quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Rio Acre começa a baixar, mas número de pessoas afetadas pelas chuvas no Estado sobe

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Reportagem publicada neste último dia 27/02/2012 no UOL Noticias


Por Amanda Cieglinski


O nível do Rio Acre, que transbordou por causa das chuvas e afetou mais de 102 mil pessoas em Rio Branco, manteve-se estável durante todo o dia e diminuiu, apesar de ainda estar 3,5 metros acima do limite. A informação é do boletim do governo do Estado divulgado no início da noite desta segunda-feira (27).


Já o número de afetados pelas enchentes cresceu em comparação com o fim de semana chegando a 134 mil em todo o estado. Com os primeiros sinais de vazante do rio, a prefeitura de Rio Branco, o governo estadual e o Exército começaram a planejar o trabalho de limpeza dos 32 bairros que foram mais afetados pela enchente na capital. A previsão é que, na primeira etapa, cerca de 500 homens e 280 máquinas trabalhem na limpeza das casas e terrenos, desobstrução de bueiros e retirada de entulho.

Dez cidades foram afetadas pelas chuvas no Acre, sendo que as mais atingidas foram Rio Branco e Brasileia. São 11.747 pessoas desalojadas que estão em abrigos públicos, mais de 6 mil apenas na capital. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão para amanhã (28) é que haverá chuva moderada a forte.


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Fonte: Uol Noticias

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O livre-arbítrio não existe, dizem neurocientistas

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Novas pesquisas sugerem que o que cremos ser escolhas conscientes são decisões automáticas tomadas pelo cérebro. O homem não seria, assim, mais do que um computador de carne

Publicado originalmente em Veja Online - Assista aos videos no final deste artigo.

Por Aretha Yarak

Saber se os homens são capazes de fazer escolhas e eleger o seu caminho, ou se não passam de joguetes de alguma força misteriosa, tem sido há séculos um dos grandes temas da filosofia e da religião. De certa maneira, a primeira tese saiu vencedora no mundo moderno. Vivemos no mundo de Cássio, um dos personagens da tragédia Júlio César, de William Shakespeare. No começo da peça, o nobre Brutus teme que o povo aceite César como rei, o que poria fim à República, o regime adotado por Roma desde tempos imemoriais. Ele hesita, não sabe o que fazer. É quando Cássio procura induzi-lo à ação. Seu discurso contém a mais célebre defesa do livre-arbítrio encontrada nos livros. "Há momentos", diz ele, "em que os homens são donos de seu fado. Não é dos astros, caro Brutus, a culpa, mas de nós mesmos, se nos rebaixamos ao papel de instrumentos."

Como nem sempre é o caso com os temas filosóficos, a crença no livre-arbítrio tem reflexos bastante concretos no "mundo real". A maneira como a lei atribui responsabilidade às pessoas ou pune criminosos, por exemplo, depende da ideia de que somos livres para tomar decisões, e portanto devemos responder por elas. Mas a vitória do livre-arbítrio nunca foi completa. Nunca deixaram de existir aqueles que acreditam que o destino está escrito nas estrelas, é ditado por Deus, pelos instintos, ou pelos condicionamentos sociais. Recentemente, o exército dos deterministas – para usar uma palavra que os engloba – ganhou um reforço de peso: o dos neurocientistas. Eles são enfáticos: o livre-arbítrio não é mais que uma ilusão. E dizem isso munidos de um vasto arsenal de dados, colhidos por meio de testes que monitoram o cérebro em tempo real. O que muda se de fato for assim?

Mais rápido que o pensamento — Experimentos que vêm sendo realizados por cientistas há anos conseguiram mapear a existência de atividade cerebral antes que a pessoa tivesse consciência do que iria fazer. Ou seja, o cérebro já sabia o que seria feito, mas a pessoa ainda não. Seríamos como computadores de carne - e nossa consciência, não mais do que a tela do monitor. Um dos primeiros trabalhos que ajudaram a colocar o livre-arbítrio em suspensão foi realizado em 2008. O psicólogo Benjamin Libet, em um experimento hoje considerado clássico, mostrou que uma região do cérebro envolvida em coordenar a atividade motora apresentava atividade elétrica uma fração de segundos antes dos voluntários tomarem uma decisão – no caso, apertar um botão. Estudos posteriores corroboraram a tese de Libet, de que a atividade cerebral precede e determina uma escolha consciente.

Um deles foi publicado no periódico científico PLoS ONE, em junho de 2011, com resultados impactantes. O pesquisador Stefan Bode e sua equipe realizaram exames de ressonância magnética em 12 voluntários, todos entre 22 e 29 anos de idade. Assim como o experimento de Libet, a tarefa era apertar um botão, com a mão direita ou a esquerda. Resultado: os pesquisadores conseguiram prever qual seria a decisão tomada pelos voluntários sete segundos antes d eeles tomarem consciência do que faziam.

Nesses sete segundos entre o ato e a consciência dele, foi possível registrar atividade elétrica no córtex polo-frontal — área ainda pouco conhecida pela medicina, relacionada ao manejo de múltiplas tarefas. Em seguida, a atividade elétrica foi direcionada para o córtex parietal, uma região de integração sensorial. A pesquisa não foi a primeira a usar ressonância magnética para investigar o livre-arbítrio no cérebro. Nunca, no entanto, havia sido encontrada uma diferença tão grande entre a atividade cerebral e o ato consciente.

Patrick Haggard, pesquisador do Instituto de Neurociência Cognitiva e do Departamento de Psicologia da Universidade College London, na Inglaterra, cita experimentos que comprovam, segundo ele, que o sentimento de querer algo acontece após (e não antes) de uma atividade elétrica no cérebro.

"Neurocirurgiões usaram um eletrodo para estimular um determinado local da área motora do cérebro. Como consequência, o paciente manifestou em seguida o desejo de levantar a mão", disse Haggard em entrevista ao site de VEJA. "Isso evidencia que já existe atividade cerebral antes de qualquer decisão que a gente tome, seja ela motora ou sentimental."

O psicólogo Jonathan Haidt, da Universidade da Vírginia, nos Estados Unidos, demonstrou que grande parte dos julgamentos morais também é feito de maneira automática, com influência direta de fortes sentimentos associados a certo e errado. Não há racionalização. Segundo o pesquisador, certas escolhas morais – como a de rejeitar o incesto – foram selecionadas pela evolução, porque funcionou em diversas situações para evitar descendentes menos saudáveis pela expressão de genes recessivos. É algo inato e, por isso, comum e universal a todas as culturas. Para a neurociência, é mais um dos exemplos de como o cérebro traz à tona algo que aprendeu para conservar a espécie.

O determinismo pela História

386: Agostinho de Hipona

Nos três volumes da obra De Libero Arbitrio (Sobre o livre-arbítrio), Santo Agostinho rebate o maniqueísmo, teoria que defende que o mundo é dividido entre bem e mal. Defensor ferrenho do livre-arbítrio após sua conversão ao cristianismo, Agostinho acreditava que o mal era fruto da liberdade humana mal utilizada. Como Deus havia criado o homem livre para fazer suas próprias escolhas, cabe a ele agir de forma consciente e escolher entre o bem e o mal.

Década de 1530: João Calvino

O Calvinismo, movimento religioso protestante, tem suas raízes na Reforma iniciada no século XVI na Europa. A ideologia define que Deus, criador supremo de todas as coisas, governa o mundo. Por isso, o homem já nasce predestinado àquele futuro – às graças os escolhidos, ao inferno os demais.



1677: Espinoza

A publicação póstuma de Ética, do filósofo holandês Bento Espinoza, é uma das marcas de sua posição contrária à teoria de Descartes - que defende em 1641 que existe a cisão entre corpo e mente. Para Espinoza, esse dualismo não existe e tudo - como o comportamento humano - é determinado pela natureza e acontece em função da necessidade. Nossa liberdade estaria, então, na capacidade de reconhecermos que somos seres determinados e de entender por que agimos da maneira como agimos.

1687: Isaac Newton

Segundo as teorias do físico inglês, o Universo é regido por leis fixas, determinadas no momento em que ele foi estabelecido. Assim, é possível comparar as partículas básicas do mundo às bolas em uma mesa de bilhar: elas se movem e se chocam de maneiras previsíveis, que levam a resultados já esperados. Isso porque seu comportamento é pré-determinado. Ou seja, para Newton, o Universo é uma grande engrenagem que segue seu fluxo determinado - nesse cenário, os homens seriam as peças do grande maquinário.

1718: Voltaire

Apesar de defender a emancipação humana e as reformas sociais, o pensador francês se aproximou das teorias deterministas - acredita-se que pela influência de Isaac Newton. “Se alguém olhar com cuidado, verá que a doutrina contrária àquela do destino é absurda.”



1896: James Mark Baldwin

Para o psicólogo americano, embora alguns comportamentos adquiridos durante a vida não sejam hereditários, a tendência a adquiri-los pode ser. Um exemplo seria o medo de cobra. O medo em si não é hereditário, mas a tendência a temer o animal, sim. Essa tendência é passada de geração a geração com um único fim: a preservação da espécie.



1920: Albert Einstein

"Sobre a liberdade humana, no sentido filosófico, sou definitivamente um descrente. Todo mundo age não só sob compulsão externa, mas também de acordo com uma necessidade interior. (...) Não acredito em liberdade de arbítrio. Esse reconhecimento de não-liberdade me protege de levar a mim e aos demais homens muito à sério, como agir e julgar os indivíduos e perder o bom humor.”


1945: Burrhus F. Skinner

O psicólogo americano é uma das referências do Behaviorismo Radical. Para Skinner, o homem é uma entidade única, já que sua teoria refuta a ideia da divisão entre corpo e mente. Em seu livro Além da Liberdade e da Dignidade, o psicólogo rejeitou noções como a do livre-arbítrio e defendeu que todo comportamento é determinado pelo ambiente, embora a relação do indivíduo com o meio seja de interação, e não passiva.


A mente como produto do cérebro — Como o cérebro já se encarregou de decidir o que fazer – e o ato está feito —, é preciso contextualizar a situação. É aí que entra a nossa consciência. Ela também é um produto da atividade cerebral, que surge para dar coerência às nossas ações no mundo. O cérebro toma a decisão por conta própria e ainda convence seu 'dono' que o responsável foi ele.

Em outras palavras: quando você para, pensa e toma decisões pontuais, tem a sensação de que um eu consciente e racional, separado do cérebro, segura as rédeas de sua vida. Mas para cientistas como Michael Gazzaniga, coordenador do Centro para o Estudo da Mente da Universidade da Califórnia e um dos maiores expoentes da neurociência na atualidade, não existe essa diferenciação. Segundo ele, somos um só: o que é cérebro também é mente. A sensação de que existe um eu, que habita e controla o corpo, é apenas o resultado da atividade cerebral que nos engana. "Não há nenhum fantasma na máquina, nenhum material secreto que é você", diz Gazzaniga, que, em seu mais recente livro, Who’s in Charge – Free Will and the Science of the Brain (Quem está no comando – livre-arbítrio e a ciência do cérebro, sem edição em português), esmiúça a mecânica cerebral das decisões.

Segundo Gazzaniga, o cérebro humano fabula o tempo todo. A invenção de pequenas histórias para explicar nossas escolhas seria uma maneira sagaz de estruturar nossa experiência cotidiana. Essa estrutura narrativa, segundo Patrick Haggard, tem um significado importante na evolução humana.

"Criar histórias sobre as nossas ações pode ser útil para quando nos depararmos com situações similares no futuro. É assim que iremos decidir como agir, relembrando resultados anteriores", diz. Ou seja, funcionamos na base do acerto e do erro, e da cópia do comportamento de pessoas próximas – principalmente nossos familiares. "Por isso a educação das crianças é tão importante. É um momento em que o cérebro absorve uma grande carga de informações e está sendo moldado, criando parâmetros para saber como se portar, como viver em sociedade."

Dúvidas — Em artigo publicado no periódico Advances in Cognitive Psychology, o pesquisador W. R. Klemm coloca em xeque a metodologia usada em diversos dos experimentos recentes da neurociência. Segundo Klemm, que é professor na Universidade do Texas e autor do livro Atoms of Mind. The 'Ghost in the Machine' Materializes (Átomos da mente. O fantasma da máquina se materializa, sem edição no Brasil) alguns estudos sugerem que não é possível medir com precisão o tempo entre o estímulo cerebral e o ato em si. O que poderia colocar abaixo toda a tese da turma de Gazzaniga.

O argumento principal do pesquisador, no entanto, recai sobre a generalização dos testes. "Não é porque algumas escolhas são feitas antes da consciência em uma tarefa, que temos a prova de que toda a vida mental é governada desta maneira", escreve no artigo. Klemm defende ainda a tese de que atividades mais complexas do que apertar um botão ou reconhecer uma imagem devem ser feitas de maneiras muito mais complexas. "Os experimentos feitos são muito limitados."

Ainda que as pesquisas estejam corretas, os próprios neurocientistas reconhecem que a ideia de um mundo sem livre-arbítrio provoca estranhamento. Eles se esforçam, sobretudo, para conciliar sua teoria com o problema da responsabilidade pessoal. "Mesmo que a gente viva em um universo determinista, devemos todos ser responsáveis por nossas ações", afirma Gazzaniga. "A estrutura social entraria em caos se a partir de hoje qualquer um pudesse matar ou roubar, com base no argumento simplista de 'meu cérebro mandou fazer isso'."

Para o cientista cognitivo Steven Pinker, a solução talvez seja manter a ciência e moralidade como dois reinos separados. "Creio que ciência e ética são dois sistemas isolados de que as mesmas entidades fazem uso, assim como pôquer e bridge são dos jogos diferentes que usam o mesmo baralho", escreve ele no livro Como a Mente Funciona. "O livre-arbítrio é uma idealização que torna possível o jogo da ética."

Continuariamos, assim, a viver no mundo descrito por Cássio em Júlio César. "Há momentos em que os homens são donos de seu fado", diz ele. Neurocientistas como Pinker estão prontos a concordar com isso - desde que se entenda o livre-arbítrio como uma ilusão necessária para o jogo das leis e da ética - e desde que se ponha o cérebro o lugar dos astros, como o grande condutor de nossos atos.

Michio Kaku, um dos principais físicos da atualidade, explica o livre-arbítrio do ponto de vista da física:

Steven Pinker, psicólogo da Universidade de Harvard e autor do livro Como a Mente Funciona, fala sobre o livre-arbítrio:

Emoção x Razão

Em seu recente livro Thinking, Fast and Slow (Pensando, rápido e devagar, com edição em português prevista para o segundo semestre de 2012), o ganhador do prêmio Nobel de economia de 2002, Daniel Kahneman, defende a tese de que grande parte das nossas decisões são puramente emocionais. Mesmo quando um pessoa acredita que está racionalizando, e que faz um determinado investimento baseado em dados, está, na verdade, agindo pela emoção.

Isso explica por que as pessoas criam empatia por um político apenas pela sua fisionomia ou porque professores tendem a dar melhores notas a alunos que já se destacam. Kahneman ainda discorre sobre a substituição do problema, mecanismo pelo qual criamos opiniões intuitivas sobre assuntos complexos. Quando alguém lhe pergunta, por exemplo: "Quanto você doaria para salvar uma espécie ameaçada?", a pergunta que você responde é "Quão emotivo eu fico quando penso em golfinhos ameaçados?"

Logo abaixo estão dois testes propostos por Kahneman. Segundo a tese do Nobel, a tendência é que você responda às perguntas motivado pela intuição e pelos estereótipos — deixando de lado a pura racionalidade.

1) Linda é uma mulher de 31 anos, solteira, e muito inteligente. Ela é graduada em filosofia. Enquanto estudante, ela se envolveu profundamente com assuntos como discriminação e injustiça social, e participou de demonstrações antinucleares. Qual a afirmativa correta?

a) Linda é caixa de banco

b) Linda é uma caixa de banco e participa ativamente do movimento feminista

Solução: Nas respostas de todos os grupos avaliados por Kahenaman, houve um consenso: quase 90% dos participantes colocaram a opção caixa de banco e feminista com altos índices de probabilidade. Mas a probabilidade de que Linda seja uma caixa feminista é menor do que a de ser apenas uma caixa de banco. Aqui, fica estabelecido um conflito entre a intuição de representatividade e a lógica de probabilidade. Pela lógica (e não a intuição e o estereótipo), Linda seria apenas uma caixa de banco.

2) Quantos encontros amorosos você teve mês passado?

a) 1 – 3
b) 3 – 5
c) 0

Numa escala de 1 a 5, o quão feliz você está se sentindo esses dias (sendo 5 o mais feliz)?

a) 1
b) 2
c) 3
d) 4
e) 5

Solução: Independente de como foi sua resposta, é bastante provável que a resposta à segunda pergunta esteja diretamente relacionada com a primeira. Se você teve poucos encontros, vai se sentir menos feliz – e vice-versa. Entretanto, quando as mesmas perguntas são feitas em ordens trocadas, a quantidade de encontros não influencia o quão feliz a pessoa se acha. Quando deparado com uma pergunta objetiva (quanto encontros teve no mês), seguida por outra subjetiva (felicidade), a resposta da primeira acaba por influenciar a segunda. Essa projeção é chamada de substituição
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Fonte: Vi no Hospital da Alma que compartilhou do PavaBlog e agora no PCamaral a reportagem completa.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O Que Aconteceu com o Pecado?

4 comentários:
E não se arrependeram dos seus homicídios, nem das suas feitiçarias, nem da sua prostituição, nem dos seus furtos. (Apocalipse 9:21)

Publicado originalmente em Josemar Bessa
Esse tipo de pensamento tirou do discurso público palavras como pecado, arrependimento, contrição, expiação, restauração, redenção. Se se presume que ninguém sente culpa, como alguém poderia ser um pecador? 
Por John MacArthur

A guerra contra a culpa

Nossa cultura declarou guerra contra a culpa. O próprio conceito é considerado medieval, obsoleto e inócuo. Geralmente, aqueles que têm problemas com sentimento de culpa recorrem a um terapeuta, cuja tarefa é melhorar a auto-imagem do paciente. Ninguém, afinal de contas, deve sentir-se culpado. A culpa não conduz à dignidade e nem à auto-estima. A sociedade encoraja o pecado, mas não tolera a culpa produzida por ele.

O Dr. Wayne Dyer, autor do megabest-seller, Your Erroneous Zones, parece ter sido uma das primeiras vozes influentes a desacreditar completamente a culpa. Ele denominou a culpa de o "mais inútil de todos os comportamentos da zona de erro". De acordo com o Dr. Dyer, a culpa não é nada além de uma neurose. "A zona da culpa", ele escreveu, "deve ser banida, varrida e esterilizada para sempre."
Como vamos limpar e esterilizar nossas zonas de culpa? Rejeitando o comportamento pecaminoso que faz com que nos sintamos culpados? Arrependendo-nos e buscando o perdão? Conforme o Dr. Dyer, não. De fato, sua solução para a culpa está muito longe do conceito bíblico de arrependimento. Seu conselho aos leitores que se sentem culpados é o seguinte: "Faça algo que você sabe que, com certeza, resultará em sentimento de culpa.... Isole-se por uma semana, se você sempre quis fazer algo parecido — apesar dos protestos causadores de culpa dos outros membros da família. Este tipo de comportamento o ajudará a lidar com a culpa onipresente". Em outras palavras, afronte sua culpa. Se necessário, rejeite sua própria esposa e seus filhos. Ataque de frente o senso de auto-reprovação. Faça algo que com certeza o fará sentir-se culpado, e então rejeite a culpa, não atente aos gritos da consciência, aos deveres da responsabilidade familiar, ou até mesmo aos apelos dos seus queridos. Você deve isso a si mesmo.
Raramente a culpa é tratada com seriedade. Normalmente é retratada como um mero desgosto, um aborrecimento, um pequeno contratempo da vida. Recentemente, no nosso jornal local havia um artigo característico sobre a culpa. Era um texto leve, que tratava, na sua maioria, de pequenas indulgências como comidas caras, batatas fritas, dormir tarde e de outros "prazeres que nos fazem sentir culpados", como o artigo as chamava. Ele citava muitos psiquiatras e outros especialistas em mente. Todos caracterizavam a culpa como uma emoção infundada, que tem o potencial de tirar toda a alegria da vida.

Um catálogo de artigos da biblioteca relaciona artigos de revistas recentes com o título de Culpa: "Como não ser tão severo consigo mesmo", "A culpa pode levá-lo à loucura", "A negociação da culpa", "Livrando-se das culpas", "Pare de se desculpar", "Culpa: livre-se dela", "Não alimente o monstro da culpa" — e muitos outros títulos semelhantes.

Uma manchete da coluna de conselhos de um jornal chamou a minha atenção. Ela resumia a opinião universal da nossa geração: "NÃO É SUA CULPA". Uma mulher escreveu ao colunista para dizer que já havia tentado todos os tipos de terapia que conhecia, mas ainda não tinha conseguido se livrar de um hábito auto-destrutivo. A colunista respondeu: "O primeiro passo que você deve dar é parar de se culpar. Você não é culpada pelo seu comportamento compulsivo; recuse-se a aceitar a culpa — e acima de tudo, não se culpe — pelo que foge ao seu controle. Acumular culpa apenas aumenta o estresse, a baixa auto-estima, a preocupação, a depressão, o sentimento de imperfeição e a dependência dos outros.... Livre-se de seus sentimentos de culpa".

Atualmente, você pode libertar-se de quase todo tipo de culpa. Vivemos numa sociedade "sem falhas". Até Ann Landers escreveu:
Um dos exercícios mais dolorosos, auto-mutiladores, que consomem mais tempo e energia na experiência humana é a culpa.... Ela pode arruinar o seu dia, sua semana ou sua vida, se você permitir. E como trazer à tona o azar quando você fez alguma coisa desonesta, prejudicial, descuidada, egoísta ou corrupta.... Não importa se isso foi resultado de ignorância, estupidez, preguiça, negligência, fraqueza da carne ou covardia. Você fez algo errado e a culpa está lhe matando. Que pena! Mas esteja certo de que a agonia que você sente é muito natural.... Lembre-se de que a culpa é um poluente e não precisamos mais disso no mundo.
Em outras palavras, você não deveria permitir a si mesmo sentir-se mal "quando faz algo desonesto, prejudicial, descuidado, egoísta ou corrupto". Pense em si mesmo como sendo bom. Talvez ignorante, obtuso, preguiçoso, negligente ou fraco — porém bom. Não polua sua mente com o pensamento debilitante de que talvez você seja culpado de alguma coisa.
A cultura moderna nos responde: as pessoas são vítimas. Vítimas não são responsáveis pelo que fazem, elas são conseqüência do que lhes acontece. Sendo assim, toda falha humana deve ser descrita nos termos de como o criminoso foi vitimado.
Sem culpa, sem pecado

Esse tipo de pensamento tirou do discurso público palavras como pecado, arrependimento, contrição, expiação, restauração, redenção. Se se presume que ninguém sente culpa, como alguém poderia ser um pecador? A cultura moderna nos responde: as pessoas são vítimas. Vítimas não são responsáveis pelo que fazem, elas são conseqüência do que lhes acontece. Sendo assim, toda falha humana deve ser descrita nos termos de como o criminoso foi vitimado. Todos deveríamos ser suficientemente "sensíveis" e "compassivos" para perceber que os próprios comportamentos que eram rotulados de "pecado" são na verdade evidências da vitimização.

No que concerne à sociedade, a vitimização adquiriu tanta influência que praticamente não existe mais esta coisa de pecado. Qualquer um pode esquivar-se da responsabilidade de seu erro, bastando para isso colocar-se na posição de vítima. Isso mudou radicalmente a maneira da,, nossa sociedade considerar o comportamento humano.

Em Nova York, durante um assalto, um ladrão foi baleado pelo proprietário da loja que estava assaltando e ficou paralítico. Mais tarde ele processou o proprietário da loja que havia atirado nele. Seu advogado argumentou que, antes de mais nada, o ladrão deveria ser visto como uma vítima da sociedade, levado ao crime pelas suas desvantagens econômicas. Agora, disse o advogado, ele foi vítima da insensibilidade do proprietário que havia atirado nele. Por causa da insensibilidade daquele homem, que aproveitou-se de uma situação de descuido do ladrão, que era uma vítima, o pobre criminoso estará confinado a uma cadeira de rodas pelo resto da vida. Ele merece alguma compensação. O júri concordou. O dono da loja pagou uma grande soma de dinheiro. Meses depois, o mesmo homem, ainda na cadeira de rodas, foi preso quando cometia outro roubo à mão armada.

Bernard McCummin explorou semelhante vitimização até se tornar um homem rico. Depois de assaltar e golpear um idoso no metrô, McCummin levou um tiro enquanto fugia do local do crime. Paralítico para sempre, processou as autoridades de Nova York e ganhou a causa, tendo recebido quatro milhões e oitocentos mil dólares. O homem que foi roubado — que sofre de cancer — ainda paga as contas do médico. McCummim, o assaltante que o tribunal considerou como a maior vítima, é hoje um multimilionário.

Na Inglaterra, em dois casos distintos, uma garçonete que esfaqueou uma mulher até a morte durante uma briga de bar, e outra mulher furiosa que jogou seu carro contra seu amante, foram absolvidas de assassinato depois que alegaram que estavam com a mente aturdida por causa da tensão pré-menstrual (TPM), o que as havia levado a agir de modo descontrolado. As duas, em vez de receberem uma punição, estão fazendo terapia.

Um inspetor da cidade de São Francisco alegou que assassinou seu colega de trabalho, o inspetor e Prefeito George Mascone, porque o excesso de caloria na comida - especialmente Hostess Twinkies [tipo de bolo recheado de baunilha e muito doce (N.T.)] o fez agir irracionalmente. Assim nasceu a famosa defesa "Twinkie". "Um júri indulgente aceitou a argumentação e deu o veredito de homicídio culposo em vez de assassinato." O júri decidiu que o excesso de caloria na comida resultou na "diminuição da capacidade mental", o que abrandou a culpa do assassino. Ele saiu da prisão antes que o mandato do prefeito seguinte terminasse.

Integrantes de uma gangue de desordeiros em Los Angeles surraram Reginald Denny quase até a morte diante das câmeras da TV. O júri os condenou à pena mínima depois de decidir que eles foram levados pelo calor do momento e, portanto, não eram responsáveis pelos seus atos.

Atualmente, nos Estados Unidos, teoricamente, é possível cometer o crime mais monstruoso e safar-se sem problemas; basta alegar um distúrbio emocional ou mental, ou então inventar uma angústia qualquer para explicar porque você não é responsável por aquilo que fez.

Um traficante e viciado em cocaína de Bronx atirou diretamente na cabeça de oito crianças e duas mulheres, porém foi inocentado do homicídio. Em "Nova York, o seu crime foi considerado o maior crime em massa desde 1994. Mas os jurados entenderam que as "drogas e o estresse explicavam razoavelmente o seu ato". Disseram que "ele havia agido sob extremo estresse emocional e influência das drogas" — assim, consideraram-no culpado num grau menor, o que levou a uma sentença leve.

Os criminosos não são os únicos que usam desculpas para livrarem-se das conseqüências dos seus erros. Milhões de pessoas, de todas as camadas sociais, estão usando táticas semelhantes para se desculparem por seus atos ruins.

Michael Deaver, subchefe dos auxiliares de Ronald Regan, não reconheceu sua culpa por juramento falso, alegando que o álcool e as drogas haviam debilitado sua memória. Ele admitiu que "estava bebendo secretamente um quarto de garrafa de uísque por dia" enquanto trabalhava na Casa Branca. O juiz, pelo menos em parte influenciado pelo argumento, deu a Deaver apenas uma suspensão.''

Richard Berendzen, presidente da Universidade Americana em Washington, D.C., foi pego dando telefonemas obscenos para mulheres. Alegando-se vítima, por ter sofrido abusos sexuais na infância, Berendzen foi apenas suspenso, mas depois negociou uma indenização de um milhão de dólares com a universidade. Escreveu um livro sobre sua provação e explicou que os telefonemas obscenos eram seu método de "coletar informações". O livro recebeu elogios exagerados no Washington Post e no USA Today.



Fonte: Li no blog Hospital da Alma

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A Lei de Deus e a Adoração

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Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura (...). Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão. (Êx 20:3,4,7)

Todos nós temos, por natureza, a tendência de sermos adoradores. No entanto, é necessário atentarmos para dois aspectos importantes da adoração: a quem adorar e como adorar. É nestes aspectos que muitas pessoas falham, principalmente em razão de não obterem conhecimento bíblico necessário sobre o assunto. É aí que entra a lei de Deus. Esta é um ótimo manual de instruções no que se refere à adoração. A propósito, a adoração é o primeiro assunto enfatizado na lei que foi entregue por Deus a Moisés, no Monte Sinai. Antes de receber a lei propriamente dita, o povo israelita teve de passar por duas experiências necessárias. A princípio, foi conduzido ao conhecimento de Deus (Êx 3:14). Em seguida, foi motivado a adorar a Deus (Êx 5:3; 6:7). O conhecimento de Deus é imprescindível para quem almeja prestar-lhe uma adoração aceitável. Os israelitas, portanto, estavam no caminho certo. Contudo, ainda precisavam aprender alguns princípios sobre o ato da adoração. Trataremos cada um destes no estudo de hoje. Para isso, utilizaremos os três primeiros mandamentos da lei de Deus. Logo, para que a adoração dos filhos de Deus desta geração seja aceita por ele, é necessário observar cada um desses princípios.

Não terás outros deuses diante de mim (Êx 20:3)
1. Considere a exclusividade de Deus: O primeiro mandamento da lei de Deus é curto; porém, categórico: Não terás outros deuses diante de mim (Êx 20:3). Aqui, é visível o ensino bíblico a respeito da exclusividade na adoração ao Senhor. Deus recebe a adoração, desde que esta seja destinada somente a ele. Esse texto tem o mesmo sentido de Mt 6:24a, que diz: Ninguém pode servir a dois senhores. Consideremos duas verdades bíblicas quanto à exclusividade de Deus, no ato da adoração.

Em primeiro lugar, a exclusividade a Deus é uma ordem divina. O pensamento que afirma que “para toda regra há uma exceção” não se aplica aqui. Ou pertencemos somente a Deus ou não lhe pertencemos; não há meio termo. Em uma época em que adorar a muitos deuses era algo plenamente comum, Deus exige para si adoração exclusiva. Ele não divide a sua glória com ninguém. A ordem da exclusividade quanto à adoração à pessoa de Deus estava muito nítida na mente de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. Eles consideraram a exclusividade de Deus perante o rei Nabucodonosor (Dn 3:17-18). O apóstolo Paulo, por sua vez, declarou: ... para nós há um só Deus (1 Co 8:6). Muitas pessoas, porém, inclusive crentes, não podem fazer a mesma afirmação, pelo fato de colocarem as coisas criadas acima do criador. Deixamos de dar exclusividade a Deus, quando nos deixamos levar pelos ídolos de nossos dias, que podem ser “o carro, a casa, a música, a carreira, o esporte, o sexo, o dinheiro, a família ou o país. (...) quando as coisas criadas tomam o lugar do Criador, elas tornam-se ídolos”. [1] Portanto, examinemo-nos, a fim de não desobedecermos à ordem divina.

Em segundo lugar, a exclusividade a Deus é um mérito divino. O Senhor reivindica para si toda a exclusividade na adoração porque é o único que a merece; porque só ele é supremo, pleno em pureza, perfeição e majestade; só ele é o Altíssimo, o Eterno, o princípio e o fim, o amor; só ele é o EU SOU (Êx 3:14), a própria vida, aquele que se basta em tudo. Deus também merece adoração exclusiva por seus feitos. O mérito divino é enfatizado no segundo versículo do capítulo 20 de Êxodo: Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Quem livrou Israel das “mãos de ferro” de Faraó? Deus! Quem abriu o Mar Vermelho para o povo atravessar? Deus! Ninguém jamais faria o que Deus fez. Não poderíamos deixar de mencionar o grande feito de Deus por nós, em Cristo: ele nos amou e se entregou por nós, sendo nós ainda pecadores (Rm 5:8). Só ele foi capaz de tal atitude de amor. Por isso, em nenhum outro há salvação (At 4:12). Logo, só ele é digno de ser adorado. Deus não abre mão da sua exclusividade. O salmista, portanto, faz bem em anunciar: Dai ao SENHOR a glória devida ao seu nome; adorai o SENHOR na beleza da sua santidade (Sl 29:2).

Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma (Êx 20:4).
2. Respeite a identidade de Deus: Deus tem uma identidade a ser preservada. Ele zela por ela. O Senhor odeia ser comparado a qualquer criatura. Deus não admite ser comparado a nenhum ser humano, animal, objeto etc. Isso é, no mínino, ofensivo, considerando-se a sua grandeza e santidade. Por essa razão, o segundo mandamento da lei é enfático: Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma (Êx 20:4). Deus repudia qualquer tipo de adoração a ídolos (v.5). Não foi à toa que João alertou, em sua primeira carta: Filhinhos, guardai-vos dos ídolos (1 Jo 5:21). É agindo dessa maneira que respeitaremos a identidade do nosso Deus. Devemos repudiá-los de modo veemente. O Senhor ordenou aos israelitas que não fabricassem para si imagens de escultura. Por que ele se opõe aos ídolos? Porque estes deturpam a identidade divina de duas maneiras: A primeira consiste em que dão falso testemunho do caráter de Deus. As imagens de escultura não revelam a glória do criador. Pelo contrário, elas a diminuem. Por essa razão, Deus nos proíbe de fazermos qualquer imagem que pretenda representá-lo. [2]

Logo, quando as adoramos, damos falso testemunho do verdadeiro caráter divino e maculamos, em nossa mente, a sua identidade. Os ídolos, por sua vez, dão falso testemunho do caráter divino por algumas razões, identificadas coerentemente pelo autor do Salmo 115. O salmista observa que eles são criaturas (v.4); não falam; não vêem; não ouvem; não cheiram, e não apalpam (cf. vv.5-7). A pergunta é: Será que o Deus autoexistente, que tem vontade própria, que não depende de terceiros para se locomover e que é infinito gostaria de ter o seu caráter tão rebaixado e a sua identidade tão deturpada? É claro que não. Os ídolos nada são (1 Co 8:4). Não passam de produto da imaginação humana. Deus, no entanto, “não é como um punhado de barro que podemos moldar da forma que quisermos. Deus é o que é. É para ser louvado e adorado, não um recurso a ser utilizado”. [3]

A segunda maneira pela qual os ídolos deturpam a identidade divina consiste em que negam a incomparabilidade de Deus. Foi exatamente isso que aconteceu no deserto. Os israelitas fizeram para si um bezerro de ouro e o adoraram. Com isso, quiseram substituir Deus. A blasfêmia foi tamanha que eles chegaram a afirmar: Estes são teus deuses, ó Israel, que te tiraram da terra do Egito (Êx 32:4). Quem adora a ídolos, acredita que Deus é substituível. Mas isso não é verdade. Deus é incomparável e insubstituível em nossa adoração. O profeta Isaías lembra: A quem vocês compararão Deus? Como poderão representá-lo? (Is 40:18). A identidade de Deus sugere que ele é único, soberano, verdadeiro.

Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão (Êx 20:7a).
3. Reverencie o nome de Deus: Após alertar, nos dois primeiros mandamentos, quanto a sua exclusividade e identidade, Deus enfatiza, no terceiro, o temor ao seu próprio nome: Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão (Êx 20:7a). Adoração não se faz somente dentro das quatro paredes do templo. É um modo de vida. Obviamente, tem tudo a ver com reverência, principalmente, em se tratando do nome de Deus. Falar em vão o nome de Deus tem sido o pecado rotineiro de muita gente. A adoração de muitos tem sido prejudicada por causa disso. Esse erro é muito grave.

Isso porque o nome Senhor representa a sua pessoa e está intimamente ligado à sua reputação. O povo de Israel, portanto, estava sendo convocado a reverenciar a pessoa de Deus, por meio do respeito ao nome deste. Para evitarmos transgredir esse mandamento tão importante, precisamos fazer duas perguntas necessárias. A primeira é esta:

Quando tomamos o nome de Deus em vão? Em primeiro lugar, quando o pronunciamos com banalidade. Isso tem haver com expressões em que o nome de Deus é utilizado desnecessariamente, sem a reverência que ele merece. Além disso, usamos o nome de Deus de forma banal ao envolvê-lo em piadas indecentes, de mau gosto, que desrespeitam o ser humano e desonram aquele que o criou.  Em segundo lugar, tomamos o nome de Deus em vão quando o pronunciamos com mentira. Isso acontece quando fazemos promessas e juramentos, em nome de Deus, sem a intenção de cumpri-los, e quando falamos, em nome de Deus, algo que ele não nos mandou falar. Muitos usam o nome do Senhor em vão para enganar os incautos. Eles dizem: “Deus me disse”, “Deus me revelou” etc. É certo que Deus pode revelar algo importante a alguém. Nós acreditamos que o dom de profecia é para os nossos dias. Porém, devemos provar os espíritos para sabermos se procedem de Deus (1 Jo 4:1). Não hesite em fazer isso! Profecias precisam ser julgadas. A profecia tem de ser segundo o padrão da fé (Rm 12:6). Fé, neste texto, é a fé cristã. A profecia não contraria o evangelho. Não acredite em alguém só porque usou o nome de Deus. Quem fala em nome de Deus, sem que Deus tenha falado, incorre no mesmo pecado daqueles que matam e provocam tragédias em nome de Deus. A segunda pergunta que devemos fazer é:


Por que não tomar o nome de Deus em vão? Ele próprio é quem responde: ... porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão (Êx 20:7b). Em outras palavras, prestarão contas a ele, os que incorrerem em tal pecado. Quem profana o nome de Deus, deve ter em mente uma verdade fundamental: Deus não se deixa escarnecer (Gl 6:7). O seu nome é importante. Ele mesmo se autodenomina “EU SOU O QUE SOU” (Êx 3:14). Esse nome é santo e digno de honra. Através dele, Deus se revelou a nós, pecadores. O Deus zeloso prima pela reputação do seu nome. Quem somos nós para fazermos o contrário? Quem somos nós para o tratarmos com descaso e banalidade? Portanto, é necessário que, na nossa adoração diária, respeitemos o nome do nosso Deus.

Até aqui, aprendemos três importantes princípios concernentes ao ato da adoração. O primeiro deles, o da exclusividade de Deus, motiva-nos a adorar somente a Deus; afinal, somente ele é digno de ser adorado. O segundo deles, o do respeito à identidade de Deus, ensina-nos a rejeitar a adoração aos ídolos, pois estes se propõem a macular o caráter de Deus. O terceiro princípio, o da reverência ao nome de Deus, alerta-nos a evitar a profanação do nome do Senhor. O desrespeito a esses princípios obriga-nos a arcar com as terríveis consequências de tal erro. Uma vez que aprendemos essas verdades bíblicas, o que fazer a partir de agora? Devemos colocá-las em prática.

APLICANDO A PALAVRA DE DEUS EM NOSSA VIDA

Ao adorar, portemo-nos com fidelidade. Deus, através da sua lei, ensina-nos que devemos adorá-lo com fidelidade. É isso que o texto de Êxodo 20:3 sugere: Não terás outros deuses diante de mim. Por diversas vezes, os israelitas traíram o seu Deus, contaminando-se com outros deuses. Mas o propósito divino para eles era outro. Eles foram eleitos para se tornarem um sacerdócio real, uma nação santa e povo de propriedade exclusiva de Deus (1 Pd 2:9). Não somente eles, mas nós também. Portanto, não podemos perder de vista que devemos adorar somente a Deus. Devemos ter o cuidado de não honrar o dinheiro, a posição social, a profissão etc, acima do Pai. Mantenhamos firme o nosso compromisso de adorar fielmente ao Rei dos reis.

Ao adorar, portemo-nos com temor. Deus, através da sua lei, ensina-nos que, além de adorá-lo com fidelidade, devemos adorá-lo com temor: Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão (Êx 20:7a). Deus tem sido adorado com temor por aqueles que se intitulam adoradores? O seu nome é pronunciado com verdade por aqueles que se dizem seus mensageiros? Deus é levado a sério nos louvores que mencionam o seu nome? Deus é respeitado em nossa roda de amigos? Deus é reverenciado por meio das palavras que proferimos? Reflitamos. Se, de fato, almejamos adorá-lo com verdade, precisamos temê-lo. Esse deve ser o nosso propósito.

CONCLUSÃO

A  Lei de Deus influencia diretamente a nossa adoração ao Senhor. Afinal, a lei, que é santa (Rm 7:12), foi escrita e dada pelo Deus que é santo (Is 6:3) e exige adoração santa dos seus filhos (Jo 4:24). No entanto, para que a adoração seja realmente pura e digna de aceitação por parte de Deus, deve ser destinada exclusivamente a ele. A verdadeira adoração não se vale de ídolos para representar ou substituir a Deus. A verdadeira adoração trata o nome de Deus com respeito; preza pela fidelidade e pelo temor a Deus.

Que a verdadeira adoração e a prática a Sua Palavra esteja presente em todos os aspectos da nossa vida.

Bibliografia:


1. SMITH, C. S. As maiores lutas da vida. Tradução de Jair A. Rechia. São Paulo: Vida, 2007. pág. 31
2. SMITH, C. S. As maiores lutas da vida. Tradução de Jair A. Rechia. São Paulo: Vida, 2007. pág. 27
3. SMITH, C. S. As maiores lutas da vida. Tradução de Jair A. Rechia. São Paulo: Vida, 2007. pág. 28


DEC - PCamaral

A controvérsia da doutrina da Eleição

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Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (João 3:16)
Ele nos santificou, todavia devemos buscar a santificação. Ele nos justificou, todavia devemos encarnar a justiça do Reino de Deus. Ele nos predestinou, contudo devemos perseverar até o fim. Ele nos abençoou, porém devemos buscar ser bênção na vida de todos.
Por Hermes C. Fernandes

Muito tem sido debatido acerca da doutrina da eleição. De um lado, encontramos os calvinistas, defensores do direito que Deus tem de escolher quem quer que seja, sem ao menos consultar a vontade humana. Do outro, os arminianos, advogando o direito humano de ser consultado, e ter sua vontade respeitada, mesmo pelo seu Criador. Ambos vêm se digladiando há séculos. Afinal de contas, a Bíblia respalda tal doutrina?

Não é preciso muito conhecimento do texto sagrado para dar-se conta de que tal doutrina é amplamente difundida ali. De Gênesis à Apocalipse. Mesmo o mais ferrenho arminiano terá que admitir. Ou Deus não escolheu a Noé para construir a Arca e salvar o remanescente humano do dilúvio? Ou também não escolheu a Abraão para originar a estirpe que traria Jesus ao Mundo? E igualmente não escolheu a Davi dentre todos os seus irmãos? E por aí vai…
O problema não é a doutrina da eleição em si, mas a maneira como ela tem sido exposta e defendida.
Primeiro, a eleição jamais foi um si em si mesma, como sugerem alguns calvinistas. Mas tão-somente um meio para alcançar um fim maior. Por exemplo: Deus escolhe a Noé para garantir a perpetuação da raça humana. Portanto, um foi escolhido para o bem de todos. Deus escolhe a Abraão para que por ele e sua descendência todas as famílias da Terra fossem abençoadas. E o que dizer de Paulo, chamado por Deus de "vaso escolhido" para fazer conhecido entre os gentios o mistério do Evangelho? Mais uma vez, um foi escolhido para o bem de todos.

Apesar disso, Israel parece não ter compreendido bem sua posição como povo escolhido para benefício de todos os povos, e arrogou para si o monopólio do sagrado. Creio que justamente nesta vala que a igreja tem caído. Em nossa pobre concepção, ser eleito é sinônimo de ser os únicos com os quais Deus Se importa, os detentores do copyright de tudo quanto é sagrado, os prediletos. Ora, a mesma Bíblia que afirma nossa eleição, também declara que Deus não faz acepção de pessoas.

Costumo usar uma analogia para tentar explicar a maneira como a igreja tem se portado quanto à doutrina da eleição. A humanidade é um navio naufragante como o Titanic. Os calvinistas, preocupados em salvar sua pele, declaram terem sido escolhidos pelo comandante da nau a ocupar os botes salva-vidas. Os arminianos, por seu turno, se amotinam reivindicando o direito de serem salvos à despeito do que diga o comandante. Pra eles vale o “salve-se quem puder”, ou melhor, “quem quiser”. Enquanto isso, aqueles que realmente creem na eleição esboçada nas Escrituras, reúnem-se com o comandante para consertar o navio. Nem calvinismo, nem arminianismo. Eu chamaria tal postura como “reinismo”, pois os que a defendem acreditam que o Reino de Deus foi introduzido no mundo para garantir a redenção da humanidade, e a restauração de tudo quanto o pecado danificou. Dentro desta perspectiva, o último capítulo na história da redenção será o cumprimento da promessa de que “Deus seja tudo em todos” (1 Co.15:28).

Portanto, não podemos transformar a eleição numa doutrina que nutra nosso orgulho religioso, fazendo-nos acreditar que fomos preferidos, enquanto todos os demais foram preteridos por Deus. Não estou aqui defendendo que no final das contas todos serão igualmente salvos. Não vem ao caso. E sim que devemos voltar nossos esforços para alcançar a todos, ainda que alcancemos apenas a alguns. Como disse Paulo: “Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns” (1 Co. 9:22).

Qual será nossa surpresa se no final descobrirmos que muitos daqueles que se julgavam “escolhidos” estarão entre os réprobos, enquanto que outros a quem desprezávamos, reputando-os como irremediavelmente perdidos estarão entre os redimidos?

O fato de sermos escolhidos não deve fazer com que nos exerguemos como tais. Devemos manter-nos humildes, e sempre dependentes da misericórdia divina. Postura semelhante era adotada por Paulo, o apóstolo que mais falou da preciosa doutrina da eleição:
“Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Por isso todos quantos já somos perfeitos, sintamos isto mesmo; e, se sentis alguma coisa de outra maneira, também Deus vo-lo revelará.” (Filipenses 3:10-15)
Não basta sabermos o que somos, mas também como nos sentimos com relação a isso. Não façamos da eleição uma justificativa para sentir-nos superiores aos demais. Mesmo que sejamos “perfeitos”, no sentido de que nossa debilidade é suprida em Cristo, admitamo-nos perfeitamente imperfeitos. Ainda que aos olhos de Deus a obra esteja acabada, percebemo-nos em processo de acabamento. Ele nos santificou, todavia devemos buscar a santificação. Ele nos justificou, todavia devemos encarnar a justiça do Reino de Deus. Ele nos predestinou, contudo devemos perseverar até o fim. Ele nos abençoou, porém devemos buscar ser bênção na vida de todos. Nas palavras de Pedro, devemos procurar fazer cada vez mais firme a nossa vocação e eleição, porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçaremos (2 Pe. 1:10).

Na esperança de não ser mal-interpretado, ouso aqui citar Nietzsche: "Grande, no homem, é ser ele uma ponte, não um objetivo: o que pode ser amado no homem é ser ele uma passagem e um declínio. Amo aqueles que não sabem viver a não ser como quem declina, pois são os que passam."

Fonte: Hermes Fernandes compartilhado no PCamaral

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Estado do Acre - Ribeirinhos sofrem com a cheia do Rio Acre

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Saiba como ajudar as vitimas da enchente




Foto: Sérgio Vale/Secom

Por Edmilson Ferreira (Assessoria PMRB)

Ribeirinhos sofrem com a
enchente do Rio Acre (Marcos Vicentti)
Navegar pelo Rio Acre nos dias atuais é testemunhar tempos de sofrimento para as comunidades ribeirinhas desde a foz, nas pequenas vilas de Tahuamanu (departamento de Madre de Dios), no Peru, até a cidade amazonense de Boca do Acre. Da nascente até a desembocadura, são 1.119 quilômetros, e é nos maiores municípios, como Rio Branco, que os estragos provocados pelas enchentes mostram a real dimensão do flagelo vivido pelos milhares de pessoas que escolheram as margens do manancial para morar e trabalhar. Da cidade até a comunidade do Catuaba, grandemente afligida pela cheia, são cerca de vinte quilômetros pelo ramal Belo Jardim – transformado pela força da Natureza em braço do rio por onde ao invés de carro transitam canoas movidas a remo ou motor rabeta. Pelo rio, leva-se 45 minutos descendo e uma hora subindo para fazer esse trajeto.

Enquanto se percorre a zona urbana de Rio Branco, a visão é desoladora: reservatórios de água submersos, torres de energia elétrica ameaçadas, margens desbarrancando e muitas casas ameaçadas. Há regiões em que o rio avançou mais de um quilômetro além de seu leito. A situação parece piorar à medida em que se avança para a área rural: ramais estão debaixo da água, os roçados já apodreceram quase tudo e as perdas, já não há mais dúvida, se avolumam a cada centímetro que o rio sobe. As fruteiras e culturas permanentes vão se perdendo. “Estamos na safra do cajá, fruta que representa uma renda a mais para estes produtores. Eles podem faturar até um salário mínimo neste período mas, com a cheia, deixaram de ganhar esse dinheiro”, observou Jorge Rebolças, diretor da Secretaria de Floresta e Agricultura de Rio Branco (Safra).

No começo da semana a Secretaria divulgou um relatório mostrando que os produtores acumulam prejuízo de cerca de R$ 12,4 milhões com perdas totais nas lavouras de mandioca, banana, grãos e frutas. Das 16 comunidades hoje afetadas, todas estão recebendo ampla ajuda pública em cestas básicas, combustível, transporte, água potável e hipoclorito de sódio para tratamento de água.

No começo da semana a Secretaria de Floresta e Agricultura de Rio Branco divulgou um relatório mostrando que os produtores acumulam prejuízo de cerca de R$ 12,4 milhões (Marcos Vicentti)

No começo da semana a Secretaria
de Floresta e Agricultura de Rio Branco
divulgou um relatório mostrando que os
produtores acumulam prejuízo de cerca
de R$ 12,4 milhões (Marcos Vicentti)
Apesar de ser considerável, o valor será ainda mais elevado quando for levantado o prejuízo com ramal e infraestrutura e perdas mobiliárias. Para fazer o relatório, os técnicos da Safra percorreram as comunidades do Bagaço, Água Preta, Barro Alto, Belo Jardim I, 2 e 3, Benfica Ribeirinho, Catuaba, Extrema, Liberdade, Limoeiro, Moreno Maia, Moreno Maia, Barro Alto e Água Preta conversando com lideranças, moradores antigos e presidentes de associações.

Criação de peixe completamente perdida

Produtor que trabalhava com piscicultura perdeu tudo. É o caso de Raimundo Inácio da Silva, morador da comunidade Extrema, que além das estimadas 5 mil covas de macaxeiras perdidas, acumula sérios prejuízos com a piscicultura. “Cerquei os tanques com tela, mas não teve jeito: a água veio e levou tudo”, lamenta ele, que foi inscrito como beneficiário de cestas básicas para ajudar na sobrevivência da família enquanto dura o flagelo.

Produtores não desanimam

A família do Seu Oliveira, na comunidade Liberdade, trabalha na produção de goma de macaxeira mesmo com seus pertences alagados (Marcos Vicentti)

A família do Seu Oliveira, na comunidade
Liberdade, trabalha na produção de goma de
macaxeira mesmo com seus pertences
alagados (Marcos Vicentti)
Mas o ribeirinho é forte. A família do Seu Oliveira, na comunidade Liberdade trabalha na produção de goma de macaxeira mesmo com seus pertences alagados. A maioria dos 16 filhos do Seu Oliveira está mobilizada em aproveitar ao máximo o macaxeiral que é a base de sustentação econômica da família. Em tempos normais, a produção da Colônia Paraíso, de 107 hectares, chega a cinco toneladas de goma por semana. “Nossa terra é grande e a gente está correndo para não perder a produção”, disse Leonardo Souza Oliveira. Os moradores que permanecem em suas casas (muitas famílias estão abrigadas nas escolas da região) sofrem com o corte de energia elétrica, procedimento adotado pela Eletrobras por questões de segurança. Os moradores pedem que os cortes sejam seletivos, que atinjam casas que tiveram de ser abandonadas e colônias que não tenham agroindústria.

Lideranças locais coordenam distribuição de benefícios

Em Rio Branco, o esforço concentrado dos governos estadual e federal, e da Prefeitura, ao menos diminuem os problemas das famílias que perderam tudo com a cheia –e são os líderes que estão controlando a distribuição de cestas básicas. Cícero Medeiros Brandão, o Pita, fez questão de agradecer o empenho da Prefeitura e do Governo do Estado no trabalho de amenizar o drama dos ribeirinhos. “Todos precisam, mas há agricultores que precisam mais”, disse Pita.

Pita ajudou no atendimento à família de Raimundo Afonso, no Catuaba. Além de receber a cesta básica, Afonso pediu material para curativo. Ele mostrou o pé enfaixado após ferir-se com um pau enquanto operava a motosserra. Com isso, Jorge Rebolças, da Safra, irá pedir que outras secretarias, como a de Saúde, se integrem ao trabalho de atendimento aos ribeirinhos.


Saiba como ajudar as vítimas da enchente

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Os dados para depósitos ou transferência são:
Banco do Brasil
Agência: 0071-X
Conta corrente: 100.000-4
CNPJ: 14.346.589/0001-99

Caixa
Agência: 3320 – Estação Experimental
Operação: 006
Conta: 71-7
CGC: 63.608.947/0002-80
Nome: Coordenação Estadual Defesa Civil




Fonte: Agencia Noticias do Acre

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A Obediência à Lei de Deus

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Porque nisto consiste o amor a Deus: obedecer aos seus mandamentos. E os seus mandamentos não são pesados. (1 Jo 5:3 – NVI)
Aceitar Jesus Cristo como salvador, recusando seu senhorio é, na realidade, não compreender a proposta do evangelho.

Em dois estudos anteriores, discorri a respeito da Vigência da Lei de Deus e do Propósito da lei dos dez mandamentos, que revela o caráter do criador e mostra a vontade deste para os seres humanos. Por isso, sua vigência é eterna e sua aplicação é universal, porque isto é o dever de todo o homem (Ec 12:13). Jesus Cristo é o legislador dessa lei; estava junto do Pai, quando foi escrita em tabuas de pedras. Portanto, ele não veio abolir os mandamentos do Pai, mas veio ensinar a obedecer-lhes. A obediência aos mandamentos é algo exigido aos seguidores de Jesus. Como deve ser essa obediência? É sobre isso que tratarei neste estudo.
Nos evangelhos, Jesus é apresentado não só como Salvador, mas também como Senhor que exige obediência. Na realidade, a Bíblia nunca desvincula essas duas atribuições do Messias. Aceitá-lo como salvador, recusando seu senhorio é, na realidade, não compreender a proposta do evangelho. Foi Cristo quem disse: Se vocês continuarem a obedecer (...) serão, de fato, meus discípulos (Jo 8:31 – NTLH). A obediência à lei de Deus é uma das marcas daqueles que verdadeiramente seguem o Mestre. Mas quais as motivações corretas para o cristão obedecer à lei? Vejamos algumas.
1. Obediência é nosso dever: Está escrito: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é todo o dever do homem (Ec 12:13). Os seres humanos devem honrar e obedecer a Deus. A razão é muito simples: ele os criou. O Altíssimo é o autor e o mantenedor da vida. Todos nós pertencemos a ele e não há nada mais honesto e correto do que servi-lo, obedecendo as suas leis. Contudo, além de nos criar, ele nos salvou da morte eterna. Assim sendo, ao nos rendermos a Cristo, tornamo-nos duplamente dele, porque é o nosso criador e o nosso salvador. Vale lembrar que, ao nos salvar, Cristo torna-se Senhor e Rei de nossas vidas, e nós, os seus servos e súditos. Antes de conhecê-lo, éramos servos do diabo, escravos do pecado, mas ele nos comprou e nos resgatou por um alto preço. Pedro escreveu: ... não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados (...). Mas com o precioso sangue de Cristo (1 Pd 1:18-19). Na visão de João, os quatro seres viventes declararam o seguinte a respeito de Jesus: Tu és digno (...), pois foste morto na cruz e, por meio da tua morte, compraste para Deus pessoas de todas as tribos, línguas, nações e raças (Ap 5:9).
A ideia de que o pecador pode rejeitá-lo como Senhor, mas pode aceitá-lo como Salvador não é, de maneira alguma, o evangelho bíblico e verdadeiro.

O Cordeiro nos resgatou. Agora, ele é o nosso dono. Tudo que somos e temos lhe pertence por direito. Ele é o nosso Senhor e nosso Rei. Se, antes, éramos escravos do mal, agora, somos servos do Senhor Jesus. Deste modo, devemos nos sujeitar ao senhorio de Cristo, cumprindo suas ordens com fidelidade. De fato, a mensagem do evangelho chama pecadores ao arrependimento e clama à obediência a Cristo. A ideia de que o pecador pode rejeitá-lo como Senhor, mas pode aceitá-lo como Salvador não é, de maneira alguma, o evangelho bíblico e verdadeiro. João também afirma: Todo aquele que pratica o pecado transgride a Lei; de fato, o pecado é a transgressão da Lei (1 Jo 3:4). De acordo com essa definição, desobedecer é algo muito mais sério: é insistir em fazer sua própria vontade e contrariar a vontade do Senhor, ou seja, é rebelião contra o rei. Quando desobedecemos deliberadamente à lei de Deus, estamos afrontando o senhorio de Jesus. Todavia, os verdadeiros filhos de Deus não agem assim (cf. 1 Jo 3:9-10). Portanto, a razão primeira para a nossa obediência à lei é o senhorio de Cristo. É bom lembrarmos que a lei de Jesus não é nova (Jo 14:15-24). A lei moral continua a mesma, e nosso dever é obedecer-lhe.
2. Obedecemos por amor: Obediência é um dever de todo cristão, mas isso não é tudo. O nosso bondoso Senhor também nos chama para uma obediência em amor. Foi ele quem disse: Se me amardes, guardareis os meus mandamentos (Jo 14:15). Jesus não deseja um relacionamento conosco tão somente no nível de senhor e escravo. Ele almeja algo mais profundo: quer que sejamos seus amigos: Vocês serão meus amigos, se fizerem o que eu lhes ordeno (Jo 15:14 – NVI). O que significa ser amigo de Jesus? A palavra que aparece aqui (gr. philos) significa mais do que simples amigo: significa, literalmente, “um amigo na corte”, ou seja, um amigo íntimo do rei. [1]
não devemos obedecer apenas porque temos esse dever, mas porque amamos o nosso Senhor e amigo; não porque somos forçados, ou porque temos medo do castigo, como fazem os escravos, mas porque amamos o Senhor e somos-lhe gratos por tudo que ele fez por nós na cruz.
Os amigos do rei tinham liberdade para entrar na sala do trono e conversar com o soberano, sem medo. Tinham intimidade com ele e conheciam os seus segredos. Contudo, continuavam sendo súditos e obedeciam às suas ordens. Assim é nossa relação de amizade com Cristo. Embora obedecer-lhe seja nosso dever, é também a nossa grande alegria e nossa satisfação. Por isso, Jesus falou: Já não os chamo servos, porque o servo não sabe o que o seu senhor faz. Em vez disso, eu os tenho chamado amigos (NVI). Observe que essa nossa amizade com Cristo implica amor e obediência. Por amor, Jesus morreu por nós, os seus amigos (Jo 15:13). O apóstolo Paulo afirma que o amor de Cristo nos constrange (2 Co 5:14), isto é, deixa-nos incomodados e impele-nos a corresponder-lhe, levando-nos a um compromisso com o seu senhorio em todas as áreas da nossa vida. [2]
De que maneira? Obedecendo aos seus mandamentos, como ele próprio afirma: Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor (Jo 15:10); Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama (Jo 14:21). Grave isso em sua mente: não devemos obedecer apenas porque temos esse dever, mas porque amamos o nosso Senhor e amigo; não porque somos forçados, ou porque temos medo do castigo, como fazem os escravos, mas porque amamos o Senhor e somos-lhe gratos por tudo que ele fez por nós na cruz.
Agradar esse amigo é uma satisfação. Nesse sentido, longe de ser enfadonha, “a obediência cristã é o vínculo de nosso relacionamento com Cristo e a fonte de nossa mais profunda alegria”. [3] Contudo, vale ressaltar que, por causa da nossa natureza pecadora, nem sempre a obediência será prazerosa. Isso não faz da obediência cristã algo opcional. Devemos obedecer, mesmo que isso não nos traga prazer ou mesmo que não estamos com vontade de fazê-lo. Assim, tanto o nosso amor pelo Senhor quanto nosso senso de dever para com ele devem motivar-nos a cumprir a sua lei.

3. A salvação e a obediência: Vimos, até aqui, duas motivações corretas para a obediência à lei de Deus: o dever e o amor. Agora, trataremos um pouco sobre uma motivação errada que algumas pessoas usam na obediência. Por exemplo, a Bíblia reprova aqueles que usam a obediência à lei como meio de se justificar diante de Deus, como se a obediência os fizesse merecedores da salvação e das bênçãos de Deus. Mas contra esse conceito, está escrito: Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie (Ef 2:9).
Somos salvos e aceitos diante de Deus, não porque obedecemos aos mandamentos, mas porque Jesus nos justificou, através de sua morte. A justificação é uma doutrina central da fé cristã. Significa que, por um ato amoroso de Deus, os pecadores são perdoados, declarados inocentes e justos, quando aceitam Jesus como Senhor e Salvador. Como já publiquei em estudo anterior, a justificaçãonunca é pela lei, mas sempre pela fé na graça divina. Veja o que diz Paulo: Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados (Gl 2:16).
Nesse sentido, ele afirma, em outra passagem: ... vocês não estão debaixo da lei, mas debaixo da graça (Rm 6:14). Essa expressão “debaixo da lei” ou “sob a lei” repete-se várias vezes nas cartas paulinas, ora aplicada à lei cerimonial, ora aplicada à lei moral; porém, com a mesma ideia. Significa ignorar a cruz e tentar justificar-se, diante de Deus, ou tentar salvar-se, por meio das obras da lei. [4] Esse é um grande equívoco. Somos indignos, e nada do que fizermos nos tornará dignos da salvação. Se guardarmos toda a lei, ponto a ponto, sem tropeçar em nada, ainda assim, devemos dizer: Somos servos inúteis; apenas cumprimos o nosso dever (Lc 17:10).
Por outro lado, existem aqueles que usam a frase “não estão debaixo da lei, mas debaixo da graça” como se o cristão estivesse desobrigado de obedecer aos mandamentos de Deus. Esse é outro equivoco. De acordo com o apóstolo Paulo (Rm 6:1-2), no que diz respeito aos padrões morais, a graça jamais permitirá o que a lei proíbe, pois “nunca significa o rebaixamento das exigências morais de Deus”. [5] Todos que foram alcançados pela graça têm o dever de obedecer. A obediência à lei moral não é algo opcional, mas um imperativo da palavra de Deus.
É evidente que nossa obediência não nos faz merecedores e dignos de salvação. Contudo, o novo nascimento produzirá, de maneira inevitável, a obediência. Ainda que esta jamais seja uma condição para sermos salvos, sempre será uma consequência da salvação. Por isso, a Bíblia apresenta a obediência à lei de Deus como um distintivo dos verdadeiros seguidores de Cristo: Aquele que diz: Eu conheço-o e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está à verdade (1 Jo 2:4).
APLICANDO A PALAVRA DE DEUS EM NOSSA VIDA
Obedecer significa dar atenção adequada à Lei de Deus. Não obedecemos por medo do castigo, mas por amor e gratidão. Deus nos amou e provou isso, através da cruz. Como podemos corresponder a esse amor? A resposta é simples: fazendo a vontade dele, como nos ensina João: A prova de que amamos a Deus está na guarda de seus mandamentos, e eles não nos são difíceis (1Jo 5:3 – AM). Portanto, se queremos agradar a Deus, devemos levar a sério sua lei. É preciso conhecê-la profundamente e praticá-la com um coração piedoso. A obediência deve ser feita com muita dedicação e atenção adequada. À semelhança do salmista, devemos amar a lei de Deus (Sl 119:97), pois é isso que fazem os filhos de Deus; o prazer deles está na lei do Senhor, e nessa lei eles meditam dia e noite (Sl 1:2 – NTLH).
Devemos confiar em que o próprio Deus nos ajuda a cumprir a Sua Lei. Segundo Paulo, a lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom (Rm 7:12). Para o salmista, a lei do Senhor é perfeita (Sl 19:7). Portanto, nós, que somos pecadores e limitados, teremos sempre uma obediência imperfeita. Não somos capazes de obedecer à lei de Deus por nós mesmos. Aquilo que conseguimos fazer é porque Deus nos ajuda. Veja a linda promessa feita por Jesus: ... o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, lhes ensinará todas as coisas e lhes fará lembrar tudo o que eu lhes disse (Jo 14:26). Aquele que está sempre conosco nos ajuda a cumprir a lei. Escrito está: E o Espírito Santo tem operado no coração de vocês, purificando-o com o sangue de Jesus Cristo e fazendo-os desejosos de agradar-lhe (1 Pd 1:2 – BV). Até mesmo a nossa obediência é pela graça. Carecemos de um auxílio necessário. Saber dessa verdade deixa-nos mais humildes e livra-nos do legalismo.
CONCLUSÃO
A graça não nos isenta de obedecer à lei de Deus. Ao contrário, prepara-nos para essa obediência. Guardar a lei é uma das marcas dos seguidores de Cristo e a prova de que foram feitos filhos de Deus. Obedecemos porque é nosso dever. Mas ainda há outra razão: o amor e a gratidão que nutrimos por nosso Senhor. Ele é nosso amigo, e agradar-lhe é nossa grande alegria. Não o fazemos por medo ou por força coerciva, mas por amor. Sabemos que nada que façamos por ele pagará o que ele fez por nós. O preço é alto demais. É impagável. Somos salvos pela graça. Obedecemos, não para sermos salvos, mas porque ele já nos salvou. Na verdade, até para obedecer-lhe precisamos da sua ajuda. Assim sendo, obedeçamos à lei com a dedicação exigida e com o auxílio necessário.

Bibliografia:
1. WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento 1. Santo André: Geográfica, 2008. pág. 460
2. BRIDGES, Jerry. Graça que transforma. São Paulo: Cultura Cristã, 2007. pág. 81
3. KISTLER, Don. Crer e observar. São Paulo: Cultura Cristã, 2009. pág. 42
4. MEISTER, Mauro. Lei e graça: a compreensão necessária para uma vida de maior santidade e apreço pelas verdades divinas. São Paulo: Cultura Cristã, 2003. págs. 13-18
5. KISTLER, Don. Crer e observar. São Paulo: Cultura Cristã, 2009. pág. 44


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