quarta-feira, 30 de maio de 2012

O Legado de Constantino

Um comentário:
Por Alderi Souza de Matos

Há exatos 1.700 anos ocorreu um evento marcante na história do cristianismo -- a conversão do imperador Constantino. No outono de 312, junto à ponte Mílvia, nas proximidades de Roma, o jovem general derrotou o exército mais numeroso de seu rival Maxêncio e se tornou o líder inconteste da parte ocidental do Império Romano. Segundo consta, na véspera do confronto ele teve um sonho no qual viu o lábaro (as duas primeiras letras sobrepostas do nome de Cristo em grego) e foi instruído a usá-lo como proteção em suas batalhas.

A autenticidade da conversão de Constantino é uma questão debatida. Ele manteve o título de “Pontifex Maximus”, que era usado pelo sumo sacerdote pagão, e durante uma década suas moedas tiveram a efígie de deuses romanos, em especial do Sol invencível (“Sol invictus”), do qual tinha sido devoto. Além disso, só recebeu o batismo no final da vida, ainda que essa prática não fosse incomum. Todavia, ele se identificou claramente com a fé cristã e suas atitudes em relação à igreja causaram um impacto profundo na trajetória posterior do cristianismo.

Sol invictus
Pouco antes de Constantino, os cristãos vinham sendo cruelmente perseguidos por outros imperadores. O novo governante mudou radicalmente essa situação ao proclamar um decreto (Edito de Milão), no ano 313, concedendo ampla liberdade de consciência, dando à fé cristã igualdade com outros cultos e ordenando a devolução de todas as propriedades eclesiásticas que haviam sido confiscadas. Além disso, ele concedeu imunidades ao clero, fez muitas doações à igreja, decretou o domingo como um dia de repouso e atribuiu aos bispos certas funções judiciais. Especialmente significativa foi a interferência do imperador em uma questão teológica -- a “controvérsia ariana”.

Ário, um presbítero de Alexandria, no Egito, estava ensinando que o Verbo pré-existente, o Filho de Deus, não tinha igualdade com o Pai, tendo sido criado antes da existência do mundo. O Filho teria sido a primeira criatura de Deus, não sendo, portanto, eterno e divino como o Pai. Esse ensino causou um grande conflito que ameaçou a unidade da igreja e, por extensão, do próprio império. Constantino convocou um sínodo de bispos para resolver a disputa, o que veio a ser o primeiro concílio geral da igreja, reunido na cidade de Niceia em 325. O credo aprovado por esse conclave declarou que Cristo era “consubstancial” com o Pai, ou seja, tinha a mesma essência e eternidade que o Pai.

Foi algo absolutamente inédito o fato de um imperador, ou seja, um líder secular, ter convocado e presidido um concílio eclesiástico, tendo inclusive dado alguns palpites quanto ao vocabulário do Credo de Niceia. No princípio, os bispos festejaram as ações desse novo governante cristão em benefício da fé. Com o passar do tempo, verificou-se que se tratava de uma espada de dois gumes: da mesma maneira que concedeu benesses à igreja o imperador se sentiu no direito de interferir na vida da instituição, adotando políticas que podiam ir contra os interesses da mesma. No final da sua vida, Constantino vacilou em suas convicções e acabou apoiando o partido herético, tendo sido batizado em seu leito de morte pelo bispo ariano Eusébio de Nicomédia (337). Só mais tarde a causa trinitária iria triunfar de modo definitivo.

As iniciativas de Constantino tiveram fortes repercussões para a igreja durante mais de 1.500 anos. Com ele, surgiu uma estreita aliança entre a igreja e o estado que se aprofundou nos séculos seguintes e deu origem ao fenômeno da “cristandade”, a sociedade homogênea e coesa nos âmbitos político e religioso que caracterizou a Idade Média e perdurou em alguns países até o século 19. O estado geralmente se beneficiou dessa associação, não se podendo dizer o mesmo da igreja, que muitas vezes sofreu com as intromissões do poder estatal. Porém, o legado de Constantino foi ainda mais profundo, por causa das transformações que produziu na própria identidade da igreja.

O historiador Mark Noll observa que, nos três primeiros séculos, a igreja havia existido como uma comunidade peregrina, “que não estava em casa em parte alguma do mundo”, que não tinha nenhuma segurança permanente nesta vida. Com a conversão do imperador, isso gradualmente se desfez. Em troca de alguns ganhos positivos, como o apoio que a igreja recebeu dos governantes em sua missão evangelizadora e civilizadora junto aos povos bárbaros, foi necessário pagar um alto preço. Noll lembra que a partir do quarto século os anseios de poder mundano e as preocupações temporais assumiram uma importância cada vez maior na vida da igreja. As igrejas “oficiais” com frequência usaram o poder estatal para reprimir os dissidentes religiosos.

Os cristãos de hoje têm muito a aprender com o legado de Constantino. Primeiro, as igrejas nunca devem fazer alianças com o estado, ou com quaisquer grupos políticos e ideológicos, porque isso irá corrompê-las e desviá-las de sua missão. É importante preservar a valiosa conquista moderna da separação entre a igreja e o estado. Segundo, isso não significa que as comunidades de fé devem se isolar da esfera pública e das questões sociais, retraindo-se em guetos eclesiásticos. Terceiro, as igrejas devem preservar sua liberdade para aplaudir ou censurar as ações do poder público, conforme a necessidade. Quarto, elas devem lembrar-se continuamente de que seus valores, instrumentos e fins são acima de tudo espirituais -- o reino de Deus.
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Alderi Souza de Matos • é doutor em história da igreja pela Universidade de Boston e historiador oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil. É autor de A Caminhada Cristã na História e “Os Pioneiros Presbiterianos do Brasil”. asdm@mackenzie.com.br

Fonte: Revista Ultimato edição 335 de Março/Abril de 2012

terça-feira, 29 de maio de 2012

O Espírito Santo e Sua Atuação no Mundo

4 comentários:
E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. Do pecado, porque não crêem em mim; da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais; e do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado.Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora. Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar. (João 16:8-14)

Por Rute Soares

Para nós, o Espírito Santo é uma pessoa divina que atua na vida dos salvos, que age em ambientes sagrados e que se faz presente em reuniões espirituais. No entanto, essa é apenas uma parte da verdade, pois segundo a palavra de Deus, o Espírito Santo também age no mundo, sobremodo na vida dos não-salvos para conduzi-los a Cristo. Deste modo, sua ação não se limita a “jurisdição” da igreja. Ele não trabalha apenas na vida dos salvos. Não age apenas entre os santos; ele também opera no mundo, entre não santos, entre pecadores perdidos. Ao agir no mundo, o Santo Espírito tem dois objetivos principais:

Em primeiro lugar, o Espírito Santo age no mundo a fim de convencer as pessoas não-crentes. Por estarem sob o domínio do pecado (cf. Rm 6:14; Ef 2:2-3), o não-salvo não reconhece que está errado, ao contrário, procura justificar o pecado. Pois, "o deus deste século lhe cegou o entendimento" (II Co 4:4). Por isso, sem a ação do Espírito Santo é impossível o pecador chegar-se a Cristo. Para entender isso melhor, leia João, capítulo 16, versículos 8 a 11 e veja o que Jesus está falando a respeito do Espírito Santo: "Quando ele vier convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado porque não crêem em mim; da justiça, porque vou para o Pai, e não me vereis mais; do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado".

A palavra-chave dessa passagem é “convencerá”. O sentido dela é de “persuadir”,ou seja,“levar a crer” ou “aceitar”. Mas essa palavra também carrega a idéia de “sentenciar”, “expor” e “reprovar”. Assim, o Espírito Santo atua para convencer os não-salvos, que sua terrível incredulidade diante de Cristo, resultará, certamente, em punição eterna. O texto começa dizendo que o Espírito Santo convence o não-crente do pecado. Que pecado? O de não crerem em Cristo (v.9), isto é, o pecado da incredulidade. Tanto a Lei de Deus, quanto a nossa consciência podem nos convencer de diversos pecados. Mas o pecado de “não crê em Cristo”, somente o Espírito Santo pode nos convencer. Esse é o pior pecado do mundo! Diz a Bíblia: "quem não crê já está julgado" ( Jo 3:18) "e, condenado" (Mc 16:16).

Em seguida o texto declara que o Espírito Santo convence o não-crente da justiça. Que justiça? A resposta está versículo 10, que diz: "Porque vou para meu Pai". Jesus disse isso, algumas horas antes de ser preso e crucificado. Ele foi tratado como um malfeitor, mas era inocente! Assim, “a justiça da qual o Espírito convence não é a justiça humana, mas a de Cristo”. Justiça essa que foi autenticada, quando ele ressuscitou e quando foi recebido pelo Pai nos céus.

Essas são as maiores evidências de que Jesus Cristo é o Cordeiro perfeito, que pagou o preço total pelos pecados. Lá no Calvário Jesus assumiu nossa condenação e tomou nosso lugar. Ali, pela graça, ele nos declarou justos diante Deus: "Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus" (II Co 5:21). Essa é justiça de Cristo!

Por fim, João 16:8 afirma que o Espírito Santo convence o não-crente do juízo. Que juízo? Jesus explica da seguinte forma no versículo 11: "Porque o príncipe deste mundo já está julgado". Na cruz, Satanás foi derrotado. “Ele já foi julgado, e o veredicto declarado”. Para ele só resta à execução da sentença quando Cristo voltar, em que será lançado no lago de fogo e enxofre (Jo 20:10). Esse será também o destino de todos que se recusarem crerem em Cristo. É desse juízo do qual o mundo deve ser convencido. Deste modo, sabemos que o Espírito de Deus também trabalha, e muito, fora da igreja, longe dos salvos, procurando convencer e chamar os perdidos. Sem essa obra, o ser humano jamais chegaria à salvação.

Em segundo lugar, o Espírito Santo age no mundo a fim de regenerar as pessoas não-crentes. No trabalho de convencer os não-salvos do pecado, da justiça e do juízo, o Espírito Santo gera arrependimento e fé dentro deles. Qual é o alvo nesse processo? O Espírito Santo deseja transformar os seus corações! Essa obra é conhecida por regeneração.

Mas o que é regeneração? É o renascimento ou novo nascimento em Cristo. Pois, se alguém está em Cristo, nova criatura é: "as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo"(II Co 5:17). Veja o que está escrito em Tito 3:5: "Não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo".

O pecador não pode salvar a si mesmo, já que "está morto em seus próprios delitos e pecados" (cf. Ef 2:1). É o Deus misericordioso que o salva! Diz o texto: "ele nos salvou". De que maneira? "Ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo" (Tt 3:5). Em outra tradução lemos assim: "Ele nos salvou por meio do Espírito Santo, que nos lavou, fazendo com que nascêssemos de novo e dando-nos uma nova vida" (NTLH). Aqui não fica dúvida: a regeneração é obra do Espírito Santo. É o milagre do novo nascimento. O maior milagre que pode acontecer na vida de um ser humano!

Quando ele acontece, à justificação acontece simultaneamente. Pela justificação o pecador é declarado justo; pela regeneração, ele é transformado em justo. “A justificação acontece fora de nós, no tribunal de Deus; a regeneração acontece dentro de nós, em nosso coração”. Ao regenerar o não-crente, o Espírito Santo transforma-o por completo e o torna um filho de Deus. Além de ser perdoado de todos seus pecados, o Espírito Santo passa a habitar dentro dele. É algo inexplicável! É uma ação misteriosa e gloriosa do Espírito de Deus. O próprio Jesus afirmou: "O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito" ( Jo 3:8).

Embora seja um mistério, há duas verdades nisso que podemos saber.

A primeira verdade é que todo ser humano precisa nascer de novo. Em João 3, versículos 3 e 5, lemos: "Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus (...), pois, quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus".

A segunda verdade é que o Espírito é quem regenera o ser humano! Ele vai onde o não-salvo está, lá no lamaçal e na escuridão. Ali, o convence do pecado, da justiça e do juízo e o chama para Cristo. Se o pecador atender a esse chamado, ele o transforma numa nova criatura.

Vale a pena conhecer melhor o Espírito Santo! Isso nos faz ter uma visão mais correta e clara sobre nossa missão nesse mundo. Ele não age apenas entre os salvos e santos; ele age também no mundo e, vive atuando entre os não-salvos. Está profundamente envolvido na salvação desses. Note, se o próprio Espírito de Deus, que é Santo, age assim. Então, não vemos razão para agirmos diferentes. Não fomos salvos para nos isolar dos não-salvos. Ao contrário, devemos estar no meio deles, sendo sal e luz. Somos o convidados a uma parceria espiritual no mundo. Nós evangelizamos,mas quem convence e regenera é o Espírito Santo!

Conclusão

O Espírito Santo é bem maior do que pensamos. Ele faz muito mais do que podemos ver ou entender. Age em ambientes que nunca imaginamos. Ele não é uma força ou uma energia impessoal que emana de Deus. Ele é Deus grandioso, poderoso e ilimitado! Está em nós, mas ele não age somente em nós. Age em todo o universo. É onisciente, onipotente e onipresente! O Espírito Santo fez e continua fazendo grandes feitos em todo o momento e em todos os lugares. Foi através dele que a Bíblia foi escrita. Foi no poder dele e a na unção dele que Jesus se fez carne, habitou entre nós e cumpriu a sua missão na terra. É o Espírito Santo que convence o não-crente do pecado, da justiça e de juízo. Bem antes de alguém se converter, ele já está trabalhando para levá-lo a Cristo. Todos os que atendem o seu convite, ele os regenera, os faz novas criaturas e passa a habitar neles.

Leia o Salmo 139, versos 5 a 7. Nesse poema, durante uma profunda reflexão sobre Deus, o salmista inspirado por ele, escreve essas palavras, dizendo: "Tu estás à minha frente e atrás de mim ao mesmo tempo, e me guias e abençoas com a tua mão. Saber isso é algo tão maravilhoso que eu nem consigo compreender! É impossível fugir do teu Espírito!" (Bíblia Viva).

Ao observar a grandeza do Espírito de Deus, o poeta fica intrigado com uma questão: Porque um Deus tão grandioso assim, pode se importar com alguém tão pequeno? Isso era tão magnífico, que ele não podia entender. Meu irmão, eu não sei explicar, mas o Santo Espírito também se importa contigo. Você não faz idéia o quanto ele agiu em toda sua vida para que você fosse lavado e redimido pelo sangue do Cordeiro. Você pode contar com ele! Ele habita no seu coração. Ele guia a sua vida e ilumina sua mente para você compreender a Bíblia. Porém, na obra de convencer o mundo é ele que conta com você. Propõe uma parceria: você evangeliza e ele convence e regenera. Portanto, seja cheio do Espírito do Deus! Permita que ele conduza seus passos. Viva sob a unção e poder dele.

Amém!

BIBLIOGRAFIA


DUFFIELD, Guy P. & CLEAVE, Nathaniel M. Van. Fundamentos da Teologia Pentecostal. São Paulo: Quadrangular, vol. II, 1991.
ERICKSON, Millard J. Introdução à teologia sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1997.
GRAHAM, Billy. O Poder do Espírito Santo. São Paulo: Vida Nova, 2009.
GREEN, Michael. II Pedro e Judas, Introdução e Comentário. São Paulo: Mundo Cristão, 1983.
GRUDEM, Wayne A. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999.
HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento: João. São Paulo: Cultura Cristã, 2004.
HORTON, Stanley M. A Doutrina do Espírito Santo no Antigo e Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 1993.
KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento: Epístolas de Pedro e Judas. São Paulo: Cultura Cristã, 2006.
LOPES, Hernandes Dias. Tito e Filemom: Doutrina e Vida, um binômio inseparável. São Paulo: Hagnos, 2009.
STRONG, Augustus H. Teologia Sistemática. São Paulo: Teológica, 2002.
WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico expositivo: Novo Testamento 1. Santo André, SP: Geográfica, 2006. __________. Comentário Bíblico expositivo: Novo Testamento 2. Santo André, SP: Geográfica, 2006.

“Se você não está atado a Cristo, você não é cristão”

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Quem diz isso não é uma pessoa qualquer. Não é um exagerado nem um simplório. Essas palavras, que parecem radicais, foram pronunciadas pelo médico e pregador Martyn Lloyd-Jones, do púlpito da Capela de Westminster, no centro de Londres, na primeira metade do século 20.

Lloyd-Jones tem toda razão: se você ainda não está atado a Cristo, pela convicção e pela fé, então você, a rigor, ainda não é um cristão. É necessário que você admita isso, humilde e honestamente, tendo ou não rótulo de cristão, sendo católico, protestante, carismático ou neopentecostal. Pode ser que você esteja atado apenas ao Cristo do evangelho da prosperidade, do evangelho social e da teologia liberal, mas não ao Verbo feito carne. O Jesus que tomou sobre si os nossos pecados e nos trouxe perdão, que morreu e ressuscitou, que está sentado à direita do Pai, que colocou debaixo dos pés os estragos da queda e do pecado e que voltará em poder e muita glória -- esse é o único Jesus. Não há outro. Fora do Jesus do Antigo e do Novo Testamentos, qualquer outro seria vulgar e mesmo desnecessário.

A cristologia bíblica é fantástica, coerente, convidativa, redentora e gloriosa. Agarre-se a esse Jesus e não a outro.

Só é possível conhecer Jesus Cristo como ele de fato é, removendo as escamas que estão nos olhos e o véu que se interpõe entre nós e ele. Essa operação vem de cima (de Deus) e não de baixo (do ser humano). Ela desce e não sobe. É graça pura, que pode ser suplicada!

Fonte: Revista Ultimato edição 335 - Março/Abril 2012

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Segundo a Teoria da Evolução das Espécies em 2768 Seremos Assim....

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E Você? Crê nisso?

Essa previsão foi publicada no século passado, ela conta como o ser humano vai evoluir para sobreviver em um mundo de alta concentração de toxinas e poluição. A publicação foi feita originalmente na antiga União Soviética e os créditos são do Dr. W. S. Goker.

1. Olhos. A fim de suportar o contato com substâncias poluentes na atmosfera, o olho humano será menor, semelhante ao do porco. Uma membrana transparente (que agora pode ser encontrado no canto interno do olho) será maior e irá servir como uma segunda pálpebra.

2. Nariz. Aumentará de tamanho e terá um sistema de compartimentos e filtros para melhor limpar o ar. Pela mesma razão, os pêlos do nariz se tornarão mais densos e longos.

3. Pulmões. Aumentará de tamanho e vai ser mais ligado ao sistema circulatório, o que permitirá a extração do ar de uma pequena quantidade de oxigênio.

4. Fígado. Sua capacidade de limpar o sangue vai aumentar drasticamente se tornando mais eficaz na filtragem de substâncias venenosas.

5. Pele. Torna-se mais brutal, com áreas de calcificação para evitar queimaduras de poluentes químicos na atmosfera.

6. Apêndice. Deixam de ter uma função superficial, ajudando a transformar todo tipo de vegetal em alimento (uma vez que a carne se tornará imprópria para consumo devido à poluição).

7. Estrutura óssea. Será mais frágil e mais leve, devido à relativa falta de vitamina D (redução da quantidade de luz solar e má alimentação).

8. Cabelo. Desaparecerá devido a um forte aquecimento global.

9. Orelhas. O aumento da poluição sonora irá conduzir à formação de dobras nas orelhas, tornando-as mais semelhantes ao cão. Uma pessoa poderá levantá-las para ouvir melhor e abaixá-las para reduzir o ruído de fluxo.

10. Temperamento. O homem vai ser um pouco louco. Isto será devido à presença de substâncias tóxicas nos produtos alimentares (que conterá uma alta percentagem de mercúrio).

11. Aparelhos respiratórios. Imediatamente após o nascimento, o homem precisará de uma unidade especial de respiração, que irá ajudá-lo à sobreviver às primeiras semanas de vida.

12. Rins. Vai adquirir uma nova função – a extração de água da urina e conservação de água no organismo. Em vez de fluído, a pessoa vai urinar uma espécie de purê, composto de ácido úrico e substâncias tóxicas.

Fonte: RDN via UMAPVC compartilhado no PCamaral

domingo, 27 de maio de 2012

A Igreja está cheia de hipócritas?

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Por R.C. Sproul

Há 30 anos, meu colega e amigo íntimo Archie Parrish, que naquela época liderava o programa de Evangelismo Explosivo (EE) em Fort Lauderdale, veio até mim com um pedido. Ele percebeu que, nas centenas de visitas evangelísticas feitas pelas equipes do EE, havia um registro das respostas que as pessoas davam nas discussões sobre o Evangelho. Eles coletaram as questões e objeções mais frequentes que as pessoas levantavam sobre a fé cristã, e agrupou essas perguntas ou questionamentos nas 10 mais frequentemente feitas. Dr. Parrish perguntou se eu poderia escrever um livro respondendo a essas objeções, para ser usado em sua missão. Esse esforço resultou no meu livro Objections Answered, agora entitulado Reason to Believe. Entre as 10 objeções mais levantadas estava a objeção de que a igreja está cheia de hipócritas. Naquela época, o Dr. D. James Kennedy a respondeu dizendo: “Bem, sempre há lugar pra mais um”. Ele alertou as pessoas que, caso encontrassem uma igreja perfeita, elas não deveriam congregá-la, pois isso a estragaria.
O termo hipócrita vem do mundo do teatro grego. Era usado para descrever as máscaras que os atores usavam ao dramatizar certos papéis. Ainda hoje, o teatro é simbolizado pelas máscaras gêmeas da comédia e da tragédia. Na antiguidade, certos atores atuavam em mais de um papel, e eles identificavam seu personagem ao segurar uma máscara em frente ao rosto. Essa é a origem do conceito de hipocrisia.

Mas a acusação de que a igreja está cheia de hipócritas é claramente falsa. Embora nenhum cristão alcance a medida perfeita da santificação nesta vida, e que nós todos lutemos com o pecado constantemente, isto não justifica o veredito de hipocrisia. Um hipócrita é alguém que faz coisas que ele afirma não fazer. Observadores externos da igreja cristã veem pessoas que professam ser cristãs e veem que elas pecam. Uma vez que veem o pecado na vida dos cristãos, se apressam em julgar que, portanto, esses cristãos são hipócritas. Se uma pessoa diz não ter pecado e então se mostra pecadora, certamente essa pessoa é hipócrita. Mas o simples fato de um cristão demonstrar que é pecador não o condena como hipócrita.

Devemos abandonar as máscaras

Essa lógica invertida funciona mais ou menos assim: Todos os hipócritas são pecadores. João é um pecador; portanto, João é um hipócrita. Qualquer pessoa que conheça as leis da lógica sabe que esse silogismo não é válido. Mas se simplesmente mudarmos a acusação de “a igreja está cheia de hipócritas” para “a igreja está cheia de pecadores”, aí seríamos rápidos em nos declarar culpados. A igreja é a única instituição que eu conheço que exige o reconhecimento de ser pecador para alguém tornar-se membro. A igreja está cheia de pecadores porque a igreja é o lugar onde pecadores que confessam seus pecados encontram redenção de seus pecados. Então, neste sentido, simplesmente porque a igreja está cheia de pecadores não se justifica a conclusão de que ela está cheia de hipócritas. Novamente: toda hipocrisia é pecado, mas nem todo pecado é o pecado da hipocrisia.

Quando observamos o problema da hipocrisia na época do Novo Testamento, vemos mais claramente expresso nas vidas daqueles que clamavam ser mais justos. Os fariseus eram um grupo de pessoas que, por definição, se enxergavam como separados da pecaminosidade normal das massas. Eles começaram bem, procurando uma vida de piedade e submissão devotadas à Lei do Senhor. Entretanto, quando seu comportamento falhou em alcançar seus ideais, eles começaram a abraçar o fingimento. Eles fingiam que eram mais justos do que eles eram. Usavam uma fachada externa de justiça, o que servia simplesmente para mascarar a corrupção radical de suas vidas.

Embora a igreja não esteja cheia de hipócritas, não há dúvidas de que a hipocrisia é um pecado que não está limitado ou restrito aos fariseus do Novo Testamento. É um pecado que os cristãos devem combater. Um alto padrão de comportamento reto e espiritual foi proposto para a igreja. Nós frequentemente somos envergonhados por nossas falhas em alcançar esses objetivos altos, e somos inclinados a fingir que alcançamos um ponto mais alto de justiça do que realmente conseguimos. Quando fazemos isso, colocamos a máscara de hipócrita e estamos debaixo do julgamento de Deus sobre esse pecado em particular. Quando nos encontramos enrascados neste tipo de fingimento, um alarme deve tocar em nossas mentes, a fim de que corramos de volta para a cruz e para Cristo, e entendamos onde nossa verdadeira justiça reside.

Devemos encontrar em Cristo não uma máscara que esconde nossa face, mas um verdadeiro guarda-roupas, que são a Sua justiça. De fato, é somente debaixo da veste que é a justiça de Cristo, recebida pela fé, que qualquer um de nós pode ter esperança de permanecer diante de um Deus santo. Vestir pela fé os trajes de Cristo não é um ato de hipocrisia. É um ato de redenção.

Traduzido por Josaías Jr

Fonte: iPródigo compartilhado no PCamaral


sexta-feira, 25 de maio de 2012

Predestinação ou livre-arbítrio?

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Por Walter McAlister

A palavra “predestinação” é tida como um opróbrio em muitos rincões. Para muitos é uma noção de que o nosso destino está “escrito nas estrelas”, o que “faz de nós apenas joguetes na mão de Deus”. Protestam muitos dizendo que não somos fantoches. Afinal, Deus nos criou com uma capacidade de decidir, o “livre-arbítrio”. Vão além, dizendo que, ao nos criar com vontade própria, Deus literalmente renunciou o seu direito de decidir o rumo das nossas vidas e da humanidade. “Por amor” alguns dizem que Deus se anula perante a raça humana. Ele “queria” que as coisas fossem diferentes, mas “não pode” ir contra uma liberdade concedida.

O problema dessa visão de Deus se acha no fato de que em nenhum lugar da Bíblia existe uma afirmação da submissão da vontade de Deus à vontade humana. É certo que o homem toma as suas decisões. É igualmente certo que somos chamados para nos arrepender dos nossos pecados. Volição (vontade) humana é clara e evidente nas Escrituras. Mas em nenhum lugar vemos Deus se submetendo, ou se anulando, perante o exercício dessa volição humana.

Aliás, temos mais do que suficiente evidência sobre o soberano exercício da volição divina, que não pode ser frustrada. Mais: essa vontade divina subjuga a vontade humana. Vejamos alguns exemplos:

Jó 42.2 diz: “Sei que podes fazer todas as coisas; nenhum dos teus planos pode ser frustrado”.

Já nos Salmos, Davi disse: “O Senhor desfaz os planos das nações e frustra os propósitos dos povos. Mas os planos do Senhor permanecem para sempre, os propósitos do seu coração por todas as gerações” (Sl 33.10,11).

Salomão, em toda a sua sabedoria, afirmou: “Muitos são os planos no coração do homem, mas o que prevalece é o propósito do Senhor” (Pv 19.21).

No que se refere à salvação, Paulo destacou: “Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, também chamou; aos que chamou, também justificou; aos que justificou, também glorificou” (Rm 8.29,30).

Como também em Efésios ele disse: “Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos, por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade, para o louvor da sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado” (Ef 1.5,6).

Até Judas fez o que fez seguindo um propósito eterno de Deus. Jesus disse isso em João 17.12, na oração sacerdotal: “Enquanto estava com eles, eu os protegi e os guardei no nome que me deste. Nenhum deles se perdeu, a não ser aquele que estava destinado à perdição, para que se cumprisse a Escritura.” De fato em João 13.2 vemos que Judas agiu por sua própria vontade. E a sua vontade foi resultado da vontade de Satanás que o induziu a trair Jesus.

Para toda questão difícil, há uma explicação simples, rápida e errada. Quase todos se limitam a perguntar: “Então é Deus quem decide ou nós?” A explicação tem que ser um ou outro. Essa é a solução mais simples. Mas é a errada. A solução de qualquer problema requer uma compreensão de tudo o que está em jogo. Qualquer equação de matemática só terá uma solução – um número final, se todos os elementos forem mensuráveis. Mas este não é o caso. Nas equações entre Deus e o homem, só o último é mensurável, é compreensível. Deus não é. Ele é infinito, eterno, insondável e, consequentemente, temos que nos limitar ao que a Bíblia diz a seu respeito. Afinal, sou eu que exercito o meu livre-arbítrio ou é Deus quem determina tudo? A resposta é “sim” para ambos. Literalmente tanto eu quanto Deus agimos no pleno exercício das nossas faculdades. Mas o que prevalece é a vontade de Deus.

No caso de Judas, os propósitos de Deus requeriam um traidor. Deus determinou. As Escrituras (inspiradas por Deus) previram a vinda desse “filho da perdição”. Mas, na hora “H”, Judas também quis trair, sendo que a vontade de Satanás o induziu a tanto. Literalmente a volição dos três personagens fluiu como um rio só. Essa volição confluente não anulou Judas nem tampouco Satanás. Mas a vontade de Deus foi a mais perfeita. Os dois agiram com um propósito momentâneo. Mas realizaram a vontade eterna de Deus. Foi por meio da ação, nascida da vontade de Satanás e Judas, que os Seus propósitos eternos foram cumpridos. Como dois rios pequenos que se juntaram a um rio grande e forte, confluíram na mesma direção.

Há outro exemplo em José, achado em Gênesis 45. Quando José finalmente se revelou a seus irmãos, disse: “Eu sou José, seu irmão, aquele que vocês venderam ao Egito! Agora não se aflijam nem se recriminem por terem me vendido para cá, pois foi para salvar vidas que Deus me enviou adiante de vocês (…) Assim, não foram vocês que me mandaram para cá, mas sim o próprio Deus” (Gn 45.4b-5, 8a). Mas os irmãos de José agiram com “livre-arbítrio” ou não? Claro que sim. Mas o seu “livre-arbítrio” confluiu com a vontade de Deus, que não pode ser resistida.

E por que Deus faz isso? Paulo diz em Romanos 9: “Pois a Escritura diz ao faraó: ‘Eu o levantei exatamente com este propósito: mostrar em você o meu poder, e para que o meu nome seja proclamado em toda a terra’” (Rm 9.17). Ele segue no versículo 19: “Mas algum de vocês me dirá: ‘Então, por que Deus ainda nos culpa? Pois, quem resiste à sua vontade?’ Mas quem é você, ó homem, para questionar a Deus? Acaso aquilo que é formado pode dizer ao que o formou: ‘Por que me fizeste assim?’ O oleiro não tem direito de fazer do mesmo barro um vaso para fins nobres e outro para uso desonroso?” (até v.21).

As verdades bíblicas não nos exaltam. A Bíblia não é um manual para você se sentir poderoso e independente. Pelo contrário. A Bíblia nos põe em nosso devido lugar. Somos barro. Somos os vasos que Deus criou para realizar os seus propósitos e, no fim, trazer glória para o seu nome. Aceitando isso ou não, não deixa de ser a mais pura verdade bíblica. Agora, protestar a soberana vontade de Deus com base num argumento de “Ele ou nós”, é um protesto sem fundamento. Pois, Ele usa os nossos planos para realizar os seus propósitos. Nossas vontades confluem para um fim divino.

Na paz,
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Fonte: Walter McAlister

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Humildade: uma virtude para Deus ver e não para o homem ver

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Não é uma questão de aparência. A soberba mais grave é aquela que se esconde por trás de uma falsa humildade. A humildade é uma virtude para Deus ver e não para o homem ver.

Não é a negação pura e simples de dons, capacitação e virtudes pessoais, mas o sentimento constante da necessidade de Deus para se ter uma vida espiritual saudável, de vitória sobre o pecado e as provações, e cheia de frutos verdadeiros.

Não é a mera rejeição de palmas, prêmios e coroas, mas a transferência destes para quem de direito (Ap 4.9-11) ou a prática verdadeira do “soli Deo gloria” (glória somente a Deus).

Não é a autodesclassificação, a renúncia da inteligência, da sabedoria, experiência, força de vontade, trabalho árduo, mas a associação dessas coisas com os recursos que provém de Deus.

Não é a inatividade, o cruzar dos braços, mas a atividade comandada e alimentada pela sabedoria e providência de Deus.
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Fonte: Revista Ultimato compartilhado no PCamaral

quarta-feira, 23 de maio de 2012

A família na época pós-moderna

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Publicado originalmente em Palavra da Verdade

Por Hernandes Dias Lopes

A pós-modernidade está firmada sobre o tripé: pluralização, privatização e secularização. A pluralização diz que há muitas ideias, muitos valores, muitas crenças. Não existe uma verdade absoluta, tudo é relativo. A privatização diz que nossas escolhas são soberanas e cada um tem sua própria verdade. A secularização, por sua vez, coloca Deus na lateral da vida e o reduz apenas aos recintos sagrados. A família está nesse fogo cruzado. Caminha nessa estrada juncada de perigos, ouvindo muitas vozes, tendo à sua frente muitas bifurcações morais. Que atitude tomar? Que escolhas fazer para não perder sua identidade? Quero sugerir algumas decisões:

Em primeiro lugar, coloque Deus acima das pessoas. No mundo temos Deus, pessoas e coisas. Vivemos numa sociedade que se esquece de Deus, ama as coisas e usa as pessoas. Devemos, porém, adorar a Deus, amar as pessoas e usar as coisas. A família pós-moderna tem valorizado mais as coisas do que o relacionamento com Deus. Vivemos numa sociedade que valoriza mais o ter do que o ser. Uma sociedade que se prostra diante de Mamom e se esquece do Deus vivo.

Em segundo lugar, coloque seu cônjuge acima de seus filhos. O índice de divórcio cresce espantosamente no Brasil. Enquanto os véus das noivas ficam cada vez mais longos, os casamentos ficam cada vez mais curtos. Um dos grande erros que se comete é colocar os filhos acima do cônjuge. Muitos casais transferem o sentimento que devem dedicar ao cônjuge para os filhos e isso, fragiliza a relação conjugal e ainda afeta profundamente a vida emocional dos filhos. O maior presente que os pais podem dar aos filhos é amar seu cônjuge. Pais estruturados criam filhos saudáveis.

Em terceiro lugar, coloque seus filhos acima de seus amigos. Muitos pais vivem ocupados demais, correm demais e dedicam tempo demais aos amigos e quase nenhum tempo aos filhos. Alguns pais tentam compensar essa ausência com presentes. Mas, nossos filhos não precisam tanto de presentes, mas de presença. Nenhum sucesso profissional ou financeiro compensa o fracasso do relacionamento com os filhos. Nossos filhos são nosso maior tesouro. Eles são herança de Deus. Equivocam-se os pais que pensam que a melhor coisa que podem fazer pelos filhos é deixar-lhes uma rica herança financeira. Muitas vezes, as riquezas materiais têm sido motivo de contendas na hora da distribuição da herança. Nosso maior legado para os filhos é nosso exemplo, nossa amizade e nossa dedicação a eles, criando-os na disciplina e admoestação do Senhor.

Em quarto lugar, coloque os relacionamentos acima das coisas. Vivemos numa ciranda imensa, correndo atrás de coisas. Muitas pessoas acordam cedo e vão dormir tarde, comendo penosamente o pão de cada dia. Pensam que se tiverem mais coisas serão mais felizes. Sacrificam relacionamentos para granjearem coisas. Isso é uma grande tolice. Pessoas valem mais do que coisas. Relacionamentos são mais importantes do que riquezas materiais. É melhor ter uma casa pobre onde reina harmonia e paz do que viver num palacete onde predomina a intriga.

Em quinto lugar, coloque as coisas importantes acima das coisas urgentes. Há uma grande tensão entre o urgente e o importante. Nem tudo o que é urgente é importante. Não poucas vezes, sacrificamos no altar do urgente as coisas importantes. Nosso relacionamento com Deus, com a família e a com a igreja são coisas importantes. Relegar esses relacionamentos a um plano secundário para correr atrás de coisas passageiras é consumada tolice. A Bíblia nos ensina a buscar em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, sabendo que as demais coisas nos serão acrescentadas.

Precisamos investir em nosso relacionamento com Deus e em nossos relacionamentos familiares, a fim de não naufragarmos nesse mar profundo da pós-modernidade!

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Fonte: Li primeiro no Hospital da Alma e compartilho no PCamaral

segunda-feira, 21 de maio de 2012

O Antigo e o Novo Evangelho

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Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. (Romanos 1:16)

Por Kevin DeYoung

Você já ouviu falar do Novo Evangelho? Ele não foi sistematizado. Não pertence a nenhuma pessoa ou movimento. Mas está cada vez mais popular.

O Novo Evangelho é, normalmente, composto de quatro partes. 

Normalmente começa com um pedido de desculpas: “Me perdoe pelos meus companheiros cristãos. Eu entendo o porquê de você odiar o Cristianismo. É como Ghandi falou, ‘porque os cristãos não se parecem mais com seu Cristo? ’. Cristãos são hipócritas, julgadores e moralistas. Eu sei que mandamos mal com as Cruzadas medievais, a escravidão e as caças as Bruxas. Tudo que eu posso dizer é: perdoe-me. Não te demos razão para crer.”

Então há o apelo a Deus como amor: “Eu sei que você já viu aqueles pregadores com cartazes e megafones gritando ‘Arrependa-se ou vá para o inferno’. Mas eu estou aqui para te dizer que Deus é amor. Veja Jesus – ele andou com prostitutas e coletores de impostos. Ele amou incondicionalmente. Há muito sofrimento no mundo, mas as boas novas da Bíblia é que Deus veio ao mundo viver em meio ao nosso sofrimento. Ele é um Deus carinhoso e seu alvo é o amor. ‘Eu não vim ao mundo para condená-lo’, foi o que Jesus disse (João 3.17). Ele amou a todos, não importa quem você fosse ou que tivesse feito. E foi isso que o levou a ser assassinado.”

A terceira parte do Novo Evangelho é um convite para se juntar a Deus em sua missão no mundo: “É uma vergonha que os cristãos não tenham mostrado esse Deus ao mundo. Mas é isso que nós fomos chamados para fazer. O reino de Deus está sendo estabelecido na Terra. Na Terra! Não em um céu longínquo depois que morrermos, mas aqui e agora. Mesmo que nós aprontemos, somos agentes de Deus para espalhar seu amor e trazer seu reino. E não o fazemos assustando as pessoas com linguagem religiosa ou forçá-los a se encaixar em um tipo de perfil religioso. Nós o fazemos por meio do amor. Esse foi o caminho de Jesus. É isso que significa segui-lo. Nós amamos nossa vizinhança e amamos trabalhar pela paz e pela justiça. Deus quer que sejamos as boas notícias para um mundo perturbado.”

Finalmente, há uma ambigüidade estudada em relação à eternidade: “Não me entenda mal, eu acredito sim na vida após a morte. Mas nosso foco deve ser no tipo de vida que vamos viver aqui e agora. Algumas pessoas irão para o inferno quando morrerem? Quem sou eu pra dizer? Deus realmente requer um tipo certo de oração ou de declaração de fé para chegar ao céu? Eu não sei, mas acho que posso deixar isso nas mãos dele. Meu dever não é julgar as pessoas, mas abençoá-las. No fim das contas, a maravilhosa graça de Deus pode nos surpreender. E certamente é nisso que eu tenho esperanças.”

Porque é tão legal?

1 - Essa forma de falar sobre as boas novas de Deus é muito chique. É popular por diversas razões. É parcialmente verdade. Deus é amor. O reino já chegou. Cristãos podem ser estúpidos. As particularidades do Novo Evangelho normalmente são justificáveis.

2 - Lida com caricaturas. Os vilões são os pregadores explosivos das ruas, os Cruzados, e imagens caricatas da visão evangélica da salvação.

3 - O Novo Evangelho leva as pessoas a acreditar em coisas erradas sem explicitamente afirmar essas coisas erradas.
Isso é, cristãos que abraçam o Novo Evangelho se sentem a salvo de críticas porque ele nunca realmente disseram que fé não é importante, que não existe inferno, que Jesus não é o único caminho, que Deus não se ira, ou que não há necessidade de arrependimento. Essas distorções não estão explícitas, mas o Novo Evangelho é apresentado de tal forma que os não-crentes podem, e devem, chegar a essas conclusões. Em outras palavras, o Novo Evangelho permite que os não-cristãos ouçam o que querem ouvir enquanto se protegem das críticas de outros cristãos. O pregador do Novo Evangelho sempre tem a opção de, quando confrontado, dizer: “Mas eu nunca disse que não acredito nessas coisas.”

4 - Ele é maleável. O Novo Evangelho encontra as pessoas onde elas estão e as deixa lá. Ele apela ao amor e a ajuda aos pobres. E faz esse apelo de uma forma que repudia qualquer ponta de julgamento, intolerância ou religiosidade. Isso está destinado a ser popular. Ele nos diz que queremos ouvir e nos dá algo que conseguimos fazer.

5 - O Novo Evangelho é inspirador. É isso que faz a mensagem tão atraente para os jovens em particular. Eles sentem a emoção e o propósito de ser parte de uma grande causa, sem toda aquela bagagem da história, da doutrina e das partes complicadas da Igreja. Quem não vai querer participar de uma revolução amorosa?

6 - O Novo Evangelho não te traz nenhuma ofensa. É por isso que a mensagem tem tanto apelo. Os vilões estão “lá fora”. E isso pode ser um problema para qualquer um de nós. Todos nós estamos propensos a “maquiar” o Evangelho, apresentando apenas as partes atraentes e deixando de mencionar os pontos aonde Cristo não só nos conforta, mas nos confronta. E ele nos confronta mais que os pecados dos outros. É muito fácil usar o Novo Evangelho para se diferenciar de todos os maus cristãos. Isso faz com que você pareça melhor e confirma aos não-cristãos que o obstáculo de seu comprometimento está na hipocrisia e fracasso dos outros. Não se fala em arrependimento ou julgamento. Não há nada sobre a causa da morte de Jesus: nem tanto por conta de seu amor, mas por falar sobre sua divindade (Mateus 26.63-66; 27.39-43). O Novo Evangelho só fala de salvação em termos cósmicos. Na verdade, a porta é deixada aberta para o pensamento de que o inferno, se é que ele existe, provavelmente não é uma grande ameaça às pessoas.

Porque é tão errado?

Não deveria ser difícil de enxergar o que está faltando no novo evangelho. O que está faltando é o antigo evangelho, o que era pregado pelos Apóstolos; aquele definido em 1 Coríntios 15 e resumido mais tarde no Credo Apostólico.

“Mas isso que você chama de Novo Evangelho não é um substituto para o antigo evangelho. Nós acreditamos em todas aquelas coisas.”

Ok, então porque vocês não falam isso? E não só aos seus amigos íntimos ou em uma declaração de fé qualquer, mas em público? Você não precisa ser mau, mas precisa ser mais claro. Você não precisa descarregar todo o caminhão da teologia sistemática sobre alguém, mas deixar a impressão de que o inferno não é grande coisa é o contrário do que Jesus fez (Mateus 10.26-33). E quando você não fala sobre a necessidade de fé ou arrependimento, você está indo totalmente contra os Apóstolos (Atos 2.38; 16.31).

“Mas estamos apenas construindo pontes. Nós nos relacionamos com a cultura, primeiro, falando em uma linguagem que eles entendem, apresentando as partes do Evangelho que fazem mais sentido pra eles. Quando conseguimos prender sua atenção e conquistar sua confiança, passamos para o discipulado e ensinamos sobre pecado, arrependimento, fé e todo o resto. Isso é apenas pré-evangelismo.”

Sim, é verdade, nós não precisamos começar as nossas conversas onde nós queremos chegar. Mas o Novo Evangelho realmente incentiva o evangelismo, ou apenas leva o não-cristão a uma falsa segurança? Uma coisa é abrir a porta para outras conversas. Outra é fazer o cristianismo tão palatável que soa como algo que o não-cristão já faz. Isso partindo do melhor do Novo Evangelho, que lá no fundo ele é apenas o desejo de propagar o antigo evangelho.

A abordagem de Paulo com os não-cristãos em Atenas é instrutiva nesse sentido (Atos 17.16-34). Primeiro, Paulo provocou os atenienses ao falar que a cidade tinha muitos ídolos (16). Sua pregação não é guiada pelo seu desapontamento com outros cristãos, mas com sua ira contra a descrença. Em seguida, ele obtém permissão para falar (19-20). Paulo não atacou as pessoas. Ele falou para aqueles que estavam dispostos a ouvir. Mas veja o que ele faz: cria uma conexão cultural (22-23, 28), mas daí ele mostra o contraste entre o entendimento ateniense de Deus e como Deus realmente é (24-29). Sua mensagem não é sobre um estilo de vida, mas sobre adorar ao Deus verdadeiro da forma correta. Depois disso, ele clama por arrependimento (30), alerta sobre julgamento (31), e fala da ressurreição de Cristo (31).

O resultado é que alguns zombaram dele (32). Que pessoa no mundo zombaria do Novo Evangelho? Não há nada nele para não gostar. Não é escândalo em uma mensagem sobre cristãos patéticos, um Deus de amor, mudar o mundo, e como a maioria de nós provavelmente não irá para o inferno. Nunca zombarão dessa mensagem, mas o discurso de Paulo no Areópago foi zombado. E lembre-se, essa pregação em Atenas foi apenas uma introdução à mensagem cristã. Era apenas o começo, a partir de onde alguns quiseram ouvi-lo novamente (32). Paulo falou mais em sua introdução do que muitos cristãos jamais se atreverão a falar. E talvez não sejamos capazes de dizer tudo que Paulo disse em Atenas de uma vez só, mas nós certamente não deveríamos dar a impressão em nosso “pré-evangelismo” que arrependimento, julgamento, a necessidade da fé, a importância dos dogmas corretos, a centralidade da cruz e da ressurreição, a pecaminosidade e Queda do homem – as coisas que alguns sugerem ser o verdadeiro evangelismo – são velharias ultrapassadas de um cristianismo mal-intencionado e doloroso.

Um apelo final

Por favor, se você está interessado pelo Novo Evangelho ou alguma coisa parecida, repense se você está sendo justo com seus companheiros cristãos ao jogá-los todos no mesmo saco de farinha. Pense se você está pregando como Jesus pregou, chamando pessoas não para um estilo de vida, mas para o arrependimento e para a fé (Marcos 1.15). E assim como eu e meus amigos refletimos se temos ou não a paciência e a humildade necessárias para falar amavelmente com não-cristãos, reflita se o seu Deus é uma caricatura cartunesca de um Deus que nunca se ofende com o pecado (saiba que pecado é mais que não ser simpático com seus vizinhos) e nunca derrama sua ira (exceto para seu julgamento sobre aqueles que julgam demais). Pense se você está dando a atenção devida à cruz e ao Cordeiro de Deus que morreu nela para tirar o pecado do mundo. Reflita se a sua explicação da mensagem cristã soa com o que os Apóstolos pregavam ao mundo no livro de Atos.

Isso não é uma coisa pequena. E não é apenas um problema de ênfase. O Novo Evangelho não vai sustentar a igreja. Ele não é capaz de mudar os corações. E ele não salva. É crucial, portanto, que nossas escolas, conferências e editoras cristãs, e igrejas, possam discernir o Novo Evangelho do Antigo.
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Traduzido por Filipe Schulz | iPródigo 
Compartilhado no PCamaral que defende o Antigo Evangelho que é "(...) poder de Deus para salvação de todo aquele que crê (...)" 

domingo, 20 de maio de 2012

Divertindo os bodes ou chamando as ovelhas?

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Mas se o nosso evangelho está encoberto, para os que estão perecendo é que está encoberto. (2 Coríntios 4:3)

Por Mike Riccardi

Em 2 Coríntios, Paulo escreve primeiramente para defender seu próprio apostolado contra determinados homens que ele, mais tarde, chamou de falsos apóstolos (2 Coríntios 11.13). Esses homens estavam ensinando que Paulo não era um apóstolo de verdade e estavam dirigindo muitos ataques contra seu caráter e seu ministério, ao ponto que os Coríntios começaram a duvidar de Paulo e, ainda, duvidar do evangelho que ele pregava.

Por exemplo, esses falsos apóstolos acusaram-no de estar sob o juízo de Deus por causa de seus constantes sofrimentos. O pensamento era que, se Paulo foi realmente mandado por Cristo, ele não enfrentaria tal oposição e confusão, mas, ao contrário, Deus o abençoaria. Assim, em 2 Coríntios 1.3-11, Paulo defende-se dizendo que seus sofrimentos pelo Evangelho são, na verdade, uma marca do favor de Deus. Longe de desacreditá-lo como um apóstolo, sofrimentos são um distintivo de sua autenticidade como um ministro de Cristo. Eles também o acusaram de indeciso, e de “propor um acordo com a carne” (2 Coríntios 1.17) por ele ter mudado seus planos de ir a Corinto. Então, em 2 Coríntios 1.15-22, ele se defende dizendo aos Coríntios que sua palavra não é sim ou não, mas sim, bem como todas as promessas de Deus são sim em Cristo. Outra acusação era que ele não tinha credenciais – uma espécie de apóstolo que chegou tardiamente, não fazia parte dos doze originais. Então, em 2 Coríntios 3.2, ele pergunta aos Coríntios: “Precisamos de carta de recomendação para vocês? Vocês são nossa carta de recomendação. O fato de vocês conhecerem Cristo por causa do evangelho que nós pregamos a vocês é evidência de nossa autenticidade”.

No capítulo 4, descobrimos que outra acusação era que sua mensagem era confusa. E isso era uma acusação substancial, porque a cultura de Corinto louvava a sabedoria humana, a inteligência de discursar e a oratória persuasiva. Eles tinham em alta consideração aqueles que eram hábeis na retórica e oratória, e menosprezavam aqueles que não eram. Assim, esses homens estavam dizendo: “Ei, olhe, Paulo, apenas algumas poucas pessoas estão acreditando em sua mensagem. Se fosse verdade, e você fosse realmente enviado por Cristo, mais pessoas acreditariam!”.

Parece um pouco como os dias de hoje, não é? “Se Deus realmente estivesse te abençoando, você teria mais pessoas em sua igreja! Se você realmente tivesse uma doutrina sólida – e se doutrina fosse realmente importante – mais pessoas acreditariam!”.

O propósito da Igreja definido pelo propósito de Deus

O que há de tão interessante para mim é como a resposta extremamente instrutiva de Paulo a essa acusação é de como a Igreja pode ser testemunha fiel de Cristo em nossas várias esferas da vida. Ele fala aos falsos apóstolos: vocês não entendem a doutrina da eleição. Pode ser que nosso evangelho seja encoberto – isto é, certamente: há muitos que não crêem em nossa mensagem – mas nosso evangelho é encoberto apenas para aqueles que estão perecendo.

Ele diz algo parecido em 2 Coríntios 2.14-16: “porque para Deus somos o aroma de Cristo entre os que estão sendo salvos e os que estão perecendo. Para estes somos cheiro de morte; para aqueles, fragrância de vida”. Paulo faz uma ligação entre a pregação do evangelho e o exalar de um aroma que encontra seu caminho nas narinas de todas as pessoas. E entre aqueles que escutam o evangelho, há dois tipos de pessoas: (a) aqueles que estão sendo salvos e (b) aqueles que estão perecendo; (a) aqueles que Deus escolheu em Cristo antes da fundação do mundo, e (b) aqueles que Deus não escolheu.

A mensagem da cruz é loucura para “os que estão perecendo”, mas para “aqueles estão sendo salvos” – os chamados (1 Coríntios 1.24) – é o poder de Deus para a salvação (1 Coríntios 1.18). Assim, quando o eleito de Deus tem a fragrância do Evangelho, é para ele um aroma de vida que leva à vida. Mas quando o não eleito a escuta, é um aroma de morte que leva à morte, porque a mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo.

O próprio Cristo disse a mesma coisa aos judeus em João 10.26-27. Ele disse: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; e eu dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer. Mas vocês não acreditam porque não são minhas ovelhas”. Entenda isso. Não é: “Vocês não são minhas ovelhas porque não crêem”, mas “vocês não acreditam porque não são das minhas ovelhas. Vocês não são aqueles que o Pai me deu” (cf. João 6.37,39).

Então a defesa de Paulo contra a acusação de que pessoas não, o suficiente, estão crendo em sua mensagem é simples: o propósito da Igreja no evangelismo – e em todas as facetas do ministério do Evangelho – é chamar as ovelhas de Cristo, não os bodes, para o rebanho. Vocês não devem esperar que os bodes creiam no evangelho; apenas as ovelhas escutem a voz do Pastor.

As Implicações

Considere as implicações que essa doutrina tem para nosso ministério do Evangelho – para a forma em que nós “praticamos igreja”. Se continuarmos a levar o Evangelho inalterado, bíblico, ao mundo, e eles continuarem a rejeitá-lo, não é sinal de fraqueza da mensagem. Nem mesmo necessariamente um sinal de fraqueza do mensageiro. Ao contrário, é o desenrolar do propósito de Deus de redimir um povo em particular: aquelas ovelhas que o Pai deu ao Filho.

Assim, se pregamos o Evangelho Bíblico aos nossos vizinhos e aos nossos colegas de trabalho e nossas comunidades com a paciência e compaixão de Jesus, e eles parecerem desinteressados, não devemos concluir que precisamos deixar crescer uma barbicha, começar a tocar rock secular, ter shows de luz, fazer esquetes e passar vídeos na igreja para atraí-los. A igreja não é chamada a entreter os bodes. Nossa tarefa é soar, quão claramente quanto pudermos, a voz do Pastor na mensagem do Evangelho e chamar suas ovelhas que conhecem essa voz para seu rebanho. O chamado da voz do Pastor é o meio pelo qual o rebanho de Cristo é trazido para dentro de seu aprisco. Um estranho elas simplesmente não seguirão, mas fugirão dele, porque não conhecem a voz de estranhos. Então por que adotaríamos uma metodologia de ministério que não está de acordo com a voz do pastor na pregação de sua palavra? Por que implementaríamos algo mais – algo que a Escritura promete que não atrairá as ovelhas de Cristo, mas os bodes? Talvez seja porque falhamos em entender as implicações de 2 Coríntios 4.3.

Nosso evangelho é, de fato, encoberto para aqueles que estão perecendo.

Assim, um princípio para o ministério do Evangelho fiel que Paulo dá à Igreja de Cristo neste texto é: sucesso no ministério do evangelho é medido não por números, mas por fidelidade à mensagem. Portanto, naquilo que parecer uma temporada de falhas externas, devemos buscar não o que oferece maior apelo, o que irá preencher mais lugares, ou o que terá mais “influência”. Temos que perguntar: “entendemos o evangelho corretamente? Estamos pregando a mensagem que recebemos? Estamos soando a voz do Grande Pastor, ou a voz de um estranho?”.
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Traduzido por Carla Ventura | iPródigo.com | Original aqui

sábado, 19 de maio de 2012

Um Conto de Fadas

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E vos tenho enviado todos os meus servos, os profetas, madrugando, e insistindo, e dizendo: Convertei-vos, agora, cada um do seu mau caminho, e fazei boas as vossas ações, e não sigais a outros deuses para servi-los; e assim ficareis na terra que vos dei a vós e a vossos pais; porém não inclinastes o vosso ouvido, nem me obedecestes a mim. (Jeremias 35:15)

Por Digão
Há um novo seriado na TV fechada (e através de downloads) muito bom, chamado Once upon a time – em português, Era uma vez. Apesar de parecer bobinho à primeira vista, torna-se cativante à medida que sua mitologia interna se desenrola: nas histórias de contos de fada, Branca de Neve está para dar à luz a uma menina, e esta criança salvaria todo o reino mágico de uma maldição lançada pela Rainha Má.

Esta maldição se concretiza ao trazer todos aqueles personagens – Branca de Neve, Príncipe Encantado, os Sete Anões, Cinderela, etc. – até nossa realidade sem nenhuma magia. Além disso, eles vivem entre nós completamente desmemoriados, com uma vida simples e comum – Branca de Neve é professora de crianças, o Caçador é o xerife, o Grilo Falante é o psicólogo local, e por aí vai.

Acontece que o que faz a série ser cativante é a complexidade dos personagens, nunca antes vista: o Espelho Mágico seria, antes, um gênio da lâmpada que se apaixonou perdidamente pela Rainha Má, e foi aprisionado no espelho como punição; a Rainha Má também sofre com suas maldades, que são fruto parcial de uma falha de caráter da Branca de Neve; o Príncipe Encantado é, na verdade, um impostor; e nem vou falar quem é verdadeiramente o Lobo Mau para não estragar a surpresa.

Quando lemos a Bíblia, ela nos revela que os personagens históricos ali retratados eram tudo, menos seres unidimensionais: o rei Davi, homem segundo o coração de Deus, era péssimo pai, péssimo marido e péssimo governante, mas ainda assim arrependia-se de seus pecados; o profeta Jeremias, chamado por Deus para anunciar Sua Palavra ao povo, sofria crises existenciais e de fé terríveis no cumprimento do dever; Jonas, chamado a pregar em uma cidade estrangeira, decidiu fugir para não ter que cumprir sua vocação, que foi, relutantemente, cumprida após a experiência com o peixe; Paulo, apóstolo enviado aos gentios, tinha um passado assassino que não fazia questão de esconder, amparando-se, contudo, não na própria experiência, mas na Graça; Marcos, posterior discípulo de Pedro e um dos evangelistas, foi, no passado, um “boyzinho” e o motivo da cisão entre Paulo e Barnabé; Pedro, o primeiro líder da igreja, comportou-se de maneira reprovável na igreja da Galácia; Jesus, nosso Senhor e Deus, sofreu fome, sede, teve crise depressiva e ficou muito bravo com o mercantilismo religioso de Seu tempo.

A igreja evangélica brasileira, que hoje em dia é qualquer coisa menos verdadeiramente evangélica, tem reduzido a multidimensionalidade humana a uma triste unidimensionalidade. Qualquer traço de diversidade de dimensões e experiências é logo rechaçado. Segundo a mensagem pagã que infesta os palcos das performances dominicais e infecta a alma do povo, qualquer outro destino que não seja a vitória, o sucesso e a vida regalada deve ser negado, a não ser que, numa mistura de epicurismo com hedonismo, o sofrimento pode ser permitido se trouxer um prazer (material) enorme ao seu fim. A mensagem pagã propagada nos hospícios que já se chamaram igrejas nada fala sobre real adoração a Deus, mudança de caráter, pecado ou arrependimento; em vez disso, transforma seus ouvintes em meros participantes de um festejo a Baal, que era o deus fenício da prosperidade, ou Baco, seu equivalente romano. Como os cultos a Deus, que prezam pela santidade e reverência ao Seu nome, foram trocados por verdadeiros bacanais palatáveis à classe média, pode-se fazer tudo, desde “trenzinhos” até mesmo surtos catárticos.

Jesus se tornou gente para que pudéssemos viver nossa humanidade para Sua glória. Mas Baal, o deus deste século e de grande parte da igreja evangélica, quer retirar a humanidade de circulação de nossas vidas, uma vez que ela reflete a obra de Deus. Tornando-nos personagens de contos de fadas, onde o final feliz é garantido no fim, glorificamos, mesmo, é apenas ao nosso ego doente. E ao próprio Baal.

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Fonte: Genizah compartilhado no PCamaral

quinta-feira, 17 de maio de 2012

A Banalização do Sagrado

4 comentários:
Também se ocupam em curar superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz! Mas não há paz. Por acaso se envergonharam por terem cometido abominação? Não, de maneira alguma; nem mesmo sabem o que é envergonhar-se... (Jr 6:14-15)

Por Hernandes Dias Lopes

O espírito pós-moderno tem levado muitos crentes à banalização do sagrado. Milhares de pessoas entram pelos umbrais da igreja evangélica, mas continuam prisioneiras de suas crendices e de seus pecados. Têm nome de crente, cacuete de crente, mas não vida de santidade. Em vez de ser instruídas na verdade, são alimentadas por toda sorte de misticismo estranho às Escrituras. Em vez de crescerem no conhecimento e na graça de Cristo, aprofundam-se ainda mais no antropocentrismo idolátrico, ainda que maquiado de espiritualidade efusiva. Dentro dessa cosmovisão, os céus estão a serviço da terra, e Deus está a serviço do homem. Não é mais a vontade de Deus que deve ser feita na terra, mas a vontade do homem, no céu. Tudo tem de girar ao redor das escolhas, gostos e preferências do homem. O bem-estar do homem, e não a glória de Deus, tornou-se o foco central da vida. Assim, o culto também tornou-se antropocêntrico. Cantamos para o nosso próprio deleite. Louvamo-nos a nós mesmos. Influenciados pela síndrome de Babel, celebramos o nosso próprio nome.
Nesse contexto, a mensagem também precisa agradar o auditório. Ela é resultado de uma pesquisa de mercado para saber o que atrai o povo. O ouvinte é quem decide o que quer ouvir. O sermão deixou de ser a voz de Deus para atender à preferência. Os pregadores pregam não o que o povo precisa ouvir, mas o que o povo quer ouvir. O misticismo está tomando o lugar da verdade. A autoajuda está ocupando o lugar da mensagem da salvação. Assim, o homem não precisa de arrependimento, mas apenas de libertação, visto que ele não é culpado, mas apenas vitima. O pragmatismo pós-moderno está substituindo o antigo evangelho.
A banalização da teologia desemboca na vulgarização da ética. Onde não tem doutrina bíblica ortodoxa, não pode haver vida irrepreensível. A teologia é a mãe da ética. A ética procede da teologia. Onde a verdade é substituída pela experiência, a igreja pode até crescer numericamente, mas torna-se confusa, doente e superficial. O povo de Deus perece quando lhe falta conhecimento. Onde falta a Palavra de Deus, o povo se corrompe. Outrossim, onde não há santidade, ainda que haja ortodoxia, o nome de Deus é blasfemado.
A banalização do sagrado é visto claramente nas Escrituras. O profeta Malaquias denunciou com palavras candentes o desrespeito dos sacerdotes em relação à santidade do nome de Deus, do culto, do casamento e dos dízimos. A religiosidade do povo era divorciada da Palavra de Deus. As coisas aconteciam, o povo vinha ao templo, o culto era celebrado, mas Deus não era honrado. Jesus condenou também a banalização do sagrado quando expulsou os vendilhões do templo. Eles queriam fazer do templo um covil de salteadores; do púlpito, um balcão de negócios; do evangelho, um produto de mercado e dos adoradores, consumidores de seus produtos. O livro de Samuel denunciou de igual forma esse mesmo pecado. O povo de Israel estava em guerra contra os filisteus, pensando que Deus estava do lado deles, mesmo quando seus sacerdotes Hofni e Fineias achavam-se em pecado. Contudo, quatro mil israelitas caíram mortos na batalha, porque o ativismo não substitui a santidade. O povo, em vez de arrepender-se, mandou buscar a arca da aliança, símbolo da presença de Deus. Quando a arca chegou, houve grande júbilo, e o povo de Israel celebrou vigorosamente a ponto de fazer estremecer o arraial do inimigo. Mas uma derrota ainda mais fatídica foi imposta a Israel, e trinta mil soldados pereceram, os sacerdotes morreram, e a arca foi tomada pelos filisteus. Alegria e entusiasmo sem verdade e santidade não nos livram dos desastres. Rituais pomposos, mas sem vida de obediência não agradam a Deus. Deus está mais interessado em quem nós somos do que no que fazemos. Deus não aceita nosso culto nem nossas ofertas quando ele rejeita a nossa vida. Antes de Deus aceitar nosso culto, ele precisa agradar-se da nossa vida. É tempo de examinar a nós mesmos e voltarmo-nos para o Senhor de todo coração.
A banalização do sagrado pode ser vista em algumas áreas vitais da vida cristã:
1 – A banalização do sagrado em relação ao culto: Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.  (Jo 4:23-24)
O culto deve ser oferecido somente a Deus, segundo as prescrições divinas. Caim quis cultuar Deus do seu modo e o Senhor rejeitou sua vida e oferta. Natã, Coré e Abirão tentaram trazer fogo estranho diante de Deus, e foram eliminados do arraial de Israel. Uzá, não sendo levita, tentou amparar a arca da aliança, e caiu morto. O culto não é produto da nossa imaginação, mas um ato de adoração a Deus, conforme os preceitos estabelecidos pelo próprio Deus. Hoje, muitos líderes tem agregado ao culto práticas estranhas ao ensino das Escrituras. Essas práticas parecem empolgantes, mas são desprovidas de autenticidade. Agradam aos olhos humanos, mas não ao coração de Deus.
2 – A banalização do sagrado em relação à guarda do dia do Senhor: Se desviares o teu pé do sábado, de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso, e o santo dia do SENHOR, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas próprias palavras então te deleitarás no SENHOR, e te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Jacó; porque a boca do SENHOR o disse.  (Is 58:13-14)
Estamos vivendo numa geração secularizada. A Palavra de Deus está deixando de ser normativa para essa cultura moribunda. Deus está sendo empurrado para a lateral da vida e para dentro de alguns templos religiosos. Os próprios cristãos já não observam mais o dia do Senhor. Entregam-se a seus negócios, ao lazer ou ao ócio, deixando de cumprir preceitos divinos acerca da correta observância do dia do Senhor. Em muitos países, os crentes já não vão mais assiduamente ao templo. A jogatina e a busca por diversão tomou o lugar do culto a Deus. Crentes descomprometidos não se preparam convenientemente para cultuar a Deus e desprezam completamente o preparo espiritual para esse dia de adoração ao Deus redentor.
3 – A banalização do sagrado em relação à música sacra: E pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos o verão, e temerão, e confiarão no SENHOR.  (Sl 40:3)
Estamos vendo uma explosão da música gospel no Brasil. temos muita música boa, com teologia sadia e musicalidade rica. Por outro lado, temos muita música ruim, com profundas distorções teológicas e com sofrível cabedal musical. A banalização da música de mercado tem sido uma das causas mais evidentes da decadência espiritual das igrejas contemporâneas, Há muitos compositores evangélicos quase analfabetos de Bíblia e que pouco conhecem da sã doutrina e estão compondo sem nenhuma orientação espiritual. O pior é que muitas igrejas assimilam essas músicas e disseminam sua mensagem eivada de desvios teológicos.
4 – A banalização do sagrado em relação à ética: Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo! (Is 5:20)
A igreja evangélica brasileira tem extensão, mas não profundidade. Tem numero, mas não piedade. Cresce em poder de barganha, mas perde sua influência espiritual. Estamos vivendo uma aguda crise ética no meio evangélico. Multiplicam-se os escândalos entre a liderança. Enxurrada de gente entra para a igreja, mas não dá provas de conversão. Multidões correm ávidas atrás de milagres, mas não demonstram na conduta o milagre do novo nascimento. Explodem a cada dia pretensos milagres veiculados jeitosamente na mídia, fazendo um propaganda tendenciosa para enaltecer líderes gananciosos, enquanto o povo é mantido na mais densa escuridão espiritual. O lucro tem sido o vetor do ministério de muitos pastores. O comércio do sagrado no meio evangélico bota no bolso as indulgências da Idade Média. Precisamos de um choque ético no meio evangélico. Precisamos de uma nova Reforma. Não dá mais para tolerar a banalização do sagrado.

Bibliografia:
Almeida, João Ferreira de. Bíblia sagrada com devocionais de Hernandes Dias Lopes / João Ferreira de Almeida. – São Paulo : Hagnos, 2010 páginas 1.339 a 1341.
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Fonte: Bíblia Almeida século 21 – Este texto faz parte da sessão: Devocionais Semanais por Hernandes Dias Lopes. Semana 46 – A Banalização do Sagrado – páginas 1339 a 1341. Reproduzido na integra conforme encontrado no livro acima citado.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Anjos Caídos

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Avanço das drogas na sociedade bate à porta da igreja e jovens evangélicos já fazem parte de estatísticas do vício.
“As instituições religiosas são fundamentais para minimizar o impacto do uso das drogas na população. Ter fé auxilia no enfrentamento do estresse e de situações difíceis na vida, que são fatores de risco para o uso dessas substâncias”, defende Paulina Duarte, secretária adjunta da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad).
Por Marcos Stefano

Tudo começou com um punhado de anfetaminas e o desejo desenfreado de vencer no ciclismo. Mas logo vieram o ecstasy, a cocaína, o crack, as brigas com a família e os roubos para manter o vício que acabara de se instalar. A cada capítulo, o drama vivido por Danilo Gouveia, personagem interpretado pelo ator Cauã Reymond na novela Passione, da Rede Globo, mexe com os telespectadores e choca a sociedade com a dura realidade das drogas. Não é o primeiro sucesso do showbiz macional em cima do assunto. Há pouco tempo, o longa Meu nome não é Johnny, baseado no livro do jornalista Guilherme Fiuza, ganhou as telas dos cinemas ao revelar as desventuras de João Guilherme Estrella, um jovem que tinha tudo na vida, menos limites, pelo mundo das drogas. Em comum, histórias como as de Gouveia e Estrella alertam dramaticamente que ninguém está livre desse perigo – nem mesmo aqueles que estão aparentemente nas situações mais seguras, aos olhos dos homens. Johnnatan Wagner Richele Guardian, hoje com 25 anos, sabe muito bem o que isso significa. Nascido numa família de pastores, Johnnatan cresceu dentro de uma congregação da Igreja do Evangelho Quadrangular, numa pacata cidade do interior das Minas Gerais. Na adolescência, envolveu-se com o grupo de mocidade e começou a tocar nos cultos. Tinha talento e um futuro promissor. Mas trocou tudo pela bebida e pela droga. A ponto de terminar traficando cocaína e crack nas ruas da cidade de São Paulo. Tornara-se um dependente.

Para quem observa hoje o trabalho e o envolvimento do obreiro Johnnatan com a juventude da Igreja Internacional da Graça de Deus, onde se prepara para o pastorado, é até difícil imaginar o que pode ter acontecido para um moço aparentemente tão fervoroso espiritualmente ter se esfriado tanto. “As pessoas sempre me viam nos cultos, mas não sabiam o que se passava comigo”, conta. Repetindo o que acontece com tantos garotos que crescem numa aparente segurança espiritual dentro das igrejas, ele estava longe da fé fervorosa da avó, que sempre o levava aos cultos. “Eu achava tudo muito careta e, influenciado por alguns amigos, pensava que ser crente era viver escondido atrás de uma Bíblia”. Aos 19 anos, o rapaz deixou a igreja. Com a “ajuda” daqueles mesmos amigos, começou a beber. Dali para as drogas, foi um passo.

A família, no entanto, não desconfiava de nada. Só veio a descobrir a verdade quando Jonathan foi morar com a mãe, na capital paulista. Como o que ganhava já não era suficiente para comprar tóxicos, começou a vender coisas de casa até ser flagrado pela mãe. Já estava dominado pelo vício. Nos anos seguintes, não foram poucas as tentativas de deixar as drogas, mas elas sempre terminavam em fracasso. Bastava uma discussão que o deixasse mais nervoso para Johnnatan mergulhar novamente naquele mundo. “Quando ficava desempregado ou o dinheiro acabava, vinham as vozes no ouvido: ‘Por que você não se mata? Jogue-se da ponte!’. Era terrível”, recorda. Conseguiu sobreviver até que um de seus patrões o levou de volta à igreja, onde recebeu a Cristo como Salvador. Logo foi incentivado a largar o vício. Essa decisão, assim como a de romper com velhas amizades e até mesmo um namoro, foram decisivas para que ele tivesse êxito.
Estima-se que, em todo mundo, mais de 210 milhões de pessoas usem algum tipo de droga ilegal.
Histórias de crentes que enfrentam o pesadelo das drogas chegam a soar muitas vezes quase como surreais. Porém, o que mais impressiona não são experiências sobrenaturais ou as misérias enfrentadas quando a pessoa chega ao fundo do poço, mas perceber que esses casos se multiplicam. Por si só os números que envolvem as drogas têm dimensões infinitamente maiores do que qualquer das pragas descritas no Apocalipse. Estima-se que, em todo mundo, mais de 210 milhões de pessoas usem algum tipo de droga ilegal. Dessas, de acordo com levantamento da Organização das Nações Unidas, 26 milhões enfrentam problemas sérios, como a dependência de substâncias mais pesadas, especialmente nos grandes centros urbanos. É um problema de saúde pública, inclusive no Brasil, onde estima-se que haja quase 900 mil usuários. Mas, quando se pensa que uma parte desse contingente é formado por jovens filhos de crentes ou desviados das igrejas, a preocupação é ainda maior.

O pastor Cilas, dirigente de uma igreja pentecostal do Rio de Janeiro, pede que a reportagem omita seu sobrenome e o nome de seu filho mais novo, de 22 anos. Mas não esconde que vive esse drama: “Eu prego a libertação que há em Jesus no púlpito, mas esse processo ainda não aconteceu na minha casa”, lamenta o religioso. No fim da adolescência, o filho, que desde bebê acostumou-se a ouvir cânticos e mensagens de fé na congregação frequentada pela família, deixou de ir aos cultos. Alegava que queria ficar em casa e assistir televisão aos domingos, mas quando se via sozinho, saía furtivamente. “Pensamos que era aquela coisa de adolescente rebelde, que um belo dia vai ter uma experiência com Cristo e mudar de vida”, diz Cilas. O problema era muito maior – o garoto já andava com outros rapazes mais velhos, que o iniciaram nas drogas. Passo seguinte, abandonou os estudos e agora pouco aparece em casa, para desespero dos pais. “Às vezes, fico semanas sem vê-lo, sem nem mesmo saber se está vivo ou morto”, entristece-se o pastor, que admite a própria culpa. “Tinha tanto interesse em buscar as almas perdidas que não percebi que tinha um perdido sob meu teto.”

RELAÇÃO PERIGOSA

Não existem pesquisas nem números que quantifiquem de fato essa relação perigosa dos jovens evangélicos com as drogas. Mas basta analisar o perfil dos pacientes internados nas muitas casas de recuperação para dependentes químicos espalhadas pelo Brasil para perceber que vários deles têm ou tiveram alguma relação anterior com o Evangelho. Essa constatação se repete nas ruas. No Rio de Janeiro, missionários que trabalham nas favelas costumam relatar encontros em que traficantes pedem orações. “Cansei de conhecer traficantes filhos de crentes”, confirma o missionário Pedro Rocha Júnior, de Jovens com uma Missão, a Jocum. Atualmente no Cairo (Egito), ele passou mais de uma década pregando o Evangelho e prestando serviços sociais no Morro do Borel, zona norte da capital carioca, num tempo em que a comunidade era dominada pelo narcotráfico. “Muitos dos traficantes tinham nomes bíblicos, como Ezequiel, Davi, Josué. Gente criada na igreja, mas que depois pulou fora e caiu no vício.”

Em São Paulo, na chamada Cracolândia – área da região central da cidade que ganhou fama pelo tráfico de drogas e pela prostituição, além dos delitos praticados a céu aberto e em plena luz do dia –, meninos e meninas que um dia cantaram em corais juvenis de igrejas agora não passam de moribundos que vagam pelos becos alucinados pela próxima dose. “É assustador ver que tanta gente com quem trabalhamos saiu de igrejas e provêm de famílias evangélicas. Seja por terem uma religião apenas nominal ou por experimentarem alguma frustração com o sistema, foram presas fáceis para a tentação das drogas”, explica a advogada e missionária Selma Maria de Oliveira, de 33 anos. Ela integra a Missão Cena, organização interdenominacional que trabalha na região da Cracolândia. Sua sede, localizada próximo dali, é um refúgio para quem já não pode contar com mais nada nem ninguém. A cada terça-feira, centenas de moradores de rua e viciados dirigem-se à base para comer, tomar banho, cortar o cabelo e trocar de roupa. Lá, encontram abrigo temporário, mas que pode se transformar em permanente: após passar por uma triagem, os usuários de drogas têm a possibilidade de conseguir tratamento na Fazenda Nova Aurora, centro de recuperação que a missão mantém em Juquitiba, no interior paulista.

A impressão dessa alta presença de ex-crentes entre os viciados foi partilhada pelo repórter de CRISTIANISMO HOJE. A revista acompanhou na região central de São Paulo o trabalho de uma equipe de obreiros da Cena. Conversando com usuários de drogas como o crack, é possível perceber a origem e formação evangélica de diversos deles, como um rapaz que falava da Bíblia para moradores de rua. Antes, líder do louvor numa igreja pentecostal, ele agora se tornou traficante. Mesmo pedindo para não ser identificado, falou um pouco sobre sua história. Ainda guarda do Evangelho a certeza de que há perdão e restauração em Cristo, mas, por enquanto, diz não ter forças para sai do fundo do poço. “Tenho esperança de que um dia voltarei para os caminhos do Senhor”, diz. Mesmo assim, garante, fala do amor de Jesus aos outros. “Até ensino o pessoal a cantar alguns hinos”, diz, sorrindo.

“Há pelo menos quatro fatores que podem explicar o vício entre os jovens: o físico, o psicológico ou emocional, o social – e também o espiritual”, explica a psicóloga Gisele Aleluia, professora do Instituto de Integração da Família (Inif) e de pós-graduação na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. Coautora do livro Drogas.sem (Editora BestSeller), em que orienta como ajudar alguém que pretende deixar o vício, ela diz que os adolescentes são presas fáceis quando buscam reconhecimento entre os amigos e acham que as drogas os ajudarão a ser mais populares ou vencer a timidez na hora de namorar. Já outros, na ponta oposta, são por demais curiosos e autossuficientes para achar que correm riscos. “A mesma falta de perspectivas pode ser encontrada entre aqueles inseguros, que vão atrás de alívio para seus problemas”, aponta.

Pesquisa recente mostrou que um em cada quatro estudantes do ensino fundamental e médio da rede pública brasileira já experimentou algum tipo de droga, além do cigarro e das bebidas alcoólicas. Num desafio ao bom senso, experimentam esse tipo de substância cada vez mais cedo. Há dez anos, a média de idade para o primeiro contato era de 14 anos. Agora, não passa de onze. As pesquisas também revelam que, devido à exibição na televisão dos efeitos devastadores dos entorpecentes na vida de viciados e às campanhas de prevenção, a juventude brasileira sabe o tamanho desse problema. Ainda assim, boa parte dela não consegue ficar longe de um baseado de maconha ou um papelote de cocaína.

“No meio evangélico, some-se a tudo isso o ambiente repressor de muitas igrejas. Ao sair desse sistema, o jovem está vulnerável e despreparado”, continua a psicóloga Gisele. “Justamente por conta dessa tolerância para com os de fora e intolerância para os de dentro, a igreja tem facilidade para lidar com quem pede ajuda e dificuldade para auxiliar alguém já recuperado que recai”, diz. Membro do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos (CPPC), ela lembra o caso de um de seus pacientes. Filho de pastor, hoje, ele luta contra o vício. “A pessoa quer mostrar sua rebeldia usando tóxicos. No caso desse rapaz, ele me confessou que seu pai o havia prendido a vida inteira. Finalmente, quando conseguiu sair, saiu demais.”

ESPIRITUALIDADE TERAPÊUTICA

Do ponto de vista da ciência, as drogas são uma doença. Um problema sério, capaz de acabar com relacionamentos e inviabilizar o estudo e o trabalho – e que precisa do devido acompanhamento e de soluções à altura. Mesmo assim, até na área médica já existe um consenso de que a espiritualidade tem um papel muito importante para prevenir e tratar a dependência química. No mais amplo estudo realizado no Brasil sobre o tema, de autoria de pesquisadores da Universidade de Campinas (Unicamp), mais de 16 mil estudantes foram envolvidos. A conclusão foi de que a religiosidade é fator importante de prevenção ao vício.

Essa também é a opinião dos órgãos governamentais responsáveis pela política nacional de combate às drogas. “As instituições religiosas são fundamentais para minimizar o impacto do uso das drogas na população. Ter fé auxilia no enfrentamento do estresse e de situações difíceis na vida, que são fatores de risco para o uso dessas substâncias”, defende Paulina Duarte, secretária adjunta da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad). Dentro da estratégia de priorizar a prevenção, um dos principais projetos da instituição é o curso Fé na Prevenção, desenvolvido para capacitar os religiosos a trabalhar na área. O objetivo era chegar ao fim de 2010 com 200 mil pessoas treinadas.

“Valores espirituais protegem a pessoa das drogas. Por isso, torna-se tão importante falar a língua do jovem”, faz coro Gisela. Acontece que normalmente famílias e igrejas que enfrentam o perigo das drogas com seus jovens têm dificuldade para fazer a pressão na medida certa e ao mesmo tempo manter o mínimo de diálogo. Na lacuna, quem entra com força são os centros especializados no acolhimento e tratamento a viciados. Não por acaso, a maior parte das casas de recuperação são evangélicas ou católicas, sendo procuradas também por quem não tem religião. Mas a demanda é grande demais, inclusive por parte das igrejas e famílias evangélicas que as veem como última esperança. Só a Federação de Comunidades Terapêuticas Evangélicas do Brasil (Feteb) representa cerca de 300 instituições do gênero no Brasil. Quem atua no setor quer fazer mais. “Para prestar um serviço relevante à sociedade precisamos nos qualificar, mas também melhorar nossa estrutura física”, diz o presidente da entidade, pastor Wellington Vieira. “Um primeiro passo é o reconhecimento dos governos federal, estaduais e municipais ao nosso serviço e parcerias que nos permitam adaptar-nos às exigências da Vigilância Sanitária para o funcionamento das clínicas”, reivindica.

A fé, contudo, não faz milagres sozinha. “Não adianta somente se dizer evangélico. Se a família que frequenta a igreja é disfuncional, a chance de seus filhos pararem nas drogas é alta”, constata o pastor Carlos Roberto Pereira da Silva, do Desafio Jovem de Rio Claro (SP). Desde 1998, a casa é a representante oficial do Ministério Desafio Jovem Internacional, criado quarenta anos antes nos Estados Unidos pelo pastor David Wilkerson, cuja história está registrada no best-seller A cruz e o punhal (Editora Betânia). Na época, Wilkerson, pastor de uma Assembleia de Deus no interior do país, mudou-se para Nova Iorque a fim de evangelizar gangues que disputavam o poder nas ruas da metrópole.

“O tratamento é melhor estruturado e mais complexo agora”, destaca Carlos, “mas, ainda hoje, a filosofia de trabalho permanece a mesma. Temos uma das melhores porcentagens de recuperados no país, com mais de 70% de sucesso. Nos Estados Unidos, o índice chega a 86%”. Ele é parte dessa estatística, já que, no passado, foi viciado e chegou a roubar e traficar drogas. Com conhecimento de sobra, o pastor não tem ilusões em relação ao assunto. “Infelizmente, muitas igrejas querem lidar com viciados sem o mínimo de estrutura. Não se tira alguém das drogas com uma simples oração ou unção com óleo”. Mas sabe que o Evangelho de Jesus continua tendo poder de mudar vidas. “Acredito que a Igreja brasileira continua sendo um lugar terapêutico, mas é preciso voltar a tocar a trombeta do despertamento.”

Johnnatan, o futuro pastor que abre a reportagem, tem feito isso. Exceção à regra, ele superou o vício sem precisar ser internado em uma casa de recuperação. Mas sabe que precisa vigiar. As recaídas são das maiores ameaças a ex-viciados, e ele já passou pela experiência. “E não quero repetir nunca mais”, afirma. Consciente da situação, hoje Johnnatan ajuda a tirar outros jovens do submundo das drogas. Quase toda semana, visita instituições de atendimento, onde testemunha e encoraja os internos a continuarem o tratamento. “Se eu consegui, você também consegue”, costuma repetir para rapazes e moças – muitos dos quais, como ele, deixaram para trás os tempos de comunhão com o Senhor e os irmãos para entrar num caminho nem sempre com retorno.

Pesadelo global

Segundo a ONU, 210 milhões de pessoas no mundo usam substâncias ilegais

Destas, 26 milhões são seriamente viciados em drogas pesadas

No Brasil, usuários frequentes e viciados chegam a 900 mil

Há dez anos, a idade média do primeiro contato era 14 anos. Hoje, é de 11 anos

1 em cada 4 estudantes brasileiros de ensino fundamental e médio já experimentaram

Solução arriscada

A última conferência da Comissão de Entorpecentes da ONU, realizada em Viena, Áustria, em 2008, foi palco para surpresas desagradáveis. A primeira foi o trágico balanço da luta contra as drogas. A proposta de criar “um mundo livre das drogas”, slogan aprovado pela entidade dez anos antes, foi um fracasso retumbante. A segunda, a ressurreição das vozes que clamam pela legalização do uso de substâncias consideradas ilícitas. Mesmo derrotada, a proposta é cada vez mais forte no mundo moderno.

Historicamente, a legalização das drogas trouxe mais males do que benefícios. Há cem anos, a China só conseguiu conter o crescimento do consumo de ópio quando passou a combatê-lo. Com isso, evitou uma catástrofe nacional, já que 25% da população era viciada. Em países como a Holanda, que liberou a compra de até cinco gramas de maconha em lojas, criou-se um “turismo da droga” – além disso, bairros inteiros da capital Amsterdã se degradaram.

Blindagem familiar

São muitos os caminhos, as oportunidades e as necessidades que levam o jovem às drogas. Mas a família não deve encarar o pesadelo como inevitável ou definitivo:

· Diálogo constante e compreensão na medida certa, com demarcação de limites claros, continuam sendo as melhores opções para manter os filhos longe do vício

· A fuga para as drogas geralmente é sintoma de que algo não vai bem em casa. Os pais precisam exercitar a autocrítica o tempo todo

· O filho deve ser conscientizado, desde cedo, que é o principal responsável por seus atos – e a principal vítima de suas eventuais consequências ruins

· Famílias acomodadas correm mais riscos de serem surpreendidos pelas drogas. Os pais devem acompanhar a rotina, fiscalizar companhias e programas dos filhos e, sobretudo, ganhar sua confiaça

· O drama das drogas muitas vezes não se resolve e pode levar o filho à ruína pessoal e à morte. A família não deve minimizar o uso de substâncias entorpecentes ou considerar que a prática é coisa normal do processo de formação e amadurecimento do jovem

· Repetidos estudos têm mostrado a importância da prática religiosa como forma de prevenção ao vício. Pais crentes devem incentivar o desenvolvimento da vida espiritual dos filhos e seu engajamento numa congregação
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Fontes: Desafio Jovem e Clube 700 (adaptado) - Via Cristianismo Hoje compartilhado no PCamaral