do pânico e lá vai lista. Em resumo, ansiedade é toda vez que você sente angustia quando antecipa que vai acontecer alguma coisa importante, mesmo que saiba o que fazer. Exemplo: Você sente angustia antes de fazer uma prova, mesmo tendo estudado? Você é ansioso . Sente angustia em receber pessoas na sua casa, mesmo tendo tudo preparado para isso, é ansiedade. Sente angustia quando vai falar com alguém que você considera importante, mesmo que você saiba como se comportar nesse tipo de situação, isso é ansiedade. Ansiedade não tratada faz com que sua vida renda menos. Você fica paralisado pela ansiedade.

7ª Depressão - Você pode desconfiar de depressão quando fica desanimado só de pensar em enfrentar certas coisas. Quando você sente que não tem energia. Você pode desconfiar que esteja deprimido quando acha que não vale a pena se esforçar pois nada tem graça. Depressão é um dos mais graves sintomas clínicos em psicologia. Depressão mata. Se não com suicídio, mas tirando da vida produtiva de muita gente que poderia estar desfrutando a vida. Mas este é quadro que menos aparece nas clínicas. Porque os depressivos não se tratam. Eles não têm esperança. Eles acham que não vale à pena.
O trabalho com o paciente depressivo deve incluir a família. Alguém em casa tem que ser o apoio. É difícil porque a família o vê como um “chato”. Infelizmente essa impressão faz com que a família vire as costas e diga “se vire”. Mas a gente sabe que ninguém “se vira” sozinho, sem tratamento.

8ª Raiva - Este é outro tema que merece um livro só para ele. Quem tem dificuldade em lidar com a raiva fica a mercê dos outros. Isso mesmo, você fica sob o controle dos outros, os outros te irritam e você perde o controle. Quando percebem que você é assim, parece que você deu um “controle remoto” da sua mente para o outro. O outro te controla, ele sabe te tirar do sério, lembra do que eu falei que faz parte do equilíbrio humano sentir que você tem o controle sobre você mesmo. Pois é, quem é vulnerável à raiva não tem esse controle, e além disso, é o tipo de pessoa que foge de gente, contato com pessoas irritam, a pessoa se isola, e ganha a depressão de brinde.
Não ter raiva nenhuma, por incrível que pareça, também é ruim. Você tem que ter reação quando te ofendem. Para ter auto defesa, até auto-estima, que é saudável, você tem que ter um limite mínimo de raiva, é ela que te faz reagir, mas você precisa da dose certa de raiva.
9ª Preconceitos - Qualquer conclusão que você tira em cima de um aspecto que não está claramente relacionado é preconceito . Ex: Tirar a conclusão de que quem nasceu neste ou naquele lugar é menos inteligente. Isso é preconceito. Porque não há relação lógica de inteligência com local do nascimento, ou chegar a conclusão que “todo mundo quer tirar vantagem de você” também é preconceito . Porque você não conhece todo mundo intimamente, e você conclui isso antes de saber como a pessoa é de verdade.
“Quem teve uma infância ruim nunca será feliz” - é preconceito porque sabemos da influência do ambiente, mas também sabemos que é possível fazer uma reestruturação cognitiva e ser feliz, mesmo tendo tido muitos problemas na infância. A psicoterapia te ensina a fazer essa reestruturação cognitiva. Preconceito está intimamente ligada às crenças irracionais que se coleciona ao longo da vida.
10ª Perfeccionismo - Muita gente sente orgulho em ser perfeccionista . Não sei por que, pois o perfeccionista sofre, e muito por ser assim. Revisa tudo o que faz, não se perdoa se sair um errinho. Nem viu o trabalho do outro, mas diz que não está bom. É aquele que acha que só ele sabe fazer as coisas direito. É aquele que não tira férias porque não confia em ninguém para deixar no trabalho. Você acha que isso é bom?

11ª Aprovação - Quanto sofrimento a gente não vê por ai por conta das pessoas que buscam aprovação : “Tenho que fazer tudo certinho, senão o que vão pensar de mim”. Quanto sapo engolido por medo de abrir a boca e falar coisas que os outros possam não gostar, quanto sofrimento você passou porque aprendeu que “menina bonita não faz assim” “menino bonito não reclama”.

12ª Negativismo - É o tal de: “não vai dar certo”. “Pra que sair para procurar emprego se não vou conseguir mesmo”. “Pra que ir para festa se não vou conversar com ninguém interessante mesmo”.

Essas são as vulnerabilidades que produzem stress emocional. Se permitir que alguma dessas vulnerabilidades invada sua vida estará abrindo as portas para o sofrimento psicológico.
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Fonte: UMAP VCA

domingo, 22 de janeiro de 2012

Tornar-se criança

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Digo-lhes a verdade: Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, nunca entrará nele. (Lucas 18:17)

Publicado originalmente em Ultimato Online

Por Ricardo Barbosa de Sousa

Jesus disse que ninguém pode entrar no reino dos céus se não se tornar como uma criança. A imagem que surge na mente dos adultos, quando ouvem esta afirmação de Jesus, é a da pureza infantil, da inocência, da dependência -- virtudes que poucos adultos desejam. Assim, a conclusão lógica a que qualquer um chegaria é que poucos deles entrarão no reino dos céus.

A infância, para muitos adultos, é apenas uma lembrança -- boa para uns, ruim para outros. É raro encontrar um adulto que demonstre interesse, por menor que seja, em ser como uma criança. Os poucos que o demonstram, o fazem por razões românticas, não reais. O interesse do adulto pela inocência ou pureza quase sempre é confuso e infantilizado. É também raro encontrar um adulto que, de fato, queira ser dependente. Pode até querer se convencer de suas limitações, mas dificilmente abrirá mão do controle de seu destino. Ao tomar uma criança como exemplo daqueles que entrarão no reino dos céus, Jesus não tem em mente as imaginações românticas que nós, adultos, temos da infância. Mesmo porque o reino dos céus não será herdado por adultos infantilizados. Maturidade e crescimento são evidências esperadas na vida daqueles que seguem a Cristo.

Ao tomar uma criança como exemplo, Jesus nos ajuda a corrigir uma compreensão equivocada que temos da virtude da humildade. Os discípulos discutiam entre si qual deles seria o maior no reino dos céus -- conversa típica de adulto. No meio desta discussão, Jesus toma uma criança e diz que quem se humilhar como ela -- este, sim -- será o maior no reino dos céus.

Tornar-se criança não é transformar-se em um adulto infantilizado; é aprender o significado da humildade, sem a qual ninguém entrará no reino dos céus. Tornar-se como criança é reconhecer a condição de filho e de filha. Ser humilde como uma criança é reconhecer-se como criatura. A natureza humana frequentemente inverte esta relação. O prazer mais natural de uma criança é agradar seus pais. Humildade é agradar aquele (ou aqueles) a quem amamos. Não se trata de uma virtude que se conquista com atitudes modestas ou com a negação de elogios. Ela se desenvolve na medida em que cresce em nós a consciência de quem somos diante do Criador.

É curioso notar como a fronteira entre a humildade e o orgulho é estreita. Ser elogiado por ter feito algo bom nunca foi um pecado. É legítimo o prazer que sentimos ao agradar alguém a quem amamos. O prazer maior de qualquer cristão será ouvir a voz do Salvador dizer: “Muito bem, servo bom e fiel…” -- um elogio que nos encherá de prazer por termos agradado aquele a quem mais amamos. Porém, o elogio pode se transformar em uma fonte de prazer em si mesmo. Neste caso, não se procura agradar a pessoa amada, mas sentir-se valorizado e importante. O polo é invertido: é a criatura assumindo o lugar do Criador. É neste ponto que o adulto deixa de ser criança e torna-se infantil.

Tornar-se criança significa reconhecer a condição de criatura e saber que nada nos alegra mais do que agradar o Criador. É por isso que Jesus nos ensina a entrar no quarto, fechar a porta, para aprender a orar. Orar em público, faz da oração facilmente um fim. Ouvir elogios dos outros nos faz sentir que somos “bons na oração”, enquanto que orar secretamente no quarto nos leva a experimentar a recompensa que vem de Deus. Aprendemos a orar por causa dele e não por nossa causa. Desejamos agradá-lo e não a nós.

Somente os humildes entrarão no reino dos céus. A verdadeira fé não é fazer grandes coisas em nome de Deus, mas viver de forma a agradá-lo. Não é isto que os pais esperam de uma criança? Tornar-se criança é viver liberto da tirania da vaidade, da busca insana pela autorrealização, da necessidade infantil de ser admirado e reconhecido. Tornar-se criança é experimentar a alegria de viver para aquele que nos criou e agradá-lo.
Quer louvar-te um ser humano, parte minúscula de tua criação. És tu mesmo que lhe dás o impulso para fazê-lo, assim ele se sente feliz ao louvar-te. Pois para ti nos criaste, e inquieto é nosso coração, até que chegue a descansar em ti. (Agostinho, “Confissões”)


Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto e coordenador do Centro Cristão de Estudos, em Brasília. É autor de “Janelas para a Vida” e “O Caminho do Coração”.


Fonte: Revista Ultimato compartilhado no PCamaral

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Fomos Comprados por Um Altíssimo Preço

2 comentários:

Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. (Rm 5:8)

É possível que você já tenha ouvido a expressão: “Você tem muito valor para Deus”. Em todas as circunstâncias, positivas ou negativas, essa expressão é correta. De fato, todos os seres humanos, independentemente de etnia, condição social e religião, têm um valor inestimável. Prova disso é que somos alvos do sublime amor de Deus. Por nos amar, ele permitiu que desfrutássemos dos benefícios da graça maravilhosa. Aliás, graça é um presente divino para a humanidade caída (Ef 2:8). Contudo, precisamos entender algo: a graça não foi de graça. Ela teve um preço.

Pagar o preço é necessário para se alcançar algo grandioso. Quem almeja concretizar grandes planos, precisa ter isso em mente. A graça que nos foi proporcionada custou um alto preço. Isso mesmo. Alguém teve de pagar o preço por ela. E quem teve atitude tão nobre? Quem assumiu essa enorme dívida? Certamente, não fomos nós. Não tínhamos a mínima condição para isso (Rm 3:10). Por essa razão, a humanidade carecia de um salvador que a resgatasse. Então, Cristo, com a sua morte, pagou o preço. Este foi o preço da graça: a morte de Cristo.

A graça foi cara, pois custou doação. João, em seu evangelho, menciona a atitude mais linda e solidária de que temos notícia: Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito (Jo 3:16). Sem doação, não haveria graça e a humanidade estaria perdida, para sempre, em seus delitos e pecados. O fato de Deus haver doado o seu Filho único, mostra-nos dois importantes aspectos do amor divino: o primeiro é a prova do seu amor. Deus provou o seu amor pela humanidade. O texto de Romanos 5:8a é suficientemente claro quanto a isso: Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco. Deus, portanto, mostra-nos, de maneira muito explícita, o seguinte princípio: Quem ama, doa; quem ama, desprende-se do egoísmo e trabalha em favor do outro; quem ama, não “puxa o tapete” do próximo para se beneficiar; quem ama, entende que o amor faz bem e não mal. Por isso, “precisamos lembrar que a essência do amor consiste em dar”. [1] O termo “prova”, usado em Rm 5:8, é muito forte. Não deixa nenhuma dúvida de que Deus nos ama. O fato de Deus haver doado o seu único Filho mostra-nos o segundo aspecto do amor divino: a intensidade do seu amor. Sobre isso, é correto afirmar que “a intensidade do amor é medida, em parte, pelo preço que custou a dádiva ao seu doador, e, em parte, pelo quanto o beneficiário é digno ou não dessa doação”. [2] Verdade é que nada mais merecíamos, além da morte; mas Deus nos deu a vida que não merecíamos. Cristo foi entregue para morrer como oferta pelo pecado (1 Jo 4:10). O amor de Deus pela humanidade é tão intenso que ele não poupou o seu Filho, mas o entregou por nós (Rm 8:32).

Além de doação, a graça custou renúncia. O apóstolo Paulo, em sua carta endereçada aos irmãos filipenses, declara, a respeito de Cristo: ... sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou (Fp 2:6-7a). Certamente, Cristo não abriu mão de seus atributos divinos, pois, mesmo encarnado, continuou sendo Deus. O que o texto quer dizer é que ele não exigiu nem se apegou a seus direitos como Deus (Fp 2:6 – NBV). Para nos prover a sua graça, Jesus renunciou algumas coisas importantes. Em primeiro lugar, ele renunciou as riquezas que possuía. Por isso, não tinha sequer onde reclinar a cabeça (Lc 9:58). Jesus era pobre a ponto de nascer em um lugar emprestado, em desconforto. Já em seu ministério, precisou pedir emprestados “uma casa onde pudesse pernoitar, um barco onde pudesse pregar, um animal em que pudesse cavalgar”. [3] Por nós, ele também pagou esse preço! Em segundo lugar, Jesus renunciou a glória que possuía. Não foi à toa que ele disse, em sua oração: ... glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse (Jo 17:5). Antes de se tornar humano, Jesus era adorado pelos serafins. Estes cobriam o rosto em sua presença (Is 6:1-3; Jo 12:41). Contudo, Cristo, “o Objeto da mais solene adoração, voluntariamente desceu a este mundo onde foi ‘desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer’ (Is 53.3)”. [4] Além de riquezas e glória que tinha, o que mais Jesus renunciou? Em terceiro lugar, ele renunciou a autoridade que possuía. O apóstolo Paulo não hesita em afirmar que Cristo veio para ser servo e tornou-se semelhante aos homens (Fp 2:7). Jesus não fazia a sua própria vontade, mas, sim, a daquele que o enviara: o Pai (Jo 5:30). Ao tornar-se homem, ele abriu mão da sua autoridade de ser servido e se dispôs a servir a todos (Mt 20:28). Uma atitude assim não é fácil de se adotar. Enquanto muitas pessoas não abrem mão dos “holofotes”, Cristo nos dá uma lição de humildade. A graça, portanto, custou renúncia.

Até aqui, é possível imaginarmos o quanto a graça foi cara. Coisa alguma pagamos para possuí-la, mesmo sem a merecermos. Mas Cristo pagou muito caro por ela. Além de doação e renúncia, a graça também custou entrega. Cristo, voluntariamente, entregou-se por nós. Mesmo tendo ouvido de alguns: Salva-te a ti mesmo (Mc 15:30), decidiu salvar o mundo; permaneceu na cruz e de lá não desceu, embora tenha escutado: Desce da cruz! (Mt 27:40). É importante entendermos que, por nossa causa, Jesus se entregou tanto à dor física quanto à dor moral. Quanto à dor física, o corpo de Cristo foi marcado pelas violentas agressões que sofreu. Mateus afirma, no capítulo 26, versículo 67 de seu evangelho: ... cuspiram-lhe no rosto e bateram nele a socos e tapas (NBV). Quanta humilhação! Aquele que tinha poder sobre as tempestades, estava sendo esbofeteado por meros mortais. João, por sua vez, relata que os soldados puseram uma coroa de espinhos na cabeça dele (Jo 19:2). Mas isso não é tudo. Jesus foi também chicoteado (Mt 27:26). O instrumento utilizado para esse castigo era o azorrague, “um curto cabo de madeira ao qual havia presas várias correias com os extremos providos de presilhas de chumbo ou bronze e pedaços de ossos muito afiados”. [5] Em relação à dor moral, Lucas relata que os príncipes zombavam dele (Lc 23:35). Os soldados, por sua vez, escarneciam dele e diziam: Se tu és o Rei dos judeus, salva-te a ti mesmo (v.37). Até mesmo um dos malfeitores agiu de modo semelhante (v.39). Eram palavras muito duras. Antes disso, Jesus havia sido chamado de blasfemo (Mc 14:64), glutão e beberrão (Mt 11:19). A dor moral abala qualquer ser humano, mas, para nos conceder a sua graça, Cristo também pagou esse preço.
Como vimos até aqui, a graça custou doação, renúncia e entrega. Contudo, custou a Jesus muito mais: custou-lhe sacrifício. A propósito, essa palavra, geralmente, lembra “sangue” e “morte”; isso porque, na Antiga Aliança, os pecados do povo eram expiados por meio do sacrifício de animais (Nm 6:17; Lv 5:6; 14:30-31). Desse modo, sangue tinha de ser derramado. Por isso, o autor de Hebreus observa: ... quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e, sem derramamento de sangue, não há remissão (9:22). À semelhança de um cordeiro, Jesus foi levado ao sacrifício. Ele enfrentou a cruz e se fez maldição por nós (Gl 3:13). A sua carne foi traspassada e o seu sangue, derramado (Jo 19:34). Jesus, verdadeiramente, morreu por nós. A Bíblia o chama de o Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo (Ap 13:8). Ele se dispôs ao sacrifício em nossa causa (Lc 22:20). Isaías disse que Cristo foi levado ao matadouro e, como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a sua boca (Is 53:7). Sobre o sacrifício de Cristo, é preciso observar dois aspectos: o primeiro é a sua perfeição. O sacrifício de animais, embora necessário, era imperfeito (Hb 9:9), a ponto de precisar ser realizado diariamente (Hb 10:11). Jesus, contudo, realizou o sacrifício perfeito (Hb 9:14). Este só precisou ser realizado uma única vez (Hb 10:12). O segundo aspecto é o seu benefício. O sacrifício de Cristo trouxe-nos perdão. João, em sua primeira carta, afirma que o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado (1 Jo 1:7). Esse sacrifício foi essencial para que fôssemos purificados das obras mortas, a fim de servirmos a Deus (Hb 9:14). O preço da graça instiga-nos a refletir sobre algumas perguntas: Doaríamos o nosso único filho à morte, em favor da humanidade caída e ingrata? Renunciaríamos as regalias, em troca da pobreza, e trocaríamos o título real pelo título de servo? Entregaríamo nos às ofensas físicas e verbais dos pecadores? Disporíamo-nos ao sacrifício vicário? Sobre isso, Paulo declarou que poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer (Rm 5:7). Mas, ele também diz que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores (Rm 5:8). Cristo sabia dos sofrimentos que, como homem, enfrentaria nesta terra. Mas, ainda assim, não recuou. Portanto, sejamos-lhe gratos, por ter pago, com a própria vida, o preço da graça.
PRATICANDO A VERDADE BÍBLICA

1. O preço da graça ajuda-nos a reconhecer a nossa incapacidade. A graça não foi de graça. O seu preço custou caro: a vida de Cristo. Quem, dentre os pecadores, teria ousadia para morrer pela humanidade, convicto de que o seu sacrifício não seria em vão? A resposta é óbvia: ninguém. Bem disse Paulo que todos estamos debaixo do pecado. Por isso, não há um justo sequer (Rm 3:9,10). A nossa incapacidade de pagar pela graça é evidente. Jamais teríamos recursos suficientes que nos permitissem pagar o nosso resgate (Sl 49:8). Portanto, reconheçamos os nossos deméritos diante de Deus. Admitamos, assim como o apóstolo, que a graça não vem de nós; é dom de Deus (Ef 2:8).

2. O preço da graça ajuda-nos a reconhecer a nossa importância. O fato de não sermos capazes de pagar o preço da graça não significa que não somos importantes para Deus. Afinal, este prova o seu amor para conosco (Rm 5:8). A morte de Cristo é, sem dúvida, a declaração de amor mais linda e verdadeira que a humanidade já viu. Além disso, Cristo morreu por nós, quando ainda éramos pecadores (v.6). Deus poderia ter nos destruído, como castigo pela nossa desobediência, mas não o fez, porque somos importantes para ele. Ele fez de nós raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva dele, para que proclamássemos as suas virtudes (1 Pd 2:9).

CONCLUSÃO

No estudo anterior sobre este tema, estudamos sobre a salvação pela graça. Neste, vimos o quanto esta custou. O seu preço foi pago por Cristo, na cruz. Paulo escreveu aos Coríntios: Fostes comprados por bom preço (1 Co 7:23a). Desse modo, aprendemos que a graça custou doação, renúncia, entrega e sacrifício. O apóstolo nos ajuda a reconhecer a nossa incapacidade, tendo em vista não termos condições de pagar pela graça, e a nossa importância, tendo em vista tamanho sacrifício realizado em nosso favor.

Bibliografia


1. STOTT, John R. W. A Mensagem de Romanos. São Paulo: ABU, 2000. pág. 167
2 STOTT, John R. W. A Mensagem de Romanos. São Paulo: ABU, 2000. pág. 167
3. HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento: exposição dos livros de Efésios e Filipenses. 2 ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2005. pág. 478
4. HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento: exposição dos livros de Efésios e Filipenses. 2 ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2005. pág. 478
5. HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento: exposição dos livros de Efésios e Filipenses. 2 ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2005. pág. 478

DEC - PCamaral



Pegando Carona na Estação Espacial Internacional [2]

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Nunca falha. Todo mês, os astronautas da Estação Espacial Internacional capturam imagens da Terra em formas incríveis, de derrubar o queixo e que nunca imaginamos. Sempre o resultado é melhor do que o anterior. Esse é o vencedor, por enquanto.

E é também diferente dos anteriores, que normalmente envolvem auroras.

Esse mostra uma chuva de raios na África e ainda traz um algo a mais: a Via Láctea surgindo no horizonte. Capturado no dia 29 de dezembro de 2011, ele mostra um caminho “entre a África central, perto de Niger, até o sul do Oceano Índico, perto de Madagascar”. Dá até para ver o cometa Lovejoy! Ele está ali, bem fraquinho, perto da Via Láctea. [NASA]

No video abaixo podemos ver a extensão do Deserto do Saara, desde o Mediterrâneo até chegar a Africa do Sul.



Essa é a tragetória da órbita da estação espacial

VEJA MAIS IMAGENS AQUI

Via CIZMODO dica do Marcelo Cataldi no Facebook

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Igreja de Cristo Uma Comunidade Singular

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Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; (Mateus 16:18)
Se dependesse da oratória de Pedro, da sabedoria de Paulo ou da eloqüência de Apolo, a igreja já teria se extinguido, juntamente com eles.
A igreja é propriedade exclusiva e particular de Jesus, que não admite sócios-proprietários
Por José Lima de Farias Filho
A igreja é o conjunto de todos os verdadeiros cristãos, de todos os tempos e lugares, os que se arrependeram, foram perdoados e justificados, mediante a fé em Jesus Cristo. O primeiro registro de tal palavra na Bíblia se dá em Mateus 16:18. No texto, ao se referir a ela, Cristo utilizou a palavra grega ekklésia, cujo significado literal é “chamados para fora”, e indica, em sua língua de origem, uma assembleia, ou uma reunião de pessoas para tratar de assuntos de interesse comum. Os gregos tinham suas assembleias, nas quais os magistrados decidiam a vida jurídica de seus cidadãos (At 19:32-39). Jesus decidiu criar a sua comunidade, que se reuniria em torno dele. Quando alguém o recebe como Senhor, começa a fazer parte dela, por meio do Espírito Santo, que a unifica (1 Co 12:12-13). Esta comunidade é singular! É a igreja de Cristo! O texto de Mateus 16:18 nos apresenta quatro razões pelas quais podemos afirmar isso.
É uma comunidade alicerçada em Cristo
A igreja de Cristo tem um alicerce seguro, inabalável, sobre o qual Jesus disse a Pedro: “...sobre esta pedra edificarei a minha igreja” (Mt 16:18). Quem é “esta pedra”? Obviamente, não é o próprio Pedro. O Rev. Hernandes Dias Lopes diz que o nome de Pedro deriva do termo grego petros, que significa fragmento de pedra. [2] Mas nesse texto, o termo pedra tem origem na palavra grega petra, que significa rocha inabalável, pedra inamovível. Aqui, Cristo refere-se a si próprio: Ele é o alicerce da igreja (Ef 2:20)! Nas palavras de Paulo, ninguém “pode lançar outro alicerce, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” (1 Co 3:11).
A base da igreja é Cristo, e por tê-lo como alicerce não depende do poder humano para existir. Se dependesse da oratória de Pedro, da sabedoria de Paulo ou da eloquência de Apolo, a igreja já teria se extinguido, juntamente com eles. Se assim o fosse, não teria suportado a perseguição que lhe foi imposta, ao longo dos séculos. Ela depende única e exclusivamente de Cristo, o seu Senhor! E subsiste porque o Senhor a sustenta (Cl 1:18). Por ser fundamentada em Cristo, a igreja não é objeto de glória humana. Muitos se aproveitam da noiva do Senhor com o intuito de promover a imagem pessoal. Isso, todavia, é um erro grave. Ela é objeto da glória de Cristo e de mais ninguém: “Convém que ela cresça e que eu diminua” (Jo 3:30).
É uma comunidade edificada por Cristo
Além de seu alicerce, ele é também seu construtor. O texto é claro: “... edificarei a minha igreja” (Mt 16:18). O termo tem sua origem no grego oikodomeo, que significa erigir uma construção, promover crescimento. A igreja não é uma comunidade estática, morta, fadada à mesmice. É um edifício em construção, um organismo vivo, um corpo em crescimento. Ela está em construção o tempo todo. Por quê? Por ser uma comunidade de homens e mulheres imperfeitos (1 Jo 1:8). Ela persegue a santificação, mas não a alcança sozinha; precisa da ajuda de Cristo (Rm 6:22). É ele que tem o poder de edificar a igreja, e o tem feito. Ele a conhece e sabe como torná-la espiritualmente madura. As técnicas, a força, a sabedoria e o dinamismo humanos são incapazes de erguê-la, só Jesus tem esse poder.
Para quê a igreja foi por Cristo construída e edificada? Certamente, para cumprir a sua missão na Terra, ou seja, adorar a Deus continuamente (Cl 3:16), anunciar Cristo ao mundo, às criaturas (Mc 16:15), preparar os santos por meio do ensino (Mt 28:19), amparar os necessitados (1 Jo 3:17) e alimentar a esperança (1 Co 15:19). Cristo não a construiu para a ociosidade, mas para fazer diferença num mundo corrompido pelo pecado. Seja feita, portanto, a vontade de seu construtor (Mt 16:18).
É uma comunidade pertencente a Cristo
A terceira razão pela qual a igreja é singular se relaciona com seu proprietário. Preste atenção às palavras de Jesus: “... edificarei a minha igreja”. A igreja é de Jesus, Ele é o proprietário! Por qual motivo? Porque ele a comprou por alto preço. Pedro lembra-nos que não foi com valores terrenos e perecíveis, como prata e ouro, que fomos resgatados do pecado, “mas com o precioso sangue de Cristo” (1 Pd 1:18-19). A Igreja de Cristo foi comprada com o seu próprio sangue, e é preciosa aos olhos dele (Ef 3:7-12). Seu dono é o Cordeiro de Deus e ele fez questão de afirmar isso ao dizer “minha igreja”, pois os homens costumam esquecer-se de tal verdade.
Não é difícil encontrarmos líderes ou membros, em comunidades locais, agindo como donos da igreja, querendo dirigi-la conforme suas vontades, como se fossem seus senhores. Fazem isso pela competência e influência que têm, por estarem nela há muito tempo, ou pela boa condição financeira que possuem. Estão errados! Ninguém tem o direito de sentar-se na cadeira que pertence a Jesus.
Além disso, agimos como seus proprietários quando nos julgamos indispensáveis para ela ou ao pensarmos que sem nosso trabalho ela irá parar. Ledo engano! Membros, consagrados, líderes, pastores, superintendentes e presidentes passarão, mas a igreja, que pertence a Cristo, permanecerá! Ela é propriedade exclusiva e particular de Jesus (1 Pd 2:9-10), que não admite sócios-proprietários. Não é uma empresa, cujas ações estão à venda na bolsa de valores. Ela é de Jesus e só d’Ele. Todos que se levantam para fazer o contrário caem! É singular, porque é de Cristo!
É uma comunidade vencedora em Cristo
A igreja, a comunidade estabelecida por Jesus, já acumula quase dois mil anos de história. Qual o segredo de tamanha longevidade e onde reside sua força? Jesus! O versículo que estamos analisando conclui-se dizendo que “as portas do inferno não prevalecerão” contra a igreja. O que isso significa? Barclay nos recorda que no antigo Oriente, especialmente nas pequenas cidades e aldeias, a “porta” era o local no qual os líderes se reuniam, pronunciavam seus conselhos e emitiam julgamentos. A porta de uma cidade era seu tribunal, o lugar do governo.
Lembremo-nos, por exemplo, que uma das acusações de Deus a Israel, em Amós, foi a de aceitarem suborno na “porta” (5:12). Já a palavra traduzida por “inferno” é derivada do termo grego Hades, lugar que, segundo os judeus, não era de castigo, mas para onde todos os mortos iam. Portanto, é bem provável que a expressão “portas do inferno”, seja sinônimo de “poderes ou governo da morte”, que jamais superarão a força da igreja. Não “prevalecerão”, ou seja, jamais serão superiores em força, disse Jesus! A igreja de Cristo triunfará! E quem garante sua vitória sobre os poderes da morte é ele próprio. Fazemos parte de uma comunidade vencedora: nem a morte poderá destruí-la, pois os que dela fazem parte, ao morrer, ressuscitarão. No decorrer dos tempos, muitos tentaram destruí-la através de perseguições e heresias, todos sem sucesso.
A igreja continua a existir. Por quê? Jesus trouxe a igreja até aqui e a levará até o seu destino final! Um dia, nosso Senhor, que venceu os poderes da morte, buscará esta comunidade singular, todos os verdadeiros cristãos de todos os tempos e lugares, e estaremos para sempre ao lado dele! Até que este dia chegue, continuaremos a proclamar as virtudes de quem nos tirou das trevas para o seu reino de luz. Continuemos influenciando, sendo o sal e a luz, sendo uma comunidade que tem uma mensagem de esperança para uma sociedade enferma.

Somos mais do que vencedores em Cristo!

Bibliografia
[1] BARCLAY, William. The Gospel of Matthew (Título Original em Inglês). Tradução: Carlos Biagini. (Ebook digital, não publicado).
[2] LOPES, Hernandes Dias. O melhor de Deus para sua vida. Belo Horizonte: Betânia, 2004.

Fonte: Revista IAP em Ação Ano IV numero 4 compartilhado no PCamaral

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O Conselho do Sábio [1]

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Publicado originalmente na Bíblia Sagrada

Filho meu, se aceitares as minhas palavras, e esconderes contigo os meus mandamentos, para fazeres o teu ouvido atento à sabedoria; e inclinares o teu coração ao entendimento; se clamares por conhecimento, e por inteligência alçares a tua voz, se como a prata a buscares e como a tesouros escondidos a procurares, então entenderás o temor do SENHOR, e acharás o conhecimento de Deus.

Porque o SENHOR dá a sabedoria; da sua boca é que vem o conhecimento e o entendimento. Ele reserva a verdadeira sabedoria para os retos. Escudo é para os que caminham na sinceridade, para que guardem as veredas do juízo. Ele preservará o caminho dos seus santos.

Então entenderás a justiça, o juízo, a eqüidade e todas as boas veredas. Pois quando a sabedoria entrar no teu coração, e o conhecimento for agradável à tua alma, o bom siso te guardará e a inteligência te conservará; para te afastar do mau caminho, e do homem que fala coisas perversas; dos que deixam as veredas da retidão, para andarem pelos caminhos escusos; que se alegram de fazer mal, e folgam com as perversidades dos maus, cujas veredas são tortuosas e que se desviam nos seus caminhos; para te afastar da mulher estranha, sim da estranha que lisonjeia com suas palavras; que deixa o guia da sua mocidade e se esquece da aliança do seu Deus; porque a sua casa se inclina para a morte, e as suas veredas para os mortos.

Todos os que se dirigem a ela não voltarão e não atinarão com as veredas da vida. Para andares pelos caminhos dos bons, e te conservares nas veredas dos justos. Porque os retos habitarão a terra, e os íntegros permanecerão nela. Mas os ímpios serão arrancados da terra, e os aleivosos serão dela exterminados.

Provérbios 2

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Fim do mundo em 2012

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Publicado originalmente na ISTOÉ Independente

Ao misturar arqueologia, ciência e religião, teorias apocalípticas ganham popularidade e fazem crescer o número de pessoas que se preparam para o juízo final

Por Paula Rocha, Flávio Costa e João Loes

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Aos 71 anos, o relojoeiro aposentado Tikao Tanaka passa seus dias contando as horas que lhe restam até o mundo acabar. O senhor de gestos contidos e sorriso tímido, natural da cidade de Guararapes, no interior de São Paulo, diz estar se preparando para o fim dos tempos, marcado para o dia 21 de dezembro de 2012. Junto de sua família, Tanaka comprou uma propriedade de 20 mil metros quadrados no município de Alto Paraíso de Goiás, na Chapada dos Veadeiros, um dos poucos lugares, que, segundo ele, serão preservados após um tsunami devastar a costa brasileira no dia fatídico. “Quando a hora chegar, vou me mudar para lá de vez”, diz. Acreditando na mesma teo­ria apocalíptica, a irmã e o cunhado do relojoeiro já estão na cidade goiana há pelo menos três meses.

“A gente fala para as pessoas sobre o que vai acontecer, principalmente para os amigos, mas nem todo mundo acredita”, afirma. Tanaka é um dos seguidores de Masuteru Hirota, 69 anos, mais conhecido como professor Hirota. Japonês da cidade de Kochi, ele é um misto de vidente, pretenso guru espiritual e curandeiro que há 35 anos mantém em Atibaia (SP) uma espécie de casa de tratamento – o Lar Lokkon Shôjo, ou Seis Raízes Puras –, onde oferece cura para dezenas de pessoas. Segundo Hirota, em 2012 um tsunami de proporções gigantescas atingirá 80% da superfície terrestre e levará à morte mais de seis bilhões de pessoas. Praticamente toda a costa brasileira será tragada, deixando livre apenas uma pequena porção que engloba partes de Goiás, Mato Grosso e Tocantins. No resto do mundo, somente regiões centrais da África e da Ásia resistirão. Quanto à América do Norte e Europa, não há esperança. “O fim já começou”, alerta o guru.

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CRENÇA Jairo Pontes, de Alphaville (com a mulher, Maria Isabel, e os filhos), acredita no juízo final entre 2028 e 2036

A exemplo dos discípulos do professor Hirota, muita gente acredita que o mundo pode acabar em 2012. Ou pelo menos que catástrofes e tragédias de proporções nunca antes vistas estão marcadas para ocorrer no próximo ano, mais especificamente no dia 21 de dezembro. A data, que assinala o fim do calendário solar dos maias – uma das mais importantes civilizações pré-colombianas –, levantou toda sorte de teorias apocalípticas e desencadeou um fenômeno cuja magnitude se compara aos desastres previstos. Segundo um relatório da “Missão Interministerial de Luta contra Seitas” (Miviludes), da França, foram registrados mais de 2,5 milhões de sites que propagam profecias sobre 2012. Já existe até uma rede social exclusiva para aqueles que acreditam nas teorias fatalistas e desejam se preparar para o dia final. Chamado “2012 Connect”, o portal conta com mais de 1,5 mil membros. O site da Nasa (Agência Espacial Americana) recebeu nos últimos três anos milhares de mensagens de pessoas desesperadas para saber se há possibilidade de o mundo acabar em breve. Seitas que aguardam o fim dos dias se proliferam em vários cantos do planeta e até o governo do México, região onde viveram os maias, quer tirar proveito da febre do fim do mundo. As cidades que conservam as ruínas da antiga civilização devem receber 52 milhões de turistas em 2012, 30 milhões a mais do que o habitual.

Aqui no Brasil, em Alto Paraíso, o município que, segundo Hirota, deverá sair ileso das catástrofes, os efeitos da especulação imobiliária causada pelo apocalipse já podem ser sentidos. Pelo menos duas dezenas de seguidores do autointitulado guru – a maioria descendentes de japoneses – já compraram casas e terrenos na cidade de nome celestial, também conhecida como a “Capital Brasileira do Terceiro Milênio”, dada a quantidade de adeptos dos mais diversos esoterismos que acorrem para lá. “E há mais 47 interessados em comprar imóveis aqui por causa do fim do mundo”, diz Milton Silva, gerente da imobiliária Kalunga Imóveis, que atua na região. “Esperamos que ocorra em 2012 o mesmo boom de turistas que vieram para cá na virada de 1999 para 2000”, diz Fernando Couto, secretário de Turismo de Alto Paraíso. “Sei que já há quartos alugados em pousadas para o dia 21 de dezembro, mas até essa data vere­mos o número de visitantes aumentar.”

Mais ao Sul do País, na cidade de Porto Belo, em Santa Catarina, a migração de turistas é motivada por uma seita chamada “Movimento Salvai Almas”, fundada em 1997 pelo aposentado Cláudio Heckert, 66 anos. Católico e pai de sete filhos, Heckert diz receber mensagens de Nossa Senhora constantemente, entre elas um alerta de que o mundo passará por uma terceira guerra mundial em maio de 2012. “Três bombas nucleares serão detonadas”, diz Arnaldo Haas, porta-voz do grupo, que garante ter respaldo bíblico para todas as previsões que chegam de Maria, mãe de Jesus, através de Heckert. Segundo o suposto profeta, quem sobreviver à hecatombe atômica terá ainda de escapar da queda de uma estrela, em setembro, e do juízo final, marcado para 25 de dezembro do mesmo ano. “Será rápido e fulminante, mas os filhos de Deus não têm o que temer”, diz Haas. Confiantes, os membros do movimento nem irão se preparar para a tragédia. “Quando a hora chegar”, diz Haas, “Deus garantirá proteção e multiplicará, apenas para os fiéis, provisões como alimentos e água.”

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Contar com o auxílio divino no momento final, no entanto, não tem sido o suficiente para todos que esperam terremotos, tsunamis e outras calamidades em 2012. O americano Dennis McClung, morador da cidade de Phoenix, no Arizona, ganhou fama por transformar a casa em que vive com a mulher, Danielle, e os filhos, Caden, 4 anos, e Vedah, 2, num verdadeiro refúgio antiapocalipse. Desde 2009 a família se prepara para uma possível explosão solar em 2012, que comprometeria o funcionamento de serviços básicos como luz, água e comunicações aqui na Terra. “Se os Estados Unidos saírem do ar por causa de uma explosão solar, todos terão apenas alguns dias de água, pouca comida e em uma semana viveremos no caos”, diz McClung. Para aumentar suas chances de sobrevivência, o webdesigner desenvolveu uma estrutura autossuficiente no fundo do quintal, que inclui a criação de tilápias, galinhas e cabras e o cultivo de vegetais e folhas. Caso tenha que fugir de casa, comprou máscaras e roupas à prova de substâncias tóxicas e radioativas. O americano Peter Larson também construiu um bunker a uma hora de sua casa, em Salt Lake City, no Utah, para os 12 membros da sua família. A porta suporta até 36 toneladas de pressão e há comida para dois anos. O medo de Larson é que o mundo acabe num ataque nuclear. “As chances de um holocausto estão maiores com o ingresso do Irã e da Coreia do Norte no clube de países nucleares”, diz.

Além da procura por comidas enlatadas, lanternas, máscaras e água para estocagem, outros segmentos da economia se beneficiam do fenômeno apocalíptico de 2012. Desde que um tsunami invadiu a costa do Japão, em março de 2011, causando um desastre nuclear, o número de pessoas interessadas em comprar bunkers nos Estados Unidos aumentou em até 1.000%. Apenas uma empresa, a Terravivos, afirma ter recebido centenas de pedidos de reserva, efetivados mediante um depósito mínimo de US$ 5 mil. “As pessoas estão com medo de eventos catastróficos e preveem um colapso da economia mundial que levaria à anarquia e que poderia significar o fim de 90% da população mundial”, diz Robert Vicino, CEO da Terravivos. No Brasil, a empresa brasileira Bunker Brasil confirma ter vendido três bunkers para clientes brasileiros que temem catástrofes em 2012. Os modelos, com proteção contra armas químicas e biológicas, filtragem de ar e armazenamento de alimentos, variam de preço e tamanho, mas custam entre R$ 800 mil e R$ 1 milhão, na versão com capacidade para abrigar até dez pessoas.

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Se as novas tecnologias que possibilitam maior proteção contra as possíveis tragédias propagadas para 2012 são modernas, o fim do mundo não tem nada de novo. Há milênios, profetas das mais diferentes crenças e religiões vêm a público para defender datas que marcariam o apocalipse. Felizmente (e obviamente) todos falharam até aqui. O americano Harold Camping, um dos arautos do fim dos tempos mais fracassados do mundo, já previu e errou o dia do juízo final três vezes. Isso não o impediu, porém, de conquistar seguidores até no Brasil. No bairro de Nova Gameleira, em Belo Horizonte, fica a sede nacional da Family Radio, organização criada por Camping. Em maio de 2011, o líder brasileiro do grupo, Harold Gulli – que mora nos Estados Unidos – veio ao País para divulgar o fim do mundo entre os brasileiros. Com um pequeno bando de seguidores, distribuiu panfletos em São Paulo, São Bernardo do Campo e São José dos Campos, pedindo às pessoas que se arrependessem de seus pecados. Mas o fim dos dias, marcado por Camping para 21 de maio, não aconteceu.

A data do fim do mundo da vez, 21 de dezembro de 2012, se tornou popular após interpretações de escritos maias encontrados no templo de Palenque, no sul do México. Ali está registrado que um dos calendários maias, a roda calendária, terminaria neste dia. O marco teria sido calculado através da observação astronômica e da análise de outros dois calendários maias, o Zolkin, que pautava a vida religiosa, e o Haab, ligado às guerras e à vida civil. “Mas os maias não deixaram nenhum registro de que o mundo acabaria”, diz Alexandre Navarro, doutor em arqueologia pela Unam (Universidad Nacional Autónoma de México) e professor de história da América da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). “O fim da roda calendária representa apenas o término de um ciclo”, diz.

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BUNKER - Dennis McClung, de Phoenix (EUA), estoca água, mantimentos e utensílios à espera do apocalipse

Mas, para alguns fiéis do fim dos tempos, outros sinais indicariam que o reino dos homens sobre a Terra estaria prestes a acabar. Misturando arqueologia e ciência, profecias correm a internet afirmando que em 21 de dezembro de 2012 um raro alinhamento do Sol com os planetas do sistema solar poderia interferir na gravidade da Terra, causando maremotos, terremotos e muitas mortes. “Esse alinhamento, de fato, acontecerá, mas não significará absolutamente nada”, diz o astrônomo Carlos Henrique Veiga, coordenador da Divisão de Assuntos Educacionais do Observatório Nacional. Segundo o especialista, o fenômeno já ocorreu milhares de vezes desde que nosso planeta existe e nunca gerou consequências perceptíveis. “Cataclismas, tsunamis e terremotos não são ocasionados pela atração gravitacional dos planetas”, reforça.

Mesmo que o mundo não acabe em 2012, ainda assim muitas pessoas não descartam a hipótese do fim numa data futura. Para o empresário paulista Jairo Pontes, várias catástrofes naturais devem ocorrer em 2012, mas não serão suficientes para dar cabo à vida no planeta. “O juízo final está marcado entre 2028 e 2036”, diz. Nesse período, de acordo com o seguidor da Igreja Cristã Apostólica Profética de Alphaville, um meteoro deverá atingir a Terra e três quartos da população mundial perecerá instantaneamente. “Só quem acreditar em Jesus e for batizado será salvo”, afirma Pontes. Saindo da seara religiosa, a fotógrafa Lívia Buchele, 32 anos, também acredita no apocalipse, mas sob o viés ambiental. “O fim do mundo já começou”, diz Lívia. “Se não mudarmos nosso estilo de vida, o planeta chegará ao seu limite e será o nosso fim.”

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Seja por motivos religiosos, seja por motivos científicos ou ecológicos, o apocalipse sempre despertará o interesse e a curiosidade do homem, independentemente das crenças de cada um. “Pensar no fim do mundo nos desperta um sentimento de ambiguidade”, explica Teresa Creusa Negreiros, doutora em psicologia clínica e professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). “Ao mesmo tempo que tememos um fim coletivo, também o desejamos, pois assim não deixaríamos a vida sozinhos.” Se o dia 21 de dezembro de 2012 terminar como todos os outros, isso não significará, contudo, o fim das profecias sobre o fim do mundo. Será só mais uma possibilidade de lembrar a célebre frase de Santo Agostinho, no livro “A Cidade de Deus”: qualquer previsão que fale em uma data não passa de uma fábula ridícula.

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PARANOIA - Peter Larson, de Salt Lake City (EUA), em seu bunker para 12 pessoas:  seis metros de profundidade


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Colaborou Débora Rubin
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Fonte: ISTOÉ Independente

Movimentos pregam vinda de Jesus à Terra e fim do mundo em 2012

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Mais da metade da população mundial morrerá, dizem religiosos e profetas. Brasileiros compram 'bunkers' com medo do juízo final do apocalipse bíblico.

Publicado originalmente no G1 - São Paulo


Por Kleber Tomaz - Do G1 SP
Chegou 2012 e um dos assuntos mais comentados na internet é o calendário maia que, segundo algumas interpretações, prevê o fim do mundo em 21 de dezembro deste ano. Na esteira das teorias pré-colombianas, grupos que se definem como católicos, evangélicos, dissidentes ou desvinculados dessas religiões estão usando a Bíblia, santos, anjos, estrelas, planetas e até extraterrestres como argumentos para anunciar o juízo final.

A teoria a respeito dos maias, amplamente conhecida no México, teve sua origem em achados arqueológicos, com alusões a um evento místico que ocorreria no 21º dia do último mês de 2012. Eles eram interpretados como uma profecia sobre o fim do mundo. Há cerca de três anos, o filme "2012" estreava nos cinemas baseado nos supostos entendimentos maionistas sobre o fim dos tempos. Mas segundo o Instituto Nacional de História Antropológica do México, a civilização maia jamais previu isso.

Diferentemente do fim do mundo preconizado a partir da contagem regressiva das datas da roda mesoamericana, alguns movimentos, como, por exemplo, o Movimento Salvai Almas, o Ministerio Internacional Creciendo en Gracia e a casa de tratamento Lar Lokkon Shôjo, pregam o surgimento dessa nova era baseada nas releituras dos textos bíblicos ou mensagens visionárias e telepáticas recebidas.

De acordo os movimentos Salvai Almas - que se diz católico - e o Creciendo en Gracia - que se apresenta como evangélico-, o livro do Apocalipse prevê que, em 2012, o planeta sofrerá um colapso com resultados devastadores para a humanidade por conta da chegada de Jesus Cristo à Terra. Segundo eles, ocorrerão guerras, destruição do homem pelo homem e surgimento de falsos profetas que levarão os fiéis pelos caminhos das trevas. Apesar disso, a raça humana não será extinta.

Pelas profecias, até lá, mais da metade da população mundial irá morrer, seja por causa de guerras, epidemias, ou por meio de desastres naturais, como tsunamis, terremotos e chuvas de asteróides. Só se salvarão aqueles "puros de espírito" que creem no filho de Deus e nas escrituras bíblicas. Também sobreviverão alguns impuros que terão a chance de continuar no “paraíso” terreno se se converterem. Após tudo isso, a ordem será restabelecida com um mundo novo.

O Salvai Almas não revela a data exata dessa vinda de Jesus, mas informa que os acontecimentos apocalípticos começarão a partir do dia 23 de maio. Neste ano, o movimento prevê que uma bomba atômica será lançada por Israel contra o Irã, dando início à 3ª Guerra Mundial. Seus fiéis já estão adquirindo “lencinhos de Nossa Senhora” para se protegerem contra eventuais ataques químicos ou doenças contagiosas. O movimento, no entanto, não orienta seus discípulos a se refugiarem em abrigos ou armazenarem alimento. É solicitado apenas que eles estejam orando e confessando seus pecados a Deus no dia do juízo final.

O movimento, que se auto-intitula "católico, apostólico, romano e fiel ao papa", surgiu no Brasil em 1997 em Porto Belo (SC), quando o ex-escriturário Cláudio Heckert, atualmente com 66 anos, afirmou ter visto Nossa Senhora e ouvido ela lhe transmitir avisos sobre o futuro da raça humana.

Para o Creciendo en Gracia (Crescendo em Graça, numa tradução do espanhol para o português), “Jesus Cristo já está entre nós”. Segundo o ministério, ele é o ex-pastor pentecostal porto-riquenho José Luis de Jesús Miranda, de 65 anos, que prefere ser chamado de Jesucristo Hombre. A sede do movimento, fundado nos anos 1980, fica em Miami, nos Estados Unidos. Miranda afirma ser a reencarnação de Jesus Cristo e, ao mesmo tempo, o anticristo. Pelos seus cálculos, 2012 é o ano da transformação. A data para isso é 30 de junho.

JH, como Miranda assina, tem o número 666, atribuído à besta pelo livro do Apocalipse, tatuado no corpo. Segundo ele, o símbolo não representa o diabo, que morreu na cruz com Jesus, mas, sim, o homem como animal, a sabedoria e a prosperidade. Muitos de seus seguidores também marcam o desenho na pele em busca da salvação.

Mas mesmo diante do prenuncio do juízo final, JH instruiu seus seguidores a agirem normalmente quando esse dia chegar, trabalhando, estudando. Apesar de estarem focados na transformação, a contagem regressiva é considerada um “entretenimento” para que eles se mantenham crentes na esperança de seguirem firmes e convictos.

Jesus Cristo na Terra

Como os líderes do Salvai Almas e do Creciendo en Gracia são avessos às entrevistas, o G1 teve autorização deles para falar com seus membros sobre as previsões para 2012.
“Não será o fim do mundo, será o ano de uma nova era, como está anunciado na Bíblia e como Claudio escreve a partir das mensagens que recebe da mãe de Jesus Cristo, que é Maria. Isso ocorrerá no próximo ano porque Jesus está chegando”, disse Arnaldo Haas, de 63 anos, porta-voz do Salvai Almas.

“O mundo não vai acabar. Ao contrário, será transformado em um autêntico paraíso. O que acabará será a estrutura corrompida, vigente neste mundo atual. Jesus Cristo Homem já está na Terra profetizando isso”, disse Wandir de Cesare, de 56, colaborador do Creciendo en Gracia em São Paulo. Questionado se poderia voltar a falar do assunto com reportagem no segundo semestre de 2012, período após essa suposta transformação, ele respondeu: “Claro que sim, isso se você [repórter] ainda estiver aqui [na Terra] até lá”.
Refúgio e 'bunkers'

O Lar Lokkon Shôjo (que traduzido do japonês para o português significa Seis Raízes Puras) informa que aproximadamente 20 seguidores estão se mudando para Alto Paraíso de Goiás (GO), na Chapada dos Veadeiros, onde pretendem se refugiar. A casa de tratamento que afirma fornecer cura para as pessoas foi fundada há 35 anos em Atibaia, interior de São Paulo, pelo ex-agricultor japonês Masuteru Hirota, 69, conhecido como professor Hirota.

Hirota, que pediu para ser citado na matéria como vidente, falou numa mistura de português e japonês ao G1 que anjos estelares e ETs o avisaram sobre um tsunami que irá inundar todas as cidades litorâneas do mundo. “É o fim do mundo, né?! Tem maremoto que vai deixar dois terços da Terra debaixo d'água. Muita gente vai morrer. Poucos vão se salvar. Só aqueles que estiverem em região alta, onde a água não chega”, disse o professor Hirota.

Segundo ele, as “seis raízes” significam os sentidos humanos, como olhos, ouvidos, nariz, boca, corpo e pensamento. “Por esse motivo, dependerá de cada ser humano se proteger contra a catástrofe que se anuncia para 2012. Quando meus guias avisarem a respeito da data, vou repassar o que ouvi deles para quem quiser ouvir e me seguir”, afirmou Hirota, que deverá ir para algum ponto entre os estados do Mato Grosso, Tocantis e Goiás. “É preciso levar mantimentos, armazenar comida seca, como arroz e feijão. Estamos guardando tudo isso em garrafas pet. Quando os maremotos chegarem, um milhão de galopes de cavalos serão ouvidos.”

O medo de que o mundo possa acabar está levando algumas pessoas a procurarem "bunkers" (estruturas fortificadas, parcial ou totalmente subterrâneas, construídas para resistir a projéteis de guerra) no Brasil. “Neste ano, de cem consultas de compra de bunkers que tivemos, 20 delas nos procuraram alegando o fim do mundo como motivo para a aquisição”, afirmou José Roberto Cravo, diretor comercial da Bunker BR, que fica em Jundiaí, interior paulista.

Três unidades foram vendidas para pessoas que creem no apocalipse. Os "bunkers" variam de tamanho e preço. Um modelo que proteja contra gases tóxicos e armazene alimentos custa o equivalente a um imóvel de alto padrão. “Prefiro não revelar o valor por questões de segurança”, disse Cravo.

O que dizem os contrários às profecias

Além de Jesucristo Hombre, que afirma ser a reencarnação de Jesus Cristo na Terra, o catarinense Álvaro “Inri Cristo” Thais, de 63 anos, também diz ser o único filho de Deus no planeta. Diferentemente de seu concorrente, ele não acredita no dia do juízo final em 2012.

“Eu garanto que o mundo não vai acabar no ano que vem. O apocalipse começou na verdade em 1979, quando eu tive a consciência de que sou Jesus reencarnado. O ano de 2012 vai acabar para aqueles que morrerem nesse ano. O mundo vai acabar um dia, mas como disse há 2 mil anos, eu mesmo fico agradecido ao Pai por não saber quando isso ocorrerá”, disse Inri Cristo ao G1. Ele é fundador da Suprema Ordem Universal da Santíssima Trindade, criada em 1982, e que atualmente tem sede em Brasília.

Outro que tenta desmistificar a crença de que o mundo irá acabar em 2012 é o vitrinista e escritor Agostinho Batista de Almeida Primo, que, além de escrever um livro sobre o assunto, espalhou cartazes em outdoors da sua obra em diversos pontos da região de Atibaia, no interior de São Paulo. “O meu livro mostra na verdade que todas essas profecias são fruto de interpretações errôneas de textos bíblicos. O Mundo não vai acabar”, disse Primo, que além de publicar “666 – O Mundo já está Marcado”, fundou uma congregação na qual 12 pessoas se reúnem para ler a bíblia.

Para o Cônego Antônio Aparecido Pereira, o padre Cido, vigário episcopal para as comunicações da Arquidiocese de São Paulo, é preciso tomar cuidado com quem afirma que o mundo irá acabar ou que Jesus Cristo voltará à Terra em 2012. “Não há nada na Bíblia que indique que o mundo irá acabar no próximo ano. Digo isso em nome da Igreja católica”, afirmou o padre Cido.

"Essas interpretações são equivocadas e baseadas em superstições. Não há nem na escritura do Novo Testamento, que é a porção cristã, nem no ensino de Jesus, e nem na escatologia, nada que possamos dizer sobre 2012. Todo ano, seja ele 2011, 2012, é um ano de esperança. Portanto, para a teologia séria, isso de fim do mundo é piada. A data da volta de Jesus está guardada. Qualquer pessoa que diga que sabe qual será esse dia está mentindo”, disse o pastor Marcos Granconato, da Igreja Batista Redenção em São Paulo.

Para o professor Eulálio Figueira, coordenador do programa do curso de especialização em Ciência da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), profecias e previsões sobre o fim do mundo não são novidade. “Do ponto de vista sério, não há previsão sobre o fim do mundo na Bíblia. Já houve outras profecias sobre o fim do mundo, mas nenhuma delas se concretizou”.
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Fonte G1