segunda-feira, 30 de abril de 2012

O que Procurar em uma Igreja?

Um comentário:
Publicado originalmente em iProdigo.com

Por R. W. Glenn

Clareza sobre o evangelho da graça. Existem muitas falsificações, especialmente as distorções do evangelho que fazem do pecado algo de que você não precisa se afastar ou se libertar. Atente cuidadosamente para o conforto e o chamado do evangelho. Primeiramente, preste atenção em Jesus dizendo, “Eu não te condeno”. Porém, também procure por “vá e não peques mais”. Essa ordem é muito importante. A remoção da condenação vem antes do chamado à obediência. Todavia, ambos precisam estar lá para que a igreja pregue o evangelho.

Pregação centralizada em Cristo. Talvez você esperasse que eu dissesse “pregação expositiva”, mas é possível entregar uma exposição de um texto da Escritura sem nunca chegar a Jesus Cristo. Isso é especialmente verdadeiro em pregações no Antigo Testamento. Não me lembro quem disse isso, mas se a exposição do Antigo Testamento que você está ouvindo não for rejeitada por uma sinagoga, então o pregador não está pregando a Cristo. A exposição da Escritura é o meio pelo qual chegamos a Jesus. Entretanto, este é o meio, não o fim, da pregação de Jesus Cristo e este crucificado.

Adoração pública teologicamente informada. Os elementos básicos da adoração estão presentes: leitura pública da Palavra, exortação e ensino das Escrituras, canções, orações, e os sacramentos do batismo e da Ceia do Senhor? Além desses elementos básicos, procure por músicas com letras que exaltem a Jesus Cristo e aprofundem sua apreciação e compreensão do evangelho da graça. Não estou dizendo que canções curtas como “Eu te amo, Senhor” não têm lugar na adoração pública, mas se o conteúdo das músicas para a adoração pública, como um todo, é superficial, isso deveria te levar a pensar.

Pessoas hospitaleiras. Se o evangelho está realmente fazendo a diferença em uma comunidade de cristãos, eles vão amar as pessoas desconhecidas, e não daquele jeito bajulador e falso “Estou-contente-por-você-estar-aqui-porque-eu-tenho-que-estar-contente-por-você-estar-aqui”. O que quero dizer é que você se sente genuinamente acolhido e amado pelas pessoas quando as encontra e passa tempo com elas adorando.

Disciplina da igreja. A disciplina na igreja tem recebido uma reputação desfavorável. Ela não pode ser reduzida apenas a disciplina final e punitiva, mas deve incluir também um aspecto formativo. A disciplina da igreja acontece quando os seus membros estão dispostos a voltarem uns aos outros de volta para Jesus em um chamado amoroso ao arrependimento, através do encorajamento no sofrimento, e de exortações para crescer em graça.

Compaixão para com os pobres. 1 João 3.17 diz que se nós, que temos recursos materiais, vemos nosso irmão em necessidade e não nos compadecemos dele ele, não temos o amor de Deus em nós. Assim, é um teste da fé cristã autêntica que a igreja se preocupe com os pobres. Mais do que isso, o nosso cuidado para com os pobres, embora deva dar prioridade à comunidade dos crentes, deve se mover para além da igreja, para a comunidade ao seu redor: “façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé” (Gálatas 6.10).
É um teste da fé cristã autêntica que a igreja se preocupe com os pobres
Preocupação para com os perdidos, evidenciada por uma igreja comprometida com o evangelismo pessoal. E por “comprometida com o evangelismo pessoal” não quero dizer uma igreja que tenha programas evangelísticos, mas uma igreja em que as pessoas amam seus próximos o suficiente para lhes falar sobre Jesus. Portanto, procure por um interesse sincero em alcançar os perdidos com o evangelho da graça por parte dos pastores e das pessoas nos bancos da igreja, não como forma de obter melhores números nos gráficos, mas porque eles amam verdadeiramente as pessoas como pessoas, não como potenciais evangelísticos.
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Traduzido por Cleber Filomeno | iPródigo.com | Original aqui

sábado, 28 de abril de 2012

A Parábola do Rico e do Mendigo

Um comentário:
"Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos." (Lc 16:25)


Por Valdeci Nunes De Oliveira

A parábola do rico e do mendigo, já foi, e continua sendo, objeto de muitos comentários, ao longo do tempo. Os que acreditam na imortalidade já interpretaram essa parábola como se favorecesse a idéia de retribuição imediata para aqueles que morrem. Outros, com base na mesma parábola, admitem a possibilidade de diálogo entre pessoas que já morreram, como se isso fosse possível. A parábola aqui descrita envolve dois personagens, um rico e outro pobre, e a ênfase, no ensinamento de Jesus, através dela, é dada ao contraste entre a riqueza de um e à pobreza do outro, assim como à sorte final de cada um, ao morrer (Cf. Lc 16:19-31). Qual o verdadeiro propósito de Jesus ao proferir esta parábola? Precisamos não perder de vista o fato de que as parábolas têm caráter simbólico. Normalmente, dizem uma coisa para significar outra.

O relato da parábola começa assim: “Ora, havia um homem rico (...). Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro” (Lc 16:19-20). Ao mencionar esses dois personagens, Jesus enfatiza o contraste existente nas condições sociais de ambos, pois são extremamente opostas. Um deles era rico, e o outro, pobre. O rico vestia-se de púrpura e de linho finíssimo e todos os dias regalava-se esplendidamente. A situação do pobre, que era também doente, era oposta à do rico: ele mendigava à porta deste, desejando alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico, enquanto os cães lhe lambiam as chagas (Lc 16:21). Antes de abordar o propósito principal desse ensinamento, julgamos oportuno tecer algumas considerações gerais em torno desses personagens mencionados na parábola. O rico e o pobre são figuras representativas. O rico representa os judeus e o pobre, os gentios. A afirmação de que o rico representa os judeus está fortalecida no tratamento que ele dá a Abraão, chamando-o de pai, por nada menos que três vezes no texto (vv. 24,27,30). O próprio Abraão também o reconhece como filho (v. 25). Como a riqueza e a pobreza nem sempre são formadas por valores materiais, a riqueza do rico pode significar apenas a condição religiosa privilegiada dos judeus, comparada à dos outros povos (Rm 9:4-5), assim como a pobreza do pobre pode significar a condição de distanciamento de Deus, como viviam os gentios, do ponto de vista dos judeus (Ef 2:11-12).

Em razão da diferença de condições entre essas duas pessoas e da ênfase que lhe é dada por Jesus, é de se supor que, na riqueza de um e na pobreza de outro, resida o aspecto mais importante e mais significativo a ser considerado nessa parábola. No texto, não há indicações sobre se o rico foi punido apenas por ter sido rico e se o pobre foi premiado apenas por ter sido pobre. O que o texto efetivamente diz é que, em vida, viveram realidades sociais e financeiras diferentes e que, depois da morte, a situação de cada um deles foi invertida. Cada um teve o seu tempo de glória: o rico, antes da morte; o pobre, depois dela. Nisto ficou manifesta a justiça de Deus. O texto procura enfatizar, principalmente, a vez dos gentios, representados pelo “pobre”, a respeito dos quais está escrito:
“Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e derribando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistiam em ordenanças, para criar em si mesmo um novo homem, fazendo a paz, e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades”. (Ef 2:13-16)

“Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo. Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. E se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa”. (Gl 3:26-29)
Os personagens morrem e, ao morrerem, o pobre é conduzido ao seio de Abraão, enquanto o rico é levado para a sepultura. Achando-se em tormento, o rico, erguendo os olhos, “viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio e, clamando, diz: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nessa chama.” A este pedido, Abraão responde: “Filho, lembra-te de que recebestes os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora este é consolado e tu atormentado.” Na declaração feita por Abraão, depreende-se que havia chegado a vez do pobre que, ao contrário da situação antes ostentada pelo rico, vivera na mais absoluta pobreza.

Não podemos deixar de reconhecer, também, um outro ensinamento de Cristo contido nessa parábola: A advertência aos seus ouvintes a viverem a vida presente certos de que, um dia, terão de prestar contas dela. A vida futura vai depender da escolha que o indivíduo fizer, enquanto vive a vida presente; e isto independentemente de ser rico ou pobre, judeu, grego, ou de qualquer outra nacionalidade. A advertência é feita, principalmente, àqueles que levam uma vida de extravagância, acumulando riquezas e bens, sem pensarem nas demais pessoas. A riqueza não é má, desde que seja bem administrada. Portanto, ninguém deixará de ser salvo por ser rico, assim como também ninguém se salvará por ser pobre. A retribuição de Deus independe dessas condições, mas o pobre crente tem de Deus a promessa de um dia ser feliz.

A VERDADE DA PARÁBOLA

Através dessa parábola, Jesus queria mostrar aos judeus que o simples fato de serem descendentes de Abraão não lhes garantia o acesso à bem aventurança eterna. Só por Jesus Cristo esse direito pode ser assegurado. Jesus os chamou à atenção também para o fato de que chegara aos gentios a oportunidade de se converterem e serem salvos pela fé em Jesus Cristo (Ef 3:1-6). Agora, a perspectiva para os judeus que rejeitaram a Cristo era a expressa no evangelho:
“Mas eu vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e assentar-se-ão à mesa com Abraão, e Isaque, e Jacó, no reino dos céus; e os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores: Ali haverá pranto e ranger de dentes.” (Lc 8:11-12)
Quando isso acontecer, no dizer de Cristo, “derradeiros há que serão os primeiros; e primeiros há que serão os derradeiros” (Lc 13:29).

Como já foi dito anteriormente, os judeus desfrutavam de uma posição altamente privilegiada no cenário religioso mundial, começando por serem depositários dos oráculos divinos. Paulo, que também era judeu, afirma:
“deles é a adoção de filhos, e a glória, e os concertos, e a lei, e o culto e as promessas; dos quais são os pais, e dos quais é Cristo segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente. Amém.” (Rm 9:4-5)
Em outra parte, o mesmo Paulo afirma: “Qual é logo a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão? Muita, em toda a maneira, porque, primeiramente, as palavras de Deus lhe foram confiadas.” (Rm 3:1-2). Tudo isso era para eles uma grande riqueza. O próprio Jesus reconheceu o grande privilégio que tinham, ao afirmar que “a salvação vem dos judeus” (Jo 4:22).

Os judeus formavam um povo diferente de todos os demais povos. Suas leis, seus costumes e suas tradições acabaram por fazer deles um povo diferente. Porém, muitos se prevaleceram dessa condição privilegiada e foram levados a discriminar os outros povos, criando, contra eles, um grande preconceito. Nos dias de Cristo, por exemplo, reinava, entre os judeus, um forte sentimento nacionalista. O fato de serem, biologicamente, descendentes de Abraão, era entendido por eles como uma espécie de reserva de domínio sobre as bênçãos de Deus. Assim pensando, consideravam todos os outros povos como “separados da comunidade de Israel, e estranhos aos concertos da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo” (Ef 2:12).

Mas Deus planejava pôr fim a esse tipo de separação. De acordo com o concerto que fez com Abraão, era propósito seu abençoar todas as famílias da terra:
“E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.” (Gn 12:2-3)
Cumprindo-se o tempo determinado por Deus, essa antiga promessa feita a Abraão deveria cumprir-se em toda a sua plenitude. Portanto, ao enviar seu Filho ao mundo, Deus fez dele o instrumento de conciliação, capaz de unir todos os homens entre si, fazendo deles um só povo (Ef 2:13-18).

1. Precisamos fazer distinção entre o literal e o alegórico - Com base no diálogo aqui descrito entre o rico e Abraão, muitas pessoas, esquecendo-se de que as parábolas têm sentido figurado, acreditam na possibilidade de comunicação entre os mortos, e entre os mortos e os vivos. A propósito disto, o que as Escrituras dizem é o seguinte: “... os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma” (Ec 9:5-6). Se tanto o rico quanto o próprio Abraão já tinham morrido, quando a parábola foi proferida, como seria possível conversarem entre si, considerando-se que os mortos não falam? Às pessoas que pensam assim, lembramos que, nos poucos casos em que a Escritura menciona pessoas mortas falando, como nos textos de Hb 11:4 e Ap 6:9-10, a linguagem usada é simbólica. Para entendermos certos textos da Escritura é importante que saibamos fazer distinção entre o que é literal e o que é alegórico (Gl 4:22-31). No diálogo contido na parábola, Abraão não desconhece a condição de pai, em relação ao rico, pois o chama de filho. Essa é mais uma prova de que o rico representava os judeus.

2. Precisamos quebrar a barreira da discriminação - Na conversa com a mulher samaritana, junto ao poço de Jacó, Jesus deixou claro que Deus não reconhece as barreiras sociais que separam as pessoas (Jo 4:23-24), e que, em seu plano redentor, incluiu a todos, sem qualquer distinção. É preciso reconhecer isso. Foi essa a revelação dada a Pedro, na visão do lençol, pois, justificando a atitude que demonstrara ao entrar na casa de um gentio, comer com ele e pousar em sua casa, Pedro declarou:
“Vós bem sabeis que não é lícito a um varão judeu ajuntar-se ou chegar-se a estrangeiros; mas Deus mostrou-me que a nenhum homem chame comum e imundo. Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas; mas que lhe é agradável aquele que, em qualquer nação, o teme e obra o que é justo.” (At 10:28,34-35).
A conversão de Cornélio e a conseqüente inserção do evangelho no mundo gentio, pôs fim ao período de graça para os judeus como povo privilegiado. Agora era a vez dos gentios.

3. Precisamos acatar o propósito divino, mesmo que ele nos contrarie - Deve ter sido muito difícil para os judeus dos dias de Cristo aceitarem a idéia de que, um dia, os gentios, como eles, desfrutariam os mesmos benefícios espirituais que, antes, eram exclusivamente seus. Mas foi essa a missão de Cristo, ao vir a este mundo. Aqui, ele cumpriu o propósito divino e a bênção de Abraão já pode ser estendida a todas as famílias da terra (Gl 3:8; Ef 2:13). Era de se esperar que a forma como Deus executou essa sua decisão causasse nos judeus um grande impacto, uma vez que estavam arraigados em seu preconceito. Daí a razão pela qual Jesus usou as parábolas (Lc 20:9 18) e até visões (At 10:1-14), para convencê-los dessa nova realidade. A parábola do rico e Lázaro, com certeza, contribuiu muito para que refletíssemos seriamente sobre essa questão. A lição que tiramos deste ensinamento é a seguinte: Precisamos acatar o propósito de Deus em nossas vidas, mesmo que a maneira como o executa nos contrarie.

CONCLUSÃO:

Cumpre-nos reafirmar a idéia de que a parábola do rico e do pobre teve como objetivo, em primeiro lugar, combater a discriminação com que muitos judeus tratavam os não judeus. Foi como se João Batista repetisse, através de Jesus, o que dissera no início de seu ministério:
“Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; e não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que mesmo destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão.” (Mt 3:8-9)
Embora, na parábola do rico e do pobre, o resultado final tenha sido favorável ao pobre, isso não significa, de modo algum, que a riqueza, em si mesma, seja condenada perante Deus. As Escrituras Sagradas não condenam a riqueza. O que ela ensina é o seguinte:
“Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos; que façam bem, enriqueçam em boas obras, e sejam comunicáveis; que entesourem para si mesmos um bom fundamento para o futuro, para que possam alcançar a vida eterna.” (II Tm 6:17 19)


Que Deus nos abençoe!


DEC
PCamaral


sexta-feira, 27 de abril de 2012

A Glória de Deus, Fim Último de Todas as Coisas!

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Por Hernandes Dias Lopes

Deus, e não o homem, é o centro do universo. O homem é um ser criado e dependente enquanto Deus é o criador e auto-existente. Deus é completo e perfeito em si mesmo. Ele não depende da criação para ser Deus nem deriva glória dela para ser pleno. Muito embora Deus seja uno também é trino. É um só Deus em três pessoas distintas, de tal forma que o Pai não é o Filho nem o Filho o Pai. O Filho não é o Espírito Santo nem o Espírito Santo é o Pai. Essas três Pessoas divinas e distintas, desde toda a eternidade, resolveram criar todas as coisas para o louvor da sua glória e formar o homem à sua imagem e semelhança, a fim de que este o conhecesse e o glorificasse, pela riqueza de sua graça.

A despeito da raça humana ter caído em desventura e pecado, Deus não desistiu de nós, antes enviou-nos seu bendito Filho, para ser nosso redentor. Tanto o amor de Deus por nós é eterno como também é eterna sua provisão para nosso pecado, uma vez que, nos decretos de Deus, o Cordeiro de Deus foi morto desde a fundação do mundo (Ap 13.8). Deus jamais desistiu de nos amar e nos atrair para si com cordas de amor. Seu amor é eterno, incondicional, perseverante e sacrificial. Deus nos amou quando nós éramos fracos, ímpios, pecadores e inimigos. Estando nós perdidos, Deus nos encontrou. Estando nós cegos, Deus iluminou os olhos da nossa alma. Estando nós mortos em delitos e pecados, Deus nos deu vida juntamente com Cristo. E por que Deus fez tudo isso? Para o louvor da sua glória!

A glória de Deus é o fim último de todas as coisas. Todas as coisas foram criadas e existem para que Deus seja glorificado. O apóstolo Paulo, escrevendo aos Romanos, sintetiza essa magna verdade, nos seguintes termos: “Porque dele, por meio dele, e para ele são todas as coisas” (Rm 11.36). Chamamos a atenção, portanto, para três verdades aqui:

1. Deus é a origem e o dono de todas as coisas. O universo não veio à existência por geração espontânea nem surgiu de uma explosão cósmica. Em vez de ser o resultado de uma evolução de milhões e milhões de anos, foi criado por Deus para a sua própria glória. Deus é a fonte e Deus é dono do universo. Não há um centímetro sequer do vasto cosmos onde Deus não possa dizer: “Isto foi criado por mim. Isto é meu. Isto existe para a minha glória”.

2. Deus é o sustentador de todas as coisas. Não apenas todas as coisas são de Deus, mas também, todas as coisas são por meio dele. Deus não é apenas o criador do universo e tudo o que nele há, é também seu sustentador. Deus não é apenas transcendente, é também imanente. Não apenas está fora da criação, é maior do que ela e independente dela, mas interfere na criação e dela cuida. Em Deus nós vivemos, nos movemos e existimos. É Deus quem nos dá respiração e tudo o mais. Ele é o nosso criador e provedor. Ele é o Deus da criação e também o Deus da providência. Ele é o Deus que perdoa as nossas iniquidades e nos coroa de graça e misericórdia.

3. Deus é a razão máxima para a qual todas as coisas existem. Paulo conclui dizendo que todas as coisas são para ele. Fomos criados por Deus e nossa existência não encontra seu pleno significado enquanto não nos voltamos para Deus. Não vivemos para nós mesmos. Não somos o fim último de nossa própria existência. Não viemos a este mundo para construirmos monumentos a nós mesmos. Fomos criados e salvos para o louvor da sua glória. O universo deve ser o palco iluminado onde resplandece a glória de Deus. Nossa vida deve ser a plataforma onde se desenrola o eterno, perfeito e vitorioso projeto divino, cujo fim último é a manifestação da glória de Deus. É quando vivemos nessa dimensão que encontramos deleite e prazer na vida. É quando focamos nossa vida em Deus que encontramos a nós mesmos. É quando vivemos para Deus, que ele é glorificado em nós e nós sentimos mais prazer nele!
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Fonte: Palavra da Verdade

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Satanás, o Orgulhoso e Poderoso

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Publicado originalmente em Ligonier Ministries

Por R.C. Sproul

De onde surgiu a idéia de um Diabo de pele vermelha, carregando um tridente? As raízes dessa caricatura grotesca de Satanás vêm da Idade Média. Era um esporte popular da época medieval zombar do Diabo, descrevendo-o em termos ridículos. Havia um método nesta loucura. A igreja medieval acreditava na realidade de Satanás. Ela estava consciente de que Satanás era um anjo caído que sofreu de uma overdose de orgulho. Orgulho era a suprema fraqueza de Satanás. Resistir a Satanás, aquela criatura orgulhosa, mas caída, requer um combate feroz. O combate era focado no ponto mais vulnerável de Satanás, seu orgulho. A teoria era esta: Ataque Satanás no seu ponto de fraqueza e ele fugirá de vocês.

Qual a melhor maneira de atacar o orgulho de Satanás do que mostrá-lo como um bobo da corte, de casco fendido e em um terno vermelho? Estas imagens tolas de Satanás eram caricaturas intencionais. Infelizmente, as gerações posteriores responderam a estas caricaturas como se elas fossem verdadeiras.

A visão bíblica de Satanás é muito mais sofisticada do que a caricatura. As imagens bíblicas incluem a de um “anjo de luz” (2 Coríntios 11.14). A imagem de um “anjo de luz” indica a capacidade inteligente de Satanás manifestar-se sub species boni (sob a aparência do bem). Satanás é sutil. Ele é sedutor. A serpente no jardim foi descrita como “astuta” (Gênesis 3.1). Satanás não surge como um tolo. Ele é uma falsificação sedutora. Ele é um orador eloqüente. Sua aparência é deslumbrante. O príncipe das trevas veste um manto de luz.

A segunda imagem que temos de Satanás é a de um leão que ruge e está à procura de quem irá devorar (1 Pedro 5.8). Notem que a mesma figura usada por Cristo, o leão, é usada por Satanás, o protótipo do Anticristo. O anti-leão devora. O Leão de Judá redime.

Com ambas as alusões ao leão, encontramos como símbolo a força, embora com Satanás seja uma força do mal e demoníaca. Sua força não se compara com a de Cristo, mas certamente é uma força superior às nossas. Ele não é mais forte que Cristo, mas é mais forte que nós.

Existem dois caminhos que Satanás freqüentemente nos engana. De um lado, ele nos faz subestimar a sua força. De outro lado, há momentos que nos faz superestimar a sua força. Em qualquer caso, ele nos engana e pode nos fazer tropeçar.

O pêndulo da crença popular sobre Satanás tende a oscilar entre esses dois extremos. De um lado estão os que não acreditam que ele exista, ou se ele existe, é uma mera “força” impessoal maligna, uma espécie de mal coletivo que encontra sua origem no pecado da sociedade. Do outro lado há aqueles que têm uma preocupante fixação, um foco de atenção quase ocultista sobre ele, e desviam seus olhares de Cristo.

Em qualquer caminho, Satanás conquista algum espaço. Se ele conseguir convencer as pessoas que ele não existe, ele pode trabalhar seus enganos sem ser detectado e sem resistência. Se ele levar as pessoas a ficarem preocupadas com ele, pode atraí-las para o ocultismo.

Pedro subestimava Satanás. Quando Jesus avisou Pedro sobre sua iminente traição, Pedro protestou, dizendo: “Senhor, estou pronto para ir contigo para a prisão e para a morte” (Lucas 22.33). Pedro estava muito confiante. Ele subestimou a força do adversário. Momentos antes, Jesus o alertou sobre a força de Satanás, mas Pedro rejeitou esse aviso. Jesus disse: “Simão, Simão! Satanás pediu vocês para peneirá-los como trigo” (Lucas 22.31).

Os protestos de Pedro rapidamente viraram massa nas mãos de Satanás. Foi tão fácil para Satanás seduzir Pedro como é fácil separar o trigo numa peneira. No jargão comum, foi como se Jesus dissesse a ele: “Pedro, você é moleque. Você não é páreo para a terrível força de Satanás”.

Ainda assim, o poder de Satanás sobre nós é limitado. Ele pode ser mais forte do que nós, mas temos um campeão que pode e, de fato, nos defende. As Escrituras declaram: “Maior é aquele que está em vocês do que aquele que está no mundo” (1 João 4.4). Tiago acrescenta essas palavras: “Portanto, submetam-se a Deus. Resistam ao Diabo, e ele fugirá de vocês” (Tiago 4.7). Quando resistimos ao rugido do leão no poder do Espírito Santo, ele foge com o rabo entre as pernas.

Satanás peneirou Pedro, mas sua vitória foi temporária. Com o aviso, Jesus também trouxe a consolação: “Mas eu orei por você, para que sua fé não desfaleça. E quando você se converter, fortaleça seus irmãos” (Lucas 22.32). Jesus predisse tanto a queda, quanto a restauração de Pedro.
Subestimar Satanás é sofrer o orgulho que precede a destruição. Superestimá-lo é dar a ele mais honra e respeito que ele merece.
Satanás é uma criatura. Ele é finito e limitado. Ele é subordinado a Deus. O Cristianismo nunca aceita um princípio dualista de poderes opostos e iguais. Satanás é mais forte que os homens, mas não é páreo para Deus. Ele não tem atributos divinos. Seu conhecimento pode exceder o nosso, mas ele não é onisciente. Sua força pode ser maior do que a nossa, mas não é onipotente. Ele pode ter uma esfera de influência mais ampla do que a nossa, mas ele não é onipresente.

Subestimar Satanás é sofrer o orgulho que precede a destruição. Superestimá-lo é dar mais respeito do que ele merece. Satanás não pode estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. Ele é uma criatura limitada, como todos os anjos bons ou maus, pelo espaço e pelo tempo. É provável que na sua vida inteira você nunca experimentará um encontro direto e imediato com o próprio Satanás. Você pode encontrar um de seus capangas de segunda classe ou alguém de sua série de discípulos, mas é provável que ele gaste seu tempo e espaço em objetivos maiores do que eu ou você. Mesmo em seu ataque concentrado em Jesus, Satanás se apartou d’Ele por um longo tempo (Lucas 4.13).

Traduzido por André Carvalho | iPródigo.com | Original aqui

Fonte: iPródigo compartilhado no PCamaral

terça-feira, 24 de abril de 2012

Quarenta livros que fizeram a cabeça dos evangélicos brasileiros nos últimos quarenta anos

2 comentários:
Ricardo Quadros Gouvêa

Toda lista é pessoal, e esta não é uma exceção, mas busquei seguir aqui critérios objetivos: livros que foram campeões de vendagem, citados e debatidos, que influenciaram e continuam influenciando os evangélicos brasileiros, livros muito lidos com alto índice de rejeição, e também os que hoje estão operando uma mudança paradigmática na cultura evangélica contemporânea. Escolhi no máximo um livro por autor e procurei incluir alguma diversidade cultural e de gênero literário, bem como denominacional e teológica, sem que isso nos tirasse do projeto original: listar os quarenta livros que, nos últimos quarenta anos, fizeram a cabeça do povo evangélico brasileiro. Ordenei a lista por ordem de importância: dos livros mais influentes aos menos influentes dentre os quarenta selecionados, independentemente da data. Divirta-se concordando ou discordando, corrigindo meus equívocos e fazendo sua própria lista.

1. “Mananciais no Deserto” -- Lettie Cowman [Betânia]
Não há outro livro mais amado pelos evangélicos brasileiros. Este campeão de vendagem é um livro de leituras devocionais diárias que conquistou nosso país. O livro é, de fato, bom, mas desconfio que a tradução deu uma mãozinha.

2. “Uma Igreja com Propósitos” -- Rick Warren [Vida]
O maior “best-seller” evangélico de todos os tempos é uma catástrofe literária. É ainda difícil calcular o dano que esta obra equivocada causou e ainda irá causar, com sua filosofia de ministério inteiramente vendida ao “Zeitgeist”, propondo a homogeneização das igrejas e um pragmatismo de dar medo.

3. “A Quarta Dimensão” -- David Paul Yonggi Cho [Vida]
Este livro fez mais pelo movimento pentecostal no Brasil do que qualquer televangelista. O testemunho bem escrito do pastor coreano que vive cercado de milagres causou “frisson” até mesmo nos grupos mais conservadores. Seu modo de ver a vida com Deus e o ministério marcaram as últimas décadas.

4. “A Agonia do Grande Planeta Terra” -- Hall Lindsay [Mundo Cristão]
Calcado no pré-milenismo dispensacionalista de Scofield, este “best-seller” apocalíptico empolgou os profetas do fim do mundo no Brasil, com sua interpretação literalista imprudente e seu patriotismo norte-americano acrítico. Lindsay foi o arauto de três décadas das mais absurdas especulações escatológicas em nossas igrejas.

5. “O Ato Conjugal” -- Tim e Beverly La Haye [Betânia]
Sexo é um assunto importante, e o povo ansiava por uma orientação em face da revolução sexual dos anos 60. Daí o sucesso de um livro bem escrito como este, didático e conservador, ao gosto da moral evangélica, mas sem ser inteiramente obtuso. Mesmo assim, muitos o chamaram de pornográfico. Nada mais injusto.

6. “Este Mundo Tenebroso” -- Frank Peretti [Vida]
A ficção convence mais rápido. Revoluções acontecem inspiradas por romances, e não por tratados filosóficos. Peretti, com seu horror cristão, nos ensinou o significado da batalha espiritual nos anos 80, reencantou o submundo evangélico, inspirou pregadores e, o que não é nada ruim, motivou muitos adolescentes a ler obras de ficção bem melhores.

7. “A Morte da Razão” -- Francis Schaeffer [ABU]
A intelectualidade evangélica adotou este livro como alicerce nos anos 70, para enfrentar o existencialismo, o movimento “hippie”, o marxismo e a contracultura em geral. O livro convencia que o cristianismo não era incompatível com o estudo e a reflexão. É um pena que Schaeffer estivesse tão equivocado em suas idéias centrais.

8. “Celebração da Disciplina” -- Richard J. Foster [Vida]
Este clássico da espiritualidade cristã, escrito por um quacre, fez um tremendo sucesso no Brasil a partir dos anos 80. É excelente, mas será que todos que o compraram de fato o leram? Gostaria de perceber uma maior influência das idéias de Foster em nosso povo, mais oração, silêncio, calma, estudo, empenho, enfim, disciplina espiritual.

9. “De Dentro para Fora” -- Larry Crabb [Betânia]
Os livros devocionais evangélicos de viés psicológico ou de auto-ajuda são os títulos que mais vendem. Dentre eles, alguns se destacam não só por serem campeões de vendagem, mas porque são os melhores do gênero. Crabb é o melhor autor do gênero e este é seu melhor livro, que impactou o nosso povo nos anos 90.

10. “Louvor que Liberta” -- Merlin R. Carothers [Betânia]
Este pequeno e poderoso manifesto em forma de testemunho revolucionou, nos anos 70, o louvor e a adoração no Brasil. O bom capelão ensinou a todos nós a espiritualidade da adoração, o poder do louvor, impulsionando as guerras litúrgicas que marcariam a vida de nossas comunidades a partir de então.

11. “Vivendo sem Máscaras” -- Charles Swindoll [Betânia]
Outro “best-seller” devocional dos anos 90, de viés psicológico e de auto-ajuda, com o vigor característico das obras de Swindoll, escritas a partir de suas pregações. Muitos se sentiram não apenas edificados, mas tocados e transformados.

12. “A Cruz e o Punhal” -- David Wilkerson [Betânia]
Outro opúsculo dos anos 70 que, na forma de um testemunho pessoal, inspirou os jovens evangélicos a uma fé mais comprometida. Curiosamente, não levou as igrejas a um investimento em missões urbanas, idéia que permeia todo o livro. Talvez o Brasil evangélico dos anos 70 não estivesse pronto para missões urbanas.

13. “Crer é Também Pensar” -- John Stott [ABU]
Stott é um ícone no Brasil, um nome respeitado pela sua erudição e sua notável produção literária, apesar de estar invariavelmente sob suspeita de heresia pelos mais neuróticos. O fato é que a qualidade de seus livros varia. Seu excelente “Ouça o Espírito, Ouça o Mundo” merece mais atenção. Já o opúsculo selecionado, tão conhecido desde os anos 70, não tem muito a dizer além do título.

14. “O Senhor do Impossível” -- Lloyd John Ogilvie [Vida]
Outro devocional que emplacou no Brasil nos anos 80, não sem méritos. É o maior sucesso do autor, ainda que inferior a “Quando Deus Pensou em Você”, que o antecedeu. O livro estimula a fé e nos faz mais esperançosos, apesar da teologia rasa.

15. “A Família do Cristão” -- Larry Christenson [Betânia]
Antes de Dobson e tantos outros, Christenson já era “best-seller” nos anos 70. Pioneiro entre os que se pretendem auxiliares da vida familiar cristã, ele foi estudado nos lares por grupos e células, em escolas dominicais etc. Sua eficácia é comprovada.

16. “O Jesus que Eu Nunca Conheci” -- Philip Yancey [Vida]
Os anos 90 assistiram ao aparecimento de um dos mais argutos e estimulantes autores evangélicos de todos os tempos: o audaz Yancey, que começou a apontar para o paradigma emergente em livros como “Alma Sobrevivente”, “Descobrindo Deus nos Lugares mais Inesperados”, “Maravilhosa Graça”, “Rumores de Outro Mundo”, “Decepcionado com Deus” e tantos outros livros excelentes. E o mais conhecido e lido parece ser mesmo “O Jesus que Eu Nunca Conheci”.

17. “O Discípulo” -- Juan Carlos Ortiz [Betânia]
Poucos livros foram tão impactantes nos anos 70 quanto esta obra que, excepcionalmente, não vinha do mundo anglo-saxão, mas da Argentina. Por isso mesmo, Ortiz tinha uma outra linguagem, um discurso que convencia os jovens brasileiros da seriedade e do valor de se tornar mais do que um mero freqüentador de igrejas, um genuíno discípulo de Cristo.

18. “Bom Dia, Espírito Santo” -- Benny Hinn [Bompastor]
O neopentecostalismo brasileiro é, em grande parte, de inspiração norte-americana. Talvez o nome mais importante nesse processo seja o do “showman” evangélico Benny Hinn, que desde os anos 90 assombra os norte-americanos pela televisão com seus feitos espetaculares. Mesmo quem não o leu conhece sua influência no Brasil.

19. “O Refúgio Secreto” -- Corrie Ten Boom [Betânia]
O testemunho desta nobre senhora holandesa encantou também o Brasil, onde seu livro foi um grande sucesso nos anos 70. Suas aventuras durante a Segunda Guerra Mundial, sob o pano de fundo de sua educação em um lar cristão, são comoventes e inspiradoras.

20. “A Autoridade do Crente” -- Kenneth Hagin [Infinita]
Hagin foi um divisor de águas no mundo evangélico, pois desde sua influência os crentes “tomam posse”, “determinam”, “amarram” e “exigem”. Uma nova forma de falar se fez presente, o que gerou muitas novas piadas também.

21. “Entendes o que Lês?” -- Fee e Stuart [Vida Nova]
Que bom que um livro sério como este foi tão lido e estudado no Brasil. Trata-se de um compêndio de hermenêutica bíblica sem complicações, em linguagem acessível, adotado por quase todos os seminários e estudado até mesmo nas EBD’s e pequenos grupos. Este livro fez muito pela educação bíblica dos evangélicos brasileiros.

22. “Culpa e Graça” -- Paul Tournier [ABU]
Não há, com raras exceções, psicólogo cristão que não considere este livro um fundamento e um marco do pensamento cristão. Mas ele não se limita a isso, tendo tido considerável influência na teologia evangélica brasileira nos anos 90, preparando nosso povo para o paradigma emergente do século 21.

23. “Novos Líderes para Uma Nova Realidade” -- Caio Fábio D’Araújo Filho [Vinde]
Este opúsculo foi, se não o mais lido, certamente o mais importante dos numerosos livrinhos do pastor Caio Fábio, fenômeno de popularidade no Brasil nos anos 80 e 90, pastor midiático, influente, contundente, imitado, adorado e odiado. Caio nos ensinou a ver as coisas de outro jeito, e seu legado não vai desaparecer.

24. “Vida Cristã Normal” (ou “Equilibrada”, na reedição) -- Watchman Nee [Editora dos Clássicos]
O controverso evangelista e autor chinês Nee teve muita influência nos anos 70 e 80, com sua visão mística do que significa ser um cristão evangélico conservador. Este livro foi seu maior sucesso, um comentário de Romanos, ainda que seu livro mais objetivo e claro seja “A Liberação do Espírito”.

25. “É Proibido” -- Ricardo Gondim [Mundo Cristão]
Gondim é um dos melhores e mais polêmicos autores evangélicos contemporâneos. Seus livros, como Eu Creio, Mas Tenho Dúvidas, O que os Evangélicos (Não) Falam, Orgulho de Ser Evangélico, são sempre interessantes. Nenhum, porém, foi tão influente e marcante como “É Proibido”, um verdadeiro libelo anti-legalista.

26. “Conselheiro Capaz” -- Jay Adams [Fiel]
Adams era uma pessoa muito simpática. Sua escola de aconselhamento cristão é muito antipática. Diferentemente de Crabb, por exemplo, problemas emocionais têm origem fisiológica ou pecaminosa. Por isso, é preciso confrontar as pessoas e insistir na mudança do seu comportamento. Foi um sucesso nos anos 80. Haja behaviorismo!

27. “Quebrando Paradigmas” -- Ed René Kivitz [Abba Press]
Este livro foi decisivo para que os evangélicos brasileiros começassem a enxergar a outra margem do rio, a margem pós-evangélica do paradigma emergente. Kivitz é um autor surpreendente e notável, de mente dinâmica e arejada, que propõe importantes rupturas e renovações, como em seu outro livro “Outra Espiritualidade”.

28. “O Amor Tem Que Ser Firme” -- James Dobson [Mundo Cristão]
O conhecido “Dr. Dobson” é pensador e autor de grandes qualidades e grandes defeitos. Seus livros, como “Educando Crianças Geniosas”, ajudam famílias e promovem uma espécie de teologia aplicada que merece atenção. Há, porém, muito que não se deveria levar a sério, já que vai contra o que há de mais consagrado na psicologia moderna.

29. “Supercrentes” -- Paulo Romeiro [Mundo Cristão]
O autor de “A Crise Evangélica” tem talento e tem algo a dizer. Seus textos, especialmente o famosos “Supercrentes”, têm apontado para os exageros e enganos de muitas posturas comuns no meio evangélico contemporâneo.

30. “Cristianismo e Política” -- Robinson Cavalcanti [Ultimato]
Trata-se de um clássico. Este livro está nas origens de toda reflexão política evangélica. Robinson é importante por outras questões, como seus livros sobre sexualidade (“Uma Bênção Chamada Sexo”, “Sexualidade e Libertação”), mas sua contribuição permanente é o estímulo que deu à reflexão política evangélica.

31. “O Evangelho Maltrapilho” -- Brennan Manning [Mundo Cristão]
Não há outro autor mais importante no meio evangélico nos últimos dez anos do que Brennan Manning. Seus livros devocionais, como “O Impostor que Vive em Mim”, “A Assinatura de Jesus”, “O Obstinado Amor de Deus”, estão transformando radicalmente a maneira como os evangélicos entendem a vida cristã. Eu fico muito grato.

32. “O Pastor Desnecessário” -- Eugene Peterson [Mundo Cristão]
Peterson é muito estimado no meio evangélico brasileiro e um dos autores mais bem avaliados dos últimos tempos. Responsável por projetos como “The Message” (excelente paráfrase bíblica), tem nos galardoado com obras como “Corra com os Cavalos”, “A Oração que Deus Ouve”, “A Vocação Espiritual do Pastor”, “Transpondo Muralhas”, entre outros. Selecionei o que talvez seja o mais importante.

33. “Poder Através da Oração” -- E. M. Bounds [Batista Regular]
Nos anos 70, quando não havia ainda bons livros sobre oração, como o de Richard Foster ou o de Eugene Peterson, os livros de Bounds sobre oração circulavam de mão em mão, trazendo avivamento às igrejas. Hoje Bounds está quase esquecido. Quase.

34. “Cristo é o Senhor” -- Dionísio Pape [ABU]
No fim dos anos 60 e começo dos anos 70, o nome de Pape se destacava pela espiritualidade, profundidade e sucesso ministerial. Seu opúsculo “Cristo é o Senhor” levou muitos à consagração e ao ministério.

35. “O Caminho do Coração” -- Ricardo Barbosa [Encontro]
Barbosa (junto com Osmar Ludovico, James Houston e outros) é responsável pelo retorno ao interesse pela mística cristã em nosso país. Seus livros nos ensinam uma outra atitude não somente em relação à vida, mas também em relação à teologia. Uma atitude contemplativa.

36. “O Novo Testamento Interpretado” -- R. N. Champlin [Hagnos]
Não privilegiei obras teológicas e comentários bíblicos nesta lista porque tais livros, em geral, não vendem bem e sua influência é pequena. Uma exceção precisava ser feita em relação ao favorito das bibliotecas. O empenho exaustivo de Champlin precisava ser lembrado, pois ainda vende bem e é o comentário primordial dos evangélicos.

37. “Icabode” -- Rubem Martins Amorese [Ultimato]
Este livro pode não ter sido tão lido quanto é citado, mas definiu um novo tipo de reflexão cristã no Brasil, que propõe diálogo com a cultura em outro nível que não o da evangelização, e sim o da discussão de valores e princípios que podem levar nossa sociedade para um patamar melhor ou pior. É uma boa influência.

38. “A Bíblia e o Futuro” -- Anthony Hoekema [Cultura Cristã]
Este estudo do Apocalipse cresceu em importância no Brasil em uma época em que quase não havia obra que fizesse uma defesa do amilenismo, apesar dos pouco conhecidos esforços de Harald Schally. O livro provocou conversões em massa a partir dos anos 80, e a escatologia nunca mais foi a mesma no Brasil.

39. “Cristianismo Puro e Simples” -- C. S. Lewis [Martins Fontes]
Também conhecido como “Mero Cristianismo”, a busca de Lewis pelo denominador comum da fé cristã impacta brasileiros desde os anos 70. Seleciono o livro simbolicamente, já que Lewis não poderia ficar de fora, seja por causa de “Os Quatro Amores”, “Milagres”, “Cartas do Inferno” ou “As Crônicas de Nárnia”.

40. “A Mensagem Secreta de Jesus” -- Brian D. McLaren [Thomas Nelson]
Em 2007 o leitor evangélico brasileiro foi surpreendido por este livro do mesmo autor de “Uma Ortodoxia Generosa”. Fiquei admirado ao ver como todos passaram a conhecer e a comentar a obra de McLaren, que representa melhor do que ninguém o paradigma teológico evangélico emergente. Não dá pra não ler.
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Ricardo Quadros Gouvêa é ministro presbiteriano e professor de teologia e de filosofia.

Fonte: Ultimato compartilhado no PCamaral

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Os Dez Mandamentos e a Graça de Deus

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Publicado originalmente em SolanoPortela.net

Lei vs. Graça: Os Dez Mandamentos e a Graça de Deus

A conversão e o ensinamento de Paulo.

"Tu ordenaste os teus mandamentos, para que os cumpramos à risca" (Sl 119.4)

Os Dez Mandamentos representam a forma objetiva de Deus indicar o que espera de cada um de nós. Deus não nos deu uma religião subjetiva, cujas doutrinas dependem da cabeça de cada um, mas ele nos escreveu objetivamente a sua palavra. Nessa palavra, na Bíblia, ele nos revelou a sua Lei Moral - sua vontade eterna às suas criaturas, refletindo a sua majestade e santidade.

Nos Dez Mandamentos conhecemos nossos limites e nossas obrigações. Comparando nossa vida, nossos desejos e inclinações com a Lei Santa de Deus, compreendemos a extensão de nossa pecaminosidade e verificamos que a salvação procede só de Jesus, pelo seu sacrifício supremo na cruz do Calvário.

Já vimos como Jesus resumiu os Dez Mandamentos em amar a Deus e ao próximo. Muitos têm procurado dissociar essa afirmação de Jesus do caráter objetivo dos Dez Mandamentos. Afinal, dizem esses, Jesus está falando simplesmente de amor, um sentimento subjetivo, e não do simples cumprimento objetivo da lei. Um autor inglês, Joseph Fletcher, desenvolveu toda uma visão ética construída em cima do que poderíamos chamar de "casuísmo cristão" (tomou o nome de ética situacionista). Fletcher defendeu que não existem regras absolutas mas o comportamento certo ou errado depende da situação. Em sua filosofia, o único ponto de aferição a ser seguido é - "aja de forma a demonstrar o máximo de amor possível". Essas palavras, que parecem boas e cristãs, são extremamente perigosas, pois cada um passa a ser juiz de suas próprias ações e sempre poderá racionalizar comportamentos pecaminosos apelando para uma ou outra suposta forma de amor demonstrado, nem que seja o amor por si próprio.

Contrariando essa filosofia, o conceito bíblico de amor se expressa em obediência e abnegação. Essa obediência não é a uma lei intangível, indescritível, ou subjetiva, dependente da interpretação individual de cada um, mas à lei objetiva de Deus. É o próprio Jesus que esclarece e determina, em João 14.21: "Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama..."

Neste capítulo, vamos estudar o que aconteceu com Paulo e qual o seu ensinamento, conforme os relatos do livro de Atos (8.1-3 e 9.1-22) e pelos seus pronunciamentos, no livro de Romanos (capítulos 3 e 7).

A visão de Paulo, antes da sua conversão.

Do seu próprio ponto de vista, Paulo, antes de sua conversão (na ocasião ainda chamado Saulo), acreditava que estava zelando pela lei de Deus, perseguindo os cristãos. Sua visão da lei era uma visão distorcida, fruto de uma religião equivocada. Sem ter sido ainda tocado pelo Espírito Santo de Deus ele estava cego, espiritualmente.

Atos 7.54-8.1 relata esse tempo conturbado da vida daquele que viria ser o apóstolo dos gentios e o grande expositor bíblico. Sua visão anti-cristã o levou a cometer muitos crimes. Ele participou do apedrejamento de Estevão e foi um ativo perseguidor de muitos cristãos, como lemos em Atos 8.3 e 9.1-2.

A compreensão da lei de Deus de todos aqueles que estão sob o domínio de Satanás, envolvidos com falsas práticas religiosas, é uma visão distorcida. Ela serve de desculpas para as práticas mais absurdas, amorais e cruéis. O próprio Paulo escreveu, sobre as pessoas sem Deus, em Romanos 1.22 "...inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos". Ele tinha convicção disso na sua própria pele, havia experimentado quão Satanás é enganador e usurpador da lógica espiritual. Convicto de exercitar zelo, havia perseguido inocentes, mulheres, crianças - aqueles devotados à adoração verdadeira, ao culto ao Deus soberano. Somente a graça, o amor e a misericórdia de Deus poderia cobrir essa multidão de pecados e apagar a amargura profunda dessa lembrança. E assim ocorreu (Fl 3.13).

A falta de visão de Paulo, durante a sua conversão.

Deus arrancou Paulo do pecado através da experiência relatada no livro de Atos (9.3-19), a qual bem conhecemos. Durante três dias ele, que havia sido cego, espiritualmente, foi acometido de cegueira física - talvez simbolizando o seu estado espiritual. Nesse período ele teve bastante oportunidade para meditar. Foi, posteriormente, orientado por Ananias.

Mas Deus transformou Saulo em Paulo. De um perseguidor, ele tornou-se o grande apóstolo, propagador e defensor do Evangelho. Podemos imaginar a confusão em sua cabeça: todas as suas convicções estavam sendo subvertidas. Todas as suas premissas estavam sendo demonstradas falsas. Todos os seus objetivos de vida estavam sendo modificados.

O texto bíblico nos diz que o Senhor enviou Ananias para que Paulo recuperasse a vista e ficasse cheio do Espírito Santo (9.17). Era o Espírito Santo, agora, que, além de recuperar a visão de Paulo, iria coordenar todo o conhecimento que ele havia absorvido ao longo das prioridades verdadeiras da vida. Era o Espírito Santo que o iria instruir, possivelmente utilizando os "dias com os discípulos" (9.19), nos detalhes da fé verdadeira que agora abraçava. Era o Espírito Santo que o iria inspirar a escrever suas cartas, nas quais somos instruídos sobre a compreensão correta da lei de Deus.

A nova visão de Paulo, depois de sua conversão.

Se estudássemos apenas o registro histórico da conversão de Paulo, não chegaríamos a compreender a importância da Lei de Deus, nesse processo e durante toda a sua vida. Entretanto, quando lemos o que Paulo escreveu posteriormente, passamos a compreender muito sobre qual era a visão paulina a respeito da Lei, visão essa que enfatiza a validade da lei moral de Deus a todas as eras.

Por exemplo, em Romanos 3.20, lemos "... ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado". A primeira validade da lei é fornecer o "pleno conhecimento do pecado", condição necessária ao arrependimento verdadeiro. Em Romanos 7.7, Paulo reforça a validade da Lei para nos levar à uma conscientização plena do pecado e de nossa dependência da misericórdia do Deus Criador: "que diremos, pois? A lei é pecado? De modo nenhum. Mas eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás".

Além da validade revelativa, sobre a nossa natureza pecaminosa e sobre a santidade de Deus, Paulo ensina que a lei não é anulada pela fé. A lei moral de Deus providenciava o rumo à vida de Paulo, e assim deve ser para nós. Em Romanos 3.31 ele antecipa as indagações de seus leitores e faz a pergunta retórica: "Anulamos, pois, a lei pela fé?"; respondendo a seguir com uma negativa enfática: "Não, de maneira nenhuma, antes confirmamos a lei". Os preceitos eternos de Deus, a sua lei moral, reflexo de sua santidade e infinita retidão, continua sendo a nossa bússola, a forma objetiva e explícita de relacionar os nossos deveres para com Deus e para com o nosso próximo.

Não é de admirar que Paulo chegue a uma conclusão que difere bastante da falta de apreciação da lei de Deus que encontramos na teologia de tantos movimentos contemporâneos. Em Romanos 7.12 ele fecha o que vem expondo e desenvolvendo desde o capítulo 3: "Por conseguinte; a lei é santa; e o mandamento, santo e justo e bom".

Não é descartando a validade da lei moral que vamos nos aproximar mais de Deus. Não é substituindo a objetividade da lei por um subjetivismo nocivo e aleatório, supostamente fundamentado em um grau maior de espiritualidade, que vamos agradar a Deus. Estaremos compreendendo a visão que Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, quer transmitir, quando começarmos a enxergar os problemas em nós próprios e não na santa lei de Deus. Assim poderemos exclamar, como ele, em Romanos 7.14: "Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado..."

A Lei de Deus Hoje - Afinal, estamos sob a lei, ou sob a graça de Deus?

Muitas interpretações erradas podem surgir de um falho entendimento das declarações bíblicas sobre esta questão. Com efeito, Paulo ensina que "não estamos sob a lei mas sob a graça" (Romanos 6:14). Mas o que quer dizer "não estar sob a lei de Deus?" Perdeu ela a sua validade? É apenas um registro histórico? Estamos em uma situação de total desobrigação para com ela? Vamos apenas subjetivamente, "amar", sem direcionamento ou ações concretas que comprovem este amor?

Devemos relembrar os múltiplos aspectos da "lei de Deus", conforme já estudamos no capítulo anterior: Lei Civil ou Judicial, Lei Religiosa ou Cerimonial e Lei Moral. Se considerarmos que os três aspectos apresentados da lei de Deus são distinções bíblicas, podemos afirmar:

" Não estamos sob a Lei Civil de Israel, mas sob o período da Graça de Deus, em que o evangelho atinge todos os povos, raças tribos e nações.

" Não estamos sob a Lei Religiosa de Israel, que apontava para o Messias, foi cumprida em Cristo, e não nos prende sob nenhuma de suas ordenanças cerimoniais, uma vez que estamos sob a graça do evangelho de Cristo, com acesso direto ao trono, pelo seu Santo Espírito, sem a intermediação dos sacerdotes.

" Não estamos sob a condenação da Lei Moral de Deus, se fomos resgatados pelo seu sangue, e nos acharmos cobertos por sua graça.

" Não estamos, portanto, sob a lei, mas sob a graça de Deus, nestes sentidos.

Entretanto ...

" Estamos sob a Lei Moral de Deus, no sentido de que ela continua representando a soma de nossos deveres e obrigações para com Deus e para com o nosso semelhante.

" Estamos sob a Lei Moral de Deus, no sentido de que ela, resumida nos Dez Mandamentos, representa a trilha traçada por Deus no processo de santificação, efetivado pelo Espírito Santo em nossas pessoas (João 14:15). Nos dois últimos aspectos, a própria Lei Moral de Deus é uma expressão de sua Graça, representando a objetiva e proposicional revelação de Sua vontade.

É verdade, portanto, que, nos sentidos acima, não estamos sob a lei, mas sob a graça de Deus. Devemos cuidar, entretanto, para nunca entender essa expressão como algo que invalida a lei de Deus aos nossos dias. Mais importante, ainda, devemos cuidar para não transmitir conceitos falsos e não bíblicos, estabelecendo um contraste inverídico entre a lei e a graça, como se ambos não procedessem de Deus.

Teologicamente, chamamos de antinomianismo, a filosofia que expressa total independência das pessoas para com a lei de Deus; que declara a invalidade dela para os nossos dias. Muitos ensinamentos no campo evangélico são, na prática e em essência, antinômios e totalmente subjetivos - ou seja, desprezam a lei de Deus, negam a sua validade e colocam a interpretação subjetiva de cada um acima das determinações objetivas reveladas por Deus, na Bíblia. Quando os reformadores defenderam a expressão Sola Scriptura - somente as escrituras - estavam reafirmando exatamente isso, que devemos sempre nos prender à objetiva revelação de Deus em sua palavra, e não nas especulações ou tradições dos homens.

Quando examinamos a lei de Deus sob esses aspectos, muitas perguntas são pertinentes e devem ser individualmente respondidas. Será que temos a percepção correta de nossas obrigações para com Deus e para com o nosso próximo? Será que prezamos adequadamente a lei de Deus? Será que estamos utilizando o fato de estarmos "sob a graça" como desculpa para desprezarmos a lei de Deus? Será que a nossa compreensão é aquela abrigada pelos padrões confessionais, como nas perguntas do Catecismo Maior, que temos estudado?

O que diz o Catecismo Maior de Westminster (pergunta 99)?


P. 99. Que regras devem ser observadas para a boa compreensão dos dez mandamentos?

R. Para a boa compreensão dos dez mandamentos as seguintes regras devem ser observadas:

1a. Que a lei é perfeita e obriga a todos à plena conformidade do homem inteiro à retidão dela e à inteira obediência para sempre; de modo que requer a sua perfeição em todos os deveres e proíbe o mínimo grau de todo o pecado. Ref.: Sl 19.7, Tg 2.10; Mt 5.21,22

•2a. Que a lei é espiritual, e assim se estende tanto ao entendimento, à vontade, aos afetos e a todas as outras potências da alma - como às palavras, às obras e ao procedimento. Ref.: Rm 7.14; Dt 6.5; Mt 22.37-39 e 12.36,37.

•3a. Que uma e a mesma coisa, em respeitos diversos, é exigida ou proibida em diversos mandamentos. Ref.: Cl 3.5; 1Tm 6.10; Pv 1.19; Am 8.5

•4a. Que onde um dever é prescrito, o pecado contrário é proibido; e onde um pecado é proibido, o dever contrário é prescrito; assim como onde uma Promessa está anexa, a ameaça contrária está inclusa; e onde uma ameaça está anexa a promessa contrária está inclusa. Ref.: Is 58.13; Mt 15.4-6; Ef 4.28; Ex 20.12; Pv 30.17; Jr 18.7-8; Êx 20.7

•5a. Que o que Deus proíbe não se há de fazer em tempo algum, e o que ele manda é sempre um dever; mas nem todo o dever especial é para se cumprir em todos os tempos. Ref.: Rm 3.8; Dt 4.9; Mt 12.7

•6a. Que, sob um pecado ou um dever, todos os da mesma classe são proibidos ou mandados, juntamente com todas as coisas, meios, ocasiões e aparências deles e provocações a eles. Ref.: Hb 10.24,25; 2Ts 5.22; Gl 5.26; Cl 3.21; Jd 23

•7a. Que aquilo que nos é proibido ou mandado temos a obrigação, segundo o lugar que ocupamos, de procurar que seja evitado ou cumprido por outros segundo o dever das suas posições. Ref.: Êx 20.10; Lv 19.17; Gn 18.19; Dt 6.6,7; Js 24.15

•8a. Que, quanto ao que é mandado a outros, somos obrigados, segundo a nossa posição e vocação, a ajudá-los, e a cuidar em não participar com outros do que lhe é proibido. Ref.: 2Co 1.24; 1Tm 5.22; Ef 5.11

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Examinando e Expondo a Palavra de Deus aos Nossos Dias:

Isaías 1:18-20 "Vinde, pois, e arrazoemos, diz o SENHOR; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã. Se quiserdes e me ouvirdes, comereis o melhor desta terra. Mas, se recusardes e fordes rebeldes, sereis devorados à espada; porque a boca do SENHOR o disse."

Atos 17:2-3 "Paulo, segundo o seu costume, foi procurá-los e, por três sábados, arrazoou com eles acerca das Escrituras, expondo e demonstrando ter sido necessário que o Cristo padecesse e ressurgisse dentre os mortos; e este, dizia ele, é o Cristo, Jesus, que eu vos anuncio."
Permissão é livremente concedida a todos que quiserem fazer uso dos estudos, artigos, palestras e sermões colocados neste site. Pedimos, tão somente, que indiquem a fonte e não modifiquem o seu conteúdo. Apreciaríamos, igualmente, a gentileza de um e-mail indicando qual o texto que está utilizando e com que finalidade (estudo pessoal, na igreja, postagem em outro site, impressão, etc.).
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Fonte: SolanoPortela.net compartilhado no PCamaral

domingo, 22 de abril de 2012

Um convite a Lei de Deus!

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Publicado originalmente em Olhar Reformado

Por Marcelo Lemos

Hoje quero convidá-los a algo que a maioria de vocês há muito não faz. Meu convite é que relembremos a Lei de Deus. Estamos cercados por centenas e mais centenas de mandamentos, humanos, tão estranhos as nossas necessidades quanto o mandarim, mas basta que a Lei de Deus seja mencionada para que a imagem de “opressão” sobrevenha à mente - inclusive de muitos cristãos. Não é verdade que a Graça tenha se tornado – na mentalidade de uma multidão considerável - sinônimo de destruição da Lei? Daí nos descuidarmos do tema, e raramente sentirmos o mesmo que o salmista, “a Lei do Senhor é perfeita, e refrigera a alma!” (Salmos 19:7).

A Constituição Brasileira de 1988 possui 250 artigos, e já sofreu mais de 50 emendas (em menos de 30 anos!). Se comparada a Constituição Americana, que possui apenas 36 artigos, a nossa é algo um tanto exagerado. Enquanto a americana pode ser escrita em uma ou duas folhas, a nossa precisa de um livro inteiro. Mas, nem mesmo a tão aclamada Constituição Americana é perfeita; em seus dois séculos de vida, ela acumula quase 30 emendas (uma emenda a cada oito anos, em média). A Lei de Deus – que “é perfeita” – continua a de sempre:
(1) Então falou Deus todas estas palavras, dizendo: “Eu sou o SENHOR teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim”.
(2) “Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo da terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te curvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o SENHOR teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, nos netos e nos bisnetos daqueles que me odeiam, mas uso de misericórdia até a milésima geração com aqueles que me amam e guardam meus mandamentos”.
(3) “Não pronunciarás o nome do SENHOR, teu Deus em vão; porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão”.
(4) “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o SENHOR o dia do sábado, e o santificou”.
(5) “Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os seus dias na terra que o SENHOR teu Deus te dá”.
(6) “Não matarás”.
(7) “Não adulterarás”.
(8) “Não furtarás”.
(9) “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo”.
(10) “Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem nada do que lhe pertence”.
Os Dez Mandamentos estão em Êxodo 20: 1-17. E não são apenas um registro histórico de um contexto cultural sobrepujado pelo nosso. A ética do Reino jamais foi alterada, segundo ensina-nos o Cristo: “Não julgueis que vim abolir a Lei ou os Profetas. Não vim ab-rogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou til se omitirá da Lei, sem que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no Reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no Reino dos céus” (S. Mateus 5: 17-19).
A despeito de o cristão moderno ter a tendência de considerar a Lei de Deus algo de menor importância, e dar a ela um lugar secundário em sua teologia, Cristo está dizendo que qualquer pessoa que violar, ou ensinar contrariamente aos princípios da Lei de Deus, “por menores que sejam” tais princípios, receberá a justa condenação por seu pecado! Essa afirmação soará de modo estranho nos ouvidos de muitos de vocês, e isso por si só já demonstra o quanto o Cristianismo atual tem se afastado da vontade do Senhor.

Isso tem implicações profundas, por exemplo, na guerra cultural que a Igreja enfrenta nos últimos dias. Vamos refletir um pouco.

A verdadeira liberdade consiste na submissão a Lei de Deus. Porque Deus deu sua Lei a Israel? Qual a justificativa dada pelo Senhor? Evidentemente, sendo Deus, Ele poderia simplesmente impor sua Lei, e não seria errado. Mas ele não fez assim, ele apresentou sua razão: “Eu sou o SENHOR teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim” (Êxodo 20: 1). Aqui temos Deus dizendo: - Outrora, longe do meu Governo, vocês eram escravos, agora, sob meu Domínio, vocês são livres: eis aqui, portanto, a minha Lei.

O argumento de Deus é evidente: se o Egito é a terra da servidão, a vida governada pela Lei de Deus é terra da liberdade.

Facilmente nos iludimos com outras promessas de liberdade; contudo, ela não está nos partidos políticos, no estado laico, nas políticas públicas, no livre-mercado ou no socialismo. Por melhores sejam as intenções de todas essas ideologias (e mesmo que algumas sejam mais bem intencionadas que outras), a Terra da Liberdade é governada pela Lei de Deus. Surpreendentemente os próprios cristãos se intimidam diante da possibilidade de uma nação governada pela Lei de Deus; em suas mentes isso seria um retrocesso, um retorno a Idade das Trevas, ou coisa do tipo. Estamos dispostos a aceitar a autoridade dos Três Poderes, da Mídia, da ONU, mas relutamos quanto autoridade em questão é a do próprio Deus. Isso nos leva ao próximo ponto.

Em contrapartida, qualquer outra lei que não seja a Lei de Deus, é idolatria. Quando Deus deu a Israel a Sua Lei, estava dizendo a eles que tinha pleno direito de Governá-los; eles lhe deviam total e completa obediência. “Sou o SENHOR, teu Deus”. Deus toma para Si o direito exclusivo de legislar sobre seu povo, de modo que aceitar um principio ético diferente – que fira a Lei – equivale a, mesmo que de modo inconsciente, um ato de idolatria.

Podemos escolher qualquer tema, em qualquer área da vida para exemplificar a questão. Qual a nossa opinião sobre a Pena Capital? Temos vários especialistas no assunto, e podemos escolher qualquer um deles no cardápio, contudo, se não estivermos interessados em julgar todas essas opiniões a luz das Escrituras, teremos colocado nossos especialistas num patamar de autoridade acima do que damos a Deus, e nos tornado idolatras! Qual a nossa opinião sobre o divorcio, o aborto, o homossexualismo, o dizimo, a economia, a política, os juros, a propriedade privada? Qualquer outra lei, qualquer outra autoridade que se sobreponha a Lei de Deus, é idolatria.
a verdadeira liberdade só será alcançada quando em cada casa, quando nas paredes de cada repartição pública e nos escritórios do setor privado, pudermos ver reproduzidas as palavras dos Dez Mandamentos.
Vamos tomar um tema bem polêmico: nosso sistema carcerário. O que a Bíblia ordena sobre prisões? Devemos prender um ladrão, por exemplo? Acredito que muitos de você se surpreenderão diante do seguinte fato: o sistema penitenciário é antibiblico! A pena estipulada, nas Escrituras, para o roubo não é a prisão, mas sim a restituição. Ou seja, o ladrão descoberto tem o dever moral de restituir – muitas vezes em dobro – o valor do bem que roubou de alguém. Contudo, nós preferimos as penitenciárias, que além de transformar ladrão de galinha em criminoso profissional, ainda obriga a sociedade a custear os gastos dos criminosos que a vitimou! Alguém nos convenceu que tinha um Código Penal melhor. Há aqui um pecado. Qual o seu nome? Idolatria! E, não nos deixemos enganar, o Juízo de Deus sempre vem contra aqueles que se prostram perante os ídolos...

Da próxima vez que você ouvir uma de nossas autoridades, ou especialistas em segurança publica, reclamar do problema penitenciário, lembre-se de a recusa em nos submetermos a Lei de Deus equivale a um retorno ao Egito, uma volta à casa da servidão. Acredito que o mesmo raciocínio vale para todas as esferas da vida. E é este o compromisso da Reconstrução Cristã (ou Teonomia): através da pregação do Evangelho, conduzir a sociedade aos caminhos do Senhor. Revolução? Não; conversão apenas! Utopia? Não; fé nas promessas do Senhor, e certeza de que Deus é Soberano sobre tudo e todos, em todos os aspectos da vida e da sociedade!

Nos últimos anos tem crescido a pressão para que Governos retirem de seus departamentos símbolos cristãos como a cruz ou o crucifixo. Pretendem com isso a defesa da liberdade. Mas, segundo a Bíblia, a verdadeira liberdade só será alcançada quando em cada casa, quando nas paredes de cada repartição pública e nos escritórios do setor privado, pudermos ver reproduzidas as palavras dos Dez Mandamentos.
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Fonte: Olhar Reformado compartilhado no PCamaral

Será que você está seguindo a pista errada?

Um comentário:
Por Hermes C. Fernandes

A contagem regressiva já havia começado. Em algumas horas, Jesus seria entregue aos Seus algozes. Ainda assim, Ele desejou celebrar a última festa com Seus discípulos. Não era uma festa comum. Tratava-se da mais importante celebração do povo judeu: a Páscoa.

Já havia o propósito, só faltavam os preparativos. Jesus, então, envia Pedro e João com a missão de preparar-Lhe a Páscoa. Imbuídos da missão, eles perguntam: "Onde queres que a preparemos?" (Lc.22:9). Não basta o propósito certo, no momento certo. Importa saber o lugar certo. É Deus quem determina o lugar que servirá de cenário para a execução de Seu propósito.

Jesus poderia simplesmente dar-lhes um endereço. Seria mais conveniente. Mas Ele não costuma ser tão óbvio. Ele prefere nos dar pistas, para que encontremos por nós mesmos o lugar escolhido. Veja a resposta que Jesus lhes dá: "Quando entrardes na cidade, encontrareis um homem levando um cântaro de água. Segui-o até a casa em que ele entrar" (v.10). Não tinha um sinal melhor do que um homem carregando um balde d'água? Que tal uma estrela no céu, como a que guiou os magos?

O problema é que somos viciados em coisas extraordinárias. Queremos o espetáculo, só pra ter o que contar mais tarde. Mas nem sempre os sinais enviados por Deus são espetaculares. É preferível um sinal ordinário que nos leve direto ao ponto, do que sinal extraordinário como a estrela de Belém, que antes de nos levar ao recém-nascido, faça uma breve escala no palácio de Herodes.

Provavelmente, aquele homem era um servo, um escravo, que havia saído em busca de água para o seu senhor. Não parecia razoável ter que seguir alguém como ele. O que ele tinha para oferecer? O Senhor das circunstâncias é aquele que promove conexões misteriosas. Ele é o arquiteto das contingências, que promove encontros inusitados. Se quisermos encontrar o lugar certo, peçamos a Deus que faça com que as pessoas certas cruzem nossos caminhos. Não é o que elas possam oferecer que importa, e sim aonde elas podem nos levar. Aparentemente, aquele escravo não tinha nada a oferecer para contribuir no preparo da festa para Jesus. Mas ele era a pessoa certa, que conduziria os discípulos ao lugar determinado.

Temos que cuidar para que não nos deixemos extraviar, seguindo às pessoas erradas. Nem podemos sair em busca de pessoas por aquilo que elas tenham a oferecer. Essas devem ser amadas pelo que são, e não pelo que possuem. Muitos acham que podem pegar carona na fama de celebridades que se convertem, achando que isso poderia trazer algum benefício ao Evangelho. A causa do Reino jamais precisou disso. Geralmente, são pessoas anônimas e humildes que são usadas por Deus, para nos conduzir aos lugares certos.

Seguindo-o, os discípulos entraram na casa onde trabalhava. Jesus os orientou: "Dizei ao dono da casa: O Mestre manda perguntar-te: Onde está o aposento em que comerei a páscoa com os meus discípulos? Então ele vos mostrará um grande cenáculo mobiliado. Fazei aí os preparativos" (vv.11-12).

Somente famílias muito ricas e importantes da sociedade tinham um grande cômodo destinado às refeições. O cenáculo não era uma sala qualquer. Era como um salão de festa, todo mobiliado com uma grande mesa e muitas cadeiras. Sempre que havia uma festa, familiares vinham de várias partes para celebrar.

Talvez, quando Pedro e João viram o lugar, se espantaram com seu tamanho, e com o número exagerado de cadeiras. Afinal, aquela ceia seria para apenas treze pessoas, contando os discípulos e Jesus. Pra quê tanto espaço? E aquelas cadeiras que ficariam vazias? Para aqueles discípulos responsáveis pelos preparativos da Páscoa, aquele lugar lhes serviria apenas como cenário para aquela festa. Mas Jesus tinha outros planos... Cristo via para além do horizonte imediato. Aquele cenáculo Lhe seria útil mais de uma vez.

Em Atos, somos informados que tão logo Jesus ascendera ao céu, os discípulos "subiram ao cenáculo, onde permaneciam" (Atos 1:13). Ficamos sabendo que além dos apóstolos, também estavam lá as mulheres, Maria, mãe de Jesus, e seus irmãos. Ao todo, totalizavam quase 120 pessoas! (vv.14-15).

Enquanto Pedro e João preparavam a ceia de Páscoa, eles pensavam apenas nos doze (contando com Jesus, treze). Mas Jesus já pensava nos quase 120 que ali permaneceriam à espera da Promessa do Espírito Santo. "Cumprindo-se o dia de Pentecoste, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados" (2:1-2).

Repare que Jesus havia dito que o cenáculo que eles encontrariam estaria todo mobiliado. Agora, somos informados que todos os quase 120 discípulos reunidos estavam devidamente aconchegados, sentados, quando o Espírito finalmente foi derramado.

Pedro e João se preocupavam com a Páscoa. Jesus já preparava o cenário para outra festa: Pentecoste.

Deus sempre foca o futuro. Ele nunca exagera na pitada. Sua provisão abarca necessidades que ainda surgirão. E no cenário/cenáculo provido por Deus, há lugar para todos. Ninguém precisa tomar o lugar do outro. Ele garantiu que nos prepararia lugar, e de fato, preparou.

Para encontrarmos nosso lugar, sigamos a pista certa. Lembrando que nem sempre é óbvio, ou mesmo conveniente. Deixemos que Ele escolha os canais, aqueles que carregam cântaros de água, que nos levarão ao lugar certo.
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Fonte: Hermes Fernandes compartilhado no PCamaral

sábado, 21 de abril de 2012

A capacidade humana de escolher Deus

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Publicado originalmente em Ligonier Ministries

Por R. C. Sproul
A sua queda é grande. É tão grande que somente a graça eficaz de Deus trabalhando em seu coração pode lhe trazer fé.

É irônico que no mesmo capítulo, na verdade no mesmo contexto, em que nosso Senhor ensina a absoluta necessidade da regeneração para ver o reino, quanto mais escolhê-lo, visões não-reformadas encontram um dos seus principais textos-prova para argumentar que homens decaídos possuem uma pequena ilha de habilidade para escolher Cristo. É João 3.16: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.

O que esse famoso versículo ensina sobre a capacidade do homem decaído de escolher Cristo? A resposta é: simplesmente nada. O argumento usado pelos não-reformados é que o texto ensina que todas as pessoas do mundo têm em si o poder para aceitar ou rejeitar a Cristo. Um olhar cuidadoso no texto revela, no entanto, que ele nada ensina sobre isso. O que ensina é que todos os que creem em Cristo serão salvos. Quem faz A (crê) receberá B (vida eterna). O texto não diz nada, absolutamente nada, sobre quem vai crer. Ele não diz nada sobre a capacidade (moral) natural do homem decaído. Reformados e não-reformados, ambos, concordam plenamente que todos que creem serão salvos. Eles discordam plenamente sobre quem tem a capacidade de crer.

Alguns provavelmente responderão: “Tudo bem. O texto não ensina explicitamente que homens decaídos têm a capacidade de escolher Cristo sem antes nascerem de novo, mas ele certamente implica isso”. Não estou disposto a concordar que o texto implique uma coisa dessas. No entanto, mesmo se fizesse não faria diferença no debate. Por que não? Nossa regra de interpretação das Escrituras é que implicações extraídas das Escrituras devem sempre ser subordinadas ao ensino explícito das Escrituras. Nunca, nunca, nunca devemos reverter isso para subordinar o ensino explícito das Escrituras para possíveis implicações retiradas das Escrituras. Esta regra é compartilhada por pensadores reformados e não-reformados.

Se João 3.16 implicasse uma capacidade humana, natural e universal dos homens decaídos de escolher Cristo, então essa implicação seria apagada pelo ensino explícito contrário de Jesus. Acabamos de ver que Jesus ensinou explícita e inequivocamente que nenhum homem tem a capacidade de chegar a ele sem que Deus realize alguma coisa para lhe dar essa capacidade, isto é, atraí-lo.

O homem decaído está na carne. Na carne, ele não pode fazer nada para agradar a Deus. Paulo declara, “Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Rm 8.7,8).

Perguntamos, então, “Quem são aqueles que estão ‘na carne?”. Paulo continua: “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se, de fato, o Espírito de Deus habita em vós. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8.9). A palavra crucial aqui é “se”. O que distingue aqueles que estão na carne daqueles que não estão é a habitação do Espírito Santo. Ninguém que não é regenerado é habitado por Deus Espírito Santo. Pessoas que estão na carne não foram regeneradas. A menos que sejam primeiro regenerados, nascidos do Espírito Santo, eles não podem estar sujeitos à lei de Deus. Eles não conseguem agradar a Deus.

Deus nos ordena a crer em Cristo. Ele se agrada com aqueles que escolhem Cristo. Se as pessoas não regeneradas pudessem escolher Cristo, então poderiam se submeter a pelo menos um dos mandamentos de Deus, e poderiam pelo menos fazer algo que é agradável a Deus. Se é assim, então o apóstolo errou aqui em insistir que aqueles que estão na carne não podem estar sujeitos a Deus, nem agradá-lo.

Concluímos que o homem decaído continua livre para escolher o que deseja. Porém, porque os seus desejos são somente maus, ele não tem capacidade moral de chegar a Cristo. Enquanto ele permanece na carne, não regenerado, nunca chegará a Cristo. Ele não pode escolher Cristo precisamente porque não pode agir contra a sua própria vontade. Ele não tem desejo por Cristo. Ele não pode escolher o que não deseja. A sua queda é grande. É tão grande que somente a graça eficaz de Deus trabalhando em seu coração pode lhe trazer fé.
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Traduzido por Pedro Vilela | IPródigo | original aqui

Fonte: IPródigo compartilhado no PCamaral

sexta-feira, 20 de abril de 2012

11 fardos de um pastor que leva o evangelho a sério

2 comentários:
Por Fabiano Bohi Goulart


Nunca fui de me queixar ou me fazer de vítima. O post que ora escrevo tem o objetivo de dar voz a minha realidade e de tantos outros amigos que são companheiros de luta há anos na causa da fé e são pessoas íntegras, inteligentes e acima de tudo apaixonadas.

Algumas experiências aqui são pessoais, outras ouvi. Para quem pensar que estou em lua de fel com o povo que lidero, digo o seguinte: você não entendeu nada.

Vamos aos fardos…

1. Ter de explicar a toda hora que sua igreja não é a mesma que a do Edir Macedo, do Valdemiro Santiago e assemelhados.

2. Ter de suportar a cara de desconfiança da atendente da loja quando pergunta a sua profissão e você responde: “pastor”. A gente tem a impressão que alguém escreveu na nossa testa sem a nossa permissão: “vigarista”.

3. Ser o bode expiatório dos problemas que as pessoas estão passando. Problemas que se arrastam muito tempo acabam sendo debitados na conta do pastor. A mulher foi traída pelo marido e depois de pensar um pouco chega a conclusão que a culpa do “angu” é do pastor e decidem os dois sair da igreja. O pastor era muito fraquinho!

4. Expectativas de que os filhos do pastor, não vivam sua infância e adolescência e sejam seres super dotados espiritualmente que oram, pregam e dão conselhos como um obreiro veterano.

5. Desejo que o casal pastoral sejam ambos, bem humorados, sorridentes, extrovertidos e que causem boa impressão a primeira vista.

6. Expectativa de que o pastor reúna em si todos os dons relatados na Bíblia. Que seja teólogo como foi Paulo, excelente pregador como foi Apolo, bom ouvinte como foi Barnabé e competente dirigente de música como foi Asafe, e de vez em quando como Jesus, entreter as crianças na Escola Bíblica Dominical.

7. Ter de ouvir brincadeiras tipo: “cansado do que, se pastor só trabalha domingo?”. Infelizmente as pessoas não veem que a maior parte do trabalho do pastor não é feita diante dos olhos dos membros da igreja. Aconselhamento nos lares, visita a doentes, discipulado um a um, preparo para estudo e pregação, planejamento de eventos são todas atividades que passam despercebidas dos olhares do membro comum da igreja.

8. Não ter a chance de estar em um dia ruim, chorar, se sentir ferido ou abandonado. Eu conheço uma nuvem de pastores que tomam omeprazol direto porque ninguém lhes dá o direito (nem eles mesmos) de expressarem o que estão sentindo. Um dia um amigo foi se abrir com um diácono da igreja e o diácono chamou sua atenção: “Que é isso pastor, o senhor não pode se sentir assim!".

9. A crença injusta e precipitada de que se há qualquer rumor sobre a vida pessoal do pastor deve ser verdade. O famoso bate e depois pergunta. Havia um boato em uma certa igreja, uma conversa de que o pastor andava com outra mulher, mas o que ninguém sabia ou deu-se conta é que era a mesma mulher, só que ela havia pintado o cabelo de loiro.

10. Não aceitar que o pastor tire férias, afinal Deus não descansa, então o pastor não deveria descansar já que ele tem ligação direta com o “homem lá de cima”. Além disso como um pastor pode descansar sabendo que milhares estão indo para o inferno…

11. O pensamento de algumas pessoas de que o lider espiritual, não tem sentimentos, nem expectativas de retorno nos relacionamentos. Muitas são as vezes em que o pastor não é visto como amigo pois habita o panteão das idealizações das pessoas o que certamente torna a vida dele um pouco mais difícil. As pessoas se sentem a vontade para agirem como em nenhum outro relacionamento: descompromissadas em palavras e ações. Bate que o pastor aguenta!

Sim há um outro lado que talvez você nunca pensou. Seu pastor também é gente.

Um abraço quebra costelas.

O discípulo gaudério.
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Fonte: ODISCIPULOGAUDERIO compartilhado no PCamaral

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Salão Int. Gospel: 'Artistas estão mais preocupados com glória pessoal que com a glória de Deus', afirma Jaime Kemp

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Publicado originalmente em The Christian Post

Por Jussara Teixeira | Correspondente do The Christian Post

O pastor Jaime Kemp, fundador do ministério Vencedores por Cristo e do ministério Lar Cristão afirmou no Salão Internacional Gospel, que artistas cristãos estão mais preocupados com a glória pessoal que com a glória de Deus.

No evento que expõe artistas e produtos da música gospel, Kemp disse ao The Christian Post, que no panorama atual da música gospel, muitos dos artistas do segmento, os “artistas” querem viajar em aviões e ficar em hotéis de luxo.

“Não há sacrifício. Minha preocupação é na questão de sermos servos”, diz, e conclui: “acho que hoje muitos desses artistas pensam que a igreja que os chama são seus servos e não se colocam na posição de servir”.

Outro problema que o preocupa é a chamada comercialização do evangelho, comentando sobre os artistas evangélicos que cobram cachês para tocar e priorizam os ganhos financeiros.

Falando especificamente das composições atuais, ele comenta que as letras são muito pobres, não há mensagens sobre itens fundamentais como fidelidade à palavra, arrependimento, entrega total ao senhorio do Cristo.

“Não há esses elementos presentes na moderna música evangélica brasileira”. E se defende, “não faço parte deste movimento pop, cuja tônica é a desorganização e ausência de vida e testemunho cristãos”.

“Realmente não sei se esses jovens que estão hoje nos palcos tem Jesus Cristo como Senhor e Salvador ou se sabem comunicar o evangelho”, enfatiza Kemp.

Vencedores por Cristo

O famoso e ainda hoje muito lembrado conjunto de música evangélica Vencedores por Cristo é considerado um dos precursores da música cristã brasileira.

Segundo o líder cristão, na época da criação do grupo Vencedores por Cristo a música não era o ponto central.

“O ponto central era o discipulado, treinamento e ensino dos jovens. Eles eram ensinados como viver juntos, como dar testemunho, porque parte do ministério era o evangelismo.”

Os critérios para estar no grupo eram, segundo o líder, ser convertido a Cristo, ter um coração de servo e ter o desejo de trabalhar debaixo da estrutura e organização do grupo, além de ser recomendado pelo pastor de sua igreja.

“A idéia era a preparação da juventude para trabalhar na igreja (...) as músicas eram usadas como meio de comunicar e também dar testemunho levando a Palavra de Deus a lugares, os mais diferentes, como igrejas, praças, prisões”.

Por meio do ministério Vencedores por Cristo foi possibilitada a formação de mais de 200 líderes, missionários, pastores e músicos.

Kemp explica que o grupo criado na década de 1970 nunca teve o desejo ou intenção de influenciar a música brasileira.

“Deus direcionou, pois tivemos muitos compositores que foram treinados conosco. A música desenvolvida por eles acabou por transformar a música e o louvor brasileiros”.

Do ministério surgiram proeminentes músicos, hoje muito conhecidos no meio evangélico, como Guilheme Kerr, Nelson Bomilcar, JoãoAlexandre e outros que foram formados nessa época.

O líder disse ainda que teme que os hinos tradicionais da fé cristã se percam, já que eles não são tão populares entre os jovens e nas igrejas atualmente. Segundo ele, isso é preocupante pois há muita teologia e ensinamentos nos hinos tradicionais.

Jaime Kemp e a esposa Judith Kemp, são casados há 47 anos e lideram o ministério voltado à area familiar e são autores de pelos menos 60 títulos literários. O Vencedores por Cristo ainda existe atualmente e seu foco principal é o evangelismo.
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Fonte: The Christian Post compartilhado no PCamaral

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Ministério de sucesso?

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"Quando amanheceu, Jesus saiu da cidade e foi para um lugar deserto. Mas a multidão começou a procurá-lo, e, quando o encontraram, eles não queriam deixá-lo ir embora. Mas Jesus disse: — Eu preciso anunciar também em outras cidades a boa notícia do Reino de Deus, pois foi para fazer isso que Deus me enviou. E ele anunciava a mensagem nas sinagogas de todo o país." (Lucas 4.42-44 NTLH)

Por Tim Carriker

Quando se lê o contexto maior da passagem acima (vv. 31-45), fica evidente que a fama de Jesus era notória. Realizava um ministério empolgante que causou admiração pelo seu ensino, gratidão pelo seu ministério de expulsão de demônios e de cura, e um consenso generalizado de que Jesus precisava permanecer onde estava pois as necessidades eram grandes e tudo estava indo tão bem. Isto me lembro de uma expressão muito conhecida que aprendi na minha infância: “Se não está estragado, não conserte!” Mas Jesus não se comporatava desde modo. Mesmo com um ministério de impacto e com o apoio da multidão ele quis ir emboraI!

Jesus não agia de acordo com o “sucesso” do seu próprio ministério. Isto me “soa” certo no nosso mundo evangélico onde o sucesso às vezes se torna o critério para a continuação ou não das nossas ações. Como explicar o comportamento de Jesus? Eu só consigo concluir assim: Jesus estava tão afinado na vontade de Deus para a sua vida, inclusive para todo o seu ministério, que o ibope humano simplesmente não  importava. Pelo menos não era determinante. Se for assim, todos nós que estamos em algum tipo de ministério devemos parar para pensar e avaliar as próprias prioridades.

Mas talvez haja outra explicação, ou alternativa ou suplementar: a natureza inclusive e abrangente das Boas-Novas simplesmente exigia que elas não permanecessem paradas num só lugar. Era necessário que se espalhava.

Se você concorda comigo, quais seriam as implicações para o seu minísterio?

Oração
Dispomo-nos a Ti, maravilhoso Deus, a ministrar onde o Senhor nos enviar, havendo ou não “sucesso.” Em nome de Jesus. Amém.
Fonte: Tim Carriker compartilhado no PCamaral