domingo, 30 de janeiro de 2011

Jesus Cristo é Aquele que Pastoreia

Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim, assim como o Pai me conhece a mim, e eu conheço o Pai (Jo 10:14-15a).

Era uma das vocações mais simples de toda a Palestina, e por sinal, uma das mais antigas também. Havia um ditado popular, que a incluía na lista de profissões que um judeu não devia ensinar a seu filho [ROPS, Henri Daniel. A vida diária nos tempos de Jesus. São Paulo: Vida Nova, 1986 Pág. 150]. Não era fácil trabalhar nessa área. Calor de dia, frio de noite, além das noites e noites sem dormir (Gn 31:40). Em termos monetários, o salário era quase inexpressivo [AZEVEDO, Irland de. Imagens bíblicas do ministério pastoral. São Paulo: Vida, 2004 Pág. 119]. As casas em que eles moravam eram frágeis (cf. Is 38:11). As roupas, muito simples. O trabalho perigoso (I Sm 17:34-36). Apesar de tudo isso, quando falava de si mesmo, a figura predileta de Jesus não era a de um rei, de um general, mas a de um trabalhador dessa profissão: Eu sou o bom pastor (Jo 10:11), disse ele. O que isso nos ensina? Vejamos.

I – OLHANDO PARA JESUS

A figura do pastor, com certeza, está entre as favoritas de Jesus. Ela aparece quase cinquenta vezes em toda a Bíblia e, na maioria das vezes, referindo-se a ele. Só no capítulo 10 de João, que se desenvolveu a partir do confronto de Jesus com os líderes judeus (Jo 9), encontramos seis referências à palavra “pastor”. O cego de nascença, que foi curado por Jesus, esperou em vão o cuidado pastoral dos seus líderes. Na verdade, eles o expulsaram do rebanho (Jo 9:34). Porém, depois disso, ele encontrou em Jesus “um pastor de verdade” [BRUCE, F. F. João: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, 1987 Pág. 194]. Neste estudo, baseado na metáfora pastor-ovelha, iremos meditar em quatro características do ministério de Jesus.

1. Um ministério orientador: Jesus conta um enigma sobre o ministério pastoral (Jo 10:6). Ele é o personagem principal: O pastor das ovelhas (Jo 10:2). Jesus utiliza-se da metáfora pastor-ovelha para ressaltar algumas características importantes do seu ministério. Logo de cara, enxergamos a primeira: a orientação. Veja o que diz o texto: E quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e elas o seguem (Jo 10:4). Observe a expressão “ir adiante” das ovelhas. Esse é um detalhe importante. As ovelhas não podem caminhar sozinhas. Falta-lhes senso de direção. Uma ovelha tem que seguir alguém [AZEVEDO, Irland de. Imagens bíblicas do ministério pastoral. São Paulo: Vida, 2004 Pág. 126]. A alguns metros do caminho certo, são incapazes de encontrá-lo. Se não houver um pastor que as oriente, as ovelhas tendem a perambular perto dos rios; o que é muito perigoso, visto que sua lã se molha, pesa, e elas podem se afogar [LUCADO, Max. Deus chegou mais perto. São Paulo: Vida Cristã, 1998 pág. 47]. Ter um pastor para orientá-las é extremamente importante para preservar-lhes a vida e deixá-las sempre no caminho certo. É por isso que as ovelhas são talentosíssimas para discernir a voz do seu pastor: ...ouvem a sua voz (...) conhecem a sua voz (Jo 10:3-4). Jesus é apresentado no texto como aquele que vai adiante. Aquele homem que foi rejeitado pelos seus líderes (Jo 9:35) não ficaria sem rumo! Jesus estava ali: Ele orienta! Quem o segue, acerta o caminho.

2. Um ministério cuidador: Quando Jesus lhes falou este enigma, eles não entenderam o que era que ele lhes dizia (Jo 10:6b). Jesus começa a explicar de modo mais claro, e, na sua explicação, encontramos a segunda característica do ministério “pastoral” de Jesus: o cuidado. Dois pontos podem ser ressaltados. Primeiro, o cuidado protetor de Jesus. Leia com atenção o versículo 9a: Eu sou a porta; todo aquele que entrar por mim, salvar-se-á (Jo 10). Outra figura entre em cena aqui: A porta. Jesus é a porta do aprisco. Todo aquele que entra por ele salvar-se-á. O verbo “salvar” significa “livrar de perigo e entregar em segurança” [WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico expositivo: NT, vl. I. Santo André, SP: Geográfica, 2006 pág. 424]. Jesus estava mostrando que cuida da segurança das suas ovelhas. Ele as protege. Um segundo ponto que pode ser ressaltado diz respeito ao cuidado provedor de Jesus. O texto conclui: Eu sou a porta. Quem entrar por mim (...) poderá entrar e sair e achará comida (Jo 10:9b – NTLH). Para uma ovelha dormir, tudo precisa estar na mais perfeita ordem, inclusive, o estômago tem de estar cheio. Como não podem encontrar comida, as ovelhas precisam de ajuda. Era o pastor que cuidava da alimentação do rebanho [LUCADO, Max. Deus chegou mais perto. São Paulo: Vida Cristã, 1998 pág. 27]. Eles davam o melhor de si para encontrarem a erva mais fresca, pastos ricos em nutrientes, água limpa, etc. Assim é Jesus, nosso pastor. Podemos esperar confiantes por sua proteção e provisão.

3. Um ministério sacrificial: Continuando a analisar essa metáfora rica em significados, descobrimos uma terceira característica do ministério “pastoral” de Jesus: a sacrifical. Veja o versículo 11: Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas (Jo 10). Jesus está mostrando que o “bom” pastor não é aquele que se preocupa primeiramente com o seu bem-estar, mas o que se preocupa com o bem-estar das suas ovelhas. Esse até arrisca a sua vida para salvá-las. Os pastores da palestina, de fato, colocavam a vida das ovelhas acima da sua [YOUSSEF, Michael. O estilo de liderança de Jesus. Belo Horizonte: Betânia, 1987 pág.32]. O mercenário, não. Este cuida das ovelhas com outros fins. Quando o lobo vem, deixa as ovelhas e foge (Jo 10:12). Não perca de vista que Jesus está falando com os fariseus, com os líderes da religião judaica. Eles só pensavam nos seus próprios interesses. Ao dizer: Eu sou o bom pastor, Jesus estava enfatizando sua excelência como tal e contrastando- se com os falsos pastores daquela época. Jesus já os havia chamado de “ladrões e salteadores” (Jo 10:1, 10) e, no versículo 11, os descreve como “mercenários”. Eles não tinham interesse real nas ovelhas (Jo 10:13 – BV). Jesus, sim! Ele morreu por elas. Deu sua vida, espontaneamente (Jo 10:18). Jesus, o verdadeiro pastor, não somente cuida das ovelhas, mas comprou-as com seu precioso sangue (I Pe 1:19-20). Seu pastoreio é sacrificial.

4. Um ministério relacional: Veja o que diz o versículo 14 de João capítulo 10: Eu sou o bom pastor, eu conheço as minhas ovelhas. Neste versículo, nós descobrimos a quarta característica do ministério de Jesus: A relacional. O termo “conhecer”, no Evangelho de João, não está ligado a conhecimento intelectual. O significado é bem mais abrangente. Refere-se a relacionamento íntimo entre Deus e seu povo [WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico expositivo: NT, vl. I. Santo André, SP: Geográfica, 2006 pág. 425]. É conhecer no sentido de relacionar-se, conviver, sentir. É justamente esse o sentido que tem a palavra “conhecer”, empregada por Jesus em João capítulo 10, versículo 14. O pastor, na palestina, levava os seus rebanhos para as pastagens e ficava o dia inteiro com eles, e, às vezes, até a noite. Os rebanhos do oriente, em geral, não eram grandes demais, e o pastor conhecia cada ovelha, individualmente. Entretanto, havia rebanhos que consistiam de milhares e até de dezenas de milhares desses animais. Nestes, as ovelhas que ficavam mais próximas do pastor tinham, cada uma, o seu nome dado por ele, e recebiam cuidados especiais [DAVIS, John D. Dicionário da Bíblia. Rio de Janeiro: JUERP, 1987 pág. 447]. Os pastores amavam as suas ovelhas e estas correspondiam ao seu amor [ROPS, Henri Daniel. A vida diária nos tempos de Jesus. São Paulo: Vida Nova, 1986 pág. 151]. Assim é Jesus: ele conhece, convive, ama as suas ovelhas. Seu ministério é relacional. Os fariseus não se importaram nem um pouco com aquele cego que fora curado. Enquanto os fariseus o “expulsaram”, Jesus o “acolheu” (Jo 9:35-38) e mostrou que muitas outras ovelhas ainda seriam agregadas (Jo 10:16). Quando ele terminou de dizer estas palavras, os judeus se dividiram novamente em suas opiniões a respeito dele: Muitos diziam: Está possuído por um demônio (...). Mas outros diziam: Estas palavras não são de um endemoninhado. Pode um endemoninhado abrir os olhos dos cegos? (Jo 10:20-21). Esse último grupo tinha razão; eles não estavam diante de um endemoninhado, mas diante de um pastor, “o verdadeiro pastor”.

II – OLHANDO PARA NÓS

1. Você está desorientado? Conte com a direção de Jesus, seu pastor - Precisa tomar uma decisão que pode mudar radicalmente a sua vida? A vida é assim mesmo. Hora ou outra nos deparamos com algumas decisões inquietantes. Uma nova proposta de trabalho, uma mudança inesperada, a futura profissão, o futuro esposo, a futura esposa. Dependendo do que for decidido, as coisas podem melhorar ou piorar. Para acertar mais e errar menos, lembre-se sempre de Jesus, o seu pastor. Ore, peça-lhe sabedoria para acertar na escolha. Estude sua palavra, familiarize-se com a sua vontade, seu jeito de decidir as coisas. Deixe-o andando na frente (Jo 10:4); Siga-o com submissão. Assim, você nunca estará desorientado.

2. Você está preocupado? Conte com o cuidado de Jesus, seu pastor - Está preocupado com o dia de amanhã? O que comer, o que beber, o que vestir? Como pagar a faculdade do filho? E se o emprego faltar? E se a doença chegar? Tranquilize-se! Seu pastor é cuidadoso: Todo aquele que entrar por mim, entrará, sairá e achará pastagens. O ladrão [O “ladrão” é uma indicação aos fariseus, cf. Jo 9:35-41; 10:20-21 (HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento: O Evangelho de João. São Paulo: Editora Cristã, 2004 pág. 461)], só vem para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância (Jo 10:10). Diante dos ataques dos lobos ou em meio a pastos verdejantes, o cuidado de Jesus, o nosso pastor, é certo! As minhas ovelhas(...) eu as conheço (Jo 10:27). Não andemos ansiosos (Mt 6:25); lancemos sobre ele toda a nossa ansiedade, porque ele tem cuidado de nós (I Pe 5:7)!

3. Você está desamparado? Conte com a proteção de Jesus, seu pastor - Enquanto as ovelhas estavam dentro do aprisco, os muros as protegiam. Mas, depois que elas saíam de lá, a sua única proteção era o pastor. Hienas, chacais, lobos e até ursos surgiam com frequência, não sendo incomum a luta entre o pastor e uma fera selvagem [ROPS, Henri Daniel. A vida diária nos tempos de Jesus. São Paulo: Vida Nova, 1986 pág. 150]. Você já se sentiu desamparado alguma vez? Sem proteção? Alguma vez já teve a impressão de estar sozinho, de que ninguém se importa com você, de que ninguém o pode ajudar? Se esse sentimento quiser ganhar lugar no seu coração, lembre-se de Jesus, o seu pastor (Jo 10:14). Ele está com você todos os dias (Mt 28:20). Com ele ao seu lado, tudo termina bem: As minhas ovelhas (...) ninguém poderá arrebatá-las da minha mão (Jo 10:27a, 28b).

CONCLUSÃO

A figura do pastor não combina com a figura do mercenário. Existe uma incompatibilidade entre elas, uma barreira intransponível. O pastor guia, protege, alimenta, cuida das ovelhas. O mercenário se aproveita, explora, rouba, dispersa as ovelhas. O pastor enfrenta o perigo; o mercenário foge do perigo. O pastor se preocupa com as ovelhas; o mercenário se preocupa consigo mesmo. Jesus é o nosso pastor, ele não é mercenário. Quando estivermos desorientados, desamparados e necessitados, podemos contar com a sua direção, seu cuidado e sua presença. É encorajador saber disso!
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DEC – PC@maral

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