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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O dilema da criação de filhos no Brasil: a ética compensa?

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"Fazer o certo ou ser feliz?", o dilema que mobilizou filósofos gregos se repete na criação dos filhos (Enrico Fianchini/Getty Images/Vetta)

Pais temem ensinar virtudes às crianças e torná-las presas fáceis em um país onde o dever e a verdade parecem vencidos pela mania de levar vantagem

Por Gabriela Loureiro em Revista Veja

A dentista Márcia Costa abomina infrações às leis de trânsito. Em especial, a prática adotada por muitos pais de parar o carro em fila dupla, interrompendo o fluxo de veículos, para deixar os filhos na porta da escola. Ela prefere estacionar seu carro mais longe e fazer os adolescentes caminharem até lá. Não satisfeita, reprova publicamente os motoristas que alimentam a irregularidade. Os filhos protestam: "Que mico!", diz Beatriz, de 15 anos. "Mãe, assim é você quem acaba sendo a chata da história", afirma Lucca, de 12. A guerra à fila dupla envolveu até o marido de Márcia, Marcelo, que certo dia colocou a convicção da mulher à prova: "Você quer estar certa ou quer ser feliz?" É um velho dilema. Filósofos gregos já se faziam a pergunta há mais de vinte séculos: uns defendiam que fazer o que é correto, o que deve ser feito, é o caminho para a felicidade; outros argumentavam que tal conciliação é impossível.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Maridos, vocês conhecem a índole da sua esposa?

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Por Josué Gonçalves em Verdade Gospel

“O homem deve amar a sua esposa assim como ama o seu próprio corpo. O homem que ama a sua esposa ama a si mesmo. Porque ninguém odeia o seu próprio corpo. Pelo contrário, cada um alimenta e cuida do seu corpo, como Cristo faz com a Igreja,…” (Ef 5.28,29)

1. Intimidade

Pergunte a uma mulher o que ela mais deseja no relacionamento com seu esposo e ela lhe responderá: “Intimidade”. O sexo faz parte da intimidade, mas não é tudo o que ela espera da intimidade. Intimidade é o processo de revelação mútua que nos leva a uma entrega completa a outra pessoa, nesse mistério que chamamos de amor.

Esposas, vocês conhecem a índole de seus maridos?

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Por Josué Gonçalves em Verdade Gospel

Cinco características principais da índole do homem

“Como é difícil encontrar uma boa esposa! Ela vale mais do que pedras preciosas! O seu marido confia nela e nunca ficará pobre. Em todos os dias da sua vida, ela só lhe faz o bem e nunca o mal.” (Pv 31.10-12) “Os seus filhos a respeitam e falam bem dela, e o seu marido a elogia. Ele diz: “Muitas mulheres são boas esposas, mas você é a melhor de todas.” (PV 31.28,29)

Índole é a inclinação normal de uma pessoa ou seu temperamento, o modo de ser, o jeito natural da pessoa.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Sem dinheiro, sem sexo: experiências de abstinência ajudam a rever valores

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Você conseguiria passar um ano sem sexo, sem compras, sem dinheiro ou sem maquiagem? Eles conseguiram – e contam como foi

Por Clarissa Passos - do iG São Paulo, com reportagem de Renata Reif

“Nunca estive tão feliz, saudável e em forma como agora”. Assim se define Mark Boyle, um irlandês de 34 anos que, em novembro de 2008, decidiu viver um ano sem dinheiro. Mark tomou gosto pela coisa e continua até hoje à margem do sistema econômico, garantindo o necessário para sua existência sem manipular o vil metal. Ele cultiva a própria comida, fabrica a própria pasta de dentes e garante o necessário para sua existência em trocas com a comunidade. O laptop e o celular funcionam com energia solar e são os poucos elementos do sistema tradicional admitidos por Mark, que virou colunista do jornal inglês “The Guardian”.



Arquivo pessoal
Mark Boyle, que vive sem dinheiro: "fazer suas próprias coisas dá sentido à vida"


A empreitada pode parecer maluca, mas não é impossível – nem é a única das experiências de “abstinência” que impressionam. Paloma Soares*, 27 anos, viveu um ano sem sexo entre 2009 e 2010. Segundo ela, não faltaram pretendentes. “Não foi um bloqueio, nem imposição. O propósito era fazer uma autoanálise”, conta.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Namoro tradicional perde popularidade entre universitárias americanas

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Sem envolvimento romântico, jovens aderem ao "hookin up", termo em inglês que significa quase qualquer coisa, de uns amassos a sexo, sem laços emocionais de um relacionamento

Por Kate Taylor no NYT via  IG 

Às 23h de um dia de semana, com seus trabalhos terminados, uma caloura na Universidade da Pensilvânia fez o que costuma fazer quando tem algum tempo livre: mandou uma mensagem de texto para um cara com quem ela dorme frequentemente, mas sem namoro. Ele apareceu, eles viram um pouco de TV, fizeram sexo e foram dormir.

O relacionamento, ela diz, não tem nada de “almas gêmeas”. E ela não reclama da falta da cortesia por parte dos homens, ou que eles não querem compromisso. “Não posso ter um relacionamento romântico e significativo agora porque estou sempre muito ocupada e as pessoas que me interessam também estão sempre ocupadas”, ela diz. “Há tantas coisa importantes acontecendo na minha vida que não quero abrir um tempo para o amor. Quando estou sóbria, estou trabalhando”, completa a estudante que pediu anonimato.

sábado, 29 de junho de 2013

A armadilha do elogio

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O homem que lisonjeia o seu próximo arma uma rede aos seus passos. (Provérbios 29:5)



Esse versículo é sensacional! Nos leva a meditar acerca dos elogios, que, muitas vezes são a verdadeira intenção que temos quando fazemos algo, não é mesmo? Tornamo-nos pessoas em que as alegrias estão nesses momentos superficiais de vitória. Quando não conseguimos desempenhar alguma tarefa, ou até mesmo quando nosso desempenho não gera elogios, somos pegos por uma sensação terrível de derrota e de incapacidade.

O fruto que germina e brota através dos elogios é o orgulho. Sim, isso mesmo o orgulho. Pensemos juntos, então. Como ficamos “inchados” quando recebemos comentários como: Ótimo trabalho, você é 10! E nosso coração recebe da seguinte maneira: Aquele sorrisinho discreto e o peito estufa em seguida: Sou capaz. Estou com tudo! Olhe só para mim, eu posso fazer qualquer coisa. Quero ser reconhecido. E acharam que eu não daria conta do recado...

Fica fácil de enxergar a consequência interna de um elogio: Orgulho inflamado! E o orgulho é um verdadeiro ataque contra Deus. Sim, pois, se me orgulho de mim mesmo, estou atribuindo a mim somente, a capacidade, a força, a inteligência...

Deus nos exorta através do profeta Jeremias (9.24): “Mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me entender e me conhecer, que eu sou o Senhor , que faço beneficência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor.”

O orgulho provém de Satanás, é algo tão sutil, que muitas vezes sequer admitimos que temos, enganando a nós mesmos. A Palavra do Senhor diz assim em Atos 17:28: “Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos;”

Tudo o que dispomos para resolver os problemas, realizar ações, e desempenhar tarefas, vem do Senhor. Se a nós mesmos atribuirmos à força que o Senhor nos dá, dizemos, em outras palavras, que não precisamos Dele, que somos completos sozinhos. A cada dia de nossas vidas, temos que renunciar nossas emoções e o ego que se instala em nós quando recebemos um elogio, um agradecimento ou quando nosso desempenho foi bom!

Uma armadilha gigante se posiciona diante de nós (orgulho) e cabe a nós quando o recebemos, dizer: - Sem Deus isso não seria possível! - O Senhor me capacitou! Tudo deve ser deixado aos pés Dele que nos presenteia com dons e que nos capacita em nosso dia a dia.

Cada vez que você fizer algo que te renda bons resultados, dedique-os ao Senhor e agradeça a Ele por te capacitar e fazer de você um instrumento de notoriedade dos Seus dons.

Fonte: Eu Escolhi Esperar via Sou da Promessa


sábado, 6 de abril de 2013

Existe amizade entre homem e mulher sem segundas intenções? Os homens acham que não...

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Pesquisa realizada por pesquisadores americanos mostra que homens, intimamente, desejam mais as amigas do que elas os desejam

Publicado originalmente em Veja

Apenas amigos: segundo pesquisa americana, para elas, sim. Para eles pode significar algo a mais (Thinkstock)

Existe amizade desinteressada e sem segundas intenções amorosas entre homem e mulher? Uma pesquisa recente publicada no Journal of Social and Personal Relationships revela que homens e mulheres têm respostas diferentes para esta pergunta. Embora se digam "apenas amigos" de uma mulher, boa parte dos homens acredita que o termo vale só da boca para fora. Para eles, assim como para o personagem de Billy Crystal no filme Harry e Sally (1989), o sexo sempre está no meio do caminho. Já as mulheres tendem a acreditar que existe, sim, amizade desinteressada entre homem e mulher.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Benefit or burden? Attraction in cross-sex friendship

Onde foi divulgada: Journal of Social and Personal Relationships

Quem fez: April Bleske-Rechek, Erin Somers, Cierra Micke, Leah Erickson, Lindsay Matteson, Corey Stocco, Brittany Schumacher, Laura Ritchie

Instituição: Universidade de Wisconsin-Eau Claire

Dados de amostragem: 88 pares de alunos

Resultado: Homens são mais propensos a sentirem-se atraídos pelas amigas que o contrário. Os homens também não se importam se as amigas estão comprometidas ou não. Entre as mulheres, houve menos atração quando o amigo era comprometido. Coordenada por April Bleske-Rechek, do departamento de Psicologia da Universidade de Wisconsin-Eau Claire, a pesquisa reuniu 88 pares de amigos, um homem e uma mulher, todos eles alunos de uma universidade americana. As pessoas que participaram do estudo declararam não ter qualquer envolvimento amoroso e responderam, separadamente e de forma anônima, a um questionário para medir o nível de atração que sentiam um pelo outro.

O tempo médio de amizade era de dois anos e o questionário pedia para que cada indivíduo enumerasse, de um a nove, a atração que sentia pelo amigo (ou amiga). Eles também tinham de informar se desejavam iniciar um relacionamento amoroso com seu par, entre outros itens.

Os homens se mostraram ligeiramente mais atraídos e propensos a iniciar uma relação amorosa. Também se mostraram mais confiantes que as mulheres quando questionados se achavam que suas amigas sentiam alguma atração por eles.

O estudo também revelou que a atual situação afetiva de suas amigas não é, na visão da maioria dos homens, um impedimento para uma relação amorosa. O desejo dos homens de iniciar uma relação afetiva com suas amigas não sofreu qualquer influência do fato de elas estarem ou não namorando. Já o interesse das mulheres caía se os rapazes estavam em um relacionamento sério.

A pesquisa certamente não indica que uma amizade sem segundas intenções entre um homem e uma mulher seja algo inimaginável. Mas sugere que os homens, ao menos secretamente, têm maiores dificuldades em lidar com a expressão "só amigos."

ENQUETE: Você acredita que homens e mulheres possam ser apenas amigos, sem qualquer interesse romântico entre os dois?

Evolução – De acordo com os autores do estudo, os resultados mostram que a experiência de homens e mulheres em amizades com o sexo oposto pode estar condicionada a um processo evolutivo. Como o objetivo principal da população feminina ao longo da história evolutiva humana foi a proteção dos filhos, o que dependia de uma cuidadosa seleção na hora de encontrar um parceiro sexual, as mulheres tendem a valorizar mais as relações de longa duração.

Os homens que viveram há dezenas de milhares de anos, por outro lado, tinham pouco a perder e muito a ganhar na busca do maior número de parceiras possíveis, visando gerar mais descendentes. Hoje isso se reflete, dizem os autores, numa preferência que os homens modernos costumam ter por relacionamentos de curta duração. "Há evidências que os homens desejam um número maior de parceiras sexuais do que as mulheres e que eles fantasiam mais com isso", segundo os pesquisadores.

Essas tendências se refletiriam nos resultados da pesquisa, afirmam os autores. O fato de os níveis de atração não se alterarem entre os homens mesmo para colegas comprometidas em um relacionamento estável revela o desejo masculino mais ligado a relacionamentos de curta duração. "As mulheres, que costumam ter uma orientação para relacionamentos de longa duração mais forte, reportaram menos desejo de se envolverem com seus amigos quando estavam namorando", escreveram.


sexta-feira, 13 de julho de 2012

No Facebook Todo Mundo é Feliz

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Publicado originalmente em A Nova Cristandade

Por Carlos Moreira

Um dos maiores fenômenos nos EUA nos últimos anos chama-se “Second Life”. Trata-se de um “metaverso, um mundo virtual tridimensional que oferece a qualquer um que tenha acesso a internet a possibilidade de ter uma segunda vida, um alter-ego”.

O Second Life permite que residentes do universo on-line possam trabalhar, estudar, passear, namorar, fazer compras, vender, ter novos amigos, viajar, ou seja, experimentar quase todas as dinâmicas de uma vida real, mas com uma enorme vantagem: no Second Life você pode ser quem quiser, ter uma outra vida, totalmente diferente da que já possui. Nela você pode ser famoso, rico, bonito, saudável, bem empregado, ou seja, ter ou ser tudo o que você sempre quis, mas que, talvez, nunca tenha conseguido.

Quando eu observo o fenômeno das redes sociais, sobretudo o Facebook, eu me lembro muito do Sencond Life. E por quê? Porque o Facebook permite que se tenha uma vida dentro da própria vida, ele estabelece um ambiente virtual onde qualquer um pode aparentar ser o que desejar! Na verdade, a grande maioria das pessoas estão ali se relacionando com outras milhares que não lhe conhecem bem, ou mesmo que sequer nunca lhe viram pessoalmente.

Eu sou usuário do Facebook. Entro lá para divulgar mensagens, artigos, reflexões, frases, e para dar notícias sobre meu ministério e minha comunidade. Como não tenho tempo para ficar analisando o que se posta, às vezes dou uma olhada rápida no feed de notícias para ver o que aparece por lá... É como se você ficasse diante de um grande “quadro de avisos” onde as pessoas postam as mais diversas informações: frases, músicas, imagens, vídeos, textos, piadas, e tudo o que, eventualmente, lhes chama a atenção.

Obviamente, o conteúdo publicado por cada pessoa muda de acordo com os “conteúdos” interiores que em cada um existe, com sua matriz de valores. Como somos uma geração com muita aparência e pouca consciência, tenho percebido que cada vez mais encontro “material degradável” no Facebook. Recentemente, inclusive, cheguei a afirmar que esse “ambiente” estava parecendo um grande lixão, onde é preciso um esforço hercúleo para se achar algo que se aproveite.

Mas o que mais me impressiona no Facebook é o fato de boa parte das pessoas viverem, na grande maioria do tempo, uma enorme mentira, uma vida que não é a delas. É gente que está despedaçada fazendo piada, casais em crise postando fotos de amor, profissionais frustrados contando vantagens, pessoas solitárias compartilhando experiências maravilhosas, pais descuidados em fotos belíssimas com os filhos, gente flertando e contando lorota, têm de tudo um pouco, muita encenação e pouca verdade. O grande perigo, todavia, é descuidar nos exageros e cair no que bem citou o Millôr Fernandes: “jamais diga uma mentira que não possa provar”.

Triste geração esta, onde ser o que se é tornou-se algo insuportável. Por isso precisamos tanto do disfarce, de algo que nos projete da falsidade real para a realidade virtual. Tem toda a razão Erich Fromm quando afirmou: "somos uma sociedade de pessoas com notória infelicidade: solidão, ansiedade, depressão, dependência; pessoas que ficam felizes quando matam o tempo que foi tão difícil conquistar". E me responda, com total isenção e honestidade, em que lugar se “mata” mais o tempo do que no Facebook?

Diante de tudo isso, alguém pode afirmar que sou contra a tecnologia. Não, não sou. Mas confesso, sou totalmente cético quanto ao fato da tecnologia poder nos tornar pessoas melhores e dar a humanidade um futuro mais tranquilo. E aqui lembro de George Carlim; “construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicarmos menos. Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta; do homem grande de caráter pequeno; lucros acentuados e relações vazias”.

Escrevi esse texto porque, nessa madrugada, conversando com alguém que conheço há bastante tempo, que não pode me esconder os contornos de sua vida, percebi que seu estado era preocupante, senti suas dores, discerni sua angústia, “inalei” sua tristeza, “sorvi” sua solidão, “degustei” sua ansiedade, seus medos, sua aflição. Foi uma conversa longa e difícil...

Hoje pela manhã, todavia, quando fui divulgar uma programação da comunidade, percebi que depois de termos batido aquele "papo", o dito cujo passou o resto da noite postando piadas, fotos engraçadas, contando vantagens, falando bobagens, dizendo tolices, tirando “onda”, como se nada do que está “depositado” nos escaninhos de sua alma fosse real.

Diante do ridículo da situação, e com certo ar de decepção, não me restou outra alternativa a não ser relacionar tudo aquilo com a velha canção do Bee Gees – “Jive Talking” – numa tradução livre: “Papo Furado”. Sim meu “mano”, tudo aquilo que foi publicado não passou de “conversa mole”, dissimulação e mentira. Por isso, tenha muito cuidado, pois do outro lado da linha tem gente de carne e osso, e não estátuas! Certo mesmo estava o Renato Russo ao afirmar: “mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira”. E viva o Facebook!
***

Carlos Moreira é coeditor do Genizah

Fonte: Genizah compartilhado no PCamaral

sábado, 7 de julho de 2012

Conversão sem Transformação

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Como filhos obedientes, não se deixem amoldar pelos maus desejos de outrora, quando viviam na ignorância. Mas, assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem, pois está escrito: "Sejam santos, porque eu sou santo". (1 Pedro 1:14-16)

Por Edmilson Mendes

O Censo 2010, divulgado semana passada pelo IBGE, comprova o crescimento evangélico no Brasil. O segmento arrebanha 22% da população, mais de 40 milhões de pessoas. Segundo projeções estatísticas, em três décadas os evangélicos serão em maior número que os católicos no Brasil. Isso se continuar mantendo o mesmo volume de crescimento das últimas décadas.

Com tantos evangélicos nas ruas, por que nossa sociedade não demonstra traços de transformação? Olhe a mídia, a notícia, a vida. Para a direção que olharmos veremos o aumento do álcool, da droga, da violência, da injustiça, da inveja, da fofoca, do materialismo, da mentira, da falsidade, da pirataria, da trapaça, da traição, da exploração, da imoralidade, da promiscuidade, da sacanagem. Onde foram parar a luz para iluminar e o sal para salgar?

Frustradamente, o que temos assistido é um volume cada vez maior de conversão sem transformação. Na Bíblia, a autêntica conversão é reconhecida pelo necessário arrependimento. Hoje não! Dá para se converter sem qualquer tipo de arrependimento, portanto sem nada de transformação. Tristemente estamos assistindo um evangelho que quer perdoar todas as adúlteras, mas não tem mais coragem de dizer: Vá, e não peques mais!

Adúlteros somos todos nós. Sempre que diminuímos as exigências do Santo, sempre que relativizamos a Palavra, sempre que farisaísticamente colocamos cargas pesadas para os outros carregarem e totalmente leves para nós mesmos, sempre que achamos normal uma vida dupla, enfim, sempre que tudo isso e mais um pouco passa fácil em nossos auto-exames frente a ceia, e tudo termina com pão e vinho sem qualquer contrição ou arrependimento, somos sim todos adúlteros. Pois sem a devida transformação a gente vai pecando mais, mentindo mais, enganando mais.

Que tipo de evangélicos somos? Que tipo seremos? Qual nossa identificação com o crucificado, morto e ressuscitado? Que sociedade aguarda nossos filhos? Responder adequadamente essas perguntas é urgente para convertidos que precisam se transformar. E transformados que precisam se converter.

Paz!

Fonte: Sou da Promessa compartilhado no PCamaral

terça-feira, 6 de março de 2012

As Confusões da "Cabana" [2] A Cabana - A Perda da Arte de Discernimento Evangélico

Um comentário:
Publicado originalmente em Editora Fiel

Por Albert Mohler Jr.

O mundo editorial vê poucos livros atingirem o status de "sucesso". No entanto, o livro A Cabana, escrito por William Paul Yong, superou esse status. O livro, publicado originalmente pelo próprio autor e dois amigos, já vendeu mais de dez milhões de cópias e já foi traduzido para mais de trinta idiomas. É, agora, um dos livros mais vendidos de todos os tempos, e seus leitores estão entusiasmados.

De acordo com Young, o livro foi escrito originalmente para seus próprios filhos. Em essência, ele pode ser descrito como uma teodicéia em forma de narrativa – uma tentativa de responder à questão do mal e do caráter de Deus por meio de uma história. Nessa história, o personagem principal está entristecido por causa do rapto e do assassinato brutal de sua filha de sete anos, quando recebe aquilo que se torna uma intimação de Deus para encontrá-lo na mesma cabana em que a menina foi morta.

Na cabana, "Mack" se encontra com a Trindade divina, onde Deus, o Pai, é representado como "Papai", uma mulher afro-americana, e Jesus, por um carpinteiro judeu, e "Sarayu", uma mulher asiática, é identificada como o Espírito Santo. O livro é, principalmente, uma série de diálogos entre Mack, Papai, Jesus e Sarayu. As conversas revelam que Deus é bem diferente do Deus da Bíblia. "Papai" é absolutamente alguém que não faz julgamentos e parece determinado a afirmar que toda a humanidade já está redimida.

A teologia de A Cabana não é incidental à história. De fato, em muitos pontos a narrativa serve, principalmente, como uma estrutura para os diálogos. E estes revelam uma teologia que, no melhor, é não-convencional e, sem dúvida, herética em certos aspectos.

Embora o artifício literário de uma "trindade" não-convencional de pessoas divinas seja, em si mesmo, antibíblico e perigoso, as explicações teológicas são piores. "Papai" conta a Mack sobre o tempo em que as três pessoas da Trindade manifestaram-se da seguinte forma: "nós falamos com a humanidade através da existência humana como Filho de Deus". Em nenhuma passagem da Bíblia, o Pai ou o Espírito Santo é descrito como assumindo a forma humana. A cristologia do livro é confusa. "Papai" diz a Mack que, embora Jesus seja plenamente Deus, "ele nunca usou a sua natureza como Deus para fazer qualquer coisa". Eles apenas viveu do seu relacionamento comigo, da mesma maneira como eu desejo me relacionar com qualquer ser humano". Quando Jesus curou o cego, "Ele fez isso como um ser humano dependente que confiava em minha vida e poder para agir nele e por meio dele. Jesus, como ser humano, não tinha qualquer poder em si mesmo para curar alguém".

Embora haja muita confusão teológica a ser esclarecida no livro, basta dizer que a igreja cristã tem lutado por séculos para chegar a um entendimento fiel da Trindade, a fim de evitar esse tipo de confusão – reconhecendo que a fé cristã está, ela mesma, em perigo.

Jesus diz a Mack que ele é "o melhor caminho para qualquer ser humano se relacionar com Papai ou com Sarayu". Não é o único caminho, mas o melhor caminho.

Em outro capítulo, "Papai" corrige a teologia de Mack afirmando: "Eu não preciso punir as pessoas pelos seus pecados. O pecado é a sua própria punição, que devora você a partir do interior. Não tenho o propósito de punir o pecado; tenho alegria em curá-lo". Sem dúvida, a alegria de Deus está na expiação realizada pelo Filho. No entanto, a Bíblia revela consistentemente que Deus é o Juiz santo e reto, que punirá pecadores. A idéia de que o pecado é a "sua própria punição" se encaixa no conceito do karma, e não no evangelho cristão.

O relacionamento do Pai com o Filho, revelado em textos como João 17, é rejeitado em favor de uma absoluta igualdade de autoridade entre as pessoas da Trindade. "Papai" explica que "não temos qualquer conceito de autoridade final entre nós, somente unidade". Em um dos mais bizarros parágrafos do livro, Jesus diz a Mack: "Papai é tão submisso a mim como o sou a ele, ou Sarayu a mim, ou Papai a ela. Submissão não diz respeito à autoridade e à obediência; é um relacionamento de amor e respeito. De fato, somos submissos a você da mesma maneira".

Essa hipotética submissão da Trindade a um ser humano – ou a todos os seres humanos – é uma inovação teológica do tipo mais extremo e perigoso. A essência da idolatria é a auto-adoração, e essa noção da Trindade submissa (em algum sentido) à humanidade é indiscutivelmente idólatra.

O aspecto mais controverso da mensagem de A Cabana gira em torno das questões do universalismo, da redenção universal e da reconciliação final. Jesus diz a Mack: "Aqueles que me amam procedem de todo sistema que existe. São budistas, mórmons, batistas, islamitas, democratas, republicanos e muitos que não votam ou não fazem parte de qualquer igreja ou de instituições religiosas". Jesus acrescenta: "Não tenho desejo de torná-los cristãos, mas quero unir-me a eles em sua transformação em filhos e filhas de meu Papai, em meus irmãos e irmãs, meus amados".

Em seguida, Mack faz a pergunta óbvia: Todos os caminhos levam a Cristo? Jesus responde: "Muitos dos caminhos não levam a lugar algum. O que isso significa é que eu irei a qualquer caminho para encontrar vocês".

Devido ao contexto, é impossível extrair conclusões essencialmente universalistas ou inclusivistas quanto ao significado de Yong. "Papai" repreende Mack dizendo que está agora reconciliado com todo o mundo. Mack replica: "Todo o mundo? Você quer dizer aqueles que crêem em você, não é?" "Papai responde: "Todo o mundo, Mack".

No todo, isso significa algo bem próximo da doutrina da reconciliação proposta por Karl Barth. E, embora Wayne Jacobson, o colaborador de Young, tenha lamentado haver pessoas que acusam o livro de ensinar a reconciliação final, ele reconhece que as primeiras edições do manuscrito foram influenciadas indevidamente pela "parcialidade, na época," de Young para com a reconciliação final – a crença de que a cruz e a ressurreição de Cristo realizaram a reconciliação unilateral de todos os pecadores (e de toda a criação) com Deus.

James B. DeYoung, do Western Theological Seminary, um erudito em Novo Testamento que conheceu Young por vários anos, documenta a aceitação de Young quanto a uma forma de "universalismo cristão". A Cabana, ele conclui, "descansa sobre o fundamento da reconciliação universal".

Apesar de que Wayne Jacobson e outros se queixam daqueles que identificam heresia em A Cabana, o fato é que a igreja cristã tem identificado, explicitamente, esses ensinos como heresia. A pergunta óbvia é esta: por que tantos cristãos evangélicos parecem ser atraídos não somente à história, mas também à teologia apresentada na narrativa – uma teologia que, em vários pontos, está em conflito com as convicções evangélicas?

Os observadores evangélicos não estão sozinhos em fazer essa pergunta. Escrevendo em The Chronicle of High Education (A Crônica da Educação Superior), o professor Timothy Beal, da Case Western University, argumentou que a popularidade de A Cabana sugere que os evangélicos devem estar mudando a sua teologia. Ele cita os "modelos metafóricos não-bíblicos de Deus" no livro, bem como seu modelo "não-hierárquico" da Tridade e, mais notavelmente, "sua teologia de salvação universal".

Beal afirma que nada dessa teologia faz parte das "principais correntes teológicas evangélicas" e explica: "De fato, essas três coisas estão arraigadas no discurso teológico acadêmico radical e liberal dos anos 1970 e 1980 – que influenciou profundamente os feministas contemporâneos e a teologia da libertação, mas que, até agora, teve muito pouco impacto nas imaginações teológicas de não-acadêmicos, especialmente dentro das principais correntes religiosas".

Em seguida, ele pergunta: "O que essas idéias teológicas progressistas estão fazendo no fenômeno da ficção evangélica?" Ele responde: "Desconhecidas para muitos de nós, elas têm estado presente em muitos segmentos liberais do pensamento evangélico durante décadas". Agora, ele diz, A Cabana introduziu e popularizou esses conceitos liberais até entre as principais denominações evangélicas.

Timothy Beal não pode ser rejeitado como um conservador e "caçador de heresias". Ele está admirado com o fato de que essas "idéias teológicas progressistas" estão "se introduzindo aos poucos na cultura popular por meio de A Cabana".

De modo semelhante, escrevendo em Books & Culture (Livros e Cultura), Katharine Jeffrey conclui que A Cabana "oferece uma teodicéia pós-moderna e pós-bíblica". Embora sua principal preocupação seja o lugar do livro "num panorama literário cristão", ela não pôde evitar o lidar com a sua mensagem teológica.

Ao avaliar o livro, deve-se ter em mente que A Cabana é uma obra de ficção. Contudo, é também um argumento teológico, e isso não pode ser negado. Diversos romances notáveis e obras de literatura contêm teologia aberrante e heresia. A pergunta crucial é se as doutrinas aberrantes são características da história ou são a mensagem da obra. Em A Cabana, o fato inquietante é que muitos leitores são atraídos à mensagem teológica do livro e não percebem como ela conflita com a Bíblia em muitos assuntos cruciais.

Tudo isso revela um fracasso desastroso do discernimento evangélico. Dificilmente não concluímos que o discernimento teológico é agora uma arte perdida entre os evangélicos – e esse erro pode levar tão-somente à catástrofe teológica.

A resposta não é banir A Cabana ou arrancá-lo das mãos dos leitores. Não precisamos temer livros – temos de estar prontos para responder-lhes. Necessitamos desesperadamente de uma redescoberta teológica que só pode vir de praticarmos o discernimento bíblico. Isso exigirá que identifiquemos os perigos doutrinários de A Cabana. Mas a nossa principal tarefa consiste em familiarizar novamente os evangélicos com os ensinos da Bíblia sobre esses assuntos e fomentar um rearmamento doutrinário de cristãos evangélicos.

A Cabana é um alerta para o cristianismo evangélico. Uma avaliação como a que Timothy Beal ofereceu é reveladora. A popularidade desse livro entre os evangélicos só pode ser explicada pela falta de conhecimento teológico básico entre nós – um fracasso em entender o evangelho de Cristo. A tragédia de que os evangélicos perderam a arte de discernimento bíblico se origina na desastrosa perda do conhecimento da Bíblia. O discernimento não pode sobreviver sem doutrina.

Caso queira comentar algum aspecto do artigo ou do próprio livro em questão, use o espaço de comentários do nosso blog.

Traduzido por: Wellington Ferreira
Copyright: © R. Albert Mohler Jr.
Traduzido do original em inglês: The Shack — The Missing Art of Evangelical Discernment.
www.albertmohler.com

Fonte: Editora Fiel

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O livre-arbítrio não existe, dizem neurocientistas

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Novas pesquisas sugerem que o que cremos ser escolhas conscientes são decisões automáticas tomadas pelo cérebro. O homem não seria, assim, mais do que um computador de carne

Publicado originalmente em Veja Online - Assista aos videos no final deste artigo.

Por Aretha Yarak

Saber se os homens são capazes de fazer escolhas e eleger o seu caminho, ou se não passam de joguetes de alguma força misteriosa, tem sido há séculos um dos grandes temas da filosofia e da religião. De certa maneira, a primeira tese saiu vencedora no mundo moderno. Vivemos no mundo de Cássio, um dos personagens da tragédia Júlio César, de William Shakespeare. No começo da peça, o nobre Brutus teme que o povo aceite César como rei, o que poria fim à República, o regime adotado por Roma desde tempos imemoriais. Ele hesita, não sabe o que fazer. É quando Cássio procura induzi-lo à ação. Seu discurso contém a mais célebre defesa do livre-arbítrio encontrada nos livros. "Há momentos", diz ele, "em que os homens são donos de seu fado. Não é dos astros, caro Brutus, a culpa, mas de nós mesmos, se nos rebaixamos ao papel de instrumentos."

Como nem sempre é o caso com os temas filosóficos, a crença no livre-arbítrio tem reflexos bastante concretos no "mundo real". A maneira como a lei atribui responsabilidade às pessoas ou pune criminosos, por exemplo, depende da ideia de que somos livres para tomar decisões, e portanto devemos responder por elas. Mas a vitória do livre-arbítrio nunca foi completa. Nunca deixaram de existir aqueles que acreditam que o destino está escrito nas estrelas, é ditado por Deus, pelos instintos, ou pelos condicionamentos sociais. Recentemente, o exército dos deterministas – para usar uma palavra que os engloba – ganhou um reforço de peso: o dos neurocientistas. Eles são enfáticos: o livre-arbítrio não é mais que uma ilusão. E dizem isso munidos de um vasto arsenal de dados, colhidos por meio de testes que monitoram o cérebro em tempo real. O que muda se de fato for assim?

Mais rápido que o pensamento — Experimentos que vêm sendo realizados por cientistas há anos conseguiram mapear a existência de atividade cerebral antes que a pessoa tivesse consciência do que iria fazer. Ou seja, o cérebro já sabia o que seria feito, mas a pessoa ainda não. Seríamos como computadores de carne - e nossa consciência, não mais do que a tela do monitor. Um dos primeiros trabalhos que ajudaram a colocar o livre-arbítrio em suspensão foi realizado em 2008. O psicólogo Benjamin Libet, em um experimento hoje considerado clássico, mostrou que uma região do cérebro envolvida em coordenar a atividade motora apresentava atividade elétrica uma fração de segundos antes dos voluntários tomarem uma decisão – no caso, apertar um botão. Estudos posteriores corroboraram a tese de Libet, de que a atividade cerebral precede e determina uma escolha consciente.

Um deles foi publicado no periódico científico PLoS ONE, em junho de 2011, com resultados impactantes. O pesquisador Stefan Bode e sua equipe realizaram exames de ressonância magnética em 12 voluntários, todos entre 22 e 29 anos de idade. Assim como o experimento de Libet, a tarefa era apertar um botão, com a mão direita ou a esquerda. Resultado: os pesquisadores conseguiram prever qual seria a decisão tomada pelos voluntários sete segundos antes d eeles tomarem consciência do que faziam.

Nesses sete segundos entre o ato e a consciência dele, foi possível registrar atividade elétrica no córtex polo-frontal — área ainda pouco conhecida pela medicina, relacionada ao manejo de múltiplas tarefas. Em seguida, a atividade elétrica foi direcionada para o córtex parietal, uma região de integração sensorial. A pesquisa não foi a primeira a usar ressonância magnética para investigar o livre-arbítrio no cérebro. Nunca, no entanto, havia sido encontrada uma diferença tão grande entre a atividade cerebral e o ato consciente.

Patrick Haggard, pesquisador do Instituto de Neurociência Cognitiva e do Departamento de Psicologia da Universidade College London, na Inglaterra, cita experimentos que comprovam, segundo ele, que o sentimento de querer algo acontece após (e não antes) de uma atividade elétrica no cérebro.

"Neurocirurgiões usaram um eletrodo para estimular um determinado local da área motora do cérebro. Como consequência, o paciente manifestou em seguida o desejo de levantar a mão", disse Haggard em entrevista ao site de VEJA. "Isso evidencia que já existe atividade cerebral antes de qualquer decisão que a gente tome, seja ela motora ou sentimental."

O psicólogo Jonathan Haidt, da Universidade da Vírginia, nos Estados Unidos, demonstrou que grande parte dos julgamentos morais também é feito de maneira automática, com influência direta de fortes sentimentos associados a certo e errado. Não há racionalização. Segundo o pesquisador, certas escolhas morais – como a de rejeitar o incesto – foram selecionadas pela evolução, porque funcionou em diversas situações para evitar descendentes menos saudáveis pela expressão de genes recessivos. É algo inato e, por isso, comum e universal a todas as culturas. Para a neurociência, é mais um dos exemplos de como o cérebro traz à tona algo que aprendeu para conservar a espécie.

O determinismo pela História

386: Agostinho de Hipona

Nos três volumes da obra De Libero Arbitrio (Sobre o livre-arbítrio), Santo Agostinho rebate o maniqueísmo, teoria que defende que o mundo é dividido entre bem e mal. Defensor ferrenho do livre-arbítrio após sua conversão ao cristianismo, Agostinho acreditava que o mal era fruto da liberdade humana mal utilizada. Como Deus havia criado o homem livre para fazer suas próprias escolhas, cabe a ele agir de forma consciente e escolher entre o bem e o mal.

Década de 1530: João Calvino

O Calvinismo, movimento religioso protestante, tem suas raízes na Reforma iniciada no século XVI na Europa. A ideologia define que Deus, criador supremo de todas as coisas, governa o mundo. Por isso, o homem já nasce predestinado àquele futuro – às graças os escolhidos, ao inferno os demais.



1677: Espinoza

A publicação póstuma de Ética, do filósofo holandês Bento Espinoza, é uma das marcas de sua posição contrária à teoria de Descartes - que defende em 1641 que existe a cisão entre corpo e mente. Para Espinoza, esse dualismo não existe e tudo - como o comportamento humano - é determinado pela natureza e acontece em função da necessidade. Nossa liberdade estaria, então, na capacidade de reconhecermos que somos seres determinados e de entender por que agimos da maneira como agimos.

1687: Isaac Newton

Segundo as teorias do físico inglês, o Universo é regido por leis fixas, determinadas no momento em que ele foi estabelecido. Assim, é possível comparar as partículas básicas do mundo às bolas em uma mesa de bilhar: elas se movem e se chocam de maneiras previsíveis, que levam a resultados já esperados. Isso porque seu comportamento é pré-determinado. Ou seja, para Newton, o Universo é uma grande engrenagem que segue seu fluxo determinado - nesse cenário, os homens seriam as peças do grande maquinário.

1718: Voltaire

Apesar de defender a emancipação humana e as reformas sociais, o pensador francês se aproximou das teorias deterministas - acredita-se que pela influência de Isaac Newton. “Se alguém olhar com cuidado, verá que a doutrina contrária àquela do destino é absurda.”



1896: James Mark Baldwin

Para o psicólogo americano, embora alguns comportamentos adquiridos durante a vida não sejam hereditários, a tendência a adquiri-los pode ser. Um exemplo seria o medo de cobra. O medo em si não é hereditário, mas a tendência a temer o animal, sim. Essa tendência é passada de geração a geração com um único fim: a preservação da espécie.



1920: Albert Einstein

"Sobre a liberdade humana, no sentido filosófico, sou definitivamente um descrente. Todo mundo age não só sob compulsão externa, mas também de acordo com uma necessidade interior. (...) Não acredito em liberdade de arbítrio. Esse reconhecimento de não-liberdade me protege de levar a mim e aos demais homens muito à sério, como agir e julgar os indivíduos e perder o bom humor.”


1945: Burrhus F. Skinner

O psicólogo americano é uma das referências do Behaviorismo Radical. Para Skinner, o homem é uma entidade única, já que sua teoria refuta a ideia da divisão entre corpo e mente. Em seu livro Além da Liberdade e da Dignidade, o psicólogo rejeitou noções como a do livre-arbítrio e defendeu que todo comportamento é determinado pelo ambiente, embora a relação do indivíduo com o meio seja de interação, e não passiva.


A mente como produto do cérebro — Como o cérebro já se encarregou de decidir o que fazer – e o ato está feito —, é preciso contextualizar a situação. É aí que entra a nossa consciência. Ela também é um produto da atividade cerebral, que surge para dar coerência às nossas ações no mundo. O cérebro toma a decisão por conta própria e ainda convence seu 'dono' que o responsável foi ele.

Em outras palavras: quando você para, pensa e toma decisões pontuais, tem a sensação de que um eu consciente e racional, separado do cérebro, segura as rédeas de sua vida. Mas para cientistas como Michael Gazzaniga, coordenador do Centro para o Estudo da Mente da Universidade da Califórnia e um dos maiores expoentes da neurociência na atualidade, não existe essa diferenciação. Segundo ele, somos um só: o que é cérebro também é mente. A sensação de que existe um eu, que habita e controla o corpo, é apenas o resultado da atividade cerebral que nos engana. "Não há nenhum fantasma na máquina, nenhum material secreto que é você", diz Gazzaniga, que, em seu mais recente livro, Who’s in Charge – Free Will and the Science of the Brain (Quem está no comando – livre-arbítrio e a ciência do cérebro, sem edição em português), esmiúça a mecânica cerebral das decisões.

Segundo Gazzaniga, o cérebro humano fabula o tempo todo. A invenção de pequenas histórias para explicar nossas escolhas seria uma maneira sagaz de estruturar nossa experiência cotidiana. Essa estrutura narrativa, segundo Patrick Haggard, tem um significado importante na evolução humana.

"Criar histórias sobre as nossas ações pode ser útil para quando nos depararmos com situações similares no futuro. É assim que iremos decidir como agir, relembrando resultados anteriores", diz. Ou seja, funcionamos na base do acerto e do erro, e da cópia do comportamento de pessoas próximas – principalmente nossos familiares. "Por isso a educação das crianças é tão importante. É um momento em que o cérebro absorve uma grande carga de informações e está sendo moldado, criando parâmetros para saber como se portar, como viver em sociedade."

Dúvidas — Em artigo publicado no periódico Advances in Cognitive Psychology, o pesquisador W. R. Klemm coloca em xeque a metodologia usada em diversos dos experimentos recentes da neurociência. Segundo Klemm, que é professor na Universidade do Texas e autor do livro Atoms of Mind. The 'Ghost in the Machine' Materializes (Átomos da mente. O fantasma da máquina se materializa, sem edição no Brasil) alguns estudos sugerem que não é possível medir com precisão o tempo entre o estímulo cerebral e o ato em si. O que poderia colocar abaixo toda a tese da turma de Gazzaniga.

O argumento principal do pesquisador, no entanto, recai sobre a generalização dos testes. "Não é porque algumas escolhas são feitas antes da consciência em uma tarefa, que temos a prova de que toda a vida mental é governada desta maneira", escreve no artigo. Klemm defende ainda a tese de que atividades mais complexas do que apertar um botão ou reconhecer uma imagem devem ser feitas de maneiras muito mais complexas. "Os experimentos feitos são muito limitados."

Ainda que as pesquisas estejam corretas, os próprios neurocientistas reconhecem que a ideia de um mundo sem livre-arbítrio provoca estranhamento. Eles se esforçam, sobretudo, para conciliar sua teoria com o problema da responsabilidade pessoal. "Mesmo que a gente viva em um universo determinista, devemos todos ser responsáveis por nossas ações", afirma Gazzaniga. "A estrutura social entraria em caos se a partir de hoje qualquer um pudesse matar ou roubar, com base no argumento simplista de 'meu cérebro mandou fazer isso'."

Para o cientista cognitivo Steven Pinker, a solução talvez seja manter a ciência e moralidade como dois reinos separados. "Creio que ciência e ética são dois sistemas isolados de que as mesmas entidades fazem uso, assim como pôquer e bridge são dos jogos diferentes que usam o mesmo baralho", escreve ele no livro Como a Mente Funciona. "O livre-arbítrio é uma idealização que torna possível o jogo da ética."

Continuariamos, assim, a viver no mundo descrito por Cássio em Júlio César. "Há momentos em que os homens são donos de seu fado", diz ele. Neurocientistas como Pinker estão prontos a concordar com isso - desde que se entenda o livre-arbítrio como uma ilusão necessária para o jogo das leis e da ética - e desde que se ponha o cérebro o lugar dos astros, como o grande condutor de nossos atos.

Michio Kaku, um dos principais físicos da atualidade, explica o livre-arbítrio do ponto de vista da física:

Steven Pinker, psicólogo da Universidade de Harvard e autor do livro Como a Mente Funciona, fala sobre o livre-arbítrio:

Emoção x Razão

Em seu recente livro Thinking, Fast and Slow (Pensando, rápido e devagar, com edição em português prevista para o segundo semestre de 2012), o ganhador do prêmio Nobel de economia de 2002, Daniel Kahneman, defende a tese de que grande parte das nossas decisões são puramente emocionais. Mesmo quando um pessoa acredita que está racionalizando, e que faz um determinado investimento baseado em dados, está, na verdade, agindo pela emoção.

Isso explica por que as pessoas criam empatia por um político apenas pela sua fisionomia ou porque professores tendem a dar melhores notas a alunos que já se destacam. Kahneman ainda discorre sobre a substituição do problema, mecanismo pelo qual criamos opiniões intuitivas sobre assuntos complexos. Quando alguém lhe pergunta, por exemplo: "Quanto você doaria para salvar uma espécie ameaçada?", a pergunta que você responde é "Quão emotivo eu fico quando penso em golfinhos ameaçados?"

Logo abaixo estão dois testes propostos por Kahneman. Segundo a tese do Nobel, a tendência é que você responda às perguntas motivado pela intuição e pelos estereótipos — deixando de lado a pura racionalidade.

1) Linda é uma mulher de 31 anos, solteira, e muito inteligente. Ela é graduada em filosofia. Enquanto estudante, ela se envolveu profundamente com assuntos como discriminação e injustiça social, e participou de demonstrações antinucleares. Qual a afirmativa correta?

a) Linda é caixa de banco

b) Linda é uma caixa de banco e participa ativamente do movimento feminista

Solução: Nas respostas de todos os grupos avaliados por Kahenaman, houve um consenso: quase 90% dos participantes colocaram a opção caixa de banco e feminista com altos índices de probabilidade. Mas a probabilidade de que Linda seja uma caixa feminista é menor do que a de ser apenas uma caixa de banco. Aqui, fica estabelecido um conflito entre a intuição de representatividade e a lógica de probabilidade. Pela lógica (e não a intuição e o estereótipo), Linda seria apenas uma caixa de banco.

2) Quantos encontros amorosos você teve mês passado?

a) 1 – 3
b) 3 – 5
c) 0

Numa escala de 1 a 5, o quão feliz você está se sentindo esses dias (sendo 5 o mais feliz)?

a) 1
b) 2
c) 3
d) 4
e) 5

Solução: Independente de como foi sua resposta, é bastante provável que a resposta à segunda pergunta esteja diretamente relacionada com a primeira. Se você teve poucos encontros, vai se sentir menos feliz – e vice-versa. Entretanto, quando as mesmas perguntas são feitas em ordens trocadas, a quantidade de encontros não influencia o quão feliz a pessoa se acha. Quando deparado com uma pergunta objetiva (quanto encontros teve no mês), seguida por outra subjetiva (felicidade), a resposta da primeira acaba por influenciar a segunda. Essa projeção é chamada de substituição
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Fonte: Vi no Hospital da Alma que compartilhou do PavaBlog e agora no PCamaral a reportagem completa.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O sex shop de Jesus

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Por Letícia Sorg

Sexo é um assunto tabu para a religião. Quase nunca aparece e, quando vem à tona, é mais para ser reprimido do que discutido. Não pode fazer antes de casar. Não pode fazer com camisinha. Não pode fazer isso ou aquilo…

Mas alguns empreendedores cristãos resolveram quebrar esse tabu. Eles abriram sex shops online para incentivar “a intimidade” entre os casais – dentro dos laços do casamento, que fique bem claro. O Intimacy of Eden é um deles, e resume assim a sua missão: “Somos pró-casamento, somos pró-sexo, e estamos aqui para ajudar os casais a desenvolver o componente sexual da saúde conjugal. Esta loja cristã do sexo existe para ajudar os casais casados a reacender o romance e a paixão de seus casamentos – uma intimidade conjugal como a que Adão e Eva gozaram no Jardim do Éden.”

A diferença é que, no Jardim do Éden contemporâneo, Adão e Eva têm não só uma maçã tentadora, mas vibradores, lingeries, lubrificantes… Os itens vendidos pelos sex shops cristãos são bem parecidos com os dos sex shops “ateus”. Mas os sex shops religiosos tomam alguns cuidados: retiram os produtos de embalagens que possam ser ofensivas (com cenas de nudez), exibem lingeries em manequins (não em modelos) e enviam os pedidos da maneira mais discreta (de resto, como seus concorrentes não-religiosos). Alguns não vendem itens que podem ferir regras religiosas, como camisinhas e brinquedos para sexo anal.

Mas talvez a maior diferença esteja nos clientes: mais pudicos e com menos informação sobre sexo. Preocupados com o que possa ofendê-los, os sites adotam uma linguagem menos explícita (em vez de “borboleta estimuladora de clitóris”, vendem “estimulador vibratório”, por exemplo) e mandam junto com os produtos instruções para o “uso saudável”.

Os comerciais de um outro sex shop cristão, o Hookin’ up Holy, são tão ingênuos que chegam a ser cômicos:





Todo esse cuidado parece estar valendo a pena. Alguns líderes religiosos já começaram a indicar os serviços dos “sex shops de Jesus” para salvar o casamento de alguns fiéis. Uma mulher cristã ouvida pela reportagem do Daily Beast disse que um vibrador reacendeu seu casamento – e deu a ela seu primeiro orgasmo. Um jovem judeu disse que os brinquedos ajudaram-no a lidar com a ejaculação precoce que atrapalhava sua relação com a mulher. A ajuda dos livros sobre sexo e dos brinquedos sexuais é infinitamente mais eficiente do que alguns conselhos estapafúrdios que se espalham em algumas comunidades religiosas. A reportagem cita que um jovem casal escutou o seguinte: “Se uma mulher não gosta de sexo, ela deve tomar dois comprimidos de Tylenol e terminar o mais rápido possível”. Ótimo conselho para a felicidade conjugal, não?

Fiéis de outras religiões tiveram iniciativas semelhantes. Há um sex shop judeu, a Kosher Sex Toys, e uma loja virtual que segue as leis da sharia muçulmana, a El Asira. Não importa se seguidores de Jesus, Moisés ou Maomé, todos os sites têm algo em comum: defendem que o bom sexo é fundamental para um casamento bem-sucedido. Duvido que ateus e agnósticos discordem dessa ideia.
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Letícia Sorg é repórter especial de ÉPOCA em São Paulo.

Fonte: Revista Época - Dica do Marcelo Neuschwang Sancho no Facebook

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A morte do jornalista que "enforcou" Jesus

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Antes de mais nada, um esclarecimento é necessário já que o tema é pra lá de delicado. Não há aqui nenhuma intenção de tripudiar sobre a morte de Daniel Piza, colunista do Estadão, aos 41 anos de idade, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC) no último dia 30 de dezembro. Independentemente do que alguém possa pensar sobre suas opiniões religiosas, políticas ou esportivas, áreas sobre as quais ele costumeiramente escrevia, não se pode negar que era um bom articulista, sabia debater e foi um escritor prolífico. Uma perda lamentável, portanto, para a sociedade brasileira como um todo. O fato que não pode ser apagado da história, entretanto, até para que as pessoas aprendam com ele, é que Daniel Piza - um garoto ainda - teve a infelicidade de cometer um dos erros mais crassos da história da imprensa brasileira, quando escreveu que Jesus havia sido "enforcado", e não crucificado, num artigo para a Folha de S. Paulo em 06/12/1994, na página 3 do caderno Ilustrada, que inclusive está ilegível no acervo digital que a própria Folha - supostamente - disponibiliza ao público em geral. A gafe ("barriga", na gíria jornalística) gerou uma errata que se tornou célebre e foi publicada no dia seguinte:
"Diferentemente do que foi publicado no texto 'Artistas 'periféricos' passam despercebidos', à pág. 5-3 da edição de ontem da Ilustrada, Jesus não foi enforcado, mas crucificado, e a frase 'No princípio era o Verbo' está no Novo, não no Velho Testamento." (7.dez.94)
Religião costuma ser um terreno pantanoso para jornalistas novatos, afobados ou distraídos. A Folha, por sinal, tem uma página dedicada aos erros bíblicos que já publicou, tanto o do "enforcamento" acima como outros do tipo "arca de Jó" e não de Noé (para acessá-la, clique aqui). Isto revela o quanto se escreve diariamente sobre os mais variados assuntos nos jornais e na mídia em geral, sem que o repórter ou articulista conheça um mínimo plausível sobre o assunto que informa ou opina, ou - pior - diz dominar. A favor dos jornalistas, por outro lado, se deve dizer que líderes e sacerdotes religiosos cometem erros muito mais absurdos, e com consequências muitíssimo mais graves, sobre assuntos que eles têm a obrigação de dominar. Apesar da "barriga" tê-lo perseguido por toda a sua - infelizmente - curta vida, Daniel Piza não se deixou abater e seguiu adiante, construindo uma respeitável carreira de sucesso e reconhecimento. Uma história de superação, portanto. Erros acontecem e ninguém está imune a eles, afinal. Em agosto de 2007, ele voltou ao tema "religião", declarando-se agnóstico e criticando a militância ateísta panfletária da assim chamada "modernidade". O artigo está no blog dele no Estadão, de onde transcrevemos um trecho, e lá você encontrará o link para a íntegra:
A fé e o tom

Perdi o pouco que tinha ou poderia ter de fé religiosa entre os 13 e 14 anos, depois de um coquetel de leituras que viria a conter Dostoiévski, Darwin, Nietzsche (O Anticristo) e Bertrand Russell (Por Que não Sou Cristão), os dois últimos na coleção Os Pensadores da editora Abril. Mas, na realidade, já desconfiava de tudo aquilo desde quando fui obrigado a fazer primeira comunhão, aos 10 anos, período em que de fato tentei acreditar e rezar e confessar. A chatice e caretice das aulas, a falta de vontade de obedecer aos padres, a sensação de que não fazia sentido pedir perdão por um pecado que a espécie humana teria gravado em sua alma, não apenas por eventualmente ter roubado o chocolate do meu irmão do armário da cozinha – tudo isso era difícil de engolir, como a hóstia que só provei naquela ocasião e nunca mais.

Passei a me declarar agnóstico, como que dizendo “não sei se Deus existe”, o que era a mais pura e dura verdade. Depois aprendi que o termo tinha sido cunhado por outro escritor-biólogo de grande estilo, Thomas Huxley, com intenção muito mais combativa: a de negar qualquer possibilidade de conhecermos fenômenos supernaturais ou místicos. Ao mesmo tempo, ele traçou uma distinção com os ateístas da época, que supunham poder provar a não-existência de Deus ou deuses. Em países como o Brasil, porém, quando alguém declara ser ateu ou agnóstico causa levantar de sobrancelhas ou olhares de esguelha, como se prestes a cometer algum gesto feio ou autodestrutivo. Nos EUA, principalmente em certas regiões, a reação é ainda pior.

De uns anos para cá, talvez por causa dos atentados de 11/9/2001, os ateus e agnósticos decidiram sair do armário. Surgiram movimentos como o dos “brights” (você leu aqui primeiro), que acham importante aglutinar pessoas que não acreditam em entidades superiores, espírito e vida pós-morte. O livro do mais célebre desses “brights”, Richard Dawkins, Deus, um Delírio (Companhia das Letras), acaba de chegar ao Brasil, onde no final do ano passado já tinha sido publicado o do quase tão célebre Daniel C. Dennett, Quebrando o Encanto (Globo). Recentemente li também God Is not Great, de Christopher Hitchens (Twelve), o polemista inglês. Todos têm bons argumentos, mas, devo dizer, nada acrescentam ao que eu já tinha lido e pensado naquele tempo.

O que fica sem destaque nesses livros é a observação de que até mesmo pessoas não-religiosas atribuem sentidos diversos à palavra Deus, como a qualquer palavra genérica e antiga, e de que isso é um direito delas. Para umas, é justamente a aceitação de que não podemos explicar tudo, de que somos pequenos diante dos mistérios e da passagem do tempo, etc. Minha palavra para isso é Natureza. Para outras, Deus é uma crença que ajudaria a fortalecer valores morais, em especial a humildade e a responsabilidade, numa era em que há tanto materialismo e egoísmo. Chamo a isso Ética. E outras defendem a noção como forma de consolo ou esperança, necessária para situações de desespero como a do pai de família bêbado e agressivo que encontra conforto na palavra de Jesus. Meu nome para isso é Ânimo – ou boa vontade, ou bom humor, ou qualquer coisa que designe disposição de continuar vivendo e superar obstáculos.

Mas, se quiserem chamar de Deus, estarei errado ao supor que defendam ou estejam sujeitas a defender um comportamento repressivo e hipócrita, como diz em especial Hitchens, que é mais um panfletário do que um pensador e nem sequer reconhece o papel do imaginário cristão na tradição cultural. Dennett se mostra mais inclinado a investigar por que o cérebro humano precisa de uma dose de ilusão sobre o futuro, mas acha que não existe convívio possível entre ciência e religião, como se a mesma pessoa não pudesse encarar a fé como “encanto” e defender evolução e genética. Dawkins, no prefácio à nova edição de seu best-seller, rebate a crítica – de que a presença da religião na humanidade desde priscas eras é inelutável – dizendo que a aceitaria se dita “num tom que chegasse pelo menos perto do da pena ou da preocupação”.

Aqui está, portanto. A religião me preocupa quando pretende explicar a dinâmica das coisas e estimula dogmatismo e conformismo; só não perco meu tempo sonhando em aboli-la. E, tal como Dawkins, acho que seu problema e o de Dennett e Hitchens é de tom. Há algo tolo em quem critica o fundamentalismo com o mesmo dedo em riste e a mesma pregação exaltada daqueles que acusa.

ERRAMOS
Heresias


A Bíblia é um livro que muitos citam, mas poucos conhecem. São constantes os erros por desconhecimento ou mesmo por falha da memória. Na dúvida, cheque na própria Bíblia ou em enciclopédias de religião.

CRISTO ENFORCADO

Reprodução
"Diferentemente do que foi publicado no texto 'Artistas 'periféricos' passam despercebidos', à pág. 5-3 da edição de ontem da Ilustrada, Jesus não foi enforcado, mas crucificado, e a frase 'No princípio era o Verbo' está no Novo, não no Velho Testamento." (7.dez.94)

DILÚVIO

"Em alguns exemplares da edição de 30 de março de Esporte, foi informado incorretamente à pág. 4-3 que o personagem bíblico Jó criou a arca que salvou as espécies animais do dilúvio. Foi Noé quem construiu a arca." (6.abr.95)

QUANTAS PRAGAS?

"A reportagem 'Vento abriu o mar Vermelho a Moisés', publicada à pág. 6-18 do caderno Mais! da edição de 7 de junho, mencionava incorretamente 'sete pragas' enviadas por Deus ao Egito. O correto são dez pragas." (18.jun.92)


BEATIFICAÇÃO, CANONIZAÇÃO

"O fundador da organização católica Opus Dei, José Maria Escrivá de Balaguer (*), não será canonizado no dia 17 de maio, como noticiado em 7 de janeiro (Mundo, pág. 2-3). Ele será beatificado, primeiro passo para uma eventual canonização." (24.jan.92)

(*) A grafia correta é Josemaría Escrivá de Balaguer.


ORIGEM DO HOMEM E DA MULHER

"Diferentemente do que foi publicado no artigo 'Divina autocrítica' (Opinião, 2/1, pág. 1-2), a Bíblia relata que o homem foi criado primeiro por Deus, e não a mulher. No mesmo texto, o autor escreve que o homem teria sido criado a partir de uma costela. Segundo a Bíblia, o homem foi criado a partir de uma porção de barro, e a mulher, a partir de uma costela." (7.jan.00)
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Fonte: O Contorno da Sombra

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Pequenos gestos que fazem a diferença.

Um comentário:
Quando pequenos atos do nosso cotidiano fazem uma diferença incrivel no final. Compartilhe você também: 


O filme inicia com a uma boa ação de uma pessoa para com outra. A câmera, então acompanha o resultado deste ato de bondade que vai passando de um indivíduo para o outro até o momento em que essa atitude, iniciada alguns instantes antes, volta para a pessoa que iniciou a boa ação para com o seu próximo. Muito bom! Jesus nos alerta sobre isso: "E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim?" (Mateus 5:47)
Pratique amor e compaixão pelo próximo. Todo o amor e compaixão empregados retornam em dobro para aquele que pratica diáriamente essas ações.

Dica do Zé Luís Jr o "Zé Confuso" no Facebook

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Em busca de algo novo

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Movimento alternativo hipster cresce defendendo uma fé que não vire as costas para o mundo.

Por Brett McCracken

Por fora, o edifício parece algo que lembra um armazém degradado e abandonado. Dentro, luz ambiente, música marcada pela batida pesada do contrabaixo e um grupo de jovens usando jeans e adereços em excesso. Um bar oferece alguma coisa para beber e uma luz frenética no palco é encoberta pelo efeito do gelo seco. Telas enormes projetam o que parecem ser vídeos musicais. Para todo lado, vê-se gente usando iPhones. Uma moça ostentando um piercing no nariz e vistosa tatuagem aparece e se apresenta a um recém-chegado. Ela fala de forma meio desajeitada, ainda que com seriedade, sobre a sua paixão por hortas comunitárias e cooperativas de alimentos. Enquanto pergunta se o visitante conhece o novo álbum do Arcade Fire, ela pede informações sobre seu endereço para contato.
Os hipsters preferem ser chamados de “seguidores de Cristo”,ao invés de cristãos, nutrem repulsa à ideia dos tradicionais apelos para as pessoas irem à frente da igreja confessar a Jesus e, só de pensar em distribuir folhetos nas ruas, sentem arrepios.
Para quem estranhou a descrição do espaço e a forma de abordagem, é bom dizer que aquela é uma reunião cristã e dar as boas-vindas ao mundo do cristianismo alternativo, ou “descolado”, na falta de terminologia mais apropriada – nos Estados Unidos, eles foram classificados como hipsters. É um mundo onde os filmes da série Deixados para trás, adesivos de parabrisas com a palavra “Jesus” e o tradicional evangelismo de porta em porta são apenas curiosidades ultrapassadas. Mais nova encarnação de décadas de colisão entre o que pode ser chamado de “legal” e a prática cristã, o movimento alternativo é, em grande parte, uma rebelião contra a subcultura que o originou – uma reação ao evangelicalismo da velha escola e ao legalismo cristão antiquado, sua apatia sobre as artes e lamentável falta de interesse social. Nos EUA, é também uma rejeição contra o cristianismo ao estilo do ex-presidente George W.Bush, aquele das bandeiras americanas nas igrejas, da exposição dos dez mandamentos nas salas de tribunal e dos ataques a outros povos sob a bandeira de uma cruzada pelos princípios do Ocidente.

A nova subcultura de jovens evangélicos cresceu junto com música cristã contemporânea, flanelógrafo, Escola Bíblica de Férias e histeria sobre o fim do mundo. Agora, eles riem de tudo isso e tentam queimar toda essa “escória brega” do cristianismo de megaigreja para pôr no lugar alguma coisa que gravite em torno do mundo real. Esses alternativos preferem ser chamados de “seguidores de Cristo”, ao invés de cristãos, nutrem repulsa à ideia dos tradicionais apelos para as pessoas irem à frente da igreja confessar a Jesus e, só de pensar em distribuir folhetos nas ruas, sentem arrepios. Essa maneira de viver a fé, ainda misteriosa para a maioria, alarma muitos líderes evangélicos –porém, também aparece como uma revolução interessante. E há quem prefira vê-lo não como manifestação de rebeldia, mas uma maneira de reabilitar a imagem da Igreja.

Convém lembrar que o movimento alternativo – leia-se hipster – nos Estados Unidos não surgiu do nada. Ele é, na verdade, desdobramento de uma série de outras vertentes que surgiram no cenário evangélico desde os anos 1960, como o Jesus People. A reboque, vieram os ministérios evangelísticos com jovens, as organizações paraeclesiásticas e o sentimento geral de que, para alcançar cada vez mais essa crescente cultura de rebeldia adolescente, o cristianismo teria de se tornar um pouco mais ousado e sábio em relação às tendências dos seus dias. Muitos líderes evangélicos nos anos 80 e 90 buscaram ativamente se tornar “legais”. Eles começaram a alcançar a cultura jovem e formar igrejas que atendessem suas necessidades, motivados por um desejo renovado de fazer a obra de Deus de maneira contemporânea, atual e relevante.

Os cristãos alternativos de hoje estão fazendo o inverso. Eles procuram romper com a subcultura cristã, mas preservando sua fé e mantendo-se compatíveis, e não contrários, à contracultura secular. Sua missão é a de dar novos significados à própria crença, para que se torne, se não totalmente desprovida de seus próprios significados, ao menos associada com tudo aquilo que anteriormente era considerado oposição: arte, pensamento acadêmico, política liberal, moda, e por aí vai. A lista de atividades deste grupo pode tanto envolver a comunidade na luta por justiça social e pela preservação ambiental como usar as modernas tecnologias de comunicação e relacionamento virtual – e, até mesmo, patrocinar visitas a cervejarias e conviver bem com palavrões.

OPERAÇÃO SECRETA

Afinal, o que transforma uma congregação cristã numa “igreja descolada”? Uma das características do segmento é que está sempre em busca de um choque de valores. Nos Estados Unidos, por exemplo, a Igreja Mars Hill, em Seattle, é uma meca cristã hipster pastoreada por Mark Driscoll. O líder tem aparência metrossexual, envergando, por exemplo, camiseta justa e cordão com crucifixo. Algumas igrejas fazem seus cultos em bares e casas noturnas. A Mosaico, em Los Angeles, se reúne na boate Mayan, e a North Brooklin Vineyard, de Nova Iorque, prega o Evangelho num lugar chamado Trash Bar. Algumas comunidades hipster, como a Grace Chicago, permitem-se a requintes como degustações de vinhos. Outras focam mais no choque de valores através dos sermões aprofundados em assuntos delicados tais como homossexualismo, abuso infantil, tráfico sexual, Aids, algumas vezes usando uma ou duas palavras mais explosivas – postas, é claro, em boa medida.

Como resultado de uma fusão intencional entre o cristão e o secular, esse cristianismo descolado frequentemente tem aparência de uma operação secreta. Não se consegue decifrar facilmente os elementos cristãos de um crente alternativo – ele é, na verdade, complexo nas suas encarnações, muito embora não seja tão diverso nos aspectos étnicos e socioeconômicos. Trata-se de um estreito subconjunto da fé, composto por uma maioria de evangélicos brancos e economicamente privilegiados. Outra marca distintiva do grupo é a música em seus cultos de adoração. Mantendo o pensamento universal de “evitar fazer o que todo mundo está fazendo”, muito comum entre eles, a maior parte das igrejas dessa linha foge ao estilo dominante das megacongregações com seu louvor estilo show de auditório – ao invés disso, preferem cânticos de louvor contemporâneos, muitos deles usando hinos bem antigos. Na Igreja Presbiteriana da Ressurreição em Williamsburg, no Brooklyn (o coração da cultura hipster mundial), onde a maioria dos membros têm menos de 25 anos, a música é intimista, acústica e reverente, com apenas um cantor e um instrumentista no altar.

Nas pregações alternativas, ideias como a da salvação final da alma e da ida para o céu são postas de lado em favor da noção de que o céu é que vai baixar à Terra e renovar a Criação partida. Tudo isso atrai a atenção dos adeptos para elementos como justiça social, meio ambiente e artes, porque, se Deus está construindo seu Reino na terra, então tudo aqui tem importância. Crentes descolados quase sempre defendem a causa dos oprimidos, como imigrantes e minorias, numa tentativa de trazer tais temas de volta à agenda religiosa. Eles também demonstram uma saudável apreciação pelas coisas boas da Criação, pelo detalhe e pela arte de filmes, músicas, livros e artesanato que sejam criativos e bem produzidos.

Em contrapartida, alguns se perguntam se esse tipo de cristianismo alternativo não está indo longe demais ao abraçar as chamadas coisas do mundo – especialmente quando essas coisas podem se tornar, indiscutivelmente, uma pedra de tropeço. Há quem suspeite que a receptividade rebelde de comportamentos reconhecidos como tabus, na verdade, em longo prazo, fará mais mal do que bem. Isso porque, para se tornar um alternativo, é preciso ser um rebelde. A despeito do fato de que, ironicamente, a cultura alternativa normalmente opere e seja sustentada dentro das estruturas às quais ela se opõe, a lógica do movimento é a rebelião contracultural que está sempre pressionando os limites. Por isso, principalmente nos Estados Unidos, a existência do grupo é frequentemente cheia de vícios. Se eles não podem superar completamente as estruturas que os amarram, eles podem ao menos desestabilizá-las, ao engajar-se num comportamento hedonista. A idéia é de valorizar a liberdade, a festa, a transgressão. Os hipsters americanos ridicularizam o que consideram preocupações burguesas, tais como “cigarros causam câncer” e “beba com moderação”, optando-se, ao invés disso, por aceitar tais vícios de forma imprudente, dizendo simplesmente “por que não?”.

SENSO CRÍTICO X SUPERFICIALIDADE

No Brasil, o movimento alternativo ainda não chegou com força. Mas já há ministérios com proposta parecida. Localizada no centro de São Paulo, a comunidade evangélica Projeto 242 oferece um modelo de fé contextualizada. O grupo é ligado à associação de igrejas Steiger, organização missionária internacional dedicada a alcançar jovens com um Evangelho que ofereça alternativas ao secularismo. “Compartilhamos de uma linguagem cultural e artística parecida, atenta à cultura jovem global”, define o pastor Sandro Baggio, 42 anos. Oriundo da Igreja do Evangelho Quadrangular, ele coordena uma congregação que reúne artistas em geral e gente ligada ao estilo de vida urbano. “Vivemos a tensão de ser uma comunidade conservadora teologicamente e liberal culturalmente, mantendo as crenças essenciais do cristianismo”.

O amálgama, segundo Baggio, tem dado certo. “Somos um grupo de pouco mais de 100 pessoas que se reúnem para os cultos e se identificam como membros. Nossa motivação não é a de sermos descolados, mas praticar um estilo de vida que tem atravessado 2 mil anos – às vezes se adaptando à cultura, outras contestando-a e subvertendo-a, mas sempre fundamentado na vida, obra e mensagem revolucionárias de Jesus Cristo”. Na mesma linha, embora em dimensões maiores, trabalha a igreja Caverna de Adulão, em Belo Horizonte (MG). O perfil alternativo, que atrai muitas pessoas consideradas desajustadas – integrantes de tribos urbanas, viciados em drogas e jovens rebeldes – já é expresso pelo nome da comunidade: segundo o Antigo Testamento, foi numa caverna na cidade de Adulão que Davi, fugindo da morte pelas mãos de Saul, refugiou-se com centenas de outros homens perseguidos e desesperados. Hoje, a comunidade é referência em missões urbanas.

“A Caverna tem duas características principais: informalidade e diversidade. Nós nos contrapomos à rigidez de modelos fortemente marcados por hierarquização e misticismo”, destaca o pastor Geraldo Luiz da Silva, um dos líderes da igreja. “Fugimos dos modelos que abusam de conceitos como autoridade, submissão ou cobertura espiritual”. Evangelista experiente, Geraldo tem longa trajetória no trabalho entre o público que encontra dificuldades de adaptação no sistema eclesiástico tradicional. “O conceito que temos buscado é o da busca da simplicidade na vida cristã”. No entanto, assinala, não se pode confundir uma atitude considerada descolada com superficialidade e falta de compromisso na vida cristã. “Precisamos incentivar os crentes a terem um senso crítico perante todas as questões da sociedade, inclusive com relação à Igreja. Isso não é, necessariamente, rebeldia”, opina o pastor. “Mas trabalhos alternativos cujo discurso se sustenta, prioritariamente, na crítica, costumam ser imaturos e infrutíferos. Creio que o trabalho sério e dedicado seja a melhor resistência àquilo que rejeitamos.”

Encontrar a medida certa entre a rebelião pura e simples e a liberdade em Cristo parece ser o desafio da juventude cristã alternativa tanto no Brasil como nos Estados Unidos. Contudo, até que ponto o flerte com coisas consideradas pecaminosas pela grande maioria dos evangélicos pode ser arriscada? E se a correção de rota que os alternativos de Jesus propõem não for melhor do que os modelos vigentes? No final das contas, o que significa mais esse movimento para a Igreja de Jesus Cristo? Quem atua no evangelismo entre a juventude reconhece o valor de iniciativas que levem a uma conscientização maior perante a sociedade, mas desde que não se abra mão de princípios basilares. “A Igreja, como a conhecemos, não é o modelo ideal, até foge a princípios bíblicos”, aponta Elias de Oliveira, pastor evangélico e idealizador do Vivos, ministério virtual que se apresenta na internet como um canal que oferece suporte aos que estão necessitados de avivamento pessoal e retorno à verdade da Palavra de Deus, dentro ou fora dos modelos eclesiásticos. “No entanto, essa Igreja é o que temos, e é possível que ela seja santa e se enquadre verdadeiramente na visão de Deus e desenvolva com êxito a sua missão maior, a de anunciar o Evangelho.”

Esse tipo de cristianismo vai trazer de volta o jovem e os decepcionados com a igreja, ou, ao invés disso, vai alienar ainda mais uma geração farta de ser alvo do mercado? Ele terá a capacidade de corrigir problemas do cristianismo face à cultura e a sociedade ou irá desaparecer como mais uma moda passageira? Essas são questões que permanecem abertas. “O que vemos na história da Igreja é o surgimento de movimentos os mais diversos. Jesus Cristo afirmou que tudo passa, mas que a sua Palavra permanece para sempre”, lembra o teólogo e educador cristão Jorge Rocha Gonçalves, membro da Igreja Batista Missionária em Pernambuco. “Já Paulo defendia que o Evangelho fosse pregado de qualquer jeito. Nada escapa aos olhos do Senhor”. Enquanto isso, o cristianismo alternativo é, algumas vezes, encorajador; outras, ameaçador – porém, desponta como um fenômeno fascinante, que desafia a compreensão fácil do tipo “sim” ou “não”. E é precisamente assim que ele prefere se manifestar.
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Fonte: Cristianismo Hoje

domingo, 25 de dezembro de 2011

Jesus Viria a Este Culto?

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Por Christianity Today International.


Viajar me dá a oportunidade de ver um pouco de vários tipos de igrejas. Lembro do primeiro culto ortodoxo russo de que participei. O objetivo era expressar o mistério e a majestade. Tem a duração de três a quatro horas e as pessoas possuem toda liberdade para entrar e sair na hora que quiserem. Ninguém convida os participantes a saudarem os que estão à sua volta com “a graça e a paz”, nem mesmo com um sorriso. Todos ficam em pé – não há bancos – observam os profissionais, que são mesmo, muito profissionais. Não entendi uma palavra sequer, mas depois fiquei sabendo que ninguém entendeu: os cultos russos são celebrados em eslavônico antigo, língua que apenas os sacerdotes conhecem. No Egito, participei de um culto dirigido em copta, língua que nenhum dos sacerdotes falava.

Enquanto que nos Estados Unidos os editores lançam uma nova versão da Bíblia, mais ou menos a cada seis meses, em grande parte do mundo os fiéis não entendem uma palavra sequer do que é lido no púlpito. As igrejas dos Estados Unidos, na tentativa de atingir a sensibilidade das pessoas, chegam a programar cultos destinados a faixas etárias específicas, como as “igrejas geração X”, que se reúnem em galpões ou shopping centers vazios. Dispensam as formalidades e reduzem o culto a músicas de louvor, anúncios, e a “palavra”. Algumas inovam com teatro ou “lições objetivas” que fazem a Bíblia ganhar vida. Já vi cerca de mil jovens presos às palavras do pastor que jogava sangue sobre um “sacerdote” a caráter, que segurou uma pilha de madeira durante todo sermão para demonstrar a tarefa dos levitas.
Sendo um dos países mais religiosos do mundo, os Estados Unidos oferecem opções para todos. Algumas igrejas armênias dirigem o culto na mesma língua e estilo que usavam há um milênio. Em uma igreja cristã reformada perto de Chicago, perguntei se poderia pregar na plataforma e não no púlpito elevado. A reação foi de choque, como se eu tivesse pedido para pregar só com as roupas de baixo. No Colorado, meu pastor caminha pela plataforma, vestindo jeans e uma camisa pólo.

Visitei, em uma pequena vila nas Filipinas, uma igreja ao ar livre, construída com varas e sapê. Porcos e galinhas tinham toda liberdade para passar. Um casal de missionários escoceses idosos havia estabelecido dezenas de igrejas semelhantes nas montanhas remotas. Fundadas segundo o modelo da Irmandade de Plymouth, não tinham pastores – na verdade, a maioria daqueles crentes não tinha a menor idéia de que em outros lugares do mundo os cristãos contratam profissionais para dirigir o culto.
Para mim, a Europa é o local onde o culto é mais deprimente. As catedrais magníficas atraem multidões de turistas e pouquíssimos crentes. Em Praga, cidade natal do grande reformador Jan Hus, fui a uma das poucas igrejas evangélicas, que se reúne no salão de conferências de um hotel. A igreja de Hus é atualmente um museu, raramente usado. A igreja de João Calvino ainda domina o cenário em Genebra, mas a maioria dos suíços a considera uma relíquia, não uma fonte de sustento e vida. Até em Roma os cafés atraem mais pessoas nas manhãs de domingo do que as igrejas.

No Japão, uma congregação de 200 membros já é uma megaigreja. Conheci adultos convertidos que iam à igreja, e depois a Cristo, porque queriam exercitar o inglês ou aprender a tocar piano. À medida que a cultura ocidental abandona sua herança cristã, a asiática a adota, acumulando orquestras sinfônicas, colecionando nossa arte e, em alguns casos, abraçando nossa fé.

Uma professora, minha amiga, dá aulas na região norte de Chicago. Ela me disse que os alunos judeus e protestantes não conhecem mais os nomes bíblicos, como Sansão e Daniel. Os coreanos conhecem.

Aprendi a ver força, e também confusão, nesses vários estilos de culto. Por exemplo, alguns missionários criticam o culto russo por ser distante e impessoal. Porém, durante o regime comunista, em que não havia lugar para Deus, a igreja ortodoxa continuou a colocar Deus no centro e sobreviveu ao ataque ateísta mais violento de toda a história.

De toda forma, como devemos parecer estranhos para quem tenta compreender nossa fé com base em traços diversos. Todas as igrejas – da sacramental a “ao gosto do freguês” – têm sua lógica interna, e de modo misterioso, todas estão ligadas a um rabino palestino que pregava em sinagogas ou em campos.

Minhas viagens levaram-me a algumas conclusões. Primeiro, pouca gente nas igrejas parece estar gostando do que faz ali. Segundo, o cristianismo costuma manifestar seu lado melhor quando é uma fé minoritária. Vejo mais unidade e criatividade em lugares como o Reino Unido e a Austrália, onde os cristãos têm pouca esperança de afetar a cultura e, por isso se concentram em amar uns aos outros e adorar da forma correta. Terceiro, Deus “se move” de formas misteriosas. Para visitar as igrejas florescentes da época do apóstolo Paulo, é necessário contratar um guia muçulmano ou um arqueólogo. A Europa ocidental, onde ficava o Sacro Império Romano e onde aconteceu a Reforma, é hoje um dos lugares menos religiosos da terra. Na América Latina, enquanto os católicos pregavam a “opção preferencial de Deus pelos pobres”, os pobres adotaram o pentecostalismo. Enquanto isso, o maior reavivamento numérico já acontecido na história tem lugar na China, um dos últimos Estados ateus e um dos mais opressivos. Não dá para entender.

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Fonte: Solomon via Meninas do Reino